Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher! 3

 

Hoje, você lê a terceira é última parte de capítulo que Leny Kyrillos e eu dedicamos à liderança feminina, no livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto). As duas primeiras estão disponíveis também neste blog:

 

Por Leny Kyrillos e Mílton Jung

 

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ilustração de PIXABAY

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher!”

 

E aqui para ler a segunda parte deste capítulo

 

 

Das mulheres, hoje, espera-se a persistência nas diferenças em lugar da cópia de comportamento. Para cometer os mesmos erros que os homens, eles já são insuperáveis. Elas precisam valorizar as qualidades que as caracterizam e se adaptar às situações que precisam ser enfrentadas. As discussões sobre políticas corporativas, por exemplo, são odiadas por boa parte das mulheres, segundo Kathryn Heath, que realizou uma pesquisa para saber do que elas gostam e não gostam nas reuniões de negócio. Na vida, lidamos com vários fatos impertinentes e nem por isso desistimos de seguir em frente. Então, o desconforto diante dos debates em torno das políticas corporativas não pode prejudicar sua carreira.

 

Para ser a primeira mulher a ocupar a sala de editor-chefe em 172 anos de história da The Economist, a mais tradicional revista de economia de língua inglesa, Zanny Minton Beddoes teve de vencer 12 homens que concorriam à vaga. Imagina quanta política ela teve de fazer para chegar lá? Ou você pensa que o histórico dela no FMI e o conhecimento que absorveu em Harvard e Oxford seriam suficientes para vencer a acirrada disputa? Lógico que influenciaram, o conhecimento na área é fundamental, mas sem um bom lobby o cargo estaria, novamente, sob a batuta masculina. Ou seja, da mesma forma que dizem não admirar essa prática, as mulheres sabem da necessidade de se sobrepor a essa disputa e podem aplicar algumas estratégias.

FAÇA VOCÊ MESMO

 

Para as mulheres sobreviverem à política corporativa, segundo Heath:

 

  1. Encontre um agente – assim como jogadores de futebol, ter alguém que “venda seu passe” dentro da empresa, ressalte suas qualidades e defenda seu nome nas discussões internas elimina o constrangimento da autopromoção. O agente também leva vantagens, pois transmite a imagem de alguém altruísta, capaz de trabalhar pelo sucesso de outro.

  2.  

  3. Planeje os cenários – tenha como base o tripé: personalidades, motivações e variáveis. Identifique quem são as pessoas com as quais terá de se reunir, antecipando-se à forma como cada um pode reagir às suas propostas; acrescente as motivações para analisar e comparar o que acredita que cada pessoa espera realizar; e estude as variáveis relevantes que possam influenciar as pessoas enquanto a reunião se desenvolve.

  4.  

  5. Transforme seu mentor em patrocinador – o mentor é uma espécie de conselheiro na carreira, e o patrocinador é quem vai levá-la à frente. Por considerar difícil para as mulheres encontrarem patrocinadores, Heath sugere que se use a proximidade e confiança do mentor para fazê-lo advogar em sua defesa. Porém, não se engane, mentores podem oferecer excelente apoio profissional e emocional; mas, se não estiverem em posição politicamente confortável dentro da empresa, talvez não sirvam para ser um patrocinador da sua carreira.

  6.  

  7. Faça política mais impessoal – mulheres que enxergam a política como um jogo no qual se ganha e se perde são mais resilientes e têm respostas mais inteligentes durante o embate. A discussão não é a favor ou contra uma pessoa, é por ideias e projetos. Para despersonalizar a política, no momento de maior tensão, em que há risco de perda de controle,desvie o olhar de seu oponente, isso ajuda a manter a calma e evita o impulso de partir para o ataque. Contato visual é importante, mas, nesse caso, pode prejudicar você.

  8.  

Uma negociação bem-sucedida nos leva a atingir nossos objetivos e a fazer com que as pessoas continuem nos admirando. Portanto, entre nesses embates sabendo que existem ao menos duas verdades: aquela relacionada ao seu ponto de vista e a do ponto de vista do seu interlocutor. A verdade absoluta é praticamente inalcançável, e saber disso vai ajudar as mulheres a compreenderem melhor o que está em jogo no momento. No mínimo, fará ouvir seu interlocutor, o que é fundamental para que o diálogo se desenvolva e a comunicação seja eficiente. Outro aspecto a ser levado em consideração é que as mulheres aumentam suas chances em uma negociação se passam a imagem de pessoas agradáveis e demonstram preocupação com o outro. Têm de manter o perfil feminino. Em resumo: têm de ser mulher de verdade!

 

A comunicação é privilegiada se, além das palavras e estratégias, soubermos usar a postura a nosso favor. Amy Cuddy, psicóloga da Universidade de Harvard, ensinou que o corpo molda quem somos e podemos nos transformar a partir dele, com efeitos fisiológicos comprovados, desde que atentos ao nosso comportamento e assumindo posições que transmitam confiança. Diante de discussões internas, precisamos reforçar os sinais que caracterizam os líderes, tais como entusiasmo e autoridade.

 

As mulheres já são craques quando o assunto é empatia e simpatia; pesquisas mostram que, apesar de terem a mesma pontuação que os homens no quesito quociente emocional, ganham quando se trata de empatia e simpatia. Então, deve-se investir mais na busca dos fatores que englobam poder e credibilidade. Há gestos que podem ser evitados e movimentos a serem ressaltados, muitos dos quais convenientes para homens e mulheres; alguns, no entanto, que se referem especialmente a elas.

 

Você já deve ter percebido que as mulheres tendem a inclinar a cabeça para o lado quando estão interessadas em um assunto, movimento que pode ser entendido como de atenção ao interlocutor, mas também como de submissão. Para evitar a mensagem ambígua e buscar autoridade, prefira manter a cabeça em posição neutra. Os tornozelos cruzados ao conversarem de pé é outro gesto comum entre as mulheres que pode transmitir a sensação de timidez, quando na realidade essa posição é consequência do uso de sapatos com salto alto. A postura ereta, os ombros para trás, a cabeça erguida e os pés descruzados ampliam o espaço e geram confiança.

 

Lembre-se: as pessoas são frequentemente mais influenciadas pela forma como se sentem em relação a você do que pelo que você está dizendo. Por isso, considere ganhar aquela conversa já no aperto de mão: com firmeza, sem ser agressivo e mantendo contato visual. Sorria, pois o sorriso tem um efeito poderoso sobre as pessoas, estimulando seu próprio bem-estar e transmitindo confiança. Através da ressonância magnética funcional, pesquisadores da Universidade de Duke provaram que o cérebro é mais ativo quando se lembra de pessoas que sorriem

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher!”

 

E aqui para ler a segunda parte deste capítulo

 

Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher! 2

 

Hoje, você tem à disposição a segunda parte do capítulo que Leny Kyrillos e eu dedicamos à liderança feminina, no livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto). É a sequência do texto que reproduzimos nesse domingo, Dia Internacional da Mulher. A terceira parte, você lê amanhã, neste blog:

 

…..

 

Por Leny Kyrillos e Mílton Jung

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de de mulher!”

 

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Ilustração de PIXABAY

 

 

Veja que nem sequer entramos na questão da maternidade, que nos oferecerá mais uma gama de preconceitos a impedir o desenvolvimento das mulheres na carreira profissional. Mães são vistas como menos comprometidas com o trabalho do que mulheres que ainda não tiveram filhos; enquanto os pais são avaliados como mais comprometidos com o trabalho do que os homens que não tiveram filhos. A lógica: mulheres têm de cuidar dos filhos e trabalhar; os homens têm de trabalhar para sustentá-los. Isso posto em dinheiro, torna o cenário ainda mais cruel.

 

Michelle Budig, professora de Sociologia da Universidade de Massachusetts, analisou os salários entre 1979 e 2006, nos Estados Unidos, e comprovou que os homens com filhos têm um “bônus de paternidade” de 6%. Já as mulheres pagam uma “pena de maternidade”, com perdas de 4% em seus ganhos para cada criança que tiverem. É verdade que os homens trabalham mais quando têm filhos, porém Budig descobriu que fatores que podem impactar os vencimentos, como experiência, educação, horas trabalhadas e renda familiar, implicam em apenas 16% desses ganhos para os pais e um terço das perdas para as mães. A maior parte do “bônus de paternidade” e da “pena de maternidade” vem da discriminação. Da maneira como os empregadores pensam e agem no seu cotidiano.

 

Em outro trabalho, no qual foram enviados a centenas de empregadores currículos falsos, que sinalizavam se candidatos eram homens ou mulheres e se tinham filhos, a pesquisadora Shelley Correll, da Universidade de Stanford, constatou que as mães tinham metade da chance de serem chamadas para uma entrevista do que os pais.

Curiosamente, na lista de preferência dos selecionadores, pais eram mais desejados do que mulheres sem filhos, que eram mais desejadas do que homens sem filhos, que eram mais desejados do que as mães.

 

Essa realidade exige mudança de postura dos novos líderes. Nem que seja por pragmatismo: é preciso entender que, se as mulheres perdem não conseguindo elevar-se na hierarquia, a empresa perde mais ainda. A começar por impedir que ideias qualificadas mudem processos e comportamentos, além de abrir mão de características essenciais às empresas modernas: capacidade de ensinar, interagir, educar, relacionar-se e trabalhar em equipe. Características para as quais as mulheres são muito mais incentivadas em sua formação do que os homens, lembra Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza. A empresária entende que é preciso assumir a feminilidade em cargos de chefia e mostrar que é possível ser tão ou mais competente, sem adotar os padrões convencionais de administração feitos por homens e para homens.

 

Pesquisas mostram que, quando se trata de ter habilidades para liderança, embora os homens sejam mais confiantes, as mulheres são mais competentes. Sandberg e seu colega de análise, Grant, garantem que “startups lideradas por mulheres são mais propensas a ter sucesso; empresas inovadoras com mais mulheres no comando são mais rentáveis; e empresas com mais diversidade de gênero têm mais receita, clientes, participação no mercado e lucros”. Ou seja, ao abrir mão do seu preconceito, além de se tornar uma pessoa melhor, você ainda vai ganhar dinheiro com isso. Essa ideia, somada à visão da opinião pública em relação à capacidade de liderar das mulheres, demonstrada na pesquisa da Pew Research Research Center, pode, porém, ainda não ser suficiente para a transformação de que necessitamos.

 

A revolução feminina no ambiente de trabalho exigirá mudança nos métodos e na comunicação também. É preciso que se criem estratégias que provoquem a participação das mulheres, gerando condições para que elas se apresentem e tragam sua capacidade de comando. Sandberg propõe que se privilegie ideias em vez de seus criadores, permitindo que, por exemplo, projetos de inovação sejam apresentados anonimamente para que a questão de gênero não influencie as opiniões dos selecionadores. Como isso é possível apenas em algumas etapas, lembra da solução adotada por Mazzara, do The Shield, que proibiu interrupções enquanto qualquer pessoa falasse nas reuniões. Resultado: o trabalho de toda a equipe ficou mais eficiente. Devemos privilegiar a fala feminina dentro das empresas e em suas diversas situações de diálogo.

 

A comunicação é importante nessa quebra de paradigma, com os líderes assumindo um novo discurso dentro das empresas. Para entender como o poder da linguagem é capaz de mudar o comportamento, conheça a experiência do professor Robert Cialdini, da Universidade do Estado do Arizona, um dos maiores especialistas em persuasão do mundo. O desafio dele era convencer os visitantes do Parque Nacional da Floresta Petrificada (Petrified Forest National Park) a não tirar pedaços da madeira das árvores que estão no local. Primeiro, colocou-se um aviso: “Muitas pessoas roubam a madeira petrificada do parque, mudando as condições da floresta”. Após algum tempo, percebeu-se que a taxa de roubo ficou em 5%. Criou-se outro anúncio: “Sua herança está sendo vandalizada; o roubo de madeira petrificada a cada dia resulta na perda de 14 toneladas por ano; a maior parte tirada em pequenos pedaços”. Surpresa: a taxa subiu para 8%. Os visitantes extraíram do alerta a mensagem de que todos roubam pedaços de madeira, ou seja, era algo comum de acontecer. O objetivo somente foi alcançado quando a mensagem se tornou clara e objetiva: “Por favor, não remova a madeira deste parque”. Os roubos despencaram para 1,67%.

 

Na escola de Administração da Universidade da Pensilvânia, Adam Grant apresentou dados nas salas de aula e promoveu discussões públicas para resolver o problema da baixa representatividade das mulheres em cargos de liderança, mas bastaram cinco meses para perceber que não houve alteração no percentual de alunas do MBA que se candidataram a uma posição de destaque no campus. No ano seguinte, trabalhou com os mesmos dados, mas acrescentou uma mensagem: “Eu não quero nunca mais ver isso acontecer novamente”. Houve aumento de 65% no número de estudantes do sexo feminino interessadas em assumir papel de líder. As mensagens impositivas funcionaram mais do que as descritivas.

Sempre que se isola a mensagem de que a maioria das pessoas reconhece a existência do preconceito ou que demonstra que a prática é frequente, sinaliza-se que tal comportamento é normal. Todo mundo faz isso! O mundo é assim! São mensagens ambíguas, que geram conformidade, segundo Cialdini. Para ele, as intervenções persuasivas devem empregar informações e técnicas que marginalizem em vez de normalizarem a conduta indesejável. Os pesquisadores sugerem que se explicite a desaprovação. Os novos líderes têm de assumir esta postura: o preconceito é inaceitável, vamos acabar com essa praga!

Por curiosidade: a Cori, empresa de confecção, encomendou uma pesquisa para saber qual a imagem da calça comprida feminina no contexto do consumo, em 1962, época da implantação da indústria da moda no Brasil. O produto não era muito bem-visto pelos conservadores. Mulher que se prestava só usava saia! – diziam. A Marplan, empresa que realizou o estudo, descobriu que as mulheres aprovavam a calça comprida por ser confortável e, acima de tudo, indumentária indispensável para enfrentar seu concorrente no mercado de trabalho: o homem. O tempo fez com que o terninho ganhasse espaço no guarda-roupa feminino, e as mulheres, no comando das empresas e dos países. Atualmente, as que estão nos altos escalões podem até se dar ao luxo de voltar às saias.

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de de mulher!”

Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher!

 

Em 2015, com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, publicamos o livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto), no qual falamos da liderança feminina, entre outros assuntos. Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, reproduzo, a partir de hoje, neste blog e em meu perfil do Linkedin, alguns trechos do texto com informações que nos ajudam a pensar como devemos agir para que a mulher tenha relevância, também, nas decisões corporativas:

 

Por Leny Kyrillos e Mílton Jung

 

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Ilustração PIXABAY

 

É coisa de mulher, sim! E é bom que os homens saibam disso! Afinal, a promessa de igualdade de gênero está mais próxima quando o assunto é liderança. Ok, sem muito entusiasmo! Está, ao menos, muito mais próxima do que no fim do século passado – o que nem faz tanto tempo assim, convenhamos. Em 1995, só nomes masculinos apareciam no topo da lista de comando das 500 maiores empresas americanas listadas pela revista Fortune. Duas décadas depois, já havia 26 mulheres ocupando o cargo de CEO nessa privilegiada seleção de empresas. Mary Barra, na GM, Meg Whitman, da HP, Ginni Rometty, na IBM, foram algumas das que chegaram ao topo e nos ilustram a mudança que está em curso. Também nos revelam que o sucesso delas ainda é motivo de surpresa para muitos de nós, como se a presença de mulheres em cargos de liderança fosse algo exótico.

 

A mudança existe, mas é ainda pouco expressiva se levarmos em consideração que as mulheres representam apenas 5,2% dos CEOs Fortune500. Ao olhar as estatísticas no Brasil, percebemos que a presença delas é ainda menor, pois somente 3,4% dos CEOs são mulheres, de acordo com o Núcleo de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Alguns especialistas entendem que a tendência é que essa transformação se aprofunde nos próximos anos considerando a quebra de paradigma provocada especialmente pelas empresas de tecnologia: setor inovador, pouco contaminado pelas práticas gerenciais (e masculinizadas) do passado, o qual estaria se mostrando mais adepto à diversidade. No entanto, dados recentes mostram que a proporção de mulheres em empresas de software e computação caiu de 34%, em 1990, para 27%, em 2011, no Vale do Silício. Além disso, das empresas de alta tecnologia criadas em 2004, apenas 1% foi fundada por mulheres.

A nos proporcionar boas perspectivas em relação à ascensão feminina nas empresas está a opinião pública mais favorável às mulheres. Um relatório do Pew Research Center, publicado em 2015, mostra que a maioria dos americanos acredita que as mulheres são tão capazes de serem bons líderes quanto os homens. Em qualidades relacionadas à liderança, tais como inteligência e poder de inovação, a percepção é de que homens e mulheres não se diferenciam. Quando as características analisadas são honestidade, justiça, compaixão e adesão a compromissos, as mulheres levam vantagem.

O olhar positivo para a liderança feminina, porém, ainda encontra resistência no ambiente corporativo, provavelmente porque o preconceito está enraizado de tal forma que não somos capazes de nos livrar dos estereótipos por mais que tentemos nos convencer do contrário. Na hora da escolha, o moço alto, com voz forte, de preferência de terno e gravata leva a melhor. É isso mesmo… a altura faz diferença também: 30% dos CEOs Fortune500 tinham 1,87 m ou mais, foi o que descobriu Malcolm Gladwell, em seu livro Blink, de 2005. Mas nosso assunto aqui não é estatura física. É capacidade de liderar. E as mulheres já provaram que a têm de sobra, mesmo diante de todas as barreiras, inclusive internas.

 

As mensagens negativas emitidas no decorrer dos tempos intimidam seu comportamento. Um discurso que começa dentro de casa, onde se mostra que isso é coisa de menina e aquilo de menino, que impõe a elas as tarefas domésticas, o cuidado das crianças, a necessidade de serem meigas e delicadas. São as moças que lavam a louça, enquanto aos moços cabe a limpeza do carro… E se estende à sala de aula, à relação com os outros e ao esporte: “Joga como um homem!”. Em todos os espaços, os estereótipos são reforçados. Esse discurso é absorvido e transferido para o mercado de trabalho, em que são oferecidos cargos que não costumam elevá-las ao comando da empresa. Quase a totalidade dos CEOs das maiores empresas mundiais, hoje, tem cargo de operação antes de chegar ao posto mais alto, e mais da metade das mulheres estão ocupando os cargos funcionais: diretorias financeiras, jurídicas e de recursos humanos, por exemplo.

As mulheres nascem, crescem e aprendem que é errado falar sem rodeios, ter iniciativa e ser mais poderosas do que os homens, diz Sheryl Sandberg, chefe operacional do Facebook. Para ganhar poder, é fundamental se livrar dessas barreiras internas, ensina, baseada em sua própria experiência.

No escritório, os estereótipos são tão fortes que até a “má fama” de que as mulheres são tagarelas desaparece em virtude da opressão masculina. Anos atrás, quando o produtor do seriado de TV The Shield (fora do ar desde 2008), Glen Mazzara, percebeu que duas jovens escritoras estavam em silêncio durante reunião em que se discutiam os argumentos para o roteiro, pediu para elas falarem mais. O que viu a seguir foi a cena que se repete na maior parte das salas de reunião e discussão das empresas: sempre que elas começavam a falar, eram interrompidas, apesar de apresentarem boas ideias.

Em outro cenário, um banco internacional, a contribuição dos funcionários para a melhoria dos processos se refletia em avaliações de desempenho positivas no decorrer do tempo; sugestões de mesma qualidade apresentadas pelas funcionárias não melhoraram a percepção do desempenho delas. Os dois casos foram descritos por Sandberg em série de artigos escritos com Adam Grant, da Universidade da Pensilvânia, no The New York Times, no início de 2015.

Em apoio à tese, a publicação apresentou pesquisas de comportamento relacionando liderança e gênero. Em um dos estudos, Victoria L. Brescoll, psicóloga da Universidade de Yale, analisou o comportamento dos senadores americanos e descobriu que os homens considerados mais poderosos – baseado em tempo de legislatura e posição de liderança – discursavam mais do que os do “baixo clero”; em relação às mulheres essa diferença não foi encontrada. Na mesma linha de pesquisa, Brescoll pediu para que homens e mulheres avaliassem a competência de CEOs a partir da frequência com que expressavam suas opiniões. Independentemente do sexo de quem julgou, os homens que falaram mais do que seus pares foram premiados ao receberem conceitos 10% maiores; as mulheres foram punidas com conceitos 14% menores. O que é poder para eles é perdição para elas. Mulheres protegendo-se com o silêncio não é sinal de paranoia, é sinal de sobrevivência. E isso precisa mudar!

 

Obs1: Atualmente Meg Whitman é CEO da Quibi; e atualmente 23 mulheres estão no comando de empresas que fazem parte da lista Fortune500

 

Esqueceram o Tênis, no Dia da Mulher

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Billie Jean venceu “Guerra dos Sexos” contra Bobby Riggs

 

O 8 de Março deste ano foi sem dúvida o Dia Internacional da Mulher em que mais se falou sobre os temas pertinentes e latentes da posição que as mulheres ocupam no mundo.

 

Estatísticas, análises e debates apresentaram de forma geral dados que comprovam a situação de inferioridade em que as mulheres ainda se encontram em relação ao homem.

 

Constata-se um avanço, embora em geral na velocidade menor do que a desejada, e despontam áreas mais carentes de atenção. Entretanto, há setores, como o tênis profissional, que podem servir de exemplo.

 

O tênis é o único esporte no mundo cujos maiores eventos pagam igual para homens e mulheres. E as mulheres ainda jogam menos. São cinco sets masculinos e três sets femininos.

 

Serena Wiliams, a estrela do tênis mundial, está entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo no ranking da Forbes, encabeçado por Ângela Merkel, primeira ministra da Alemanha. Serena, mesmo sem jogar, por motivo da maternidade, ganhou US$ 18 milhões e foi a atleta que mais faturou no ano passado.

 

Dinheiro e poder, uma das lacunas femininas, não é problema para a tenista americana. Como personalidade, foi convidada a apresentar no Oscar “A star is born”. Certamente pela permeabilidade entre a personagem e ela. E dentro disso apresentou um discurso inspirador:

 

Mas este é o final da história. O início está com a tenista Billie Jean King.

 

Ela ganhou 27 títulos de Grand Slam –- Australia Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Porém, tão grande quanto os seus títulos foi o seu papel na defesa da igualdade entre mulheres e homens nas premiações do tênis profissional. Desafiou à quadra os homens e conseguiu realizar, em 1973, uma partida contra Bobby Riggs, sexista ativista e ex-número 1 do mundo. Billie ganhou de Riggs em jogo denominado como “Batalha dos Sexos”* e assistido por 90 milhões de pessoas. Após o evento que se transformou em símbolo contra o machismo, Billie fundou a WTP, entidade que passou a comandar o tênis feminino. No mesmo ano, ameaçou boicotar o US Open se a premiação não fosse igual para as mulheres e venceu mais esta batalha.

 

 

Aos 75 anos manda seu recado:

“A maioria das jogadoras não sabe nada dessa história. Não sabe como essa indústria começou, principalmente de como o tênis feminino profissional começou. Eu era uma das que queriam homens e mulheres juntos, mas eles rejeitaram. E é por isso que temos a WTA. Eu fiquei muito triste porque não pudemos fazer uma associação juntos, mas eles rejeitaram… é bom as meninas verem, elas conquistaram a igualdade de premiação nos Grand Slam. É um trabalho árduo da WTA, com diretores de torneios”

É interessante lembrar que no mesmo país de Serena e Billie, no esporte mais popular, as mulheres da WNBA ganham 100 vezes menos que os homens da NBA.

 

*O filme “Batalha dos Sexos” é baseado na história real de Billie Jean King, com Emma Stone e Steve Carell.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

GIRL Boss uma trilha para o topo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Para as jovens que querem chegar ao poder trabalhando em funções que amem surge agora a proposta da 99jobs.com. Uma startup especializada em Recursos Humanos focada em grupos específicos.

 

Girl Boss, de acordo com Andressa Schneider, idealizadora, é um programa de lideranças femininas dentro da área de Recursos Humanos — de forma a capacitar profissionais que poderão formar mulheres aptas a ocupar o topo das organizações.

 

No momento, está iniciado o processo de recrutamento e seleção para os três segmentos em que o projeto se compõe. Para graduandas como estagiárias, que desejam adentrar na área de RH. Para jovens já formadas e pós-graduandas com 2 a 3 anos de experiência, mas que não podem trabalhar em regime integral. E para formadas e pós-graduandas com experiência de 4 a 5 anos. Respectivamente são designadas como Estagiárias, Travelers e Girls Boss.

 

As aprovadas trabalharão dentro do projeto servindo aos clientes da 99jobs.com na área de RH. Dentro de um processo que se diferencia pela absoluta participação feminina em todas as fases. Com destaque para o monitoramento qualificado por profissionais que ocupam relevantes cargos em ícones do mercado empresarial.

 

A receita idealizada por Schneider vem contemplada pelos ingredientes adequados na busca pela eficácia também no aspecto dos clientes. Numa carteira nada modesta de uma centena, há super stars do mercado: Globo, Vale, Natura, Heineken, Microsoft, Magazine Luiza, ESPN, Renner, Toyota, Unilever, Votorantim, Comgas, etc.

 

Que tal uma carreira que leve ao topo fazendo o que gosta?

 

Bem, se não for possível, afinal o gosto pode ser algo intangível, procure ao menos gostar do que faz.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Reforços para as candidaturas femininas

 


Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

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São poucas as mulheres na política (foto:LuisMacedo/CâmaradeDeputados)

 

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a partir deste pleito, os partidos políticos deverão reservar pelo menos 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, para financiar as candidaturas femininas. Os ministros também estenderam o percentual para o estratégico tempo destinado à propaganda eleitoral de rádio e televisão.

 

Dessa forma, invocando o princípio da igualdade previsto na Constituição Federal, o TSE definiu que as agremiações não podem criar distinções em torno do rateio desses recursos baseadas exclusivamente no gênero, os quais deverão obedecer à proporção de candidaturas femininas e masculinas apresentadas.

 

Vejamos algumas motivações desse julgamento.

 

O regime de cotas estabelece que cada partido ou coligação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de vagas para candidaturas de cada sexo. Como noutros países que as adotaram, as cotas eleitorais foram instituídas no Brasil visando reduzir as dificuldades no lançamento de candidatas.

 

Importante mencionar, no entanto, que apesar das mulheres serem mais da metade da população (51,4%) e do eleitorado brasileiro (52%), portanto a maioria, a presença percentual feminina no Congresso Nacional é tímida. Comparado com os seus vizinhos latino-americanos, o Brasil apresenta a penúltima situação entre 20 países, à frente apenas do Haiti. Em termos globais, o cenário é ainda mais raquítico: o país está na 158ª posição entre as 188 nações catalogadas pela Inter Parliamentary Union (2014).

 

É óbvio que a insuficiência de recursos para as campanhas repercute diretamente na escassa efetividade das cotas. Afinal, de pouco adianta haver vagas reservadas sem que o aporte financeiro seja efetivado. Daí porque esta decisão do TSE amparada noutra que havia sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal ter o potencial de atenuar algumas causas da sub-representação parlamentar feminina.

 

Num sistema harmônico de regras, a proporção mínima do fundo partidário destinado às candidaturas de mulheres deve ser coerente com a quantidade de vagas a elas reservadas.

 

Assim, além de reforçar a proporcionalidade e atribuir mais eficácia às cotas, a manifestação do Tribunal Superior Eleitoral era necessária em razão de o Fundo Eleitoral ser constituído exclusivamente com recursos públicos (R$ 1,716 bi derivados do Orçamento Federal), sendo que 73,5% serão para os dez maiores partidos do país.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: políticas em favor da diversidade podem aumentar em até 15% resultados das empresas

 

 

Ao trabalhar em equipe, valorizando o conhecimento, entendendo o que cada um tem a contribuir e respeitando suas diferenças, as empresas tendem a se desenvolver mais e alcançar resultados melhores. É no que acredita Andreia Dutra, presidente da Sodexo On Site, empresa que historicamente desenvolve políticas que beneficiam a diversidade no ambiente de trabalho. Ela é uma das poucas mulheres a ocupar o cargo de CEO no Brasil.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Dutra disse que investir na diversidade de gênero, orientação sexual e raça “pode aumentar em até 15% o resultado financeiro da companhia”. Mais do que isso, essas ações afirmativas têm o poder de transformar a sociedade.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: empresas tem de ser a ponte entre o que a mulher é e o que gostaria de ser

 

 

 

 

Uma coisa é como você se vê, outra é como gostaria de ser visto. Diante dessa realidade, Jaime Troiano e Cecília Russo foram entender como as mulheres reagem frente a essas questões. Uma das curiosidades encontradas neste estudo é perceber que as mulheres se veem de forma muito tradicional: são confiáveis, protetoras e dedicadas. Porém, elas querem ser vistas também como profissionais, inteligentes e assertivas.

 

 

O desafio para as marcas ao se comunicarem com essas mulheres é perceber que não devem ser espelhos, mas pontes que criem oportunidades para que elas cheguem onde realmente gostariam de estar: “comunicação não é um retrato; as marcas precisam alimentar sonhos nas pessoas”, diz Troiano.

 

 

Quanto as empresas que estão conseguindo se identificar com as mulheres, a pesquisa revela que no setor de automóveis são a Toyota e Hyundai que estão conseguindo se transformar em inspiração. Já no segmento de higiene e beleza aparecem três empresas conectadas com as aspirações femininas: Natura, Mary Key e Boticário. “O papel das marcas é ser esta ponte entre o que as mulheres são e o que gostariam de ser”, diz Cecília.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que pensam e fazem as garotas equilibristas

 


 


As jovens querem uma vida com mais oxigênio, não querem ficar presas ou em uma vida profissional intensa ou em uma vida familiar única: elas querem flexibilidade. A constatação é de Cecília Russo após pesquisar meninas entre 20 e 24 anos com a intenção de entender como as universitárias brasileiras estão guiando suas futuras escolhas e expectativas em relação à carreira e vida pessoal. No programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na rádio CBN, Cecília e Jaime Troiano apresentam alguns dos resultados deste trabalho que está publicado no livro “Garotas equilibristas, o projeto de felicidade das mulheres que estão chegando ao mercado de trabalho” (Pólen Livros).

 


Às marcas, Troiano recomenda que se conectem com essas jovens compreendendo que elas como equilibristas em suas múltiplas funções. Um dos aspectos que se percebe é o fato delas terem o interesse em trabalhar em empresas e marcas que tenham algo de bom a oferecer à sociedade, tenham uma função social.

A história do médico brasileiro que defendeu o “monopólio” do leite materno em favor da saúde dos bebês

 

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Dr Cesar Victora, em foto da UFPEL

 

Os bebês alimentados apenas com leite materno até os seis meses têm risco de morrer por diarreia 14 vezes menor do que as demais crianças. A possibilidade de morte por infecções respiratórias cai 3,6 vezes. A mortalidade infantil aumenta se os recém-nascidos receberam, além do leite materno, água, chás ou sucos.

 

Foi a partir de dados como esses que o médico Cesar Victora convenceu a Organização Mundial de Saúde, seus colegas de medicina e, especialmente, mães e pais da importância do “monopólio do leite materno” até os seis meses de vida.

 

O estudos dele se iniciaram nos anos de 1980, no Rio Grande do Sul, e, nesta semana, foram reconhecidos com o Prêmio Gairdner 2017, o principal prêmio científico do Canadá, o que o coloca em uma lista de profissionais de saúde de onde saíram centenas de indicações para o prêmio Nobel.

 

Orgulhoso pelo prêmio mas sem ilusão. Assim, Victora, que é professor emérito da Universidade Federal de Pelotas, se apresentou em entrevista que foi ao ar nesta manhã, Jornal da CBN, direto da Colombia, onde participa de congresso que estuda a relação entre saúde pública e redução da desigualdade social. Ele não acredita na possibilidade de conquistar o Nobel de Medicina por que “eu não inventei nada, o leite materno sempre existiu”.

 

Na conversa que tivemos, Victora contou que, em breve, apresentará dados de pesquisa que se estende por 30 anos, para provar os benefícios do leite materno na vida adulta, também. Segundo ele, já é possível identificar nesses bebês, agora trintões, que a amamentação materna exclusiva até os seis meses trouxe ganhos intelectuais relevantes a essas pessoas.

 

As pesquisas desenvolvidas por ele, que levaram outros médicos pelo mundo a estudar essa área, também, colaboraram para o aumento da licença maternidade para as mulheres em boa parte do mundo.

 

Na entrevista, Victoria fez um alerta sobre a amamentação materna diante do desafio das mulheres que têm bebês e precisam trabalhar: “o mais importante da amamentação é que ela não é uma responsabilidade somente da mulher, é uma responsabilidade de toda a sociedade”.

 

Ouça a entrevista completa com o professor e doutor Cesar Victora, no Jornal da CBN: