Em Botucatu, um exemplo de agricultura sustentável

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

((vídeo produzido pelo canal do Projeto Orgânico Simples! no You Tube))

 

A cidade de Botucatu, há 44 anos, recebia os irmãos Joaquim e Pedro Shmidt e os amigos de infância Jorge Blaich e Mario Bertalot, com o propósito de transformar as terras ali recém-adquiridas num processo de refertilização e apaziguação da agressividade humana com o solo.

 

A “Estância Demétrio”, fundada por eles, e origem do bairro, que foi a primeira fazenda biodinâmica brasileira, se caracterizava por um solo arenoso que exprimia as feridas causadas pelo manejo agropecuário tradicional com as queimadas anuais, as geadas e as secas.

 

Vale registrar que a Agricultura Biodinâmica é uma forma alternativa de Agricultura Orgânica, que inclui conhecimentos e métodos químicos, geológicos, astronômicos e espirituais. Foi conceituada pelo alemão Rudolf Steiner na década de 1920.

 

A Biodinâmica tem recebido um crescente aumento de seguidores, como produtores e consumidores no ritmo dos produtos orgânicos. Ao mesmo tempo que há críticas de comunidades científicas a respeito das influencias intangíveis que absorve.

 

O núcleo original de Botucatu logo chegou a ter 30 hectares de verduras e 20 de ervas medicinais com mais de 100 funcionários. Posteriormente, juntou-se ao vizinho “Sítio Bahia” e se concentrou mais na produção de leite e no feito de cultivar trigo em solo originalmente castigado. Hoje abriga:

 

– “Escola Aitiara” de Pedagogia Waldorf promovendo integração social aos seus 300 alunos;
– A “Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica” que realiza pesquisas e cursos, prestando consultoria para produtores rurais.
– A “Associação Instituto Biodinâmico” credenciadora nacional e internacional com mais de 3000 produtores certificados.
– O “ Instituto Elo de Economia Associativa” que ministra curso de pós-graduação lato sensu de Agricultura Biológico-Dinâmica em parceria com a Universidade de Uberaba MG.
– A “Associação Nascentes” que cuida de preservação ambiental e recuperação dos aquíferos da região, além da coleta do lixo da região.

 

Diante de tantas credenciais, a cidade de Botucatu recebeu há uma semana o “XXXIII Encontro Latino Americano & XIII Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica”, quando, durante quatro dias, o tema foi “Caminhos e encontros para um organismo agrícola e social”. Ou seja, a preservação e evolução do solo dentro de um sistema orgânico e social, de forma a desenvolver uma convivência construtiva e realizadora para todos os agentes.

 

Segundo Ricardo Corrêa, produtor rural local e comerciante pela WHEAT Bio Padaria, a proposição do evento foi alcançada, tendo havido muita troca de conhecimento e prática nos quesitos técnicos, culturais e sociais.

 

Ontem, diante das declarações do provável futuro ministro da agricultura Antonio Nabhan Garcia de desmatar na Amazônia Legal –- uma área que corresponde a 59% do território brasileiro –, desde que 80% da floresta fique preservada, a comparação imediata e a disparidade entre os conceitos do evento de Botucatu e os de Antonio Garcia afloram inevitavelmente.

 

Ricardo Corrêa, do time que aposta na recuperação do solo sem destruição de matas, acredita no modelo da Mata Atlântica para a Amazônia, cuja preservação está em parte com as grandes corporações que precisam de imagem e participam do processo de manutenção.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Foto-Ouvinte: A feira de orgânicos na Água Branca

 

Feira organica

Foto e recado do ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo:

Frequentador assíduo do parque Fernando Costa(Água Branca)não poderia de deixar de comentar o que ocorre lá todos os sábados pela manhã. Todo mundo com suas sacolinhas recicláveis, uma feira de verdade, mas muito especial, todos produtos responsalvemente orgânicos. O ambiente natural com faizão, muitas galinhas ao redor, dão um tom muito especial.

Grupo pede a Obama para transformar Casa Branca em fazenda de produto orgânico

thewhofarm

Durante as duas Grandes Guerras, o governo dos Estados Unidos pediu que os cidadãos plantassem hortas nas suas casas para enfrentarem as dificuldades econômicas e a falta de alimento. Vinte milhões de “Victory Gardens” foram plantados pelos americanos, em 1943. Os jardins da Casa Branca também se transformaram em uma enorme fazenda com grãos plantados sob a coordenação de Eleanor Roosevelt, a ativista dos direitos humanos casada com o presidente Franklin Roosevelt.

Reproduzir esta experiência, é o sonho de um grupo de americanos que roda os Estados Unidos com um estranho ônibus e recolhe assinaturas de apoio ao pedido para que o presidente Barack Obama faça no entorno da Casa Branca uma fazenda de produtos orgânicos. No texto proposto pelo The White House Organic Farm que também atende pelo reduzido nome de The Who Farm existem cinco artigos.

Eles sugerem que a fazenda na Casa Branca seja plantada por crianças de escolas públicas e pessoas portadoras de deficiência e os alimentos servidos ao presidente e a família dele, e sustentasse a merenda escolar na rede de ensino. A distribuição seria feita por voluntários a pé ou de bicicleta. Outra curiosidade: as terras plantadas na Casa Branca usaria adubo resultado de dejetos e restos de comida das três esferas do governo federal, a própria Casa Branca, o Capitólio e a Suprema Corte.

Para quem pretende incluir seu nome nesta petição ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama pode acessar o site do The Who Farm.