MMA é arte marcial?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Diante da cena como a de Las Vegas no domingo quando um chute de Anderson Silva acertou o fêmur de Chris Weidman e gerou a impressionante imagem da perna quebrada de Silva, se intensificou o questionamento do MMA Mixed Martial Arts como esporte. Originário da antiguidade, primeiro na Grécia, como antigo combate olímpico chamado de Pankration, depois em Roma, evoluiu mais tarde como a luta Greco-Romana. Entretanto sua base veio com a família Gracie com a Luta Livre ou ValeTudo, no ano de 1920. Porém, somente em 1993 os Gracie levaram o Vale Tudo aos Estados Unidos, onde se criou o UFC Ultimate Fighting Champhionship, entidade com a função de conduzir o MMA que seria a fusão do boxe, do karatê e do judô, preconizada por Bruce Lee no início dos anos 70, antevendo a excelência do lutador que usasse as técnicas conjuntamente. Na verdade o Jiu Jitsu de Carlos Gracie e Helio Gracie, e as técnicas marciais japonesas resultaram no MMA, que em 2005 teve o reconhecimento da US Army.

 

Como se pode observar o Brasil, país do futebol, é também o país do MMA e de esportes marciais. Fato comprovado pelos antecedentes e pela audiência. A luta fatídica de Las Vegas, transmitida de madrugada e com atraso, teve 15 pontos de média e 65% de participação nas TVs ligadas. Uma performance de novela, pois as novelas “Jóia Rara” e “Além do Horizonte” marcaram 16 pontos.

 

Ainda assim, estão surgindo pressões em cima do fato do MMA. Basicamente alegando que a justificativa de arte marcial não se sustenta, pois não há o embasamento central, que é o equilíbrio de corpo, mente e alma. Seria, portanto uma técnica de treinamento, objetivando apenas a derrubada do adversário, ao mesmo tempo em que as regras visam o espetáculo.

 

Ontem, José Mentor deputado federal PT SP se manifestou sobre o seu projeto de proibição para transmissão por TV aberta e fechada de lutas do MMA, alegando a falta de filosofia e o objetivo exclusivo de agressão. Alguns jornalistas também apresentaram argumentos negando o espírito esportivo da modalidade e ressaltando o objetivo agressivo da luta.

 

Diante do aspecto cultural nacional e principalmente do objetivo especifico do MMA, que é o resultado financeiro, acho difícil mudar alguma coisa neste momento. Silva embolsou US$ 600 mil e Weidman US$ 400 mil, enquanto as TVs e patrocinadores lucraram com a audiência. Pessoalmente prefiro ver Sharapova contra Ivanovici. Sem filosofia mas com anatomia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.