Mundo Corporativo: Ruy Shiozawa, o CEO do GPTW que demitiu a sede para não perder os talentos

“Mais e mais empresas estão priorizando, focando, colocando pessoas no centro de suas decisões. Ou seja, para tomar decisão, eu preciso pensar em primeiro lugar nas pessoas. Isso foi inclusive ressaltado pela pandemia”

Ruy Shiosawa, GPTW

Imagine a satisfação de você, estar ao lado da sua família, e receber o comunicado, de viva-voz, do próprio presidente da empresa, de que foi promovido. Foi o que aconteceu com uma colaboradora do GPTW, consultoria que estuda ambientes de trabalho, com atuação aqui no Brasil, há 25 anos. A cena só se realizou porque o anúncio foi feito durante uma videoconferência, da qual ela participou a partir de sua casa, onde está trabalhando desde que se iniciou a pandemia. E onde estavam, também, sua mãe e sua avó. As três comemoraram juntas com o presidente a boa notícia. Um dos protagonistas desse momento foi Ruy Shiosawa, CEO do Great Place To Work,  que compartilhou a história com os ouvintes do Mundo Corporativo.

O caso contado por Ruy serve tanto como exemplo quanto como alerta aos líderes. Com parte ou todas as equipes trabalhando em home office, da mesma maneira que se pode usar essa condição para tornar a boa nova uma celebração em família, pode-se gerar situações constrangedoras e desrespeitosas:

“Todo dia quando se faz uma reunião de trabalho, esse líder, esse gestor, entra dentro da casa das pessoas. É como se nós tivéssemos todos os dias, antes de iniciar uma reunião, que pedir licença para entrar dentro do ambiente familiar … Essa proximidade do mundo do trabalho com o mundo pessoal e familiar é muito maior, mudando as características de liderança”. 

Ao contrário da maioria das empresas com quem temos falado no Mundo Corporativo, o Great Place to Work não pretende voltar ao modelo presencial — a não ser em alguns encontros ao longo do ano  que serão organizados para gerar um relacionamento mais intenso entre os colaboradores. Decisão adotada por dois motivos, em especial. Um deles, o fato de que algumas equipes de trabalho foram formadas durante a pandemia com profissionais contratados em regiões diferentes do país, e não faria sentido abrir mão desses talentos. O outro, ainda mais concreto: o GPTW não tem mais uma sede. No inicio da pandemia, ao assistir à queda em 70% dos seus negócios, a consultoria reuniu todos os colaboradores e juntos decidiram que somente haveria demissão se não houvesse mais alternativas. Fazer o quê, então?

“Uma das decisões que nós tomamos foi a de demitir o prédio em vez de demitir as pessoas. Porque sem as pessoas, o GPTW não existiria mais. Sem o prédio, a gente continua funcionando. E, como eu falei: este ano batemos o recorde de participação de empresas na nossa pesquisa”.

É da pesquisa de ambiente de trabalho que vêm boa parte do faturamento da consultoria e dela que surge a maioria das soluções propostas às empresas.  Um estudo que alcançou 4 mil organizações, neste ano de 2021, depois do sumiço da maior parte dos parceiros no primeiro ano da pandemia. Muita gente temia medir o nível de satisfação de seus colaboradores diante da situação que todos enfrentávamos. O resultado não deixou dúvidas: as empresas que demonstraram interesse em perguntar o que estava acontecendo com os seus profissionais, se preocuparam com a saúde mental deles e os trouxeram para o centro das decisões, tiveram suas médias melhoradas, na pesquisa. 

Uma pergunta que muitos se faziam é como ficaria a cultura da empresa com os funcionários à distância. Rituais que fazem parte do cotidiano da organização deixaram de ser realizados. Para superar essas barreiras, as empresas que melhor gerenciaram a crise intensificaram e aumentaram a frequência dos contatos de cada líder com sua equipe. Contatos em grupo e  individuais —- e aqui um destaque em especial, porque a pandemia expressou as individualidades e a necessidade de os casos serem tratados de maneira diferenciada. 

Escutar o outro é tema que tem frequentado as rodas de conversa (online) de gestores e, invariavelmente, é prática comentada por entrevistados do Mundo Corporativo. Não seria diferente com Ruy Shiosawa. Para o CEO do GPTW, é preciso fazer esse exercício para que se encontre a resposta que muitos líderes buscam diante do desafio da retomada das atividades no pós-pandemia:

“A  gente tem uma mania de achar que o líder, o presidente tem de saber tudo e decidir o que é melhor para a empresa, para as pessoas. Não! Faz ao contrário! Pergunte para as pessoas o que é que elas acham. Quando você toma decisão sabendo o que está contemplando, o que você vai resolver e o que você vai complicar, você já pode pensar nos desdobramentos para isso”. 

Foi escutando pessoas que algumas empresas perceberam a necessidade de se criar ações de controle da saúde mental dos colaboradores. Algo que já aparecia em anos anteriores da pesquisa de ambiente organizacional do GPTW e teve crescimento exponencial na pandemia, com o isolamento agravando algumas situações. Os dados globais são preocupantes: uma em cada cinco pessoas terão ao longo da sua carreira alguma questão envolvendo sua saúde mental e 75% desses casos não serão detectados. Ou seja, a pessoa tem um sintoma de ansiedade leve que não é percebido e não é tratado. Esse sintoma se torna moderado e segue sem tratamento. Daí se transforma em intenso e quando menos se espera, a crise já explodiu. 

Ruy defende que as empresas tenham profissionais especializados em saúde mental — no corpo de colaboradores ou terceirizados —- para que se faça uma análise científica das soluções a serem implantadas. No GPTW,  os primeiros passos foram contratar os serviços de um equipe médica e fazer uma variação na pesquisa anual para identificar o tamanho desse problema de saúde mental. Uma das soluções foi criar uma semana de cuidado da saúde, escolhida pelo próprio colaborador, período em que ele ficará afastado da empresa sob o compromisso que dedicará aquele dias para realização de exames e outros cuidados com a sua saúde.

“Uma semana de férias a mais para cada pessoa? Minha empresa não pode ficar sem ela, uma semana, dirão alguns empresários. E eu respondo: se entrar em crise, você ficará sem ela um mês ou até mais. Se já não fosse prejuízo suficiente ter um profissional com a saúde comprometida”. 

Assista à entrevista completa com Ruy Shiosawa, do GPTW, no Mundo Corporativo

Este episódio do Mundo Corporativo teve a colaboração de Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da rádio. O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 10 horas da noite, em horário alternativo.

Digital cast: o desafio de comunicar na era digital

Entrevistar me dá prazer. Ser entrevistado, ansiedade.Tive de cumprir esse papel — o de ansioso — diante do convite do Rodrigo Portes e do Carlos Eduardo Boechat, que apresentam o podcast Digital Cast. No fim, sempre é uma boa oportunidade para testar como está nossa perspicácia para encontrar a resposta certa para as perguntas incisivas.

O foco da série de 15 podcasts é a transformação digital e a indústria 4.0. Como pouco entendo de uma coisa e de outra – a não ser por ouvir falar —, nossa conversa de pouco mais de uma hora navegou mesmo pela comunicação. É disso que vivo. É por isso que sou apaixonado. E se tem uma habilidade que devemos desenvolver para sobrevivermos ao ritmo frenético a que foram expostos nossas pensamento, processos e relações é a comunicação.

Aproveite!

Mundo Corporativo: Fábio Coelho, do Google, sugere que relevância no mercado depende de aprendizado constante e ajustes permanentes

Foto Pexel

“.. as empresas vão conseguir migrar para um modelo um pouco mais híbrido, onde as pessoas vão poder trabalhar do escritório, mas vão poder também trabalhar de outros lugares ..” 

Fábio Coelho, Google

Uma crise sanitária e uma crise econômica que andaram de mãos dadas, enquanto o cidadão era obrigado a se isolar, e por um tempo bastante prolongado. Não bastasse esse cenário, único e grave, tudo ocorrendo em um ambiente polarizado e marcado por divergências. Um conjunto de problemas que surgiu com a pandemia e se expressa de forma contundente na saúde mental das pessoas. É dessa maneira que Fábio Coelho, presidente do Google do Brasil, descreve o que estamos vivenciando desde os primeiros meses do ano passado. Um conjunto de problemas que pede um comportamento diferente de empresas, gestores e da sociedade:

“A gente tem de estar olhando para a melhor forma de como ajudar as pessoas a navegar melhor essa pandemia. Com informação de qualidade, entendendo quais são os passos corretos a seguir e respeitando as individualidades de cada um de nós, porque cada um é um universo em si, que vive essa pandemia de maneira diferente”.

O diagnóstico feito por Fábio Coelho, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, serve tanto para as ações que se referem a parceiros de negócio quanto as que pautam os relacionamos humanos — seja dentro da empresa, com os colegas de trabalho, ou no círculo de amigos e familiares.

“Nós aprendemos que, primeiro, para a gente poder trabalhar bem as pessoas tem de estar bem. Isso significa cuidar da saúde mental, cuidar do bem-estar das pessoas que trabalham contigo, muito mais do que antes. Aprendemos, também, que temos de ser rápidos na maneira em que a gente apoia as pessoas, sejam as que trabalham contigo sejam os seus clientes”.

Velocidade não faltou para o Google, pelo que se constata no relato feito pelo seu presidente aqui no Brasil. No dia 13 de março, todas as equipes tiveram de deixar a sede da empresa e, em dois dias, as operações já ocorriam totalmente à distância. O uso de plataformas próprias que agregam uma série de ferramentas necessárias para o desenvolvimento de projetos ajudaram a manter o fluxo de trabalho com a conexão e colaboração entre profissionais e equipes. 

O prédio principal que fica em uma das áreas mais nobres de São Paulo e reconhecido por sua estrutura avançada e arquitetura moderna segue ocupado apenas por profissionais da área de segurança patrimonial e manutenção. O retorno ao trabalho presencial ainda não está decidido, de acordo com Fábio Coelho. Talvez no fim desse ano. Provavelmente, no ano que vem. Mesmo assim, uma volta que tende a ser parcial:

“A gente acredita que podemos trabalhar no modelo híbrido, mas isso varia de grupo a grupo dentro da organização. O importante é que a gente tem conseguido navegar na pandemia … Dá pra fazer um equilíbrio entre uma coisa e outra, que aí nós vamos ter o melhor dos dois mundos (remoto e presencial), neste momento”. 

O desafio de encarar a pandemia marcou o décimo ano de Fábio Coelho como presidente do Google Brasil. Uma marca interessante se considerarmos a celeridade das transformações que ocorreram nos diversos setores que a empresa atua. Quando Fábio iniciou sua trajetória — ele próprio lembra dessa situação —- um dos fenômenos tecnológicos atendia pelo nome Orkut, os celulares inteligentes eram raros e a computação em nuvens ainda não havia amadurecido. Provocado a falar sobre sua longa permanência no Google, o executivo identifica três razões:

“Primeiro porque eu gosto. Segundo porque eu continuo aprendendo. Terceiro porque estou sempre me ajustando”. 

Para Fábio é essencial que os profissionais, executivos e colaboradores estejam sempre abertos a fazer os ajustes necessários e entender que cada momento tem uma onda tecnológica diferente. Segundo ele, o aprendizado tem ser constante para que a pessoa se mantenha relevante na função que exerce. Um dos aspectos que considera importante em seu desenvolvimento foi a convivência com a diversidade de opiniões, de conceitos e de pessoas —- que tem muito a ver com o ecossistema do Google:

“Nós temos de ter solução para todos os brasileiros, são de mais de 100 milhões de brasileiros que usam nossas plataformas, que têm mais de 1 bilhão de usuário no mundo. O Google tem de ter gente que represente em 1 bilhão” 

Diante do uso das palavras monopólio e Google na mesma frase —- no caso, na mesma pergunta —-, Fábio Coelho é tão rápido ou mais na resposta do que quando vamos pesquisar no buscador de informações. O executivo diz que não existe monopólio e cita alguns concorrentes nas múltiplas áreas em que a empresa atua —- e-mail, plataforma de streaming, mapas, navegador e o próprio buscador, entre outros. O que chamamos de monopólio para ele é oferta da melhor experiência.

Chame como quiser, a conversa sobre domínio de mercado me fez lembrar a experiência de Jeff Bezos, da Amazon, que decidiu desafiar a lógica e propôs aos gestores da operação que recém havia se iniciado no México a vender seus produtos sem anunciar no Google. Estava cansado de entregar parte de seu lucro à empresa. Em pouco tempo voltou atrás. 

Independentemente do que você pensa, a boa notícia é que o Google está contratando. Fábio Coelho informou ao Mundo Corporativo que a empresa tem cerca de 150 vagas em aberto, em São Paulo e em Belo Horizonte. E o que buscam?

“O que a gente busca são pessoas que possam ter algum impacto na companhia, se for mais experiente, a capacidade de contribuir com experiências passadas; se for uma pessoa jovem, com interesse para aprender”.

Pra saber como se candidatar a uma dessas vagas, dá um Google. 

Assista à entrevista completa com Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, em vídeo, no canal da CBN no Youtube, no site e no perfil da rádio no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: primeiro a metodologia, depois a tecnologia, ensina Hendel Favarin, da escola de negócios Conquer

Foto de Vlada Karpovich no Pexels

“Construa o produto com o cliente e não para o cliente” 

Hendel Favarin, Conquer

Fechar a porta das salas de aula e abrir acesso às salas virtuais. Levar o conteúdo para a internet. Planejar com os professores como essa migração deveria ocorrer. E contar com a experiência de alunos. O desafio que a escola de negócios Conquer encarou em março do ano passado foi o mesmo de todas as demais instituições de ensino, no Brasil. Com a pandemia decretada não era mais possível manter a mesma estrutura de ensino e foi necessário agilidade dos gestores e capacidade de adaptação diante do cenário de incerteza que surgia. 

Algumas escolas tiveram mais sucesso do que outras nessa transformação digital. Um dos motivos para isso, segundo Hendel Favarin, co-fundador da Escola Conquer, entrevistado no programa Mundo Corporativo, foi entender que primeiro vem a metodologia e depois a tecnologia:

“Nossa taxa de desistência foi de cerca de 1,5%. A falta de engajamento (em algumas escolas) não foi por causa da tecnologia, mas porque a metodologia foi colocada à prova e o aluno não estava no centro da experiência”.

A Conquer foi fundada, em 2016, por Hendel Favarin, Josef Rubin, e Sidnei Junior, em Curitiba, a partir da insatisfação dos três jovens empreendedores com o ensino tradicional. Para eles,  especialmente as faculdades e os cursos de pós-graduação tinham conteúdo desconectado do mercado de trabalho, metodologia ultrapassada e professores muito teóricos e com pouca experiência no dia a dia dos negócios. 

“Nós surgimos para desenvolver softskills que fazem toda a diferença para um profissional alavancar seus resultados, independentemente da sua formação”

Hendel conta que a Conquer tinha 2 mil alunos em aulas presenciais até o início da pandemia. Com o conteúdo online, criação de cursos gravados e a oferta de graça de um curso sobre inteligência emocional, a escola passou a atender 30 mil alunos nos meses seguintes e, desde sua fundação, já conseguiu alcançar 1 milhão de pessoas de 80 países:

“O alcance e o impacto dos cursos digitais durante a pandemia proporcionaram maior acesso, maior democratização, porque os preços naturalmente caíram. Os cursos digitais permitem uma redução de preço, não têm todo aquele custo da infraestrutura presencial. Então os cursos acabaram diminuindo o seu tíquete médio e aumentando o alcance. É muito interessante porque hoje a gente vê alunos não só de todo o Brasil, mas também de muito mais classes sociais”.

A maior perda com o ensino à distância, de acordo com Hendel, foi com a criação de redes de relacionamento que é incomparavelmente maior no presencial do que no digital. O trabalho remoto também trouxe novas demandas aos líderes e gestores, aspectos que têm sido levado em consideração nos diversos cursos oferecidos pela escola: 

“As empresas que se destacaram foram as empresas que priorizavam a gestão pautada em pessoas, focada na conexão e empatia para as pessoas O líder fez toda a diferença. Gerando empatia, compartilhando suas vulnerabilidades, falando de suas falhas, seus acertos, seu aprendizado. A humanização líder: esse é o grande pulo do gato para se conectar à distância com suas equipes”. 

Com apenas 30 anos, Hendel, assim como seus dois sócios fundadores, também usam de sua experiência no empreendedorismo para ajudar outras pessoas a alavancarem os seus negócios. No programa Mundo Corporativo, ele deixou algumas sugestões para quem pretende iniciar seu empreendimento:

  • Construa o seu produto com o cliente e não para o seu cliente
  • Experimente, não tenha medo de errar
  • Esteja disposto a testar
  • Lance o MVP ou o Produto Mínimo Viável
  • Leve para o mercado o mais rápido possível
  • Observe, escute, aprenda e mude

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Rituais para ser um líder comunicador

Foto de Thirdman no Pexels

Medo do desemprego, dúvida sobre a possibilidade de ascender na carreira e poucas perspectivas de melhoria financeira têm abalado o otimismo dos colaboradores das empresas no Brasil, segundo estudo realizado pelo LinkedIn. O Índice de Confiança do Trabalhador que mediu a disposição no último trimestre de 2020 ficou em 58 pontos contra os 64 registrados no penúltimo trimestre do ano passado. Para resgatar a confiança dessas equipes de trabalho, além da sinalização de recuperação do país —- que foge do nosso controle —-, é preciso investir em uma das competências mais exigidas dos líderes nos tempos atuais: a comunicação.

É preciso expressar de forma clara ao colaborador a importância dele para a empresa e qual é a visão desta empresa em relação ao projeto de trabalho que ele está envolvido. Em resumo: o profissional tem de ser reconhecido para se sentir pertencente ao grupo. Sem isso, não haverá engajamento. Para que se construa esse relacionamento, a comunicação é essencial, devendo ser realizada de forma transparente, com argumentos consistentes e demonstrando que está acessível — verdadeiramente acessível —- a ouvir e responder as demandas que surgirem.

Acolher o outro e saber transmitir as mensagens que tornarão esse colaborador comprometido com o propósito e as metas da empresa são tarefas do líder comunicador —- essa figura cada vez mais necessária na dinâmica da empresa. 

Na tarde dessa quarta-feira, dediquei-me a conversar com líderes de um grupo empresarial preocupado na criação de uma cultura comunicacional e, em determinado momento, fui provocado a pensar em alguns rituais para o líder estabelecer uma comunicação efetiva com sua equipe. Não titubeei em destacar que o primeiro passo para que um profissional se transforma em um líder comunicador é saber ouvir o outro. Como lembra o consultor Thomas Brieu, entrevistado no programa Mundo Corporativo, em agosto de 2020, precisamos praticar a escutatória — palavra cunhada por Rubens Fonseca em texto no qual nos alerta:

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”.

No livro Comunicar para Liderar, que escrevi ao lado da fonoaudióloga Leny Kyrillos, trouxemos nove passos para que se percorra o caminho por um diálogo qualificado:

1. Reaprender a ouvir

2. Ouvir étão importante quanto falar

3. Exercitar a paciência

4. Saber perguntar

5. Não demonstrar pressa

6. Atenção na linguagem não verbal

7. Identificar as necessidades do outro

8. Buscar pontos em comum

9. Criar vínculos que fortaleçam as relações

Caso você se sinta à vontade, compartilhe com a gente bons e maus exemplos de comunicação que você já vivenciou em sua carreira. 

Mundo Corporativo: Rachel Maia assume a missão de levar a diversidade ao topo das empresas

foto: divulgação

“Existe uma dívida da sociedade e para transformar isso em oportunidade equitativas, só através de letramento. É dessa forma que nós vamos fazer: educar para mudar.”

Rachel Maia

O encontro era em um restaurante de luxo de São Paulo. Rachel Maia entrou e foi abordada por um dos funcionários, que a alertou que havia um outra porta de acesso para quem prestava serviços. Para ele, uma mulher de “pele preta, retinta” não seria frequentadora do local. Talvez se soubesse que Rachel era uma das maiores líderes empresariais do Brasil e até pouco tempo esteve à frente de algumas das principais marcas de luxo do mundo, o funcionário agisse diferente —- o que não significaria que fosse menos preconceituoso. O olhar de estranhamento, certamente, permaneceria no rosto daquele homem.

A cena descrita no parágrafo acima ocorreu há poucas semanas e foi compartilhada com os ouvintes do programa Mundo Corporativo pela própria Rachel que, atualmente, é CEO e fundadora da RM Consulting. Não foi a primeira vez que ela enfrentou essa situação na vida nem será a última. E uma das maneiras de vencer esse preconceito é não permitir que as pessoas digam quem ela é e o que ela pode fazer:

“Não é a ação do interlocutor que me define. Tenho de ter muita segurança sobre tudo que me formou. A minha base, a minha história, o meu conteúdo, tudo que me fez chegar até ali. Então eu não deixo essas ações muitas vezes me colocarem em um outro papel que ele está definindo”

Após aproximadamente 16 anos como CFO e cerca de 15 como presidente de empresas globais —- Pandora e Lacoste são dois exemplos —-, Rachel assumiu o desafio de transformar as empresas e a sociedade mostrando que o diverso deveria fazer parte não apenas da base, mas do topo da pirâmide. Para isso, criou a consultoria que traz suas iniciais, sua história e sua indignação:

“Desde o início, tento implantar essa ideia de uma forma educativa e nunca imposta; trabalho com a estratégia do letramento que é mostrar a realidade, contar a história de como foi feita a escravidão no Brasil e como foi a abolição, que largou na rua este povo que foi trazido para as terras brasileiras.”

Para que se entenda o tamanho da desigualdade de tratamento e oportunidade: apesar de mais da metade da população brasileira se identificar como preta e parda, no máximo 9% ocupa cargo de liderança. Rachel lembra que quando o olhar se volta para a presidência, os índices são ainda mais chocantes: em 2015, era de apenas 0,4% —- “ou seja, só uma pessoa negra ocupava esse cargo, a minha pessoa”. 

No livro recém-lançado “Meu caminho até a cadeira número 1” (Editora Globo), Rachel Maia descreve a jornada de educação que se iniciou em escola publica da periferia de São Paulo, passou pelo ensino técnico, formou-se na FMU e, quando percebeu que sem o domínio do inglês não seria capaz de ascender na profissão, foi morar sozinha no Canadá:

“Conhecimento adquirido ninguém te tira, conhecimento adquirido é poder”

Além da consultoria, Rachel participa do conselho de administração de algumas empresas onde também tem a missão de mostrar a necessidade de se investir na diversidade. Se não for por razões sociais, que sejam pelas financeiras. Hoje, o tema faz parte de relatórios de ESG — Environmental, Social and Corporate Governance, que se referem às práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio. 

A discussão não deve se restringir ao setor de recursos humanos, precisa ser uma responsabilidade da alta gestão, estando todos abertos a se educar e a absorver o conhecimento que vai inspirar à pluralidade na captação de talentos, ensina  Rachel.

Para quem está em busca de espaço no mercado de trabalho, a empresária recomenda:

“Convido você a sonhar. Sonhe de forma plena e absoluta. Você tem o direito a tal. Mas não fique só no sonho. Planeje. E ao planejar, você vai realizar. E muitas vezes você vai cair. E mais uma vez você vai ter de levantar, sacudir a poeira e procurar outras oportunidade. Preste muito atenção nas oportunidades que a vida traz”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, na página do Facebook e no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Mundo Corporativo, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa: Izabela Ares, Bruno teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Armando Lourenzo da EYU sugere investimento em comunicação para reduzir distâncias do trabalho remoto

Foto de Julia M Cameron no Pexels

“Tem duas competências que são chaves: a accountability é uma; a capacidade de aprendizado contínuo e ágil é outra. Então a gente precisa se atualizar constantemente. A gente tem de ter prontidão para aprender.”

Armando Lourenzo, EYU

Ao assumir o cargo de liderança você descobre que para alcançar as metas propostas pela empresa dependerá das outras pessoas. Diante dessa realidade, muitos profissionais acabam centralizando as ações, acreditando que com o controle nas mãos a performance vai melhorar e os resultados serão alcançados. Ledo engano, pensa Armando Lourenzo, diretor da EYU no Brasil e América Latina, entrevistado do programa Mundo Corporativo da CBN. Para ele, ao agir dessa maneira, deixa-se de oferecer experiências aos colaboradores, e o líder não cumpre uma de suas funções: agregar valor às pessoas.

“Existe um mantra na sociedade de que ‘eu trato as pessoas como eu gostaria de ser tratado; eu não concordo com isso, eu acho que a gente tem de tratar as pessoas como elas gostariam de ser tratadas. Aí é você praticar a empatia. É você se colocar não no lugar da outra pessoas, mas entender como ela funciona”

Autor do livro ‘Liderança na prática — como liderar pela primeira vez’, Armando ensina que ter conhecimentos técnicos, tanto do próprio negócio como da função que exerce, são importantes mas não, suficientes:

“Para liderar equipes é crucial desenvolver soft skills. Assumir um cargo de liderança pela primeira vez será, provavelmente uma das fases mais desafiadoras da sua vida profissional”.

Imagine esse desafio sendo assumido em um cenário totalmente incerto e complexo como este imposto pela pandemia. Ao líder —- novato na função ou não —- as exigências são ainda maiores. Na EY, tradicional no setor de consultoria e auditoria, os 300 mil colaboradores foram trabalhar remotamente, em março de 2020. Segundo Armando Lourenzo, o braço acadêmico da instituição ofereceu programas de desenvolvimento pessoal para melhorar a produtividade do trabalho à distância,  para resolução de problemas complexos e liderança remota:

“Você tem uma serie de aspectos que estão mudando. A gente está passando por um processo de transformação digital, com uma economia compartilhada, as pessoas querem mais flexibilidade no trabalho, as pessoas querem mais qualidade de vida. O ambiente é totalmente diferente. Se você tiver uma postura de chefe como no século passado, na década de 50,  não consegue sobreviver nos dias de hoje”

Algumas sugestões que podem tornar o ambiente virtual mais produtivo e saudável, com base na experiência da EY são:

  1. Gestão de emails, com seleção apenas daqueles que realmente devem ser respondidos;
  2. Estabelecimento claro dos meios de comunicação por onde serão feitos os contatos
  3. Agilidade no feedback, para impedir que ‘fantasmas’ apareçam na comunicação interna dos colaboradores —- o que antes era resolvido no bate-papo de corredor agora pode demorar e se transformar em uma crise em pouco tempo.

Armando Lourenzo chama atenção em especial para os problemas de comunicação que devem ser atacados firmemente. Da mesma forma que é importante fazer cursos de oratória, aprender a se expressar e desenvolver a capacidade de se apresentar por meios virtuais, o diretor da EYU recomenda que se aprenda a escutar:

“Talvez seja o mais relevante a aprender. Muitas vezes, em uma reunião, todo mundo está falando e tem uma pessoa que observa a todos. É ela quem tende a fazer a pergunta que vai mudar por completo o rumo da reunião”. 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site e nas páginas da CBN no Facebook  e no Youtube. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: na incerteza, seu comportamento não pode ser incerto, ensina Carlos Vaz, da Conti

Foto: Reprodução

“Eu acredito que excelência é aquilo que você faz diariamente, uma dedicação de ser uma pessoa melhor, seja pessoalmente, seja profissionalmente” Carlos Vaz, Conti Real Estate Investments

Diante de tantas incertezas, o que não pode ser incerto é o seu comportamento diante delas. Essa é uma das lições aprendidas pelo empresário Carlos Vaz que, há 21 anos, desembarcou nos Estados Unidos, para um estágio não remunerado, em um escritório de advocacia, em Boston. Na época tinha algo em torno de US$ 300,00 no bolso e um aluguel a pagar de US$ 350, segundo conta. Até hoje, a Conti Real Estate Investments, empresa que criou e batizou com o sobrenome da mãe, há 11 anos, já registrou mais de US$ 1 bilhão em transações imobiliárias.

Carlos Vaz foi o entrevistado do programa Mundo Corporativo quando falou da trajetória dele, das oportunidades de negócios para brasileiros que querem investir nos Estados Unidos ou que planejam montar empresas por lá:

“O profissionalismo não tem nacionalidade. A coisa mais importante para nós como brasileiros é suar a camiseta todo o dia ..… Nós temos capacidade de competir com o americano, com o japonês, com o europeu ..… Essa gana de fazer o seu melhor, de querer ajudar as pessoas ao seu redor e sempre buscar o profissionalismo …”

O negócio da Conti é captar recursos com investidores, comprar imóveis, que serão alugados, e fazer a gestão financeira e condomininal. Segundo Carlos, a companhia tem atualmente 9 mil apartamentos sendo administrados e cerca de 300 pessoas trabalhando diretamente. Está localizada em Dallas, no Texas, e, em plena pandemia, abriu dois escritórios, em Miami e Rio de Janeiro:

“A pandemia acelerou, facilmente, de cinco a dez anos os negócios. Você percebeu que aquilo tudo que você faz hoje — não é só a sua inteligência, mas também a sua capacidade de se adaptar e sua capacidade de executar. A pandemia nos forcou a fazer as coisas diferentes, a fazer uma adaptação porque aquilo que levou você aqui não levará você lá”.

Filho número 8 de nove irmãos, Carlos diz que a educação oferecida pelos pais e os valores que ensinaram a ele, ainda na época em que viveu em Viçosa, Minas Gerais, foram fundamentais para vencer nos negócios. Mesmo tendo abandonado o curso de direito que iniciou no Brasil, o empresário lembra que, ao chegar nos Estados Unidos, tinha a convicção de que precisaria continuar estudando e realizando cursos, de preferência nas melhores escolas possíveis, pois também seria uma oportunidade para criar relacionamentos.

Para os brasileiros que querem iniciar negócio nos Estados Unidos, uma das recomendações de Carlos é que procure as câmeras de comércio, onde vão encontrar informações relevantes e assistência nas mais diversas áreas. Recomenda que se busque estados e cidades que estejam em crescimento e cita, como exemplo, o Texas. 

Sobre as habilidades para liderar uma empresa, o empresário identifica cinco aspectos que devem ser considerados:  

  1. Integridade
  2. Excelência
  3. Crescer e aprender
  4. Fazer a diferença
  5. Ter gana e paixão pelo que faz
     

E conclui:

”Nesse momento de desespero, fé é fundamental. Nosso comportamento não pode ser incerto. Procure sempre estar aprendendo; ouça bastante porque você vai pegar opiniões diferentes; veja o que você quer; não deixe de aprender; de olhar para você mesmo para tentar fazer melhor; e imagine: quando eu chegar a algum lugar, quem eu quero ajudar?”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal do Youtube, na página do Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar, aos sábados, às 8h10 da manhã. E está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Matheus Meirelles e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: Ricardo Neves diz que líderes tem de usar a comunicação para dar sentido aos negócios e exemplo às pessoas

Angela Merket foto: arquivo

“O líder é aquele que sabe conversar, o líder é aquele que sabe influenciar socialmente. A arte da liderança é a comunicação”

Ricardo Oliveira Neves, consultor

De Wilson Churchill a Angela Merkel. De Steve Jobs a Laurence Fink. Todos são líderes, cada um a seu jeito e ao seu tempo, que ajudam a entender o conceito que sustenta a nova ordem dentro das empresas: a da liderança por propósito ou a da criação de sentido e significado que possam ser valiosos para o indivíduo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Ricardo Oliveira Neves, consultor de estratégias, comunicação e marketing, falou de modelos de liderança essenciais para as empresas se adaptarem às transformações do século 21, em que vivemos uma complexidade exponencial. 

Autor do livro “Sensemaking: liderança por propósito”, Ricardo lembra que essa complexidade que gera incerteza e abala estruturas, não se resume a pandemia —- começa bem antes. Passa por uma série de outras mudanças que ocorrem há algum tempo como a do clima, as que têm colocado em xeque instituições democráticas e as que expressam ainda mais a  desigualdade social.

Ricardo diz que hoje existe uma caixa de ferramentas de comunicação que precisa ser aberta pelos líderes para que se afaste de vez o modelo de comando e controle, baseado na ‘Arte da Guerra’, que pautou as corporações por muitos anos:

“É preciso se libertar de uma mentalidade que é a do comando-controle, que ainda predomina nas grandes organizações, aquela do eu mando e você obedece. A diferença é que o líder agora passa a ser um facilitador de entendimento do que está acontecendo … tem de ajudar as pessoas a sair dessa zona de terror.”

Para ele a comunicação tem de ser baseada em quatro Cs: calma, coragem, conversa e colaboração. São elementos, por exemplo, que aparecem em Churchill que liderou os britânicos na Segunda Guerra Mundial. Que são encontrados no primeiro discurso dele à nação quando assumiu o cargo de primeiro-ministro, notabilizado pela frase: “eu só tenho a oferecer sangue, suor e lágrima”.  

De Merkel, primeira-ministra da Alemanha, onde Ricardo vive atualmente, o consultor destaca a condução que ela está tendo na crise provocada pelo coronavírus e lembra o discurso que fez às vésperas do Natal alertando às famílias para o risco de insistirem em se reunirem em confraternizações: teve coragem e clareza. A premier alemã também usa muito bem o que Ricardo chama de autocomunicação:

“Merkel é mestra disso. Lembra as pessoas de uma maneira sutil a usar máscara. Ela tem um ritual com a máscara, em público, que está sempre lembrando a todos desta necessidade”.

A autocomunicação também era praticada por Steve Jobs, de acordo com o consultor, o que explica o fato de a empresa ter, em lugar de clientes, fãs, porque se identificavam com o líder da Apple e seus produtos. Outro exemplo de comunicação eficiente e capaz de enfrentar a complexidade exponencial, segundo Ricardo, é a estratégia de Larry Flink, CEO da BlackRock, líder mundial em gestão de investimentos. Ele publica, todo ano, uma carta aberta aos clientes em que apresenta sua visão dos negócios de forma transparente. Flink é uma das principais vozes no mercado de capitais a defender o capitalismo consciente, mais preocupado com as questões sociais, ambientais e de governança.

“Propósito é uma coisa, sim, tangível que a liderança tem que aprender a falar, para quando ela vai conversar com seus pares e com a sociedade como um todo. Não existe mais a empresa que só por ter lucro tem licença para sobreviver”

Para Ricardo, o recado que todos precisam entender é que há necessidade de se encontrar propósitos individuais, e conscientes dessa mentalidade buscar nas empresas uma sintonia desses objetivos. O colaborador que acredita que ter segurança no emprego é vender a alma para o diabo vai se surpreender, porque em algum momento o diabo vai cobrar o preço que pediu na assinatura do contrato.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nas páginas da CBN no Facebook e no Youtube. Colaboram com o programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubioti.

15 dicas para quem quer participar do Clubhouse

Desculpe-me pela insistência. Volto a falar de ClubHouse porque a rede que privilegia a fala está dando o que falar. Não bastasse ter sido convidado para uma das salas, com o tema Mentoria da Comunicação, voltarei a ocupar o espaço no próximo sábado, ao lado da minha amiga Leny Kyrillos. Comunicação será, mais uma vez, o tema da conversa. Desta vez, baseada no livro que escrevi com a Leny, Comunicar para Liderar. É de 2015. De antes, bem antes da pandemia, e, ao mesmo tempo, muito atual. Quem vai abrir a sala “Comunicar e liderar” para falarmos é Erika Baruco, especialista nas duas áreas: comunicação e liderança.

Da experiência de décadas no rádio — que tem o som como principal instrumento — à participação única no ClubHouse, reuni algum conhecimento que pode nos ajudar nesta nova rede social. No mínimo, evitar alguns tropeços. Para não pensar que o que escrevo a seguir é coisa de marinheiro de primeira viagem (ah, agora virou coaching de ClubHouse, né?!?), informo aos navegantes que conversei com algumas pessoas que entendem do assunto e, também, já participaram do clube.

Bons costumes no Clubhouse:

  1. Ter um moderador(a)
  2. Ter um tema definido
  3. Identificar previamente os pontos de fala de cada integrante
  4. Na abertura, cada integrante se apresentar com no máximo duas frases
  5. Ao fazer uma pergunta, encaminhá-la para um dos integrantes
  6. Enquanto um fala, os outros fecham o microfone
  7. Falar sabendo que outros querem falar
  8. Invista no conteúdo
  9. Frases, palavras e citações importantes devem ser repetidas para que o ouvinte absorva a informação
  10. Importante ilustrar com histórias 
  11. Incluir os ouvintes na conversa, sempre
  12. Ao passar a palavra para um ouvinte, antecipar quem será o próximo
  13. Ao responder o ouvinte, citar o nome dele ao fim da fala para que tenha a oportunidade de réplica
  14. Anunciar o encerramento da sala, 15 minutos antes e selecionar quem fará as últimas perguntas
  15. Ser simples, direto e objetivo