Avalanche Tricolor: as poucas boas notícias no empate

Grêmio 1×1 Juventude

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Gremio x Juventude
Monsalve comemora o gol no retorno ao time Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Foi apenas a sétima partida de Luis Castro como técnico do Grêmio, e essa realidade não pode ser ignorada. Ele ainda merece paciência, virtude cada vez menos presente na Arena. Para iniciar o jogo, o treinador português recorreu a um time alternativo, com poucos jogadores considerados titulares. A escolha fazia sentido: a classificação à próxima fase estava garantida, a manutenção do primeiro lugar na chave parecia tranquila e o jogo vinha espremido entre dois compromissos importantes do Campeonato Brasileiro.

Ainda assim, esperava-se mais do Grêmio, sobretudo por jogar em casa. Faltou pressão na saída de bola do Juventude e sobrou lentidão quando a posse era nossa. O primeiro tempo foi pobre. Quase não se criaram jogadas de ataque. Nada daquilo a que se assistiu animou o torcedor que foi à Arena.

A entrada do trio titular — Arthur, Amuzu e Carlos Vinícius — ao lado de Monsalve, que retornava de um longo período de lesão, abriu outra perspectiva, no segundo tempo. O time ganhou presença ofensiva e passou a ocupar melhor o campo adversário. A expulsão precoce de Arthur, porém, voltou a desorganizar o Grêmio. Mais do que o prejuízo imediato, a ausência do volante pesa na disputa pela vaga na semifinal, no próximo fim de semana. Com ele, o meio de campo ganha equilíbrio. Sem ele, o sistema entra em colapso.

Entre as poucas boas notícias, Miguel Monsalve foi a principal. Há tempos o torcedor aposta no colombiano como o jogador capaz de assumir o papel do camisa 10. Em dois ou três lances — especialmente no golaço que marcou — o jovem de 21 anos reacendeu a esperança de que esse protagonismo, enfim, possa se consolidar.

A outra rara boa notícia foi Noriega como volante. Forte na marcação e seguro no domínio da bola, mostrou credenciais que merecem atenção. Com o retorno de Balbuena — toc, toc, toc — talvez o nipo-peruano de 24 anos possa se firmar como parceiro de Arthur, oferecendo ao meio de campo uma alternativa mais consistente.

Aos trancos e barrancos, o Grêmio segue no Campeonato Gaúcho. No meio da semana, o compromisso pelo Campeonato Brasileiro exigirá entrega máxima. Com pouco tempo de trabalho e quase nenhum espaço para treinar, Luis Castro precisa ajustar o time sob a pressão de uma torcida ainda marcada pelos fracassos do ano passado e pelos tropeços deste início de temporada. O relógio corre mais rápido do que o calendário.

Avalanche Tricolor: vida mansa!

Grêmio 5×0 São Luiz
Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Sao Luiz
Carlos Viniciu marcou 3 vezes. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vim longe para assistir ao Grêmio neste início de noite de sábado. Estou em João Pessoa, na Paraíba, onde passo meus dias de férias. Cheguei pouco depois do meio-dia e me hospedei de frente para o mar, na praia de Cabo Branco. Vida mansa! — deve estar pensando o caro, e cada vez mais raro, leitor desta Avalanche. Não há como discordar. É aqui que o sol nasce primeiro, as praias são mais limpas e as falésias desenham parte da costa. Um cenário convidativo para começar o ano com outro ritmo.

Justiça seja feita, porém. Para chegar até aqui, fizemos por merecer. Um ano de trabalho intenso, enfrentando o corre da redação e os desafios de quem insiste em fazer jornalismo com equilíbrio. Uma jornada árdua em muitos momentos, recompensada, de vez em quando, com pequenos privilégios. Foi nesse cenário generoso que acompanhei a goleada do Grêmio lá em Porto Alegre.

A partida começou fácil e terminou antes mesmo da hora. O Grêmio resolveu o placar no primeiro tempo e, no segundo, apenas completou a goleada. A vida do gremista foi mansa, sem dúvida. Mas o time também fez por merecer. Alguém poderá desdenhar o gol de abertura, surgido da infelicidade de um defensor adversário. Convém lembrar que o erro foi provocado pelo dinamismo imposto pelo Grêmio, bem diferente do que se viu no meio de semana.

A equipe que iniciou a partida se aproxima daquela que Luis Castro deve consolidar como titular, especialmente do meio de campo para frente. A começar por Arthur. Com ele, o Grêmio muda de patamar. A bola é tratada com respeito, circula mais rápido e chega melhor ao ataque.

A estreia de Tetê pela direita trouxe boas notícias. O atacante aposta em jogadas individuais, combina força e talento, participou diretamente de dois gols e quase deixou o seu. Cristaldo foi outro destaque. Iniciou a jogada que resultou no gol contra, deu assistência no segundo e marcou um golaço já na etapa final. Carlos Vinicius, autor de três gols, sinaliza que pode ocupar o espaço deixado por Luis Suárez, algo que o Grêmio procura desde então. Tiago e Roger seguem cavando espaço entre os titulares. Amuzu aparece cada vez mais solto e atrevido pela esquerda, agora com a concorrência de Enamorado, o colombiano que estreou no segundo tempo

Entre o sol que nasce primeiro em João Pessoa e a goleada construída com autoridade na Arena, ficou a sensação de que descanso e merecimento também fazem parte do futebol. O Grêmio venceu com tranquilidade, apresentou sinais de evolução coletiva e ofereceu ao torcedor uma noite sem sobressaltos — dessas que ajudam a organizar ideias, alimentar expectativas e lembrar que, quando o time joga bem, até a vida do gremista pode ser mansa.

Avalanche Tricolor: essas mal traçadas linhas

Grêmio 1×2 Fluminense
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Era para sair de campo com os três pontos, manter viva a fantasia da Libertadores e encerrar a temporada ao lado do torcedor com algum alento. Talvez até encontrar uma trégua nessa relação instável, cheia de tropeços, que sustentamos com o futebol gremista ao longo do ano. Uma vitória ajudaria a apagar, ainda que por alguns instantes, os reveses causados por nossas próprias falhas, pelos azares que cruzaram o caminho e pelas arbitragens que nos tomaram pontos valiosos — especialmente, embora não exclusivamente, neste Campeonato Brasileiro.

Acreditava, com uma boa dose de teimosia, que esta Avalanche — escrita tarde da noite, para desespero de quem madruga — pudesse trazer linhas firmes, bem desenhadas, celebrando o renascimento de um time e a promessa de um ano novo mais generoso. A temporada, porém, insiste em esfregar no rosto a realidade que temos evitado encarar. E ironicamente me faz lembrar Lulu Santos, como aquele amigo que aparece na hora errada com uma verdade desconfortável: “nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia”. Sigo acreditando que será, sim. Só não será agora.

O Grêmio mostrou lampejos de um futebol mais organizado na segunda metade do campeonato. Redescobriu o talento impressionante de Arthur, que precisa ser mantido no elenco se quisermos, em 2026, voltar a ser competitivos. Encontrou também um centroavante eficiente, Carlos Vinícius, cuja ausência por suspensão pesou demais neste jogo.

Há outros jogadores que, recuperados fisicamente, podem contribuir nas competições que começam já em janeiro. E existe a expectativa — sempre ela — de contratações capazes de elevar o nível do time e do grupo.

O placar desta noite, no entanto, praticamente fechou a porta por onde ainda passava uma réstia de sonho: uma combinação improvável de resultados até a última rodada que nos levasse a Liberadores, esperança demais para quem produziu de menos ao longo do ano. A atuação, hoje, nem foi ruim, embora tenhamos sucumbido a um adversário mais consistente na temporada. E ainda apareceram os acasos, sempre prontos para cumprir seu papel de protagonistas — como aquelas mal traçadas linhas que validaram o primeiro gol do Fluminense.

De minha parte, quem sou eu para julgá-las? Se já me vejo às voltas com a dificuldade de desenhar melhor as próprias linhas desta Avalanche, imagine querer analisar as linhas traçadas pelo VAR.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: me engana que eu gosto

Foto de Kampus Production

Consumidores muitas vezes justificam escolhas de forma racional, mas, na prática, são guiados por emoções. Esse é o ponto central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Os atributos racionais são apenas o suporte para a decisão. O que gera o comportamento de compra são as emoções”, explicou Jaime Troiano, ao citar uma pesquisa sobre a escolha de um carro. Para o consumidor, na fala direta, valiam argumentos como baixo custo de manutenção e economia de combustível. Mas, em conversas informais, o que aparecia era a sensação de respeito e status proporcionada pelo veículo.

Cecília Russo trouxe outro exemplo: o do amaciante de roupas. “O que toca mesmo é o sentimento de invadir as roupas da família com uma dose adicional de carinho”, disse, lembrando campanhas que associavam a fragrância do produto à lembrança do cuidado materno. Ela destacou também a experiência de consumo em restaurantes como o Pirajá, em São Paulo, que transporta os clientes ao Rio de Janeiro não só pela comida, mas pela playlist que embala o ambiente: “algo que eu não mastiguei, mas me inspirou o tempo todo”.

A marca do Sua Marca

A lição central do comentário pode ser resumida em uma frase repetida ao longo da conversa — que podemos incluir entre os clássicos de Jaime Troiano: “Consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente.”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o poder que sai da boca do cliente

A propaganda mais eficiente pode não estar nas mãos de grandes agências ou nas telas mais caras, mas sim na fala espontânea de um cliente satisfeito. A persistência do velho e conhecido “boca a boca” é tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

Cecília relembrou que o termo “marketing boca a boca” começou a ser estudado academicamente na década de 1960 e ganhou corpo nos anos 1970 com o psicólogo George Silverman, que criou grupos de aconselhamento entre médicos. “Ele percebeu que as opiniões positivas de alguns influenciavam os demais”, contou. A comentarista destacou que a prática existe informalmente desde os tempos antigos, mas só mais recentemente passou a ser estruturada como estratégia de negócio. “Hoje é a base de muitos negócios que só existem por conta de indicações, recomendações estruturadas ou informais”, afirmou.

Do informal ao estruturado, o marketing boca a boca se modernizou, incorporando ferramentas digitais e se multiplicando em formatos como os vídeos de unboxing, em que consumidores mostram seus produtos e embalagens em redes sociais. “Aquilo que antes era só desembrulhar, agora vira conteúdo e gera desejo”, exemplificou Cecília.

Para Jaime Troiano, a força do boca a boca permanece mesmo diante da inteligência artificial. “IA é, entre aspas, um grande boca a boca de informações coletadas de várias fontes”, observou. No entanto, ele faz uma distinção importante: “A mágica do boca a boca original está na base confiável. Quando alguém nos dá uma dica espontânea, a gente acredita”.

Além da confiança, Jaime chamou a atenção para outro fator: a vaidade humana. “Quando você pergunta para alguém alguma coisa, o cara se sente o máximo, um professor. Isso alimenta o ego e o status daquele que está dando a informação”. Segundo ele, o baixo custo dessa cadeia de comunicação também torna o boca a boca especialmente valioso: “Vale muito a pena”.

A marca do Sua Marca

Alimentar o boca a boca é uma estratégia acessível e potente, capaz de conectar marcas e consumidores com legitimidade, custo reduzido e alto potencial de retorno.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: vamos comemorar!

Grêmio 1×0 Santos
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Uma vitória. É o que temos a comemorar. Independentemente do futebol apresentado, das dificuldades na articulação, da sofrência no ataque e da desconfiança na defesa — vencemos. Foi com um único gol, contra um adversário também em crise, mas foi uma vitória. E era disso que mais precisávamos nesta retomada do trabalho de Mano Menezes e Felipão.

Posso estar sendo comedido (ou ranzinza?) ao dizer que a vitória é o único grande motivo para comemoração neste domingo na Arena. Mas há, sim, outro: a qualidade técnica de Cristian Olivera. O atacante uruguaio, que fez o caminho inverso ao de Luis Suárez — trocou o futebol norte-americano pelo Grêmio — tem sido, desde sua estreia, a melhor contratação da temporada. Incisivo no ataque, dono de bom drible e velocidade, ele ainda recompõe a marcação, algo essencial diante da fragilidade defensiva que ainda carregamos.

Foi dele o gol da vitória, ao aproveitar a sobra de uma jogada iniciada pela direita e construída por outra boa notícia deste elenco: Alyson – ops, não é que encontrei mais uma razão para comemorar?!? Com apenas 19 anos, o atacante tem sido aproveitado nos segundos tempos e, na maioria das vezes, deixa sua marca com algum bom lance ou finalização. Hoje, roubou a bola do adversário, escapou pela linha de fundo e cruzou para a área, originando o lance decisivo.

Pode parecer pouco para quem ainda nutre pretensões de título em uma das três competições que disputamos (Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana). E é mesmo. Mas você, caro — e cada vez mais raro — leitor desta Avalanche, há de concordar comigo: diante da escassez de boas novas, vencer uma partida e sair daquela zona-que-você-sabe-qual-é já são razões mais do que suficientes para comemorar.

O resultado deste domingo dá um respiro ao elenco e à dupla Mano-Felipão, que poderão pensar nos próximos adversários com um pouco mais de tranquilidade — a começar pelo desafio da Sul-Americana no meio da semana. Há muito a ser ajustado: o posicionamento dos defensores na marcação por zona, a movimentação e a troca de passes no meio-campo, a chegada mais precisa no ataque.

Mas, só por hoje, vamos comemorar!

Avalanche Tricolor: com coração e Volpi gigante, Grêmio vence na estreia

Grêmio 2 x 1 Atlético-MG
Brasileirão – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Edenílson comemora 2º gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Havia algo diferente no time que entrou em campo no início da noite deste sábado. Não me refiro à escalação nem ao posicionamento da defesa – que, nos primeiros 20 minutos, quase nos levou ao desastre. Não foi um toque mais refinado na bola nem uma movimentação mais bem organizada dos jogadores. Nada disso apareceu de forma evidente na estreia do Grêmio no Campeonato Brasileiro de 2025. Temos muito a melhorar.

Apesar das falhas, das carências, da dificuldade em conter o ataque adversário e da pouca articulação no meio-campo, o atual elenco gremista mostrou-me ter entendido que, antes mesmo de o talento aparecer, o torcedor espera que o time se entregue em cada jogada como se fosse a última. E essa foi uma mudança crucial.

Mesmo quando nossa marcação acumulava erros e repetia as falhas de partidas anteriores, os jogadores se esforçavam ao máximo para impedir a saída de bola do adversário. Nossos atacantes tentavam fechar espaços nem sempre com sucesso, mas com uma entrega que era perceptível. Esse comportamento também estava presente nos três volantes escalados para congestionar o meio-campo e apareceu nos jogadores de defesa à medida que eles se reposicionaram e entenderam melhor a movimentação adversária.

Sem vergonha de admitir a inferioridade técnica, o time não renunciou às faltas – recurso necessário para conter a pressão sobre nossa área. Mais de uma vez, vimos nossos ponteiros – Cristian Oliveira e Amuzu – roubando a bola na defesa. Camilo, mesmo cometendo erros ofensivos, transformava-se em um leão na marcação, ao lado de Villasanti e Edenílson. Wagner Leonardo destacou-se dentro da área.

Quando conseguimos equilibrar a partida e, minimamente, colocar a bola no chão, o Grêmio foi mais eficiente do que seu adversário. Em uma das primeiras jogadas realmente perigosas, Arezo abriu o placar. Logo depois, com um pouco de sorte, ampliamos com Edenílson.

É evidente que tudo isso só se tornou viável porque Tiago Volpi foi um gigante quando mais precisamos dele. No começo do jogo, quando parecia que tudo daria errado, nosso goleiro defendeu o possível e o impossível. Após equilibrarmos a partida, Volpi voltou a fazer defesas decisivas que garantiram a vitória. Não o incluo entre as novidades positivas deste sábado apenas porque, desde que chegou, Volpi tem sido excepcional. Seu talento não é mais uma novidade.

Para disputar o título do Campeonato Brasileiro, precisaremos de mais do que Volpi e da entrega vista em campo. Enquanto o ajuste fino não acontece pelas mãos do técnico Gustavo Quinteros, porém, que os jogadores continuem a nos fazer acreditar que merecem vestir a camisa que nos tornou Imortais.

Avalanche Tricolor: distante, mas nunca impossível

Grêmio 0x2 Inter
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Escrevo esta Avalanche a mais de 3.700 quilômetros de Porto Alegre. Aqui, o porto é das Pedras, no litoral de Alagoas. Vim para cá para aproveitar alguns dias de folga do trabalho na rádio. O mar é manso e morno. A maré baixa ao longo do dia, revelando piscinas naturais de águas claras. O sol a pino se põe no Rio Manguaba, berçário de um estranho e bonachão peixe-boi.

Nem fauna nem flora, nem mar nem rio foram suficientes para me desconectar do que aconteceria na capital gaúcha, no fim da tarde deste sábado. Impossível não ser tocado pelo que ainda representa a disputa de uma final de Campeonato Gaúcho. É verdade que, no início da temporada, maldizemos a competição, que nos obriga a enfrentar adversários bem mais frágeis, muitas vezes em campos incipientes. Mas, quando chega a decisão, todos queremos o título.

Sempre queremos o título!

A possibilidade do octacampeonato — mais remota do que quando a partida começou — e a necessidade do adversário de conquistar uma competição que não vence há oito anos (sim, o co-irmão é octa-derrotado no estadual) fazem desta final um momento especial para o futebol gaúcho.

Mesmo longe, era possível sentir a tensão que cercava o clássico — lá em Porto Alegre e aqui, em Porto de Pedras. Um nervosismo que não me impedia de enxergar que estavam frente a frente duas equipes em estágios distantes de preparação. Uma pronta desde o ano passado; a minha, ainda em processo de construção. Minha esperança estava depositada na pressão que a torcida poderia exercer na Arena e no esforço redobrado dos jogadores tricolores para superar a falta de entrosamento de um time que ainda tenta falar a mesma língua.

Esperança frustrada ainda no primeiro tempo, quando a distância entre as duas equipes ficou evidente. De um lado, a bola tinha origem e destino certos; do outro, a falta de sincronia impedia avanços coordenados. O Grêmio esteve longe daquele que, em algumas partidas deste início de temporada, nos fez acreditar que tínhamos um time. Não perdi a crença nessa ideia. Temos um elenco melhor do que nos últimos dois anos, e há lógica na formação da equipe. Mas as oscilações são preocupantes — já tinham aparecido na estreia da Copa do Brasil e na segunda partida da semifinal do Gauchão. E se repetiram no Gre-Nal.

Alcançar o título gaúcho neste ano não será tarefa fácil, embora não seja impossível. Antes, porém, será preciso viajar mais de 1.600 quilômetros até São João del-Rei, no interior de Minas Gerais — bem longe de Porto Alegre —, vencer nosso adversário na segunda rodada da Copa do Brasil e retomar o ânimo para a final no próximo sábado.

O trem, o café e o silêncio

O trem partiu, e eu fiquei. Temendo a neve na estrada, dirigi com a lerdeza que a prudência me exigia e isso me impediu de embarcar na hora prevista. Sem escolha, fui ao café ao lado da estação, buscar abrigo do frio e da espera. Sentei, escutando o burburinho ao redor, mas sem competir com ele. Apenas deixei os sons ocuparem o espaço que não era meu.

Meu nome deve ser chamado pela atendente que prepara o café quente a qualquer momento. Ainda estou pensando se deveria cair na tentação dos pães expostos no balcão quando fui flagrado na foto que ilustra essa crônica. Minha mulher adora fotografar.

Alguém dirá que escrevo apenas para exibir essa imagem. Vaidade? Também. Mas as razões vão além. Não me movo apenas por esse sentimento assim como não costumo compartilhar fotos próprias que não estejam no contexto da profissão. Mas esta carrega verdades que transcendem o instante congelado pelo clique. 

A mão que apoia o rosto oculta a boca — um gesto que pode ser tanto descanso quanto censura, impedindo-me de dizer em voz alta o que vagueia pela mente. As peneiras de Sócrates ainda filtram muito do que penso antes de transformar ideias em palavras. O olhar se destaca, aparentemente sem destino. Ou naquele instante eu mirava algo? Não lembro bem. Talvez estivesse apenas vagando, ofuscado pelos estímulos ao redor.. 

As marcas do tempo tão evidentes na imagem, também têm seu lugar aqui. Têm minha atenção, não assombração: as rugas que contornam os olhos e reforçam a olheira, a vermelhidão do rosto impactado pelo vento gelado, as manchas no dorso da mão que se acentuam com a idade e os fios brancos do cabelo que me orgulham, apesar de me surpreenderem quando se revelam nas fotografias — tudo isso fala de experiências.

Contemplar o nada deveria ser mérito. Mas há algo de desafiador nesta arte, especialmente diante do ritmo alucinado com que consumimos informação — e não me refiro apenas a  essa que chega na forma de notícia ou pseudo-notícia. É pela tela do celular, fonte inesgotável de entretenimento pouco atrativo, tanto quanto no entorno de nosso cotidiano: vozes, luzes, anúncios, sirenes, alertas e uma sequência interminável de estímulos. O barulho é necessário. O silêncio agoniza. É bem raro. Às vezes, incômodo. Amigos já me convidaram a experimentar a meditação e todas práticas que se apresentam com o mesmo objetivo. Mas até na Igreja em que rezo aos domingos, o silêncio é apenas visitante. Quando aparece, é visto com estranheza: “Está triste?”, perguntam. Ou: “É depressão?”.

Naquela manhã, sentado à mesa da padaria da pequena cidade americana, creio que minha intenção era apenas ver o tempo passar. Distanciar-me da algaravia, do movimento frenético, e esperar o meu destino embarcar no próximo trem. Mas o clique congelou o instante, e, com ele, veio a inspiração para esta crônica. 

Pode parecer contraditório — transformar silêncio em palavras, contemplação em texto. Talvez seja mesmo. Mas, no final, escrever também é encontrar sentido naquilo que não dissemos em voz alta. Afinal, até o silêncio tem sua maneira peculiar de fazer barulho.

Na falta de comunicação, a fofoca vira chefe

Sabia a última da Cássia? 

O que ela fez ontem depois de sair aqui do jornal? 

Antes de falar, deixa eu contar outra coisa.

Toda firma tem um fofoqueiro de plantão, aquele que parece ter a agenda cheia, mas ainda encontra tempo para se atualizar sobre os segredos da empresa. Esse personagem universal é uma espécie de “CGO — Chief Gossip Officer”. E, curiosamente, é mais frequente nas organizações que falham na comunicação interna.

Um estudo recente da Universidade de Stanford foi ainda mais longe. Segundo os pesquisadores, a fofoca é uma espécie de ferramenta evolutiva. Ao que tudo indica, somos propensos a fofocar porque isso ajuda a proteger nossa reputação e a nos manter informados. E, você haverá de admitir, saber da vida alheia é tentador. É quase como uma sobremesa após o almoço: nem sempre é saudável, mas é difícil resistir.

Porém, as conseqüências da fofoca podem ser devastadoras em um ambiente de trabalho. Não raro, informações distorcidas geram conflitos, prejudicam relacionamentos e criam um clima de desconfiança generalizada. Mais grave ainda é o impacto na produtividade: enquanto tentamos decifrar quem disse o quê sobre quem, o foco nas tarefas principais vai embora.

O paradoxo é que, muitas vezes, o fofoqueiro se torna protagonista porque a empresa deixou espaços para ele atuar. Se os gestores comunicam mal ou pouco, esses vácuos são rapidamente preenchidos por interpretações criativas e boatos. Sem canais claros e confiáveis de comunicação, qualquer corredor vira estúdio de podcast informal.

Agora, imagine o impacto de uma estratégia eficiente de comunicação interna: boletins informativos regulares, murais digitais, espaços abertos para feedback e lideranças acessíveis. Empresas que investem nesses recursos não apenas reduzem os boatos, mas também criam um ambiente de transparência e confiança. Quando as mensagens são claras, consistentes e bem distribuídas, o fofoqueiro titular perde protagonismo e o foco volta para o que realmente importa.

Portanto, aqui vai um conselho para as organizações: antes de gastar energia tentando conter as fofocas, dediquem-se a comunicar bem. Afinal, é mais fácil evitar o fogo do que apagar o incêndio. E, convenhamos, menos boatos nos corredores significa mais produtividade nos escritórios. Talvez até sobre um tempinho para o café—sem a culpa de um segredinho compartilhado.

Sobre a última da Cássia não vou contar não, porque fofoqueiro não sou.

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