Mundo Corporativo: Newton Campos fala dos mitos do empreendedorismo

 

 

O dono de um carrocinha de cachorro quente pode ser um empresário ao oferecer seu produto no ponto de venda, mas somente será empreendedor se inovar no seu negócio, seja na maneira de fazer a salsicha, de vender o cachorro quente ou de atender seus clientes. Essa é uma das formas encontradas pelo professor Newton Campos, da IE Business School, em Madri, e da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, para mostrar o que é essencial para que você realmente seja considerado um empreendedor, conceito que, segundo ele, vem sendo avaliado de forma distorcida nos últimos tempos. A intenção dele é combater os mitos que existem em torno do assunto e mostrar que “você não é empreendedor, você está empreendedor ao menos enquanto a inovação que você se dispôs a implementar estiver sendo percebida como inovação pelos demais”. Autor do livro “The Myth of the Idea and the Upsidedown Startup”, Campos foi entrevistado pelo jornalista Milton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

De semente


Por Maria Lucia Solla

Zeus at Versailles

Ouça De Semente na voz e sonorizado pela autora

Estamos muito afastados do divino, e é urgente que esse elo seja restabelecido. Eu não saberia dizer como nem quando começamos a nos afastar, mas tenho pistas do afastamento, e pistas da reaproximação.

Para começar, há muito ignoramos os mitos; a ponto de lançarmos olhares enviesados, quando alguém fala de Afrodite, Atena, Cronos ou Hermes. Desprezamos o passado como se fosse bagaço, sem perceber que é na estrada esculpida por ele que eu e você caminhamos aos tropeços, por não conhecer seu traçado.

Atena é intelectual; mais cabeça do que corpo. Afrodite, ou Vênus, tem o cetro do amor e da beleza, enquanto Apolo é um deus artista que se guia pela intuição. Só para dar uma provinha do que é o Panteão.

Deletamos os deuses e usurpamos seus atributos, como crianças mimadas que roubam o Ferrari do papai e se esborracham na primeira curva. Substituímos os deuses que nos serviam de bússola, por máquinas e outras traquitanas.

Conhecendo deuses, seus mitos, suas histórias encontramos as pistas que procuramos para compreender os nossos homens, e eles podem entender a que viemos, nós as mulheres, se conhecerem um pouco das deusas.

A mulher esqueceu que representa a vida, para onde ela traz o homem, e quer ser reconhecida por algo que nem mesmo sabe o que é. Assim segue cambaleando, batendo a cabeça, feito galinha-sem-cabeça zanzando pelo terreiro, antes de mergulhar na panela. Segue sem decidir se se orgulha de ser o que é ou se quer parecer ser o que não é.

Os povos que nos precederam criaram mitos e os presentearam de geração em geração, como mantras, como oração; e nós, com toda a modernidade, esquecidos do Paraíso, em vez de abraçarmos uns aos outros, espalhamos pela Terra incompreensão e ganância, desde a mais tenra idade. Sonegamos amor; e amor é como água, se não deságua inunda, e se inunda mata.

Ah, Zeus, pai de deuses e homens, aí do teu trono no Olimpo, olha por nós que nos colocamos assim, de próprio desejo, em total abandono.

Ah, Cronos, deus do tempo e da responsabilidade, faz que percebamos da vida a finalidade.

Netuno senhor dos mares, faz que entendamos que a turbulência é só na superfície; nas profundezas de mares e amares há mais beleza que tristeza.

Somos universos em miniatura; contemos tudo, o universo inteiro, o mesmo celeiro que encontraríamos, se tivéssemos acesso aos universos fora de nós.

e na chegada do natal

agradeço pela vida

pelas vidas que gerei

pelas geradas por elas

e por todas as que fisicamente

não conhecerei

as vidas que geraram a minha

quero também agradecer

pelo que desde o início dos tempos

me permitiram perceber

Παν = todo – θεοσ =deus – Pan + Téos = Panteão.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung