A obsessão pelo amanhã

 

Por Abigail Costa

 

Doses diárias de informação, pitadas de otimismo e assim vamos de segunda para terça, quarta…. E termina a semana para começar tudo de novo. Mas nem sempre o tempo segue a regra de um dia depois do outro. A informação que serviria para nos dirigir a pensamentos mais humanos cai em cabeças erradas e entra em cena o pessimista. Aquele que para tudo tem um “sei não!” ou “tô preocupado!”. Sim, todos temos lá nossas preocupações e não devemos menosprezá-las. Ninguém pede que os olhos sejam fechados para a realidade de hoje. A de hoje, não a de amanhã.

 

Também sei que o planejamento é um luxo necessário, assim como o otimismo. Mas sem exageros, por favor. Outro dia passei no shopping, olhei a vitrine da loja e elas, as árvores de Natal, já estavam lá. Enfeitadas com dezenas de luzes piscando. Fiquei meio perdida. Agora há pouco não foi sete de setembro, data festiva, marcando a Independência desta terra tão querida? Era como se tivesse recebido um recado para acelerar as coisas, os passos, a vida. Mais à frente tem ainda Dia das Crianças, dos Professores, a semana do saco cheio… Hoje mesmo tem tanta coisa para acontecer antes do Natal.

 

É a obsessão pelo amanhã. Verdade que o comércio precisa pensar com antecedência e entendo que empresas nesta época já pagam parte do décimo terceiro salário. Compreendo toda a logística do negócio. Mas confesso a minha fragilidade em aceitar a chegada do Natal em setembro. De sofrer agora, antes das eleições, por temer que a cidade não ficará em boas mãos, ou que as previsões para o ano que vem são de um crescimento tímido.

 

Quando tenho consciência de que estou fazendo minha lição de casa de forma correta, leal e honesta, o pessimismo me incomoda. Hoje será sempre meu dia preferido para realizações.

 


Abigail Costa é jornalista, faz MBA de Gestão do Luxo e escreve no Blog do Mílton Jung.