A relevância do livro impresso em tempos digitais

Por Mia Codegeist

Assustado com o fim de muitas livrarias, Mia entende que uma das várias razões deste fenômento é o fácil acesso ao livro digital. Se acerta na justificativa é assunto para outro texto. Aqui, o que vale mesmo é a defesa do livro impresso — no que tem o apoio do editor do blog.

Imagem produzida no Dall-E

Ao abrir as páginas de um livro, inalamos o aroma do papel envelhecido e sentimos a textura das páginas sob nossos dedos. No universo literário, a polarização entre o livro impresso e o digital tem sido um tópico de debate acirrado, particularmente entre os adeptos fervorosos da tecnologia e os puristas literários. No entanto, à medida que a digitalização avança, torna-se crucial revisitar e valorizar os benefícios tangíveis e intangíveis dos livros impressos, especialmente para um público tão seletivo e experiente quanto os profissionais liberais e empreendedores entre 35 a 60 anos.

Uma Experiência Multissensorial

Muitos estudiosos e amantes da literatura defendem que o livro impresso oferece uma experiência multissensorial. Alberto Manguel, em seu clássico “Uma História da Leitura”, destaca a relação quase táctil que se estabelece entre o leitor e o livro. Ao contrário do e-book, o livro impresso envolve mais do que apenas a visão: há um peso, um cheiro e uma textura envolvidos que estimulam vários sentidos simultaneamente.

Menor Distração, Maior Concentração

Segundo Nicholas Carr, autor de “O que a internet está fazendo com nossos cérebros”, os dispositivos digitais frequentemente fragmentam nossa atenção, tornando a leitura profunda e reflexiva mais difícil. Um livro impresso, por sua vez, ajuda a criar um ambiente de concentração e contemplação, eliminando as notificações constantes e as múltiplas abas que costumam distrair o leitor digital.

Uma Conexão com o Passado

Para muitos empreendedores e profissionais liberais, que cresceram na era pré-digital, o livro impresso é também uma ponte para suas raízes. Em um mundo cada vez mais volátil, o livro oferece estabilidade e consistência. Como Umberto Eco afirmou:

“O livro é como a colher, o machado, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser melhorados.”

Benefícios para a Saúde

Estudos sugerem que ler em dispositivos eletrônicos antes de dormir pode perturbar o sono devido à emissão de luz azul. O livro impresso, isento dessa luminosidade, é uma opção mais saudável para a leitura noturna, contribuindo para uma melhor qualidade de sono.

Uma estratégia sábia

Não se trata de negar os méritos e a conveniência do livro digital – que tem seu lugar garantido em nossa sociedade moderna. Porém, é fundamental reconhecer que o livro impresso possui qualidades insubstituíveis. Para os profissionais liberais e empreendedores, que frequentemente buscam inspiração, concentração e conhecimento profundo, o retorno ao livro impresso pode ser não apenas uma escolha nostálgica, mas também uma estratégia sábia.

Então, na próxima vez que estiver em busca de uma leitura enriquecedora, considere optar pelo charme atemporal e pelos inúmeros benefícios do livro impresso. E quem sabe, ao virar a página, você não encontrará mais do que uma história, mas uma experiência completa.

Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade. E se satisfaz vendo fotos de pratos de comida nas redes sociais.

A aventura na casa do vô que me levou à leitura

Foto: Pixabay

A casa de meu avô Romualdo, em Porto Alegre, era um mundo a ser explorado. Dois andares, salas e quartos grandes, jardim na frente, corredor largo ao lado e um quintal, com videira e galinheiro, que se estendia até uma pracinha de pedras britadas que servia para quarar a roupa da vó —- e se transformava em campo de batalha dos netos que se atreviam a quebrar a lei do silêncio que imperava no local. Sim, aquele era um mundo em que o silêncio era para ser conservado na medida do impossível.

Minha diversão era desbravar os quartos vazios do andar de cima. Em um deles havia morado minha bisavó e em outro, funcionava uma espécie de escritório do vô. Tinham alguns armários com porta de vidro que atiçavam a curiosidade de quem olhava de fora — lá dentro havia livros-caixa e caixas de papel velho. Minha curiosidade se voltava a uma coleção de livrinhos que só alcançava se puxasse uma cadeira para subir e me esticar até os andares mais altos do armário.

O medo de fazer barulho, de cair e de ser descoberto não era suficiente para impedir minha aventura. Lá de cima pegava um exemplar, botava a cadeira no lugar e corria para o quarto da bisavó, que tinha uma cadeira de balanço ideal para minha leitura. Meu companheiro de aventura era Tintim, o guri jornalista criado pelo belga Hergé. 

Para quem nasceu em uma família de jornalistas, provavelmente não foi o guri de topete que me inspirou a exercer a função quando grande. Mas foi ele quem me fez pegar gosto pelos livros, e com a cumplicidade de meu avô que, apesar de não gostar de barulho, bagunça e aventura dentro de casa, testemunhava de longe minha arte de criança sem reprimenda por saber que havia ali uma ótima causa: estava nascendo um leitor. 

Texto escrito para o projeto Clubinho da Vanguardinha, criado pela Livraria Vanguarda, de Pelotas (RS), para inspirar a leitura das crianças.

Podcast: “Leituras de cabeceira” tem as dicas de livro que estou lendo, já li, vou ler e recomendo a leitura

 

 

 
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“Leituras de Cabeceira” é o podcast produzido pela Gabi Iannaccone que nos convida a falar de livros que estamos lendo, queremos ler e recomendamos ler. Convidado, fui lá e dei meus palpites:

O que estou lendo (estava até gravar):

 

“Ciência no Cotidiano — Viva a Razão, Abaixo a Ignorância!” de Natalia Pasternak e Carlos Orsi (Contexto)

 

O que li:

 

“Escravidão” de Laurentino Gomes (Globo Livros)

 

“Azul, pretos e brancos”, Léo Gerchmann, (L&PM)

 

O que vou (re)ler:

 

“Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago (Companhia das Letras)

 

O que recomendo ler:

 

“A Regra do jogo”, do jornalista Cláudio Abramo (Companhia das Letras)

 

“A imprensa e o caos na ortografia”, Marcos de Castro (Record)

 

“Caderno H”, Mário Quintana (Objetiva)

Pra saber os motivos de um e outro, ouça o “Leituras de Cabeceira”:

 

Aqui tem o meu episódio.

 

Se não quiser perder tempo comigo, entre por aqui e ouça quanta gente boa fez sugestões no podcast da Gabi.

Sua Marca: duas dicas de livros sobre marcas, mídias e comportamento

 

” … a gente tem de ter essas ferramentas, o investigativo, essa capacidade de pensar, e aí o que a gente lê é muito alimento para tudo isso” —- Cecília Russo

O papel da leitura na gestão de marcas e desenvolvimento de carreira é fundamental a medida que temos a necessidade de desenvolver o olhar crítico sobre as coisas, o que nos permite aprofundar a análise e buscar soluções para os desafios do negócio. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com o jornalista Mílton Jung, na rádio CBN., e trouxeram duas indicações de livros que ajudam a refletir sobre a função das marcas na sociedade.

 

Um dos livros é “O fim da Idade Média e o Início da Idade Mídia”, de Walter Longo, publicado pela Alta Books, que discute o universo de informação no qual vivemos nos tempos atuais. Para Jaime Troiano, o livro alerta para o fato de que se temos uma quantidade enorme de dados à disposição é preciso estar preparado para extrair o que realmente nos interessa, fazendo deles uma ferramenta de desenvolvimento do seu negócio.

“O Big Data não é Big Ideia”

O outro livro é “A Era Do Ressentimento. Uma Agenda Para O Contemporâneo”, de Luis Felipe Pondé, publicado pela Leya Editora. Dentre tantas áreas da vida humana que o filósofo analisa em seu livro, Cecília Russo destaca um dos trechos do livro que se refere ao mundo das marcas:

“As marcas, portanto, deverão cumprir cada vez mais o papel de dizer o que é essencial como valor (e fazer esse valor valer, uma vez que seus produtos são confiáveis naquilo que ela diz representar) e separar o joio do trigo na vida dos contemporâneos desesperados por sentido que os prenda em vínculos incerto e dolorosos” (pag.104)

Ou seja, diz Russo, é a tese que os profissionais de branding defendem há algum tempo sobre o compromisso que as marcas têm de serem confiáveis, de dizerem, expressarem e agirem naquilo que acreditam ser, de forma genuína, verdadeira.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Vai lá: “É proibido calar!” será lançado em Brasília e no Rio de janeiro

 

 

A semana que começa será intensa: lançarei o livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Ed BestSeller)  em Brasília e no Rio de Janeiro. Duas oportunidades para conversar com leitores, ouvintes e amigos, como já havia ocorrido em São Paulo, na segunda-feira passada.  Assim como na capital paulista, a sessão de autógrafos também será precedida de um bate-papo com jornalistas convidados. Gosto da ideia do talk-show  pois serve como uma apresentação das ideias que estão no livro.

 

Uma das mensagens que compartilho com os leitores é a que está em destaque no vídeo que acompanha este post: os pais são responsáveis pela educação dos filhos e não devemos terceirizar esta responsabilidade.

 

Em Brasília, o encontro será na quarta-feira, dia 22, às 19 horas, na Livraria Cultura do CasaPark Shopping Center, e terei a companhia do Brunno Melo. No dia seguinte, dia 23, também às 19h, estarei no Rio de Janeiro, e a conversa será com o Frederico Goulart, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

 

Espero você por lá!

 

 

 

 

 

Onde estarão os leitores de livros?

 

Por Jaime Pinsky
historiador e editor
doutor e livre docente da USP
professor titular da Unicamp

 

Texto escrito originalmente para o site de Jaime Pinsky, ótima fonte de consulta e conhecimento

 

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A questão da leitura no Brasil é difícil de formular. Por um lado envidam-se esforços no sentido de proporcionar acervos de livros adequados para leitores em escolas e universidades, centros de juventude, bibliotecas públicas e particulares. Por outro se treina as novas gerações em mídias digitais, o que não seria problemático, não fossem elas utilizadas quase que exclusivamente para mensagens e informações apressadas e superficiais, quando não levianas. Ao dar o mesmo valor a qualquer blog do que se dá a uma fonte criteriosa, como um bom jornal, o leitor se torna vítima fácil de notícias plantadas, informações maliciosas, ou simplesmente mau jornalismo. Todos nos tornamos médicos, advogados e historiadores após uma rápida consulta ao que disse tia Cotinha no Facebook da família, ou no Whatsapp da turma da escola. Há professores que simplesmente mandam pesquisar “na internet”, como se tudo que se encontra na web tivesse equivalência. Nem damos bola para o fato de que a especialidade de tia Cotinha é uma deliciosa sopa de legumes com ossobuco e que o primo de Paraguaçu Paulista não se notabiliza pela capacidade de selecionar informações. Confunde-se espaço democrático e direito de expressão com competência e divulgam-se asneiras de todo tipo sob o argumento de que todos têm o direito de se expressar. A única ressalva é que direito de se expressar não pode ser confundido – uma vez mais – com qualificação em todas as áreas. Para dar um exemplo extremo e obvio Dr. Paulo não me consultou sobre a técnica que deveria usar para implantar o marca-passo no meu peito. E eu ouso dar aulas e fazer palestras sem perguntar a opinião dele sobre fatos históricos. A qualificação existe, senhores…

 

Assim, que me desculpem os palpiteiros, mas competência é preciso. Claro (não finjam que não entenderam meu argumento) que não me refiro a assuntos e temas sobre os quais qualquer cidadão pode e deve se manifestar. Qualquer um pode e deve opinar, por exemplo, sobre reforma política (menos partidos? Voto distrital? Fim das coligações? Financiamento oficial? De empresas? Só de pessoa física?). Todos podem e devem entrar na discussão sobre se questões de saúde pública (como o aborto) devem ser confundidas com questões religiosas. Se foro especial não é uma prática antirrepublicana que beneficia apenas os já beneficiados e cria cidadãos de classes diferentes em uma sociedade que deveria privilegiar a igualdade de oportunidades. Se já não chegou o momento de acabar com essa folga de autoridades requisitarem aviões oficiais para passar o fim de semana em seus feudos (feudos, sim senhor) eleitorais, etc, etc, etc…

 

É evidente que não se deve tolher o exercício pleno da cidadania, que inclui o direito à manifestação, pelo contrário. O que defendo é o direito à informação séria, responsável, relevante. É fundamental ficar alerta, selecionar criteriosamente as fontes, evitando-se divulgar notícias falsas, textos apócrifos, supostas opiniões de figuras conhecidas que nunca disseram aquilo, trechos truncados que distorcem o conteúdo e, não menos importante, provocações irresponsáveis. E aí voltamos à questão da leitura de livros. Se você, improvável leitor deste artigo, não for um leitor de livros eu sinto muito. Ainda é neles que está depositado grande parte do patrimônio cultural da humanidade. Em livros estão registrados desde os textos sagrados das três mais importantes religiões monoteístas do mundo até as reflexões mais sofisticadas dos pensadores contemporâneos, passando por todos os teóricos sociais, estudos de economia, avaliações históricas das principais organizações sociais criadas pelo homo sapiens. Há livros para adultos e para crianças, para ler na praia, no metrô, no escritório, na cama. E se pensarmos em ficção, com livros a gente cria o personagem do nosso jeito, não fica sujeito aos caprichos do diretor do filme, por isso melhor que ver um bom filme é ler um bom livro.

 

Em uma sociedade em que o celular fica obsoleto em dois anos e uma relação amorosa não costuma durar nem isso; em que não temos tempo para conhecer as pessoas, elas nos aborrecem antes de sabermos quem elas são; em uma sociedade em que não degustamos, devoramos; em que não sabemos mais apreciar os caminhos, só queremos chegar; em que aprendemos a ler “por cima”, pulando linhas, letras e sentidos, sem curtir a construção elegante, o uso correto das palavras, o texto coeso, a mensagem clara; Quem teremos para ler livros nas próximas décadas?

Empresa paga 14º salário para quem lê um livro por mês

 

 

Encontrei no blog “Acertos de Contas”, da Giane Guerra, no ClicRBS, este caso interessante de empresa que transforma em salário o prazer da leitura de seus funcionários. A rede de concessionárias Cometa, com sede em Cáceres, no Mato Grosso, paga 14º salário no ano para o colaborador que ler um livro por mês. A ideia é aprimorar o conhecimento e capacitar o profissional, o que resultará em benefício para a qualidade do serviço prestado e aumento de vendas. Muitas vezes a literatura é proposta pelos próprios gestores que priorizam temas que passam pela formação de liderança, gestão, relações interpessoais e publicações sobre a área de atuação do negócio. Para contar pontos e concorrer ao salário extra, o colaborador deve ler os livros da biblioteca da empresa, além de apresentar uma ficha de leitura sobre a obra.

 

“Na área de vendas, é possível perceber a relação entre o nível de leitura e a quantidade de vendas. Já na área administrativa, é perceptível que os funcionários estão mais qualificados, no contato com os clientes”, disse o presidente do grupo Cometa, Cristinei Melo.

Uma visita aos sebos e ao mundo da leitura

 

Por Dora Estevam

 

O centro de São Paulo oferece enorme variedade de livrarias, o que torna impossível não encontrar uma do seu gosto. As que  me chamaram a atenção, esta semana, foram os sebos, que vendem livros de segunda mão, conservados ou até restaurados. Indico três lojas para você conhecer. Se já conhece, a dica é voltar lá e ver as novidades, todas estão muito bem abastecidas.

Começo com o Sebo Central, do Alaor Júnior. É uma loucura. Pequena, mas, toda cheia de livros especializados na área jurídica: processo civil, penal, tributário, criminal … Todos com capas grossas, empilhadas de forma que enchem os olhos dos consumidores. Alaor recebe livros na loja semanalmente, na maioria das vezes vem de famílias que se desfazem das bibliotecas, outras são de escritórios de direito que se separam e vendem as coleções. Ele conta que ano retrasado recebeu uma coleção de quase 30 mil volumes que chegaram em duas carretas do Rio de Janeiro, a coleção pertencia ao ex-ministro do governo Figueiredo, Antonio Neder. Os livros chegam à loja deteriorados, mas o comerciante restaura um por um deixando-os com cara de novos. Os preços variam de R$50 a R$1.000.

Loja muito famosa é o Sebo do Messias. Entrei lá e fiquei deslumbrada com o tamanho e a quantidade de livros. O proprietário fez questão de me conduzir ao interior e mostrar como ele abastece e distribui os livros vendidos.  Haja organização. A história do Messias começou em uma lojinha na esquina e se tornou esta grandiosidade, com 150 mil livros na loja física e   160 mil na virtual. Ele trabalha com livros de todas as áreas. Tem raridades, auto-ajuda, além de CDs, DVDs e LPs, tudo em uma área 2 mil metros, com 44 funcionários treinados pelo próprio livreiro.

 

O Seu Messias veio para São  Paulo, em 1964, e foi trabalhar de garçom em um restaurante no bairro do Paraíso, depois foi ser livreiro, vendendo livros de porta em porta. Os clientes começaram a encomendar livros e Messias visitava os sebos, conseguia os exemplares e revendia aos clientes. Começou a ganhar um trocadinho, fez suas economias até conseguir comprar uma biblioteca. Era de um amigo que havia falecido e a esposa fez questão de vender para ele os 5 mil livros. Se ajeitou em uma garagem de um parente, foi vendendo aos poucos e no vai e vem resolveu alugar uma salinha no centro da cidade, na Praça João Mendes, onde começou o império que tem hoje – como ele mesmo faz questão de contar. O local foi escolhido porque inicialmente Messias só vendia livros jurídicos e a loja estaria perto do Tribunal de Justiça e no caminho de promotores, juízes e advogados.

 

Hoje, Seu Messias abastece o Brasil todo e não acanha em repetir o que as pessoas dizem sobre o site dele: é o melhor na América Latina, na área. Entre os clientes famosos, cita como destaque Jô Soares, que costuma visitar o sebo com frequência. Messias atribui o sucesso das vendas ao site de compras, no qual o cliente reserva do livro, que dura 72 horas, e pode retirá-lo na loja, além da renovação diária, resultado das compras feitas por quatro equipes que tem nas ruas. Os clientes que se desfazem das bibliotecas, abastecendo a loja do Messias, são pessoas que se mudam e não têm mais espaço para biblioteca tão ampla, estudantes que não precisam mais dos livros e famílias que perdem o seu titular.

 

Dica do Messias para conservar os livros: deixar o local bem arejado e, se estiver danificado, mandar consertar, isso é possível. É assim que ele faz na loja.

Saio dos sebos para entrar em uma distribuidora de livros novos, a Basques, loja que vende lançamentos de todas as áreas ao preço de R$9,90. Assim que cheguei, não resisti às compras. Resolvi falar com o vendedor queria saber o motivo daquele preço. Ele me explicou que isto é possível por serem distribuidores, isto é, os livros chegam a um custo baixo, eles abrem os pacotes e vendem no varejo. Marcos Tedesqui, um dos vendedores, diz que o preço da venda é o preço do livro. E pensar que o mesmo livro pode custar R$ 50 em uma loja de shopping. Para ele, o livro de 9,90 não está barato de mais, é o preço justo; o de 50 é que está caro, por conta das despesas, mas este é outro assunto. O preço atrai clientes que muitas vezes não têm o hábito de ler, eles entram na loja e se envolvem com a atmosfera dos livros. Outros compram para os amigos e parentes, e saem da loja com pilhas de livros. É um ambiente que favorece a leitura e o cliente tranfere esta sensação para a sua casa.

 

Serviço:

 

Livraria Juridica Central
Loja 01 – Rua Riachuelo, 62 – Centro – São Paulo – 11-3105-0520
Loja 02 – Senador Paulo Egidio, 25 Centro – São Paulo – SP – 11-3107-5872
www.sebocentral.com.br

sebocentral@gmail.com

 

Sebo do Messias
3104 7111
www.sebodomessias.com.br

 

Livraria e Distribuidora Basques
Rua Riachuelo, 52, centro
3106 5488

Para onde vão os livros?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Mílton Jung, ontem no jornal da CBN iniciou a sua conversa com Viviane e Cony informando que o livro digital passava a ser usado por 23% dos americanos, subindo 7% em relação aos 16% do ano anterior. O livro impresso caía de 72% para 67%. Enquanto Viviane explicitava o uso pessoal de ambos em ocasiões pertinentes, em função do ambiente ou da velocidade a ser executada, Cony também externava a sua crença nas duas hipóteses, mesmo não sendo usuário do digital, e ainda lembrou o abandono aos papiros e pergaminhos quando surgiu a imprensa.

 

A pauta é das mais atuais e relevantes, pois no momento em que assistimos ao sucesso das mudanças nas grandes livrarias, ao atrair o público para o lazer em suas lojas, terão agora que competir com as novidades do mundo digital.

 

Será uma briga entre os grandes. Já está clara a concentração de títulos no ambiente das lojas, quando se nota a repetição de exposição dos livros mais promovidos. Em detrimento de lançamentos menos robustos. Segundo a FOLHA de segunda, as livrarias justificam a locação de espaço de exposição para melhorar as condições de negociação com as editoras. Entretanto, a variedade ficou reduzida e abre espaço para o mundo digital, justamente quando a Amazon e a Livraria Cultura disputam os leitores com os e-books.

 

Interessante notar que a batalha ora iniciada tem objetivos diferentes entre os contendores. A Amazon não ganha no Kindle ou nos livros vendidos para o iPad ou nos tablets Android, mas nos demais produtos de sua extensa linha. A Apple está neste mercado para vender iPad e seu interesse é apresentar uma completa biblioteca que alavanque o seu produto. A Livraria Cultura, com o Kobo, visa provavelmente uma posição preventiva e de atendimento a um novo hábito de leitura.

 

E as editoras? Bem, estão sendo forçadas a baixar preços, enquanto há torcida para que sejam pressionadas em virtude da democratização do meio eletrônico. Ao mesmo tempo, os best sellers deverão ficar com elas, pois seu investimento é alto.

 

Então, para onde vão os livros?

 

Considerando os papiros e pergaminhos do Cony, a menina que lê um livro por dia no iPhone, e mesmo amando os meus 2.000 livros, concordo com William Uricchio do IMT que diz sobre o livro:

Não precisa de luz, não precisa de internet, não fica sem baterias, é reciclável, e o mais importante: o compramos só uma vez.

 

Entretanto, ao imaginar o mundo sem esta geração e dentro da inovação que certamente ocorrerá, fico com o paradigma dos papiros e pergaminhos. O livro deixará de existir. Ao menos com a função atual.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Um aplicativo para ler Machado de Assis de graça

 

 

O Domínio Público, site que oferece livros, música e documentos de graça para baixar, gerou um incrível interesse desde que tratamos do assunto no bate-papo com o Ethevaldo Siqueira, no Mundo Digital, há cerca de um mês, e voltou a mexer com as pessoas nesta semana quando falamos do Projeto Gutenberg (leia post). Fiquei muito satisfeito em saber que motivado pela nossa conversa no Jornal da CBN, a empresa MobiDevel Ltda desenvolveu um aplicativo, que está na Itunes Store, pelo qual é possível baixar toda a obra de Machado de Assis, disponível no site Domínio Público. Nem preciso dizer que para baixar o aplicativo é de graça, também.

Conheça aqui APP Machado de Assis – Obra Completa.