Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: escritores ensinam como consistência constrói valor

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Alguns escritores conseguem transformar seu nome em referência antes mesmo de o leitor abrir o livro. O tema foi discutido no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A conversa parte de uma constatação simples: autores também operam como marcas. Eles constroem uma identidade que combina estilo, temas e forma de narrar. Essa identidade cria expectativa no público. Como explica Cecília Russo, “as pessoas sabem o que esperar dessa autora, desse autor e por isso eles vão atrás de um novo livro lançado”.

Essa previsibilidade não significa repetição mecânica. Trata-se de coerência. O leitor reconhece traços comuns — linguagem, profundidade dos personagens, tipo de conflito — e se conecta com essa entrega. É o que acontece com autores como Carla Madeira, que mantém uma assinatura emocional marcada por relações humanas intensas, ou Itamar Vieira Junior, cuja obra carrega um olhar social enraizado na realidade brasileira.

O mesmo raciocínio vale para nomes internacionais, como Colleen Hoover, Elena Ferrante e Haruki Murakami. Cada um construiu um território próprio. Quem lê já entra na história com uma expectativa formada. Esse é um ativo poderoso.

Jaime Troiano amplia o olhar ao lembrar que isso não é novidade. “Mesmo antes de nós falarmos de branding pessoal, autores mais clássicos também representam marcas, com estilos próprios, antecipando expectativas do próprio leitor”. Machado de Assis, por exemplo, consolidou uma escrita marcada pela ironia, pela análise psicológica e pela crítica social. Ao manter esses elementos, fortaleceu sua identidade ao longo do tempo.

Há outro ponto importante: autores, assim como marcas, não buscam agradar a todos. Escolhem um público, ainda que de forma intuitiva. Isso ajuda a consolidar uma base fiel de leitores, que acompanha lançamentos, recomenda obras e até valoriza edições especiais. Forma-se uma comunidade em torno da marca.

Essa relação também traz um desafio. Quando a identidade está bem definida, o autor passa a ser cobrado por ela. Mudanças bruscas podem gerar estranhamento. É o preço de ter construído uma promessa clara.

A marca do Sua Marca

Consistência e identidade são pilares de valor. Seja um escritor ou uma empresa, quem mantém coerência no que entrega cria expectativa, fideliza público e fortalece sua marca.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como Bad Bunny transformou a latinidade em um ativo cultural de massa

A latinidade ganhou escala global, entrou no centro do entretenimento e passou a funcionar também como marca cultural. O tema foi discutido por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir do impacto provocado pelo cantor porto-riquenho Bad Bunny no mercado da música e no imaginário do público.

O caso chama atenção porque rompe uma barreira antiga no Brasil. Durante muito tempo, artistas latino-americanos de língua espanhola tiveram dificuldade de ocupar espaço amplo por aqui. Cecília observa que esse cenário mudou de patamar. “A latinidade deixa de ser algo marginal e passa a ser algo de massa, de apelo mais democrático, furando todas as bolhas”, disse. A frase ajuda a entender por que o debate vai além da música. Não se trata apenas de um artista popular, mas de um fenômeno que desloca referências culturais e reposiciona símbolos latinos no consumo global.

No comentário, Cecília lembra que os números reforçam essa mudança. O crescimento de ouvintes brasileiros de Bad Bunny e a disparada de execuções após o Super Bowl mostram como uma presença artística pode ampliar seu alcance quando reúne identidade, repertório visual e conexão geracional. Na leitura dela, o artista “reforça várias lentes do que é o latino”, combinando marca-país, vínculo com a geração Z e os millennials e até um traço político em sua forma de se apresentar.

Essa análise ajuda a entender um ponto importante do universo das marcas: elas não são feitas só de produto, nome ou logotipo. Também são construídas por símbolos, linguagem, comportamento e contexto. No caso de Bad Bunny, entram nessa conta a defesa explícita de sua origem porto-riquenha, o uso do espanhol, a estética vibrante, a dança, as gírias e a sensação de pertencimento que ele oferece ao público.

Jaime acrescenta uma camada que torna o debate mais interessante. Para ele, o sucesso da marca latina de Bad Bunny no Brasil também passou por uma espécie de chancela cultural dos Estados Unidos. “Foram os americanos, ou foi a cultura americana e mais especificamente o maior evento mundial americano, o Super Bowl, quem catapultou o Bad Bunny”, afirmou. A observação traz certa ironia: parte do público brasileiro pode ter se aproximado da latinidade depois de vê-la validada no palco mais poderoso da indústria cultural americana.

A provocação de Jaime toca num traço histórico do Brasil. Muitas vezes, o país se relaciona com a América Latina de maneira ambígua: geograficamente inserido, culturalmente próximo em vários aspectos, mas nem sempre disposto a se reconhecer plenamente como parte desse conjunto. Quando ele diz que é “como se nós tivéssemos de costas para a América Latina”, aponta para uma resistência antiga, agora tensionada pelo sucesso de um artista que transformou sua identidade em força de mercado.

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ensisna que fenômenos culturais não se explicam por uma única causa. A força de uma marca nasce do encontro entre identidade, contexto, linguagem, visibilidade e circulação social. A latinidade, hoje, parece ter deixado de ser apenas uma referência periférica para disputar espaço no centro da cultura de massa. Resta saber se esse movimento é passageiro ou se veio para ficar.

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Mundo Corporativo: Patrícia Macedo, CMO da Suzano, diz que marcas não devem esperar os sinais para se reposicionar

Patrícia Macedo, Suzano
Entrevista com Patrícia Macedo no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“Para mim, essa observação constante da necessidade do consumidor, das motivações do consumidor é que fazem com que a marca suba as escadas.”

Nos últimos anos, a Suzano transformou um projeto estratégico em operação prática e levou seus produtos para dentro da casa de milhões de brasileiros. A empresa, historicamente associada à celulose e ao papel, consolidou uma unidade de bens de consumo com marcas como Neve, Mimo e Max. A mudança de lógica — de uma companhia voltada essencialmente à indústria para uma organização que dialoga diretamente com o consumidor final — foi tema de entrevista de Patrícia Macedo, CMO da unidade de bens de consumo da Suzano, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Segundo a executiva, o movimento combinou inquietação interna e resposta ao mercado. “Nos últimos 7 ou 8 anos, a gente fala que tirou do PowerPoint e virou um projeto concreto que está na casa aí de muitos milhões de brasileiros o que a gente chama da unidade de bens de consumo”, afirmou.

Ela explica que a companhia passou a complementar a gestão baseada em ativos com uma visão centrada no consumidor. “Eu não vou só gerenciar ativos e pensar em escala, em produtividade, mas eu vou olhar necessidade. Eu vou olhar como esse consumidor pensa, qual é a lógica de comportamento e de necessidades desse consumidor.”

Reposicionamento além da estética

O exemplo mais visível dessa estratégia foi o reposicionamento da marca Neve, com mais de 53 anos de mercado. Para Patrícia Macedo, não se trata apenas de mudar embalagem ou campanha. “É uma mudança de olhar para esse consumidor”, disse.

A empresa mapeou novos hábitos e rituais ligados ao banheiro e ao autocuidado. “Tem mais de oito comportamentos que a gente mapeou dentro do banheiro e a partir disso a gente se reposiciona.” O produto passou a dialogar não apenas com atributos funcionais, mas também com significados simbólicos. “A gente começa a falar também não de forma só funcional, mas de forma simbólica também, sobre as camadas do que acontecem na vida do consumidor.”

O desenvolvimento envolveu pesquisas, testes e ajustes técnicos. “Quando a gente testa papel higiênico dentro das nossas fábricas, além dos equipamentos, a gente testa na mão, que é o que a gente chama de handfeel, que é o toque da mão.” A executiva ressalta que a entrega precisa acompanhar o discurso. “Não adianta eu falar, escutar e não entregar.”

Tecnologia e sensibilidade

A estratégia inclui o uso de tecnologia e inteligência artificial, tanto na produção quanto na comunicação. “A inteligência artificial entra também não só nas ferramentas que a gente tem no dia a dia, mas também na produção dos nossos conteúdos”, afirmou.

Ela, no entanto, faz uma ressalva. “Eu não posso perder sensibilidade, porque a sensibilidade humana, a intuição, o discernimento têm que estar a favor do ser humano.” Para Patrícia Macedo, tecnologia e empatia precisam caminhar juntas.

Não esperar o sinal vermelho

Perguntada sobre o momento certo de reposicionar uma marca, a executiva defende acompanhamento contínuo do consumidor. “Para mim não tem que esperar um sinal, você tem que acompanhar o consumidor.” E complementa: “Você não precisa esperar perder share.”

Ela reforça que marcas consolidadas devem preservar seus pilares, mas atualizar conexões. “Uma marca não vai ficar flat para o resto do tempo.” O cuidado é não abandonar a identidade construída ao longo dos anos. “Eu posso preservar os ícones, posso preservar os valores dessa marca, mas as conexões dessa marca vão ser atualizadas de acordo com o movimento do consumidor.”

Carreira e comportamento

Ao falar sobre liderança em marketing, Patrícia Macedo destacou duas características que considera essenciais. “Ele precisa ser uma pessoa de negócio e não dá para ser só uma pessoa de comunicação.” E acrescentou: “Que escute, que veja e que se use os nossos sentidos humanos a favor da estratégia.”

No conselho final aos profissionais, resumiu a postura que defende: “Esteja aberto 100% do tempo a enxergar o que está acontecendo.” Para ela, acompanhar comportamento é tarefa permanente. “Se eu não ficar conectado com a missão interna de observar os comportamentos, as motivações 100% do tempo e ser incansável, eu não consigo seguir.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o retrato do brasileiro e os pilares que conectam marcas às pessoas

Cristo Redentor no RJ Foto: Oliver Schmid on Pexels.com

Uma pesquisa nacional com mais de 10 mil entrevistas reforça três forças que organizam a vida do brasileiro: família, fé e música. O tema foi analisado no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir de um estudo encomendado pela Globo à Quaest.

O levantamento, batizado de Brasil no Espelho, mostra como esses pilares influenciam decisões, expectativas e vínculos. Para 96% dos entrevistados, a família é a coisa mais importante da vida. O dado não apenas confirma uma percepção comum, como dá escala ao sentimento. Cecília Russo observa que “só constrói marca forte quem entende de gente” e lembra que, quando os números aparecem, “fica ainda mais claro” o peso da família nas relações e escolhas do dia a dia.

Esse centro familiar orienta sonhos e comportamentos. O maior desejo declarado é ver a família feliz. No campo das marcas, a consequência é direta: ignorar esse valor custa caro. “Qualquer marca que fira o sentido de família tem altas chances de ser descartada”, afirma Cecília. Não se trata de romantizar, mas de reconhecer um vetor real de decisão.

Ao lado da família, a fé aparece com força semelhante. Também para 96% dos brasileiros, Deus está no comando da vida; mais de 80% dizem ter fé em algo. A religiosidade ajuda a explicar a positividade apontada pela pesquisa e pede cautela na comunicação. Jaime Troiano reforça que “no campo da fé, as marcas precisam de muito respeito”, sem uso oportunista, traduzindo crença em mensagens de confiança e futuro.

O terceiro pilar é a música. Quase a totalidade da população ouve música, com preferência majoritária pela produção nacional. Aqui, identidade fala alto. “No Brasil, música não é fundo, é protagonismo”, diz Jaime. Quando marcas escolhem trilhas, artistas e ritmos com atenção ao território, comunicam pertencimento: “estão dizendo ‘eu entendo quem você é’”.

Da análise emerge um recado simples e exigente. Marcas não podem ser apenas funcionais; precisam ser simbólicas. “Marcas que entendem o brasileiro não vendem apenas produtos, vendem proteção, cuidado, esperança e pertencimento”, resume Jaime. Por isso cenas de mesa cheia, riso solto e pequenas celebrações funcionam: vendem o que está no coração.

A marca do Sua Marca

Entender pessoas vem antes de vender produtos. O comentário mostra que estratégias eficazes partem do reconhecimento de valores centrais — família, fé e música — tratados com respeito e coerência.

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem manda no seu pedido de comida é o restaurante ou o aplicativo?

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Pedir comida virou um gesto automático: alguns cliques no celular e o jantar está a caminho. Esse hábito cotidiano ajuda a revelar uma disputa silenciosa que vai além da fome e do cardápio. O tema foi analisado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN de sábado, a partir de uma pergunta simples e incômoda: quem está influenciando a escolha do consumidor: a marca do restaurante ou a do aplicativo?

A discussão parte de um dado concreto da vida urbana. Mochilas de entregadores se multiplicam pelas ruas e mostram como os aplicativos passaram a ocupar um espaço central no consumo. Para Cecília Russo, houve uma inversão relevante na lógica de decisão. “Hoje, muitas vezes, a escolha começa pelo app”, observa, ao lembrar que antes o consumidor pensava primeiro no tipo de comida e depois no restaurante. Agora entram em cena descontos, tempo de entrega e destaque na tela. A fome continua mandando, mas o algoritmo ajuda a decidir.

Esse novo caminho traz consequências diretas para quem produz a comida. Nos ambientes de marketplace, o restaurante perde parte de sua identidade. Fotos padronizadas, descrições genéricas e pouca história dificultam a diferenciação. Cecília alerta para o risco de a marca virar apenas “mais uma opção com 30% de desconto”. Quando tudo se organiza por promoção e velocidade, o valor simbólico some e o preço vira o único argumento.

O cenário fica ainda mais complexo com a expansão das dark kitchens, cozinhas que não existem no mundo físico e operam apenas para atender aos aplicativos. São marcas criadas para performar no algoritmo, pensadas para o clique e não para a experiência. Nesse modelo, o cliente escolhe pela nota, pela imagem e pelo prazo, não pela trajetória ou pelo vínculo. Construir relacionamento, aqui, é tarefa árdua.

Do outro lado da tela estão as marcas dos aplicativos. Jaime Troiano chama atenção para a mudança de confiança do consumidor. “Hoje, muitas vezes, a confiança não está no restaurante, mas na marca do aplicativo”, afirma. É o logotipo do iFood, do 99Food, do Rappi ou do Keeta que garante segurança na entrega e recebe a reclamação quando algo dá errado. Essas plataformas não vendem sabor nem memória afetiva. Vendem tempo, conveniência e menos esforço.

A estratégia passa por ocupar cada vez mais espaço na rotina doméstica, com entregas que vão além da comida: farmácia, mercado, serviços para pets. Na tentativa de se diferenciar, acabam se parecendo. Jaime lembra que há um ponto sensível nessa equação: a relação com entregadores e restaurantes. “A respeitabilidade e a construção de reputação passam por como essas marcas tratam as três pontas do sistema”, diz. Consumidor, parceiro e trabalhador formam uma triangulação que precisa ser equilibrada.

A marca do Sua Marca

O comentário deixa uma mensagem clara para negócios de todos os setores. Rapidez é requisito básico, não diferencial. O desafio está em entregar valor, criar significado e evitar a armadilha de competir apenas por preço ou conveniência imediata.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Tendências para 2026 pedem menos espuma e mais substância

“hoje a IA dirige o próprio consumo” Foto de ThisIsEngineering

Em 2026, marcas serão cobradas não apenas por presença, mas por relevância, eficácia e vínculo real com as pessoas. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado no Jornal da CBN, ao abrir o ano com uma leitura atenta das tendências que devem orientar decisões em marketing e branding.

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a interferir diretamente no consumo. Segundo dados citados no programa, cerca de 25% dos consumidores já recorrem a ferramentas de IA para escolher produtos. Cecília Russo chamou atenção para o novo papel dos gestores de marca nesse ambiente: “As marcas precisarão estar presentes nos modelos de inteligência artificial, porque hoje a IA dirige muitas vezes o próprio consumo”. Isso muda a lógica conhecida de busca e exige adaptação às recomendações geradas por essas plataformas.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico não elimina o fator humano. Cecília reforçou que personalização e reconhecimento ganham ainda mais peso. “As pessoas querem ser lembradas, bem tratadas, vistas como únicas”, afirmou, ao destacar a valorização de ações dirigidas, ofertas customizadas e relações menos automatizadas.

Outro ponto levantado foi a necessidade de pertinência. Estar em todos os lugares deixou de ser sinônimo de acerto. Marcas que não identificam seu nicho, sua comunidade e o espaço onde fazem sentido correm o risco de falar sem ser ouvidas.

Jaime Troiano destacou que 2026 também será um ano de cobrança por resultados. “Será o ano de prestar contas, de mostrar a eficácia por trás de todos esses conteúdos gerados, quem gera valor e quem faz apenas espuma”, disse, ao tratar da produção de conteúdo e da necessidade de métricas claras.

Num calendário marcado por Copa do Mundo, eleições e muitos eventos, captar atenção exigirá mais do que criatividade isolada. Jaime resumiu o desafio como um “olhar duplo”: ideias consistentes, conectadas ao que a marca representa para as pessoas.

Ele também alertou para a construção de marcas dentro dos marketplaces, onde o produto muitas vezes se sobrepõe à identidade. “Noiva não se escolhe no altar”, lembrou, ao defender que o vínculo com a marca precisa ser criado antes da decisão de compra, mesmo quando a venda acontece em grandes plataformas.

A marca do Sua Marca

Menos espuma e mais substância. Em 2026, marcas serão chamadas a provar valor, combinar tecnologia com sensibilidade e trocar presença dispersa por relações com significado.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a briga bilionária que redefine o futuro do entretenimento

A compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix, em uma transação superior a 80 bilhões de dólares, não altera apenas o tamanho dos conglomerados que disputam o entretenimento mundial. Ela muda, sobretudo, a relação entre consumidores e marcas que moldaram a forma como assistimos a filmes e séries. É sobre esse movimento que Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com os ouvintes noSua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

A negociação coloca em evidência uma transformação que atravessa toda a indústria audiovisual: a migração das grandes salas de cinema para o sofá de casa, fenômeno acelerado por uma empresa que começou enviando DVDs pelo correio. Cecília Russo lembra que “a Netflix, uma empresa que começou como locadora de DVD no final da década de 90, hoje domina não só a indústria de filmes como também a forma como consumimos filmes”. Ela aponta que esse negócio confirma um padrão cada vez mais recorrente: a concentração de muitas marcas em poucas empresas, o que reduz alternativas para o público. “Se alguém não gostava da HBO e se refugiava na Netflix, agora ambas poderão pertencer à mesma família”, afirma.

Essa reconfiguração não trata apenas de estratégia empresarial. Envolve afetos cultivados por espectadores que criam vínculos com estúdios e canais. Cecília observa que fusões e aquisições deixam consumidores em posição passiva: “Há uma sensação de orfandade quando uma marca com a qual nos relacionamos sai de cena”. Ela recupera movimentos semelhantes — como Disney e 20th Century Fox, Universal e DreamWorks — para mostrar que o setor vive um processo contínuo de reorganização.

Jaime Troiano oferece uma leitura guiada pela memória de quem cresceu em salas escuras antes do streaming dominar as telas domésticas. “Ouvi essa notícia com uma certa tristeza”, diz. Para ele, a Warner representa mais do que um logotipo ou um catálogo: carrega um imaginário cultural construído ao longo de décadas. “De lá saíram grandes histórias do cinema como Casablanca, Cidadão Kane, Mágico de Oz, O Exorcista, Laranja Mecânica”, recorda. A Netflix, na avaliação dele, ainda é percebida principalmente como “uma plataforma de streaming que verticalizou a cadeia”, mesmo que tenha ampliado sua atuação para produção e distribuição global.

A junção dos dois universos cria desafios de gestão. Jaime alerta que, em algumas fusões, “a soma de 1 + 1 não chega a 2”, lembrando que preservar o valor simbólico das marcas adquiridas exige cuidado e tempo. A reorganização das propostas e dos portfólios será determinante para que consumidores não sintam que perderam referências construídas ao longo de gerações.

A marca do Sua Marca

O comentário destaca que movimentos de consolidação desse porte mexem com escolhas, expectativas e memórias do público. Para as empresas envolvidas, a tarefa principal é administrar a orquestração entre marcas diferentes, preservando atributos reconhecidos, mitigando a sensação de perda e mostrando, de forma clara, o que consumidores ganham com a mudança.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que as marcas podem aprender com o time do coração

Gremio x Juventude
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A relação mais estável da vida de muita gente não é com a cidade onde mora nem com a profissão que exerce: é com o time de futebol. Esse é o ponta pé inicial do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN, que se inspira nessa relação íntima do torcedor com seu time para extrair lições aos gestores de marcas.

Jaime começa fazendo um convite: “vamos pensar o seguinte: o que os donos de marcas esperam que seus clientes e consumidores sintam em relação a elas?”. Você dirá que é respeito, admiração, afeto, conexão, lealdade. A resposta parece óbvia, mas o caminho para construí-la é tudo menos simples. Por isso, Jaime propõe olhar para o território em que esses sentimentos são intensos, duradouros e, muitas vezes, irracionais: o futebol.

Vivemos em uma época em que quase tudo muda. Pessoas trocam de profissão, de cidade, de religião, de arranjo familiar. É a efemeridade descrita nos pensamentos de Zygmunt Bauman. Agora, quantas pessoas você conhece que mudaram de time de futebol? Se existem, são raridades. A comparação para as marcas é ainda mais cruel: quando um produto falha, o consumidor troca; quando o time cai para a segunda divisão, o torcedor continua. É só lembrar o caso do rebaixamento do Corinthians, em 2007, que acabou fortalecendo o laço com muitos dos seus torcedores e se transformou em um momento de comoção no ano seguinte.

Essa fidelidade absoluta é exatamente o tipo de vínculo que marcas gostariam de inspirar. Mas não se copia por decreto.

Cecília Russo retoma a discussão pelo lado emocional. Para ela, “as relações que ligam consumidores com marcas são acima de tudo de caráter emocional”. Características físicas e técnicas do produto ou serviço — como o nível técnico dos jogadores — são importantes, porém não sustentam sozinhas a conexão. O que mantém o vínculo é algo mais sutil, simbólico e intangível, que precisa ser cultivado com cuidado ao longo do tempo.

No comentário destacou-se também o papel da identidade. No futebol, o escudo, as cores, o uniforme e a bandeira carregam significados profundos, construídos em décadas de história. No universo das marcas, o paralelo está na identidade visual, no logo, nas embalagens e em todos os elementos que ajudam o consumidor a reconhecer de imediato quem está em campo. Marcas podem se atualizar, como times que lançam novos uniformes a cada temporada, porém sem desfigurar aquilo que é essencial. Quando essa essência é ameaçada, a reação costuma ser forte — e não apenas no estádio.

No fim, o paralelo com o futebol funciona como um espelho: mostra o quanto as marcas ainda estão distantes de construir relações tão sólidas quanto as dos torcedores com seus clubes.

A marca do Sua Marca

A ideia central do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso pode ser resumida assim: se querem torcedores, e não apenas compradores ocasionais, as marcas precisam cultivar vínculos emocionais, cuidar da identidade com rigor e jogar sempre para vencer, não apenas para “não perder”. Como resume Jaime, a expectativa do consumidor não é que a marca jogue pelo empate; é que ela se posicione bem em campo e dê orgulho de torcer por ela.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: três lições que as pequenas marcas ensinam sobre permanência

Imagem: divulgação

A força de uma marca pode estar mais perto do chão da rua do que dos luminosos das grandes capitais. A constatação é de Jaime Troiano, que trouxe para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso as três ideias centrais que pautaram a apresentação dele, ao lado da filha Beatriz Russo Troiano (líder de Estratégia da TroianoBranding), no palco da Latam Retail Show, evento internacional de varejo.

A primeira ideia que surgiu da reflexão sobre as marcas regionais espalhadas pelo Brasil pode ser resumida em uma frase: “A marca sou eu, eu sou a marca.” Isso é resultado da proximidade quase visceral entre empresas locais e seus consumidores. A fronteira entre quem produz e quem compra é tão curta que, muitas vezes, há sempre alguém da família, do bairro ou da rua que já trabalhou ali. Esse vínculo não se inventa em área de marketing; nasce da convivência.

Memória vale mais que disputa por atenção

Jaime trouxe outro ponto central: a corrida por atenção no mundo digital não garante memória. Ele descreveu o bombardeio de estímulos que enfrentamos — stories, reels, notificações, prateleiras de supermercado. Nesse ambiente ruidoso, marcas regionais mostram um caminho simples e eficiente: entrar na memória é mais poderoso do que disputar segundos de atenção. Para ele, marcas fortes, ainda que pequenas, são feitas de rastros emocionais.

Cecília Russo apresentou a terceira ideia para entender o que essas marcas, muitas vezes escondidas do grande público, têm a ensinar: “Quando a empresa carrega como parte da sua razão de ser a família, a essência da marca não é apenas estratégia: é legado.” Muitas empresas regionais nascem de vínculos familiares, e isso altera tudo. A marca é tratada como uma história que não pode ser traída. Evolui, mas não rompe suas raízes. O exemplo das Balas de Banana Antonina, no Paraná, ilustra bem esse espírito: criadas há 50 anos por pai e filho, carregam até hoje a mesma alma.

Essa combinação de proximidade, memória e legado revela uma provocação: e se o futuro das marcas não estiver no tamanho, mas na profundidade da relação que criam?

A marca do Sua Marca

O comentário deixa uma síntese clara: marcas regionais ensinam permanência, fidelidade e respeito às próprias origens. Como disse Jaime, Golias sempre tem algo a aprender com David.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a Fórmula 1 acelera fora das pistas

Divulgação/Warner Bros. Pictures

O ronco dos motores da Fórmula 1 agora ecoa também em Hollywood. O filme estrelado por Brad Pitt, inspirado no universo das corridas, ultrapassou a barreira dos autódromos e conquistou o público dos cinemas e do streaming, transformando velocidade em narrativa e emoção em estratégia de marca. Este foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Cecília Russo contou que o interesse pelo filme começou por uma lembrança pessoal. “Minha memória afetiva em relação à Fórmula 1 é enorme, por conta do meu pai, que era um fã maluco pelas corridas.” Ela destacou que o sucesso da produção está em sua capacidade de ampliar o alcance da marca. “O filme não apenas mostra corridas, ele expande o universo da Fórmula 1 para públicos que talvez nunca tenham assistido a uma prova.” Segundo Cecília, a Fórmula 1 é hoje uma das plataformas de branding mais valiosas do mundo, com carros que funcionam como vitrines ambulantes para empresas de tecnologia, telecomunicação e serviços.

Jaime Troiano observou que a força da Fórmula 1 vai além das máquinas. “Na Fórmula 1, pilotos viram marcas vivas. Hamilton, Senna, Schumacher — cada um é mais que atleta, é um símbolo, um ideal de realização.” Ele acrescentou que o filme cria “uma narrativa aspiracional, misturando real com o ficcional e ampliando o desejo das pessoas de se aproximarem desse universo”. Para Jaime, o sucesso financeiro e simbólico da Fórmula 1 — avaliada em cerca de 25 bilhões de dólares — mostra o poder de marcas que se mantêm ativas, renovando suas histórias.

A marca do Sua Marca

A lição deixada pelo comentário é clara: até as marcas mais fortes precisam se reinventar para continuar relevantes. A tradição é um combustível poderoso, mas não basta sozinha. Para seguir na dianteira, é preciso acelerar na criação de novas narrativas, emocionar em diferentes plataformas e conquistar públicos além das pistas.

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