Estudantes em vestibular online dão uma lição em negacionistas do voto eletrônico

 

Por Carlos Magno Gibrail

Foto Pixabay

 

Há um ano o mundo político evidenciava o surto de direita em países de importância econômica e geográfica, quando os indícios da epidemia despontavam. Hoje, passados doze meses dos estragos causados pelas sequelas de políticas nacionalistas e contaminadas pelos efeitos do vírus, que os negacionistas continuam ignorando, a luz que se apresenta é a vacinação. 

Como a vacina Sputnik V começa agora a ser aplicada na Rússia, e quem sabe pode atuar duplamente como o Sputnik original, quando despertou os Estados Unidos para a corrida espacial e impulsionou a luta pela democracia global. A eleição americana de Joe Binden é um indicio, assim como de certa forma a votação municipal, que recém terminou entre nós também sinaliza mudança, indicando o enfraquecimento do extremismo político.

De outro lado, o ruído sobre o voto eletrônico brasileiro, com um sistema que apura dezena de milhões de votos em 1 hora, e tendo como exemplo o arcaico modelo de votação americano, configura-se um contrassenso a cogitação da volta ao passado do voto no papel.

Eis que, na quarta-feira a Universidade Mackenzie iniciou o processo seletivo online para um robusto complexo de cursos que irão graduar milhares de jovens em áreas prioritárias para o desenvolvimento do país:

Arquitetura e Urbanismo, Administração, Administração Gestão de Comércio Exterior, Ciências Biológicas, Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Direito, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Sistemas de Informação, Tecnologia em Gastronomia.

Na verdade, fiquei sabendo dessa informação pelo meu filho adolescente, vestibulando de Direito, que na véspera me lembrou, que a partir do meio dia de quarta-feira estaria em seu quarto prestando o seu primeiro vestibular. 

Estava tão tranquilo quanto no dia seguinte, momentos antes de iniciar a prova. Fato que me levou a comparar a diferença entre o presencial e o virtual — entre o deslocamento para um exame na sala de aula, enfrentando trânsito e chegando ao tradicional ambiente tenso sob todos os aspectos no local da prova, e o quarto do adolescente, tradicionalmente um território de total domínio deles, a tal ponto que a porta fechada permanentemente para caracterizar esta condição é fato universal.

Perguntei a ele como fica estabelecida a segurança da prova, ao que mostrou perfeita credibilidade, informando que o controle seria exercido pela tela, e a regra não permitia a ausência do aluno. Além de a qualquer momento haver a possibilidade de ter de girar a câmera para que todo o recinto pudesse ser observado pela fiscalização quando essa solicitasse.

O sistema, de acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, está baseado no Remote Proctored IBT, que significa Teste Baseado em Internet com Monitoramento Remoto, que pode ser realizado em qualquer local físico conveniente. O vestibulando é monitorado ao vivo e à distância, por meio de áudio (microfone) e vídeo (webcam). A sessão inteira é gravada online e faz parte do histórico do candidato.  

Nesse domingo, a PUC Pontifícia Universidade Católica fez o seu exame de seleção online, trazendo também carreiras tão essenciais ao progresso nacional, e nas mesmas características que o Mackenzie. 

É um sistema que acredito veio para ficar, e por isso deverá se aperfeiçoar. Um dos pontos será quanto às condições restritivas, como a obrigatoriedade do computador com webcam e áudio, e da conexão de internet estável na velocidade mínima de 512 kbps. 

Supridas estas demandas, podemos dizer que o sistema é mais vantajoso e confiável que o presencial, pois registra o candidato durante todo o processo e grava áudio e imagem. Também é mais confortável e elimina despesas de locomoção e instalação do local da prova. 

Cabe inclusive a comparação com o processo eleitoral quando se discute voto eletrônico e impresso no viés da segurança e do custo.

A questão é cientifica e técnica, e o problema surge quando se interpõem forças políticas e ideológicas. Apostamos no conhecimento acima das influencias impertinentes, e o voto eletrônico certamente ficará, assim como o vestibular online deverá ser analisado como alternativa ou opção.

Boa prova a todos os jovens que já estão com sorte, afinal quem não gostaria de ser examinado dentro do seu domínio?  

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.   

Soluções de sustentabilidade que devem servir de inspiração ao varejo no Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Compra online tem sido opção sustentável para o consumidor (Foto: Pixabay)

 

A sustentabilidade, convenhamos, ainda não é um tema majoritário em termos de mercado. Embora nas áreas política e econômica seja tema obrigatório, a ponto da reunião do Fórum Econômico de Davos ter sido centrada na discussão sobre o meio ambiente. Por isso, para as corporações que atuam em contato com o mercado e são inovadoras, é conveniente prestar atenção em seus desdobramentos.

 

Foi o que se identificou na NRF 2020, em Nova York, que como se sabe é um significativo evento do varejo. Várias marcas de diversos segmentos testemunharam o sucesso de sistemas de comercialização, que objetivando melhorias e acessibilidade aos consumidores tem trazido resultados excepcionais — para os clientes, para a empresa e para o meio ambiente.

 

Em recentes abordagens, tivemos a oportunidade de relatar o papel da sustentabilidade em geral e particularmente no evento de Nova York. Vamos agora especificar alguns casos que podem servir de inspiração para o mercado brasileiro.

 

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thredUP é a maior vendedora online de produtos usados do mundo (Foto: @emilywonderee)

 

Exemplo, a “thredUP” ilustra a aceitação do modelo dos antigos brechós, mas é absolutamente contemporânea, pois atende aos requisitos da sustentabilidade dentro do mercado do vestuário, onde 33% dos produtos novos são descartados no primeiro ano de uso. Um mercado de 2,4 trilhões de dólares, que ocupa 70 milhões de pessoas, e leva ao lixo 500 bilhões de dólares.

 

A “thredUP” é o maior vendedor online de produtos usados do mundo, inserindo 15 mil novos artigos de moda feminina e infantil diariamente. Os descontos podem chegar a 90% sobre o preço original. E estamos falando de marcas como Armani, Chanel, Gap, The Limited, Guess, Calvin Klein, Ann Taylor, Marc Jacobs, Banana Republic, etc.

A “Rent the Runway” começou com aluguel de vestidos de festa e hoje atende as seguintes ocasiões: casamento, noivado, gala, dia dos namorados, noite, trabalho, fim de semana, e férias. Com toda a linha de produtos de moda, inclusive uma específica de produtos sustentáveis, utiliza 400 estilistas para a criação. Tem três sistemas de pagamento: por US$ 30, loca uma peça; por US$ 69, quatro peças com troca mensal; e US$ 80, quatro peças com troca a qualquer momento, sem custo de frete. Possui 100 mil clientes. Recentemente, de acordo com a informação de Jennifer Hyman, CEO, foi fechado acordo com o W Hotel para que o hóspede ao fazer reserva possa utilizar a locação de roupas, que estarão no closet quando chegar, por US$69 o look com quatro peças.

A parceria entre diferentes operações foi evidenciada no evento, como uma ação de sucesso. A “Kohl’s”, loja que está a pelo menos 20km da maioria das casas dos americanos tem acordado com a Amazon para o serviço de entregas, efetivando uma sinergia entre as duas empresas, e aumentando o fluxo nas suas lojas. Michelle Gass, CEO, entende que estamos em uma época em que você tem que pensar de maneira diferente: “as regras mudaram, mas quais são as regras?” Daí a parceria com a Amazon vai sinalizar uma cultura amigável para a sua organização — que tem 1.200 lojas e produtos de moda, joalheria e artigos para o lar –, além da melhoria do resultado.

 

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Produtos oferecidos no site da Rebag (foto: divulgação)

 

O consumidor que busca artigos de luxo e novidades no setor de bolsas e acessórios encontra na “Rebag” uma possibilidade. O sistema consiste em permitir após a primeira compra, decorrido seis meses, efetuar a compra seguinte com um crédito de 70% do valor da compra anterior. Os produtos estão em impecável aparência e abrangem uma extensa relação de marcas de luxo. A saber: Hermès, Burberry, Prada, Louis Vuitton, Christian Dior, Louboutin, Gucci, Marc Jacobs, Givenchy, Fendi, Chanel, Bottega Veneta, etc.

A “IKEA”, indústria e comércio de móveis, é um dos casos mais completos de foco na sustentabilidade. A marca que está oferecendo locação de móveis por assinatura e obtendo bons resultados, tem a preocupação ambiental em todas as etapas e em todos os segmentos em que atua. Como a inovação das lojas “pocket” na cidade de New York, apresentando seus produtos em pequenos locais específicos, onde podem ser adquiridos.

Enfim, enquanto aguardamos a nova geração aumentar a sua presença no mercado consumidor, torcemos para que se acelere o processo de amadurecimento da população, que ainda se mantem indiferente à sustentabilidade.

 

Quem sabe as recentes chuvas que castigaram várias cidades brasileiras e inundaram São Paulo, nesta segunda-feira, não consigam transmitir a noção de que impermeabilizar cidades não é sustentável, e o que não é sustentável não vale a pena?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Oportunidades e riscos para as marcas de luxo no ambiente online

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Instagram, Facebook, Twitter, Pinterest. Essas são apenas algumas das inúmeras redes sociais que fazem sucesso no mundo. Cada uma com suas particularidades, claro, mas a verdade é que esses canais tornam-se cada vez mais parte da vida dos consumidores (de luxo ou não) e a presença das marcas nesse ambiente se torna “obrigatória”.

 

De acordo com pesquisa realizada pela empresa americana McKinsey&Company, mais de 45% das compras no mercado do luxo são influenciadas pelo que os compradores encontraram no universo digital. Ou seja, as experiências online podem conduzir a tomada de decisões no mundo real.

 

Oportunidades ou riscos? Na verdade ambas!

 

Marcas que atingem seus potenciais compradores com as experiências certas e informações no momento certo tendem a ganhar fatia maior do crescimento e superar concorrentes, além de ser uma oportunidade de trabalhar o lado institucional da empresa. É essencial estar nas redes principalmente para que seus consumidores tenham rápido acesso a seus lançamentos, promoções, campanhas e outros. É uma maneira também de aguçar o desejo de compra,online ou no próprio ponto de venda.

 

No mercado do luxo, o risco maior é a marca não gerenciar suas redes de forma seletiva e ter sua imagem abalada. Pode possivelmente ainda gerar uma demanda de consumidores que não sejam o seu público-alvo.

 

Por exemplo, no turismo de luxo, se uma agência de viagens apostar na divulgação de seu nome associado a outros parceiros ou marcas que não sejam exatamente seu perfil (parcerias comuns no Instagram, onde personalidades divulgam marcas em suas contas com milhões de seguidores), poderá atrair ligações telefônicas de consumidores que não tenham poder aquisitivo para comprar seus roteiros personalizados e, neste caso, seria um desperdício da mão de obra (cara) de seus atendentes e consultores de viagens, além de uma certa frustração para o consumidor que desejou mas não poderá comprar.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Mkhmarketing no Flickr

O luxo online e os programas de afiliados

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Que o marketing online ganha cada vez mais espaço em diversos segmentos, nós já sabemos! No mercado do luxo, apesar de menos agressivo, o modelo também se apresenta com casos de sucesso, e não apenas com lojas digitais. Os programas de afiliação são um exemplo que podem virar tendência no luxo, também.

 

Os programas de afiliação são acordos/parcerias nos quais o webmaster (sites, blogs e outros) se compromete a publicar propagandas (banners/anúncios) em seu site, anunciando produtos e serviços de determinadas marcas. Quando um usuário clica numa dessas propagandas, é direcionado para o site do produto e, se realizar uma compra ou um cadastro, o webmaster ganha a comissão.

 

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Diversas são as plataformas de afiliados no mercado como Lomadee, Uol Afiliados, Hot Words, Afilio e outros. A européia Zanox foi destaque no evento Afiliados Brasil, que ocorreu em maio deste ano, com um case no e-commerce de luxo. A agência de afiliação criou parceria entre a multimarcas global de luxo Farfetch e a plataforma inglesa de otimização de conversão de vendas Yieldify, que gerou um mapeamento de quais produtos os usuários mais pesquisavam no site. De posse desses dados, a loja online conseguiu acelerar o processo de compra em seu site.

 

É essencial ressaltar que, no mercado do luxo, é importantíssimo haver uma gestão de marketing digital rigorosa e seletiva. No caso de programa de afiliados, é recomendável que as grifes de luxo associem-se somente a blogs ou sites que estejam rigorosamente afinados com os conceitos do produto que oferecem e tenham em comum o seu público-alvo, evitando a tão temida banalização da marca.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

 

A foto que abre este post é do perfil de Anna Chernichko no Flickr

Mundo Corporativo: Luiz Felipe Marques, da WMcCann, e o novo comportamento do consumidor

 

 

Nos últimos dez anos, o brasileiro transformou-se em um consumidor mais maduro, mudança que impactou a estratégia de vendas das empresas e marcas. Para Luiz Felipe Marques, planejador da WMcCann, uma das diferenças que se percebe, atualmente, é que este consumidor se vê sempre em clima de compra, ou seja, acabou a história de sair para comprar, isto pode acontecer a qualquer instante. Ao mesmo tempo, o brasileiro está muito mais bem informado sobre seus direitos, benefícios que pode obter e vantagens oferecidas pelos concorrentes. Depois de ouvir 10 mil pessoas em 10 países, Marques conta como as empresas devem se adaptar aos novos hábitos, às vendas pelo celular e ao e-commerce, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br com participação dos ouvintes no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a produção e edição de Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Ernesto Foschi.

 

Fazendo a lição de casa no League of Legend

 

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Éramos três mil sentados nas cadeiras que ocupavam todo o Espaço das Américas, local destinado a grandes espetáculos em São Paulo. No palco, a parafernália eletrônica se destacava com dois conjuntos de cinco telas digitais gigantescas, na vertical, estampando a imagem de personagens coloridos. Estavam entre três telões que permitiam que todos assistissem à batalha travada por aqueles personagens, em um cenário de florestas e rotas nas quais encontram-se tropas, dragões, torres, inibidores e nexus – a estrutura a ser conquistada. Telas menores estavam mais abaixo e nelas víamos o rosto de 10 jovens, divididos nas equipes azul e vermelha. Atrás de todos os equipamentos, são eles a alma que move o League of Legend, sobre o qual já conversei com você neste blog, mas que vale sempre lembrar é o jogo on-line mais jogado no mundo, disputado por cerca de 67 milhões de jogadores por mês. Alguns jogadores são ídolos da garotada que vibra a cada ataque aos adversários e derrubada de torres, lances transmitidos ao público presente e aos milhares que assistem pelo computador em suas casas por equipes de narradores e comentaristas – profissionais que levantam a galera do eSport com os mesmos cacoentes (para o bem e para o mal) da turma do esporte que acompanhamos no rádio e na televisão.

 

Deixe-me voltar aos jogadores, pois são eles, mais do que as máquinas, que me chamam atenção. A começar pelo fato de jogarem algo que para mim parece coisa de outro mundo. Apesar do privilégio de contar com dois “comentaristas particulares”, que passaram as partidas me explicando cada lance, ainda tenho muita dificuldade de entender as estratégias usadas pelas equipes. Sei que começam com a escolha de centenas de personagens (ou campeões, como chamam oficialmente) disponíveis, pois cada um tem desenhos e poderes diferentes e, no momento de selecioná-los, é importante identificar o que mais se encaixa com o tipo de jogo necessário para vencer a equipe contrária. Antes dessa escolha tem-se o direito de eliminar alguns campeões, impedindo que o adversário os utilize. Por isso, estudam muito os outros times, pois este conhecimento pode determinar a sobrevivência ou não no cenário. Poderiam ensinar a tática para alguns técnicos do nosso futebol.

 

Times escalados, vai começar a partida: é aí que me perco no embaralhado de movimentos e ataques que devem ser feitos de forma coordenada, o que exige muita disciplina, comunicação e raciocínio estratégico. São habilidades nas quais essa garotada de pouco mais de 18 anos é craque e que os fazem se destacar no cenário nacional e chamar atenção dos patrocinadores que bancam treinamentos, viagens, estágios no exterior, equipamentos e até a contratação de estrangeiros para reforçar as equipes. Se não estão disputando os jogos, são assediados pelos admiradores. Quase ninguém mais pede só autógrafo, como fazíamos no passado. Agora, querem selfies, o que deve deixar as marcas que estampam os uniformes dos eAtletas ainda mais felizes, pois garantem milhares de exposições nas redes sociais.

 

Alguns desses jogadores já construíram personalidade própria e quando aparecem no telão, em entrevistas pré-gravadas ou na apresentação das equipes, são ovacionados pela galera. Um é mais agressivo, o outro, provocador. Tem o engraçado e tem o queridinho das meninas, também. Sim, elas estão lá, muito mais na torcida do que no jogo. Não chegam a ser uma maria-mouse, mas jogam suas asinhas para cima dos garotos. E quando me refiro a asas não é linguagem figurada. Caminhando na plateia, você encontrará muitas meninas fantasiadas com roupas de personagens de games, mangás e animes. Elas fazem colsplay, me contam os companheiros de jogatina.

 

No fim de semana, disputou-se mais uma etapa regional do Campeonato Brasileiro de Lol – CBLOL para os íntimos – , competição que distribui R$ 110 mil em prêmio, sendo metade destinada ao campeão. Foram oito equipes se enfrentando em partidas de melhor-de-três, em quartas de final e semifinal, que se encerraram no começo da noite de domingo. Depois de batalhas acirradas, com direito a virada de placar, mortos e feridos (figurativamente, lógico), KaBuM e CNB se classificaram para a guerra final que será no próximo sábado (26/07), no Ginásio do Maracanazinho, no Rio de Janeiro. Os oito mil ingressos para a final foram vendidos em poucas horas, foi a informação que todos os organizadores do CBLOL e dirigentes ligados a Riot Games Brasil, responsável pelo jogo por aqui, fizeram questão de me contar. O vencedor será o representante brasileiro no cenário internacional e vai para o International Wildcard, onde enfrentará o campeão latino em busca da vaga no Campeonato Mundial de 2014.

 

Curiosamente, dentre as finalistas não estão a equipe que levou seus jogadores para se desenvolverem na Europa e as duas que importaram sul-coreanos para reforçar o time. O que para muitos pode ter sido uma surpresa desagradável pois desestimularia investidas mais audaciosas dos patrocinadores, para mim é um incentivo a milhares de jovens que estão nas ligas amadoras do Lol aqui no Brasil, pois o resultado tornou mais real a possibilidade de eles se destacarem internacionalmente mesmo treinando apenas por aqui. O poder econômico tem influência, mas não é determinante no sucesso. Ops, desculpe-me pelo palpite. É que esse esporte tem crescido tanto que, assim como no futebol, já tem um monte de gente, como eu, achando que é treinador de Lol.

 

Por falar em futebol, uma informação para os gestores das arenas que construímos em algumas cidades-sede da Copa do Mundo: a partida final do Mundial de Lol está marcada para 19 de outubro, no Estádio Sangam, um dos principais palcos da Copa da Coréia e do Japão, em 2002. Quem sabe não está aí a solução para alguns dos elefantes brancos que levantados, no Brasil: transformá-los em campos de batalha do League of Legends.

O pessoal de terno do League of Legends

 

 

Os de terno só podem ser os investidores, disse meu filho mais novo em meio a duas ou três dezenas de pessoas – a maioria vestida informalmente – convidadas a participar de lançamento do circuito brasileiro de League of Legends, jogo online que carrega a impressionante marca de 67 milhões de jogadores por mês, no mundo. No quarto andar do prédio onde funciona a Riot Games Brasil, empresa que cria e organiza as competições, no bairro de Perdizes, zona Oeste de São Paulo, com meus 50 anos, imaginei ser o mais velho, e achei melhor não confirmar com aqueles que aparentavam a mesma idade. Logo que se iniciou a apresentação entendi que foi melhor assim, dado que Roberto Lervolino, gerente geral e comandante da equipe, informou que, apesar de ser o mais recente funcionário, era o mais velho com seus 44 anos. Os demais que se encontravam no evento eram admiradores, independentemente da função que exerciam. Alguns eram jogadores profissionais identificados por seus uniformes com o nome da equipe e patrocinadores, lembrando os atletas dos esportes mais afamados. Aliás, assim são tratados apesar de no Brasil o eSport ainda estar amadurecendo se comparado com mercados consolidados como o dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Lá, alguns desses jogadores são ídolos de uma geração que nasceu diante do computador e tem trocado as modalidades de campo pelas de videogame. Chegam a faturar por ano 200 mil dólares, em salário, além de terem todas as despesas cobertas para se dedicarem ao treinos e competições.

 

Aqui no País, os valores são menores porém muitos desses jogadores já são reconhecidos por seu público e as competições se transformam em oportunidade de emprego para diversos profissionais. Durante a Brasil Game Show, realizada ano passado, em São Paulo, fiquei impressionado com os locutores, comentaristas e analistas responsáveis pela animada transmissão do evento, que pode ser assistido ao vivo e pela internet. A própria Riot está em crescimento e pretende ampliar o seu quadro atual de cerca de 50 funcionários no escritório brasileiro. Esse foi um dos anúncios feitos na noite do evento, apesar de não ter sido o mais aplaudido, pois o que a maioria queria saber mesmo era sobre a temporada de jogos de 2014. Pela primeira vez, o Circuito Brasileiro de League of Legends terá disputas presenciais fora de São Paulo, com etapas em Porto Alegre, Fortaleza e no Rio de Janeiro, com final marcada para o Ginásio do Maracanazinho, quando são esperados até 10 mil torcedores. Serão distribuídos R$ 100 mil em prêmios às equipes competidoras.

 

Acho que aqui vale uma explicação para você que não está acostumado a esses esportes. O LoL, este é o apelido do jogo, é disputado entre dois times de cinco jogadores que têm como objetivo conquistar a base inimiga em um campo de batalha imaginário e com personagens com desenhos extravagantes. Não me arriscarei a descrever as estratégias de cada equipe pois isto não é coisa para amador em eSport. Apesar do cenário fantasioso, da informalidade nas conversas e de os games ainda parecerem brincadeira de criança, League of Legend é coisa muito séria, haja vista a infraestrutura das equipes e a organização dos eventos. A Riot Games Brasil funciona como uma espécie de CBF do Lol, diria até que mais séria, pois administra as competições, tem se esforçado para trazer novos patrocinadores e colocado ordem na casa ao punir abusos e comportamento antiético. Um dos assuntos na entrevista coletiva que acompanhei foi o afastamento temporário sofrido por profissionais que estariam cobrando para jogar em contas de outros jogadores e os ajudado a melhorar no ranking, prática ilegal conhecida como elojob. A preocupação com o equilíbrio emocional dos jogadores também foi evidente ao perceber que a empresa está interessada em oferecer aos atletas suporte psicológico como acontece com as equipes estrangeiras, pois a necessidade de trabalharem com estratégias coletivas, além da pressão pelos resultados e a fama alcançada, exigem cuidados.

 

Pouco antes da apresentação se encerrar, provocado por pergunta feita pelo meu filho mais velho, os porta-vozes da Riot trouxeram mais uma informação interessante. Para trabalhar na empresa há necessidade de se passar por criterioso sistema de avaliação que, além de exigir total domínio do inglês, impõe maratona de entrevistas. Talvez explique a forma consistente como o Lol se desenvolve no Brasil e os motivos que levam este a ser o jogo online mais jogado do mundo. Enquanto os filhos faziam suas perguntas e comentários, meu papel no encontro foi apenas de observador, disposto a aprender o que tem levado tantos jovens a preferir as disputas online, atração que já chama atenção até mesmo dos clubes de futebol brasileiro que nas últimas décadas vêem as arquibancadas se esvaziarem. Náutico e Santos teriam dado sinais de que pretendem montar equipes próprias e levar suas marcas para os jogos online de olho nas novas gerações.

 

A propósito, os caras de blazer eram mesmo os investidores, representavam a Nvidia, Logitech e Benq.

Tom Ford lança loja virtual com campanha ousada

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O estilista Tom Ford, dono da marca que leva seu nome, anunciou esta semana o lançamento de sua primeira loja online. Por enquanto disponível apenas para entregas em endereços dos Estados Unidos, a loja virtual da marca disponibiliza itens de suas coleções masculina e feminina, como sapatos, bolsas, joias, óculos, perfumes e outros produtos de beleza.

 

Com 98 pontos de venda no varejo de luxo ao redor do mundo, Tom Ford tem a intenção de que sua loja online funcione realmente como uma extensão de suas lojas físicas, oferecendo a excelência não apenas nos produtos como principalmente no serviço prestado. Um de seus destaques será a nova fragrância Tom Ford Velvet Orchid, a ser vendida exclusivamente no site.

 A loja virtual de Tom Ford não mediu esforços para uma campanha ousada. Suas campanhas aliás sempre foram conhecidas por serem mais do que sensuais, muitas vezes, inclusive, proibidas em determinados países. O ambiente virtual continua com esse conceito que a marca já carrega em si. Ford tem atuado fortemente no mundo online: sua página no Facebook permite que seu público esteja informado de ações da marca, que já possui mais de 738 mil usuários, e há apenas alguns dias a marca inaugurou seu perfil oficial no Instagram, que conta com mais de 14 mil seguidores.

 

 

A entrada de Tom Ford para o e-commerce mostra que cada vez mais as marcas de luxo e premium rendem-se à estratégia de venda online, que apesar de ser criticada por muitos, pela possibilidade de banalização da marca, tem sido um caminho de sucesso para grandes marcas. Além disso, existe uma demanda do próprio consumidor pelos endereços eletrônicos das marcas de luxo. Para as marcas, o maior desafio é, no mundo online, oferecer a seu consumidor todo o luxo e experiência de compra já oferecidos em suas lojas físicas. É imprescindível investir em tecnologia, logística e uma comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Muitos consumidores utilizam também a loja digital para se atualizar das novidades e conhecer peças de coleções novas, podendo decidir efetuar a compra pela internet ou até mesmo ir a uma loja da grife.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Marcas de luxo aderem ao e-commerce

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

O e-commerce no segmento do luxo ganha cada vez mais relevância. Hoje, são evidentes e inúmeras as oportunidades para esse mercado na internet. Apesar de ter uma demanda bem maior nos Estados Unidos e Europa, o Brasil vem aumentando sua presença online com diversas marcas nacionais aderindo a esse formato.
Nos Estados Unidos e Europa, grifes como Ralph Lauren, Tiffany&Co., Louis Vuitton, Gucci, Prada, Armani e outras, há alguns anos, aderiram ao comércio eletrônico e vêm obtendo êxito. A Ralph Lauren, além do mercado americano, já possui loja online em nove países da Europa, Japão e, em breve, atenderá também a Coréia.

 

No Brasil, o e-commerce se amplia em segmentos como moda e acessórios, decoração e homeware. A Trousseau, especializada em homeware, por exemplo, tem mix de produtos oferecidos na internet que apresenta o mesmo requinte de suas lojas físicas. Pode-se comprar desde um sabonete à sua luxuosa linha de lençóis em algodão egípcio. A renomada boutique Mares Guia, loja multimarcas que reúne moda feminina de grifes de luxo, também possui ambiente de compras online, onde pode-se encontrar peças como saias, casacos ou, até mesmo, vestidos para festas.

 

A Boutique Daslu, um ícone no segmento do luxo no Brasil, desde os tempos áureos sob o comando de Eliana Tranchesi já apostava no comércio digital. Sua loja online disponibiliza itens da Daslu Casa, linha de homeware da grife, além de peças de roupa feminina, masculina, teen e bebê. De olho no público masculino, a grife Sergio K. também tem na internet peças-chave de suas coleções, como as cobiçadas pólos, camisas e sapatos da grife.

 

No site da dinamarquesa Bang&Olufsen, referência na produção de televisores, sistemas de som, caixas acústicas e produtos multimídia pode-se encontrar produtos como aparelhos de som, caixas acústicas e acessórios da marca. Admiradoras dos icônicos sapatos da grife Schutz também podem vivenciar experiências adquirindo seus produtos online. Sapatos, sandálias e bolsas estão entre os itens comercializados ali. Já o segmento de joias não ficou de fora. Grifes exclusivas como Silvia Furmanovich, Jack Vartanian e Carla Amorim também proporcionam a seus clientes online algumas peças de suas coleções.

 

O segmento de beleza e cosméticos é fortemente presente na internet. A Sephora, maior rede de produtos de beleza do mundo e que desde 2010 adquiriu o portal brasileiro Sacks, aposta na venda de produtos de beleza das melhores e mais desejadas marcas do mundo, como Chanel, Dior, Salvatore Ferragamo e outras, além de uma marca própria, a Sephora Collection. Também forte no segmento, o website ShopLuxo, que pertence à rede de lojas Suil, composta por Calèche, Vent Vert e Suil Parfumerie, aposta na venda de cosméticos de grifes desejadas.
Com uma proposta mais exclusiva, o site Umimo tem foco no mercado do luxo e premium, e une elegância e beleza com produtos de marcas prestigiosas. A prestigiosa grife Chanel já está no e-commerce brasileiro, disponibilizando a seus clientes itens de sua linha de beleza, como maquiagens, perfumes masculinos e femininos, esmaltes e outros.

 

O e-commerce de luxo no Brasil recebeu, em agosto deste ano, uma grife tentadora: a francesa Louis Vuitton, uma das mais desejadas e copiadas do mundo. Disponível para todo o país, a loja online da grife oferece produtos das linhas feminina e masculina de desejados acessórios, como suas icônicas bolsas, malas de viagem, óculos, cintos, lenços, relógios e sapatos. A LV online é uma forma de atender a seus consumidores residentes de cidades que ainda não possuem loja física da marca, além de poderem comprar produtos, por exemplo, para presentear alguém, o que online certamente lhes proporcionará uma economia de tempo. Afinal, ter tempo tornou-se um dos principais objetos de luxo do mundo contemporâneo.

 

Muitas marcas de luxo temiam que a venda pela internet afetasse sua aura de exclusividade, além de certo receio em provocar uma possível banalização das mesmas. No entanto, existe uma demanda do próprio consumidor pelos endereços eletrônicos das marcas de luxo. Para as marcas o maior desafio é, no mundo digital, oferecer a seu consumidor todo o luxo e experiência de compra já oferecidas em suas lojas físicas. É imprescindível investir em tecnologia, logística e uma comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Um layout simples e elegante aliado a um atendimento de qualidade e agilidade de entrega certamente colaborarão para o sucesso da marca na internet. Os produtos de luxo já trazem em si o alto valor agregado, porém a percepção deste também é fortalecida no momento de experiência da compra. Vale lembrar que muitos consumidores utilizam a loja digital para se atualizar das novidades e conhecer peças de coleções novas, podendo decidir efetuar a compra pela internet ou até mesmo ir a uma loja da grife.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: lojas virtuais exigem mais das lojas convencionais

 

As vendas na internet estão mudando o comportamento do consumidor e levando o comércio a criar lojas cada vez mais atraentes. A diretora-geral do Popai Brasil – Associação Global de Marketing no Varejo, Ana Cláudia Costa, explica que para concorrer com as vendas online é fundamental investir ainda mais nas sensações que uma loja pode provocar, surpreender o cliente, produzir vitrines diferentes, criar iluminação aconchegante, oferecer aromas que não incomodem e som ambiente coerente ao conceito da marca e do produto. É preciso estar atento para o fato de que as compras nas lojas físicas são muito mais emocionais do que nas lojas virtuais. Na entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, Ana Cláudia Costa, recomenda que o comerciante que explora os dois canais de venda ofereça produtos e faça promoções diferenciadas mas mantendo alinhamento na comunicação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Você pode participar das discussões no grupo Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin.