Fator clima é o novo aliado para produção e venda de produtos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

large_iqmhxnva0wgbv7r8ezvcvy_nnzm6koyu9tkd6tzr-bc

 

Howard Schultz fundador da Starbucks conta que em junho de 1994 havia começado as férias mais desejadas da sua vida quando foi alertado por Orin um de seus executivos:

 

– “Houve uma séria geada no Brasil. O preço do café enlouqueceu”.
–  “No Brasil? a Starbucks nem compra café do Brasil”.

 

Schultz teve que interromper as férias para enfrentar uma das maiores crises da empresa, diante da subida dos preços ocasionada pela intempérie climática do maior produtor de café do mundo. Mesmo não sendo seu fornecedor.

 

“Não era nada que pudéssemos evitar nada que sabíamos como lidar”.

 

Se em 1994 a justificativa de Howard poderia ser aceita, os fatos recentes da seca na região de São Paulo, ou o rigoroso inverno que ocorreu no sul e sudeste brasileiro, poderiam muito bem ser previstos e considerados. Evitando perdas no caso da seca e obtendo ganhos no caso do frio.

 

É nesta linha que a 11ª edição do The Global Risks, fruto da reunião de Davos deste ano, apontou pela primeira vez as mudanças climáticas como o maior risco global, na frente das armas de destruição em massa e da crise hídrica.

 

Por isso, dia 6 uma equipe do FSB* do G20* se reuniu em São Paulo, com a CVM*, BM&FBOVESPA*, IBGC* e Ambima*, de acordo com nota do Estadão, para ouvir sugestão de empresários quanto a formação de indicadores financeiros relacionados com o clima. O objetivo é que os agentes econômicos gerenciem melhor os riscos climáticos de cada atividade.

 

A boa notícia é que empresas brasileiras já estão engajadas neste processo.

 

A Natura ganhadora em 2009 do Prêmio ECO* de Modelo de Negócio é a primeira do mundo no setor de cosméticos a fazer uma análise ambiental de ponta a ponta em sua cadeia, inclusive de uso do produto.

 

A Duratex, empresa premiada em 2013 com o Prêmio ECO, por Práticas de Sustentabilidade, substituindo a água dos sanitários, previu a crise de água ocorrida em 2014 e adotou o seu reuso.

 

A Fibria venceu um Prêmio ECO com o projeto de Engajamento com seu público de interesse.

 

O desafio é alastrar essas práticas para empresas de outros setores e de todos os portes.

 

Se, por exemplo, no sul e no sudeste as empresas de moda adotassem o clima como parceiro poderiam ter vendido na crise mantôs, sobretudos, botas, etc. como nunca.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

¨¨
“Dedique-se de coração”, Schutz, Howard, São Paulo, Negócio Editora, 1999.
*FSB – financial stability board
*G20 – grupo dos vinte
*CVM – comissão de valores mobiliários
*BM&FBOVESPA – bolsa de mercadorias e futuro da bolsa de valores de São Paulo
*IBGC – instituto brasileiro de governança corporativa
*Anbima – associação brasileira de entidades do mercado financeiro e de capitais
*Prêmio ECO – patrocinado pela AMCHAM e Valor Econômico
AMCHAM – american chamber of commerce for Brazil

Ao infinito e muito além do comércio eletrônico

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

4670557372_0d5f4d9a24_z

 

As atuais Agências de Afiliação possibilitam ao e-commerce individual agregar outros tornando-se um Marketplace e ganhar comissão sobre as vendas realizadas. Na linguagem técnica são chamados de “afiliados” ou “publishers”.

 

Ao mesmo tempo, esses e-commerces também poderão ser divulgados em outros sites e Marketplaces pagando comissão pelas vendas que forem realizadas. São os “anunciantes” ou “advertisers”.

 

Esse sistema é sinérgico e democrático, pois vale não só para e-commerces e Marketplaces, mas também para blogs e redes sociais – twiter, facebook, Orkut.

 

É um avanço e tanto, pois, em 1994, quando a Amazon iniciou o seu comércio eletrônico estava isolada na web, assim como todos os outros da época.

 

Deu no que deu. A cartilha primária do varejo, que estabelece a necessidade de centros comerciais com bom mix de marcas, não foi seguida pelo “boom” inicial do e-commerce.
A maioria sucumbiu, e dos que permaneceram, boa parte se transformou em Marketplace, como a Amazon. Mais recentemente, os operadores que já tinham ou abriram lojas físicas puderam se tornar sistemas “omni-channel”, que é o formato recomendado para o sucesso.

 

Hoje, o Brasil conta com boa variedade de Marketplaces, locais onde se encontram marcas reconhecidas com produtos e serviços horizontais e verticais como Submarino, Bondfaro, Mercado Livre, Dafiti, Shop2gether, etc. Além de marcas individuais com e-commerce avançado, como Lojas Americanas, Magazine Luiza, Livraria Cultura, etc. Condição que propiciou às Agências de Afiliação um efetivo desenvolvimento. Destacam-se as nacionais Lomadee e Afilio, e a alemã Zanox, líder na Europa. Empresas que certamente mudarão o panorama do comércio com este sistema ganha-ganha, que potencializa o marketing de resultado.

 

É incerto prever os desdobramentos, mas é certo que irá mexer com o futuro do comércio em geral.

 

Sabemos que a partir da experiência do Shopping Piratas, sobre a qual já escrevemos neste Blog, outros Shoppings físicos estarão na web, e encontrarão Marketplaces com plataformas avançadas. Pode ser uma nova fase de integração. Vale a pena acompanhar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Charis Tsevis no Flickr

Mundo Corporativo: oportunidades profissionais de eventos na Copa do Mundo

 

 

Organizadores, fornecedores e profissionais do setor de feiras e eventos tiveram de se profissionalizar, se reformular e buscar novas tecnologias para atender as demandas da Copa do Mundo, mudanças e conhecimento que podem impactar positivamente este mercado. A opinião é de Marcello Baranowsky, diretor do Grupo EventoFacil, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. De acordo com o executivo, o segmento movimenta R$ 20 bilhões por ano, boa parte na cidade de São Paulo, mas tende a se espalhar por outras cidades, do Sul e Nordeste, que têm investido em infraestrutura para receber grandes eventos e feiras.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, e enviar perguntar para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.

O pessoal de terno do League of Legends

 

 

Os de terno só podem ser os investidores, disse meu filho mais novo em meio a duas ou três dezenas de pessoas – a maioria vestida informalmente – convidadas a participar de lançamento do circuito brasileiro de League of Legends, jogo online que carrega a impressionante marca de 67 milhões de jogadores por mês, no mundo. No quarto andar do prédio onde funciona a Riot Games Brasil, empresa que cria e organiza as competições, no bairro de Perdizes, zona Oeste de São Paulo, com meus 50 anos, imaginei ser o mais velho, e achei melhor não confirmar com aqueles que aparentavam a mesma idade. Logo que se iniciou a apresentação entendi que foi melhor assim, dado que Roberto Lervolino, gerente geral e comandante da equipe, informou que, apesar de ser o mais recente funcionário, era o mais velho com seus 44 anos. Os demais que se encontravam no evento eram admiradores, independentemente da função que exerciam. Alguns eram jogadores profissionais identificados por seus uniformes com o nome da equipe e patrocinadores, lembrando os atletas dos esportes mais afamados. Aliás, assim são tratados apesar de no Brasil o eSport ainda estar amadurecendo se comparado com mercados consolidados como o dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Lá, alguns desses jogadores são ídolos de uma geração que nasceu diante do computador e tem trocado as modalidades de campo pelas de videogame. Chegam a faturar por ano 200 mil dólares, em salário, além de terem todas as despesas cobertas para se dedicarem ao treinos e competições.

 

Aqui no País, os valores são menores porém muitos desses jogadores já são reconhecidos por seu público e as competições se transformam em oportunidade de emprego para diversos profissionais. Durante a Brasil Game Show, realizada ano passado, em São Paulo, fiquei impressionado com os locutores, comentaristas e analistas responsáveis pela animada transmissão do evento, que pode ser assistido ao vivo e pela internet. A própria Riot está em crescimento e pretende ampliar o seu quadro atual de cerca de 50 funcionários no escritório brasileiro. Esse foi um dos anúncios feitos na noite do evento, apesar de não ter sido o mais aplaudido, pois o que a maioria queria saber mesmo era sobre a temporada de jogos de 2014. Pela primeira vez, o Circuito Brasileiro de League of Legends terá disputas presenciais fora de São Paulo, com etapas em Porto Alegre, Fortaleza e no Rio de Janeiro, com final marcada para o Ginásio do Maracanazinho, quando são esperados até 10 mil torcedores. Serão distribuídos R$ 100 mil em prêmios às equipes competidoras.

 

Acho que aqui vale uma explicação para você que não está acostumado a esses esportes. O LoL, este é o apelido do jogo, é disputado entre dois times de cinco jogadores que têm como objetivo conquistar a base inimiga em um campo de batalha imaginário e com personagens com desenhos extravagantes. Não me arriscarei a descrever as estratégias de cada equipe pois isto não é coisa para amador em eSport. Apesar do cenário fantasioso, da informalidade nas conversas e de os games ainda parecerem brincadeira de criança, League of Legend é coisa muito séria, haja vista a infraestrutura das equipes e a organização dos eventos. A Riot Games Brasil funciona como uma espécie de CBF do Lol, diria até que mais séria, pois administra as competições, tem se esforçado para trazer novos patrocinadores e colocado ordem na casa ao punir abusos e comportamento antiético. Um dos assuntos na entrevista coletiva que acompanhei foi o afastamento temporário sofrido por profissionais que estariam cobrando para jogar em contas de outros jogadores e os ajudado a melhorar no ranking, prática ilegal conhecida como elojob. A preocupação com o equilíbrio emocional dos jogadores também foi evidente ao perceber que a empresa está interessada em oferecer aos atletas suporte psicológico como acontece com as equipes estrangeiras, pois a necessidade de trabalharem com estratégias coletivas, além da pressão pelos resultados e a fama alcançada, exigem cuidados.

 

Pouco antes da apresentação se encerrar, provocado por pergunta feita pelo meu filho mais velho, os porta-vozes da Riot trouxeram mais uma informação interessante. Para trabalhar na empresa há necessidade de se passar por criterioso sistema de avaliação que, além de exigir total domínio do inglês, impõe maratona de entrevistas. Talvez explique a forma consistente como o Lol se desenvolve no Brasil e os motivos que levam este a ser o jogo online mais jogado do mundo. Enquanto os filhos faziam suas perguntas e comentários, meu papel no encontro foi apenas de observador, disposto a aprender o que tem levado tantos jovens a preferir as disputas online, atração que já chama atenção até mesmo dos clubes de futebol brasileiro que nas últimas décadas vêem as arquibancadas se esvaziarem. Náutico e Santos teriam dado sinais de que pretendem montar equipes próprias e levar suas marcas para os jogos online de olho nas novas gerações.

 

A propósito, os caras de blazer eram mesmo os investidores, representavam a Nvidia, Logitech e Benq.

Ë possível transformar o trabalho em satisfação pessoal

 

Por Denis Pincinato
Diretor Executivo da Aplicare

 

Um consultor recebe a incumbência de identificar a percepção de alguns colaboradores envolvidos na construção de uma universidade, sobre a importância de seu papel.
Ao entrevistar o responsável pelo almoxarifado ele faz a pergunta que repetiu para todos os colaboradores:

 

– O que você está fazendo?

 

O responsável pelo almoxarifado responde que ele está cuidando do material que será utilizado na obra e pediu licença, pois estava atrasado para uma entrega.

 

O próximo a responder foi um engenheiro.
– Sou o engenheiro responsável pela obra. Eu participei da construção do cronograma e de todo o planejamento. Agora estou controlando as atividades para que tudo seja entregue dentro do prazo.

 

O auditor respondeu:
– Eu controlo a utilização dos recursos e verifico o uso das horas. Aqui não admitimos desperdício de tempo.

 

Por último o consultor perguntou ao mestre de obras o que ele estava fazendo:
Agora estou erguendo uma parede, mas na verdade, estou construindo uma universidade que ajudará na formação de muitos estudantes e muitas pessoas do bem.

 

Ter consciência de sua importância dentro do contexto organizacional e do propósito de sua empresa é o primeiro passo para que o alinhamento de expectativas seja um gerador de motivação e não de desmotivação.

 

O trabalho faz parte de nossas vidas, e temos condições de transformá-lo em uma das fontes de satisfação pessoal, mas isso está mais em nossas mãos do que nas mãos de nossos chefes. Trabalhar em um grande varejista demanda muita disposição e prontidão para a mudança. Agilidade e rapidez são competências necessárias e muito valorizadas dentro deste contexto. O trabalho em uma indústria demanda orientação a processos e visão crítica em relação ao desperdício. Na área de serviços, o atendimento ao cliente é o grande carro chefe e habilidades de relacionamento e facilidade em aprender novos assuntos são requisitos essenciais para o sucesso do negócio.

 

Independentemente da área de atuação e do nível de desafio ao qual você está inserido, a empresa onde você trabalha possui objetivos comuns e muito claros: resultado financeiro positivo e, se possível, sempre crescente, manutenção de seus ativos (prédios, máquinas, equipamentos, pessoas), bom relacionamento com as partes envolvidas na sua cadeia produtiva (comunidade, governo, acionistas, fornecedores, clientes) e busca pela continuidade do negócio.

 

Com base em uma clara visão dos objetivos de sua organização, é possível identificar quais as competências valorizadas e desejadas para o desempenho das funções disponibilizadas por ela.

 

Mas realmente é possível ser feliz no trabalho?

 

Sabemos que existem muitas variáveis que continuam fora de seu alcance e que impactam diretamente a prontidão para a busca do aprimoramento e da felicidade no trabalho (o chefe e seus adjetivos, clima organizacional, falta de estrutura adequada, mudanças constantes, falta de reconhecimento, metas muito agressivas, pouca ou nenhuma autonomia, etc).

 

Vamos propor uma mudança de foco: ao invés de ficar dando atenção e alimentando apenas o lado ruim dessa sua relação com o trabalho, olhe para o lado positivo.

 

Aqui começamos a falar sobre Psicologia Positiva.

 

Um dos estudos mais relevantes da Psicologia Positiva é a Teoria de Flow. O professor e psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi passou a se interessar em descobrir quais eram os elementos que contribuíam para trazer uma vida que valesse a pena ser vivida, explorando arte, religião, filosofia e vários outros campos do conhecimento que poderiam ajudar nessa investigação. Ele finalmente achou que a psicologia poderia ser a ferramenta ideal para responder a sua pergunta.

 

 

Através do gráfico proposto por Mihaly podemos identificar que os desafios e as competências necessárias para vencê-los possuem uma relação direta com o nosso comportamento. Se estivermos desempenhando atividades com baixo nível de desafio e com baixo nível de exigência de nossas competências, é muito provável que a sensação predominante seja a apatia.

 

Evoluindo no eixo das competências, mas mantendo o nível de desafio baixo, podemos passar pelo nível de tédio ou aborrecimento, até alcançar o nível de relaxamento. Do outro lado, aumentando o nível do desafio, sem desenvolver nossas competências, passamos pelo estágio de preocupação, ansiedade e excitação. As atividades em que alcançamos o Fluxo, o nível de desafio é alto e possuímos as competências necessárias para “dar conta do recado”.

 

Por esse motivo é possível afirmar que está em nossas mãos a construção do nosso próprio sucesso. Se aceitarmos sem questionamento as atividades que não trazem desafios e não buscamos desenvolver competências, é muito provável que as oportunidades não aparecerão, ou se aparecerem, não estaremos preparados para aproveitá-las.

 

Flow – a maior expedição está no nosso dia a dia

 

Para atingir um novo patamar de excelência em sua vida, inscreva-se no evento FLow – a maior expedição está no nosso dia a dia, que se realizará nos dias 5 e 6 de novembro, a partir das seis horas da tarde, no Teatro Renaissance, na Alameda Santos, 2233, em São Paulo. Acompanhe as palestras de Waldemar Nicleviz, primeiro brasileiro a escalar o Everest, e Amyr Klink, navagador com mais de 25 anos de experiência e autor de cinco best-seller e mais de um milhão de exemplares vendidos. O evento terá como direcionador Mário Kojima, empreendedor serial no Valo de Silício, conselheiro da Facebook nos Estados Unidos, presidente da News Corp. na Ásia e Gerente Geral da BBT no Japão.

 

A inscrição pode ser feita pelos telefone (011) 2579-3808 e (011) 97038-9610

Mundo Corporativo: erros e acertos na gestão de serviços

 

 

Confundir serviço com atendimento e achar que atendimento é tudo, são erros comuns em um segmento fundamental para a economia brasileira – atualmente, 67% do PIB estão relacionados a área de serviços. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o consultor e professor da UNP – Universidade Potiguar, Kleber Nobrega, fala dos oito erros que devem ser evitados na gestão de serviços do seu negócio. Ele é autor do livro Falando de Serviços – Um guia para compreender e melhorar os serviços em empresas e organizações.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo pelo site http://www.cbn.com.br, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Ainda sobre Educação (e empreendedorismo)

 

Por Julio Tannus

 

Citei aqui na semana passada Edgar Morin e seu livro Os Sete Saberes sobre nossa Educação. Retomo ao assunto tomando a liberdade de reproduzir um texto de Eder Luiz Bolson, autor de “Tchau, Patrão”, da Editora SENAC:

 

A máquina educacional está lenta e enferrujada. Ela funciona da mesma maneira e anda sobre os mesmos trilhos desde o início da revolução industrial. Ela foi concebida pelas elites para transformar os indivíduos em bons e fiéis empregados. Os conhecimentos e habilidades são ministrados para construir pessoas que, depois de formadas, só funcionarão razoavelmente quando ligadas na tomada do emprego. Infelizmente, o desemprego é crescente e irreversível em todo planeta. Infelizmente o sistema de ensino continua sem perceber que o cenário já mudou. Continua sem perceber que é preciso mudar o enfoque. Que o emprego é importante, mas não é o único meio de aplicar os conhecimentos e habilidades recebidos pelos alunos. Que é necessário forjar atitudes empreendedoras nos estudantes. Que é preciso valorizar mais o individuo que gera seu próprio sustento, sem ter um patrão. Que é necessário e urgente começar a desenvolver pessoas dotadas de visão de futuro, perseverantes e preparadas para o processo de sonhar, planejar e construir seu próprio caminho.

 



O potencial empreendedor das pessoas e, dos brasileiros em particular, é enorme. Pena que ele só aflore na necessidade. A maioria não parte para o negócio próprio porque vê uma oportunidade. Isso é coisa de primeiro mundo. A maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros não entra espontaneamente para o mundo dos negócios. Ela é empurrada, forçada a empreender. A perda do emprego e a remota possibilidade de achar uma nova vaga fizeram surgir milhares de empresas informais, caseiras ou de garagem. São indústrias caseiras de salgados congelados, pizzas, pães de queijo, doces, massas, polpas de frutas, sucos, bonés, camisetas promocionais, roupas, calçados, bolsas, cosméticos, etc. Muitas conseguem sobreviver e fazer a passagem para o mundo das empresas reais. Outras naufragam depois que alugam uma área maior, tomam empréstimo bancário, contratam contabilista, passam a recolher impostos, taxas e contribuições. Quando essas pequenas iniciativas crescem, aflora o despreparo, a falta de capacitação dos brasileiros para a gestão de empreendimentos próprios. Isso é normal que aconteça, afinal, nenhum desses “empreendedores forçados” recebeu na escola qualquer ferramenta ou treinamento para ser patrão.

 



O ensino do empreendedorismo para crianças é fundamental. Ele é o suporte para o início de uma mudança cultural. É preciso começar, desde tenra idade, a forjar atitudes empreendedoras e mentes planejadoras nas pessoas. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar os espíritos acomodados, típicos de grande parte da população brasileira. Poderia modificar também o pensamento de origem espiritual, determinista, de muitos brasileiros. São aqueles pensamentos que imobilizam, que roubam a pro-atividade, que jogam o futuro nas mãos de um destino previamente desenhado, ou então, nas forças de alguma divindade que, pretensamente, a tudo e a todos conduz. Poderia ajudar a valorizar mais a figura do empreendedor individual. O brasileiro cultua o antiplanejamento, o “deixa a vida me levar”. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar esse hábito de deixar tudo por conta do acaso. O empreendedorismo formaria jovens dotados de mentes mais atentas nas oportunidades, com visão de futuro e muito mais planejadoras.



 

A educação é o único caminho para criar uma sociedade mais empreendedora no Brasil. O processo é lento. O potencial empreendedor é enorme, mas está latente. É hora de criar novos motores para os negócios. É tempo de despertar os jovens para uma nova maneira de viver. É hora de formar uma nova geração de brasileiros. É tempo de disseminar a educação empreendedora desde o ensino fundamental, até o superior. 




 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

Mundo Corporativo: Cidadania corporativa constrói marcas

 

Cidadania corporativa é a forma como as empresas se relacionam com a sociedade, consumidores, parceiros, colaboradores e governos. O conceito tenta ampliar a visão de sustentabilidade – por muito tempo confundida apenas com causas ambientais – e de responsabilidade social que as empresas desenvolvem. A opinião é da diretora de estratégia da Interbrand Brasil, Daniela Bianchi, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Pesquisa da Interbrand identificou que de 2 a 3% dos consumidores são levados a comprar um produto devido as ações de cidadania corporativa da empresa. Apesar do percentual ainda ser muito pequeno, Daniela se diz convencida de que a construção de uma marca, atualmente, tem ser pautada por estas ações.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Competir com harmonia

 

Gestão de empresas e pessoas foi o tema da entrevista de Wandick Silveira, diretor-presidente do Grupo Ibemec Educacional, ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele falou da necessidade de as empresas criarem um ambiente de competição mas, também, de harmonia para motivar os colaboradores e reter talentos. Durante a entrevista, Wandick comentou, ainda, sobre os jovens de até 24 anos e a influência deles nas relações corporativas.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br) com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e e-mail milton@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN