Mundo Corporativo: Diego Barreto, do iFood, diz porque o perfil empreendedor está acabando com o empresário tradicional

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“A nova economia é sobre o estado de espírito, se a gente está falando de um mundo que envolve mais tecnologia e tecnologia muda com uma velocidade muito maior do que algo físico, do que algo que está imóvel, você tem de estar disposto a trabalhar em um cenário de constante mudança do seu negócio” 

Há algum tempo aqui pelas bandas do Mundo Corporativo temos ouvido muita mais gente se identificando como empreendedor do que como empresário. Fica a impressão de que empresariar perdeu status diante da ideia de empreender —- o que não condiz com a realidade. São tanto funções complementares quanto podem ser exercitadas em estágios diferentes da carreira. Ao menos é assim que entendo. E tive minha ideia reforçada a partir da entrevista com Diego Barreto, vice-presidente de finanças e estratégias do Ifood

Antes de falar da entrevista em si, deixe-me apenas reproduzir o que os dicionários dizem de um ato e outro. Empreender é usar o tempo e as suas competências com autonomia, colocar em desenvolvimento, criar valor e assumir riscos. Empresariar significa tornar ago rentável ou digno de um negócio lucrativo, é liderar uma empresa. E por aí vê-se que uma não se sobrepõe a outra. Mas, com certeza, a outra —- empreender —- se faz necessária para a uma —- empresariar.

No livro “Nova economia —- entenda porque o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasileiro”, escrito por Diego Barreto, é possível perceber como cada vez mais os líderes das empresas têm de ter o viés empreendedor para que seus negócios sejam alavancados. Assim como, todo profissional, independentemente da função que exerce, tem de praticar o empreendedorismo.

“O empreender está ligado ao instinto de buscar uma solução, buscar oportunidade e encontrar um caminho para aquela oportunidade se realizar. É mais animal, mais revolvedor. O empresário está ligado ao conceito de perpetuação, de gerencia, de administração. Os dois perfis tem uma importância muito grande”

A nova economia, tema central da nossa conversa no Mundo Corporativo e do livro de Diego, não fala apenas de negócios que surgiram agora, mesmo que sempre se tenha como exemplo empresas como iFood, Airbnb e Uber. Se como diz nosso entrevistado, é “um estado de espírito”, a despeito do ramo que atue e do estágio de maturação que está, é possível buscar os benefícios que a transformação tecnológica impulsionadora dos negócios oferece.

Exemplo que o próprio Diego Barreto oferece é o do Magazine Luiza, que inicia sua trajetória no interior de São Paulo, nos anos de 1950, e se expande como uma rede tradicional de varejo de rua. A visão empreendedora e inovadora da família, oferece espaço para que Frederico Trajano, sobrinho-neto do casal fundador da empresa, assuma o comando do grupo e inicie a transformação digital que a colocou entre as maiores empresas de varejo do mundo. A velha Magazine Luiza, nascida em 1957, é, hoje, uma referência da nova economia.

Diego Barreto também se transformou —- não o fizesse estaria superado. Até os 30 anos, sua carreira foi construída de forma tradicional e, como descreve, privilegiada pois é homem, branco, heterossexual e morador da região sudeste do Brasil. Formou-se em direito e foi fazer mestrado na Suíça, quando passou a perceber que algo novo estava surgindo:

“Quando vou para a Suíça, eu conheci o poder da diversidade e da inclusão na sociedade; e o poder da nova economia. Voltei para um ambiente corporativo que só tinha gente como eu e o incômodo dessa clareza me levou a estudar e a mudar meu comportamento”

A educação —- que considera essencial —- também mudou. pois se antes a jornada a ser cumprida passava por quatro ou cinco anos na universidade, depois pelo primeiro emprego, por uma pós-graduação e, novamente, a retomada do trabalho, agora o aprendizado está disponível em várias instâncias e tem de ser permanente:

“O que estamos fazendo aqui e agora — porque a CBN faz esta migração do rádio para ser uma plataforma de comunicação, estando por exemplo no Youtube, faz com que milhares de pessoas no mundo possa receber esse conteúdo e aprender um pouco mais sobre este tema. Então o conteúdo hoje, o aprendizado, está disponível, o que significa que pessoas com comportamento protagonista, elas conseguem sair de um ponto A até um ponto B sem necessariamente depender da educação tradicional”.

Dito isso, fechamos essa nossa conversa, então, com mais algumas lições que podemos aprender durante essa entrevista. Pedi para Diego Barreto sugerisse algumas mudanças de comportamento que podem nos ajudar a encarar os desafios e vantagens da nova economia:

  • 1. Crie o hábito do estudo que é a capacidade de compreender o mundo mundano, porque daqui a cinco anos as demandas serão outras.
  • 2. Não acredite nas indicações lineares daquilo que era oferecido no passado. Existem outras opções no Brasil. Existem pessoas fazendo diferença. É possível empreender. Existem empresas criando negócios maravilhosos e, portanto, vão abrir oportunidades para talentos.
  • 3. Aprenda a dialogar, porque se estamos falando de mudanças, automaticamente os padrões mudam, a ética muda. A ética precisa ser repensada. Isso é dialogo, a gente precisar sair da polarização, dialogar para refletir e aí se voltar para o ponto que você concorda.

Aprenda mais ouvindo a entrevista com Diego Barreto, no Mundo Corporativo:

Você assiste ao Mundo Corporativo, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. Colaboram com o programa  Izabela Ares, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Natacha Mazzaro.

Mundo Corporativo: Fernando Torelly, CEO do HCor, defende que empresas promovam a saúde de seus trabalhadores

“Revogamos o organograma e implantamos o funcionograma —- como as coisas tem de funcionar” 

Fernando Torelly, CEO do HCor

Quase dois anos acompanhando o pai internado quando ainda era adolescente, no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, foram determinantes para a carreira do economista Fernando Torelly. Recém-formado em Ciências Econômicas na PUC do Rio Grande do Sul, teve oportunidade de trabalhar na tradicional siderúrgica Zivi-Hércules, fundada em 1931, e, atualmente, com seus produtos em 90 países. Apesar de a vaga ser bastante atrativa, as visitas frequentes ao hospital influenciaram sua decisão de aceitar outro convite que havia recebido na mesma época, para ser o chefe de treinamento e recrutamento do Hospital das Clínicas. 

Já tendo passado por hospitais de excelência, como o Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e o Sírio Libanês, em São Paulo, Fernando Torelly assumiu a superintendência corporativa do Hospital do Coração —- HCor, às vésperas do início da pandemia, em janeiro de 2020. Um desafio que, segundo ele, se diferenciou de todos os demais que enfrentou ao longo da carreira. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, o executivo conta que a Covid-19 impactou a saúde de uma quantidade enorme de funcionários e profissionais dentro do próprio hospital:

“Sempre pensamos na indústria aeronáutica como a mais segura porque piloto e tripulação estão dentro do avião e eles próprios é que fazem o checklist de todos os controles. A pandemia colocou os profissionais de saúde dentro do seu próprio avião. Os protocolos de controle passaram a ser uma obsessão”.

Além da necessidade de reestruturar o atendimento dos pacientes —- com ou sem Covid-19 —, foram adotadas medidas para proteger os funcionários e seus familiares. Diante do receio de levarem o vírus para casa, os colaboradores puderam ficar em quartos de hotéis alugados pelo HCor. Com o apoio da instituição também trocaram o transporte coletivo pelo individual —- táxis e transporte por aplicativo. Outra preocupação foi com o suporte emocional para que os trabalhadores tivessem condições de exercer suas funções.

O processo de comunicação dentro da instituição teve de ser melhorado ao longo da pandemia, de acordo com Torelly. A prática era de fazer com que a informação seguisse uma hierarquia, sendo passada primeiro para gerentes e supervisores até chegar aos funcionários na frente de trabalho. Em alguns casos, isso levava a demora de até dois dias para que os novos procedimentos fossem adotados. Na pandemia, não se podia perder tempo:

“O processo de comunicação e hierarquia foi completamente modificado no hospital. Nós passamos a fazer duas reuniões com 200 pessoas, ao dia, com todas as lideranças para que pudéssemos atualizar todo o andamento da evolução da Covid … Tivemos de fortalecer a decisão de quem estava na ponta do atendimento do paciente”.

Para o executivo não é mais possível abrir mão desse modelo de comunicação, porque esse é o novo jeito de as organizações trabalharem. E um modelo que não se restringe a administração hospitalar. Tem de estar presente em todas os ambientes. Perguntado sobre que ensinamentos a experiência de liderar uma instituição da dimensão do Hospital do Coração podem ser levados para outras corporações, Torelly diz não ter dúvidas:

“A revolução dos processos de comunicação não hierárquicos, onde você conversa com todos os níveis, online e realtime. E a preocupação de transformar o ambiente de trabalho em um ambiente mais acolhedor e estimulador para o profissional fazer o seu melhor trabalho”. 

A comunicação entre hospital, profissionais de saúde e pacientes é outro aspecto que o executivo chama atenção. Para ele, ainda é preciso evoluir muito nesse sentido e usar da tecnologia disponível para que as informações circulem de forma mais rápida e transparente. Torelly lembra que o paciente muitas vezes está ansioso porque ele quer saber o que está acontecendo e como o tratamento está evoluindo. Uma forma de resolver essa questão é permitir que, através de plataformas digitais que os hospitais já mantém, os pacientes tenham acesso a todos os procedimentos realizados.

Das estratégias corporativas no hospital para aquelas que precisam ser adotadas por todas as demais empresas, Fernando Torelly destaca a importância de as organizações cuidarem muito mais da saúde dos seus colaboradores. Lembra que a doença que mais cresce no mundo é o burnout — “a depressão relacionada ao trabalho”: 

“Eu sou um ativista da transformação dos ambientes organizacionais em locais que trabalhem para gerar saúde aos seus funcionários e não o adoecimento físico e psíquico … Nós vamos nos envergonhar daqui uns 5 ou 10 anos da maneira como cuidamos da saúde dos nossos profissionais.”

Em lugar de entregar um cartão de plano de saúde para o funcionário e fazê-lo buscar atendimento em diversos lugares, as empresas têm de incentivar o cuidado com a atenção primária, com a identificação de médicos de referência e trabalhar a prevenção e a promoção da saúde. 

Assista à entrevista completa com Fernando Torelly, superintende executivo e CEO do Hospital do Coração, em São Paulo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nos canais da rádio, no YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. E está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Sua Marca: “comunicar é namorar”

Reproduçao da cena de “Breakfast at Tiffany’s”

“Esqueçam aquele mito de que marca se escolhe é na hora da compra” 

Jaime Troiano

Audrey Hepburn, no papel de Holly, tem uma bebida em uma das mãos e come um sanduíche diante da vitrine da loja de luxo Tiffany, em Nova Iorque. O olhar está vidrado nas joias de uma das marcas mais desejadas do mundo. Essa cena que abre o filme “Breakfast at Tiffany’s” ou “Bonequinha de Luxo”, como foi batizado no Brasil, ilustra como funciona a relação das pessoas com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, especialistas em branding e comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso dizem que a transformação do consumidor em cliente se assemelha a aproximação de duas pessoas que descobrem que têm coisas em comuns ou complementares:

“Não se escolhe noiva no altar. Ou seja, consumidores namoram marcas, ficam noivos e a compra é apenas a celebração do compromisso” — Cecília Russo

Aproveitando o sábado, em que se comemora o Dia dos Namorados, Jaime lembra que independentemente das formas que os namoros têm assumido, existem coisas que são clássicas:

“Uma certa química que aproxima: o olhar, o jeito, o toque ou qualquer elemento que o outro projeta e que te engancha …. o namoro não acontece porque se tem uma necessidade fria pelo outro, acontece porque tem os ingredientes típicos de um enamoramento”

As marcas também emitem sinais, mensagens, traços de sua personalidade, que são valorizados e compreendidos pelos consumidores. Cecília Russo ensina que para essa relação ser um sucesso é preciso alimentar esses sentimentos e a comunicação tem papel essencial:

“A comunicação traz esses ingredientes do namoro. Comunicar é namorar”.

Como o casal que apresenta o programa também está enamorado há muitos anos, sabe que a manutenção desta atração é sensível e precisa ser cuidada no dia a dia para que, se a relação não for eterna, ao menos seja “infinita enquanto dure”, como escreveu Vinícius de Moraes.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e saiba, também como a ideia de transformar o namorado em noivo, ou melhor, o consumidor em cliente funciona nos relacionamentos digitais:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ao ar, sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN 

Mundo Corporativo: primeiro a metodologia, depois a tecnologia, ensina Hendel Favarin, da escola de negócios Conquer

Foto de Vlada Karpovich no Pexels

“Construa o produto com o cliente e não para o cliente” 

Hendel Favarin, Conquer

Fechar a porta das salas de aula e abrir acesso às salas virtuais. Levar o conteúdo para a internet. Planejar com os professores como essa migração deveria ocorrer. E contar com a experiência de alunos. O desafio que a escola de negócios Conquer encarou em março do ano passado foi o mesmo de todas as demais instituições de ensino, no Brasil. Com a pandemia decretada não era mais possível manter a mesma estrutura de ensino e foi necessário agilidade dos gestores e capacidade de adaptação diante do cenário de incerteza que surgia. 

Algumas escolas tiveram mais sucesso do que outras nessa transformação digital. Um dos motivos para isso, segundo Hendel Favarin, co-fundador da Escola Conquer, entrevistado no programa Mundo Corporativo, foi entender que primeiro vem a metodologia e depois a tecnologia:

“Nossa taxa de desistência foi de cerca de 1,5%. A falta de engajamento (em algumas escolas) não foi por causa da tecnologia, mas porque a metodologia foi colocada à prova e o aluno não estava no centro da experiência”.

A Conquer foi fundada, em 2016, por Hendel Favarin, Josef Rubin, e Sidnei Junior, em Curitiba, a partir da insatisfação dos três jovens empreendedores com o ensino tradicional. Para eles,  especialmente as faculdades e os cursos de pós-graduação tinham conteúdo desconectado do mercado de trabalho, metodologia ultrapassada e professores muito teóricos e com pouca experiência no dia a dia dos negócios. 

“Nós surgimos para desenvolver softskills que fazem toda a diferença para um profissional alavancar seus resultados, independentemente da sua formação”

Hendel conta que a Conquer tinha 2 mil alunos em aulas presenciais até o início da pandemia. Com o conteúdo online, criação de cursos gravados e a oferta de graça de um curso sobre inteligência emocional, a escola passou a atender 30 mil alunos nos meses seguintes e, desde sua fundação, já conseguiu alcançar 1 milhão de pessoas de 80 países:

“O alcance e o impacto dos cursos digitais durante a pandemia proporcionaram maior acesso, maior democratização, porque os preços naturalmente caíram. Os cursos digitais permitem uma redução de preço, não têm todo aquele custo da infraestrutura presencial. Então os cursos acabaram diminuindo o seu tíquete médio e aumentando o alcance. É muito interessante porque hoje a gente vê alunos não só de todo o Brasil, mas também de muito mais classes sociais”.

A maior perda com o ensino à distância, de acordo com Hendel, foi com a criação de redes de relacionamento que é incomparavelmente maior no presencial do que no digital. O trabalho remoto também trouxe novas demandas aos líderes e gestores, aspectos que têm sido levado em consideração nos diversos cursos oferecidos pela escola: 

“As empresas que se destacaram foram as empresas que priorizavam a gestão pautada em pessoas, focada na conexão e empatia para as pessoas O líder fez toda a diferença. Gerando empatia, compartilhando suas vulnerabilidades, falando de suas falhas, seus acertos, seu aprendizado. A humanização líder: esse é o grande pulo do gato para se conectar à distância com suas equipes”. 

Com apenas 30 anos, Hendel, assim como seus dois sócios fundadores, também usam de sua experiência no empreendedorismo para ajudar outras pessoas a alavancarem os seus negócios. No programa Mundo Corporativo, ele deixou algumas sugestões para quem pretende iniciar seu empreendimento:

  • Construa o seu produto com o cliente e não para o seu cliente
  • Experimente, não tenha medo de errar
  • Esteja disposto a testar
  • Lance o MVP ou o Produto Mínimo Viável
  • Leve para o mercado o mais rápido possível
  • Observe, escute, aprenda e mude

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: para Clodoaldo Nascimento, da Yes!Idiomas, escolas terão três modelos de ensino após a pandemia

Foto de Cristian Rojas no Pexels

“O online veio para ficar. Ele vai ser uma ferramenta que nós vamos utilizar no nosso dia a dia de diversas formas, seja para atender a pessoas que trabalham e tenha dificuldade de tempo seja para atender a pessoa que quer aprender rápido e em qualquer lugar” 

Clodoaldo Nascimento/Presidente da YES!Idiomas

Escolas de inglês passaram a anunciar cursos 100% online como se o modelo fosse uma inovação, apesar de a estrutura tecnológica já estar à disposição e negócios das mais diversas áreas se sustentarem no digital, há muito anos. De acordo com Clodoaldo Nascimento, presidente da YES!Idiomas, entrevistado do programa Mundo Corporativo, a demora para essa migração —- que apenas ocorreu devido a pandemia —, está ligada ao apego a um padrão  que fez sucesso ao longo do tempo:

“Na verdade, talvez, (havia) aquela coisa de você quebrar o paradigma. Por exemplo, a ideia de que a aula é presencial, o professor tem de estar perto do aluno, falar no pé do ouvido dele. Principalmente nos idiomas temos às vezes essa dificuldade da pronúncia. E tinha a dificuldade de conexão. Isso fez com que gente procrastinasse essa vontade de levar para o EAD.Não teve jeito. A gente teve de antecipar este EAD”.

No caso da YES a troca das aulas presenciais para o ensino à distância ocorreu nas 180 escolas e no atendimento aos cerca de 60 mil alunos, nos 18 estados em que a rede de franquia atua, no Brasil. Clodoaldo disse que a transformação teve de ser feita em 15 dias, período em que a franquia teve de oferecer plataformas para a realização dos cursos, aulas foram gravadas e as unidades regionais criaram serviços de apoio para orientação dos alunos:

“Quando a gente viu que tinha esse problema, eu reuni minha parte pedagógica reuni minha parte operacional. E montamos um comitê de crise. 24 horas por dia, a gente ficava pensando na melhor maneira de a gente poder entregar o melhor produto. Nós tivemos de apressar um processo que talvez levasse anos e nós tivemos de fazer em duas semanas”.

Ao mesmo tempo que correm para se adaptar, as escolas tradicionais de idioma assistem ao surgimento de opções de ensino de língua estrangeira por aplicativos, que podem se transformar em concorrentes no setor.  Clodoaldo entende que os APPs não tiram alunos das escolas, são complementares ao ensino e, provavelmente, serão usados pelas instituições. Para ele, a partir de agora, haverá três modelos a serem ofertados no setor:

“A gente só tinha um modelo, eu acho que nós vamos ter três, que é o modelo tradicional presencial, a gente não pode deixar de ofertar porque tem pessoas que têm a predileção. Vamos ter um modelo híbrido, que vai ser uma coisa mais flex, na questão tempo. E vamos ter o 100% online”.

Mesmo que o ensino seja à distância, a gestão continuará sendo presencial, destacou Clodoaldo Nascimento, que é presidente da YES!Idiomas desde 2004. Ele começou como vendedor de cursos de inglês, em 1989 e dois anos depois chegou na YES, onde foi funcionário e concessionário até assumir o comando da rede. Par quem pretende investir no setor de franquias, Clodoaldo alerta:

“É preciso ter disponibilidade de tempo, saber que ele vai operar aquela franquia, porque o sucesso de uma franquia é uma coisa que tem a ver com parte da franqueadora — você está associado a uma marca, que já está no mercado, está consolidada —  mas só a marca consolidada, sozinha, ela não faz nada. Ela precisa de alguém que esteja atrás do balcão, dando o seu tempo, fazendo a coisa realmente acontecer”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, na página do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 10 da noite em horário alternativo. Está disponível também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno teixeira, Matheus Meirelles e Débora Gonçalves. 

Mundo Corporativo: na incerteza, seu comportamento não pode ser incerto, ensina Carlos Vaz, da Conti

Foto: Reprodução

“Eu acredito que excelência é aquilo que você faz diariamente, uma dedicação de ser uma pessoa melhor, seja pessoalmente, seja profissionalmente” Carlos Vaz, Conti Real Estate Investments

Diante de tantas incertezas, o que não pode ser incerto é o seu comportamento diante delas. Essa é uma das lições aprendidas pelo empresário Carlos Vaz que, há 21 anos, desembarcou nos Estados Unidos, para um estágio não remunerado, em um escritório de advocacia, em Boston. Na época tinha algo em torno de US$ 300,00 no bolso e um aluguel a pagar de US$ 350, segundo conta. Até hoje, a Conti Real Estate Investments, empresa que criou e batizou com o sobrenome da mãe, há 11 anos, já registrou mais de US$ 1 bilhão em transações imobiliárias.

Carlos Vaz foi o entrevistado do programa Mundo Corporativo quando falou da trajetória dele, das oportunidades de negócios para brasileiros que querem investir nos Estados Unidos ou que planejam montar empresas por lá:

“O profissionalismo não tem nacionalidade. A coisa mais importante para nós como brasileiros é suar a camiseta todo o dia ..… Nós temos capacidade de competir com o americano, com o japonês, com o europeu ..… Essa gana de fazer o seu melhor, de querer ajudar as pessoas ao seu redor e sempre buscar o profissionalismo …”

O negócio da Conti é captar recursos com investidores, comprar imóveis, que serão alugados, e fazer a gestão financeira e condomininal. Segundo Carlos, a companhia tem atualmente 9 mil apartamentos sendo administrados e cerca de 300 pessoas trabalhando diretamente. Está localizada em Dallas, no Texas, e, em plena pandemia, abriu dois escritórios, em Miami e Rio de Janeiro:

“A pandemia acelerou, facilmente, de cinco a dez anos os negócios. Você percebeu que aquilo tudo que você faz hoje — não é só a sua inteligência, mas também a sua capacidade de se adaptar e sua capacidade de executar. A pandemia nos forcou a fazer as coisas diferentes, a fazer uma adaptação porque aquilo que levou você aqui não levará você lá”.

Filho número 8 de nove irmãos, Carlos diz que a educação oferecida pelos pais e os valores que ensinaram a ele, ainda na época em que viveu em Viçosa, Minas Gerais, foram fundamentais para vencer nos negócios. Mesmo tendo abandonado o curso de direito que iniciou no Brasil, o empresário lembra que, ao chegar nos Estados Unidos, tinha a convicção de que precisaria continuar estudando e realizando cursos, de preferência nas melhores escolas possíveis, pois também seria uma oportunidade para criar relacionamentos.

Para os brasileiros que querem iniciar negócio nos Estados Unidos, uma das recomendações de Carlos é que procure as câmeras de comércio, onde vão encontrar informações relevantes e assistência nas mais diversas áreas. Recomenda que se busque estados e cidades que estejam em crescimento e cita, como exemplo, o Texas. 

Sobre as habilidades para liderar uma empresa, o empresário identifica cinco aspectos que devem ser considerados:  

  1. Integridade
  2. Excelência
  3. Crescer e aprender
  4. Fazer a diferença
  5. Ter gana e paixão pelo que faz
     

E conclui:

”Nesse momento de desespero, fé é fundamental. Nosso comportamento não pode ser incerto. Procure sempre estar aprendendo; ouça bastante porque você vai pegar opiniões diferentes; veja o que você quer; não deixe de aprender; de olhar para você mesmo para tentar fazer melhor; e imagine: quando eu chegar a algum lugar, quem eu quero ajudar?”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal do Youtube, na página do Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar, aos sábados, às 8h10 da manhã. E está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Matheus Meirelles e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: ao deixar cargo de presidente da L’Oréal no Brasil, An Verhulst-Santos diz que legado é uma empresa mais diversa, digital e próxima das pessoas

Foto: Divulgação

“Vai precisar ter muita resiliência. Nós estamos vivendo um momento difícil. Muita criatividade, muita fé que as coisas vão melhorar. Eu acho que cada um se sente mais conectado com os outros. E vamos sair muito mais fortes do que entramos”


An Verhulst-Santos, L’Oréal no Brasil

“Como você está?” passou a ser a pergunta chave nas conversas corporativas, desde o início da pandemia, nos escritórios e fábrica da L’Oréal no Brasil. Pergunta que pouco se fazia na época em que todos dividiam o mesmo espaço físico; e na pressa de dar início as reuniões de trabalho, era esquecida, sem considerar que o colega ao lado levava à empresa sentimentos e emoções. 

De acordo com An Verhulst-Santos, presidente da multinacional francesa aqui no Brasil, a forma de conversar e ouvir o outro  foi uma das mudanças de comportamento necessárias para que gestores e colaboradores superassem o desafio imposto pelas restrições sanitárias que levaram ao distanciamento e ao trabalho remoto. Uma mudança que permanecerá influenciando as relações com colegas, parceiros de negócio e clientes:

“Nesse momento, nunca fomos tão perto das nossas equipes, dos nossos parceiros e das nossas consumidoras para ouvir suas necessidades … ’Como você está? virou algo muito importante para conectar”.

No último dia como presidente da L’Óreal no Brasil, An Verhulst-Santos conversou com o Mundo Corporativo e demonstrou muita satisfação com os resultados alcançados nesta segunda passagem pelo país. Ela segue agora para o Canadá onde assumirá outro posto de comando na empresa, na qual trabalha há 30 anos:

“O Brasil é um país extremamente especial para mim, é meu pais do coração. Eu sou uma líder muito colaborativa, com muita empatia, que trabalha muito a inclusão. E nós deixamos um trabalho lindo, reforçado  com uma equipe maravilhosa e de excelência. E um grande trabalho sobre a digitalização, sobre a sustentabilidade e sobre a diversidade e inclusão”.

An também deixa uma empresa que investiu alto na transformação digital para se adaptar às necessidades das clientes, no último ano. Ela calcula que em cinco meses foram implantadas mudanças que estavam previstas para os próximos cinco anos, acelerando a ideia que tem movido a L’Oreal de ser a empresa número um de ‘beauty tech’ no mundo. Uma das inovações foi para atender a demanda de clientes acostumadas a experimentar os produtos antes de comprá-los: uma ferramenta na qual é aplicado o conhecimento de ‘realidade aumentada’ que permite que as consumidoras façam simulações com os produtos, sem sair de casa.

Ao mesmo tempo que algumas soluções vieram de experiências no exterior, outras foram caseiras, graças a relação da L’Oréal com startups do setor que atuam no Brasil. De acordo com a executiva, um exemplo foi a plataforma que permitiu o uso de WhatsApp para as clientes tirarem suas dúvidas e receberem conselhos de funcionárias da empresa, o que resultou em 20% mais conversões de venda do que o acesso pelo site. A realização de live-streaming  no qual a cliente podia comprar o produto ao mesmo tempo em que participa do evento foi outro projeto criado no Brasil.

“A consumidora brasileira é uma consumidora extremamente exigente, uma consumidora que tem demandas sobre a vivência, necessidades muito particulares. E quando você consegue trazer produtos para o mercado brasileiro, você consegue convencer qualquer consumidor no mundo inteiro”

Sobre diversidade, um dos aspectos que chama atenção na troca de comando é que a primeira mulher a assumir a presidência da empresa no Brasil será substituída por um homem, Marcelo Zimet, quando a expectativa era de que continuasse sob uma liderança feminina, especialmente porque a L’Oréal tem como sua clientela principal as mulheres. An nega que isso seja um retrocesso e lembra que as mulheres são 64% dos colaboradores da empresa e 55% dos cargos de liderança:

“Por que seria um recuo? Marcelo é um homem extraordinário, um brasileiro não só de coração, mas também de nascimento, que conhece super bem o Brasil e trabalha há bastante tempo na empresa e que conhece bem o consumidor. O assunto não é só de ser homem ou mulher para trabalhar na beleza. O assunto é de tentar entender, de ter a empatia de escutar o consumidor e de escutar a necessidade que essa pessoa tem … Não é, ser homem ou mulher, é a complementaridade de todas essas pessoas juntas que faz essa empresa mais forte.”

Apesar do crescimento que teve dentro da L’Oréal, An lembra que sua trajetória, sim, enfrentou dificuldades e barreiras inerentes ao mundo corporativo. Para superá-las, exercitou a resiliência – característica que por várias vezes citou durante a entrevista –, especialmente quando teve de convencer os outros de seu ponto de vista. Em relação a liderança feminina, ela diz que, por tudo que passam na vida, as mulheres criam uma força que as capacita a encarar os desafios da profissão:


“Uma mulher que seja CEO ou não seja CEO é CEO da vida dela. Porque nós temos uma força tão grande, as mulheres, de fazer este multitask. Nós somos capazes de fazer nosso trabalho, ser mãe, ser parceira, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, eu acho que isso é que faz as mulheres o CEO da vida dela”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site www.cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, domingo, às 10 da noite, e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e do Matheus Meirelles.

Mundo Corporativo: José Salibi Neto decifra o algoritmo da vitória

Foto de Pixabay no Pexels

“Eu acredito muito no potencial do ser humano. Eu já fui transformado alguma vezes. Mas você precisa ter alguém junto para te ajudar em alguma situação. E nesse caso é o grande treinador, o grande coach”, José Salibi Neto

O algoritmo é uma sequência de instruções bem definidas. Mas nas relações humanas, regras e procedimentos não são perfeitamente definidos. Então, para fazer esse algoritmo rodar com resultados satisfatórios é essencial a figura do coach ou do treinador que tem de adaptar esse sistema a quem ele treina, ter engenhosidade para conectar essas duas pontas  — algoritmo e esportista — e converter problemas maiores em partes menores e mais simples de resolver.

Essa é a ideia central do trabalho desenvolvido por José Salibi Neto, ex-tenista, cofundador da HSM e dos maiores especialistas em gestão no país, e Adriana Salles Gomes, admiradora de esportes, especialmente dos cavalos de corrida, jornalista e craque em economia e negócios. Juntos, escreveram o livro ‘O algoritmo da vitória” (Planeta Estratégia), após cinco anos de muita pesquisa, leitura e entrevistas com alguns dos melhores técnicos esportivos do mundo. 

José Salibi Neto falou do resultado deste projeto e de como aplicá-lo na gestão de negócios, no programa Mundo Corporativo, da CBN. E falou  com o mesmo entusiasmo da época em que, jovem e estudante na Universidade da Carolina do Sul, entrava em quadra com o sonho de ascender ao topo do ranking mundial. Na época nem tudo saiu como ele planejava, por isso teve se transformar algumas vezes —- como destacado na frase que abre este texto. O esporte, no entanto, virou lição e metáfora para a sua carreira:

“O CEO na verdade é o técnico do time dele, ele é o grande coach. Tem que colocar os jogadores certos nas posições certas. Desenvolver a cultura do time. Fazer o treinamento. Analisar cada um dos seus comandados para ver quais são os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Então, esses grandes treinadores, eles são muito cuidadosos nisso porque eles não podem errar”

Um líder de excelência é capaz potencializar os talentos que têm em seu time. Foi o que fez Larri Passos com Gustavo Kuerten, um jovem de grande talento mas que tinha sua vida marcada por uma série de intempéries que poderiam tirá-lo completamente do foco da carreira vitoriosa que construiu. 

“O caso mais dramático foi o caso do Guga, porque ele tinha tudo para dar errado, perdeu o pai em uma quadra de tênis, aos nove anos, a mãe era assistente social, o irmão necessidade de ajuda constantes devido a problemas de saúde e ele vivia em uma cidade sem tradição no esporte”. 

Para se entender o algoritmo da vitória explorado por técnicos de grande sucesso nos mais diversos esportes, José Salibi e Adriana o dividiram em oito etapas:

  1. Encantar — aqui contam os critérios para recrutar talentos, desenvolver atletas, criar neles autônoma e amor pelo que fazem
  2. Kaizen mental — é preciso balancear foco e relaxamento, e trabalhar tanto mente como corpo: “no mundo empresarial ninguém se importa com isso”
  3. Time escalador — é necessário montar um time com pessoas complementares, em talento, em personalidade, em experiência e em energia; e saber construir confiança e controlar o ego
  4. Código de Comunicação —- palavras, imagens e gestos são códigos que precisam ser criados com seus atletas; entender qual o momento adequado para transmitir a mensagem: “às vezes você mata o talento na maneira de se comunicar”
  5. Estrategizar — o técnico precisa pensar estrategicamente, planejaras diversas etapas, priorizar resultados e competições ao longo da temporada, identificar alternativas
  6. Ambiente de crescimento —- tem de alternar estabilidade e mudança para que os atletas aprendam e cresçam; pensar em processos, relacionamentos, estruturas etc
  7. Aprendizado — o algoritmo dos técnicos precisam ser constantemente atualizados
  8. Algoritmo —- é preciso criar o próprio algoritmo, etapa por etapa, e saber rodá-lo no ‘hardware’ que é onde entrar o dono da equipe e os dirigentes que precisam estar alinhados, acima de tudo, culturalmente.

O algoritmo da vitória virou uma metodologia que pode ser aplicar a qualquer empresa e a qualquer técnica, de acordo com José Salibi Neto:

“No mundo empresarial tem de desenvolver essa mentalidade de coach. O Jorge Paulo Lemann faz isso muito bem. Veja quantos líderes ele conseguiu desenvolver. Ele se considera muito mais um diretor de recursos humanos do que CEO. Se você não desenvolver as pessoas, você não tem resultado”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, às 11 da manhã, no site da CBN, no canal do YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal. da CBN; aos domingos, às dez da noite; e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Mundo Corporativo: Paula Morais, da Intera, sempre pronta para ‘hackear’ os sistemas

Foto: Divulgaçao/Intera

“Existe sim uma barreira que a gente precisa quebrar. E a gente está nesse processo de quebrar, com o advento de ter cada vez mais mulheres nesse mundo de inovação e tecnologia, e de empreendedorismo”

Paula Morais, intera

Mulher, jovem e empreendedora. No passado, essas três palavras não cabiam em uma mesma frase — aliás, se para você seguem não cabendo, você está ultrapassado. Não significa que as barreiras de gênero tenham caído. Aparecem a todo momento no local de trabalho, nas reuniões de negócios ou  nas discussões corporativas. Muitas vezes de forma inconsciente, como descreve Paula Morais —- mulher, jovem e empreendedora, entrevistada pelo programa Mundo Corporativo da CBN:

“Quando fui falar com um fundo de investimento, em 2019, fui com o meu sócio que é homem. Todos esses fundos, a maior parte é composta por homens. Muitas vezes, eu fazia o discurso, mas a pergunta ao final era para ele e não para mim. É quase que uma descrença no processo”.

Para Paula, fundadora da Intera, que atua no setor de recursos humanos e recrutamento digital de profissionais, esse comportamento é pautado no histórico de uma sociedade machista e patriarcal que influencia na confiança em negócios que são liderados por mulheres. E na confiança da própria mulher em querer ser empreendedora. Acostumada a superar essas dificuldades ou a ‘hackear’ esse sistema — para usar um termo mais apropriado para os negócios em que Paula Morais atua — a recomendação dela é que o foco seja na busca de soluções  para necessidades que existem no mercado — e isso deve servir para quem sofre por questões de gênero, de raça e de idade, também:

“Empreender é resolver problema, então isso é independente de qualquer um desse vieses. Não tem muito a ver com idade. Tem muito mais a ver com a fome que você tem em de fato resolver um problema e trazer uma solução que melhora o mercado do que que com qualquer outro marcador. 

Foi por pensar assim que Paula Morais encontrou o caminho para criar uma série de negócios, a começar pelo primeiro marketplace de aluguel de itens do Brasil. Em 2018, ela fundou a Intera ao lado de Augusto Frazão e Juliano Tebinka: eles desenvolveram tecnologia para desconstruir o modelo tradicional de recrutamento de talentos, tornando o processo mais assertivo e ágil — ou para ‘hackear’ o sistema de recrutamento. A ideia recebeu recentemente um aporte de R$ 2,5 milhões de investidores anjos que permitirá a criação de soluções tecnológicas que poderão ser usadas diretamente pelas empresas, transformando o que hoje é serviço em um produto.

“O Brasil é um grande terreno fértil para empreendedores. Uma vez que nós temos um monte de problemas. Todo mundo me pergunta: “ah, porque você não vai para fora, porque você não mora fora?”. Não tem lugar melhor no mundo, hoje, para você empreender por causa  da quantidade de problemas que a gente tem aqui. Empreender é isso: é você resolver uma dor. Você trazer uma solução que resolve uma dor de alguém. E você cria um negócio a partir disso”.

Na entrevista ao Mundo Corporativo, Paula conta que muito mais do que há cinco anos, o cenário de venture capital —- ou de capital de risco —- que aposta em negócios inovadores cresceu no Brasil. Para aproveitar esse momento é preciso que se considere o que ela chama de ‘market fit’,  ou seja, se a solução que você tem resolve a dor de alguém e se este público está disposto a pagar por isso:

“Muita gente quer colocar uma solução em pé da sua própria cabeça, quando quem tem de dizer é o seu cliente. Meu conselho é ouvir o cliente, testar e  jogar de novo até você fazer o ‘fit’. A gente foi treinado aqui no Brasil pra não errar. A gente tem essa cultura do não-erro. E o empreender é errar. Você erra muito mais do que você acerta, principalmente no começo”

Três características para ser empreendedor, segundo Paula Morais

  • Resiliência — “estar disposto a passar perrengue, a viver um período que não vai ser fácil e ser capaz de sair dele de cabeça em pé”
  • Foco — “para evoluir, se você disser sim para tudo, tentar fazer tudo, não faz nada; tem de saber qual é a sua meta principal”.
  • Verdade — “saber assumir quando você consegue e quando não consegue, porque isso, mesmo que você não ganhe no curto prazo, gera confiança no longo prazo”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo e em vídeo, no Youtube, no Facebook e no site da rádio CBN, às quartas-feiras, 11 horas da manhã. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite; e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Matheus Meirelles e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: André Machado, da AsQ, explica como deixar líderes longe da empresa ajuda na criatividade

“… ele tem de ter uma gestão muito mais participativa, trazer os objetivos, discutir com a equipe, usar a tecnologia que está super a favor da gente para coletar as ideias” —- André Machado, AsQ

Profissionais com facilidade de adaptação, resilientes diante dos desafios que tendem a surgir com maior frequência e que saibam proteger sua vida pessoal para que não seja impactada pela profissional —- a medida que ambas passam a dividir o mesmo espaço com o sistema de home office. Essas são algumas das características de colaboradores que têm se destacado ao longo desta pandemia, na opinião de  André Machado, CEO da AsQ, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Especializada em gestão de saúde privada, a AsQ foi lançada em agosto do ano passado, no auge da pandemia, após gestores e executivos perceberem a oportunidade de negócio que havia naquele momento crucial para operadoras de planos de saúde, empresas e seus beneficiários. Além de desenhar seus escritórios para a nova realidade e manter muitos funcionários trabalhando à distância, André conta que a partir da troca de experiências da equipe, criou-se um sistema que passou a ser chamado de “ócio criativo”:

“A gente criou uma tarde, uma manhã,  um turno do dia da semana, em que o gerente não está disponível para o trabalho, mas terá de fazer algo que estimule a oxigenação, a criatividade … ele não está disponível para a gente, para as pessoas da empresa”

Segundo André, a estratégia atende a dois aspectos: a formação de novos líderes, pois o gerente é obrigado a delegar autoridade a pessoas de sua equipe; e a busca de soluções que surgem a partir do instante em que o gestor é estimulado a desestressar.

Além de equipes bem preparadas, o CEO da AsQ cita o fato de que a empresa está baseada na tecnologia, com pessoal dedicado a inovação e aberto a troca de informação com os parceiros de negócio. Uma das novidades que estão sendo trabalhadas, a partir do compartilhamento de conhecimento, é a de tecnologia vestível que propiciará uma experiência melhor para as pessoas, diz André.

“Tem pouquíssimas pessoas que querem voltar para o escritório e como eu presto serviço de saúde, tenho de trabalhar muito para dentro de casa, então eu mantenho o apoio ao colaborador para que ele tenha uma sustentação psicológica e de saúde para se manter nesta lógica do trabalho”.

Quanto ao papel dos líderes, André Machado identifica a necessidade deles encontrarem novas formas de administrar suas equipes:

“… o gestor tem de estar muito envolvido nisso, em querer servir; e esse trabalho à distancia, eu acho, deixou isso muito mais forte; ele tem de estar muito mais disposto a isso”

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo ou pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.