Entenda um pouco mais sobre as oportunidades nos esports e pare de proibir seu filho de jogar videogame

 

 

Meu olhar atento ao que acontece com os esportes eletrônicos está diretamente ligado ao que aprendi com meus filhos — foram eles que me apresentaram as oportunidades que surgiram neste mercado. Já falei sobre esse assunto com você neste blog e trato do tema, também, em “É proibido calar!”.

 

No vídeo acima, Bel Pesce entrevistou um dos meus filhos — o que atua profissionalmente no setor como strategic coach. Ele explicou como funciona esse mercado em que atua e algumas carreiras que podem ser exploradas no segmento. Falou, também, da importância de os pais conhecerem essa realidade e das responsabilidades que os jovens têm de assumir para seguirem nesse caminho, especialmente com os estudos.

 

Se você quiser entender um pouco mais sobre como funciona tudo isso, confira o vídeo. E pare de de proibir seu filho de jogar vídeogame.

Avalanche Tricolor: que a exceção não se transforme em regra

 

 

São Jose 2×0 Grêmio
Gaúcho – Passo da Areia

 

 

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Bola para frente. Percalços fazem parte da vida de todos nós. Perder uma aqui, empatar outra ali, acontece. Voltar a perder, acontece também. A boa notícia é que isso não é regra. É exceção. Verdade que neste domingo, tive de encarar exceções de mais. E em duas frentes: no futebol e no esporte eletrônico.
 

 

Comecei a maratona esportiva na torcida pelo time de League of Legends do qual meu filho mais novo é treinador. Os cinco jogadores que formam a equipe dele não tinham perdido uma só série nos dois anos em que estiveram juntos. Se separaram e agora estão reunidos novamente. Estrearam com uma vitória acachapante, fim de semana passado. A aposta de todos era que a série invicta se estenderia por mais algum tempo. Porém, como para qualquer um dos mortais, o dia de perder haveria de chegar: foi hoje. Por curiosidade para um adversário que veste azul, preto e branco, mas não é o Grêmio.
 

 

Diante do insucesso no campo digital apostei minhas fichas no Grêmio que teria de encarar um gramado artificial. O piso, o vento e a chuva frustraram meus planos de, ao menos no fim do domingo, comemorar uma vitória. Sejamos justos: o piso, o vento, a chuva e a bola … pois que dificuldade para dominá-la e entregá-la ao colega mais próximo em condições de fazer o jogo fluir. Estava tão difícil quanto chutá-la no gol. E você sabe bem o ditado futebolístico: quem não faz, leva.
 

 

Os resultados alcançados pelos meninos, que foram levados ao sacrifício neste início de temporada, ficaram aquém do esperado. Imaginava-se que eles entregariam o bastão aos titulares com alguns pontos a mais na tabela de classificação. Não conseguiram! E, excepcionalmente, assistimos a uma sequência de quatro partidas sem vitória. Que se saiba trabalhar a cabeça (e o pé) de cada um deles para que essa série ruim não os influencie no restante da temporada.
 

 

Nem tudo foi tempo perdido, porém. Do time de transição, algumas figuras esboçaram potencial e vão merecer oportunidade no time principal quando, mais entrosados e com gente madura ao lado, tendem a subir de produção. Já no próximo sábado, os titulares voltam a campo (com grama de verdade) e trazem com eles a expectativa de uma retomada das vitórias, para que não permitam que a exceção se transforme em regra.

Depois dos times da Europa, o e-Sport é o novo desafio para o futebol brasileiro

 

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Hoje, Juca Kfouri chamou atenção para o comportamento abusivo de torcedores que insistem em levar sinalizadores para os estádios e a forma como a CBF trata o tema incentivando esta atitude. Ontem, alertou para a dificuldade de o Brasil organizar melhor a principal competição do seu calendário, o Campeonato Brasileiro, especialmente quando a realidade da Champions League nos é esfregada na cara, como aconteceu no belo jogo e espetáculo de sábado, em País de Gales, no qual o Real Madrid confirmou sua superioridade diante da Juventus.

 

A audiência da TV brasileira esteve a altura do show proporcionado pelos europeus e mobilizou milhares de torcedores que se reuniram em suas casas, bares e outros locais para assistir ao jogo. Diante disto, não surpreende que nossas crianças nas escolas e nos campos de futebol  têm vestido camisas de times da Espanha, França, Itália e Inglaterra.

 

Nossos times mal sabem como enfrentar a concorrência europeia e, desde já, deparam com outra disputa: a dos esportes eletrônicos.

Sim, lá vou eu falar de e-Sport para desespero de torcedores conservadores que ainda perdem tempo nas redes sociais negando que CG:GO, Lol e outros jogos eletrônicos possam ser colocados na categoria de esporte. Enquanto negam, vemos sites e canais de TV paga dedicando cada vez mais espaço para o e-Sport. E os estudos sustentam essa decisão, como veremos mais à frente.

 

Hoje, volto ao assunto, após ler “L.E.K. Sports Survey — Digital Engagement Part One: Sports and the “Millennial Problem”, escrito Alex Evans and Gil Moran, executivos da L.E.K. consulting. Nos dados apresentados temos a ratificação do que havia sido publicado, semana passada, no maior e mais profundo estudo sobre tendências da internet, produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, sobre o qual escrevi também neste blog  

 

Conforme Evans & Moran, embora os Milleniuns representem um segmento enorme e cada vez mais integrado da base de fãs de esportes nos Estados Unidos, ao contrário das gerações anteriores (Baby Boomer e GX), eles seguem uma gama muito mais ampla de esportes, incluindo os tradicionais e os eletrônicos. E, mesmo com menos tempo à disposição, têm muito mais alternativas para assistir aos eventos.

 

Essa geração já ignora parte dos canais por assinatura de televisão, até então uma das principais fontes de engajamento dos jovens ao esporte, especialmente nos Estados Unidos. Dados recentes da ESPN-EUA, mostram que o número de assinaturas diminuiu em 10%, em apenas três anos, estando agora com 90 milhões de telespectadores. Seu público mais jovem busca os eventos esportivos nas plataformas de mídia digital.

 

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Se o público com mais de 65 anos de idade mantém sua performance diante da televisão, assistindo a cerca de 450 minutos por dia, em média, de acordo com pesquisa Nielsen; o tempo diante da TV tem diminuído, anualmente, desde 2010, em alta velocidade para os Milleniuns: 4,7% entre os jovens de 18 a 24 anos – hoje, dedicando menos de 300 minutos por dia) e 2,8% para os de 25 a 34 anos, que dedicam menos de 250 minutos.

 

Outra comparação capaz de revelar esta mudança de tendência: 20% do consumo total de mídias pelos Millenius são dedicados a videos online gratuitos ou serviços pagos OTT – over-the-top, que são os serviços de áudio e video pela internet, dos quais os mais conhecidos no Brasil são Netflix e iTunes; apenas 13% é dedicado a TV Tradicional.

 

Ao avaliar a mudança de atitude da geração Millenium, os consultores alertam para o risco de os esportes tradicionais perderem espaço no coração e memória dos fãs.

 

A maioria das pessoas entrevistadas disse ter passado a admirar determinada atividade esportiva devido as transmissões na televisão, tanto quanto por praticar essas modalidades quando jovens.Concluem assim os consultores que, diante do fato que a TV tem sido o canal histórico para apreciação do esporte, o declínio na audiência aponta para uma queda simultânea de ‘fandom’ esportivo no futuro.

 

A desafiar ainda mais os gestores dos esportes tradicionais, está a crescente popularidade dos e-Sports já competindo diretamente na preferência do público como mostra o gráfico abaixo. Preste atenção na coluna dedica a todos os Milleniuns, tema de artigo anterior escrito neste blog:

 

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O relatório identifica que cerca de 61% dos seguidores de esportes eletrônicos ficaram menos tempo diante da TV, nos últimos 12 meses, 45% reduziram a visualização de esportes tradicionais e 35 compareceram menos a eventos esportivos devido ao maior engajamento com o e-Sports.

 

Um fenômeno que tem impactado negócios e um dos exemplos citados no relatório dos consultores foi o acordo de US$ 300 milhões pagos pela empresa de serviços de transmissão de vídeo e tecnologia BAMTech, criada para Major League Baseball, que lhe dá o direito de transmissão das competições de League of Legends.

 

Essa transformação já percebida e estudada em outros cenários parece ainda não ser levada em consideração pelos gestores do futebol brasileiro que, se antes tinham de se preocupar com a concorrência dos times europeus, que passaram a desfilar com muito mais freqüência na nossa tela, agora também correm o risco de serem atropelados pelas modalidades eletrônicas.

 

Mesmo que o futebol ainda tenha maior dimensão, maior base de fãs e muito mais dinheiro circulando em território nacional – situação que ainda vai demorar para ser superada -, é preciso lembrar que mercados tradicionais têm sido rapidamente abalados pelo surgimento de novas tecnologias. Por que o futebol estaria imune a essas transformações? Se ficarem esperando para ver o que vai acontecer, os clubes brasileiros e as instituições que os representam correm o risco de assistirem ao surgimento de uma geração de não-torcedores – uma legião que, por sinal, já aparece em pesquisas de opinião no Brasil.

Avalanche Tricolor: o padrão de jogo que nos faz melhor e a lição que aprendi com o Grêmio

 

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Renato comemora 1º gol (reprodução Premiere)

 

 

Um olho no peixe e outro no gato. Pra ser preciso: um na TV e outro no Ipad. Na tela pequena, o Grêmio, paixão ensinada pelo meu pai. Na tela grande, a Keyd Stars, torcida aprendida com meus filhos. A agenda esportiva deste domingo colocou no mesmo horário futebol e LoL, esporte tradicional e eletrônico, time do coração e coração de pai; e tive de me desdobrar em emoção e sofrimento.

 

Menos mal que o Grêmio deu poucos motivos pra sofrer, apesar do equilíbrio da partida na primeira meia hora e alguns riscos de gols de tirar nossa respiração. O pênalti bem marcado e raramente visto – convertido por Barrios – amansou o adversário e o domínio passou a ser nosso. Mantivemos o padrão de jogo que tem entusiasmado cronistas aqui no centro do país.

 

Aliás, permita-me um parênteses: é tanta badalação que, confesso, até desgosto. Prefiro quando meus colegas de trabalho ficam de oba-oba com os adversários e nós vamos comendo pelas beiras, sem chamar atenção.

 

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Luan comemora o 2º gol (reprodução Premiere)

 

Tivemos boas chances de ampliar e reduzir o risco do empate. Mas desperdiçamos a maior parte delas. Por outro lado, se o ataque não fazia, o meio de campo mantinha o domínio da bola e a defesa estava firme sem dar chances para o adversário. Éramos melhores.

 

A superioridade pode ser simbolizada pelo gol que fechou o placar e a partida, aos 48 do segundo tempo. Luan usou de seu talento para driblar dentro da área, passou a Léo Moura que entrou em velocidade pela direita, que entregou a Maicon, que com um tapa na bola tocou para Gastón Fernández, que marcado deu de calcanhar para Luan completar em gol.

 

Talento, velocidade, precisão no passe, deslocamento e o gol como maior objetivo o tempo todo – sim, porque se perdemos tanto é porque criamos muito. A somatória desses fatores tem feito o Grêmio superior e justifica nosso ótimo desempenho no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores.

 

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Time da Keyd Stars (reprodução Riot Games)

 

Mas como disse lá no início dessa Avalanche, passei o domingo à tarde entre as emoções provocadas pelo Grêmio e o sofrimento diante dos abates e ataques contra a Keyd Stars, na estreia do 2º Split do CBLol – o Circuito Brasileiro de League of Legends. Desta vez, não tivemos sucesso, mas assim também foi no primeiro semestre e acabamos na final da competição.

 

E se tem coisa que aprendi com o Grêmio, guris, é que jamais devemos desistir.

Millenium já gosta tanto de e-Sport quanto de esportes tradicionais, diz relatório de tendência na internet

 

 

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O futebol ainda tem muito mais a minha atenção do que qualquer esporte eletrônico, apesar da convivência  íntima que tenho mantido com as modalidades virtuais, nesses últimos tempos. Por outro lado, já frequentei bem mais vezes arenas de e-Sport do que de futebol, ao longo do último ano: estive no Recife, no Rio, em ginásios e estúdios de competição eletrônica para ver partidas de League of Legends.

 

 

Minha presença nesses ambientes de competição do e-Sport está relacionada ao envolvimento profissional de um dos meus filhos, e a paixão exercitada pelo outro. Ambos, desde pequenos, se esforçaram para me apresentar esse mundo e, apesar de não me arriscar a jogar, hoje me considero minimamente informado e transformado pelo que acontece no cenário nacional e internacional.

 

 

Minha proximidade com o e-Sport, motivada por questões familiares, portanto, não pode ser vista como uma referência. Ou seja, não significa que pessoas da minha geração, acima de 50 anos, estejam admirando mais essas modalidades do que os esportes tradicionais. Sou um ponto fora da curva. Mas se me permite sugerir: preste atenção no que está acontecendo neste mundo. É surpreendente.

 

 

 

 

Um dos mais importantes relatórios de tendências da internet (que você tem acesso nos slides acima), produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, divulgado há dois dias, dedica parte de seu estudo ao fenômeno dos esportes eletrônicos e dos games. Ela argumenta que os games são muito mais importantes do que se imagina, tantas foram as tendências que surgiram neles para depois tomar conta da internet. Um exemplo são os emojis que podem ser vistos como consequência de emblemas, originalmente introduzidos pela Activision, no início da década de 1980.

 

 

Os números levantados no trabalho e o engajamento alcançado são de causar espanto. Segundo o relatório, existem 2,6 bilhões de jogadores online no mundo, em comparação aos 100 milhões em 1995. A receita global de jogos é estimada em cerca de US$ 100 bilhões, em 2016. A idade média dos jogadores, nos Estados Unidos, também surpreende: 35 anos – consumidor na veia.

 

 

A audiência do e-Sport está subindo rapidamente. De 2013 para 2014, o aumento foi de 22%; de 2014 para 2015, de 28%; e no último levantamento, de 2015 para 2016, o número de pessoas que assistem ao e-Sport explodiu: 40% mais, chegando a 161 milhões de pessoas. Ou você acha que SporTV, Fox e ESPN abrem espaço para uma variado leque de esportes eletrônicos, aqui no Brasil, porque acham que este negócio é uma brincadeirinha de criança.

 

 

VIEWERS

 

 

A maior parte do público que assiste aos jogos é da geração Millennium, tem entre 21 e 35 anos. Eles representam 53% da audiência. E chama atenção o fato de os esportes eletrônicos e os tradicionais já dividirem sua preferência – algo inédito. Os pesquisadores pediram para eles responderem se “preferem significativamente” seu e-Sports ou o esporte tradicional. Dentro da mesma perspectiva, poderiam responder que “preferem um pouco” ou não tinham preferência.

  

 

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Resultado: 27% têm significativa preferência por e-Sports e 27% pelos esportes tradicionais.

 

 

Quando a pergunta foi feita aos que nasceram antes desta geração, 45% disseram ainda ter significativa preferência por esportes tradicionais e 13% por e-Sports.

 

 

Como eu não sou Millenium, sim, ainda prefiro os jogos de futebol do Grêmio aos de Lol. Mas se quiser saber, já deixei de ver uma partida do meu time do coração por completo para torcer por um time no CBLol. E justifico: era o time no qual um dos meus filhos é técnico.

Avalanche Tricolor: verdades escancaradas

 

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Brasileiro – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

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Funcionei em três versões neste fim de semana, nesta passagem pelo Rio de Janeiro que se estenderá até segunda-feira. Antes de chegar aqui, já tínhamos a cobertura política de um país estarrecido com a verdade escancarada por um grupo de delatores, chefiado por Joesley Batista. Um noticiário com várias nuances, revelações, traições e a realidade pura e crua de como agem poderosos e homens públicos, no Brasil.

 

O Rio foi meu destino na sexta-feira para assistir de perto às finais do MSI2017, o Mundialito de Lol – League of Legends. Apesar da ausência de brasileiros nesta rodada, os times europeus e asiáticos conseguiram trazer bom público à Arena Jeunesse, que teve seus quase 10 mil lugares ocupados, especialmente na batalha final. Desde o início da competição havia uma verdade escrita: a superioridade dos sul-coreanos. Verdade confirmada para delírio dos torcedores que fizeram uma bela festa por aqui com o título da SKT.

 

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E foi do Rio que assisti, neste domingo, ainda de dentro da Arena Jeunesse, e pela tela do meu celular, ao Grêmio, na Arena da Baixada, em Curitiba. Um time que vem jogando futebol de verdade pela maneira como se posiciona em campo, troca passes com precisão e se desloca para desorientar o adversário.

 

Antes mesmo do gol, Luan desfilava no gramado com a elegância que tem caracterizado seu jeito de jogar bola. Conseguia se safar dos marcadores com toques sutis e malabarismos imperceptíveis, suficientes para avançar em direção ao ataque. Foi premiado ao receber a bola dentro da área e marcar o primeiro da vitória gremista.

 

Ramiro também se mostrava superior. Fazia ótima companhia a Luan. Misturava talento e raça, categoria e qualidade técnica. No primeiro gol já havia feito a assistência para Barrios, que não conseguiu manter a bola e deixou para Luan. No segundo, recebeu de Luan e procurou novamente Barrios: desta vez, não escapou e ele matou o jogo.

 

Verdade que a expulsão de Marcelo Grohe tirou a tranquilidade dos gremistas, pois abriu-se espaço para o adversário atacar. Mas também é verdade que o sistema defensivo demonstrou a segurança que precisávamos para conter a pressão. E com isso, o Grêmio marca sua segunda vitória em dois jogos seguidos por dois a zero, no Campeonato Brasileiro.

 

Nas três versões em que funcionei neste fim de semana havia verdades escancaradas: no Lol e no futebol, principalmente; já na política, apesar de descobrirmos algumas verdades, ainda tem muita mentira para ser desmascarada.

Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

Grêmio 4×0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Avalanche Tricolor: no esporte eletrônico, os motivos para sorrir nesta segunda-feira

 

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Gaúcho – Caixas do Sul

 

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Muita gente acordou de ressaca nesta segunda-feira. Lá na redação, teve colega que mal dormiu na noite passada pois esticou o domingo até a madrugada para assistir ao Super Bowl e a incrível virada do Patriots sob o comando de Tom Brady. Depois de amargar uma surra no primeiro e em boa parte do segundo tempo, com um placar que chegou a 28 a 3 para o Falcons, o time do “Giselo” – referência a esposa, gaúcha por sinal – empatou no tempo normal e venceu por 34 a 28 em inédita prorrogação na final da NFL, a liga de futebol americano. Lembrou o nosso Imortal.

 

Lá no Rio Grande do Sul, imagino, que além da noite mal dormida boa parte dos torcedores do futebol acordou de cabeça inchada, afinal a dupla Grenal se estropiou contra os times do interior. Verdade que alguns perderam o sono já no sábado, pois a derrota os deixou beirando a Segunda Divisão (do Campeonato Gaúcho, registre-se). Nada que vá durar muito tempo, como diziam no ano passado. Lembra?

 

De minha parte, não temos muito a reclamar. Apesar do tropeço na Serra, a vitória da estreia nos mantém entre os quatro primeiros, nesta segunda rodada Claro que esperávamos um pouco mais do time que começou batendo um bolão no Gaúcho, repetindo o desempenho que nos deu o título da Copa do Brasil, no ano passado. Ao mesmo tempo, se puxarmos da memória, vamos perceber que também no ano passado os jogos fora de casa eram de tirar o sono.

 

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Não sei quanto a Renato, mas eu gostei de ver que Miller entrou no finalzinho da partida e marcou um gol, pois ratifica o que tenho lido na imprensa e nos textos em redes sociais publicados por jornalistas que acompanham os treinos de início de temporada: o atacante venezuelano está em franca recuperação e tem tido performances mais próximas daquelas que o levaram a ser contratado, em 2016.

 

Assisti ao jogo do Grêmio de revesgueio, pois quando cheguei em casa tínhamos acabado de levar o primeiro gol, em cobrança de pênalti. Não que eu tivesse fazendo pouco caso da partida pelo Gaúcho – já registrei na primeira Avalanche deste ano a saudade que estava do estadual e em especial do título deste campeonato.

 

Acontece que há três semanas, e isso vai se repetir ao longo da temporada, minhas atenções estão voltadas também para outro tipo de esporte que a maioria de vocês – os caros e raros leitores desta Avalanche – deve torcer o nariz: o esporte eletrônico. Recentemente falei sobre o tema aqui no blog, pois meu filho mais novo assumiu o comando técnico de uma das principais equipes de League of Legends – Lol, no cenário nacional, e tem partidas disputadas sábados ou domingos.

 

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Ontem, experimentei torcer no local dos jogos, um gigantesco estúdio na zona Oeste de São Paulo, de onde são feitas as transmissões que podem ser assistidas na SportTV e nos canais de internet. Fiquei impressionado com a estrutura montada para que as imagens cheguem com qualidade aos telespectadores e internautas. Incrível também é a “infra” à disposição das equipes formadas por cinco atletas, treinador, estrategista, psicólogo e outros quetais típicos das organizações esportivas. A tecnologia é bastante sofisticada para que o esporte possa ser praticado de forma qualificada e atenda as expectativas da audiência. E a impressão que tive é que os organizadores, no caso a Riot Games Brasil, conseguem oferecer essa experiência aos fãs do Lol.

 

Tecnologia à parte, quando a bola começa a rolar na tela, ou melhor, quando os campeões começam a percorrer o mapa a ser conquistado, a pressão sobre os atletas, a necessidade de estratégias bem construídas e a apreensão do torcedor se equivalem a de outros esportes.

 

Imagine, então, a emoção do pai-torcedor. Sofri como nunca, mesmo ainda titubeando em algumas regras do Lol. Incomodei-me com os comentaristas nas críticas ao meu time, mesmo que feitas com justiça. Torci os dedos para que o ataque adversário falhasse. E comemorei os abates, torres e dragões conquistados. Ao fim e ao cabo, festejei a primeira vitória da Keyd Stars, por 2 a 0, sobre a Operation Kino, no CBlol2017 – o circuito nacional. Especialmente a última da série, que lembrou muito o estilo Imortal do Tricolor, com uma recuperação incrível quando muitos já teriam entregado os pontos.

 

Assim, mesmo de ressaca pelo Super Bowl e de cabeça inchada pelo Gaúcho, encontrei ótimos motivos para sorrir, nesta segunda-feira.

O que aprendi com os meninos que não saem da frente do computador

 

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Fiquei em algumas filas a espera da loja de games abrir para que eles participassem do campeonato da vez. Lembro de atuarmos ao menos de duas acirradas disputas, de Mario Kart e Super Mario Strikers – nesta, a falta de um colega de equipe para um menino que estava sozinho na fila me fez entrar no jogo, também. Meus dois filhos, por motivos óbvios, preferiram formar eles próprios uma dupla.

 

Nunca chegamos a ganhar um campeonato, pois sempre aparecia alguém mais bem preparado e, geralmente, mais velho do que eles para ficar com o prêmio maior. Lembro que em uma das competições até fomos bem longe e ficamos entre os finalistas, mas tivemos de nos contentar com a diversão.

 

Levá-los à diversão eletrônica equivalia aos passeios proporcionados pelo meu pai aos jogos de futebol e basquete, em Porto Alegre. Naquela época, jogávamos bola em campo de areia e pracinhas de cimento irregular. O primeiro jogo eletrônico que foi parar nas minhas mãos era um Atari, que dois amigos tinham ganhado de presente. Já eram os anos de 1980.

 

Os guris aqui de casa também jogaram futsal e a quadra era sintética, na escola. Hoje, se exercitam na academia e preferem os equipamentos de musculação.

 

Desde pequenos, eles curtem os jogos eletrônicos – como praticamente todos os seus amigos. Motivo para termos ouvido muito a frase que ecoa nos lares brasileiros: “eles ficam o tempo todo no computador”.

 

Nunca fiquei assustado com a concorrência desse mundo, pois percorremos juntos este caminho. Em casa, nossos computadores sempre estiverem na mesma mesa, e nossa mesa sempre esteve na mesma sala, a de jogos, televisão e trabalho. Assim, nos acostumamos a estar juntos e não ficar isolado no quarto tanto quanto a compartilhar o que estávamos fazendo. E ninguém reclamou da quebra de privacidade.

 

A proximidade me fez entender algumas coisas que percebo são difíceis para muitos pais. Por exemplo, estarem à frente do computador por muito tempo não significa que estejam alienados. Conversam com os colegas, se informam e trocam informações. Se relacionam (e desses relacionamentos surgem novas amizades).

 

Há pais que creditam ao hábito o mau desempenho escolar dos filhos. Como castigo, decidem cortar a internet. Não dá mais, “eles ficam o tempo todo na frente do computador” – reclamam. E em respeito a autoridade paterna, apenas os ouço e me calo.

 

Geralmente, o baixo rendimento na escola está relacionado a outros fatores e não ao acesso indiscriminado às redes. Em casa, aprendi observando: eles não ficam o tempo todo no computador. Eles ficam todo o tempo fazendo um monte de coisas no computador, inclusive estudando.

 

Deparei-me várias vezes com os dois batendo papo pela rede com outros colegas de sala de aula, resolvendo questões mais complexas passadas pelo professor e tirando dúvidas enquanto se preparavam para os testes que seriam aplicados na escola. Na falta de solução compartilhada, eles próprios navegavam na internet em busca de resposta e esta podia ser encontrada em uma página ou em um vídeo no You Tube. No intervalo dos estudos, já os “flagrei“ assistindo a seriado no Netflix ou tentando passar mais uma etapa no jogo. Quando não, fazendo uma coisa e outra ao mesmo tempo.

 

Por mais de uma oportunidade, foram eles que me chamaram atenção para algo que estava se destacando no noticiário: a bomba que explodiu na Europa, o comentário desastroso de algum líder político, a celebridade que se meteu em mais um escândalo, o lançamento de um novo seriado e a última novidade eletrônica, que movimentará milhões de dólares, apresentada nos Estados Unidos. Ouviram no rádio? Viram na TV? Claro que não!

 

“Eles não saem da frente do computador”.

 

Tenho pensado muito sobre a trajetória deles no momento em que começam a traçar carreiras. O mais velho que enveredou pelo jornalismo, já trabalhou em um site de esportes eletrônicos, fez programa na rádio da faculdade sobre o mesmo tema e hoje escreve textos como especialista no assunto. O mais novo estreia no palco do Lol – League of Legends, neste sábado: é técnico estrategista de uma das equipes que disputam o título brasileiro (#TôNaTorcida). Ano passado já esteve no cenário como assistente na organização que representou o Brasil no Mundial.

 

Dos meus bate-bolas no campinho de areia ao estúdio de alta tecnologia montado para as partidas de Lol, onde estará meu pequeno. Do meu primeiro programa de rádio dedicado ao esporte amador na Guaíba AM, em Porto Alegre, ao programa de e-sports na WEB da ESPM, onde esteve meu maior. Lá se foram muitos anos, cada um com sua influência e seu atrativo. Uma diferença que não nos distanciou. Nos alinhou.

 

O que aprendi nesta experiência é que eles “não saem da frente do computador”, mas isso não é um problema. O problema é quando nós saímos do lado deles.

Assistindo à batalha do esporte eletrônico

 

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Algumas coisas se atravessam no nosso caminho e para não sermos atropelados pela ignorância, nos cabe a busca do conhecimento. Foi assim que os esportes eletrônicos entraram na minha vida. Praticado pelos filhos, no início os assistia de revesgueio, pois estava na tela do computador deles, que fica sobre a mesa que compartilhamos em casa. Em breve, o tema passou a fazer parte de nossas conversas na mesa da cozinha (onde almoçamos e jantamos juntos) e dos sonhos que eles construíam: um deles disposto a seguir o jornalismo e o outro ensaiando carreira de psicólogo e analista; ambos propensos a se dedicar ao eSport.

 

A primeira coisa que eles fizeram questão de me ensinar é que esporte eletrônico não é videogame. Melhor, videogame não é sinônimo de esporte eletrônico. Pra ser mais preciso: nem todo videogame é esporte eletrônico.

 

Jogar Super Mario Bros é jogar videogame. Jogar Donkey Kong é jogar videogame. Até mesmo o NBA Live que me fez companhia nos primeiros meses em que morei em São Paulo e no qual brinquei muito de jogador de basquete é só videogame. Não é considerado esporte eletrônico, apesar de inspirado em uma modalidade esportiva.

 

O eSport se caracteriza pela formação de comunidades no entorno dele, criação  de equipes e organização de campeonatos. O jogo e seus criadores por si só não são capazes de sozinhos transformarem um videogame em esporte eletrônico.

 

Street Fighter era diversão no Fliperama, onde os fãs começaram a disputar competições por conta própria, a ponto de chamarem a atenção da Capcom, sua criadora, para o potencial que havia na organização de campeonatos.

 

Clash Royale já começou “mal intencionado” e seus desenvolvedores instigam os praticantes a participarem de disputas. Nesse fim de semana, teve campeonato transmitido ao vivo pelo canal Esporte Interativo, direto de São Paulo.

 

League of Legends (LoL) parece ter nascido disposto a ser esporte eletrônico, mas só se capacitou ao titulo de eSport mais praticado do mundo graças a comunidade que se criou em torno dele e a formação de organizações que disputam campeonatos nacionais e internacionais.

 

Foi o LoL quem me trouxe para o mundo do eSport. Os meninos aqui de casa jogavam, gostavam e me contavam detalhes das disputas. Assisti a campeonatos em São Paulo e me impressionei com a quantidade de pessoas envolvidas. Mais ainda com o nível de organização.

 

O jogo tem uma empresa, a Riot, que funciona como uma espécie de Fifa – perdão por traçar paralelo com o futebol, mas é a referência que nós brasileiros temos quando o assunto é esporte. É ela quem organiza os eventos em todo o mundo, desenvolve os mapas onde as disputas ocorrem e impõe as regras para o jogo e para as organizações que surgem a partir dele. Chega a distribuir U$ 2,5 milhões em prêmios no seu principal campeonato.

 

Os times são formados por cinco jogadores, fora os reservas, que costumam ficar confinados em game houses onde treinam sob orientação de técnico, analista, psicólogo e, em alguns casos, nutricionista e preparador físico. Têm torcidas fanáticas que vibram com seus ídolos, jovens que se dedicam 24 horas à atividade e patrocinadores que sustentam e se beneficiam desta adoração.

 

Um dos donos de equipe aqui no Brasil com quem tive oportunidade de conversar  tentou me definir a organização como sendo o “Flamengo do esporte eletrônico”. Queria me mostrar que, da mesma forma que um clube de futebol, o time dele tem sede, diretoria, jogadores e infraestrutura para capacitá-los. Sempre bom guardar as devidas proporções, é lógico.

 

Há alguns meses estive na final do Campeonato Brasileiro – CBLoL – realizada no ginásio do Ibiraquera com todos seus assentos tomados por pouco mais de 10 mil jovens entusiasmados e engajados. Assim como eles, vibrei com a vitória da INTZ, uma das principais organizações do país que, neste fim de semana, também garantiu presença do Mundial de LoL, que se realizará em outubro e novembro, nos Estados Unidos.

 

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A vitória dos brasileiros não apenas garantiu-lhes a viagem como espantou fantasmas. Já haviam disputado duas vezes a etapa classificatória para o Mundial, representando o Brasil, mas não foram adiante. Na primeira, perderam para um time turco. No sábado, não bastasse terem conquistado a vaga ainda o fizeram em cima de uma equipe da Turquia. DoubleKill – se é que você me entende.

 

A disputa final, contra os turcos da Dark Passage, foi em melhor de cinco, com vitória por 3×2, diante de torcedores que gritavam o nome do Brasil e entoavam o já tradicional “eu acredito” nos momentos mais difíceis, na Ópera de Arame, em Curitiba. A partida foi assistida por milhares de pessoas na internet ou na SporTV, que dedicou seis horas de sua programação à competição.

 

Fiquei grudado na tela. Comemorei os ataques e os objetivos alcançados pelos brasileiros e sofri toda vez que o adversário derrubava nossas torres ou abatia nossos campeões. Curti a história daqueles jovens que sob forte pressão superaram seus medos e calaram, com esforço, talento e estratégia, os críticos de sempre – aquela turma que tem como esporte preferido atacar reputações e destruir qualquer um que se sobressaia em sua área.

 

Continuo não entendendo os golpes, contra-golpes e feitiços usados pelos jogadores nas batalhas campais. Mas me sai bem melhor agora do que das primeiras oportunidades. Já fui capaz de perceber que mais importante do que abates, são a derrubada de torres e dragões e o acúmulo de riqueza. Enxerguei melhor as estratégias, seja pela transcrição dos narradores seja pelos alertas dos meus conselheiros particulares.

 

Claro que apenas me dediquei a assistir ao LoL na televisão por envolvimento familiar. Não é a minha praia, mesmo admirando a organização da modalidade. Cresci em outra geração, tendo os esportes tradicionais como atração: especialmente o futebol e o basquete. Há, porém, uma legião de jovens que têm sua cultura forjada pelo cenário digital, que talvez nunca tenham tido a oportunidade ou a vontade de assistir a uma partida de futebol, no estádio.

 

É por causa dessa nova turma que emissoras como SporTV e Esporte Interativo têm dedicado parte de sua grade de programação às disputas dos jogos eletrônicos. A ação, como já era de se esperar, sofre críticas de grupos que não entendem porque canais de esporte tratam de eSport. Usam todo tipo de alegação e comparação para provarem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Perda de tempo total.

 

Muito provavelmente o esporte tradicional e o eletrônico jamais conviverão em alguns cenários, por exemplo nos Jogos Olímpicos como chegam a imaginar os fãs do eSport – e corro sério risco de queimar a língua com esta frase. Isso também não importa. Tem espaço e público para todas as modalidades, digitais ou não.

 

Quem for mais bem organizado e competente que se estabeleça.