Mundo Corporativo: Bertier Ribeiro-Neto, da UME, explica como empreender com tecnologia e supervisão humana

Bastidores da entrevista online com CTO da UME Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A minha visão é sempre muita tecnologia com supervisão do humano.”
Bertier Ribeiro-Neto

Empreender começa menos pelo plano de negócios e mais por um incômodo real: “O que que te incomoda? Qual o problema que você gostaria de resolver? Por que que você gostaria de resolver esse problema?” A partir dessa provocação, Bertier Ribeiro-Neto, CTO da UME, conecta a prática do empreendedorismo ao uso criterioso de tecnologia para resolver dores concretas de clientes. Esse foi um dos temas sobre os quais conversamos no Mundo Corporativo.

Tecnologia que resolve problemas (com gente no circuito)

Para Bertier, automatizar decisões é útil, mas não basta: “O resultado não é verídico, o resultado não é final, o processo precisa de supervisão.” Ele descreve a operação da UME no varejo — concessão de crédito no ponto de venda em minutos — como um arranjo que combina dados públicos, relacionamento do cliente com o lojista, informações de renda e um “motor de crédito”, isto é, “um núcleo de inteligência artificial que combina todos esses sinais e toma uma decisão de forma automatizada”.

Mesmo assim, o critério é manter controle humano sobre o que o modelo decide: “A gente treina o modelo, coloca o modelo no ar, faz uma série de testes e a gente pergunta: ‘O modelo tá tomando decisão boa ou não?’ Quando o modelo toma decisão ruim, como é que a gente para o modelo e passa a decisão para um agente humano?”

Essa postura, diz ele, vale para qualquer empreendimento que adote IA: não aplicar tecnologia “de forma cega”, mas medir impacto e qualidade continuamente. “O propósito não é usar a tecnologia. O propósito é resolver um problema que aflige o seu cliente.”

Siga o cliente, o resto é consequência

A bússola de produto segue uma regra simples aprendida nos tempos de Google: “Follow the user. All else is a consequence.” Em português: “Siga o usuário, o resto é consequência.” No contexto da UME, isso significa observar necessidades diferentes por segmento (da “super compra” de uma geladeira ao crédito atrelado a um celular com garantia via bloqueio remoto) e desenvolver produtos que façam sentido no momento da decisão.

Ao falar com quem quer empreender, Bertier volta ao princípio: antes de crescer, encontre a solução que melhora a experiência de quem usa. “Você vai criar uma solução para aquele caso de uso, se a solução for boa, as pessoas vão adotar a solução, o resto é consequência.”

Escala com estabilidade e métricas

Os desafios atuais combinam crescimento e qualidade. “Estabilidade é muito importante… o sistema não pode cair.” Em paralelo, medir resultado passa a ser obrigatório: produtividade, capacidade de atendimento “com o mesmo time” e, sobretudo, a experiência do cliente e do varejista. Se a qualidade piora, “tem um problema”.

Ao olhar adiante, a aposta é que “o futuro do crédito não está mais nos bancos… está nas empresas que têm relacionamento direto com o consumidor”. Daí iniciativas como ferramentas de CRM para que o varejista “se comunique com o cliente do crédito” e refine sua visão sobre recorrência e preferências de compra.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Ana Fontes explica como transformar habilidades em negócios viáveis

Ana Fontes dá entrevista no estúdio de podcast da CBN. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Propósito não paga os boletos do mês”

Ana Fontes, RME

Começar um negócio a partir do que você já sabe fazer e validar se há gente disposta a pagar por isso é a linha mestra do empreendedorismo defendida por Ana Fontes. Fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), que conecta diariamente 3 milhões de mulheres em diferentes plataformas, ela descreve um caminho prático: combinar competências pessoais com demandas reais do mercado, criar diferenciais e buscar apoio em comunidade, mentoria e formação contínua. É sobre isso que ela fala na entrevista ao programa Mundo Corporativo.

Ana recorda sua própria trajetória, da carreira executiva ao blog que deu origem à RME, para reforçar a orientação inicial a quem deseja empreender: “Use as suas habilidades para pensar no seu próximo negócio ou para pensar no seu negócio. É a primeira coisa que eu falo.” A partir daí, vem o teste de realidade: “Procure uma oportunidade de negócio, que é a parte mais dura. […] Você tem que combinar as duas coisas, a sua habilidade que você tem com alguma coisa que as pessoas queiram comprar.”

Do propósito à validação de demanda

A combinação entre vocação e problema resolvido no mundo concreto passa, segundo ela, por abandonar romantizações. “A maioria das pessoas fala assim: ‘Ah, empreende com o seu propósito, que vai dar tudo certo’. Nem sempre. […] Propósito não paga os boletos do mês.” Na prática, isso significa investigar necessidades do bairro, da cidade, do setor; observar o que já existe; e decidir como entregar algo diferente — do tempo de atendimento ao formato do serviço.

A RME, diz Ana, opera em duas frentes: uma empresa com causa e o Instituto RME, organização sem fins lucrativos voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade. O desenho dos programas inclui capacitação (liderança, negociação, finanças e gestão), mentoria entre pares, organização em grupos e microdoações diretas. O efeito desse arranjo aparece em histórias como a de uma empreendedora de Belém que, após formação e R$ 2.000 recebidos, comprou um carrinho de sorvete usado e aumentou o faturamento em 60% — aliviando o peso físico do trabalho e abrindo novas frentes de venda em eventos.

No financiamento, entram parcerias com marcas interessadas no impacto social do S do ESG. Programas incluem, por exemplo, o uso de inteligência artificial para melhorar a gestão dos negócios. Para quem está começando, Ana recomenda aproveitar a oferta de cursos gratuitos (RME, Sebrae e outras organizações) e buscar orientação prática: “Empreender você tem que aprender.” E isso inclui um passo que economiza “tempo, dinheiro e dor de cabeça”: mentoria.

Diversidade como motor de inovação

A presença de mulheres em espaços de decisão, afirma, tem relação direta com inovação e desempenho. “Sim, a gente precisa estar nesses espaços, não para ter o poder pelo poder, mas porque a nossa voz precisa ser ouvida, porque as mulheres têm ideias interessantes e porque as pesquisas mostram que espaços mais diversos são espaços mais inovadores.” Hoje, lembra Ana, as mulheres ainda são minoria nas altas lideranças, no Judiciário e na política — cenário que empobrece o debate e limita a capacidade de fazer diferente.

Quando compara motivações, ela diz observar respostas distintas entre gêneros nas pesquisas da rede: homens tendem a apontar “ganhar dinheiro” como objetivo imediato; mulheres costumam citar a vontade de “mudar o mundo”. O avanço, no entanto, depende de unir as duas coisas: sustentabilidade econômica e transformação social.

Na ponta, o conselho final volta ao básico: olhar para problemas concretos e estruturar o negócio com método. “Antigamente, tinha uma visão de que empreender é só você abrir um negócio que ia dar certo. Hoje não, empreender você tem que aprender.”

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Mundo Corporativo: Renata Muramoto, da Deloitte, alerta para as barreiras da transformação digital

Renata Muramoto no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“As empresas não podem fazer digital. Elas precisam ser digitais.”
Renata Muramoto Deloitte

Transformar uma companhia não significa apenas adotar ferramentas tecnológicas. A mudança é mais profunda: passa por estratégia, cultura e pessoas. Esse foi o ponto central da conversa com Renata Muramoto, sócia-líder de consultoria da Deloitte no Brasil, no programa Mundo Corporativo.

Para ela, o primeiro passo está em responder à pergunta fundamental: “qual é a razão de ser da empresa?”. Só a partir daí é possível definir como a tecnologia vai servir melhor ao cliente, trazer eficiência e até contribuir para a sustentabilidade do negócio. “A tecnologia tem que permear a estratégia das organizações. Isso precisa acontecer de forma tão natural que você nem perceba que ela está ali.”

O desafio cultural

Mesmo com a rápida evolução tecnológica, muitas empresas não conseguem acompanhar esse ritmo. Muramoto explica que “a principal barreira não é a tecnologia, é cultural.” Segundo ela, a liderança já está convencida sobre a importância da transformação digital, mas a média gerência e os profissionais formados em estruturas muito especializadas ainda enfrentam dificuldades.

A executiva lembra que o avanço das máquinas não elimina o papel das pessoas. Pelo contrário: “A tecnologia vai substituir tarefas operacionais e analíticas, mas o ser humano será cada vez mais responsável por criar, inovar e transformar.”

Competências do futuro

O impacto também se reflete no perfil dos profissionais. “Para o futuro, é muito importante resiliência, agilidade e pensamento crítico”, afirma Muramoto. O uso intensivo da tecnologia, segundo ela, pode levar à acomodação, reduzindo a criatividade e a capacidade de análise. Por isso, destaca a necessidade de manter o estudo contínuo e de valorizar a experiência prática.

“Você tem muita tecnologia disponível para estudar, mas não pode ignorar o conhecimento que vem das interações. É preciso ouvir mais do que falar, porque isso faz com que você aprenda muito mais.”

Ao olhar para os próximos cinco anos, Muramoto acredita que a transformação será ainda mais disruptiva, com a entrada de novos competidores em setores tradicionais. “Não será apenas a empresa de hotel que vai mudar a hotelaria ou a de mobilidade que vai transformar o transporte. São empresas de tecnologia que assumem esse papel.”

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Mundo Corporativo: Gabriele Carlos, da Zeiss, diz que a liderança tem de focar nas pessoas

Reprodução do vídeo da entrevista com Gabriele Carlos

“No final do dia, a gente está falando sobre gente. Não dá para fazer negócios se você não olhar para as pessoas que compõem a sua organização.”
Gabriele Carlos, Zeiss Vision Brasil

O caminho de Gabriele Carlos até a presidência da ZEISS Vision Brasil não seguiu o padrão mais comum. Formada em psicologia e com trajetória consolidada no setor de recursos humanos, ela assumiu o cargo de CEO com a convicção de que gestão e resultados só acontecem de forma consistente quando pessoas são colocadas no centro das decisões. Esse modelo de liderança foi tema da entrevista concedida por Gabriele ao programa Mundo Corporativo.

Da gestão de pessoas à presidência

Segundo a executiva, o convite para ocupar a cadeira de CEO veio acompanhado de um reconhecimento: sua inteligência emocional diferenciada. Para ela, liderar é como reger uma orquestra: “Você tem todos os músicos tendo que tocar o seu instrumento e você direcionando qual é o momento que um instrumento entra ou não.”

Ao longo de dez anos na empresa, Gabriele transformou a área de recursos humanos em uma frente estratégica, conectada aos objetivos do negócio. “O nosso propósito como empresa é ajudar as pessoas a verem o mundo de uma forma melhor. Isso não está só no produto que vendo, mas nas interações que tenho com todos os stakeholders.”

Essa mudança se consolidou por meio de práticas que envolveram todos os níveis da organização. Um exemplo foi a jornada cultural, que incorporou os valores da companhia às avaliações de desempenho, remuneração e desenvolvimento dos colaboradores.

Pessoas no centro da estratégia

A CEO reforça que o olhar para gestão de pessoas não pode estar restrito ao curto prazo: “A minha empresa tem 179 anos de existência. Eu estou aqui trabalhando para os próximos 179 que eu nem vou ver.”

Esse princípio também guiou decisões críticas, como na pandemia, quando a ZEISS aderiu ao movimento “Não Demita” e optou por preservar seus talentos. O resultado, segundo Gabriele, aparece em indicadores claros: aumento de engajamento, menor turnover, maior produtividade e inovação.

Comunicação e diversidade como pilares

Além da gestão, a comunicação tem papel central na estratégia da ZEISS. Internamente, reuniões, revistas e pesquisas de clima garantem espaço para ouvir os colaboradores. “Essa conexão precisa ser genuína, tanto do que eu vou fazer como empresa quanto daquilo que o colaborador entende que seria significativo para ele.”

Outro ponto ressaltado por Gabriele é a diversidade. Hoje, o board da empresa no Brasil tem equilíbrio de gênero. Para ampliar a representatividade, a liderança aposta em ações intencionais, como programas e processos seletivos que garantam candidatos de diferentes perfis. “A gente precisa impulsionar reflexões e abrir espaços, seja para fala, discussões ou seleção, para que a diversidade aconteça de fato.”

Educação e saúde visual

À frente da divisão de lentes oftálmicas no Brasil, Gabriele enxerga na educação do consumidor um desafio central: mostrar a importância da saúde visual e do diagnóstico precoce. Muitas vezes, observa, a escolha da armação recebe mais atenção do que a qualidade da lente. “A preocupação deveria ser primeiro com a lente, porque ela é determinante para a saúde visual.”

Para a executiva, esse esforço precisa estar atrelado também à comunicação com médicos, consultores ópticos e à sociedade em geral. O objetivo é reforçar a prevenção em vez de concentrar esforços apenas no tratamento de doenças.

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Mundo Corporativo: Thiago César, da Samsung, destaca como o marketing precisa se tornar mais humano

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Thiago César

“Não adianta mais gritar com campanhas caríssimas se você não tiver um estímulo que seja relevante para o consumidor.”
Thiago César, Samsung

A disputa pela atenção do consumidor nunca foi tão desafiadora. Cercado de telas, mensagens e estímulos, ele tem diante de si inúmeras opções de escolha, mas pouco tempo para se interessar de verdade por uma marca. Nesse cenário, ganha força a necessidade de escutar mais e falar menos. Esse foi um dos temas da conversa com Thiago César, diretor de marketing da divisão de Consumer Electronics da Samsung no Brasil, no programa Mundo Corporativo.

Escuta ativa e microcomunidades

Segundo César, as marcas já não têm o protagonismo que tinham quando bastava colocar uma campanha no ar para impactar grandes audiências. Hoje, a centralidade está no consumidor. “Ou eu escuto de fato o meu consumidor, ou não vou conseguir ser relevante. Se a marca não for relevante, ela vira paisagem.”

Esse processo passa pela análise de comportamentos em pequenos grupos. “Pensar em grandes massas hoje em dia está muito difícil. Você precisa ter claro que existem núcleos, culturas, subculturas que a marca precisa entender para poder chegar mais próximo e relevante ao consumidor.”

Na prática, isso levou a Samsung a reposicionar produtos como a TV The Frame. Mais do que um televisor, o aparelho se tornou parte da decoração da casa, dialogando com artistas e comunidades ligadas à arte. “Deixamos de falar apenas de tecnologia para conversar com microcomunidades que valorizam estética e estilo.”

Reagir rápido e com humildade

Para César, lançar uma campanha não é mais o fim do trabalho, mas o começo. “No momento em que você lança, você vai ouvir, coletar, entender e reagir.” A velocidade da resposta, afirma, pode ser um ativo criativo, já que mostra ao consumidor uma marca atenta ao diálogo.

Ele destaca ainda que admitir erros é parte do processo. “Assumir de maneira humana e visceral quando algo não sai como esperado pode ser tão potente quanto uma campanha caríssima de 60 segundos.”

Inteligência artificial como apoio

Apesar do debate sobre o impacto da inteligência artificial no marketing, César a enxerga como suporte para aprofundar a dimensão humana da comunicação. “Vejo a inteligência artificial muito mais no sentido de nos apoiar a sermos mais humanos. Quando você consegue automatizar parte de um processo de construção de marca ou de leitura de pesquisa, pode focar realmente no que importa: o comportamento das pessoas.”

Essa visão é reforçada pela experiência do executivo ao longo de mais de duas décadas de carreira, em empresas como Itaú, Netflix e, hoje, Samsung. Formado também em psicologia, ele lembra que não se trata apenas de entender dados, mas de compreender os desejos e símbolos que movem escolhas de consumo.

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Mundo Corporativo: Rita Knop explica como a Neoenergia ajuda empresas a economizar com energia limpa

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo no YouTube

“Você imagina ter um shopping center atendido por combustível fóssil. Quando você moderniza a matriz energética, se beneficia o shopping e todos os empresários que têm lojas ali.”
Rita Knop, Neonergia

Empresários que ainda não migraram para o mercado livre de energia estão perdendo oportunidades reais de economia e eficiência. Essa é a avaliação de Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia, ao abordar os impactos da abertura do setor para pequenas e médias empresas em 2024. A executiva alerta que, mesmo dois anos depois da mudança, há negócios que continuam pagando mais do que deveriam pela energia elétrica. A estratégia da companhia, segundo ela, é oferecer consultoria especializada e soluções personalizadas que garantem previsibilidade e reduções de até 35% no custo da energia. Conversamos sobre o assunto no Mundo Corporativo, da CBN.

Segundo Rita, o papel da Neoenergia vai além da comercialização: “A gente atua como um assessor energético. Assim como existe o assessor financeiro, nós ajudamos o cliente a entender e otimizar sua operação energética”. Essa atuação inclui diagnóstico, elaboração de soluções e até o financiamento da modernização da infraestrutura, por meio de um modelo em que a empresa paga uma mensalidade em vez de arcar com investimentos iniciais. “Ele não precisa se descapitalizar para renovar todo o seu parque de infraestrutura de energia. A Neoenergia faz esse investimento e presta o serviço ao longo do tempo”, explicou.

Da consultoria à transformação da cadeia produtiva

A adoção do mercado livre de energia, na visão da executiva, tem exigido uma mudança de mentalidade dos empresários. Muitos ainda têm dúvidas e medo da instabilidade dos preços, mas a proposta da Neoenergia é justamente oferecer segurança. “Você tem previsibilidade do que vai pagar ao longo dos meses e pode negociar contratos de até 20 anos”, afirmou.

Além disso, Rita destaca que a empresa avalia não apenas o consumo da organização, mas também o impacto da cadeia produtiva: “Junto com esses grandes clientes, a gente monta um plano de assessoria para a cadeia de fornecedores. Se ela não estiver descarbonizada, o cliente não consegue atingir suas metas ambientais, especialmente no escopo 3”.

A executiva também ressaltou a vantagem de a Neoenergia operar em toda a cadeia: geração, distribuição e comercialização de energia. “A gente tem uma energia 100% certificada desde a sua origem até o atendimento ao cliente”, garantiu.

Com experiência anterior no setor de telecomunicações, Rita afirma que vive no setor elétrico uma transformação semelhante à que testemunhou décadas atrás: “A gente dormiu regulado e acordou no mercado livre”, disse, comparando os desafios enfrentados na liberalização dos serviços.

Liderança e diversidade no setor elétrico

Rita Knop também falou sobre sua trajetória e os desafios de ser mulher em um setor historicamente masculino. “Quando me formei em engenharia elétrica, era quase uma agulha no palheiro”, lembrou. Ela afirma que só conseguiu avançar porque encontrou líderes dispostos a apostar em seu trabalho. Hoje, reconhece na Neoenergia um ambiente de estímulo à diversidade: “Não adianta você falar em diversidade, trazer uma mulher e não dar um ambiente, uma condição para que ela atue. Isso eu encontrei aqui”.

Ela cita, ainda, um programa da empresa reconhecido pela ONU, que já formou mais de mil mulheres eletricistas: “É com muito orgulho e satisfação de saber que eu tô num ambiente que eu posso ser uma líder mulher, sem ter que parecer homem”.

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Mundo Corporativo: Paulo Henrique Andrade, da IturanMob, mostra como dados e mobilidade podem gerar crédito de carbono

Gravação do Mundo Corporativo com PH, da IturanMob Foto: Priscila Gubiotti

“Vamos conectar as coisas para você ter um perfil de uso de acordo com a sua necessidade. Esse é o negócio.”
Paulo Henrique Andrade, IturanMob

A mobilidade elétrica vai além do carro que não emite poluentes. Ela está diretamente conectada à forma como consumimos energia, usamos dados em tempo real e estruturamos serviços urbanos. Para Paulo Henrique Andrade, o PH, CEO da IturanMob, a transformação não acontece apenas no veículo, mas na lógica que organiza toda a jornada de deslocamento, planejamento energético e gestão de recursos. Ele é o entrevistado do Mundo Corporativo , que teve como tema central a integração entre mobilidade inteligente, planejamento estratégico e mercado livre de energia.

O carro que economiza e calcula seu impacto

PH destacou que, embora o carro elétrico elimine a emissão direta de poluentes, o verdadeiro ganho só acontece quando o carregamento também é feito com energia limpa — e essa escolha depende de acesso ao mercado livre de energia. “Você pode estar carregando o seu carro à noite com energia que vem de uma termoelétrica. O carro em si não polui, mas a fonte pode ser carvão”, alertou.

Segundo ele, empresas com frotas elétricas precisam entender seu perfil de consumo para negociar pacotes mais eficientes com fornecedores: “Você precisa saber quanto vai rodar, quais horários são mais críticos para o carregamento, se vai usar carregador rápido ou convencional.”

Esse planejamento estratégico também passa por soluções digitais criadas pela empresa, como o Make My Day, uma ferramenta que calcula trajetos, consumo de bateria e pontos ideais de recarga. “A gente já tem isso funcionando no Brasil, com parceiros que permitem agendar o carregamento e garantir que o posto esteja disponível para o usuário.”

Dados, carbono e segurança no mesmo sistema

Com mais de 400 mil equipamentos conectados, a IturanMob coleta e processa dados em tempo real para diversos fins — desde alertar motoristas sobre zonas de risco até calcular com precisão a quantidade de carbono evitado por veículos elétricos. “Criamos um algoritmo que compara o desempenho de um carro elétrico com um modelo similar a combustão e transforma essa economia em crédito de carbono. Esses créditos podem ser vendidos por meio de uma plataforma conectada a brokers.”

Além disso, o sistema pode ser usado para alertar motoristas sobre revisões, zonas de roubo e até organizar test drives estendidos para quem quer experimentar um carro elétrico por um fim de semana. “A gente está transformando um mercado que era reativo. Agora, o sistema avisa que sua moto precisa de manutenção antes do problema aparecer.”

Mobilidade inteligente e o novo comportamento urbano

A mobilidade inteligente, segundo Andrade, precisa ser multimodal, acessível e orientada por dados. “Não adianta pensar só em carro. Tem que conectar bicicleta, metrô, moto e saber o que é mais adequado ao seu deslocamento.” Essa lógica também muda a forma como as empresas pensam seus negócios. “Já tem motorista que deixou de gastar R$ 3.000 por mês com combustível e investiu esse valor na faculdade do filho. Isso tem impacto social real.”

O CEO da IturanMob reforça que a chave da inovação está na escuta ativa. “Você venderia o produto de hoje para as pessoas daqui a três ou quatro anos? Talvez não. É por isso que a gente tem que ouvir o cliente, entender o que ele quer e entregar uma jornada simples, funcional e relevante.”

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Mundo Corporativo: Fernando Bevilacqua, da Eaton, analisa desafios da energia inteligente e da formação de equipes de alta performance

Reprodução do vídeo no YouTube do Mundo Corporativo

“Nós estamos numa era da hipercolaboratividade. E eu tenho que estar aberto para enxergar essas oportunidades.”
Fernando Bevilacqua, Eaton

A transição energética não depende apenas de novas fontes de geração ou de equipamentos mais modernos. Segundo Fernando Bevilacqua, diretor do setor elétrico da Eaton no Brasil, a eficiência do sistema passa também pela gestão do conhecimento, pela liderança de equipes multidisciplinares e pela formação técnica. Ele afirma que, mesmo num setor movido por tecnologia, a transformação depende de gente. “Se eu fosse falar, eu acho que hoje trabalho 80% com pessoas e 20% com parte técnica”, diz na entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A Eaton atua na gestão inteligente de energia elétrica, com soluções para garantir eficiência, segurança e continuidade. A empresa está presente principalmente em setores como data centers, concessionárias e estruturas críticas — “onde a gente não pode ter nenhuma falha de energia”, resume Bevilacqua. Segundo ele, isso exige cada vez mais integração entre equipamentos e softwares capazes de antecipar falhas. “Imagina só, quando você tem muita energia funcionando, você vai ter ali aquele ponto quente. Então temos sistemas que medem a temperatura para prever potenciais falhas no equipamento.”

Energia limpa, dados e pessoas

O avanço dos data centers no Brasil, impulsionado pela inteligência artificial, é uma das tendências apontadas por Bevilacqua. Segundo ele, o país ganha relevância internacional nesse cenário por combinar “disponibilidade energética” e “uma matriz majoritariamente renovável”. Mas o executivo chama atenção para o próximo desafio: “Você não tem sol 24 horas por dia, mas utiliza energia o tempo todo. Por isso, o armazenamento se torna fundamental”.

Essa mudança, explica, traz implicações diretas na gestão e na forma de liderar. “Hoje, a visão de você ter um grupo que colabora entre si, com objetivos claros, é a pedra fundamental. Depois vem a cultura — de resultados, de respeito, de integridade”, afirma. A Eaton incorporou práticas de metodologias ágeis e squads para acelerar a entrega de soluções e fomentar a colaboração, mesmo em contextos com trabalho remoto. “Nós criamos um modelo em que pessoas atuam de forma paralela, com foco em projetos estratégicos”, afirma.

Bevilacqua também falou sobre o compromisso da empresa com a redução da própria pegada de carbono e das soluções voltadas à sustentabilidade. “Toda energia consumida nas nossas fábricas no Brasil vem de fontes renováveis. E temos painéis livres de SF6, um gás que é nocivo ao meio ambiente.” Ele destaca ainda que 100% das baterias usadas nos no-breaks são recicladas e que a empresa mantém pontos de descarte de lixo eletrônico.

Ao fim da entrevista, Bevilacqua voltou ao ponto de partida: o valor do conhecimento técnico como porta de entrada para o setor elétrico. “Se eu tivesse que dar só um conselho, seria esse: faça um curso técnico. Ele te dá base e, mais importante, te ajuda a entender se você está no lugar certo.” Ele relembra sua própria trajetória, iniciada ainda na escola técnica federal, e encoraja os jovens a buscar formação. “Nós estamos sempre atrás de grandes talentos.”

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Mundo Corporativo: Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp, defende o papel do Brasil como protagonista na economia do hidrogênio verde

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo no YouTube

“Quem quiser ter perenidade, quem quiser ter sustentabilidade, precisa rever os seus processos e garantir que a gente vai atingir a neutralidade na emissão de carbono.”

Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp da América do Sul

O Brasil pode se tornar uma potência energética global ao aproveitar a matriz elétrica descarbonizada que já possui. A afirmação é de Paulo Alvarenga, CEO da thyssenkrupp na América do Sul, que defende o uso do hidrogênio verde como vetor de transformação econômica e ambiental. O executivo foi o convidado do programa Mundo Corporativo, em que discutiu o papel da indústria e da liderança na transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo Alvarenga, o hidrogênio verde permite substituir fontes fósseis em setores industriais de difícil descarbonização, como a siderurgia. “Quando você usa hidrogênio para reagir com o minério de ferro, ao invés de gerar CO₂, você gera H₂O. É a produção de aço sem emissão de carbono.”

Descarbonizar é estratégia, não tendência

A thyssenkrupp lidera globalmente a produção de plantas industriais para geração de hidrogênio verde e, segundo Alvarenga, já investe em soluções para transformar esse hidrogênio em derivados como amônia verde e combustível sustentável de aviação. “Nós temos essa tecnologia há mais de 60 anos, mas só recentemente ela ganhou escala industrial e interesse de mercado.”

Para o executivo, a principal barreira à expansão ainda é econômica. “A vantagem é ambiental, mas não é econômica. Então a gente precisa criar mecanismos, como mandatos ou incentivos temporários, para estimular essa transição.”

Ao falar da experiência da empresa, Alvarenga contou que a thyssenkrupp está investindo 3 bilhões de euros para transformar a primeira linha de produção de aço na Alemanha em uma unidade de aço verde. “A siderurgia responde por 7 a 8% das emissões globais. Se quisermos reduzir de verdade, temos que mudar o processo industrial.”

Ele também destacou o papel do Brasil nesse cenário. “A gente tem energia renovável em abundância, uma indústria existente e mão de obra versátil. O Brasil pode ser exemplo de descarbonização e ajudar o mundo alimentando com energia limpa.”

Liderar é servir às pessoas

Além da pauta ambiental, Paulo Alvarenga abordou sua visão sobre gestão. Para ele, a liderança está diretamente ligada ao propósito e à capacidade de mobilizar pessoas. “Quando você percebe que as suas mãos não vão dar conta de fazer todo o trabalho, você precisa das pessoas. Seu trabalho passa a ser criar as condições para que elas possam fazer o que precisa ser feito.”

Ao ser questionado sobre o desenvolvimento de habilidades humanas ao longo da carreira, ele foi direto: “Você começa sendo bom em algo técnico, mas depois percebe que o impacto vem daquilo que você alavanca nos outros.”

Alvarenga também defendeu o engajamento entre governo, indústria e academia para acelerar a transição energética, e chamou atenção para a criação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono no Brasil. “Essa regulamentação pode impulsionar uma nova indústria. Estamos falando de uma neoindustrialização baseada em sustentabilidade.”

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Mundo Corporativo: Christina Bicalho, da STB, destaca o crescimento da busca de executivos por aprendizado contínuo fora do Brasil

Reprodução do vídeo da entrevista com Christina Bicalho, no Mundo Corporativo

“Essa dificuldade de também estar lá fora, longe da família, escutando outro idioma o dia inteiro… é isso que nos torna grandes líderes.”

Christina Bicalho, SBT

Executivos brasileiros estão cada vez mais interessados em se desafiarem em busca de aprimoramento e se desenvolverem profissionalmente. A procura por programas de educação executiva no exterior cresceu 20% neste ano, segundo Christina Bicalho, vice-presidente do STB – Student Travel Bureau, em entrevista ao Mundo Corporativo. A tendência, impulsionada por mudanças tecnológicas e comportamentais, revela que o desenvolvimento de líderes passa não apenas por conteúdo acadêmico, mas também por experiências internacionais transformadoras.

De acordo com Christina, os programas variam de três dias a três meses e atendem desde gestores que buscam capacitação rápida até profissionais interessados em aprofundamento técnico ou mudança de carreira. “O executivo precisa estar sempre aprendendo. As matérias mudam muito rapidamente e o mundo está muito plano.”

Especialização, imersão e pensamento crítico

Para além da formação acadêmica tradicional, a executiva destaca o valor da imersão internacional. “Quando você sai do ambiente que lhe é familiar, enfrenta um clima novo, diferentes nacionalidades, professores com uma cabeça completamente diferente… você começa a abrir novas janelas.” O contato com metodologias práticas, estudos de caso e mentoria com profissionais de diversas culturas amplia o pensamento crítico e analítico dos participantes.

A personalização dos programas também é parte essencial da proposta do STB. “A gente tem uma política de fazer entrevistas individuais, levantar onde está a necessidade do executivo e propor programas alinhados ao momento de vida dele”, explicou. O portfólio de opções abrange não apenas os Estados Unidos, mas também destinos como Alemanha, Canadá, Espanha, Portugal e Austrália.

Intercâmbio para além da liderança

O perfil dos interessados é amplo. Jovens de 28 a 35 anos em fase de transição profissional compartilham espaço com executivos de 50 a 65 anos que buscam atualização frente às novas gerações. “Hoje, todo mundo quer fazer um programa de liderança. Mas o que é ser um bom líder dentro do seu contexto?”, provoca Christina.

Além de liderança e negócios, os temas mais procurados incluem tecnologia, neurociência, ESG e gestão ambiental. “A educação executiva é muito nichada. Não adianta ser um grande generalista. Você tem que se especializar e ser muito bom naquilo que você faz.”

A questão do idioma, no entanto, ainda é um obstáculo. Muitos interessados não têm o nível de inglês necessário para acompanhar os cursos. “A gente faz um teste. Se não estiver adequado, recomendamos um programa intensivo de inglês voltado para negócios.” Christina relatou casos de executivos que iniciaram com cursos de idioma e, depois, conseguiram participar de programas mais avançados.

A executiva também observou uma mudança nos destinos preferidos. A Europa tem ganhado destaque em razão do custo reduzido e da possibilidade de acesso a universidades públicas por brasileiros com dupla cidadania. O Canadá também atrai pela possibilidade de levar a família, estudar e trabalhar com vistos legalizados.

Na avaliação de Christina, o investimento feito nos programas traz retorno não só na formação, mas também na reputação. “Você volta com uma bagagem gigantesca. E, na hora da entrevista, quando consegue demonstrar o que aprendeu, isso faz a diferença.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.