Avalanche Tricolor: em busca de confiança

Grêmio 2×0 Confiança-SE
Copa do Brasil – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Copa do Brasil - Grêmio x Confiança-SE - 21/04/2026
Carlos Vinícius, Braithwaite e Amuzu comemoram vitória Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vencer era obrigação. Levar uma vantagem maior para o segundo jogo seria o ideal. O placar desta noite ficou no meio do caminho. Dentro do tolerável para um time que busca ajustes e precisava aliviar a tensão provocada pelo desempenho irregular no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana.

A presença de Gabriel Mec como meia mais avançado e livre para criar era um pedido do torcedor desde o bom desempenho dele no clássico Gre-Nal. Luis Castro tem preferido atuar com meias que voltam mais na marcação, mas percebeu que, na partida de hoje, não haveria essa necessidade. O jovem de apenas 18 anos arriscou jogadas de categoria, tentou o drible e acabou provocando a expulsão do adversário ainda no primeiro tempo.

Enamorado e Amuzu seguem sendo as melhores opções pelos lados do campo. Ambos têm o cacoete do drible, o que sempre pode ser uma alternativa, sobretudo diante de um time que joga muito fechado, como o adversário desta noite.

Dos dois, o belga, pela ponta esquerda, costuma ser o mais ofensivo quando acerta o corte para dentro, se aproxima da área e arrisca o chute. Foi assim que chegou a mais um gol e se mantém isolado como vice-artilheiro do Grêmio na temporada.

A vitória começou pelos pés de Carlos Vinícius, que precisou apenas escorar a bola chutada por Braithwaite. O goleador gremista está sempre bem posicionado e prestes a marcar. Nas partidas anteriores, não encontrou companheiros que lhe servissem em condição de gol. Hoje, porém, contou com a parceria do dinamarquês, que vem retornando aos poucos ao time, depois de seis meses lesionado.

A presença de Braithwaite jogando sem precisar ficar fixo dentro da área — função de Carlos Vinícius — foi opção de Luis Castro para o segundo tempo. E funcionou. Deu mais agilidade às jogadas de frente. Talvez valha pensar na possibilidade de usar essa formação ofensiva, nem que seja apenas em parte do jogo. Para isso, é preciso reorganizar o meio de campo, que tem Arthur como titular absoluto e ainda busca os companheiros ideais. Noriega e Nardoni não têm conseguido aparecer com o destaque desejado.

Era desejável um placar mais elástico, principalmente em função da expulsão do adversário. Ao Grêmio, porém, não cabe, neste momento, querer mais do que vitórias. É preciso ganhar jogo após jogo, retomar esse caminho enquanto Luis Castro busca o time ideal para dar consistência aos desempenhos que ainda oscilam.

Hoje, o Grêmio ganhou do Confiança. Agora precisa reconquistar a confiança.

Avalanche Tricolor: é o duro caminho da reconstrução!

Grêmio 1×0 Deportivo Riestra
Sul-Americana — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Deportivo Riestra
Amuzu faz o gol da vitória. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Sabemos o que é o Grêmio”, disse o folclórico goleiro Ignacio Arce ao fim da partida. A frase veio depois de 90 minutos — e alguns acréscimos — com os 11 jogadores do Deportivo Riestra enfileirados no campo de defesa. Nem mesmo após a expulsão de Nardoni, aos dois minutos do segundo tempo, o adversário se aventurou ao ataque.

Não foi covardia. Foi cálculo. E também respeito a um clube que construiu sua história em noites improváveis, títulos marcantes e uma identidade associada à entrega.

Nós, torcedores, também sabemos o que é o Grêmio. Por isso, a cobrança é sempre alta. Espera-se um time dominante, capaz de impor seu jogo e oferecer mais do que o resultado. Há cinco partidas sem vencer e, há 12 dias, sem marcar, essa expectativa vinha sendo frustrada. A vitória desta noite interrompe o jejum, mas não resolve a inquietação.

Encontramos dificuldades diante de um adversário limitado, que jogou exatamente como podia — e como precisava. Fechou-se, travou o ritmo e apostou no erro. Arthur resumiu bem, ainda à beira do campo: “é mais fácil destruir do que construir”. A frase serve para o jogo. E serve para o momento.

O Grêmio vive um processo de reconstrução. Mudou a comissão técnica, reformulou o elenco, reduziu custos e passou a apostar mais na base. É um caminho conhecido no discurso, mas difícil na prática. Reconstruir exige tempo. E o futebol brasileiro tem pressa.

Em meio ao desespero para chegar ao gol, nesta noite, passei a pensar mais seriamente sobre isso depois de ouvir meu colega de programa de rádio, Paulo Vinícius Coelho, que comentava o jogo na transmissão da Paramount. Ele informou que este era apenas o 24º jogo de Luis Castro no comando do Grêmio. Nesse período, já houve vitória em clássico e título estadual. Ainda assim, a sequência irregular pesa mais na avaliação. A memória curta é um traço do futebol. O resultado mais recente costuma engolir o anterior.

Não se trata de ignorar os problemas. Eles estão em campo. Falta fluidez, sobram erros de execução, o time ainda oscila. A pergunta que fica é outra: quanto tempo estamos dispostos a conceder para que algo consistente seja construído? Porque não há atalho. A reconstrução cobra seu preço. Cobra paciência. Cobra tolerância ao erro. Cobra a capacidade de enxergar processo onde ainda não há resultado pleno.

Enquanto isso, vamos nos apegar aos sinais. Ao drible de Enamorado, que abre espaço. À movimentação de Amuzu, que desta vez terminou em gol. À presença de Carlos Vinícius brigando dentro da área. À lucidez de Arthur organizando o meio-campo. À firmeza de Viery, que, mesmo jovem, já se comporta como dono da defesa. São fragmentos. Ainda não formam uma obra acabada.

A vitória por 1 a 0 não autoriza euforia. Também não recomenda desprezo. Ela revela, com alguma clareza, o tamanho da tarefa.

O Grêmio venceu. E, ao vencer assim, lembrou algo que talvez incomode: reconstruir não é um espetáculo. É um trabalho lento, por vezes pouco vistoso, quase sempre tenso.

A pergunta que fica, para quem está dentro e fora de campo, é simples — e desconfortável: temos disposição para atravessar esse caminho até o fim?

Eu tenho. E torço por ti, Grêmio!

Avalanche Tricolor: o pior Gre-Nal de todos os tempos (ou quase)

Inter 0x0 Grêmio
Brasileiro – Beira-Rio, Porto Alegre RS

Grenal 452
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Gre-Nal desta noite foi uma sucessão de falhas. De um lado o passe curto saía errado, do outro o passe longo era equivocado. Os dribles morriam antes de nascer, travados pela falta de habilidade; e os cruzamentos pela falta de destino. As raras tentativas de chute pouco exigiram dos goleiros — justiça seja feita, o nosso mostrou segurança quando acionado, enquanto o deles protagonizou um erro constrangedor.

Certamente, entre os 452 Gre-Nais disputados ao longo de 117 anos, houve partidas ruins. Minhas lembranças começam nos anos 1970, quando me entendi como torcedor. Ainda assim, fiquei com a sensação de ter assistido ao pior Gre-Nal de todos os tempos. Senão o pior, um dos que mais decepcionaram.

Verade que Gre-Nal ruim costuma ser aquele que se perde. Para quem aprecia o jogo bem jogado, porém, o que vimos no Beira-Rio foi indigesto. Imagino que o torcedor adversário também não tenha saído satisfeito. Eu, como gremista, espero mais. Sempre espero mais. Insisto em não aceitar a ideia de disputar campeonato apenas para evitar o rebaixamento.

Para não dizer que escrevo movido apenas pelo mau humor de um sábado mal aproveitado, há registros positivos. Weverton foi seguro nas saídas e nas intervenções. O time se entregou. Correu, marcou, disputou cada bola como se fosse a última. Ninguém se omitiu. Ainda assim, essa disposição pareceu nascer mais das dificuldades com a bola nos pés do que de uma proposta consistente de jogo — e também das limitações do adversário.

Sob o olhar da tabela, empatar fora de casa em Gre-Nal pode ser considerado ponto ganho, sobretudo em contraste com o empate anterior na Arena. O problema é que já deixamos pontos demais pelo caminho. Com um mínimo de organização e qualidade, era possível ter vencido.

O que mais incomoda é perceber que o que se viu em campo explica o momento do futebol gaúcho. Um clássico travado, de muita disputa e nenhuma técnica, passou a ser aceito quase como padrão. E isso diz muito sobre clubes e torcedores que já se acostumaram a mirar cada vez mais baixo.

O Grêmio ainda precisa evoluir. Luis Castro terá de ajustar posições, dar clareza ao modelo de jogo e exigir mais coordenação coletiva. Aos jogadores cabe algo mais básico: rever fundamentos. Passe, domínio, decisão. Sem isso, não há estratégia que sobreviva.

Porque, no fim das contas, o maior risco não está em empatar um Gre-Nal ruim. Está em se acostumar com ele.

Avalanche Tricolor: um tropeço que revela um caminho

Palmeiras 2×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Barueri, São Paulo

Gremio x Palmeiras
Pedro Gabriel desarma o adversário. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio teve chances de sair com ao menos um ponto, apesar de jogar fora de casa e diante do líder do campeonato. Infelizmente, a desatenção em uma cobrança de lateral e a guarda baixa da defesa no momento de afastar a bola permitiram a vitória do adversário.

O jogo, porém, não foi perdido por completo. O Grêmio tem lições a tirar e aspectos positivos a ressaltar. Referir-se a Carlos Vinicius é chover no molhado. Nosso atacante não precisa de mais de três bolas no pé para marcar. Hoje, foi efetivo novamente. Na mínima chance que teve, e no espaço quase inexistente entre os zagueiros, livrou-se da marcação e bateu de fora da área para as redes.

O que mais gostei de ver nesta noite foi a aposta de Luis Castro na juventude gremista. O treinador levou a campo ao menos oito jogadores com, no máximo, 24 anos. Cinco vieram da base, e três foram contratados nos últimos tempos.

Na zaga, Viery, com 21 anos, e Gustavo Martins, com 23, têm se consagrado como titulares. A lateral esquerda foi ocupada por Pedro Gabriel, que, aos 18 anos, fazia apenas sua segunda partida entre os profissionais. No meio de campo, Noriega (24), Nardoni (23), Monsalve (22), Zortéa (19) e Gabriel Mec (17) completaram a legião de jovens que esteve em campo. No banco, ainda havia Roger (17), Tiago (18) e Riquelme (19).

Se o Grêmio e sua torcida tiverem paciência, podemos estar assistindo ao nascimento de uma geração de talentos capaz de nos trazer muitas alegrias. São jogadores que ainda precisarão passar por ajustes de posicionamento, desenvolvimento físico e maior entendimento tático para atender às estratégias pensadas pelo treinador. Por isso, ter colegas experientes ao lado e um técnico com visão de futuro será importante.

Com os valores das contratações cada vez mais altos, os times que melhor souberem aproveitar a base tendem a colher resultados significativos. É preciso dar condições para que esses jogadores cresçam e para que os erros e tropeços, inevitáveis nesse processo, sejam vistos como lições próprias do amadurecimento.

Avalanche Tricolor: fim da quaresma antecipada. Que venha a Páscoa!

Vasco 2×1 Grêmio
Brasileiro – São Januário, RJ/RJ

Gremio x Vasco
Arthur articula no meio de campo. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio encerrou seu período de quaresma. Estava prestes a completar 40 dias sem ser derrotado, em uma sequência de três vitórias, cinco empates e um título gaúcho. Mesmo na partida desta tarde, no Rio de Janeiro, teve chances — poucas, é verdade — de estender essa fase de triunfo até as vésperas da Páscoa. Infelizmente, não conseguiu.

Pagou, sobretudo, por um primeiro tempo muito abaixo do que vinha apresentando. Erros repetidos permitiram que o adversário, em pouco mais de meia hora, estivesse com o placar nas mãos. O time escolhido por Luis Castro para iniciar a partida não funcionou. O gol gremista, ainda na etapa inicial, nasceu mais da força e da precisão de Carlos Vinícius do que de méritos coletivos.

A defesa esteve lenta e espaçada — sem a ajuda dos atacantes que jogam pelos lados. O meio de campo não articulava. Arthur, isolado, tentava segurar a bola e organizar o jogo. Os pontas encontravam dificuldade para superar os marcadores. E os alas chegavam à frente sem intensidade. Pavón foi exceção em alguns momentos, tentando compensar no ataque o que não conseguia entregar na defesa.

Luis Castro enxergou os problemas, mexeu no time no intervalo e conseguiu conter mais o adversário. O Grêmio passou a ter mais posse de bola. Faltou transformar domínio em perigo. Falhas de execução, às vezes em passes simples, impediram que o time avançasse com qualidade.

A melhor chance surgiu quase como um presente. No retorno após seis meses afastado por lesão, Braithwaite aproveitou um erro da defesa, roubou a bola e finalizou forte. Parou no goleiro.

Os três pontos que ficaram no Rio pesam mais quando lembramos dos empates recentes, um deles jogando em casa. Após oito rodadas, o Grêmio segue na primeira página da tabela antes da pausa para os jogos da seleção. Não é um cenário ruim. Exige atenção. A sequência será exigente, com retomada do Brasileiro e início da Copa Sul-Americana.

A despeito da derrota de hoje, o fato é que o Grêmio evoluiu em relação ao início da temporada. Luis Castro dá forma a uma ideia de jogo. Para o treinador, a parada será um período de ajustes e afirmações.

Está evidente que, neste momento, a dupla de zaga titular tem de ter os dois guris, Gustavo Martins e Viery. Nas laterais, ainda será preciso encontrar soluções definitivas, especialmente para substituir Marlon, que ficará fora de três a cinco meses.

No meio, o desafio é encontrar o companheiro ideal que divida com Arthur a responsabilidade de organizar e acelerar o jogo. Nardoni e Léo Perez terão tempo para se adaptar. Noriega voltará. William e Monsalve poderão aprimorar a parte física.

No ataque, Enamorado e Amuzu, por enquanto, são os titulares nas pontas. Tetê ainda carece de adaptação e precisará entender que a forma de o Grêmio jogar exige recomposição rápida. Gabriel Mec é uma alternativa interessante, principalmente se ganhar força para resistir em pé à marcação pesada que sofre. Ainda teremos a opção de testar Carlos Vinícius e Braithwaite juntos, especialmente em momentos de maior pressão ofensiva.

A derrota interrompe a sequência. Não o processo. O Grêmio mostra caminhos. E terá tempo para ajustá-los. Quem sabe, antes mesmo de a Páscoa chegar.

Avalanche Tricolor: coragem para seguir

Juventude 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul (RS)

Gremio x Juventude
Weverton defendeu uma das cobranças de pênalti Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio está na final do Campeonato Gaúcho. Para muitos, não fez mais do que a obrigação. Eu comemoro. Especialmente diante das circunstâncias. Estar fora da decisão seria um desastre logo no início da temporada. O time está em reconstrução. Busca nova identidade. Testa jogadores recém-chegados. Investe em talentos muito jovens. E tenta superar carências que ainda existem no elenco.

O trabalho realizado por Luis Castro, a quem foi entregue a responsabilidade de refazer o Grêmio, corria riscos caso caíssemos diante do Juventude. E tudo o que o treinador português necessita, consideradas as condições, é tempo, paciência e equilíbrio para promover as mudanças.

A classificação, da forma como veio, ainda não oferece a tranquilidade desejada. Foram dois empates. O primeiro, em casa, quando não conseguimos sustentar a vantagem e fomos incapazes de superar um adversário que terminou com um jogador a menos. O segundo, saindo atrás no placar e escapando, no primeiro tempo e no início da etapa final, de sofrer mais gols. O time tem fragilidades evidentes e carece de definições em algumas posições.

O resultado, ainda assim, pode ser transformador. Oferece ao técnico e aos seus comandados um sinal de confiança. Mostra que a luta insistente e a resiliência diante dos reveses podem ser recompensadas. A coragem de alguns jogadores se sobressaiu.

Na partida desta noite, em Caxias do Sul, houve momentos de superação. Caso de Viery, zagueiro de apenas 21 anos. Em um lance estabanado na área, cometeu pênalti que deixou o Grêmio em desvantagem. Não se abateu. Avançou ao ataque e, sem medo de errar, acertou um chute de virada, de fora da área, para marcar o gol de empate.

Houve lances de revelação. Gabriel Mec, com apenas 17 anos, soltou o talento e deu novo ritmo ao ataque gremista, atuando como um meio-campista mais avançado. Com dribles, finalizações e valentia para enfrentar marcação dura, assumiu protagonismo — como lhe pediu o treinador pouco depois de sua entrada no segundo tempo, recado revelado pela repórter da transmissão do canal Premier. O guri ainda teve personalidade para converter um dos pênaltis na série decisiva.

Houve instantes de confirmação. Weverton, goleiro recém-empossado, sobressaiu-se. Defendeu a primeira cobrança e impôs pressão imediata ao adversário. A bola no travessão, na segunda penalidade, carrega a marca do temor que um goleiro multicampeão costuma provocar.

Houve cenas que só os atentos perceberam. Quando Luis Castro escolhia os batedores, o volante Noriega, posicionado logo atrás, pediu para cobrar. Ao ouvir a confirmação do técnico, respirou fundo, soltou o ar, relaxou os ombros — ritual de quem se prepara para decidir. E decidiu, convertendo a segunda cobrança.

O Grêmio precisará de coragem para atravessar essa longa reconstrução. Mostrou, ao menos nesta noite, que está disposto a merecer a confiança de seus torcedores — inclusive dos que ainda observam com desconfiança.

Avalanche Tricolor: as poucas boas notícias no empate

Grêmio 1×1 Juventude

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Gremio x Juventude
Monsalve comemora o gol no retorno ao time Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Foi apenas a sétima partida de Luis Castro como técnico do Grêmio, e essa realidade não pode ser ignorada. Ele ainda merece paciência, virtude cada vez menos presente na Arena. Para iniciar o jogo, o treinador português recorreu a um time alternativo, com poucos jogadores considerados titulares. A escolha fazia sentido: a classificação à próxima fase estava garantida, a manutenção do primeiro lugar na chave parecia tranquila e o jogo vinha espremido entre dois compromissos importantes do Campeonato Brasileiro.

Ainda assim, esperava-se mais do Grêmio, sobretudo por jogar em casa. Faltou pressão na saída de bola do Juventude e sobrou lentidão quando a posse era nossa. O primeiro tempo foi pobre. Quase não se criaram jogadas de ataque. Nada daquilo a que se assistiu animou o torcedor que foi à Arena.

A entrada do trio titular — Arthur, Amuzu e Carlos Vinícius — ao lado de Monsalve, que retornava de um longo período de lesão, abriu outra perspectiva, no segundo tempo. O time ganhou presença ofensiva e passou a ocupar melhor o campo adversário. A expulsão precoce de Arthur, porém, voltou a desorganizar o Grêmio. Mais do que o prejuízo imediato, a ausência do volante pesa na disputa pela vaga na semifinal, no próximo fim de semana. Com ele, o meio de campo ganha equilíbrio. Sem ele, o sistema entra em colapso.

Entre as poucas boas notícias, Miguel Monsalve foi a principal. Há tempos o torcedor aposta no colombiano como o jogador capaz de assumir o papel do camisa 10. Em dois ou três lances — especialmente no golaço que marcou — o jovem de 21 anos reacendeu a esperança de que esse protagonismo, enfim, possa se consolidar.

A outra rara boa notícia foi Noriega como volante. Forte na marcação e seguro no domínio da bola, mostrou credenciais que merecem atenção. Com o retorno de Balbuena — toc, toc, toc — talvez o nipo-peruano de 24 anos possa se firmar como parceiro de Arthur, oferecendo ao meio de campo uma alternativa mais consistente.

Aos trancos e barrancos, o Grêmio segue no Campeonato Gaúcho. No meio da semana, o compromisso pelo Campeonato Brasileiro exigirá entrega máxima. Com pouco tempo de trabalho e quase nenhum espaço para treinar, Luis Castro precisa ajustar o time sob a pressão de uma torcida ainda marcada pelos fracassos do ano passado e pelos tropeços deste início de temporada. O relógio corre mais rápido do que o calendário.

Avalanche Tricolor: vida mansa!

Grêmio 5×0 São Luiz
Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Sao Luiz
Carlos Viniciu marcou 3 vezes. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vim longe para assistir ao Grêmio neste início de noite de sábado. Estou em João Pessoa, na Paraíba, onde passo meus dias de férias. Cheguei pouco depois do meio-dia e me hospedei de frente para o mar, na praia de Cabo Branco. Vida mansa! — deve estar pensando o caro, e cada vez mais raro, leitor desta Avalanche. Não há como discordar. É aqui que o sol nasce primeiro, as praias são mais limpas e as falésias desenham parte da costa. Um cenário convidativo para começar o ano com outro ritmo.

Justiça seja feita, porém. Para chegar até aqui, fizemos por merecer. Um ano de trabalho intenso, enfrentando o corre da redação e os desafios de quem insiste em fazer jornalismo com equilíbrio. Uma jornada árdua em muitos momentos, recompensada, de vez em quando, com pequenos privilégios. Foi nesse cenário generoso que acompanhei a goleada do Grêmio lá em Porto Alegre.

A partida começou fácil e terminou antes mesmo da hora. O Grêmio resolveu o placar no primeiro tempo e, no segundo, apenas completou a goleada. A vida do gremista foi mansa, sem dúvida. Mas o time também fez por merecer. Alguém poderá desdenhar o gol de abertura, surgido da infelicidade de um defensor adversário. Convém lembrar que o erro foi provocado pelo dinamismo imposto pelo Grêmio, bem diferente do que se viu no meio de semana.

A equipe que iniciou a partida se aproxima daquela que Luis Castro deve consolidar como titular, especialmente do meio de campo para frente. A começar por Arthur. Com ele, o Grêmio muda de patamar. A bola é tratada com respeito, circula mais rápido e chega melhor ao ataque.

A estreia de Tetê pela direita trouxe boas notícias. O atacante aposta em jogadas individuais, combina força e talento, participou diretamente de dois gols e quase deixou o seu. Cristaldo foi outro destaque. Iniciou a jogada que resultou no gol contra, deu assistência no segundo e marcou um golaço já na etapa final. Carlos Vinicius, autor de três gols, sinaliza que pode ocupar o espaço deixado por Luis Suárez, algo que o Grêmio procura desde então. Tiago e Roger seguem cavando espaço entre os titulares. Amuzu aparece cada vez mais solto e atrevido pela esquerda, agora com a concorrência de Enamorado, o colombiano que estreou no segundo tempo

Entre o sol que nasce primeiro em João Pessoa e a goleada construída com autoridade na Arena, ficou a sensação de que descanso e merecimento também fazem parte do futebol. O Grêmio venceu com tranquilidade, apresentou sinais de evolução coletiva e ofereceu ao torcedor uma noite sem sobressaltos — dessas que ajudam a organizar ideias, alimentar expectativas e lembrar que, quando o time joga bem, até a vida do gremista pode ser mansa.

Avalanche Tricolor: essas mal traçadas linhas

Grêmio 1×2 Fluminense
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Era para sair de campo com os três pontos, manter viva a fantasia da Libertadores e encerrar a temporada ao lado do torcedor com algum alento. Talvez até encontrar uma trégua nessa relação instável, cheia de tropeços, que sustentamos com o futebol gremista ao longo do ano. Uma vitória ajudaria a apagar, ainda que por alguns instantes, os reveses causados por nossas próprias falhas, pelos azares que cruzaram o caminho e pelas arbitragens que nos tomaram pontos valiosos — especialmente, embora não exclusivamente, neste Campeonato Brasileiro.

Acreditava, com uma boa dose de teimosia, que esta Avalanche — escrita tarde da noite, para desespero de quem madruga — pudesse trazer linhas firmes, bem desenhadas, celebrando o renascimento de um time e a promessa de um ano novo mais generoso. A temporada, porém, insiste em esfregar no rosto a realidade que temos evitado encarar. E ironicamente me faz lembrar Lulu Santos, como aquele amigo que aparece na hora errada com uma verdade desconfortável: “nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia”. Sigo acreditando que será, sim. Só não será agora.

O Grêmio mostrou lampejos de um futebol mais organizado na segunda metade do campeonato. Redescobriu o talento impressionante de Arthur, que precisa ser mantido no elenco se quisermos, em 2026, voltar a ser competitivos. Encontrou também um centroavante eficiente, Carlos Vinícius, cuja ausência por suspensão pesou demais neste jogo.

Há outros jogadores que, recuperados fisicamente, podem contribuir nas competições que começam já em janeiro. E existe a expectativa — sempre ela — de contratações capazes de elevar o nível do time e do grupo.

O placar desta noite, no entanto, praticamente fechou a porta por onde ainda passava uma réstia de sonho: uma combinação improvável de resultados até a última rodada que nos levasse a Liberadores, esperança demais para quem produziu de menos ao longo do ano. A atuação, hoje, nem foi ruim, embora tenhamos sucumbido a um adversário mais consistente na temporada. E ainda apareceram os acasos, sempre prontos para cumprir seu papel de protagonistas — como aquelas mal traçadas linhas que validaram o primeiro gol do Fluminense.

De minha parte, quem sou eu para julgá-las? Se já me vejo às voltas com a dificuldade de desenhar melhor as próprias linhas desta Avalanche, imagine querer analisar as linhas traçadas pelo VAR.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: me engana que eu gosto

Foto de Kampus Production

Consumidores muitas vezes justificam escolhas de forma racional, mas, na prática, são guiados por emoções. Esse é o ponto central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Os atributos racionais são apenas o suporte para a decisão. O que gera o comportamento de compra são as emoções”, explicou Jaime Troiano, ao citar uma pesquisa sobre a escolha de um carro. Para o consumidor, na fala direta, valiam argumentos como baixo custo de manutenção e economia de combustível. Mas, em conversas informais, o que aparecia era a sensação de respeito e status proporcionada pelo veículo.

Cecília Russo trouxe outro exemplo: o do amaciante de roupas. “O que toca mesmo é o sentimento de invadir as roupas da família com uma dose adicional de carinho”, disse, lembrando campanhas que associavam a fragrância do produto à lembrança do cuidado materno. Ela destacou também a experiência de consumo em restaurantes como o Pirajá, em São Paulo, que transporta os clientes ao Rio de Janeiro não só pela comida, mas pela playlist que embala o ambiente: “algo que eu não mastiguei, mas me inspirou o tempo todo”.

A marca do Sua Marca

A lição central do comentário pode ser resumida em uma frase repetida ao longo da conversa — que podemos incluir entre os clássicos de Jaime Troiano: “Consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente.”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.