Mundo Corporativo: Antonella Satyro fala sobre autoconhecimento e o papel do líder que cura

Entrevista on-line com Antonella Satyro Foto: Priscila Gubiottiu/CBN

“Tudo começa no autoconhecimento. Eu só faço uma transformação na minha própria vida quando sei quem sou, o que trago à mesa e quais são meus talentos únicos.”

Antonella Satyro, consultora e escritora

O ambiente corporativo vive uma era em que o papel do líder vai além da gestão de tarefas. Antonella Satyro, CEO da Universidade Líderes que Curam e autora do livro que leva o mesmo nome, defende que a transformação dentro das empresas deve começar pela autoconsciência dos líderes. Em um cenário de alta pressão e produtividade, muitos líderes se esquecem de algo crucial: reservar tempo para o planejamento estratégico.  “O líder está tão focado no operacional que, muitas vezes, esquece de se preparar com perguntas profundas antes de uma reunião. É esse planejamento que traz resultados exponenciais lá na frente”, afirma Antonella.

No programa Mundo Corporativo, Antonella discutiu como o autoconhecimento e a escuta ativa são pilares fundamentais para uma liderança eficaz e humanizada.

A cura do ambiente organizacional começa pelo líder

Antonella destaca que a liderança não é apenas sobre cargo ou título, mas sim uma habilidade que pode ser desenvolvida independentemente da posição ocupada. “Nós, como líderes, precisamos investir no autoconhecimento para nos autoliderarmos. A liderança não é título, não é crachá. É uma habilidade”, diz ela.

Na entrevista, a CEO também abordou o impacto que a saúde mental tem nos ambientes corporativos. Segundo Antonella, cerca de 30% da força de trabalho no Brasil apresentou sinais de burnout em 2022, o que torna o tema mais urgente do que nunca. Ela sugere que as empresas realizem um diagnóstico para entender a saúde mental dos colaboradores e líderes, destacando que “um líder consciente e saudável cria um ambiente de trabalho mais engajado e produtivo”.

Antonella reforçou que, ao transformar a si mesmo, o líder pode transformar o ambiente ao seu redor. “Eu curo meus liderados quando me curo primeiro. A clareza que ganho sobre mim mesmo reverbera na minha equipe.”

A importância da escuta ativa

Um dos pontos centrais discutidos por Antonella foi a escuta ativa, que ela considera essencial para uma liderança eficaz. “O líder deve ouvir mais do que falar”, afirma. Para ela, saber fazer boas perguntas é a chave para extrair respostas mais profundas e promover uma verdadeira conexão com a equipe. “Quando dedicamos tempo para ouvir genuinamente, empoderamos as pessoas ao nosso redor. Um líder que escuta, antes de tudo, cria um ambiente mais aberto e colaborativo”, completa. Antonella defende que a escuta ativa é uma das ferramentas mais poderosas para fortalecer os laços entre líder e equipe, ampliando o engajamento e a inovação no ambiente de trabalho.

O trabalho da Universidade Líderes que Curam

A Universidade Líderes que Curam, fundada por Antonella, é uma escola de educação corporativa focada no desenvolvimento de lideranças humanizadas. Oferecendo programas de treinamento, workshops e mentorias, a universidade capacita líderes de todos os níveis a promoverem ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. “Nosso objetivo é ajudar líderes a se tornarem agentes de transformação, impactando não apenas suas equipes, mas também a cultura organizacional como um todo”, explica Antonella.

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Mundo Corporativo: Ana Bavon fala sobre liderança e direitos humanos empresariais

Ana Bavon no estúdio do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A sociedade mudou e a mentalidade das pessoas não pode ficar estagnada no modelo de negócios de 1990.”

Ana Bavon, B4People

Com a crescente pressão por transparência e responsabilidade social, as empresas enfrentam desafios novos e complexos. Ana Bavon, fundadora e CEO da B4People, acredita que os líderes empresariais precisam de uma transformação profunda, abandonando práticas antigas e adotando uma gestão baseada em valores éticos e novos critérios. “Não é mais sobre o CNPJ, estamos falando do CPF, das pessoas que estão por trás das empresas”, afirma Ana, defendendo que a liderança de hoje, se não estiver atenta a esses princípios, corre o risco de se tornar obsoleta.

Esses temas foram discutidos em sua entrevista ao programa Mundo Corporativo, no qual Ana abordou como o futuro exige decisões pautadas por novos valores éticos e um compromisso sólido com os direitos humanos.

Liderança e direitos humanos

Durante a entrevista, Ana Bavon reforçou a importância de uma liderança que compreenda e incorpore os princípios de direitos humanos no ambiente corporativo. Segundo ela, “quanto mais transparente e detalhados forem os relatórios de informações das empresas, e quanto maior for a tranquilidade da liderança em falar sobre suas ações, maior será a sua reputação”. A líder da B4People explica que, sem esse compromisso com a transparência, a confiança do público e a credibilidade da empresa podem ser facilmente abaladas.

Ana destaca que a construção de um ambiente de trabalho que respeite os direitos humanos e a ética é fundamental para evitar o que ela chama de “lavagem social” — quando as empresas fingem ter políticas de responsabilidade social sem, de fato, implementá-las. “As empresas precisam projetar e executar metas claras, caso contrário, correm o risco de cair nessa armadilha de reputação”, adverte.

Pequenas empresas também podem atuar no ESG

Outro ponto levantado por Ana foi a percepção equivocada de que apenas grandes empresas podem implementar ações ligadas ao ESG (governança ambiental, social e corporativa). Ela enfatiza que pequenas empresas, ao olhar de forma estratégica para seus colaboradores e insumos, também podem contribuir para um impacto social positivo. “Muitas vezes, o empresário pequeno não sabe por onde começar. Mas isso não significa que ele não pode fazer escolhas voltadas para o bem-estar socioambiental”, afirmou.

Ana também ressalta que, no contexto global, as exigências de ESG estão cada vez mais rigorosas e, para os fornecedores de grandes empresas, o cumprimento dessas normas pode ser decisivo. “O critério de exclusão será cada vez mais comum para quem não atender a esses princípios”, alerta. 

Os passivos trabalhistas que inspiraram a B4People

Ana Bavon criou a B4People em 2018 após anos atuando no cenário corporativo, onde percebeu a necessidade urgente de ajudar empresas a se alinharem com compromissos éticos e sociais. Sua experiência com gestão estratégica de passivo trabalhista, lidando com empresas que enfrentavam grandes problemas jurídicos e reputacionais, a levou a refletir sobre a importância de prevenir essas situações. Ana decidiu que, em vez de mitigar crises após elas ocorrerem, queria atuar na construção de ambientes corporativos que evitassem esses problemas, promovendo uma cultura empresarial voltada para os direitos humanos e o desenvolvimento social. Foi essa visão transformadora que a motivou a fundar a B4People, com o objetivo de unir propósito e lucro em estratégias que gerem impacto positivo na sociedade

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Mundo Corporativo: Carla Hoffmann, da AWA Growth, discute a transformação necessária para uma economia verde

“Logo os profissionais, assim como eu, por exemplo, decidem com quem querem trabalhar, e a gente vê que isso é muito mais frequente nas novas gerações.”

Carla Hoffmann, AWA Growth

A economia verde não é apenas uma tendência passageira, mas uma transformação necessária para a sobrevivência e prosperidade das empresas no século XXI. Este foi o principal ponto destacado por Carla Hoffmann, CEO da AWA Growth Partner Marketing, durante sua entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN. Carla enfatizou que a mudança para modelos sustentáveis não só beneficia o planeta, mas também se alinha com os valores das novas gerações de trabalhadores. “Se as empresas não se adaptarem, talvez até elas tenham dificuldade de encontrar pessoas realmente engajadas em fazê-las crescerem,” afirmou.

Desafios e estratégias para uma economia verde

Carla Hoffmann abordou a importância da conscientização e reestruturação de processos dentro das organizações para incentivar modelos de inovação e economia verde. “Precisa, realmente, primeiro uma conscientização, um entendimento do próprio exercício de uma liderança mais regenerativa,” explicou. A CEO destacou que muitas empresas não foram originalmente construídas com um foco sustentável, o que torna a adaptação um desafio, mas também uma oportunidade de inovação.

Além de conscientizar e educar as lideranças, Carla ressaltou a necessidade de integrar novas tecnologias e soluções para mitigar os impactos ambientais. “A gente vai precisar mudar o nosso modelo de interação econômica, essa é a nossa nova economia”, disse ela, referindo-se à prática de uma economia mais verde.

Financiamento para empresas com impacto positivo

A AWA Growth Partner Marketing é uma consultoria especializada na expansão de mercados para empresas que têm impacto positivo no meio ambiente e na sociedade. A empresa atua em duas frentes principais: consultoria estratégica de marketing para identificar e estruturar estratégias de crescimento adequadas para cada cliente, e acesso ao capital, ajudando empresas regenerativas a obter financiamentos que estejam alinhados com seus valores e objetivos sustentáveis. Com foco exclusivo em negócios regenerativos, a AWA Growth apoia a implementação de práticas de economia verde, promovendo inovação e lideranças regenerativas dentro das organizações.

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Mundo Corporativo: Eduardo Carvalho, da Equinix, prevê mudanças na forma de liderar na Era da Inteligência Artificial

Bastidores da gravação do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“A liderança hoje se faz pela influência, não pelo poder.” 

Eduardo Carvalho, Equinix

O papel dos líderes se destaca por sua profundidade e relevância, nesta era dominada pela tecnologia. Está é uma das reflexões de Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, entrevistado no programa Mundo Corporativo, da CBN. Ele compartilha reflexões sobre como a inteligência artificial e o desenvolvimento digital estão remodelando o mundo e as relações, transformando a essência da liderança.

Eduardo Carvalho ilumina o cenário atual dos negócios, onde os data centers e a interconexão desempenham papéis cruciais. Ele destaca a importância da hospedagem dos principais players do mercado pela Equinix, a maior empresa global do setor: 

“Tudo que está no seu celular, todos os aplicativos, eles rodam, direta ou indiretamente, dentro da Equinix”

Esta capacidade tecnológica, segundo ele, tem um impacto direto na experiência do usuário final, colocando em perspectiva a responsabilidade e a influência das decisões empresariais.

O novo papel dos líderes

No coração da discussão, Eduardo enfoca o papel evolutivo dos líderes em um ambiente influenciado pela IA. Com o declínio do poder monocrático, surge uma nova forma de liderança baseada na negociação, colaboração e, acima de tudo, influência. 

“O líder moderno não toma mais decisões isoladamente. As decisões precisam do consenso e da colaboração das diversas áreas da empresa.” 

Essa mudança de paradigma reflete a necessidade de adaptar-se, não apenas às demandas tecnológicas, mas também às humanas, promovendo um ambiente onde o capital humano e a tecnologia coexistam harmoniosamente.

Inteligência Artificial e Liderança

A influência da IA na liderança é um tema central na visão do CEO da Equinix. Ele argumenta que a inteligência artificial oferece uma base de dados e análises profundas que podem auxiliar os líderes em suas decisões. 

“A inteligência artificial tem uma colaboração fundamental em tornar os processos mais eficientes e em fornecer insights que anteriormente poderiam não ser evidentes.” 

No entanto, Carvalho enfatiza que a IA não substitui a necessidade de uma liderança humana empática, intuitiva e adaptável. Pelo contrário, ela serve como um complemento que potencializa a capacidade de liderar com mais informação e precisão.

A importância da requalificação

Outro ponto crítico abordado por Eduardo Carvalho é a requalificação dos colaboradores em face das mudanças tecnológicas. Ele destaca a importância de preparar as equipes para trabalhar com novas ferramentas e processos, um desafio que os líderes devem enfrentar. 

“A requalificação é essencial não apenas para a eficiência operacional, mas também para a satisfação e o engajamento dos colaboradores.” 

Essa perspectiva sublinha a visão de Eduardo de que os líderes devem ser facilitadores da adaptação e do crescimento, tanto tecnológico quanto pessoal.

“A inteligência artificial tem uma colaboração fundamental, mas o futuro é híbrido e diverso.”

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Esta entrevista com Eduardo Carvalho não apenas ilumina o caminho para o futuro dos negócios digitais e a importância do capital humano nesse processo, mas também reitera a necessidade de uma liderança que abrace a diversidade, a inclusão e a inovação. À medida que o mundo corporativo continua a evoluir, as palavras de Eduardo servem como um lembrete da força que reside na combinação da tecnologia com uma gestão humana e inovadora.

Mundo Corporativo: Marcela Argollo prega a liderança regenerativa para transformar as organizações 

Marcela Argollo em entrevista ao Mundo Corporativo

“O modelo de negócio do futuro não é sobre lucro, é sobre propósito. Então, a partir do momento que você tem um propósito muito claro o lucro vem por consequência”.

Marcela Argollo, mentora

A figura do líder regenerativo emerge como uma força catalisadora para mudanças profundas e sustentáveis dentro das organizações. Este conceito, explorado por Marcela Argollo, professora e mentora de cultura generativa, destaca-se como um elemento crucial para o desenvolvimento de negócios que não apenas prosperam, mas também contribuem positivamente para a sociedade e o meio ambiente. 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Marcela discutiu a importância de recriar a cultura empresarial com base em valores éticos e morais, apontando para o seu método “Alinhar-se” como um caminho inovador para alcançar a liderança regenerativa.

“Para que a gente possa criar e gerar um novo modelo de negócio, precisamos primeiro regenerar, renascer a nossa cultura e o nosso ser com mais ética, moral e conformidade”. 

Marcela enfatiza a necessidade de uma tomada de decisão empresarial holística e sistêmica, voltada para o bem-estar do todo, desafiando a tradicional abordagem de comando e controle em favor de uma governança que valoriza a congruência com princípios organizacionais e a expansão da consciência.

Autora do livro “A arte do equilíbrio – alinhar-se é o melhor caminho para a Liderança Regenerativa”, Marcela ressalta a transformação do conceito de compliance de um enfoque regulatório para um foco nas pessoas, propondo a educação corporativa como a chave para desenvolver indivíduos éticos e conscientes. 

“Compliance não é regulatório; compliance é sobre pessoas”

O autoconhecimento na busca do equilíbrio interno

Introduzindo o método “Alinhar-se”, Marcela oferece uma estrutura composta por 26 pilares, começando com o autoconhecimento. A professora defende que o equilíbrio interno, alcançado pela harmonia das energias feminina e masculina, reflete-se externamente, permitindo que as organizações atinjam um estado de equilíbrio que favorece a prosperidade e a abundância.  Ela também aborda a importância de enfrentar os “demônios internos”, como o medo de errar, enfatizando a necessidade de experimentação e aceitação do fracasso como parte do processo de inovação.

“Se a gente expande a consciência e a gente eleva, a gente começa a olhar com muito mais profundidade e  clareza o problema, o desafio como um todo, e a gente enxerga as oportunidades dentro de um cenário mais amplo. A partir do momento que a gente tá dentro do caos a gente não consegue enxergar nada”. 

A entrevista destaca o papel essencial da geração mais nova no mercado de trabalho, trazendo uma nova visão e exigindo mudanças nas práticas empresariais para alinhar-se com valores de propósito e sustentabilidade. Argollo conclui com um conselho para aqueles que entram no mercado de trabalho ou empreendem, enfatizando a importância das relações humanas e a adoção gradual de práticas de governança social e ambiental (ESG) para o desenvolvimento sustentável dos negócios.

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Mundo Corporativo: Glauter Januzzi, da Regra 7, apresenta a jornada da liderança humana

foto de Priscila Gubiotti

“O líder precisa saber negociar, precisa saber comunicar, precisa saber colaborar”.

Glauter Januzzi

A liderança eficaz é a chave para promover uma cultura de trabalho saudável e produtiva. É o que pensa Glauter Januzzi, executivo, empreendedor e mentor, entrevistado no programa Mundo Corporativo. CEO da “Regra 7”, Glauter compartilhou ideias valiosas sobre a importância da liderança autêntica e os desafios enfrentados pelos líderes no mundo corporativo pós-pandemia. Ele é autor de uma série de livros sobre liderança, comunidades e engajamento. Recentemente, lançou “O lado humano da liderança — sete habilidades de um líder de verdade” e “Humans kills – habilidades e capital humano para uma carreira de sucesso”

Desenvolvendo Líderes de Verdade

Uma das questões fundamentais discutidas na entrevista foi a diferença entre ser um líder de verdade e ocupar um cargo de liderança. Glauter Januzzi enfatizou que a liderança genuína vai além da autoridade imposta pelo cargo; é sobre habilidades interpessoais, comunicação eficaz e conexões verdadeiras com a equipe. Ele destacou que muitos profissionais ocupam posições de liderança sem as habilidades necessárias para liderar efetivamente, o que pode levar a ambientes de trabalho tóxicos e desmotivação entre os colaboradores.

“Vamos parar de falar líder de verdade. Vou falar de líder porque para ser líder você tem que saber lidar com pessoas, e liderança não é uma posição, não é um cargo, é a atitude como a gente faz uma provocação, também”

Desafios no Mundo Corporativo Pós-Pandemia

A pandemia trouxe desafios significativos para o mundo corporativo, incluindo a transição para o trabalho remoto. Glauter Januzzi observou que, embora o trabalho remoto tenha suas vantagens, a perda da conexão humana e do senso de pertencimento pode afetar negativamente as equipes. Ele enfatizou a importância de líderes manterem o contato humano e estarem atentos ao bem-estar de seus colaboradores.

Tecnologia e Liderança

Outro tópico relevante discutido foi o uso da inteligência artificial na gestão de pessoas. Glauter reconheceu o potencial da tecnologia como uma ferramenta útil, mas ressaltou que ela não pode substituir o papel do líder em desenvolver suas equipes. A tecnologia pode oferecer ideias valiosas mas a empatia e a compreensão humana são essenciais para a liderança eficaz.

Mentoria como Ferramenta de Desenvolvimento

Glauter também destacou a importância da mentoria na liderança. Ele enfatizou que os bons líderes atuam como mentores, ajudando a desenvolver suas equipes e apoiando seu crescimento profissional. A mentoria cria um ambiente de aprendizado contínuo e fortalece os laços entre líderes e colaboradores.

Ética e Diversidade

Na entrevista, também foi abordada a importância da ética no ambiente de trabalho e como os líderes podem equilibrar o uso da tecnologia, como a inteligência artificial, com relações humanas autênticas e éticas. Glauter enfatizou a necessidade de líderes serem aliados em causas como diversidade e inclusão, promovendo um ambiente de trabalho justo e igualitário.

“O líder precisa ser um aliado de várias causas para os grupos vulneráveis. E aprender até a nomenclatura que você usa. Então, não cabe mais um líder, hoje, que coloca a autoridade como poder e ‘eu sou assim e a minha equipe tem que se adequar a minha liderança’. Não é bem assim. O líder de fato, o líder humano, o bom líder inspira e ele é servidor. Então, ele precisa aprender sobre diversidade”.

Em resumo, a conversa com Glauter Januzzi revelou que a liderança autêntica é essencial para promover uma cultura de trabalho saudável e produtiva. Os líderes que desenvolvem habilidades interpessoais, mantêm o contato humano e apoiam o crescimento de suas equipes estão bem posicionados para enfrentar os desafios do mundo corporativo em constante evolução.

As sete habilidades do líder

Em dos livros recém lançados, Glauter Januzzi lista as sete habilidades do líder:

  1. fazer o que fala
  2. ter credibilidade
  3. criar conexão verdadeira
  4. coragem de ser um agente de mudança
  5. atitude para mudar
  6. comunicar com clareza
  7. reconhecer e ter gratidão

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no YouTube e no site www.cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, às dez da noite de domingo, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Participam do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Veloso, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti:

Mundo Corporativo: Luiz Gaziri propõe “Advogado do Diabo” para gerenciar polarização no ambiente de trabalho

Gravação do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“Quando eu tô feliz é que eu tomo decisões melhores, quando eu tô feliz é que eu alcanço minha meta com mais facilidade. Então, é importante que a gente crie o ambiente de trabalho feliz em primeiro lugar”

Luiz Gaziri, professor e pesquisador

Em um cenário corporativo cada vez mais desafiador, a saúde mental e o bem-estar dos profissionais se tornam aspectos cruciais para a eficiência e produtividade das equipes. Segundo Luiz Gaziri, especialista em comportamento humano e autor de livros sobre felicidade e polarização política, a liderança tem um papel fundamental nesse contexto. Ele ressalta a influência direta dos líderes na cultura organizacional e, consequentemente, no bem-estar dos funcionários.

Durante sua participação no programa Mundo Corporativo da rádio CBN, Gaziri enfatizou a necessidade de uma mudança de paradigma na liderança empresarial. Ele observa que, frequentemente, líderes não estão cientes de como suas estratégias e comportamentos influenciam negativamente o ambiente de trabalho. Gaziri, com sua experiência como executivo e consultor, notou uma persistência de modelos de gestão ultrapassados, focados em competição e individualismo, ignorando os impactos na saúde mental dos colaboradores.

“O mundo corporativo hoje ainda é muito pautado na competição, no individualismo, então esses líderes precisam se preparar melhor, entender o que  traz bem-estar para o ser humano, como que a estratégia de uma empresa impacta no comportamento? O que é motivação? Sem esse conhecimento de comportamento humano torna-se Impossível a gente conseguir um ambiente de trabalho mais positivo.”

Gaziri destaca a relação direta entre estratégias empresariais e a felicidade dos trabalhadores. Ele cita pesquisas que demonstram como uma liderança inadequada pode ser a principal fonte de estresse para os funcionários, afetando negativamente a produtividade e a saúde mental.

Ajuste as metas e motive seus colaboradores

Gaziri lança “A Arte de Enganar a Si Mesmo”, foto de Priscila Gubiotti

Na entrevista, o autor do livro “A ciência da felicidade” (Faro Editora) também abordou a questão das metas inatingíveis, um problema comum no mundo corporativo. Gaziri explica que, quando as metas são excessivamente altas, os funcionários podem desenvolver a “desesperança aprendida”, uma sensação de impotência e falta de controle sobre os resultados, levando à desmotivação e ao declínio do desempenho.

Para melhorar esse cenário, o especialista sugere várias medidas, como ajustar as metas de acordo com a realidade, promover um ambiente de trabalho motivador e garantir a segurança financeira dos funcionários. Ele destaca a importância de um ambiente que promova a segurança psicológica, onde as pessoas não tenham medo de expressar suas opiniões e ideias.

“O ambiente molda inclusive a minha inteligência, mas a gente usa a estratégia de deixar as pessoas na insegurança financeira com bastante constância o que é ruim para o ambiente de trabalho.  Sem falar na questão de metas, de prêmios, de ambientes que sejam motivadores. Então, a gente vê um caos aí muito grande no mundo corporativo por causa dessa falta de conhecimento sobre ser humano.”

Além disso, Gaziri aponta para a necessidade de uma liderança consciente e preparada para criar um ambiente de trabalho positivo e saudável. A capacitação dos líderes em entender e gerenciar aspectos relacionados ao comportamento humano é fundamental para impulsionar o bem-estar e a felicidade no ambiente de trabalho.

A polarização no ambiente de trabalho e como gerenciá-la

A polarização, um fenômeno amplamente discutido no contexto político, também se manifesta no ambiente corporativo, influenciando as dinâmicas de trabalho e a tomada de decisões. Luiz Gaziri, em seu livro “A Arte de Enganar a Si Mesmo: Uma Visão Científica da Polarização Política e Outros Males Nem Tão Modernos” (Alta Books), aborda essa questão, destacando como a polarização pode afetar negativamente as empresas.

O autor observa que a polarização nas empresas ocorre devido à tendência humana de se agrupar com indivíduos de opiniões semelhantes. Esse fenômeno leva as pessoas a reforçar suas crenças e ignorar perspectivas divergentes, criando um ambiente onde prevalece o viés de confirmação. Ele exemplifica isso com um experimento realizado por Lee Ross, da Universidade de Stanford, no qual israelenses e palestinos avaliaram propostas de paz de maneira diferente, dependendo de qual lado acreditavam que as propostas tinham vindo. Isso mostra como a origem de uma ideia pode influenciar sua aceitação, independentemente do seu mérito.

No ambiente de trabalho, essa polarização pode levar a conflitos e a uma falta de inovação, pois as ideias são avaliadas com base na afinidade com o grupo, e não em seu potencial. Para combater esse problema, Gaziri sugere a nomeação de um “Advogado do Diabo” em reuniões e decisões de grupo. Essa pessoa teria o papel de questionar e analisar criticamente todas as ideias apresentadas, promovendo um pensamento mais diversificado e crítico.

Embora essa abordagem possa tornar as reuniões menos agradáveis a curto prazo, ela conduz a decisões mais criativas e eficazes. A diversidade de pensamento, apesar de potencialmente desconfortável, é crucial para evitar a estagnação e promover a inovação.

Gaziri enfatiza a importância de gerenciar a polarização no ambiente de trabalho, especialmente em uma era de crescente diversidade. A inclusão de diferentes perspectivas e a promoção de um ambiente onde as ideias são julgadas pelo seu mérito, e não pela sua origem, são essenciais para o sucesso das empresas. Ele propõe que os líderes fomentem a segurança psicológica e a abertura às opiniões divergentes, garantindo assim que as melhores ideias prevaleçam, independentemente de onde venham.

Essas reflexões de Gaziri oferecem um olhar crítico sobre como a polarização pode afetar o ambiente corporativo e apontam caminhos para criar um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e inovador.

Assista ao Mundo Corporativo com Luiz Gaziri

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site http://www.cbn.com.br. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Você também pode ouvir a qualquer momento no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael e Furugen:

Menos de 0,5% das vagas de deficientes é para líderes

Os profissionais com deficiência ainda enfrentam grandes obstáculos quando se trata de alcançar cargos de liderança nas empresas. Segundo um levantamento realizado pela Talento Incluir, consultoria de diversidade e inclusão pioneira no Brasil, menos de 0,5% das vagas preenchidas por pessoas com deficiência oferecem oportunidades de liderança. Essa estatística revela a necessidade de avançar na promoção de uma inclusão mais profunda e verdadeira no ambiente corporativo.

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Desafios na inclusão

No ano de 2022, 82% das vagas preenchidas por profissionais com deficiência por meio da Talento Incluir eram para cargos de entrada, com salários médios de R$1.634,00. Dentre essas vagas, 17% eram para áreas operacionais, 22% para áreas comerciais e 61% para áreas administrativas. A disparidade se estende além da falta de oportunidades em cargos de liderança e reflete na qualidade das contratações. Segundo o IBGE, em 2019, a taxa de participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho era de apenas 28,3%, comparada a 66,3% das pessoas sem deficiência. Além disso, esses profissionais enfrentam uma diferença salarial significativa, recebendo cerca de R$1.000,00 a menos que o rendimento médio das pessoas sem deficiência.

Estudo revela desafios adicionais

O estudo “Pessoas com Deficiência e Empregabilidade”, liderado pela consultoria Noz Inteligência em parceria com a Talento Incluir, mostrou que mesmo as pessoas com deficiência que possuem ensino superior completo (53%) e estão há mais de 10 anos na mesma empresa (45%) têm dificuldade em serem promovidas. Esses resultados destacam o capacitismo como uma das principais barreiras ao desenvolvimento de carreira para esse grupo, mesmo quando eles estão tecnicamente preparados para assumir cargos de liderança.

Promovendo a inclusão efetiva

A CEO da Talento Incluir, Katya Hemelrijk, ressalta que as empresas verdadeiramente comprometidas com o aumento da diversidade entre seus colaboradores devem avançar em ações que ofereçam oportunidades e promovam o desenvolvimento de carreira para pessoas com deficiência, permitindo que elas alcancem cargos de liderança. Não basta apenas preencher vagas, é necessário ir além e promover uma inclusão produtiva, acolhedora e abrangente, que amplie a diversidade nas organizações.

É preciso esforço para criar um ambiente inclusivo

A inclusão de profissionais com deficiência em cargos de liderança ainda é uma realidade distante nas empresas. Os números revelam a necessidade de um esforço maior para criar um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo, onde as habilidades e competências desses profissionais sejam valorizadas. A mudança real virá quando as empresas abraçarem a inclusão como uma estratégia fundamental para o sucesso organizacional.

As empresas devem adotar políticas inclusivas desde o recrutamento até o desenvolvimento profissional, garantindo que esses profissionais tenham acesso a oportunidades de crescimento e capacitação. É fundamental promover um ambiente de trabalho que valorize a diversidade, em que todos os colaboradores se sintam respeitados e acolhidos.

A mudança não se limita apenas às empresas. A sociedade como um todo deve assumir a responsabilidade de combater o preconceito e os estereótipos associados às pessoas com deficiência, reconhecendo e valorizando suas habilidades e talentos. A inclusão de profissionais com deficiência em cargos de liderança não apenas promove a equidade, mas também traz benefícios tangíveis para as organizações, como maior criatividade, inovação e desempenho.

Portanto, é imprescindível que as empresas se empenhem em superar as barreiras que impedem a ascensão de profissionais com deficiência a cargos de liderança. A inclusão efetiva desses talentos contribui para a construção de um ambiente de trabalho mais diverso, inclusivo e justo.

Confirmado: “Escute, expresse e fale” será lançado em três cidade de Portugal

A Escolar Editora anuncia o lançamento do livro “Escute, expresse e fale!”, que explora o poder da comunicação para construir relacionamentos sustentáveis e promover mudanças positivas. Os autores são o português António Sacavém, o franco-brasileiro Thomas Brieu, e os brasileiros Leny Kyrillos e Mílton Jung. O livro se iniciou em uma conversa deles na vila portuguesa de Sintra, atravessou o Atlântico, se transformou em um sucesso no primeiro mês de lançamento no Brasil e agora retorna a Portugal. 

Publicado originalmente no Brasil pela editora Rocco, “Escute, expresse e fale” chega a Portugal através da Escolar Editora, grupo editorial que ao longo de seus 70 anos conquistou relevante presença no meio universitário e acadêmico, e tem valorizado os pesquisadores e autores de países de língua oficial portuguesa. Os lançamentos estão confirmados para as cidades de Lisboa, Porto e Cascais, na última semana do mês de junho,e serão abertos com um bate-papo dos autores com seus leitores, seguido de sessão de autógrafo. 

De acordo com os autores, a comunicação efetiva e afetiva desempenha um papel fundamental na redução de diferenças, na aproximação entre as pessoas e no fortalecimento dos laços humanos

Em um mundo marcado por intolerância e conflitos, a habilidade comunicativa se torna ainda mais relevante. “Escute, expresse e fale!” reúne reflexões aprofundadas sobre o tema, fornecendo dicas práticas para aprimorar a capacidade de diálogo em diversas situações, desde conversas informais até reuniões de negócios. 

“Temos a convicção de que a comunicação efetiva e afetiva é o melhor antídoto à intolerância” Mílton Jung. 

Os autores, apaixonados pelo ato de conversar, são profissionais experientes em suas respectivas áreas. Mílton Jung, jornalista e âncora da rádio CBN, António Sacavém, doutor em gestão e especialista em comunicação não verbal, Leny Kyrillos, doutora em voz, fonoaudióloga e comunicadora, e Thomas Brieu, palestrante e professor de escutatória e padrões de linguagem colaborativos, uniram seus conhecimentos para fornecer uma visão abrangente sobre o poder da comunicação. 

“A obra pretende ajudar você a se comunicar de forma eficiente e poderosa nas relações pessoais e profissionais, incluindo a maneira de lidar com aqueles que têm pensamentos e ações diferentes dos nossos. Nosso objetivo é fazer da comunicação a competência que nos capacite a sermos humanos melhores em um mundo melhor”, escrevem os autores na abertura do livro. 

“Escute, expresse e fale!” aborda a importância de alinhar os recursos verbais, não verbais e vocais para garantir clareza na mensagem e engajamento dos interlocutores. A obra oferece uma variedade de ferramentas e ensinamentos, incluindo técnicas para líderes empresariais atuarem de forma assertiva, empática e inclusiva. 

EVENTOS DE LANÇAMENTO

Os autores estarão presentes em três eventos de lançamento para compartilhar suas ideias e interagir com o público. 

Confira as datas, horários e locais: 

24 de junho, às 17h na livraria Ler Devagar, no LX Factory, em Lisboa. 

25 de junho, às 16h na Fnac de Santa Catarina, cidade do Porto.

27 de junho, às 19h na Fnac do Cascaisshoppig, em Cascais

Esses eventos oferecerão uma oportunidade única para os leitores se aproximarem dos autores e discutirem os princípios e técnicas abordados no livro. 

OS AUTORES

ANTÓNIO SACAVÉM: Doutor em gestão, com tese na área de comunicação em liderança, especialista em comunicação não verbal, é professor na Universidade Europeia e no IPAM. Professor convidado no Career Lab da Universidade Católica. Dá aulas e cursos de Comportamento Organizacional, Liderança e Gestão de Equipes, Negociação, e Competências de Comunicação. Ensina inteligência não verbal e emocional a líderes empresariais e governamentais. 

LENY KYRILLOS: Fonoaudióloga da TV Globo-SP e da rádio CBN e especialista em voz, é mestre e doutora pela UNIFESP. Realiza palestras e orienta CEOs, executivos, gestores e diversos outros profissionais que veem na comunicação uma ferramenta essencial para liderar empresas, grupos de trabalho e a própria carreira. Apresenta o quadro Comunicação e Liderança, na CBN, e é coautora de vários livros. 

MÍLTON JUNG: Jornalista por formação, comunicador por convicção e escritor por insistência. Desde que concluiu a Faculdade de Comunicação Social da PUC-RS, migrou do rádio para o jornal, e então para a televisão, trabalhou em revistas e na internet, usufruiu do potencial das redes sociais e se estabeleceu no rádio novamente. É âncora da rádio CBN, palestrante na área de comunicação e já escreveu quatro livros. 

THOMAS BRIEU: Especialista em escutatória, comunicação verbal e padrões de linguagem colaborativos, Thomas realiza treinamentos de líderes para algumas das mais importantes organizações que atuam no Brasil. Criou um centro de encontros e estudos no interior de São Paulo, no qual o ser humano interage com a mais pura natureza de modo a aprender que ele é o seu próprio meio ambiente. 

Mundo Corporativo: Mell Azevedo, da i-Cherry, analisa dados e enxerga pessoas

Bastidores da entrevista online com Mell Azevedo. Foto de Pricila Gubiotti

“Essencial é fazer as perguntas certas. Olhar para os dados — antes de querer uma resposta pronta, é o que eu quero saber sobre o meu consumidor”

Mellina Azevedo, i-Cherry

Ao acessar este texto, você deixou sua digital. Em algum lugar, plataforma ou ambiente que tenha passado, seu comportamento foi registrado. O caminho que fez para nos encontrar por aqui, o tempo que permaneceu e a porta de saída que usou para deixar este espaço, oferecem informações que ajudam a entender o seu comportamento. Isso acontece sempre que você passa pela rede social, entra em um site ou usa um aplicativo. 

A quantidade de dados que a sociedade contemporânea gera é incalculável. Ops, parece que conseguem calcular sim, ao menos foi o que fez o professor Martin Hilbert, da Universidade do Sul da Califórnia, que diz ter chegado ao incrível número de 295 exabytes de informação. Era o ano de 2007 quando ele apresentou esse estudo, o WhatsApp ainda não havia chegado entre nós, o que nos faz pensar que o volume de dados atualmente é ainda muito maior (o fenômeno e os riscos que isso tudo gera estão descritos lá no meu livro Escute, expresse e fale!).

Administrar todas as informações e entregar produtos e serviços que atendam a expectativa e necessidade do consumidor é uma das funções da i-Cherry, empresa que tem como diretora de operações Mellina Azevedo, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da CBN. A despeito dela viver “mergulhada” nos registros deixados por onde os consumidores passam, Mell (é como ela prefere ser chamada) faz questão de ressaltar que o negócio da i-Cherry são as pessoas:

“Quando a gente fala de dados, a gente está falando de pessoas. E pessoas são únicas, comportamentos são únicos, necessidades são únicas. Obviamente quando eu estou gerenciando uma estratégia de mídia, uma estratégia de SEO para uma marca, eu não estou observando o comportamento individualizado, mas eu estou observando o comportamento agrupado de pessoas que demonstram interesses, capacidades e necessidades em comum”.

A i-Cherry, da qual Mell faz parte, se apresenta como uma martech, nome que une “marketing” e “tecnologia”, e tem sido usado para definir as agências que cuidam de tudo que envolve o comportamento digital e a interação das marcas com os consumidores online. É uma forma de colocar a tecnologia à serviço do marketing através de plataformas digitais e inteligência estratégica. 

Apesar dos termos “digital”, “virtual” ou “artificial” fazerem parte do dia a dia de Mell Azevedo, voltamos a lembrar: é de pessoas que ela está falando. E para as pessoas que estão à frente de pequenas empresas e negócios, nossa convidada sugere que estes empreendedores se aprofundem um pouco mais nas informações que os clientes deixam nos diferentes canais de contato com a marca: Facebook, Instagram, WhatsApp ou Twitter, por exemplo, oferecem um retorno de informação a respeito do consumidor. Todas essas plataformas podem ser gerenciadas no Google Analytics, que é uma ferramenta acessível de análise para monitorar com eficiência o comportamento online e, claro, traçar estratégias sustentáveis — tendo, inclusive, uma versão gratuita. A Mell que sugere é a Mell que alerta: use os dados do cliente para conhecer seu comportamento sempre respeitando a LGPD — Lei Geral de Proteção de Dados.

Deixe-me voltar a relação dados x pessoas! A segunda parte da nossa entrevista seguiu essa trilha para aproveitar outro mérito revelado pela nossa entrevistada: a capacidade de liderar equipes de alta performance. Atualmente, a i-Cherry trabalha no formato “híbrido opcional”, que foi como Mell definiu o modelo implantado na empresa, em que os profissionais podem trabalhar no escritório ou em casa, conforme suas necessidades: 

“As pessoas vêm quando elas querem ou quando elas estão motivadas, quando elas têm um porquê de vir aqui. Vir ao escritório tem a ver com troca de ideias, tem a ver com aprendizagem, tem a ver com fazer com que as coisas aconteçam de forma mais rápida, mas não significa que o online não funciona. Funciona, também!”.

A medida que se tenha uma boa metodologia de trabalho, Mell entende que é possível fazer com que o “olho no olho” digital alcance os resultados esperados. Mais importante do que o meio pelo qual ocorre a interação entre os profissionais da empresa, é fazer com que essa relação seja sincera e transparente e se mantenha a equipe motivada na busca de seus propósitos. Ela ressalta que o online fez com que se ganhasse tempo com a família, uma alimentação mais saudável e uma vida com mais qualidade e, atualmente, ninguém quer abrir mão dessas conquistas.

Antes de discutir o método e os processos usados para que se tenha um time engajado, mesmo à distância, Mell diz que o líder precisa lembrar que as pessoas têm sentimentos:

“Ninguém perde o prazo de um relatório e sente muito pelo relatório ou sente muito por uma planilha que não foi entregue. Mas, provavelmente, se você falhou com o combinado que você tenha feito com um colega, que estava esperando a sua planilha para iniciar um planejamento, isso vai gerar um constrangimento consigo mesmo”.

Os métodos existem para facilitar o acompanhamento e o desenvolvimento das pessoas. Na i-Cherry, são aplicadas, por exemplo, ferramentas de desempenho individual, de feedback, de integração e de grupo focal dentro das equipes para ouvir o que pensam. Mas os recursos digitais não podem tirar a capacidade de o líder ler a equipe e entender o que funciona para cada pessoa:

“Encontrar o sentimento que motiva a equipe é importante”. 

Um dos papeis do líder, de acordo com Mell, é encontrar “pessoas incríveis” porque quando você está rodeado pelos melhores é compelido a oferecer também o seu melhor. E o faz não pela competição mas pelo desejo de pertencer aquele grupo de excelentes profissionais. 

“… e o bom profissional também é caracterizado pela vontade genuína de compartilhar conhecimento”. 

Para aprender mais com esta conversa, assista ao vídeo completo da entrevista que fiz com Mell Azevedo, diretora de processos da i-Cherry, a seguir. Antes, que a nossa equipe de incríveis no Mundo Corporativo tem o Rafael Furugen, o Bruno Teixeira, o Renato Barcellos e a Priscila Gubiotti.