Conte Sua História de São Paulo: fiz concurso para a Light

Francisco J. Camilo Hernandes 

Ouvinte da CBN

sao paulo downtown
À direita, o Shopping Light no Centro de São Paulo. Foto Fernando Stankuns

Era o começo dos anos 1970. Eu com 14 anos estudava pela manhã, na quarta série ginasial, no colégio Augusto Meirelles, no bairro do Imirim, na zona norte. Estava na casa do meu primo Jonas, filho da tia Joana, irmã mais nova da minha mãe Tereza. O Jonas me disse que participaria de um concurso na Light. 

Eu já havia trabalho nas férias escolares. No início de 1971, na padaria do Seu Lucas cortando pão de forma e na CID Ferreira Comissária de Despachos, como office boy.

Fiz a inscrição no concurso da Light e como eu era um bom aluno passei com facilidade. Meu primo não conseguiu e isso definiu a minha carreira profissional e a dele, também.

No fim daquele ano eu já tinha fechado as notas em todas as matérias. Então, enquanto esperava ser chamado pela Light, fui trabalhar como office-boy na Construtora e Imobiliária Lutfalla da família Maluf, na Praça da Sé. Foi lá que conheci a transferência de documento contábil através da impressão com gelatina.  

Logo que 1972 se iniciou, chegou a convocação para assumir o meu cargo de aprendiz de caixa na Light. Ganhava um salário mínimo, tinha duas horas de almoço e a alimentação era fornecida pela empresa. Na época, isso não era obrigatório: ou você comia nos restaurantes e lanchonetes ou então levava marmita de casa.

Na Light a nossa seção era a Apuração da Arrecadação. Éramos 60 meninos — não havia mulheres —, todos chefiados por três senhores na faixa dos 50 anos: senhor Esteves, Amadeu e Pereira. Cada um com uns 30 anos de empresa.

Os rapazes éramos divididos em dez grupos de quatro pessoas cada um. Cada grupo representava uma zona de 1 a 10 que eram as regiões de São Paulo. O nosso serviço era colocar as contas de luz que os bancos haviam recebido no dia anterior em ordem numérica. Após os lotes de contas terem sido organizados, aos demais 20 garotos cabia fazer a soma final, conferindo os valores enviados pelos bancos. 

Depois de três anos sai dessa seção para atuar como eletrotécnico na própria Light, pois havia me formado na escola técnica Albert Einstein no bairro da Casa Verde. A curiosidade é que quando deixei a seção estava se iniciando o sistema de leitura ótica das contas de luz.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Francisco Camilo Hernandes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos 472 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: meu pai trabalhava na Light

Nancy Alcantara

Ouvinte da CBN

Viaduto do Chá

Era dezembro de algum ano da minha infância, pegamos o ônibus na Vila Mariana e fomos para a cidade — como chamávamos o centro de São Paulo, antigamente. Minha mãe, meu irmão e eu, marcamos um encontro com meu pai no Viaduto do Chá. Meu pai trabalhava na Light and Power Company, uma empresa canadense — nesse prédio, na Xavier de Toledo, com toldos vermelhos e aparência atual um pouco desconfigurada da original.

Meu pai tirou do bolso um pacote de dinheiro. Era comum naquele tempo carregar dinheiro vivo — não existiam cartão de débito e de crédito. Mostrou o maço para a minha mãe que respondeu com um sorriso largo. Entregou tudo para ela e fomos ao Mappin — loja de departamento muito famosa, em São Paulo. 

Localizado na praça Ramos de Azevedo, bem em frente ao Theatro Municipal, ao lado do prédio da Ligth, no coração da maior cidade da América do Sul, o Mappin teve seis décadas de glória, imperando na venda de eletrodomésticos, roupas, utensílios para casa e brinquedos. Tudo que você pudesse imaginar tinha no Mappin. Quatro andares de pura diversão, especialmente para quem acabar de receber um “saco de dinheiro”.

Meu pai havia ganhado um bônus da empresa e resolveu fazer a felicidade da família. Ele retornou ao trabalho e nós entramos na loja de mais ou menos 15 mil metros quadrados de área construída, de puro consumo. Imagine a nossa felicidade até então acostumados a passar o ano todo contando o dinheirinho para comprar um sapato novo ou uma roupa melhorzinha.

Meu pai, além de trabalhar, cursava a faculdade de engenharia elétrica, depois de completar o curso técnico de eletrotécnica, estimulado pela minha mãe. Sempre ela!

Percorremos os departamentos da loja a escolha de pequenos prazeres que o dinheiro pudesse comprar. Nem eram tantas coisas ou produtos de grande valor, mas só de poder olhar, pegar e comprar, gerava um prazer que ficou na minha memória como sendo um dos melhores natais que já passei com minha família.

Depois das compras, nos encontramos novamente com meu pai e fomos os quatro almoçar no Café Girondino, um restaurante, embora com nome de café. Um luxo para nós. Vida de rico! Quando penso que hoje, almoçar em um restaurante é algo rotineiro, tenho a certeza que tudo começou lá atrás no desejo dos meus pais de crescer. Eles se dedicaram, se desenvolveram para dar o melhor para sua família.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Nancy Alcântara é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Postes da Light abandonados

 

celsogarciaxDeu no Blog São Paulo Abandonada & Antiga, escrito por Douglas Nascimento:

Quem transita pela região central de São Paulo não deixa de notá-los. Belos, altos e charmosos os antigos postes de energia da Light começaram a ser implementados na cidade de São Paulo em 1927, quando a companhia de energia fechou um contrato com prefeitura e governo do Estado para reformular a iluminação pública no município.

Com o novo contrato a cidade dava um passo rumo a modernidade, deixando para trás a já antiquada iluminação feita por óleo de mamona, de baleia ou lampiões a gás. Alguns postes antigos foram adaptados a esta nova tecnologia, outros passaram a ser produzidos nas oficinas da Light para atender a demanda de uma cidade em crescimento.

Com o tempo, os postes foram totalmente incorporados a bela paisagem da região central. Ao anoitecer, é impossível não notar a atmosfera elegante que seus pontos de luzes trazem para as ruas de nossa cidade, e os postes logo tornaram-se símbolos paulistanos.

A grande maioria destes ícones de ferro fundido ostentam ornamentos que glorificam a república brasileira, através do brasão de armas e outros, mais simples, mostram flores estilizadas em ferro.

Com o passar do tempo a Light não se fez mais presente na cidade de São Paulo, veio a estatal Eletropaulo e mais recentemente a AES Eletropaulo, já privatizada. Mas estas transformações não mudaram a rotina dos famosos postes de luz, que permanecem pelas ruas paulistanas.

Porém, estes símbolos da cidade estão em mau estado de conservação. Alvos de constantes atos de vandalismo e vítimas de uma manutenção pouco eficiente, é cada vez mais difícil encontrar um poste totalmente preservado.

Leia a reportagem completa no Blog São Paulo Abandonada & Antiga