Mundo Corporativo: Leandro Faria, da CBA, destaca os dois grandes desafios da COP27

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“É fundamental dizer que o efeito da mudança climática já acontece hoje, e a ação precisa ser já”

Leandro Faria, CBA

A presença de empresas e indústrias tem aumentado nos debates sobre as mudanças climáticas da mesma forma que cresce a responsabilidade da iniciativa privada no cumprimento de metas e normas discutidas na conferência do clima —- como a COP27, que se inicia neste domingo, no Egito. Essa maior participação se dá porque o setor produtivo está convencido de que as mudanças são relevantes para a sustentabilidade dos negócios, de acordo com Leandro Faria, gerente geral de sustentabilidade da CBA — Companhia Brasileira de Alumínio, em entrevista ao Mundo Corporativo.

“O Fórum Econômico, por exemplo, posiciona a mudança do clima ou o combate aos efeitos de mudança climática como o principal risco na matriz de riscos global. Então, dito isso, é fundamental que empresas que na sua atividade influenciam a mudança do clima se preparem para contribuir”

A conferência do clima é o maior evento de negociações da pauta climática do mundo. As diretrizes e acordos negociados entre nações e organizações sociais e empresariais influenciam diretamente as tomadas de decisão das corporações. Para este ano, a expectativa é enorme porque será o primeiro encontro desde que se superou a pandemia da Covid 19 e, ao mesmo tempo, se enfrenta um crise energética provocada pela Guerra da Rússia na Ucrânia:  

“Nós esperamos especialmente para esse ano da COP27 que mecanismos e métodos, do mercado de carbono e do sistema de financiamento de descarbonização, avancem”.

O processo de descarbonização deve acontecer através da redução das emissões de carbono, passando de uma economia baseada em combustível fóssil para combustível renovável; na implementação de tecnologias que removam da atmosfera carbono que já esteja presente; e através da adaptação daquelas regiões afetadas pelas mudanças climáticas:

“Por exemplo, há regiões onde ocorre a produção de alimentos que sofrem atualmente com a alteração do ciclo de chuva que cria condições difíceis ou reduze a produtividade. Será preciso, então, realizar a adaptação desse cenário para que os impactos que hoje nós já sentimos sejam mitigados ou eliminados ao longo dos próximos anos”.

De acordo com Leandro Farias, a descarbonização é um eixo central na estratégia da Companhia Brasileira de Alumínio e, atualmente, já se produz alumínio com impactos cinco vezes menores do que a média global. Isso significa dizer que a CBA emite 2,56 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio produzido enquanto a média mundial no setor é de 12,8 toneladas. A meta da companhia é ainda reduzir em 40% as emissões, alinhando-se as ambições da COP de alcançar a neutralização no futuro.

O financiamento para que haja a transição para uma matriz energética mais renovável é fundamental, segundo Leandro. Será necessário encontrar uma solução a despeito das restrições orçamentárias, porque o custo das mudanças climáticas é muito maior — calcula-se que tenha atingido US$ 170 bilhões, em 2021. De forma prática, no primeiro semestre deste ano, a onda de calor na Europa causou preocupação em relação a dilatação dos trilhos ferroviários. Imagine o tamanho das perdas em caso de paralisação deste tipo de transporte no continente.

“(neste tema) é relevante a participação do alumínio, porque o alumínio está presente no painel solar, na pá eólica e na redução de peso de veículos que permitirá sua eletrificação. Então, é fundamental que mecanismos de financiamento criem um espaço para que a indústria possa buscar condição de reduzir ou de diversificar essa matriz energética”. 

Assista à entrevista completa no Mundo Corporativo e saiba a opinião de Leandro Farias, gerente geral de sustentabilidade da CBA, sobre a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas, as principais fontes de emissão de carbono e soluções que a companhia tem buscado para colaborar nesse enorme desafio que o mundo tem pela frente.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Adaptação, mudança e coragem para combater enchentes

 

Debate na CBNSão Paulo tem jeito e recursos para enfrentar as enchentes, concordaram os três convidados do debate promovido pelo CBN SP, neste sábado. Há necessidade de se adaptar às mudanças do clima e rever nosso comportamento, disseram eles. Nem todos se entenderam, porém, quando o assunto era saber se as medidas que estão sendo adotadas seguem o caminho certo.

Em torno da mesa do estúdio que discutou “Ambiente urbano e mudança climática”, duas visões contaminadas pelo pensamento político, sim, mas muito bem intencionadas e embasadas: Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, ligado ao PV, e Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-vereador do PT. Ao lado deles, um técnico disposto a mostrar que há tecnologia e conhecimento sendo desenvolvidos, professor Hélio Diniz, do Instituto de Geociência da USP.

Eduardo Jorge deixa claro que se a discussão é sobre a mudança do clima não há tempo a perder, chegou duas horas antes do programa. Aproveitou para colocar em dia vários e-mails pendentes. Na camiseta desbotada, um recado: o meio ambiente é o equilíbrio. O professor Hélio fez aquecimento antes do debate ao explicar para o pessoal da redação o que leva a terra se mover a ponto de causar a tragédia assistida na área serrana do Rio. E Nabil Bonduki chegou quando todos estavam no estúdio e disposto a apontar erros das administrações municipal e estadual no combate às enchentes.

Com números e ações, o secretário Eduardo Jorge se esforça para mostrar as diferenças no comportamento dos governos paulista e paulistano com os do Rio de Janeiro diante da mudança do clima. Disse que enquanto na capital paulista foram removidas cerca de 20 mil famílias de áreas de risco, em seis anos, na serra fluminense tiraram apenas dez famílias.

Mesmo com estes dados, o problema na capital ainda é grave. Levantamento do IPT que não está à disposição do público mostra que ainda existem 29.993 famílias morando em 407 áreas de risco, informa o secretário.

Bonduki lembra que a prefeitura erra ao promover a saída das famílias através do pagamento de aluguel social. Segundo ele, é preciso políticas habitacional e fundiária para impedir que estes deixem uma área de risco por outra.

Pouco depois, o repórter Juliano Dip relata que encontrou famílias que viveram esta situação no Jardim Romano. Ficaram alagados ano passado, perderam a casa, receberam o aluguel social e se mudaram para o Jardim Pantanal. Estão alagados de novo.

E como o assunto é ocupação do solo, o professor Diniz comenta que fez pesquisa no Vale do Paraíba e identificou que 99% das estradas vicinais foram construídas ao lado do rio, em local impróprio e arriscado. Uma lógica que também marcou o desenvolvimento da capital paulista com avenidas sendo instaladas sobre e na várzea dos rios e córregos.

Foi a oportunidade para Eduardo Jorge alertar para a construção de parques lineares e o risco que mudanças no Código Florestal podem trazer para o ambiente urbano. Na réplica, Bonduki criticou o investimento na Nova Marginal que impermeabilizou a região e beneficiou o transporte individual.

Antes de encerrar perguntei sobre qual seriam as prioridades no combate às enchentes:

Eduardo Jorge

– Remover as quase 30 mil famílias de áreas de risco

Nabil Bonduki

– Políticas habitacional e fundiária para reduzir a especulação imobiliária e baratear o preço da terra;
– Desestímulo ao uso do automóvel com investimento em corredor de ônibus;
Liberar fundos de vales

Hélio Diniz

– Criação de selo verde para infraestrutura, ou seja obras apenas com respeito ao meio ambiente.
– Armazenamento da água da chuva

Acompanhe o debate nos links a seguir:

Governo promove ações para evitar o efeito estufa, diz Eduardo Jorge

Ações do governo são paliativas, critica Nabil Bonduki

Viabilização de Plano Diretor de Macrodrenagem é importante para evitar enchentes, afirma professor Diniz

Quais são as prioridades para evitar novas enchentes ?

E por falar em mudança do clima

 

Neve em Connecticut

“Nunca vi neve antes do Hallowen”, disse entre espanto e consternação a atendente de um pequeno comércio na cidade de Ridgefield, no estado americano de Connecticut, na tarde de quinta-feira. O fenômento se repetiu nesta sexta-feira, pegando de surpresa muitos dos moradores da localidade. Verdade que a moça não é tão velha assim, mas o fato dela jamais ter visto nevar tão cedo, talvez seja apenas mais um sinal de que clima não é mais aquele.

Vá ao álbum do Flickr e veja mais fotos da neve desta semana, em Connecticut

Prepare-se para o Blog Action Day’09

 


Clique aqui para ver o vídeo do Blog Action Day’09

Você está convidado a participar do Blog Action Day’09 que nesta edição vai tratar do tema “mudança climática”. Durante o dia 15 de outubro, próxima quinta-feira, cerca de 4 mil e 400 blogs de 125 países estão comprometidos em publicar ao menos um post sobre o assunto criando uma enorme rede global e provocando a reflexão sobre o tema que tem preocupado as nações.

Será uma oportunidade de propor diferentes visões às vésperas das negociações internacionais sobre o clima em Copenhague, em dezembro.

Aqui no Blog do Mílton Jung, a ideia é repetir a experiência do ano passado quando os ouvintes-internautas foram os protagonista do evento, enviando textos, frases e fotos sobre a pobreza – tema de 2008. Nesta edição, vamos além: o assunto vai nos pautar, também, no CBN São Paulo. Rádio e blog juntos falarão sobre as mudanças no clima e seus efeitos na nossa vida.

Se você já tiver algum material sobre o tema envie para milton@cbn.com.br.

Caso tenha um blog, inscreva-se no site do Blog Action Day’09 e passe a fazer parte desta rede, também. Para conhecer melhor a proposta veja este vídeo. E acompanhe as informações pelo Twitter, também.

Blog Action Day 2009 será sobre a mudança do clima

 

Dedos no teclado e câmera em punho. O tema da 2a. edição do Blog Action Day está escolhido: a mudança climática. Todos são convidados a blogar sobre o assunto no dia 15 de outubro, participando do maior movimento coletivo da blogosfera. Em 2008, foram mais de 12.300 blogs que falaram sobre pobreza e tiveram até 13 milhões de acessos. De acordo com os organizadores do evento, cerca de 10 mil pessoas votaram este ano. Eu fui voto vencido, pois minha preferência era pelo tema educação.

Aqui no Blog, vamos repetir a campanha do ano passado quando foi aberto espaço para que os ouvintes-internautas enviassem artigos, frases, fotos, charges e vídeos. Naquele trabalho coletivo, conseguimos abrir 20 posts sobre o tema. Confira parte deste material acessando aqui. Espero que a gente supere esta marca em 2009, não apenas no número de posts como, também, na riqueza das informações. Aliás, se quiser pode começar a mandar sua criaça desde já. Envie para milton@cbn.com.br identificando sua mensagem com o nome Blog Action Day.

Se você tem um blog e quer participar do Blog Action Day 2009 se registre no novo site do evento e se comprometa a escrever pelo menos um post sobre a mudança climática, no dia 15 de outubro. Lá no site você encontrará também sugestões de ações que podem ser realizadas em favor do meio ambiente.

Mãos à obra !