Só não vale sofrer além da conta

Por Abigail Costa

Diferenças. Elas revelam  nosso comportamento. E  sempre dão uma forcinha a mais pra que a gente pense: Campo ou cidade? Estresse ou relax? Ficar ou seguir em frente? Interessante com as pessoas discorrem sobre o assunto com métodos variados de ação e reação.

Sereno e tranquilo como alguém que medita todos os dias, esse meu amigo sempre tem uma visão mais espiritual:

– Nada foge aos olhos do nosso criador.

A voz pausada mas forte mostra segurança:

– Tudo o que acontecer tem um por quê.

– Dos nossos atos dependerá nosso futuro .

E mais  outras tantas palavras tiradas da escritura.

Claro que ele tem uma religião. Uma crença  tão forte que chega a pertencer a uma casta. Sempre aceitar com conforto o que acontece pela frente.

Já para um outro conhecido,  professor, doutor e curioso nas histórias de vida de seus pacientes. Para ele é:

– É você quem faz acontecer. Errando daqui, derrubando um obstáculo ali.

Sem a crença  divina. A auto-confiança aqui ganha um tom racional.

Quem está certo? O que busca consolo na crença? Ou o doutor,  que busca respostas nos livros?

Arrisco a dizer os dois.  Cada um com  suas diferenças, numa busca parecida. Transformar o difícil em algo novo. Que pode ser resolvido, não sofrido. E pra isso vale a leitura do livro, da bíblia. Só não vale sofrer além da conta.

Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira, aqui no Blog do Milton Jung fala da vida (dela e dos outros)
.

Vai encarar ? Nós já encaramos

O título é provocativo mesmo. E a intenção é levar o leitor a reflexão. “Vai Encarar ? A Nação (quase) invisível da pessoa com deficiência”, da jornalista Cláudia Matarazzo e a vereadora Mara Gabrilli (PSDB),  foi lançado nesta semana, pela Editora Melhoramentos. A história contada por pessoas com deficiência ajuda Cláudia a costurar temas importantes que servem de orientação para o cidadão. Até hoje muitos ainda se confundem quando se deparam com um cadeirante, um cego ou surdo. Não sabem como se comportar, ficam constrangidos ou são preconceituosos. O livro pretende ajudar nesta relação.

Ouça a entrevista com a jornalista Cláudia Matarazzo

Com o livro vem um audiolivro narrado pela jornalista.  Bibliotecas públicas e entidades interessadas em adquiri-lo poderão faze-lo gratuitamente encomendando-o diretamente ao Instituto Vivo que apoia a confecção e distribuição desse material.

No CBN SP, às segundas-feiras, logo após o Repórter CBN das 11 da manhã, você ouve o programa Cidade Inclusiva, apresentado por Cid Torquato.

 

Pra não repetir erros, Educação abre livros ao público

Após ter de retirar das bibliotecas das escolas estaduais seis dos livros destinados às crianças por serem considerados inapropriados, a Secretaria da Educação de São Paulo decidiu fazer uma exposição aberta ao público com os 812 títulos restantes que fazem parte do programa Ler e Escrever. A partir desta quarta-feira, 9 da manhã, os livros estarão à disposição na sede da secretaria para consulta. O secretario Paulo Renato de Souza espera com a medida não ser mais surpreendido com textos de conteúdo adulto publicados em material de apoio às crianças de oito e nove anos da rede pública como ocorreu com os livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, e “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática. Para Paulo Renato, a falha na seleção prejudicou um programa considerado de qualidade e importante no incentivo à literatura, o Ler e Escrever.

Secretaria não tem comissão “formal” para analisar livros, diz secretário

“Inadequado” foi a expressão usada pelo secretário estadual da Educação Paulo Renato de Souza ao se referir aos livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” e “Poesia do Dia” distribuídos nas escolas públicas. Em ambos, foram encontrados textos que faziam referência a sexo, drogas e violência de maneira inapropriada para crianças de oito e nove anos. O último caso, denunciado por este blog, nessa quarta 27.05, está ligado a dois poemas de Joca Reiners Terron (leia mais aqui).

Na entrevista ao CBN SP não ficou muito claro o critério e a formação da comissão  que escolheu 818 títulos para serem usados pelos professores em sala de aula. Paulo Renato disse que não existe uma comissão formalizada, mas há, sim, um grupo de professores sob responsabilidade do programa Ler e Escrever que, a partir de lista enviada pelas editoras, faz a seleção.

O secretário disse que foi solicitada uma revisão nos livros que integram o programa e  na quarta-feira da semana que vem todos estes livros serão apresentados aos jornalistas: “vou chamar toda a imprensa para examinar cada um dos títulos”.

Ouça a entrevista do secretário da Educação Paulo Renato de Souza para Tânia Morales

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro

Trechos extraídos de Poesia do Dia

As frases acima foram extraídas de duas poesias de Joca Reiners Terron, escritor, designer e editor,que estreou na literatura em 1998 e tem textos publicados no exterior, também. Terron é um dos nomes que surgiram nos últimos tempos no cenário literário brasileiro com muito destaque pela força e qualidade de seu discurso. Merece ser lido e estudado. O que professores da rede pública estadual de São Paulo estão em dúvida é se “Manual de Auto-ajuda de Supervilões” (do qual faz parte as duas primeiras frases) e “Perdido nas cidades” (as duas últimas) são apropriados para garotos e garotas de oito e nove anos da 3a. série, conforme propõe a Secretaria Estadual de Educação.

As poesias fazem parte do livro “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática, comprado e distribuido pelo Estado, no programa Ler e Escrever que tem como intenção “oferecer recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que frequentam as primeiras séries do ensino da rede pública estadual”.

Há uma semana, o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, foi recolhido pelo Governo do Estado depois que professores identificaram a presença de textos pornográficos (leia aqui). Antes deste fato, cartilhas com erros de geografia foram retiradas das escolas, após o Estado gastar dinheiro público com o material pedagógico.

No caso do “Dez na Área”, o governo admitiu o erro, disse que este teria sido de responsabilidade de uma comissão da Secretaria Estadual da Educação e prometeu verificar quem teria avaliado de maneira errada o material literário distribuído para crianças da rede pública.

Para ler os textos completos das poesias acesse aqui:

Manual de Ajuda de Supervilões

Perdidos nas cidades

Quem lê enxerga melhor

Por Sérgio Vaz
Criador e criatura da Cooperifa

Povo lindo, povo inteligente, ontem participei de um debate na Fundação Perseu Abramo sobre circulação de livros, bibliotecas e de incentivo à literatura. Entre vários outros assuntos um em especial me chamou a atenção: o preço do livro.
Já ouvi várias autoridades conhecedoras do assunto falarem que as pessoas não leem porque o livro é muito caro, ou, que é caro porque as pessoas não leem.

Concordo que o livro é caro, mas não concordo que as pessoas não leem por conta disso, as pessoas não leem porque não gostam de ler. É caro só para quem gosta de ler. Tente vender um livro para quem não gosta de ler por R$ 5,00. Ele não vai comprar, e não importa o que você diga, e a não ser que ele compre só para te “ajudar” ele não vai nem querer saber dos seus argumentos. E isso independe da classe social.

Quem mais compra livros no país é o MEC (Ministério da Educação e Cultura), algo em torno de 50 por cento. As pessoas não leem porque faltam ações específicas do estado nas comunidades. Não leem porque não há bibliotecas nos bairros, e as poucas que existem tem um aspecto triste são frias é como se fossem cemitérios, onde livros são enterrados sem direito a velório.

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Corinthians e Santos, O Grande Jogo

Capa de O Grande JogoNão é nenhuma previsão para a final do Campeonato Paulista, mesmo depois dos resultados do fim de semana. Até porque São Paulo e Palmeiras precisam apenas vencer Corinthians e Santos pelo tal placar simples de 1 a 0. Uso o “tal simples”  pelo fato de que nem sempre é tão simples assim marcar um gol, principalmente em clássico. E contra dois times que tem a tradição dos alvi-negros paulistas.

“O Grande Jogo”, que você lê no título deste post, é o nome que batizou livro escrito pelos jornalistas Celso Unzelte e Odir Cunha,  a ser lançado nesta terça 14.04, no Museu do Futebol, às sete da noite, em São Paulo. No livro, está transcrita uma conversa entre os dois  fanáticos torcedores, o corintiano Celso e o santista Odir. Sim, dialogar com o adversário é possível e, às vezes, o resultado final é bastante interessante, como promete o livro que fala daquele que Pelé disse ser “o maior clássico do mundo”.

O CBN São Paulo reuniu os dois nesta segunda-feira para ter ideia do que iremos encontrar em “O Grande Jogo”.

Ouça a entrevista com Celso Ulzete e Odir Cunha

A difícil arte da leitura acessível

Em pleno século 21 existem pessoas que não tem o direito de ler um livro. E o fato não ocorre em nenhuma cultura totalitária ou sob qualquer religião ultra-ortodoxa. É aqui no Brasil, país que restringe a leitura às pessoas com deficiência apesar de o Congresso Nacional ter aprovado a lei 10.753/03 que obriga a produção de livros em formato universal, permitindo o acesso de pessoas cegas, com baixa visão, paralisadas ou amputadas de membros superiores, disléxicos entre outros.

Cid Torquato, comentarista do Cidade Inclusiva, que vai ao ar às segundas, no CBN SP, lembrou que no caso dele, paraplégico, ler livros convencionais apenas se estiver sentado e mesmo assim com dificuldade para folhear. Deitado, nem pensar.

Em nosso bate-papo dessa semana, Cid chamou atenção para o site Livro Acessível, criado por Naziberto Lopes, deficiente visual, que reúne volume considerável de informações sobre políticas de inclusão. Uma das sessões interessantes é a que reúne depoimentos de “excluídos da leitura”, pessoas como Virgínia Menezes que realiza pós-graduação em Educação Especial Inclusiva e, imagine, não tem acesso aos muitos textos que necessita para concluir o curso.

Navegando no trabalho de Naziberto sabe-se, por exemplo, que boa parte das pessoas cegas não usa braile, sistema eficaz quando o cidadão nasce sem visão. “Tendo ficado cego em vida adulta, ser novamente alfabetizado em um outro sistema de comunicação foi impensável e praticamente impossível”, relata na primeira pessoa. Com isto, o computador passa a ser a principal ferramenta.

No site existe acesso ao abaixo-assinado que pede a regulamentação da Lei do Livro, a fim de que esta garanta o direito de acesso universal à leitura por parte de pessoas que por alguma deficiência não podem acessar os livros em seu formato convencional (impressos a tinta); e defende que estas pessoas possam negociar diretamente com as editoras e livrarias, sem necessitarem a “terceirização” por uma entidade de assistência; além de propor a existência deste material acessível nas bibliotecas.

Um dos aspectos defendidos por Naziberto é que a pessoa com deficiência não tenha de recorrer a terceiros para obter o que é de direito. Em vários depoimentos e em e-mails enviados para editoras, torna claro que a maior parte da sociedade ainda o enxerga como um pobre coitado e imagina que ele está em busca de esmola.

Mais sugestões

O ouvinte-internauta Wilson Benites Jr. escreveu para sugerir que as pessoas com dificuldade de acesso a leitura procurem a Fundação Dorina Nowill para cegos, instituição que põe a disposição livros e revistas faladas. Além disso, divulga o site Worldwide Association of Jehovah’s Witnesses no qual é possível baixar arquivos de áudio da Bíblia.