Conte Sua História de São Paulo: a editora de livro que se transformou em apresentadora de live

May Parreira

Ouvinte da CBN

foto arquivo pessoal

Se alguém me dissesse, em abril de 2020, que eu faria monólogos ou entrevistas ao vivo na internet, eu responderia com uma gargalhada, que não dou faz tempo. Sempre quis estar a par do mundo digital, pelo menos o suficiente para acompanhar os netos, mas vencer a inibição das câmeras, ah, isso era impossível.  Só que não. 

Temos uma editora — a Ofício das Palavras —, e no fim de 2019 percebemos a necessidade de um incentivo, algo que nos fizesse sair da mesmice, da acomodação. Precisávamos inventar alguma coisa que chamasse novos talentos para nossos livros e oficinas. Nos inscrevemos  numa mentoria de Marketing Digital. Aprendemos como postar, quando, quantas vezes. E o ano começou com bastante trabalho, nosso trabalho. E começou a dar resultados. Mais pessoas engajadas, mais visitas ao site. 

Resolvi que daria as caras na rede todos os dias sob o risco de não ter ninguém do outro lado. Estranha sensação essa. Você olhar para uma espelho e falar sozinha, ser sua própria interlocutora, um misto de narciso e vergonha alheia.

As pessoas que vivem de selfies já foram bastante estudadas pela psicologia. Nada me resta dizer. Mas se tem de ser, que seja. Vamos com a cara e coragem.

Um dia, chamei uma amiga para entrar ao vivo. Ela estava na praia. Tinha acabado de sair do mar. No susto, topou! Conversamos como se estivéssemos no terraço de sua casa. Dia seguinte, outra amiga, e outra, e outra. 

Foi a força necessária para saber que sim, eu, May Parreira e Ferreira, paulista, 68 anos, quatro netos, três gatas e um pastor alemão, posso fazer ao vivo e em cores. E as presenças são sempre pra lá de especiais. Continuo não gostando de me assistir. Mas está tão gostoso receber os convidados. Tem sido tão animador, tenho me sentido tão bem acompanhada, que só posso agradecer. 

Um projeto, é tudo que precisamos na vida.

O que nos falta de contato físico está sendo compensado pela alegria, companheirismo e empatia entre todos os que vêm conversar ou participar. A espécie humana só chegou até aqui, só sobrevivemos, porque nos unimos. Foi por sermos gregários que conseguimos nos desenvolver. Foi o grupo em volta da fogueira que nos levou à roda e à eletricidade. A contação de histórias, boca a boca, virou ebook. Com amor e empatia. 

May Parreira e Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulos. A sonorização é do Claudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 467: meu presente foi o talento de minhas amigas

Elisabete Parra

Ouvinte da CBN

Gosto de comemorar meu aniversários sempre no sentido do agradecimento e de abertura para que o universo conspire e eu perceba que posso continuar fazendo diferença. Tem sido assim principalmente após os 50 anos —- quando revisitei lugares de nascimento e da primeira infância. 

Apesar da pandemia e diante dela, não poderia me render quando fosse completar 64 anos em 4 de setembro de 2020. Os aniversários em lives estavam em alta, mas achava aquilo meio sem graça —- várias pessoas falando ao mesmo tempo, cumprindo um protocolo, longe de uma comemoração. 

Foi, então, que tive a ideia de propor às minhas amigas: “seu talento é meu presente”. Entrei em contato com algumas 20 mulheres, as mais chegadas, e propus a brincadeira. Algumas acharam que não tinham nada a oferecer .… tenho certeza que todas as pessoas são talentosas, muitas vezes não sabem, ou não identificam suas habilidades. O resultado é que tive o aniversário mais lindo, inesquecível e solidário nos meus 64 anos de vida.

Foram vários presentes: música, leitura de textos, depoimentos e retrospectivas por aquelas que diziam não ter talento. Fizeram até sorteio. Com talentos que umas ofereciam as outras: terapia, tarô, numerologia … 

O mais marcante foi a união de algumas das amigas que gostam de cozinhar ou sabem trabalhar com decoração para organizarem um aniversário na sede de uma ONG que atende moradores de rua, Mãos que Abençoam, em São Caetano do Sul. No dia do meu aniversário, eles se responsabilizaram pelo almoço das pessoas atendidas pela ONG, prepararam a decoração e cantaram o ‘parabéns à você’. Tudo gravado e reproduzido durante a live. Nem preciso dizer que não conseguia parar de chorar. 

O maior legado: estamos todas ajudando a ONG descoberta por acaso, quando minhas amigas procuravam uma instituição para oferecer os seus talentos.  O que mostra que o universo conspira e presenteia quando você está aberta a dar e receber.

Elisabete Parra é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção são as armas para a Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No momento em que alguns especialistas em motivação e autoajuda focam a crise como se fosse algo em que alguns mais competentes estão indo bem enquanto outros estão fechando seus negócios, é conveniente não se precipitar no julgamento.

 

É preciso entender que há segmentos da economia com real problema. Por exemplo, os serviços de cuidados pessoais foram paralisados totalmente, e o renascimento independe de vontade própria.

 

Evidentemente que o varejo que vende produtos semiduráveis e duráveis e não se digitalizou está pagando o preço da miopia de marketing.

 

Entretanto, vale agora, agir racionalmente.

 

Dentro deste prisma vemos um caminho a seguir através dos elementos que compõem o Pacto Global da ONU, que propõe atuação nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção — o que equivale dizer que as corporações precisam assimilar o Homem e dar a ele a centralidade.

 

São 10 Princípios Universais:

  • Princípio 1 e 2, RESPEITAR e ASSEGURAR os Direitos Humanos
  • Princípio 3, APOIAR a Liberdade de Associação e o Direito a Negociação Coletiva
  • Princípio 4 e 5, ELIMINAR e ERRADICAR todas as formas de Trabalho Forçado e Infantil
  • Princípio 6, ESTIMULAR práticas que eliminem discriminação no emprego
  • Princípio 7, 8 e 9, ASSUMIR, DESENVOLVER e INCENTIVAR práticas proativas para os desafios ambientais
  • Princípio 10, COMBATER a Corrupção em todas as suas formas

São Princípios criados em 2.000 por Kofi Annan e hoje presentes em 160 países, incluindo o Brasil, mas, como se constata, a sua aplicação ainda é restrita a uma pequena parcela de empresas. O que se destaca é que essas corporações têm colhido os frutos da observância do Pacto Global. Não pela preferência dos consumidores, pois ainda não há conscientização universal suficiente, mas pela efetividade dos resultados operacionais. Afinal, a aplicação dos Princípios gera a sustentabilidade ampla, além da flora, da fauna e de todos os recursos naturais, centraliza o ser humano onde sempre deveria estar.

 

O cenário agora vivenciado pela ação do corona vírus está acelerando mudanças que viriam em ritmo mais lento, como a digitalização, hoje obrigatória para o varejo.

 

No âmbito das relações humanas e ambientais a aplicação do Pacto Global é indubitavelmente uma oportunidade para o significado das empresas e suas marcas. O ritmo lento imprimido até então para a inclusão das corporações na ação sustentável deverá se modificar, ganhando impulso. Embora poucos, já temos bons exemplos, além dos primeiros ícones como Natura, e dentro de setor dos mais problemáticos, que é o segmento do vestuário.

 

A Malwee através de seu CEO Guilherme Weege informa que a sua empresa está entre as 20 melhores do mundo em Sustentabilidade, possuindo até linha de montagem em presídios. A Marisol, segundo Fernando Lucena, Diretor, mudou o tratamento “consumidor” para “usuário” tendo em vista a economia circular.

O tema tende a se alastrar positivamente. Por isso estaremos em LIVE a convite da bióloga Angela Garcia da Manancial Sustentabilidade, hoje às 21 hs no @angelapegarcia

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Live semanal da Abraji fala sobre rádio e pandemia com Mílton Jung nesta terça

 

Texto publicado no site da Abraji — Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

 

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A oitava edição das lives da Abraji sobre os impactos da pandemia no cotidiano dos jornalistas tem a participação de Milton Jung, âncora do Jornal da CBN e do programa Mundo Corporativo. A conversa é nesta terça-feira (9.jun.2020), das 21h às 22h, no Instagram.

 

O espaço virtual de discussão tem o objetivo de compartilhar experiências e desafios enfrentados pela imprensa desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil. Em razão dos cuidados de saúde necessários, Jung organizou um pequeno estúdio em casa, de onde tem apresentado o programa matinal e diário da CBN. A conversa com a equipe é feita por aplicativos de mensagem e um sinal de internet conecta sua casa à sede da rádio.

 

Apesar dos desafios diários, ele afirma que a maior dificuldade é dos repórteres, que garantem o conteúdo e a apuração do programa. Para aqueles em trabalho remoto, o esforço é redobrado para que não haja riscos à informação apurada.

“Os que saem, por sua vez, se expõem a dois tipos de perigo: o de se contaminar pelo vírus e o de ser agredido pela ignorância. Neste momento de pandemia, ainda sofremos de um outro mal na sociedade brasileira, que é o fortalecimento de discursos extremistas e totalitários, que não aceitam o jornalismo profissional e a imprensa livre”, afirma.

Apesar dos desafios, Jung entende que o rádio revela sua importância no contexto de uma crise sanitária. O meio de comunicação é o mais presente no Brasil, de acordo com a terceira edição do Atlas da Notícia, divulgado em 2019. Em um contingente de 13.732 veículos mapeados em todo o país, 35% eram radiofônicos.

“O radiojornalismo ganhou protagonismo nesta pandemia ao expressar algumas de suas principais características, como agilidade, velocidade e interatividade, úteis especialmente quando a população sofre de ansiedade diante dos riscos à saúde e quando as novidades surgem a todo momento”, explica.

Entre outros livros, o jornalista é autor de Jornalismo de Rádio (Editora Contexto, 2004), Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo, 2006) e É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos (BestSeller, 2018). Também é coautor de Comunicar para Liderar (Editora Contexto, 2015).

 

Nas semanas anteriores, o espaço virtual das lives da Abraji teve a participação de Ana Lucia Azevedo (O Globo), Raull Santiago (Coletivo Papo Reto), Kátia Brasil (Amazônia Real), Vinícius Assis (correspondente brasileiro na África), Ciara Carvalho (Jornal do Commercio), Tai Nalon (Aos Fatos) e Ruben Berta (Blog do Berta). A íntegra das conversas está disponível no Instagram.