Mundo Corporativo: Bruna Soares, da Moët Hennessy, fala de estratégias de luxo e liderança feminina

Bruna Soares no estúdio do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Onde você quer chegar? Que histórias você quer contar? Pelo que você quer que a sua marca seja lembrada?”

Bruna Soares, Moët Hennessy

Construir uma marca memorável requer estratégias específicas e uma conexão emocional profunda, especialmente em um mercado no qual a atenção do consumidor é o recurso mais valioso. Esse foi um dos assuntos da entrevista com Bruna Soares, gerente de marca da Moët Hennessy, no programa Mundo Corporativo. Bruna compartilhou suas experiências e ideias sobre como gerir uma marca de luxo, o papel da liderança feminina e os desafios e oportunidades no setor de bebidas premium.

“A gente ocupa uma posição de as pessoas olharem para as marcas e verem o que elas estão fazendo,” afirmou Bruna. “Nós temos muito esse papel e essa missão de ocupar esse lugar de privilégio para fomentar debates e discussões de temas importantes para a sociedade.”

O desafio de gerir uma marca de luxo

Bruna destacou que o principal ativo do consumidor de luxo é o tempo. “Proporcionar experiências que sejam memoráveis e criem uma conexão verdadeira é essencial,” disse. Ela enfatizou a importância de manter a autenticidade e a elegância, não apenas na aparência, mas também nas atitudes e no relacionamento com clientes e colaboradores.

A Moët Hennessy, com suas marcas icônicas como Moët & Chandon e Veuve Clicquot, busca estar presente nos momentos de celebração dos consumidores. Bruna destacou a relevância crescente do mercado brasileiro para a empresa, especialmente após a pandemia, quando os consumidores passaram a valorizar mais as pequenas celebrações do dia a dia.

“Quando a gente fala de marcas, a gente fala sobre como você se diferencia em um mundo super vasto de outras marcas,” observou Bruna. “É sobre ter um olhar estratégico claro sobre onde você quer chegar e que histórias você quer contar.”

Liderança feminina e fortalecimento

A trajetória de Madame Clicquot, fundadora da Veuve Clicquot, serve como uma grande inspiração para Bruna e muitas outras mulheres na empresa. “Ela foi uma mulher muito à frente do seu tempo, enfrentando inúmeras barreiras,” comentou Bruna. “Estar à frente dessa marca no Brasil é um privilégio e uma responsabilidade para fazer jus a esse legado.”

Bruna também abordou a importância de incentivar o empreendedorismo feminino através de projetos como Bold by Veuve Clicquot, que promove a visibilidade de mulheres empreendedoras. Em 2022, a casa de champanhe conduziu o “Barômetro do Empreendedorismo Feminino”, um estudo com foco nas empresárias brasileiras em que mais de 2 mil mulheres foram entrevistadas: “A principal barreira que aprendemos no estudo é o medo do julgamento e do risco,” explicou Bruna. “Isso já existe por uma questão cultural e é sobre você se desvencilhar dessas amarras e dessas barreiras psicológicas para ousar e correr atrás dos objetivos.”

Ela ressaltou a necessidade de criar redes de apoio e troca entre mulheres para que possam aprender e crescer juntas. “Eu vejo um futuro promissor e positivo para o empreendedorismo feminino, graças às mulheres que abriram caminho superando medos e barreiras.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Sabrina Zanker, da L’oréal Luxo, convida às empresas a se envolverem em causas sociais e investirem em líderes femininas.

Sabrina Zanker no estúdio do Mundo Corporativo da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“Se você se engajar com causas, você ser uma empresa que acolhe bem, tem um bem-estar para aquele colaborador, promove a diversidade no ambiente de trabalho e fora do ambiente de trabalho e promove transformação na sociedade, eu acho que isso é fundamental para você recrutar pessoa,s também manter pessoas engajadas e motivadas a trabalhar na sua empresa”

Sabrina Zanker, L’Oréal Luxo

No cenário corporativo moderno, a responsabilidade das empresas vai muito além de simplesmente gerar lucros. As organizações têm a oportunidade e, muitos argumentariam, a obrigação de desempenhar um papel ativo na transformação social. Esse engajamento em ações sociais não apenas reflete uma missão e visão alinhadas com valores sociais, mas também demonstra uma liderança que busca transformar a vida das pessoas. Essa é a opinião de Sabrina Zanker, diretora geral da L’oréal Luxo, convida do programa Mundo Corporativo, da CBN.

Um aspecto importante dessa transformação é o acolhimento. Em um mundo onde muitas pessoas enfrentam desafios emocionais, como depressão e abusos, as empresas podem oferecer um ambiente seguro e acolhedor. No entanto, é essencial que o engajamento seja autêntico. Com o aumento do acesso à informação, consumidores e stakeholders podem facilmente discernir entre ações genuínas e aquelas feitas meramente por razões de imagem.

Há um benefício direto para as empresas que escolhem se engajar autenticamente em causas sociais. Além de reforçar a imagem corporativa, essa autenticidade tem um efeito profundo no moral e na retenção de funcionários. As novas gerações, em particular, valorizam empresas cuja cultura e valores refletem suas próprias crenças e identidades. A promoção da diversidade e a contribuição ativa para a transformação social tornam-se elementos fundamentais na atração e retenção de talentos.

“As empresas têm que se posicionar de acordo com a sua missão, com seu propósito, fazer causas que realmente tenham conexão com isso. Aí de fato vai ter esse acolhimento, esse papel de transformação, e isso vai repercutir de maneira muito natural na sua imagem corporativa”

Abuso Não é Amor: uma iniciativa global

Com tantas causas sociais que merecem atenção, como uma empresa decide onde concentrar seus esforços? A autenticidade, mais uma vez, é a chave. As ações devem ser alinhadas com o propósito e a missão da empresa. Para a L’Oréal Luxo, por exemplo, o empoderamento feminino é uma causa intrinsecamente ligada à marca, tornando-a uma escolha natural para o seu engajamento.

Uma dessas ações que merece destaque é a campanha “Abuso Não é Amor”, focada em reconhecer e combater relacionamentos abusivos. Esta é uma questão que transcende fronteiras nacionais, impactando mulheres de todas as origens e estratos sociais.

A campanha colabora com organizações e plataformas para educar e informar sobre os sinais de um relacionamento abusivo, com o objetivo de prevenir a violência antes que ela comece. A parceria com Instituto AzMina, conhecido por seu trabalho em empoderamento feminino, é um exemplo de como a campanha busca alcançar sua missão.

Desenvolvimento de carreira e superando obstáculos

No contexto de avanço profissional, Zanker destaca a importância da rede de apoio e da sororidade. Ter um círculo de confiança e apoio é crucial para superar a  “síndrome do impostor”, um fenômeno comum entre mulheres que questionam suas próprias habilidades e realizações. Para combater essa síndrome, ela sugere auto-reflexão, terapia e o reconhecimento e aceitação de suas vulnerabilidades.

Além disso, Zanker aponta a maternidade como uma experiência que pode proporcionar aprendizado e crescimento, desafiando a noção de que ser mãe é um obstáculo na carreira de uma mulher. Em sua visão, a maternidade pode desencadear qualidades e desenvolvimentos valiosos que beneficiam o ambiente de trabalho.

Trajetória profissional e o papel da líder feminina

Com uma formação em comunicação, um MBA em finanças e formação em psicanálise, Zanker é um exemplo de um perfil multidisciplinar. Sua curiosidade e desejo de ver negócios de uma perspectiva holística a levaram por diversos caminhos e indústrias, construindo uma carreira diversificada e rica em experiências. Começando sua carreira na L’Oréal como trainee, ela traçou seu caminho através de diferentes áreas, desde finanças até marketing, moldando seu perfil como uma líder versátil e bem-arredondada. Em 2020, ela retornou à empresa e um ano depois foi convidada para ocupar o cargo de diretora-geral.

As empresas têm um papel significativo a desempenhar na transformação social e na promoção da equidade de gênero. Líderes como Sabrina Zanker exemplificam a capacidade das mulheres de ascender a cargos de liderança e influenciar positivamente o ambiente corporativo. Seu compromisso com o engajamento autêntico e a promoção de outras mulheres é uma inspiração para futuras líderes.

“Quando a gente fala de o papel de uma liderança feminina, eu acho que o que a gente busca na verdade é normalizar o papel da mulher em espaços que foram exclusivamente ocupados por homens”.

Assista à entrevista com Sabrina Zanker, da L’Oréal Luxo

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 da manhã, no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O Mundo Corporativo também está disponível em podcast. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen

Mundo Corporativo: Jacqueline Conrado, da United Airlines, acredita no poder de as mulheres voarem mais alto

Gravação do Mundo Corporativo com Jacqueline Conrado

“Nós mulheres, nós temos desafios muito parecidos. Se a gente pode ajudar uma a outra para eliminar essas barreiras ou torná-las mais suaves, por que não? Para a próxima geração?”

Jacqueline Conrado, United Airlines no Brasil

A crescente discussão sobre a inclusão feminina no mercado de trabalho, especialmente em posições de liderança, é um debate em constante evolução. Dentro deste contexto, Jacqueline Conrado, country manager da United Airlines no Brasil, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN. Suas palavras revelam um olhar profundo sobre o desafio de ser mulher em um setor historicamente masculino.

Jacqueline trouxe à tona sua jornada no mundo da aviação. A trajetória dela se inicia nesse setor por influência da irmã que trabalhava em uma companhia brasileira. Há sete anos, ela retornou ao setor, após experiências em áreas como energia e publicidade. Começou no marketing da United Airlines no Brasil até surgir, dois anos depois, a oportunidade para assumir o comando da empresa.

“Para ser sincera, [minha trajetória] não foi planejada. E eu sou muito feliz por ter assumido [o cargo de country manager], porque isso expandiu muito a minha visão da empresa”.

A paixão pelo aprendizado e pelo enfrentamento de desafios é evidente em suas palavras. Jacqueline percebe a aviação brasileira como um setor em constante evolução e se vê como parte integrante desse processo.

“Eu gosto muito de aprender e uma das coisas que me motiva é o desafio”.

A mudança de narrativa para as mulheres na aviação

O setor da aviação é notório por estereótipos. No entanto, Jacqueline busca desmistificar essa visão, enfatizando que as mulheres podem ocupar qualquer posição. Ela destaca que a maioria da liderança na United Airlines Brasil é feminina, inclusive em áreas técnicas. O projeto “Meninas na Aviação” é um dos esforços para mostrar às jovens as oportunidades disponíveis no setor. O programa busca destacar que as mulheres podem ocupar qualquer cargo na aviação, desde posições técnicas até lideranças. 

Voltado para meninas de 13 a 18 anos, o projeto proporciona a elas a oportunidade de conhecer os bastidores da aviação. Durante essa experiência, as participantes são apresentadas a diferentes áreas do setor, como manutenção, controle do aeroporto, sala VIP e área de segurança. Além disso, elas têm a chance de interagir com profissionais da área, recebendo orientações sobre as habilidades e formações necessárias para cada posição.

O poder das referências e das políticas proativas

Referências são vitais para qualquer profissional. Jacqueline lembra da importância de ter modelos a seguir e elogia a cultura da United Airlines, que promove um ambiente de crescimento. Ela lembra que  a gente não consegue ser o que a gente não vê.

Apesar de sua posição de liderança, Jacqueline reconhece que os desafios para as mulheres persistem. Desde preocupações sobre gravidez até a forma como elas  são percebidas no ambiente de trabalho, os obstáculos são muitos. No entanto, ela ressalta: 

“Temos desafios muito parecidos, [mas] a gente pode ajudar uma a outra”.

A liderança de Jacqueline Conrado serve como um farol para muitas mulheres que buscam alçar voos mais altos em suas carreiras. Através da união, mentorias e ações afirmativas, o setor da aviação, assim como muitos outros, pode se tornar mais inclusivo e diversificado.

“Quanto mais diversos são os nossos colaboradores melhor vai ser a entrega em tudo que a gente faz, porque são perspectivas ali diferentes, trabalhando juntas para um mesmo objetivo. Então esse mix é é maravilhoso”

Assista à entrevista completa de Jacqueline Conrado

A gravação do programa Mundo Corporativo se realiza todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, e pode ser assistida, ao vivo, pelo canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar na edição de sábado do Jornal da CBN e, em horário alternativo, às dez da noite.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugem

Mundo Corporativo: Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros, destaca o papel do empreendedorismo na transformação da indústria do seguro

Foto de Pricila Gubiotti

“Somos uma companhia de mais de 100 anos e mais de 3 milhões de clientes, mas o DNA é empreendedor porque a gente entende que  tem que reinventar nosso negócio a cada ciclo para atender aquele cliente que está mudando”.

Patrícia Chacon, Liberty Seguros

Construir uma visão empreendedora nas suas equipes de trabalho é uma das soluções que grandes empresas têm encontrado no sentido de dar maior autonomia aos colaboradores. Aplicado esse mesmo conceito na relação com os parceiros de negócio, cria-se um ambiente de colaboração e compartilhamento de conhecimento. É no que acredita Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros, entrevistada do terceiro episódio da série sobre empreendedorismo, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Na nossa conversa, Patrícia detalhou a importância da parceria com os corretores, o papel do empreendedorismo na transformação da indústria de seguros e como a visão empreendedora está sendo incorporada dentro da própria empresa. Esse olhar tem forte ligação com a história da própria executiva que saiu de Quito, no Equador, aos sete anos e foi estudar nos Estados Unidos, onde se formou em Economia. Ainda durante o curso superior, Patrícia foi para Gana, na África, atuar em projetos de empreendedorismo feminino ajudando as microempreendoras a se desenvolverem. Ao se formar, retornou ao Equador e trabalhou em projetos de apoio a pequenos agricultores para capacitá-los nas negociações com grandes empresas, o que se transformou em inspiração para ela quando assumiu cargo executivo na Liberty.

Parceria com corretores

Patrícia destacou que os corretores desempenham um papel crucial na distribuição dos seguros da Liberty Seguros, e a relação vai além de apenas parceria comercial. A empresa não apenas compartilha produtos, mas também colabora na criação de soluções personalizadas, baseadas em tendências e necessidades identificadas pelos corretores. Essa co-criação resultou em produtos como a marca de seguro “Aliro”, com valores mais baixos, a medida que os corretores percebiam que havia dificuldades financeiras que impediam os clientes de renovar ou fazer um novo seguro. A marca foi lançada em conjunto com os corretores e alcançou grande sucesso:

“A Aliro já vendeu na Liberty mais de 1 milhão de apólices e 50% dos clientes não tinham seguro antes”

Empreendedorismo como transformação

Para a CEO da Liberty Seguros o empreendedorismo, que hoje faz parte da essência da empresa com mais de 100 anos, envolve constantemente resolver as necessidades dos clientes e a capacidade de reinventar o negócio para atender às mudanças do mercado. Ela compartilhou exemplos de como a empresa se adaptou rapidamente a desafios, como a inflação, usando a metodologia ágil para capturar tendências e reagir de maneira eficaz.

Metodologia ágil e cultura empreendedora

A implementação da metodologia ágil na Liberty Seguros começou com treinamento intensivo da liderança. Patrícia explicou que o processo envolveu a criação de equipes multifuncionais, chamadas de “squads”, que têm autonomia para definir metas e soluções, com a liderança dando suporte e removendo barreiras. Essa abordagem, embora desafiadora, permitiu uma maior agilidade na adaptação às mudanças do mercado.

Visão empreendedora interna

A visão empreendedora não se limita aos corretores, mas também é aplicada internamente, de acordo com Patrícia. Ela ressaltou que os colaboradores são incentivados a ter essa mentalidade empreendedora, identificando desafios e oportunidades de negócios, e contribuindo para a inovação da empresa. A liderança fornece direção clara e metas, enquanto os times empoderados trabalham juntos para encontrar soluções e impulsionar o crescimento.

“A gente tem assim a grande satisfação de, em 2022, termos sido nomeadas como uma das dez melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Isso é motivo de muito orgulho para nós porque veio com o resultado financeiro, também. Então, acho que uma combinação que faz sentido”.

Em dez anos, a seguradora triplicou o seu tamanho passando de um faturamento de R$ 1 bilhão para R$ 3,3 bilhões — resultado registrado no primeiro semestre deste ano. O lucro líquido cresceu 15 vezes e está em R$ 320 milhões, o que, segundo Patrícia, permite que a empresa invista até R$ 100 milhões em tecnologia, o que tende a trazer mais benefícios aos corretores e clientes.

Iniciativas para empoderamento

A Liberty Seguros também implementou iniciativas para apoiar o crescimento dos corretores e seus negócios. Patrícia mencionou a importância de fornecer conhecimento e ferramentas, como treinamentos sobre tendências digitais e tecnologias de marketing. A empresa desenvolveu ferramentas que permitem aos corretores venderem nas mídias sociais e até mesmo oferecer cotações de seguros de vida através de links no WhatsApp.

Diversidade e empoderamento feminino

A presença de uma mulher no comando da empresa inspirou ações afirmativas como o programa “Mulheres Seguras”, iniciado em 2015. A intenção é apoiar as mulheres no mercado de seguros, incentivando o empreendedorismo e a liderança. A CEO ressaltou a importância de ter mais mulheres em posições de destaque, servindo como inspiração para outras e contribuindo para a evolução do mercado.

Uma dos desafios do “Mulheres Seguras” foi mudar uma realidade identificada em diversos estudos de que mulheres gostam menos de entrar em negociações o que impacta nos resultados que buscam. 

“Estudos mostram que (a mulher) quando começa numa negociação começa pedindo 30% a menos. A gente começou a apresentar fatos para as corretoras de como elas podiam quebrar um pouco dessas barreiras. O “Mulheres Seguras” foi crescendo e a gente impactou já mais de 5 milhões de pessoas com eventos e conteúdo”.

Outro aspecto destacado por Patrícia é que 45% do corpo executivo da Liberty é formado por mulheres que ocupam cargos de liderança em áreas como tecnologia, talento e assistência. Além disso, ela diz ter orgulho em saber que existem grupos de homens que são aliados neste projeto de fortalecimento feminino.

Você assiste a seguir à entrevista completa com Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros. Toda quarta-feira, o Mundo Corporativo apresenta, ao vivo, no canal da CBN no YouTube, um entrevista inédita. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Clarissa Sadock, CEO da AES Brasil, fala de liderança feminina, inovação e gestão de pessoas

Gravação do Mundo Corporativo com Clarissa Sadock, da AES Brasil Foto de Priscilla Gubiotti

“É um grande desafio o CEO não se distanciar da empresa e dos colaboradores”. 

Clarissa Sadock, AES Brasil

Ter pessoas com formações, visões e experiências diversas é essencial para as empresas que entenderam a necessidade de se transformarem na rapidez e consistência que os mercados exigem e o cidadão espera. Talvez por isso que não devesse espantar o fato de uma das principais empresas de energia renovável do país estar sob o comando de uma mulher. A verdade, porém, é que nesse ou em qualquer outro setor da economia brasileira ainda é rara a liderança feminina, especialmente no cargo mais alto da organização.

Desde 2021, Clarissa Sadock é CEO da AES Brasil, empresa que está há mais de 20 anos no pais. Sim, você que é atento às informações logo deve ter percebido que o convite para assumir o cargo surgiu e foi aceito ainda durante a pandemia. Desafio dobrado, portanto, que, de acordo com a executiva foi superado graças a forma ágil com que as equipes se adaptaram aos novos modelos de trabalho.

“É muito interessante como a gente se adaptou a trabalhar remotamente na pandemia com uma certa naturalidade. O time operacional, sem dúvida, teve um desafio maior, porque a gente precisava manter os operadores nos centros de operação e nas usinas”.

Apesar de os resultados terem superado as expectativas, na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Clarissa ressaltou o quanto foi importante a retomada das atividades presenciais para conversar pessoalmente com os colaboradores já que entende que é o olho no olho que nos leva ao aprendizado. Para ela faz muita falta não apenas comunicar, mas também ouvir o que está acontecendo na vida real.

“Para o CEO é muito importante estar à frente da estratégia, estar determinando o foco das prioridades da companhia, mas a gente precisa saber se aquilo ali tá funcionando, não tá funcionando, e como que a gente mexe nesse barco da melhor forma possível”.

A comunicação é uma das competências que Clarissa considera fundamental para manter as equipes engajadas, ainda mais diante do fato de que parcela dos colaboradores está trabalhando na forma híbrida. Também o é para entender as necessidades dos clientes e construir alianças com concorrentes em defesa do setor energético. Outro pilar destacado pela CEO é o da inovação:

“Nós temos um time de inovação há mais de 20 anos e tem diversos fóruns, seja local seja internacional. A gente se utiliza muito também do conhecimento global da AES Corporation”. 

Inovadora foi a decisão recente da empresa em montar uma equipe apenas de mulheres para operar o Complexo Eólico Tucano, na Bahia. Iniciativa que se repetirá em Cajuína, no Rio Grande do Norte. Clarissa não admite que foi dela a ideia de ter equipes 100% femininas, prefere colocar na conta da política de valorização da diversidade que a empresa vem desenvolvendo há alguns anos que só não teria se concretizado antes porque os times operacionais são altamente qualificados e têm baixo turnover, ou seja, não abriam-se vagas para novos e femininos talentos. 

Os planos de crescimento e expansão que pautam a AES Brasil — um dos muitos desafios apresentados à Clarissa quando ela assumiu a função de CEO — foram determinantes para que novas equipes tivessem de ser preparadas. Uma acordo com o Senai foi fechado para que as candidatas participassem de cursos e atividades de desenvolvimento profissional. Uma das surpresas de Clarissa foi verificar que apesar de ser um curso técnico, muitas mulheres com MBA e mestrado se apresentaram para as vagas, o que permitiu uma qualificação maior da mão de obra.

Assista à entrevista completa com Clarissa Sadock em que falamos também sobre transição energética:

O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti.

Mundo Corporativo: para Mariam Topeshashvilli, da LTK, é preciso ir “um pouco além do entendimento das coisas”

“Liderar pessoas parte do pressuposto de que você consegue ser muito transparente com relação ao que você está sentindo mas também ser muito humilde para entender e receber feedbacks do seu time”

Mariam Topeshashvilli, LTK América Latina

Foi para o Brasil que vieram na condição de refugiados os pais de Mariam, uma menina de apenas quatro anos, nascida na Georgia, país que faz fronteira com a Rússia e do qual ela tem poucas lembranças. Sabe mais pelo que o pai, cientista político, e a mãe, enfermeira, contam e pelos registros que fazem parte da história desta nação de cerca de  3,7 milhões de habitantes,  marcada por uma série de conflitos externos e internos.

Sem que os diplomas conquistados no país de origem fossem validados no Brasil, os pais tiveram de se virar do jeito que podiam. Seu Avtandil foi vender cerveja em lata na praia de Copacabana, no Rio. Mariam acompanhava o pai e não se contentava em observar o trabalho dele. Usava de sua desenvoltura para atrair os clientes, dando, sem que soubesse ainda, o primeiro passo em uma carreira vitoriosa de empreendedora e aprendendo lições que seriam aplicadas mais à frente: 

“O principal ponto (que aprendi) é ficar muito perto do seu cliente e entender o máximo possível todas as dores ou os momentos de consumo ideais e, realmente, conseguir conversar e ter esse diálogo. Eu olhava muito para o meu pai como uma inspiração de pessoa que tenta entender o seu redor”.

Escrevi no parágrafo anterior que ela tem uma carreira vitoriosa. Eu sei que pode parecer precipitado considerando que Mariam ainda é muito jovem, 26 anos, mas convenhamos: ter conseguido, com os pais, recomeçar uma vida aqui no Brasil depois de tudo que enfrentaram na Georgia já é uma baita conquista. A história dela não para por aí. Na crença de que a educação é transformadora, foi matriculada no Colégio Pedro II, escola federal das mais renomadas no Rio de Janeiro, participou de olimpíadas de matemática, química e história, fez trabalhos voluntários, aprendeu cinco línguas e formou-se em ciências sociais na Universidade de Harvard. 

“Eu acho que eu entendi muito cedo a importância das diferenças culturais, em conseguir construir algo ainda maior. Meio que um mais um não é dois é muito mais do que dois. Você consegue realmente enxergar muito além do que só uma cultura te entregaria ou só a outra te entregaria. Então, essa junção de culturas para mim foi muito importante. Me deu essa visão de sempre tentar ir um pouco além do entendimento das coisas”.

Em cada uma das etapas, Mariam foi construindo sua personalidade e amadurecendo além do seu tempo. Trabalhou na Ambev e The Kraft Heinz Company, e se realizou como empreendedora ao criar a Avocado que entregava com agilidade produtos de maternidade, ajudando mães de filhos recém-nascidos, investindo no modelo de dark stores — centros de distribuição que atendem às compras online. Os resultados foram tão positivos que a empresa foi comprada pela Rappi, durante a pandemida, em 2020, onde Mariam assumiu um posto de direção. 

Mariam Topeshashvilli, entrevistada do programa Mundo Corporativo, recentemente assumiu o cargo de líder da LTK América Latina, uma plataforma de marketing digital que conecta marcas a influenciadores. E leva para a empresa aquilo que ela própria define como sendo suas características de empreendedora: 

“Acho que o principal é questionar. Então, eu gosto muito de questionar as coisas. Eu não necessariamente aceito as respostas, por exemplo, que o meu time dá. Eu sempre gosto de questionar e tentar entender se de fato aquilo está fazendo sentido. E obviamente perseverança. Não aceitar as barreiras que a vida impõe para você. Eu acho que tudo tem um jeito, talvez não seja o jeito que você visualiza mas você consegue chegar lá de outra forma, por outro caminho. Além disso, humildade pra saber que nem sempre você está certa e tentar o máximo possível ouvir as outras pessoas”.

Na LTK, a ideia é potencializar a capacidade de criadores de conteúdo e permitir que cresçam como influenciadores, e oferecer às marcas aqueles que têm maiores possibilidades de conversão de vendas. Escrevi no masculino, mas deveria ter feito no feminino, até porque a maior parte do público que passa pela plataforma da LTK, atualmente, é formada por mulheres. Geralmente meninas que não precisam ter um turbilhão de seguidoras — a partir de quatro a cinco mil seguidores e você já pode ser identificada como uma influenciadora —, porque o importante não é o número de quantos as seguem, mas, sim, de quantos ou quantas elas influenciam. 

“Você (para ser influenciadora)  precisa da confiança da sua base para converter em vendas”.

Se ficou interessada ou interessado — já que a Mariam disse que homens são bem-vindos na plataforma — a recomendação é que você visite o site da LTK ou faça contato com a empresa pelo Instagram @LTK.brasil . Lembre-se, é preciso também planejar sua presença nas redes sociais, desenvolvendo conteúdo de interesse do público. Não é fácil, não!

A entrevista completa com a Mariam Topeshashvilli, da LTK América Latina, é bem mais inspiradora do que esse texto aqui, por mais que eu me esforce para ser um influenciador do meu jeito (não, não vou aceitar o convite dela para me inscrever na plataforma, porque jornalistas não devem ou não deveriam vender produtos). Por isso, convido você à assistir ao vídeo completo com a Mariam que está publicado em seguida. Tenho certeza que você terá muito a aprender sobre empreendedorismo, marketing digital e liderança feminina:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Sandra Nalli, da Escola do Mecânico, ensina que lugar de mulher é onde ela quiser

Foto divulgação da Escola do Mecânico

“Quanto mais você estuda,  mais capacitado você se torna”

Sandra Nalli, Escola do Mecânico

Loira, baixinha e mulher! Diante desse perfil, homens — especialmente homens — se espantavam quando chegavam no centro automotivo em que Sandra Nalli trabalhava, em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Ela não era a recepcionista. Era a mecânica! Era quem dava as ordens no local. Com a sabedoria de alguém que começou cedo na profissão e sempre apostou no conhecimento como diferencial, Sandra se agigantava assim que passava a ensinar os motoristas sobre o que impedia que seu carro estivesse funcionando bem.

Tinha apenas 14 anos quando começou a receber aulas de  mecânica na oficina em que trabalhou. Foi jovem aprendiz. Depois, decidiu levar a prática para jovens internos da Fundação Casa. Nesse momento, percebeu o quanto poderiam ser transformadores na vida daqueles meninos e meninas os ensinamentos que havia acumulado até então: 

“A empresa que eu gerenciava, que era uma rede de serviços automotivos, precisava contratar profissionais qualificados e eu não encontrava no mercado. Aí, comecei a fazer esse trabalho dentro da fundação. E a observar que tinham meninos que de alguma forma poderiam ser recuperados, voltar à sociedade e, até mesmo, serem incluso no mercado de trabalho”.

Ao programa Mundo Corporativo, Sandra Nalli disse que o trabalho voluntário na Fundação Casa, começou a ganhar forma de negócio quando alugou um pequeno escritório no centro de Campinas e mandou grafitar na parede: “Escola do Mecânico”.

“Eu acabei quebrando algumas barreiras e hoje eu tenho bastante orgulho em dizer que eu sou a fundadora da Escola do Mecânico e que nós temos um grupo de mulheres que estudam com a gente também e que a gente pretende incluí-las no mercado de trabalho”

A sala transformou-se em escola, e a escola em uma rede que, atualmente, tem 35 unidades, em nove estados brasileiros. Naturalmente, a escola passou a ter “cadeiras” ocupadas por meninas, inspiradas na história de Sandra. O sucesso e protagonismo dela também abriram o olhar de parceiros de negócios que entenderam que não existe reserva de mercado para homens:

“A gente tem depoimentos aqui de alguns colegas, donos de oficinas, que em um primeiro momento tinham restrições em contratar mulheres mecânicas. Hoje, a gente tá com o segundo pedido de colocação de mão de obra (feminina) para mesma mesma oficina. Significa dizer que que foi bem sucedido, né?”.

Em 2018, Sandra deu mais um passo na sua jornada para criar oportunidades no mercado de trabalho, criou o “Emprega Mecânico”, um aplicativo que conecta empresas e oficinas com profissionais em busca de emprego:

“O mecânico não está no Linkedin, e a nossa ferramenta é adaptada para esse tipo de ofício”.

Além de mecânico, a intenção da Escola é preparar os alunos para serem gestores dos seus negócios. Assim como Sandra foi aprender no Sebrae sobre a necessidade de criação de um plano de negócios, identificação de barreiras e oportunidades, localização do empreendimento e fluxo de caixa, agora transfere esse conhecimento aos estudantes. De acordo com a executiva, 20% dos alunos querem empreender, abrir um negócio próprio — uma oficina de motocicleta, de reparos automotivos, de caminhões, ônibus e maquinário agrícola. 

Além do conhecimento técnico e das estratégias de gestão, Sandra Nalli ensina na Escola do Mecânico, que é preciso ser resiliente diante das dificuldades que se tem para empreender no Brasil, especialmente se forem mulheres; disciplina, muito estudo e muita coragem:

“Eu me lembro quando eu fui empreender. As pessoas diziam assim: você tá louca, vai sair de um emprego, você tem um emprego extremamente interessante, você levou 20 anos para chegar nessa posição e agora vai pedir demissão. Se eu acredito no  que eu vou fazer, então, tem de quebrar o paradigma do medo, também!”

Em tempo: “loira, baixinha e mulher”, foi assim que Sandra Nalli se descreveu durante a entrevista, tá!

Assista ao programa Mundo Corporativo da CBN com Sandra Nalli, fundadora da Escola do Mecânico

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube, no Facebook e no site da CBN. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Lídia Abdalla, do Grupo Sabin, destaca a riqueza da diversidade nas empresas

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“Quanto mais a gente tiver um time diverso mais a gente vai ter uma empresa com diferentes visões, diferentes experiências. E isso tem um diferencial competitivo para os negócios”

Lídia Abdalla, Grupo Sabin

Diversidade gera mais diversidade. É a conclusão que se chega ao se observar a história do Grupo Sabin, que atua no segmento de medicina diagnóstica desde 1984, quando foi fundado por duas empresárias. Para ter ideia, a instituição hoje tem uma mulher na cadeira de presidente e 74% dos postos de liderança ocupados por mulheres. Do total de 6,3 mil colaboradores, 77% são mulheres. A presidente Lídia Abdalla, que está no cargo desde 2014, ensina que o investimento em equipes heterogêneas do ponto de vista de gênero, etnia e geracional, o respeito às diferenças e o reconhecimento da capacidade de cada um são a principal estratégia para o engajamento dos colaboradores.

“Ficam buscando resposta para “como eu engajo meu time, como o deixo motivado”. Eu digo, deixa as pessoas serem da forma que são e respeite-as de verdade. Isso produz o engajamento das pessoas, um senso de dono do negócio que é impressionante”.

Lídia Abdalla, entrevistada do programa Mundo Corporativo, diz que, além do maior engajamento dos funcionários, por perceberem o respeito que a empresa tem com eles,  o investimento em diversidade também gera uma riqueza maior no debate no momento em que se está em busca do desenvolvimento de novos serviços e produtos.

A executiva traz exemplos da carreira dela para ilustrar como pessoas que se sentem respeitadas têm a tendência de crescer profissionalmente, investindo no seu conhecimento. Entrou na empresa assim que se formou como farmacêutica bioquímica, em 1999. De trainee a presidente, desenvolveu-se em áreas técnicas e gerenciais, fez MBA em gestão de empresas e cursos de finanças corporativas, por exemplo. Com a segurança oferecida pelo grupo, investiu na carreira sem abrir de seus desejos pessoais:

“As minhas escolhas podem ser feitas sem eu ter que abrir mão da minha carreira; sem eu ter que abrir mão, também, de estar buscando conhecimento, especialização e desempenho .O desempenho na nossa atividade como profissional pode, sim, ser conciliado com as nossas escolhas pessoais, também”.

O Grupo Sabin está em 12 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, onde foi fundado. Atende a 68 cidades em 318 unidades e tem mais de 6,5 milhões de clientes. Além de contar com a criatividade das equipes internas, que Lídia entende ser resultado da diversidade de gênero, etnia e geracional, mantém um programa de investimento em startups, que permite ter acesso às novidades no seu setor de atuação. 

“A gente é um grande investidor de startups sempre pensando em desenvolver novas soluções para os nossos negócios e também estimulando esse ecossistema de inovação, no Brasil. Há um grande desafio que também é um grande investimento nosso que é a qualificação no desenvolvimento dos nossos profissionais para estarem atentos e acompanhando toda essa evolução tecnológica”.

Assista à entrevista completa de Líder Abdalla ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: empresas tem de ser onipresentes na jornada do consumidor, diz Lyana Bittencourt

Foto de Mikhail Nilov no Pexels

“Nesse mundo atual, ninguém sabe tudo, ele é colaborativo, ele é integrado, ele é co-criado. E isso Isso muda. Isso muda as empresas”

Lyana Bittencourt

Ao entregar um cartão de visita é comum a empresária Lyana Bittencourt, CEO do grupo que leva o nome da família, ouvir seus interlocutores perguntando se foi o pai quem fundou a organização. “Foi a mãe”, responde com orgulho. Sim, foi Dona Cláudia quem, há 36 anos, abriu a empresa que presta serviço, orientação, conhecimento e estratégia de atuação para redes de negócios. E abriu, também, caminho para Lyana dar sequência ao trabalho que hoje atende cerca de dois mil clientes:

“Minha mãe deve ter vivido (essa situação) mais ainda, mas eu, quando eu ia para as reuniões, não tinha uma mulher disputando comigo, eram só empresas lideradas por homens. Meus principais competidos são liderados por homens. A nossa é a única feminina. E feminina em espírito”.

A despeito disso, ser uma referência como liderança feminina não é o seu propósito. Ao menos não é essa a intenção quando acorda pela manhã. Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Lyana disse que o que busca é fazer o seu melhor trabalho, ter uma empresa admirada e ajudar os clientes a realizarem seus sonhos. Entende que ser líder é consequência de um bom trabalho. Como sugestão às mulheres – e homens, também – que pretendem assumir o comando dos seus próprios negócios, recomenda:

“Esse foi um aprendizado que tive com a minha mãe desde muito cedo. Ame aquilo que você faz, descubra algo que te faça acordar; e seja verdadeiro no que você faz. O mundo não tolera mais o fake, o disfarçado”. 

E por falar em mundo … o desafio do momento é entender quais cenários permanecerão em pé depois da experiência que vivenciamos nesta pandemia. Lyana Bittencourt, que realiza consultoria especializada no desenvolvimento, gestão e expansão de redes, enxerga que as empresas terão de ser mais líquidas, flexíveis e adaptáveis. Terão de interpretar as demandas do consumidor omnichannel, que quer ser atendido da maneira que deseja, no local em que estiver e pelo meio que lhe convier.  Ou seja, nem só físico nem só digital: figital. 

“E se as empresas não estiverem atentas a serem essa solução completa que o consumidor deseja, elas vão perder para outras empresas que estão mais completas e mais onipresentes na jornada. Então, eu quero ser uma marca onipresente. Eu tenho que estar no celular do consumidor. Eu tenho que ter a loja. Eu tenho que ter o meu e-commerce. Eu tenho de ter meu market place”. 

Assista ao Mundo Corporativo com Lyana Bittencourt, do Grupo Bittencourt, que fala de outras estratégias necessárias para as empresas estarem sintonizadas com o momento atual.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: ao deixar cargo de presidente da L’Oréal no Brasil, An Verhulst-Santos diz que legado é uma empresa mais diversa, digital e próxima das pessoas

Foto: Divulgação

“Vai precisar ter muita resiliência. Nós estamos vivendo um momento difícil. Muita criatividade, muita fé que as coisas vão melhorar. Eu acho que cada um se sente mais conectado com os outros. E vamos sair muito mais fortes do que entramos”


An Verhulst-Santos, L’Oréal no Brasil

“Como você está?” passou a ser a pergunta chave nas conversas corporativas, desde o início da pandemia, nos escritórios e fábrica da L’Oréal no Brasil. Pergunta que pouco se fazia na época em que todos dividiam o mesmo espaço físico; e na pressa de dar início as reuniões de trabalho, era esquecida, sem considerar que o colega ao lado levava à empresa sentimentos e emoções. 

De acordo com An Verhulst-Santos, presidente da multinacional francesa aqui no Brasil, a forma de conversar e ouvir o outro  foi uma das mudanças de comportamento necessárias para que gestores e colaboradores superassem o desafio imposto pelas restrições sanitárias que levaram ao distanciamento e ao trabalho remoto. Uma mudança que permanecerá influenciando as relações com colegas, parceiros de negócio e clientes:

“Nesse momento, nunca fomos tão perto das nossas equipes, dos nossos parceiros e das nossas consumidoras para ouvir suas necessidades … ’Como você está? virou algo muito importante para conectar”.

No último dia como presidente da L’Óreal no Brasil, An Verhulst-Santos conversou com o Mundo Corporativo e demonstrou muita satisfação com os resultados alcançados nesta segunda passagem pelo país. Ela segue agora para o Canadá onde assumirá outro posto de comando na empresa, na qual trabalha há 30 anos:

“O Brasil é um país extremamente especial para mim, é meu pais do coração. Eu sou uma líder muito colaborativa, com muita empatia, que trabalha muito a inclusão. E nós deixamos um trabalho lindo, reforçado  com uma equipe maravilhosa e de excelência. E um grande trabalho sobre a digitalização, sobre a sustentabilidade e sobre a diversidade e inclusão”.

An também deixa uma empresa que investiu alto na transformação digital para se adaptar às necessidades das clientes, no último ano. Ela calcula que em cinco meses foram implantadas mudanças que estavam previstas para os próximos cinco anos, acelerando a ideia que tem movido a L’Oreal de ser a empresa número um de ‘beauty tech’ no mundo. Uma das inovações foi para atender a demanda de clientes acostumadas a experimentar os produtos antes de comprá-los: uma ferramenta na qual é aplicado o conhecimento de ‘realidade aumentada’ que permite que as consumidoras façam simulações com os produtos, sem sair de casa.

Ao mesmo tempo que algumas soluções vieram de experiências no exterior, outras foram caseiras, graças a relação da L’Oréal com startups do setor que atuam no Brasil. De acordo com a executiva, um exemplo foi a plataforma que permitiu o uso de WhatsApp para as clientes tirarem suas dúvidas e receberem conselhos de funcionárias da empresa, o que resultou em 20% mais conversões de venda do que o acesso pelo site. A realização de live-streaming  no qual a cliente podia comprar o produto ao mesmo tempo em que participa do evento foi outro projeto criado no Brasil.

“A consumidora brasileira é uma consumidora extremamente exigente, uma consumidora que tem demandas sobre a vivência, necessidades muito particulares. E quando você consegue trazer produtos para o mercado brasileiro, você consegue convencer qualquer consumidor no mundo inteiro”

Sobre diversidade, um dos aspectos que chama atenção na troca de comando é que a primeira mulher a assumir a presidência da empresa no Brasil será substituída por um homem, Marcelo Zimet, quando a expectativa era de que continuasse sob uma liderança feminina, especialmente porque a L’Oréal tem como sua clientela principal as mulheres. An nega que isso seja um retrocesso e lembra que as mulheres são 64% dos colaboradores da empresa e 55% dos cargos de liderança:

“Por que seria um recuo? Marcelo é um homem extraordinário, um brasileiro não só de coração, mas também de nascimento, que conhece super bem o Brasil e trabalha há bastante tempo na empresa e que conhece bem o consumidor. O assunto não é só de ser homem ou mulher para trabalhar na beleza. O assunto é de tentar entender, de ter a empatia de escutar o consumidor e de escutar a necessidade que essa pessoa tem … Não é, ser homem ou mulher, é a complementaridade de todas essas pessoas juntas que faz essa empresa mais forte.”

Apesar do crescimento que teve dentro da L’Oréal, An lembra que sua trajetória, sim, enfrentou dificuldades e barreiras inerentes ao mundo corporativo. Para superá-las, exercitou a resiliência – característica que por várias vezes citou durante a entrevista –, especialmente quando teve de convencer os outros de seu ponto de vista. Em relação a liderança feminina, ela diz que, por tudo que passam na vida, as mulheres criam uma força que as capacita a encarar os desafios da profissão:


“Uma mulher que seja CEO ou não seja CEO é CEO da vida dela. Porque nós temos uma força tão grande, as mulheres, de fazer este multitask. Nós somos capazes de fazer nosso trabalho, ser mãe, ser parceira, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, eu acho que isso é que faz as mulheres o CEO da vida dela”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site www.cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, domingo, às 10 da noite, e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e do Matheus Meirelles.