Por Carlos Magno Gibrail
O retrato do Brasil tirado pelo IBGE cortou um dos personagens da foto. Apareceu o Trabalho e faltou o Capital. Marx não deve ter gostado nada disso.
Na verdade nem Eduardo Pereira Nunes, pois o IBGE investigou 391.868 pessoas em 150.591 domicílios por todo o país a respeito de sete temas: dados gerais da população, migração, educação, trabalho, família, domicílios e rendimento. Quantidade para ninguém botar defeito.
Entretanto a interpretação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE 2009 tem tido as mais diversas e contraditórias conclusões.
Portanto, os números tais quais as palavras, podem ser mal entendidos ou até mesmo ignorados.
Lucianne Carneiro de O GLOBO: “Queda forte no desemprego, com a menor taxa em 12 anos e avanço na qualidade das vagas , ainda que acompanhada de um recuo pequeno na desigualdade no trabalho. Uma taxa de analfabetismo sem grandes mudanças e que ainda atinge 10% da população, ou 14,2 milhões de pessoas. Mais acesso a bens e à infraestrutura, inclusive à internet em casa. E uma população que continua envelhecendo. O estudo realizado é o mais amplo levantamento feito sobre temas como população, educação, trabalho, habitação e acesso a infraestrutura e bens no Brasil”.
Zero Hora, mantendo o regionalismo característico: “Os computadores e a telefonia celular estão entrando com velocidade de banda larga nos lares gaúchos e brasileiros. Em apenas cinco anos, mais do que dobrou a proporção de domicílios com micros, e o acesso à internet e telefone móvel no Estado e no país. Somente entre 2007 a 2008, 130 mil novas residências gaúchas ficaram online. No total, o Estado tinha no ano passado 904 mil residências conectadas à rede mundial de computadores – 500 mil a mais do que em 2003. Isso significa que um em cada quatro lares riograndenses abrigava um computador com acesso à internet. No Brasil, 18 milhões de casas contavam com um PC, 13,7 milhões dos quais navegavam pela web”.
Paulo Henrique Amorim comemorou: “O emprego subiu 2,8% de 2007 para 2008.. Quem puxa é a construção civil, que cresceu14% em um ano e criou 900 mil novos postos de trabalho. O crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, em um ano, foi de 33%.. Aumentou o contingente de trabalhadores com 11 anos ou mais de de estudos. Aumentou o número de domicílios ligados à rede de esgotos. O crescimento do acesso à internet é espantoso foi de 20% EM UM ANO ! O rendimento real do trabalho subiu 1.7%.. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda, melhorou: passou de 0,57 em 2001 (governo FHC) para 0,52 em 2008. O rendimento real do trabalho subiu 1.7%. 97,5% das crianças entre 6 e 14 anos estão na escola.. A maioria dos brasileiros se considera ou negra ou parda. A elite branca de olhos azuis – e separatistas, no caso de São Paulo vai ficar nervosa .Ou seja, a política social do Governo Lula é um sucesso. O Jornal Nacional não conseguiu esconder isso. Limitou-se a encerrar uma segunda reportagem com um casal de desempregados (quando o aumento do emprego foi significativo). Ou seja, bye-bye Serra 2010″.
“Desigualdade cai; renda e emprego avançam”, Antonio Góis da Folha.
“Desníveis regionais marcam pesquisa”, João Sabóia da Folha.
“3,8 milhões deixam pobreza com alta do emprego”, Folha sucursal do Rio.
Mas, Clovis Rossi na mesma Folha, adverte “A mídia compra acriticamente a lenda da queda da desigualdade, o que é uma versão incompleta da realidade”. E insere João Sicsú, economista do IPEA: “O GINI mede a diferença entre as rendas que remuneram o trabalho, portanto, não leva em conta as rendas do capital, juros e lucro”. Passa a palavra ao presidente do IPEA , Marcos Pochmann: “A parte da renda do conjunto dos verdadeiramente ricos afasta-se cada vez mais da condição do trabalho, para aliar-se a outras modalidades de renda, como aquelas provenientes da posse da propriedade (terra,ações,títulos financeiros, entre outros)”.
Marx deve ter gostado disso, mas a foto ficou mesmo sem a parte do Capital. Ano que vem talvez não esqueçam o ilustre esquecido.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Milton Jung
