Marcas que respeitam à pandemia conquistam a confiança do consumidor, mostra pesquisa global

Por Carlos Magno Gibrail

Ilustração: Pixabay

 

Desde que a pandemia teve início, surgiram lideranças negando os riscos sanitários, sociais e econômicos evidentes, principalmente no poder público, embora algumas empresas privadas, representadas por proprietários e executivos receosos de possíveis paralizações comerciais, também menosprezassem os riscos.  

Felizmente, a maioria das autoridades mundiais e dos líderes empresariais incorporaram a necessidade dos cuidados com a Covid-19, identificados pelas medidas preventivas tomadas.  Restava saber o que os consumidores pensavam e agiam em relação aos políticos e às marcas.

O voto responderia aos agentes públicos, e as pesquisas informariam às marcas.

O Grupo Edelman, agência global de comunicação, alinhada aos ODS-Objetivos de Sustentabilidade da ONU e interessada nas mudanças de comportamento do consumidor durante a pandemia produziu o Edelman Trust Barometer 2020 – Marcas em meio à Crise.

A pesquisa alcançou 8 mil pessoas na última semana de outubro na Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, e Reino Unido.

De forma geral o estudo mostra que há um medo dos consumidores em relação ao vírus e reforça as necessidades dos cuidados em relação ao   comportamento social relacionado ao distanciamento e ao uso de máscara. Informa também a valorização da segurança e o propósito das marcas.

Especificamente, os brasileiros estão preocupados com a pobreza, o trabalho, as mudanças climáticas, o racismo cultural, e desejam que as marcas atuem neste sentido — inclusive na comunicação, em tom mais otimista, e ao mesmo tempo protecionista para os que sofrem com a crise. 

Pedimos para a porta voz da Pesquisa, Ana Julião, Gerente Geral da Edelman do Brasil, uma  conclusão sobre o trabalho realizado:

“O medo alterou as prioridades das pessoas e isso se reflete tanto no momento da compra quanto no que elas consideram responsabilidade das marcas e esperam das empresas. No lugar de imagem e status, os consumidores estão valorizando mais a segurança, além dos valores e propósitos das marcas, desejando que elas atuem para minimizar problemas sociais e pessoais. Nesse novo cenário, as marcas precisam saber como agir e como se comunicar. Nossas recomendações são reconhecer que os valores se voltaram para segurança pessoal, segurança econômica e qualidade de vida; redefinir abordagens de marketing, centrando-as na ação; mudar tom e mensagem para refletir o momento e atenuar medos por meio da voz de especialistas, de pessoas comuns e de canais que tenham credibilidade”, diz Ana Julião.

Ao que tudo indica, sob o aspecto político, valem as confirmações da corrente científica se sobrepondo ao negacionismo, vide resultado na eleição americana e também na brasileira.

 Quanto às marcas, deverão atender a seus consumidores com foco social e ambiental.  A pesquisa da Edelman é um indicador específico, e os ODS um guia geral.

Ilustração: Edelman

 

Para quem se interessar por uma relação dos tópicos para aplicação, veja os 11 itens apresentados pela divulgação da pesquisa: 


TOP 11 Da Pesquisa   

O MEDO AUMENTOU – Os brasileiros estão mais preocupados com o futuro de suas famílias, educação dos filhos e saúde física da família.  

OS VALORES SÃO OUTROS – O que mais importa agora para o brasileiro é se proteger e proteger sua família, e tomar decisões de compra inteligentes. O que menos importa é aproveitar o luxo e as chamadas “melhores coisas da vida”


MARCAS VISTAS COMO SALVADORAS — No Brasil, espera-se que as marcas resolvam tanto problemas sociais quanto pessoais. Isso se relaciona à pobreza, questões trabalhistas, mudança climática, racismo estrutural, além de bem-estar/otimismo e segurança. 

MARCAS MAIS CRIATIVAS E EFICAZES DO QUE O GOVERNO – Globalmente, 55% dos entrevistados acreditam que as marcas podem fazer mais para resolver problemas sociais do que o governo. A mesma porcentagem de entrevistados afirma que as empresas são mais responsáveis ​​e mais rápidas na hora de agir para mudar as coisas para melhor. 

CONFIANÇA É CRITÉRIO DE COMPRA – Os cinco P’s do Marketing ganham um T, de “TRUST” (confiança). Apenas preço e qualidade estão à frente da confiança na lista de critérios de compra. No Brasil, confiar na marca é importante ou essencial para 90% dos entrevistados.   

CONFIANÇA GERA FIDELIDADE – Globalmente, os consumidores com alta confiança na marca são mais engajados (60%), o que inclui o compartilhamento de dados pessoais; mais fiéis (75%) e dispostos a defender a marca (78%). No entanto, entre os brasileiros, apenas 37% afirmam que as marcas que usam estão fazendo um excelente trabalho em ajudar o país e o povo a enfrentarem os desafios de hoje — gerando grande oportunidade para as empresas em atuar para promover mudanças positivas.  

O PODER DAS AÇÕES – A confiança no negócio aumenta quando suas ações vão além do discurso. No Brasil, para 72% das pessoas é mais efetivo para uma marca gerar confiança quando ela toma medidas para ajudar trabalhadores e comunidades locais em tempos de crise, contra 28% que acreditam que é mais efetivo quando ela assume o compromisso publicamente. 


NÃO É O MOMENTO PARA AGRESSIVIDADE NAS VENDAS – 64% dos entrevistados no Brasil dizem que as marcas devem pensar primeiro na segurança do público, tendo cuidado ao encorajar pessoas a voltarem a lojas, restaurantes e outros locais públicos; enquanto 36% dizem que as marcas devem ajudar a estimular a recuperação econômica, encorajando as pessoas a voltar a lojas, restaurantes e outros locais públicos. ​

MENOS É MAIS’ NAS CAMPANHAS DE FIM DE ANO – Para a maioria das pessoas, não é o momento certo para grandes celebrações. No Brasil, 68% das pessoas dizem que querem que as marcas reduzam as festas de fim de ano, adotando um tom mais contido e moderado devido às dificuldades pelas quais muitos estão passando


MÍDIA CONQUISTADA E EXPERIÊNCIA PESSOAL SÃO CAMPOS DE BATALHA – Mídia paga aparece em último lugar entre os canais (23%), enquanto a experiência pessoal (de alguém sobre um produto) é a mais importante (59%), seguida pela mídia conquistada (44%) e conversa entre pares (39%). 


PARES E ESPECIALISTAS COMO FONTES MAIS CONFIÁVEIS – Usuários regulares (58%) e especialistas técnicos (50%) estão muito à frente das celebridades nacionais (35%) ou influenciadores (35%) como fontes confiáveis ​​de informação sobre o que uma marca está fazendo para dissipar as preocupações. (dados globais).

Aqui você acessa a pesquisa Edelman Trust Barometer 2020 – Marcas em meio à Crise.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.     

As mulheres e a pandemia: desafios que ultrapassam a luta contra o vírus

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

 

Foto: Pixabay

 

Em março de 2020, após a Organização Mundial de Saúde declarar como pandemia a doença causada pelo SARS-COV-2, a COVID-19, diversos países determinaram o isolamento social ou o “lockdown” como forma de reduzir a transmissão do vírus.

Isso causou uma modificação significativa na vida cotidiana, como restrições à mobilidade, impossibilidade de sair de casa para estudar ou trabalhar, perdas financeiras e redução do convívio social mais amplo. Possivelmente em decorrência desses fatores, as preocupações com a saúde física foram somadas à crise psicossocial, causada em grande parte pelo aumento dos transtornos mentais e da violência contra a mulher.

Relatórios policiais indicam que durante a pandemia as ligações para solicitar ajuda em decorrência da violência doméstica aumentaram em diferentes países, como na Argentina, Canadá, França, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Além disso, diversos estudos apontam que muitas vezes a mulher não solicita ou não reporta o ocorrido, especialmente quando a violência sofrida é psicológica. Como fator de agravamento, o controle do uso de redes sociais ou de acesso aos telefones e celulares também dificulta o pedido de ajuda, caracterizando a violência tecnológica.

Dados da província de Hubei na China, epicentro inicial da epidemia de coronavírus, mostraram que a violência doméstica havia triplicado em fevereiro de 2020, durante o lockdown. 

Na França, o período de isolamento social iniciou-se em 17 de março e em menos de um mês as denúncias feitas à polícia já mostravam um aumento de 30% nos índices de violência doméstica.

No Brasil, dados do 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostraram um aumento de 3,8% no número de ligações efetuadas para o telefone de emergência da Polícia Militar relacionadas à violência doméstica e um aumento de 1,9% dos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2020. Entretanto, houve uma redução no registro de outros crimes, como lesão corporal dolosa ou ameaça contra vítimas do sexo feminino, possivelmente pela dificuldade enfrentada pela mulher, durante o isolamento social,  para registrar o ocorrido, corroborando os dados encontrados em outros países. 

Um estudo realizado com 751 mulheres na Tunísia, durante o lockdown, identificou um aumento na violência contra a mulher de 4,4% para 14,8%, sendo o abuso psicológico o tipo de violência mais frequente, presente em 96% dos casos relatados. As mulheres que já tinham um histórico de doenças mentais e sofreram violência durante o lockdown apresentaram sintomas mais graves de depressão, ansiedade e estresse.

Dados sobre prevalência de transtornos mentais indicam que a ansiedade e a depressão acontecem com maior frequência nas mulheres do que nos homens. As causas dessa diferença não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que isso resulte da interação entre fatores biológicos, como alterações hormonais, e fatores psicossociais.

Se por um lado existem fatores biológicos que aumentam a vulnerabilidade da mulher para os transtornos mentais, por outro, mulheres que são vítimas de abuso e violência apresentam um risco maior para depressão e suicídio, alertando sobre os efeitos nocivos de estressores ambientais para a saúde mental. 

A literatura sobre violência contra a mulher aponta que em todas as situações de crise, como guerras, desastres naturais ou epidemias graves, independentemente do país, a violência doméstica tende a aumentar. Na época do furacão Katrina, que atingiu os Estados Unidos em 2009, a ocorrência de violência física sofrida pelas mulheres quase dobrou (passando de 4,2% para 8,3%). Na Nova Zelândia, durante o fim de semana após o terremoto de 2010, a polícia relatou um aumento de 50% nas ligações sobre violência doméstica. Após o desastre de Fukushima, a violência física contra mulheres grávidas foi quatro vezes maior do que em outras regiões japonesas durante o mesmo período. 

O desemprego, problemas financeiros, dificuldades da vítima para buscar ajuda e o uso de álcool e drogas são apontados como fatores de risco para aumento da violência doméstica.

Um estudo realizado em 2014 por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com a Universidade Federal de Pelotas, com 938 mulheres na cidade de Vitória (ES), mostrou que quando seus parceiros usavam drogas ou álcool, elas ficavam mais vulneráveis à violência doméstica.

Com ou sem álcool, a violência masculina muitas vezes é aceita como um comportamento “normal” em situações de crise, como se a resposta agressiva contra a mulher fosse consequência natural de um momento de raiva ou sofrimento pessoal. Por outro lado, nessas situações, as mulheres são acusadas de reações exageradas ou o seu pedido de ajuda é simplesmente ignorado.

A violência contra a mulher é um fenômeno social complexo cuja questão central se concentra na desigualdade de poder nas relações, caracterizadas por subordinação, medo, dependência e intimidação para a mulher. Os comportamentos agressivos dirigidos à mulher têm a intenção de dominar o seu corpo, mente, vontade e liberdade, provocando danos físicos, morais e psicológicos.

Não se pode afirmar que a violência contra a mulher seja consequência direta da pandemia de COVID-19, mas há uma consequência da pandemia na saúde pública, causada pela intensificação desse tipo de violência, historicamente estruturada e muitas vezes silenciada, agravada pelo distanciamento social.

A violência contra a mulher não escolhe cultura, etnia, religião, classe ou escolaridade, mas a possibilidade de acesso à justiça e aos serviços de saúde pode ser diferente e promover desfechos também diferentes de uma mulher para outra. Triste realidade.  A impunidade aumenta o risco de feminicídio. A impunidade do agressor aumenta o sofrimento psicológico na vítima, com graves consequências para a sua saúde mental.

Enquanto alguns países se preparam para o fim do isolamento social, outros reiniciam o processo de lockdown pelo aumento de novos casos. A pandemia de COVID-19 continua exigindo medidas de prevenção: contra o vírus invisível, imperceptível; mas também contra comportamentos que não podem mais ser aceitos, que causam danos terríveis às vítimas.  A violência contra a mulher faz adoecer e pode ser fatal,  porém medidas de prevenção também podem ser adotadas e, assim como na pandemia, exigem atitudes de todos, numa ação conjunta, que se mostre capaz de promover o respeito e a igualdade de direitos.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento: inscreva-se no canal 10porcentomais no Youtube.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O cérebro na pandemia: mulheres têm até 3 vezes mais chances de apresentar transtornos mentais

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem: Pixabay

 

Diversos estudos têm mostrado o potencial do coronavírus (SARS- COV-2) de invadir o sistema nervoso central, promovendo alterações estruturais e funcionais no cérebro de pacientes com COVID-19. Apesar de não haver precisão no número de pessoas afetadas e no tempo de duração das alterações neurológicas e psicológicas causadas pela COVID-19, pesquisas realizadas em diferentes países sugerem que uma parcela significativa da população mundial experimentará as consequências dessa pandemia na saúde mental.

Um estudo realizado na Espanha sobre os prejuízos psicológicos causados pelo COVID-19 revelou aumento de 7% dos casos de depressão, com maior vulnerabilidade para pessoas de baixo nível socioeconômico, mulheres e pessoas com rede de apoio fragilizada. 

Na China, país no qual surgiram os primeiros casos, os resultados dos estudos mostraram aumento no índice de ansiedade, depressão e uso nocivo de álcool, quando comparados com os índices populacionais anteriores à pandemia.

Um estudo conduzido pelo Instituto de Psicologia da UFRGS avaliou os indicadores de sintomas de transtornos mentais e identificou que ter a renda familiar reduzida, causada pelos impactos econômicos da pandemia, fazer parte do grupo de risco e estar mais exposto a informações negativas, como o número de mortos e infectados, são fatores que podem provocar maior prejuízo para a saúde mental. 

No Brasil, semelhante aos dados do estudo espanhol, as mulheres têm quase 3 vezes mais chances de apresentar transtornos mentais durante a pandemia. A violência doméstica sofrida durante o isolamento social é um dos fatores que contribui para essa estatística.

Além dos impactos emocionais relacionados à pandemia, prejuízos nas funções cognitivas, como atenção, memória e processamento de informações também estão sendo reportados em diversos estudos, como consequência de alterações no cérebro, mesmo em pacientes que tiveram a forma leve da doença.

As medicações usadas no tratamento da COVID-19 podem também promover alterações neuropsiquiátricas como amnésia, delírio, alucinações, mudanças de humor, comprometimento cognitivo leve e psicoses.

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Com base em dados obtidos em epidemias anteriores, como a síndrome respiratória aguda grave, ocorrida em 2003, e a síndrome respiratória do Oriente Médio, em 2012, 78% das pessoas apresentaram problemas cognitivos até um ano após a alta hospitalar.

Falhas de memória para situações cotidianas, como esquecer de tomar medicamentos ou compromissos, foram persistentes até cinco anos após a alta. Naquela época, foram identificados prejuízos cognitivos semelhantes aos que pesquisadores estão observando na pandemia atual, com falhas na atenção, memória, processamento de informações e funções executivas — habilidades cognitivas que envolvem planejamento e realização de tarefas.

Do mesmo modo que não é possível saber o número exato de pessoas que já foram contaminadas pelo coronavírus, possivelmente o número de pessoas impactadas por alterações neuropsiquiátricas também não está bem dimensionado. Assim, tão importante quanto as medidas de prevenção adotadas inicialmente, propostas terapêuticas e de reabilitação devem ser planejadas para atingir as necessidades específicas de cada pessoa, reduzindo as sequelas causadas pela doença, oferecendo ganhos no estado mental e na qualidade de vida do paciente e de seus familiares. 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: seis dicas de embalagens para atender o cliente, na pandemia

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“Embalagens são um veículo importante — não o único, claro — para apoiar o consumidor nesse momento difícil”, Cecília Russo

A preocupação com os riscos de contaminação devido a Covid-19 levou o consumidor a ficar mais atento às embalagens usadas nos produtos que compram, especialmente no comércio eletrônico. Para entender esse novo comportamento, a Narita Strategic Design, tradicional empresa do mercado brasileiro, que tem seu foco na identificação visual das marcas e embalagens, desenvolveu estudo exploratório que envolveu entrevistas em profundidade com consumidores.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo chamou atenção para a relevância deste trabalho diante do protagonismo das embalagens na relação da marca com seu cliente: 

“As  embalagens são pontos importantes de contato das marcas com seus consumidores. E estamos em um momento em que muitas pessoas querem evitar contato com o outro”.

Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram seis pontos do levantamento feito pela Narita, alguns que já vinham se expressando mesmo antes da pandemia e outros que surgem agora para se tornarem permanentes:

  1. Cores e logo sempre foram importantes indicadores de reconhecimento das marcas mas nas compras online eles se tornam ainda mais relevantes. A Narita sugere cuidado com o branco, que pode ser bom para o ponto de venda físico mas “morre” no digital, confundindo-se com o fundo da tela;
  2. Imagens que demonstram como é o produto dentro da embalagem são bem-vindas. Consumidores querem “transparência” de diversas formas e essas imagens ajudam a trazer esse sentido. Nessa mesma linha, menos informações e menos texto — mais leitura e mais agilidade para entender o produto.  Uma referência é a estratégia da marca Mãe Terra que ilustra suas embalagens, por exemplo, com metade da imagem de um batata doce in natura e a outra metade como são os chips que a pessoa vai encontrar na embalagem.
  3. O uso do selo que garante 99,99% de eficácia no combate as bactérias não surte mais o efeito esperado, pois caiu no lugar-comum. Transmitem a imagem de algo promocional e sem confiança. O consumidor prefere selem que mostrem que produto e embalagem seguem normas de higiene, segurança e etc …
  4. A preferência deve ser por embalagens que facilitem o segurar, que tenha a anatomia da “pegada” e a simplicidade para abrir. Quanto menos contato com a embalagem, no sentido de precisar usar as duas mãos, apertar ou rodar, melhor.
  5. O consumidor sente-se mais seguro manipulando vidro e alumínio pois entende que é mais fácil a limpeza e evita a contaminação. O papel não permite essa mesma desinfecção, amolece quando úmido. 
  6. A segurança no fechamento das embalagens é essencial, especialmente em alimentos, pois transmite a mensagem de que não houve contaminação. Usar “zip lock” e selos de segurança, são recomendáveis. 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, e pode ser ouvido também em podcast.

Mundo Corporativo: Júlio Monteiro, da Megamatte, fala de estratégias do setor de franquias para enfrentar a crise

 

“O franqueador que tampa os ouvidos para as contribuições dos franqueados, está fadado ao insucesso, está fadado a ter somente um pico de expansão e você vê aquilo depois desmoronando” — Júlio Monteiro, CEO da Megamatte

 

Julio Antonio Dias chegou de Portugal e foi morar com uma tia no Rio, nos anos de 1970. Tinha só 15 anos e passou a vender limão na feira. Criou uma casa de suco, virou sócio de quitanda, montou negócio em São Paulo e voltou ao Rio para inaugurar na Galeria Condor, no Largo do Machado a primeira loja da marca Megamatte, em 1994. Hoje, a rede de franquia está sob o comando do filho, o advogado Júlio Monteiro, responsável por cerca de 150 operações em diferentes cidades brasileiras. 

Pai e filho jamais devem ter imaginado que um dia assistiriam a todas suas lojas interromperem suas atividades de uma hora para outra, resultado da pandemia que chegou ao Brasil, em Março. Medidas de emergência tiveram de ser adotadas, a troca de informações foi agilizada  —- com a participação do CEO da franquia em conversas ao vivo pela internet —- e uma espécie de manual de salvação foi definido. No programa Mundo Corporativo, da CBN, Julio Monteiro falou de algumas das medidas adotadas para a rede de franquias se manter em pé, apesar da crise econômica e do medo que tomou conta de franqueados.

“No dia 20 de março, fiz uma live e chamei toda a rede de fornecedores, franqueados, esposas e falei o seguinte: essa é a nossa guerra, é a guerra do equilíbrio, vai ser menos um dia e a retomada começa hoje” 

Além de filtrar informações que fossem relevantes ao negócio, evitando um turbilhão de mensagens desconectadas nem sempre fiéis à verdade, Monteiro disse que a Rede Megamatte se uniu aos franqueados para renegociar os contratos de locação que têm um peso importante nos custos e resultados econômicos das lojas.

“No franchising é preciso ter uma simbiose: franqueado, franqueadora, consumidores e fornecedores. É dessa forma que você mantém o equilíbrio e eu acho que essa estratégia funcionou muito bem nas franqueadoras e nesse momento de pandemia”.

A avaliação de Júlio Monteiro é que a rede reagiu dentro da expectativa que tinha quando traçou as estratégias no início desta crise. As lojas que fecharam o fizeram por problemas anteriores a pandemia, disse o CEO. Ainda segundo ele, nesse período alguns franqueados ampliaram suas participações na rede, fazendo com que hoje mais de 40% desses investidores tenham ao menos duas operações.

“Quando você tem esse envolvimento de operadores e investidores de sua marca, o propósito alinhado a cultura da empresa e uma segurança da franqueadora para esses investidores isso cria, sim, um apetite de investimento”

Com gestores de empresas sendo demitidos de suas funções e profissionais afastados de seus empregos, o mercado de franquias surge como uma oportunidade de negócios aos empreendedores. Perguntado por uma ouvinte do Mundo Corporativo se isto não pode levar aventureiros ao mercado, Monteiro responde:

“Eu gosto das pessoas que buscam por necessidade, porque você vai ter um perfil de pessoas que querem trabalhar. O franchising é um investimento mas também é um lugar de trabalho; você estar no segmento de varejo requer muito envolvimento e participação, é dali que você vai tirar o seu sustento”.

Quanto as pessoas que pensam se vale a pena empreender em franquia, neste momento, Monteiro acredita que sim, mas  recomenda que a escolha não seja feita no calor da emoção: é preciso buscar informações completas, conversar com o franqueador e procurar os franqueados.

A entrevista completa com o CEO da Megamatte Julio Monteiro você assiste no vídeo acima ou pode baixar em seu podcast. O Mundo Corporativo é apresentado ao vivo, no Canal da CBN no You Tube, às quartas-feiras, 11 horas. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Julian Prado, Jéssica Bernardo, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Pandemia acelera burocracia que libera vacinas, no Brasil

Imagem:Pixabay

 

Se muita gente estagnou diante da pandemia, também é verdade que a situação de emergência e a necessidade de superar as restrições impostas pela Covid-19 acelerou inúmeros processos. Você deve ter percebido isso na sua dinâmica de trabalho, na relação com seus parceiros de negócio e mesmo no seu cotidiano em casa. Quanta gente que jamais havia se encorajado em comprar pela internet agora até esqueceu o caminho do shoppping? 

No Mundo Corporativo, tenho entrevistado gestores e consultores dos diversos setores da economia que identificaram, por exemplo, que a transformação digital avançou “em cinco dias 50 semanas” — foi a expressão usada por Luiza Trajano, do Grupo Magazine Luiza. Hoje, no Jornal da CBN, percebi que o mesmo ocorre com a burocracia. 

Por favor, ao ler a palavra burocracia não a receba de mal-grado: a burocracia é necessária para administração de empresas e realização de determinados trabalhos — sem essa, muitos dos processos se perderiam no tempo e no espaço. 

De volta à minha percepção. Deu-se a partir da entrevista que a Marcella Lourenzetto e eu fizemos com o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes. A Anvisa é a agência de vigilância sanitária responsável por uma série de procedimentos que permitem a produção e a venda de remédios e afins, no Brasil. Sem o certificado da agência talvez você não tenha acesso àquela droga que pode salvar sua vida, que já está à venda lá nos Estados Unidos, por exemplo.

Diante da pressa que estamos —- necessária, diga-se —- por uma vacina que nos proteja do Sars-Cov-2, a Anvisa já havia publicado resolução, no inicio da pandemia, na qual a meta para análise de medicamentos que pudessem ser usados na defesa da saúde da população fosse de no máximo 60 dias. O procedimento legal em vigor dá a agência até um ano para que a resposta seja apresentada. 

Agora, com o avanço das pesquisas em torno de uma vacina anti-Covid-19 e a urgência por uma solução, a Anvisa decidiu aceitar que a documentação científica, que comprove a eficiência de um medicamento, seja enviada mesmo que os testes não tenham sido concluídos. A ideia não é atropelar etapas; é aumentar a velocidade da análise, explicou o dirigente. 

Antes a agência só recebia o pedido de análise dos laboratórios ao fim de todos os testes; agora, aceita receber os documentos preliminares para avaliar as informações e ter agilidade no instante em que a pesquisa estiver concluída. Decidiu abrir o guichê mais cedo para que os laboratórios entreguem seus trabalhos antes de concluídos. 

Dois dias após o anúncio, o primeiro pedido foi protocolado pela AstraZeneca que trabalha em parceria com a Universidade de Oxford no desenvolvimento de uma das vacinas —- neste caso, testada aqui no Brasil sob os cuidados da Fiocruz. A Sinovac, que desenvolve a Coronavac, testada em São Paulo pelo Instituto Butantan, ainda não fez o pedido, mas já demonstrou interesse em encaminhar a documentação disponível.

“A gente colocou na  resolução que foi publicada depois da situação de pandemia  uma meta para nós de 60 dias; então já reduziu-se significativamente considerando um ano que é o prazo legal. Mas a gente acredita que com esse procedimento específico de submissão contÍnua a gente pode reduzir ainda mais esse tempo” — Gustavo Mendes, Anvisa

Isso significa que a vacina, seja ela qual for, já estará disponível no dia 15 de dezembro, como chegou a afirmar o governador de São Paulo, João Doria, entusiasmado em ganhar a corrida contra o Governo Federal? Não. Nenhuma garantia existe para que esse calendário político seja cumprido. Aliás, a maior aposta é de que não se terá a vacina para aplicar nos agentes de saúde antes de janeiro. A ver (e torcer para que os apostadores estejam enganados).

O importante e o que quero destacar aqui é a necessidade de aprendermos com o momento em que estamos vivendo. A Anvisa e sua burocracia se mobilizaram para acelerar processos sem abrir mão da segurança técnica e sanitária que necessitamos ter —- é o que diz. Segurança, qualidade e eficácia ainda são necessários se realmente queremos uma droga que salve vidas e não nos cause mais desafios. O mesmo ocorre em  processos de outros aspectos da nossa vida. A velocidade não pode prejudicar o resultado.

Passada a pandemia, deve-se avaliar se aprendemos a fazer este trabalho com maior rapidez ou se só é possível fazê-lo em casos isolados. Há o risco de com o ritmo acelerado, estressarmos o sistema de análise e provocarmos falhas de avaliação em outras drogas. Por outro lado, podemos descobrir que não é necessário usar o prazo de um ano, previsto em lei, nos demais casos, certificando remédios e vacinas que podem salvar vidas de pessoas que, muitas vezes, têm de importar o produto ou trazê-lo como “contrabando” para o país porque a nossa burocracia —- aí sim com sua conotação negativa —- emperra o desenvolvimento.

 

Mundo Corporativo: as dicas de Pedro Superti para alavancar vendas sem baixar preços, mesmo na pandemia

“Se durante muito tempo você queria parecer grande, agora a onda é parecer pequeno” — Pedro Superti, empreendedor

Os negócios vão mal, as vendas caíram e a crise impactou sua vida. A primeira reação é baixar o preço do produto que vende ou serviço que oferece para atrair os clientes. Um erro crasso, segundo Pedro Superti, empreendedor e especialista em marketing de diferenciação, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN: 

“Em lugar de baixar o preço que você já vende, pense como você pode criar uma nova opção que não existia até ontem, e esta opção ter um preço diferenciado”

Para Superti, ao aceitar somente baixar preço, o empreendedor desvaloriza seu negócio, enfraquece a marca e corre o risco de perder seus antigos clientes que se sentirão ludibriados por terem pago mais caro.  Imagine um restaurante que tem como prato principal o macarrão no menu. Em lugar de reduzir o preço deste prato, crie uma outra opção mais barata, mais simples e menor. Com isso, você pode inclusive atrair um novo cliente que, ao longo do tempo, pode passar a consumir os pratos tradicionais da casa, sugere Superti.

A ideia do marketing de diferenciação é descobrir como ser original, único e diferente das outras opções que existem no mercado. Para isso, Superti recomenda que o empreendedor busque coisas de sua história, elementos internos que podem ser levados para o produto ou serviço, que façam com que as pessoas batam o olho e logo identifiquem a sua imagem, a sua marca. 

Dois casos que ilustram o pensamento de Superti que ocorreram diante das restrições impostas pela pandemia. Um é de um desempregado que foi passar a quarentena com o avô e as histórias de vida que ouviu dele deram origem a uma franquia que vende caldo de cana com entrega a domicílio:

“… a grande sacada é que, neste caso, o consumidor não somente consome a bebida. Ele se conecta às suas memórias de infância”.

O outro exemplo é o do dono de uma cafeteria que viu as vendas do capuccino, especialidade da casa, cairem. Ele criou um produto no qual o cliente leva para casa um coração de chocolate para ser dissolvido no leite quente e solta o pó de capuccino.

“Tenha personalidade, a gente não aguenta mais negócios que não têm alma, não têm cara; um pessoa com personalidade tem uma características constante. Na tentativa de ser profissional, muitas marcas se tornam genéricas, tentam agradar a todos e não agradam ninguém”.

Se é para ter personalidade, Superti lembra da importância de se sair do modo automático em que mais nos parecemos com máquinas processando coisas, vendendo produtos e serviços: empresas vendem coisas, marcas vendem valores. 

Nos trabalhos que realiza com diversas empresas pelo Brasil, ele também aconselha: se você oferece serviço, venda produtos; se você oferece produto, venda serviços. Ou seja, misture produtos e serviços. Uma academia não deve se restringir a vender serviço — matrículas para seus alunos —- tem de oferecer produtos tais como suplementos, equipamentos para atividade física e roupas, aumentando o ticket médio de seus clientes.

“Se o que você está fazendo está alinhado com algo que você acredita muito, isso abre uma caixa de pandora com infinitas possibilidades que a gente por explorar”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no canal da CBN no YouTube, no Facebook e no site da rádio, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e fica à disposição em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Natália Motta, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscilla Gubiotti.

Sua Marca: fragilidade, solidariedade e individualismo se revelam na pandemia

Assine e ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso em podcast

“Esse é o momento de separar as empresas que são nossas alinhadas das empresas oportunistas” —- Jaime Troiano

A surpresa com a falta de controle das nossas vidas e a revelação de dois lados da nossa personalidade apareceram com destaque no estudo aplicado para entender o comportamento do consumidor e o impacto sobre as marcas em seis meses de pandemia. O trabalho foi realizado por Jaime Troiano e Cecília Russo com base na técnica ZMET, criada pelo doutor Gerald Zaltmam, da Harvard Business School. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília explicou que o método “Zaltman Metaphor Elicitation Technique” usa conceitos de neurociência e a aplicação de metáforas para acessar conteúdos que vão além da nossa racionalidade. Com isso se consesgue mapear os caminhos mentais que estão associados a determinados temas. No Brasil, apenas a Troianobranding tem autorização para aplicar essa técnica.

Uma das imagens que surgiram na pesquisa com os consumidores foi a de peças de dominó, umas caindo sobre as outras, sem que se conseguisse parar aquele movimento. Uma metáfora que expressa como as pessoas ficaram surpresas com a pandemia, pois imaginavam ter controle sobre suas vidas, especialmente diante de toda a tecnologia disponível: big data, algoritmo, drones, satélites, carros autônomos, engenharia digital. 

“…de repente nos vimos com a vida como se estivesse em ‘modo avião’ … tínhamos a visão da onipotência e de repente o dominó escancara a nossa impotência diante de um inimigo invisível” —- Cecília Russo

Se a primeira ideia que surgiu no estudo foi a da evidência da nossa fragilidade, a segunda identificou os dois lados do ser humano: a solidariedade e a empatia em contrapartida a comportamentos individualistas de autopreservação. 

“… diante da iminência de sermos dizimados, buscamos novas formas de nos salvar”  — Jaime Troiano

Para as marcas, as lições a ser aprendidas, a partir dos resultados alcançados com a técnica ZMET:

  1. Esse é um momento que exige sensibilidade das marcas, ajuste de linguagem, não tão piegas nem tão agressivo. É preciso ajustar o tom.
  2. Darwin não está mais vivo, mas o que ele descobriu sim: as mais adaptadas, as que souberam navegar melhor nessa fase, sobreviverão e serão positivamente lembradas. 

Uma das sugestões de Jaime Troiano ao gestores de marcas é que façam o mesmo exercício que as pessoas estão fazendo diante da pandemia: um balanço de suas atitudes e de como se relacionam com as outras pessoas.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. E pode ser ouvido, também, em podcast.

Arena de Ideias: rádio e jornalismo são vacinas contra a desinformação

A agilidade e imediatismo do rádio somados a precisão do trabalho jornalístico foram essenciais para conter parte da ansiedade desenvolvida pelas pessoas ao longo desta pandemia. Essa é uma das explicações para o aumento da audiência identificado em pesquisas feitas aqui no Brasil, tanto quanto nos Estados Unidos e na Europa. Além de ouvir mais rádio, ouve-se rádio por mais tempo — foi o que demonstrou pesquisa do Kantar IBOPE Media, publicada recentemente.

Foi a partir desta constatação que tive a oportunidade de analisar a valorização do rádio e do jornalismo em conversa promovida pela agência de comunicação In Press que reuniu Flávio Lara Resende, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert); Paulo Gilvane Borges, fundador da Agência Radioweb; e Patrícia Marins, sócia-diretora da In Press Oficina e especialista em gestão de crise e reputação. O papo foi mediado pela diretora da In Press, Fernanda Lambach.

Histórias do passado do rádio foram entremeadas a avaliação sobre como o veículo se comportou — assim como o seu ouvinte — desde que a crise provocada pela pandemia se iniciou no País. Como o fortalecimento do rádio e do jornalismo profissional neste momento pode impactar as estratégias de comunicação no futuro também estiveram no foco desta “mesa redonda virtual” que reuniu cinco pessoas que são admiradoras do veículo — como você, caro e raro leitor deste blog, poderá perceber no vídeo disponível acima.

Fiz questão de alertar para a necessidade de se acreditar no papel do jornalismo profissional como uma vacina contra a desinformação, que tem causado prejuízos às pessoas, às empresas e à democracia.

Aproveitei a audiência desta série de programas realizada pela In Press, formada por gestores, líderes empresariais e especialistas na comunicação corporativa para deixar a seguinte pergunta:

Você vai continuar investindo a verba publicitária da sua empresa em mídias e conteúdos que podem colocar em risco a reputação da sua marca? Ou está na hora da apostar em quem acredita no jornalismo profissional?

O destino das lojas de shopping no pós-pandemia

Por Carlos Magno Gibrail

Comércio fechado durante pandemia (Foto: Pixabay)

A busca pela resposta certa à pergunta abaixo tem aparecido em palestras, artigos, seminários e em toda sorte de mídia social — até em improvisadas pesquisas. Então, antes de seguir em frente, vote na nossa enquete:

O que nós pensamos?

Nessa equação, deve-se levar em consideração o preço da locação das lojas e a possibilidade de termos um novo perfil de clientes. Acreditamos que realmente os shoppings têm custos elevados e o consumidor poderá apresentar um novo comportamento. Isso não significa que, com certeza, as lojas migrarão para as ruas.

Primeiro, porque os altos custos dos shoppings são condizentes com os perfis da demanda. E, segundo, porque o novo comportamento do consumidor provavelmente não abrirá mão do conforto e da segurança que as ruas não fornecem. Se o consumidor não aderir, nada mudará nesse sentido.

Stern, sócio da consultoria McMillanDoolittle (foto: divulgação)

Vai mudar possivelmente de acordo com o que se ouviu no Global Retail Show 2020, quando Neil Stern, sócio sênior na consultoria do varejo McMillanDoolittle, dos Estados Unidos, afirmou que o e-commerce será o responsável pela mudança do varejo, na medida em que a loja física necessitará de um produto de “valor extremo”, de “conveniência extrema” e de “experiência extrema” para atrair o consumidor.

Você pode assistir às palestras gratuitas no Global Retail Show 2020 que se iniciou dia 15 de setembro, terça-feira, e vai até o dia 19, sábado.

Entretanto, é importante observar que não é possível no cenário de hoje, onde vemos a pandemia afetando todos e tudo, desenvolver um método de projeção consistente para o futuro, pois não há histórico. De outro lado, não é possível projetar como os shoppings reagirão a eventual situação de êxodo dos consumidores quer para as ruas quer para a internet. Pelo que sabemos, ainda não foi realizada pesquisa ou trabalho científico sobre essa importante matéria.

Uma época que vale lembrar em termos de projeção do futuro é a década de 1960, pródiga em previsões. Especificamente o ano de 1967, quando foram produzidos três trabalhos significativos e com grande repercussão: 

“O Novo Estado Industrial” de John Kennet Galbraith, que previu a tecnoburocracia, que alavancaria a corrupção quando o público e o privado passassem a negociar.

“O Desafio Americano” de Jean-jacques Servan-schreiber, que previu o domínio americano diante da incapacidade europeia de se unir, e a indecisão sobre o papel da Ásia.

“O Ano 2000” de Herman Kahn e Anthony J. Wiener, do Hudson Institute, que, baseado em projeções econômicas e sociais, apresenta as configurações prováveis que o mundo poderia ter, possibilitando um possível controle da história. No prefácio, Roberto Campos chama a atenção pela futura e preocupante taxa de empregabilidade do Brasil.

Convém lembrar, que dois anos depois o astronauta americano Neil Armstrong pisou na lua, e em Bethel, cidade do estado de Nova York, realizou-se o Festival de Woodstock, revolucionando a música, os costumes, e descortinando a segmentação de mercado. 

Aqui entre nós ainda não apareceu nenhum estudo que tivesse as condições de credibilidade necessárias. Enquanto isso, as lojas poderiam escolher as áreas em evidência, para se completar ou atualizar, sabendo que a velocidade das mudanças será sempre aumentada: digitalização, inteligência artificial, qualificação extrema, e a maior omnicanalidade possível.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.