A fórmula de Galló

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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fachada de unidade da Lojas Renner, em foto do site verazaffari.com.br

 

Um executivo que comanda há mais de 20 anos uma empresa centenária, líder do mercado de varejo, que na crise aumenta o número de lojas, o quadro de funcionários e o lucro, certamente tem muito a dizer.

 

Foi o que Mílton Jung foi buscar na recente entrevista realizada no Jornal da CBN, quando conversou com José Galló, o presidente da RENNER.

 

 

Entre receitas, análises e sugestões, destaco aqui alguns pontos:

 

As 120 horas de treinamento ano por pessoa, a agilidade em acompanhar as tendências da moda, oferecendo oito coleções por ano entremeadas de minicoleções, e a atenção nos processos e despesas, são a receita para o sucesso alcançado.

 

Sem demissões e com foco na crise de um mercado oligopolizado entre cinco grandes cadeias, que correspondem a 13% do total da demanda, era preciso buscar a diferenciação dentro do Marketing Mix – Produto, Processo, Pessoas – para usufruir de forma positiva daquele momento. E isso foi feito com categoria, atestada pelo resultado obtido.

 

Agora, diante do “milagre” da economia, quando a inflação de quase 12% chega perto de 4%, o trabalhador que obteve 7 a 8% no dissídio terá um ganho real, que deverá impulsionar o mercado.

 

Resta apenas acompanhar o desenrolar político nacional. A operação Lava Jato precisará acelerar.

 

Adiante, será preciso remover a “medieval” legislação trabalhista que gera 2,5 milhões de reclamações, enquanto nos Estados Unidos são 75 mil e no Japão sete mil ao ano. Ao mesmo tempo em que o varejo tem picos de demanda, que poderá ser atendido pelo trabalho temporário. Esse iria reduzir os preços finais. Além de dar emprego a jovens e aposentados.

 

E, para quem não ouviu a entrevista, também é uma boa acessá-la.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: minha irmã foi registrada dia 25 de janeiro por amor à cidade

 

Por Mara Rocha
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Ouça este texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

 

Minha história com São Paulo começa antes mesmo de minha família e eu morarmos aqui. Em 1952, meus pais viviam em Presidente Epitácio e só tinham dois filhos. Meu pai vinha a São Paulo comprar tecidos para minha mãe fazer as roupas da casa, dos filhos … ela costurava pra fora, também. Meu pai adorava São Paulo e voltava pra casa todo feliz contando para os amigos o que tinha visto por aqui: falava dos cartazes de filmes, teatro e shows musicais.

 

Em 16 de fevereiro de 1953, nascia minha irmã. Meu pai esperou um ano só para poder registrá-la com a data de 25 de janeiro. Em 1955, foi minha vez de vir ao mundo e meu nome Mara foi em homenagem a atriz de teatro de revista Mara Rubia. Em 1957, nascia outra irmã e o nome foi (completo) Dalva de Oliveira. Dispensa apresentação. Em 1960 nascia o coitado da turma feminina, porque depois dele vieram mais três meninas e formamos o time de nove, mas essas já são paulistanas.

 

Chegamos em São Paulo em 1961, minha mãe ficou encantada com o tamanho da cidade. Fomos morar no bairro Taboão em São Bernado do Campo e a minha rua chama-se São Paulo. O pai era motorista de ônibus na linha São Bernardo – São Paulo, passando pelo Zoológico, Jardim Botânico e, finalizando, na Praça da Árvore onde tinha o Cine Estrela. Nossos finais de semana eram nesses lugares. Adorava passear no Jardim Botânico onde fazíamos piquenique, jogávamos bola, peteca e nos divertíamos comoutros brinquedos da época. Visitámos com frequência também o Zoológico.

 

Minha irmã mais velha Wandy, trabalhava como modelo dos maiôs Cenimar ou Celimar (não lembro ao certo), as mulheres eram esculpidas pela natureza porque tudo era feito a pé ou de bicicleta. Ela foi a primeira a ter carro em casa e isso demorou um bocado. Ela fazia também as feiras do Ibirapuera. E a que eu mais gostava era o Salão da Criança porque brincava muito, e bebia muito iogurte Paulista, no estande onde ela trabalhava.

 

Nas férias íamos de trem para a casa do meu tio em Santa Fé do Sul. Ficava encantada com a Estação da Luz e a viagem de muitas horas passava rápido porque era divertidíssimo dormir nas camas da cabine com o balanço do trem. E durante o dia passeávamos pelos vagões.

 

Só comecei a frequentar o Cine Estrela quando fiquei adolescente (na época: mocinha). Daí foi um passo pra conhecer outros lugares, como o Cine Ipiranga e o Cine Ópera, esses dois no Centro. Ficava até difícil escolher pra onde ir nos finais de semana. Pedalinhos no Parque do Ibirapuera, tardes deliciosas no Museu do Ipiranga, encontro com a galera no Pilequinho, um bar em Moema que fazia deliciosos sucos e batidas de frutas. Sem deixar de frequentar o Jardim Botânico, meu lugar predileto.

 

 
Nossas compras eram feitas no Mappin e adorava ver o ascensorista descrevendo tudo que tinha nos andares. Minha loja predileta chama-se Piter, próxima do Teatro Municipal e o vestido verde água que comprei no crediário, é inesquecível!

 

Tinha 24 anos (1979) quando nos mudamos para Moema, a 50 metros do Shopping Ibirapuera, inaugurado em 1976. Os trilhos do bonde ainda estavam na Avenida Ibirapuera e minha vida não mudou nada porque desde sempre eu fui paulistana de corpo e alma. Casei, tive filho e neta. Passei pra eles tudo isso, o que ficou, claro! Meu filho e minha neta amam parques, piqueniques, bicicleta, patins e, principalmente, amam São Paulo.

 

Mara Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Este texto foi ao ar, em 2013, no CBN SP, mas ainda não havia sido reproduzido aqui no Blog.

No varejo de multicanal os cinco sentidos fazem sentido

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O programa da NRF-National Retail Federation 2017, uma das mais importantes convenções de varejo do mundo, que será realizada em janeiro, na cidade de New York, reflete o foco atual das marcas comerciais. Tecnologia, internet, omni channel e fidelização de clientes são o cardápio principal.

 

Em uma análise das palestras pode-se a priori deduzir que devido ao surgimento e ao crescimento dos novos canais o espaço e a atenção reservados à loja física estão divididos.

 

Na verdade, há recursos exclusivos para as lojas físicas ainda não totalmente exploradas. Por exemplo, a utilização dos cinco sentidos. Nesse contexto remontamos a 2005 através de Martin Lindstrom e sua publicação de “BRAND SENSE construindo poderosas marcas através do Tato Paladar Olfato Visão e Audição”.

 

Essa obra, baseada na pesquisa da Millward Brown a respeito da ligação entre as marcas e o grau de sensibilidade que despertam nos consumidores, levou empresas a posições invejáveis no mercado. A Singapore Airlines, a Apple e a Disney se colocaram nos três primeiros lugares do ranking elaborado pela Interbrand.

 

A importância de cada sentido é relacionada ao setor em que a marca está relacionada.

 

Perfume, por exemplo, retrata o olfato como primordial; Roupa a Visão e o Tato. Entretanto, em linhas gerais a Interbrand concluiu que 83% das marcas usam a Visão, e 40% dos consumidores focam no Tato. Mas, o fato significativo é que ao usar o segundo sentido a marca cresce 30% e ao agregar o terceiro aumenta 70%.
Assim, se uma loja de roupa, ou de calçado, agregar a à Visão e Audição os demais sentidos –  Tato, Olfato e Paladar –  está armada a estrutura para uma experiência de compra real e emocional.

 

Esclareça-se que o Paladar é efetivado por servir algo que possa se tornar um ícone da marca como uma bebida, um doce ou outra forma de alimento capaz de seduzir e marcar.

 

Portanto, usar os cinco sentidos faz todo o sentido.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O varejo avança e a “loja do futuro” pode ser do passado

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

  

 

Com o acentuado avanço da tecnologia e da expansão do comercio eletrônico, as lojas físicas estão diante de um cenário de rara oportunidade e simplicidade. Na medida em que a experiência de compra se torna o diferencial para as lojas físicas, é hora de atentar para o relacionamento humano com os clientes.

  

 

A reinvenção necessária do varejo físico deve considerar tanto a aplicação dos recursos tecnológicos à disposição quanto os antigos métodos de aproximação com os consumidores.

  

 

Por exemplo, é possível evitar as filas nos caixas e não se entende porque as lojas ainda não eliminaram esta função, criada dentro das condições de séculos atrás. Sob a luz da Teoria das Filas, de fácil acesso na Pesquisa Operacional, e usando aplicativos atuais, os vendedores podem executar esta tarefa, eliminando custos e melhorando o atendimento.

  

 

Através de CRM – Customer Relashionship Management, conceito originado há décadas, as informações disponibilizadas podem antecipar necessidades e desejos dos consumidores. E aplicadas na loja com o necessário calor humano.

  

 

A customização, a interatividade produto-consumidor, o co-branding e o conceito 24/7, que significa disponibilidade total em 24 horas 7 dias por semana, são opções que podem ser oferecidas e reconhecidas.

  

 

Nesse contexto, um bom exemplo é Jack Mitchell. Com duas lojas e um livro sobre gestão humana de varejo, Jack foi convidado para a NRF – National Retail Federation, de 2005, para expor aspectos de seu sucesso como lojista e autor. “Hug yours customers”, traduzido pela Sextante como “Abrace seus clientes”, teve excepcional avaliação pelos presidentes da Coca Cola, Ralph Lauren, Xerox, IBM, e Zegna, cujo comentário é bem elucidativo ao nosso texto:
 

 

 

“Devido à combinação de valores de ontem e de hoje, e também ao conceito de acolhimento, creio que a parceria Mitchells/Zegna – duas empresas familiares – sobreviverá aos desafios desta nova era de incertezas e oportunidades”.

  

 

E, Warren Buffett, não deixou por menos:

  

 

“Este livro é uma joia”

 
 

 

Jack Mitchell não decepcionou a plateia, sua palestra foi um sucesso. E, onze anos depois, com o avanço dos canais de varejo, vemos que a sua abordagem é a solução para a formatação da loja física atual.

  

 

O balcão, tirado há décadas das lojas, permite agora o abraço nos clientes. Vamos a ele.

  

 

Ilustra este post, palestra realizada há 4 anos por Jack Mitchell e disponível em seu site.
 
 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O melhor caminho para franqueadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Brasil com 2.942 marcas franqueadoras é o quarto mercado de franquias do mundo. Atrás apenas da China (4.000), Estados Unidos (3.828) e Coreia do Sul (3691).

 

Ao lado do respeitável tamanho, empregando diretamente 1,2 milhão de pessoas, faturando R$139 bilhões ano, o caso brasileiro tende à maturidade, pois as redes têm crescido 4,5% enquanto as unidades franqueadas aumentaram 10%.

 

Nesse contexto, encontramos franqueados experientes que estão sabendo usar o conhecimento adquirido na ampliação das respectivas operações. O fazem de forma horizontal e, para tanto, escolhendo outras marcas e segmentos, preservando a região de atuação e usando seus pontos fortes.

 

Entretanto, segundo Carla Bruno da “Be Creative Consultoria”, o crescimento do franchising ao lado do sucesso inegável trouxe também uma burocracia que envelhece e encarece os seus agentes como as grandes consultorias, os departamentos de expansão das marcas, as entidades representativas e os meios de comunicação tradicionais.

 

Propõe, então, buscar os franqueados de sucesso diretamente. Um trabalho de “procurar agulha no palheiro” utilizando os shoppings, os corretores de shoppings, os consultores de campo e um portfólio de comunicação com as mídias sociais, Google, e assessorias de imprensa.

 

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Valter Matheus, de São Paulo, é um franqueado típico deste formato. Há seis anos, começou com uma franquia da Chilli Beans. Hoje, possui cinco lojas e três quiosques da marca. Agregou ao negócio, três unidades da Kings Sneakers, franquia de moda jovem. Posteriormente, com a experiência adquirida lançou a Âmbito, marca própria de moda feminina, com vendas também pela internet. Com o irmão e dois filhos, toca atentamente suas lojas, que, segundo ele, devem o sucesso à administração e finanças bem cuidadas e a expertise de estar sempre no ponto de venda na dose certa. Visitas frequentes e assíduas.

 

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Roberto Natan, de Angra dos Reis, toca uma rede de 22 farmácias Drogatur da família, fundada há 22 anos, e duas franquias da Mr. Cat. no sul-fluminense. Procura ainda outra franquia para diversificar seu mix de negócio, ganhando escala na administração das operações.

 

A multimarcas no franchising sempre foi uma opção que agora, com a evolução do mercado, é uma solução para a melhoria do negócio dos empreendedores mais agressivos.

 

A Folha de SP escreveu sobre o tema nesta semana em reportagem com o título “Cresce procura por empreendedores multimarcas no país”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Roupa usada: bom para comprar, bom para vender

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O mercado de roupas usadas, ainda que guarde esporádicas conotações vintage, ou a antiquada denominação de brechó, e algum preconceito, é um segmento da moda em expansão com imenso potencial futuro.

 

Os aspectos econômico, sociológico e ecológico inerentes ao sistema de reuso das roupas e acessórios de vestuário são altamente positivos.

 

A evolução do sistema da moda no segmento de luxo tende a enriquecer mais e mais os produtos, tornando-os mais caros e acessíveis apenas aos mais ricos. Logo abaixo deste mercado, as marcas Premium seguem o mesmo processo de atualização e sofisticação. Ao mesmo tempo o fast-fashion desatualiza mais rapidamente os produtos.

 

Em todos os segmentos, o aproveitamento da roupa usada, que rapidamente fica fora de moda gera um fator positivo na cadeia econômica, social e ecológica.

 

O caminho reverso da cadeia produtiva já foi iniciado por vários setores como pneus, lâmpadas e eletrônicos.

 

No caso da moda, alguns países mais desenvolvidos já despertaram e observaram o gigantismo deste mercado.

 

No Brasil, os números ainda não são expressivos, mas a evolução e a variedade de especializações apresentam uma estrutura completa. Lojas físicas, virtuais, de luxo, Premium, fast fashion, masculinas, femininas, infantis, plus size. Lojas com conceito vintage, brechó e contemporâneo. Há de tudo.

 

Há cinco anos, a advogada Angela Machado, reunida com 15 amigas para trocas de produtos que não usavam mais, um hábito de rotina para elas, ficou com uma peça Jimmy Choo sobrando e não tinha mais nada para trocar. Uma amiga que a desejava resolveu comprar por 50% do preço original. Daí em diante decidiu montar a “Madame Recicla” com os mil artigos cedidos pelas mesmas 15 amigas.

 

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Já a Denise Pini, graduada em Letras pela USP e apaixonada por moda, abandonou a carreira inicial, fez curso na FAAP de moda e fundou, em 1991, a “Capricho à toa”. Hoje o filho se prepara em pós-graduação para levar a loja física para a internet. Espera repetir o sucesso, obtido pela relevância que deu à moda no trato da operação, pela aposta em equipe preparada tecnicamente e pelo “pulo do gato” ao pagar à vista. Acrescenta ainda sua decisão de aumentar as compras ao iniciar a crise.

 

A administradora Cátia Freire por sua vez, criou há 20 anos a “Grifes Stock” onde vende ao lado de Prada, Chanel, Gucci e Dior, Animale, Ellus, Daslu, etc. Tudo seminovo com descontos de 40% no mínimo.

 

A opinião nestes 50 anos que Angela, Denise e Cátia somam de experiência é que suas clientes ficam felizes em vender e comprar, num mercado em que a divulgação ainda é pequena e o preconceito poderia ser menor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Polo Ralph Lauren volta a investir no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Para os apaixonados por Polo Ralph Lauren, uma notícia excelente: a grife americana do designer Ralph Lauren volta ao Brasil e em grande estilo.

 

Inaugurada esta semana no Shooping Iguatemi São Paulo, a marca americana que tem o icônico cavalinho como símbolo oferece na nova loja brasileira sua coleção masculina da linha Polo, que inclui também acessórios, sapatos e ítens em couro. Seus luxuosos e muito bem decorados 260 metros quadrados mostram o extremo bom gosto de Lauren em suas lojas ao redor do mundo.

 

Ralph Lauren teve lojas próprias no Brasil durante anos e, desde 2001, todas foram fechadas, uma vez que a operação da marca por aqui era comandada por um grupo argentino e, com a crise na Argentina e as restrições para circulação de dólares, a empresa não pôde dar continuidade em sua gestão.

 

No ano passado, a grife comemorou sua volta ao país com a abertura de uma loja no Shopping Cidade Jardim, porém com suas coleções mais exclusivas e de edição limitada.

 

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Ralph Lifshitz, nome de batismo de Ralph Lauren, iniciou sua carreira comercializando gravatas e hoje é dono de uma das marcas mais importantes do mercado do luxo, famoso por suas pólos, tendo o pônei como principal símbolo.

 

Ao retornar ao Brasil agora com a Polo Ralph Lauren, escolheu como espaço o tradicional Shopping Iguatemi, primeiro shopping de luxo da capital paulista, tendo como vizinha ilustre a joalheira Tiffany & Co.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A política de descontos e promoções no mercado do luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Quando pensamos em luxo, nos vem à mente produtos sofisticados, caros, raros, de marcas prestigiosas e muitos até mesmo inacessíveis.Porém, há casos de marcas que realizam política de descontos em períodos determinados ou outras formas de promoção.

 

Vale ressaltar que promoção não significa desconto monetário ou até mesmo liquidação, e, sim, uma série de estratégias para incentivar a venda. Já a política de descontos é uma redução no preço que pode ocorrer em liquidações ou no término de estações, quando a marca oferece, por exemplo, ítens de coleções passadas com valores mais atraentes.

 

No mercado do luxo, os preços geralmente são muito acima da média de produtos de mercado. O luxo em si é raro e pode ser encontrado apenas em lojas específicas; é dotado de uma marca famosa e muitas vezes de um criador ou fundador. O luxo tem como uma de suas bases a exclusividade.

 

Sendo assim, uma marca de luxo deve realizar promoções?

 

A fim de preservar as características de um seleto e privativo mercado, as empresas que atuam no setor podem, mas devem planejar detalhadamente suas estratégias de promoção.

 

Em caso de liquidações, as marcas de bens de luxo contatam seus clientes mais fiéis antes de iniciarem a venda aberta ao público avisando-os de que haverá a promoção. É uma forma bem sucedida de conquistar seus consumidores e desenvolver a fidelização deles. O cliente sente-se ainda mais especial por ter sido escolhido e reconhecido pelo fabricante de quem já é um comprador frequente. Não se perde o conceito de exclusividade e seletividade.

 

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A grife Ralph Lauren é um bom exemplo de marca que possui gestão seletiva em suas promoções. Alguns ítens mais exclusivos nunca entram nas liquidações. A Louis Vuitton, por sua vez, não oferece desconto assim como não tem lojas em outlet. A marca é rigorosa em seu posicionamento no segmento do luxo, mantendo a exclusividade e aguçando o desejo de consumo.

 

Uma ação interessante de promoção de venda é, por exemplo, uma marca de carros oferecer a seus clientes fidelizados o privilégio de testar novos modelos durante um fim de semana ou alguns dias para que conheça o produto. É uma maneira de promover o carro, garantir a exclusividade e estreitar relações com os clientes, através do atendimento, sem sem sequer cogitar alterações no preço. O cliente experimenta o produto e desfruta das sensações proporcionadas por ele, um dos conceitos-chave do luxo contemporâneo.

 

Às marcas de luxo que não realizam promoções de preços, fica o desafio de fazer com que seu cliente compre e, posteriormente, retorne em sua loja pela altíssima qualidade do produto e atendimento sofisticado, além da exclusividade e benefícios dos ítens disponíveis.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Buenos Aires: apesar da crise, a cidade ainda encanta

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A crise na Argentina parece piorar a cada dia. O mercado do luxo no país é um dos que mais se abalaram com a situação do país presidido por Christina Kirchner. Como já falamos anteriormente, aqui no Blog do Mílton Jung, diversas lojas de marcas internacionais fecharam suas portas, em Buenos Aires, por conta da intensificação das medidas adotadas pelo governo argentino para restringir importações e operações em moeda americana.

 

Ralph Lauren, Louis Vuitton, Nina Ricci são algumas das que já deixaram o país por conta dessa situação. As poucas que restaram estão saindo, o que mostra uma situação com tendência a piorar. Ermenegildo Zegna, que ainda mantinha sua linda loja na Avenida Alvear, no bairro da Recoleta, também fechou, há alguns meses. Tiffany&Co é uma das poucas grifes internacionais que ainda não deixaram o país e segue no Shopping Patio Bullrich, também na Recoleta. A falta de produtos nas lojas dessas marcas foi um dos principais problemas decorrentes da limitação às importações que as impediam de abastecer com artigos do exterior.

 

Em minha recente visita a Buenos Aires, foi triste notar que, a cada ano, a cidade está mais descuidada e suja e a Argentina, com inflação assustadora. Em relação a junho de 2014, quando estive ali pela última vez, notei que de lá para cá muitos produtos, inclusive os menus em restaurantes tradicionais, tiveram um aumento de 50%. Apesar da moeda argentina estar desvalorizada perante o real brasileiro (1 peso = 3,10 reais), a capital portenha hoje está longe de ser um destino barato para os brasileiros ou ao menos barato como há alguns anos esteve em relação a São Paulo.

 

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Apesar da crise e suas conseqüências, os segmentos de hotelaria, gastronomia e arte ainda garantem à capital portenha seu charme e sofisticação. Hotéis de luxo como Palacio Duhau-Park Hyatt, Four Seasons, Alvear Palace e Faena investem cada vez mais na excelência em serviços prestados e em sua gastronomia. Chás da tarde, brunch aos domingos além do ambiente dos hotéis. O Faena, por exemplo, projetado por ninguém menos que Philippe Starck, é um ícone do luxo contemporâneo e o favorito dos mais antenados que valorizam design, luxo e gastronomia. O ambiente do hotel é moderno e incrível, bem como de seus restaurantes e sua famosa piscina, que tem uma imponente coroa.

 

Buenos Aires, bem como toda a Argentina, vive uma situação como nunca. Um país que não tinha pobreza, hoje tem na capital federal inúmeros moradores de rua. É triste e inaceitável, como em nosso lindo Brasil, ver um povo chegar a tamanha pobreza e miserabilidade. Como tudo depende do olhar de quem vê, apesar desse cenário, eu ainda olho a capital portenha com brilho nos olhos. O seu luxo intrínseco e seu charme estão vivos em suas construções, em sua história e em seu ar de cidade sofisticada, de que sempre teve fama. A arte, a cultura, a arquitetura e as experiências gastronômicas felizmente parecem ser imortais na capital da Argentina.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O luxo de Ralph Lauren está de volta a São Paulo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife americana Ralph Lauren, famosa por ter como um de seus principais ícones a camiseta pólo com um cavalinho estampado, inaugurou esta semana a primeira loja própria no Brasil, no Shopping Cidade Jardim, no bairro do Morumbi, em São Paulo. A inauguração contou com a presença de nomes como o jogador de pólo argentino Nacho Figueras, modelo da marca, a atriz Camilla Belle e socialites como Kika Rivetti e Ruth Malzoni. Estiveram lá, ainda, nomes ligados à moda, entre estes Costanza Pascolato. David Lauren, Vice-Presidente Executivo Global de Publicidade, Marketing e Comunicação Corporativa da grife e filho do estilista Ralph Lauren também esteve presente para recepcionar os convidados.

 

Para a tristeza de alguns, ou diria eu, de muitos consumidores, a luxuosa loja da marca não venderá suas icônicas camisetas pólo. A estratégia da marca é mostrar ao consumidor brasileiro que a grife vai muito além das pólos. Seus sofisticados 800 metros quadrados incluem diversos salões com decoração requintada e que seguem os padrões da marca ao redor do mundo, e conta com um bar onde clientes podem degustar cocktails, petiscos e doces. A marca americana disponibiliza em sua loja brasileira peças masculinas e femininas dos produtos mais sofisticados: da coleção Ralph Lauren Collection (feminina) e Purple Label (masculina), além de acessórios, artigos de couro e alguns itens para casa.

 

Ralph Lauren teve lojas no Brasil até 2001, quando foram todas fechadas, uma vez que a operação da marca por aqui era comandada por um grupo argentino e, com a crise na Argentina, a empresa não pôde dar continuidade em sua gestão. Anteriormente ao grupo argentino, a grife americana teve sua operação no país comandada pela empresa São Paulo Alpargatas.

 

Nascido Ralph Lifshitz, Ralph Lauren iniciou sua carreira vendendo gravatas e hoje é dono de uma das marcas mais importantes do mercado do luxo, criada em 1967. A grife aposta em criações de luxo acessível, como camisetas e pólos, mas aposta também na coleção de produtos de edição limitada, como podemos ver na loja brasileira. Sua sofisticação e cuidado nos detalhes está presente em todas as hierarquias do luxo onde a marca atua. Lauren representa um estilo de vida.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.