Conte Sua História de São Paulo: aqui aprendi como é o cheiro da poluição e o cheiro do mato

 

Por Marcos Bacarelli Rennar
Ouvinte da CBN

 

 

Sou paulistano e torcedor do Corinthians, com orgulho. Nasci aqui, fui criado aqui, saí muito pouco da cidade, morei algumas vezes nos arredores, mas nunca me afastei definitivamente. Fui criado na zona oeste, sempre perto da Lapa, Pompéia, Freguesia do Ó. Fui até para a Granja Vianna e acabei voltando. Aprendi a reconhecer o cheiro da poluição, do asfalto, da chuva sobre o concreto e diferencia-los do cheiro do mato. Um aprendizado.

 

Certa vez fui conhecer o Ceará, visitar um grande amigo que sofrera um acidente de carro numa estrada perto de Fortaleza. Fiquei apenas alguns dias hospedado na casa de amigos e percebi que as pessoas me olhavam como se eu fosse totalmente diferente por ser paulista: talvez um outro braço esquerdo, talvez uma orelha a mais, sempre com olhares arregalados de espanto.

 

São Paulo ainda é a locomotiva que puxa este país. Tenho o desejo de morar numa cidade quente costeira, na qual possa ver o sol no horizonte e caminhar na praia no fim de tarde. Contudo, em todos os lugares onde estive dentro deste país varonil há uma diferença brutal: é aqui que está a grana! Negócios, eventos, lançamentos — onde estão as sedes das empresas e onde são tomadas as decisões. É aqui que tudo acontece!

 

Eu vi pessoas ficarem ricas, vi pessoas e amigos perderem tudo, vi pessoas chegando de outros estados, voltando pra suas origens; gente de outros países aportando e aterrissando em Santos, Congonhas e Cumbica. Vi as estradas sendo construídas e duplicadas. Vi a Ceasa ficar colorida com milhares de frutas num entardecer de céu laranja, azul e amarelo. Somente ali naquele momento da minha memória (e de algumas fotos) tal luz celestial aconteceu!

 

Também vi o Movimento das Diretas Já na praça da Sé, a reurbanização de alguns pontos da cidade, as reformas dos monumentos, as reformas e os monumentos, as paralisadas linhas do metrô e a paralisia da educação. Também vi a construção da oitava maravilha do futebol brasileiro: a Arena Corinthians — onde a abertura da Copa do Mundo aconteceu.

 

Trabalhei com propaganda, gastronomia, eventos, fui professor universitário durante 20 anos, fiz dezenas de cursos, me qualifiquei de tal forma que hoje sou um especialista, quase um erudito, e somente aqui eu poderia ter alcançado tal status. Somente aqui este status poderia ter uma serventia: onde tudo acontece!

 

Meus ascendentes, tanto por parte de Pai quanto por parte de mãe, eram estrangeiros vindos da Europa e acabaram por se fixar em São Paulo. Meu avô paterno passou por Buenos Aires e Rio de Janeiro até se casar e formar família, vindo do norte da Hungria. Minha avó materna chegou de Minas Gerais viúva com sete filhos e criou todos na Pauliceia.

 

Desse milagre termodinâmico, nasci eu, meio húngaro, mezzo italiano, branco, loiro de olhos verdes, brasileiro — que adora ouvir Tom Jobim; paulistano da Lapa e orgulhoso por fazer parte desta história.

 

Marcos Bacarelli Rennar é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar escrevendo sua história para milton@cbn.com.br

“Desesperadamente, Soninha Francine”

 

Uma carta da subprefeita da Lapa, Soninha Francine, apresentada durante a CPI das Enchentes, serviu de munição para os vereadores questionarem o secretário da Coordenação das Subprefeitura Ronaldo Carmargo sobre a eficiência do trabalho realizado pela prefeitura. A mensagem foi escrita no fim de fevereiro e enviada a colegas e funcionários da secretaria. Soninha implora por compreensão, reclama da burocracia e demonstra estar cansada do “cacete que temos tomado” pela incapacidade para realizar o serviço de conservação da cidade:

Prezados,

Do fundo da alma, eu tenho o impulso insano de dizer “vocês estão de brincadeira”. Mas, mantendo o que me resta de compostura, eu imploro por um pouco de compreensão da rotina da Subprefeitura, das condições que temos enfrentado nos últimos 14 meses e do cacete que temos tomado por incapacidade de prestar os mínimos serviços de zeladoria que são de nossa atribuição.

A MÉDIA de equipes contratadas nos últimos dois anos é, em quase todos os casos, INFERIOR ao necessário para executar os serviços a contento. 2009 foi um ano de sérias restrições orçamentárias desde o início, agravadas pelo bloqueio imposto no começo do segundo semestre. Precisamos ter recursos para ir ALÉM dessa média.

E serviços como equipes de conservação de áreas verdes e limpeza de boca-de-lobo são objeto de contratações por vários meses seguidos. Não é possível que a Subprefeitura seja obrigada a justificar minuciosamente, mês a mês, o desembolso para remuneração das equipes para justificar que PRECISA de mais recursos e que SERÁ CAPAZ de gastá-los.

Se por acaso não conseguirmos utilizar recursos disponíveis nos primeiros meses – porque há pregão em curso, porque aguardamos a assinatura de ATA ou coisa parecida – essa inviabilidade não pode ser considerada sinônimo de que NÃO PRECISAMOS DE MAIS RECURSOS.

Que as árvores a podar, o mato alto das praças e as manchetes negativas nos jornais sirvam como justificativa suficiente para a necessidade de descongelamento e suplementação de recursos.
Atenciosa e desesperadamente,

Soninha Francine
Subprefeita
Subprefeitura Lapa

Conte Sua História de SP: Carnaval, não; dança de salão

 

Entrevista_05

Foi no salão de festas da Igreja Nossa Senhora da Lapa, na zona oeste de São Paulo, que a paulistana Elisa Vicenza Imperatrice descobriu o quanto a música e a dança podem ser determinantes na nossa vida – “revigorante”, como ela própria descreve no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo. Antes de se apaixonar pelas valsas vienenses, Elisa também se divertia nos bailes de Carnaval, mas não passava de uma brincadeira de menina:

Ouça o depoimento de Elisa Vincenza Imperatrice com sonorização do Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Agende um depoimento na sede do Museu da Pessoa pelo telefone 011 2144-7150 ou pelo site www.museudapessoa.net.

Caixas de madeira ainda são transtorno na Ceagesp

 

Caixas de madeira da Ceagesp

Um paredão de madeira se forma nas calçadas atrás da Ceagesp, na zona oeste de São Paulo, em uma demonstração da dificuldade que a cidade tem para resolver este problema. Nossa colega Mônica Pocker fez as fotos e lembrou que este material acaba sendo arrastando pelas águas das chuvas e provoca mais enchente.

Recentemente, em conversa com a subprefeita da Lapa Soninha Francine soubemos da proposta de se criar um banco de compensação para trocar estas caixas de madeira por de plástico, mais resistentes. A discussão, porém, estava apenas no campo das ideias.

Canto da Cátia: Pobre da zebra

Desrespeito no trânsito

Por esta rua, os carros chegam a avenida Francisco Matarazzo, na Lapa. A atenta Fernanda Toffoletto, filha da famosa Cátia, sacou o celular para registrar o carro que passava pela faixa zebrada, proibida para circulação. A cena lembra o que veremos aos montes nesta sexta-feira com a saída para o litoral e interior, no feriado de Carnaval: motoristas invadindo o acostamento para escapar do congestionamento. Outra constatação da foto feita pela repórter-mirim: tem de reforçar a sinalização de pista. Sobre isso, aliás, já falamos bastante nesta semana.

Canto da Cátia: Sujeira na Lapa

Lixo na Lapa

Lixo em área verde e grama alta no passeio público foram encontrados pela repórter Cátia Toffoletto nesta manhã, no bairro da Lapa. A foto aí de cima foi feita na esquina das ruas Dalton e Racine e mostra o desrespeito do cidadão com sua cidade. O material está acumulado em local inapropriado. A grama alta que você vê nas fotos arquivadas no álbum do CBN São Paulo no Flickr (clique na imagem acima e faça uma visita as outras fotos) é resultado da falta de conservação da prefeitura.

Agora o outro lado

Resposta da Secretaria das Subprefeituras:

“Com relação à informação veiculada nesta quarta-feira (18) no Jornal da CBN e no CBN São Paulo referentes à presença de mato nas regiões de Freguesia do Ó e Lapa, informo que, por conta destas denúncias, equipes da Subprefeitura de Freguesia/Brasilândia realizarão nesta semana os serviços de poda e corte de mato na praça na Avenida General Edgar Facó, saída da Ponte do Piqueri. A Subprefeitura Lapa também irá providenciar corte de mato nos locais apontados pela rádio – ruas Dalton e Racine, canteiro central das avenidas Ermano Marchetti e Marquês de São Vicente e Praça Jácomo Zanella. Aproveito para informar que esta subprefeitura acabou de contratar mais seis equipes de poda, e irá dispor, a partir do dia 25 de fevereiro, de um total de dez grupos – com aproximadamente 60 funcionários – para cuidar de suas 320 áreas verdes. Ao todo, as subprefeituras contam com cerca de 700 responsáveis pela conservação de áreas verdes na cidade. No período de chuvas, de outubro a março, quando a grama cresce com mais rapidez, esse efetivo aumenta em 30% – ficando em torno de 900 pessoas. As subprefeituras que têm mais regiões arborizadas – Sé, Lapa, Vila Mariana, Pinheiros e Butantã – contam com cerca de oito equipes cada para a realização de poda e corte de grama.”

Canto da Cátia: Sem sinal

Sem sinal na Lapa

A pista é recuperada, mas a sinalização horizontal é esquecida e o transtorno fica para os motoristas. A cena registrada pela repórter Cátia Toffoletto no viaduto da Lapa, zona oeste de São Paulo, pode ser vista em vários pontos da cidade. A alegação da prefeitura é que antes de fazer a pintura na pista precisa da garantia de que o serviço de recapeamento está correto, além disso há a necessidade de esperar dias mais secos – o que parece impossível no verão paulistano.

A imagem marca o retorno de Cátia Toffoletto com equipamento novo e fôlego recuperado à coluna Canto da Cátia aqui do blog.

Soninha apóia conselho de representantes, em São Paulo

Há pouco menos de um mês no cargo, a ex-vereador Sônia Francine já se depara com o enorme volume de atividades relacionadas a Subprefeitura da Lapa, em São Paulo. E compreende a necessidade da ação cidadã dentro da instituição como uma das melhores formas de se buscar soluções à região. Soninha defendeu a implantação dos conselhos de representantes suspensos por decisão judicial.

Ouça a entrevista da SUBPREFEITA DA LAPA, SÔNIA FRANCINE ao CBN São Paulo.