Mundo Corporativo: Fernando Bevilacqua, da Eaton, analisa desafios da energia inteligente e da formação de equipes de alta performance

Reprodução do vídeo no YouTube do Mundo Corporativo

“Nós estamos numa era da hipercolaboratividade. E eu tenho que estar aberto para enxergar essas oportunidades.”
Fernando Bevilacqua, Eaton

A transição energética não depende apenas de novas fontes de geração ou de equipamentos mais modernos. Segundo Fernando Bevilacqua, diretor do setor elétrico da Eaton no Brasil, a eficiência do sistema passa também pela gestão do conhecimento, pela liderança de equipes multidisciplinares e pela formação técnica. Ele afirma que, mesmo num setor movido por tecnologia, a transformação depende de gente. “Se eu fosse falar, eu acho que hoje trabalho 80% com pessoas e 20% com parte técnica”, diz na entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A Eaton atua na gestão inteligente de energia elétrica, com soluções para garantir eficiência, segurança e continuidade. A empresa está presente principalmente em setores como data centers, concessionárias e estruturas críticas — “onde a gente não pode ter nenhuma falha de energia”, resume Bevilacqua. Segundo ele, isso exige cada vez mais integração entre equipamentos e softwares capazes de antecipar falhas. “Imagina só, quando você tem muita energia funcionando, você vai ter ali aquele ponto quente. Então temos sistemas que medem a temperatura para prever potenciais falhas no equipamento.”

Energia limpa, dados e pessoas

O avanço dos data centers no Brasil, impulsionado pela inteligência artificial, é uma das tendências apontadas por Bevilacqua. Segundo ele, o país ganha relevância internacional nesse cenário por combinar “disponibilidade energética” e “uma matriz majoritariamente renovável”. Mas o executivo chama atenção para o próximo desafio: “Você não tem sol 24 horas por dia, mas utiliza energia o tempo todo. Por isso, o armazenamento se torna fundamental”.

Essa mudança, explica, traz implicações diretas na gestão e na forma de liderar. “Hoje, a visão de você ter um grupo que colabora entre si, com objetivos claros, é a pedra fundamental. Depois vem a cultura — de resultados, de respeito, de integridade”, afirma. A Eaton incorporou práticas de metodologias ágeis e squads para acelerar a entrega de soluções e fomentar a colaboração, mesmo em contextos com trabalho remoto. “Nós criamos um modelo em que pessoas atuam de forma paralela, com foco em projetos estratégicos”, afirma.

Bevilacqua também falou sobre o compromisso da empresa com a redução da própria pegada de carbono e das soluções voltadas à sustentabilidade. “Toda energia consumida nas nossas fábricas no Brasil vem de fontes renováveis. E temos painéis livres de SF6, um gás que é nocivo ao meio ambiente.” Ele destaca ainda que 100% das baterias usadas nos no-breaks são recicladas e que a empresa mantém pontos de descarte de lixo eletrônico.

Ao fim da entrevista, Bevilacqua voltou ao ponto de partida: o valor do conhecimento técnico como porta de entrada para o setor elétrico. “Se eu tivesse que dar só um conselho, seria esse: faça um curso técnico. Ele te dá base e, mais importante, te ajuda a entender se você está no lugar certo.” Ele relembra sua própria trajetória, iniciada ainda na escola técnica federal, e encoraja os jovens a buscar formação. “Nós estamos sempre atrás de grandes talentos.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: para ter eficiência energética é preciso entender onde estão os gastos, diz Marcelo Xavier, da GreenYellow

Reproduçao do vídeo do Mundo Corporativo

“Nada resiste ao trabalho. As oportunidades vão passar na sua frente diversas vezes, então você tem que estar preparado para elas.”

Marcelo Xavier, GreenYellow

Reduzir o consumo antes de investir em novas fontes de energia. Esse é o princípio básico que deveria guiar empresas em busca de eficiência energética, mas nem sempre é o caminho seguido. “Muitas vezes, as empresas pensam em colocar um telhado fotovoltaico sem olhar para as máquinas. Você acaba superdimensionando sua necessidade de energia, sendo que poderia reduzir o consumo antes”, afirma Marcelo Xavier, diretor-presidente da GreenYellow no Brasil. A gestão eficiente da energia e a transição para fontes renováveis foram tema da entrevista ao Mundo Corporativo.

Eficiência energética: por onde começar

O conceito de eficiência energética, segundo Xavier, se divide em duas frentes principais: redução de consumo e geração de energia renovável. “O primeiro passo é fazer um diagnóstico, entender onde estão os grandes gastos e otimizar os sistemas”, explica. A empresa atua identificando pontos de desperdício em processos como iluminação, refrigeração e climatização, realizando substituições e modernizações para minimizar custos e aumentar a eficiência.

Além disso, a transição para fontes renováveis deve ser feita de forma estratégica. “Reduzimos o consumo, depois dimensionamos a necessidade de geração com fontes renováveis, como energia solar”, destaca. Modelos de geração distribuída, em que usinas solares atendem unidades consumidoras remotamente, cresceram no Brasil nos últimos anos, mas agora enfrentam desafios com a redução de incentivos. A tendência, segundo o executivo, é investir em geração próxima ao consumo e em soluções híbridas, com armazenamento de energia.

O papel da comunicação na transição energética

Além dos desafios técnicos, Xavier ressalta a importância da comunicação no processo de eficiência energética. “A maneira como o comercial transmite a informação para um cliente pode definir se uma venda será feita ou não. Clareza e objetividade são fundamentais”, afirma. Dentro da empresa, ele vê a comunicação como uma peça-chave para alinhar as equipes e garantir que as estratégias sejam implementadas de forma eficaz.

A mudança para um modelo de energia mais descentralizado e digitalizado também exige uma evolução na mentalidade do empresariado e do setor público. “O Brasil tem todo o potencial para ser líder global em transição energética, mas ainda engatinha. Falta educação corporativa sobre o tema e mais incentivos governamentais”, aponta Xavier. Ele cita o exemplo de países europeus, onde os galpões logísticos já são projetados para receber painéis solares, enquanto no Brasil ainda há resistência e barreiras estruturais.

Para os profissionais que ingressam no mercado, Xavier deixa um conselho direto: “A gente estuda algo e imagina que vai trabalhar com isso para sempre. Mas isso não vai acontecer. Oportunidades surgem o tempo todo, e você precisa estar preparado para elas”.

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