Conte Sua História de São Paulo: a jabuticabeira do Seu Oseas e dos passarinhos do Campo Limpo.

Oseas Pereira Campos

Ouvinte da CBN

Seu Oseas e a jabuticabeira em foto de arquivo pessoal

Tenho  77 anos. Sou viúvo. Moro no condomínio Interclube, no Jardim Umuarama, no Campo Limpo, zona Sul da cidade. Cheguei em São Paulo em 1972. Cinco anos depois, eu e minha esposa ganhamos uma muda de jabuticaba. Eu plantei em um vaso e continuamos a regá-la durante 15 anos.

Quando chegou 2018, plantei a jabuticaba no pomar do condomínio que moro e já está dando frutos.

Fico muito alegre de ver os sabiás, os bem-te-vis, o casal de João de Barros, pardais que comem os frutos todos os dias. Minha felicidade é enorme ao ver que o plantar da árvore frutífera alimenta os pássaros. E a mim, também. 

Gostaria mesmo que minha esposa estivesse aqui para ver a jabuticabeira, como está linda e como atrai os passarinhos do bairro. 

Oseas Pereira Campos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade ouça o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: sinto falta dos sabiás

Por Fernando Ceravolo

Ouvinte da CBN

Foto: Mílton Jung

Sinto falta dos Sabiás. Aqui, onde hoje moro, em uma praia ao norte da ilha de Santa Catarina, eles não existem. Uma pena!

Há os Bem-Te-Vis, os Tico-Ticos, os Joões-de-Barro que cantam também, mas não como os Sabiás. E os inúmeros Pardais, que fazem enorme barulheira quando em grupos – vieram de Portugal, introduzidos no inicio do século passado, pois antes não existiam no nosso País. Virou praga!

Também, há as Gaivotas e Fragatas que voam imponentes e maravilhosamente, mas não cantam. Como os Urubus no seu planar majestoso, totalmente mudos. Mas Sabiás não há. Não sei o motivo, talvez não gostem de praia como eu. Uma pena…

Essa é a época do ano do acasalamento dos Sabiás, cantando forte e longamente para atrair as fêmeas, no raiar do dia e ao cair da noite, alegrando as nossas almas. Mas aqui não os ouço, só sinto a sua falta.

Os Bem-te-vis cantam e é gostoso de ouvir também. Sei que eles adoram água, e talvez por isso estejam aqui e não os Sabiás. Talvez?

Os Joões-de-Barro cantam como se fosse um grito. Gosto de ver esses pássaros construtores bicando o barro e voarem aos seus ninhos em construção, instalados em lugares incríveis, tais como, por exemplo, nos semáforos das ruas da cidade, tapando uma das luzes. Mas não cantam como os Sabiás!

Sou da cidade de São Paulo, onde vivi por anos e escutava o cântico dos Sabiás, há muitos lá, ecoando pela cidade. Uma melodia apaixonada, harmônica e romântica, com notas longas e agudas, expressando a sua necessidade de amor. Acalmava-me ouvir e me despertava para os lindos dias da primavera, com a floração dos Ipês e das flores espalhadas pelos canteiros da cidade, com os seus cheiros e dias luminosos e quentes.

Os Sabiás são os arautos dessa maravilhosa estação do ano, do reinicio da vida.

Sinto falta dos Sabiás! 

(texto escrito originalmente para o Blog do Cera)

Fernando Ceravolo Junior é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio —- e dos sabiás, também. E você? Quando vai enviar a história. Escreva agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Se quiser ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: Sabiá da minha terra

 

Por José Domingos Vasconcelos
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ouça “Sabiá da minha terra” com sonorização de Cláudio Antônio

Sabiá, do álbum de ®oberto's photostream no Flickr

Sabiá, do álbum de ®oberto's photostream no Flickr

A cidade está na época dos sabiás. Nos últimos meses notei lá onde eu moro, no Itaim Bibi, a presença freqüente de alguns sabiás. Não foi a primeira vez, mas fazia meses que eles não eram ouvidos naquelas bandas.

Eu acredito que onde tem bem-te-vi não tem sabiá. Já vi bem-te-vi escorraçar sabiá de um coxinho de restos de frutas, na chácara de um amigo, lá na Cantareira. Tinha fruta pra todo mundo, mas a natureza crua não tem nada de paraíso. Digo isso porque os bem-te-vis foram donos do pedaço onde moro até algumas semanas atrás. Agora que não tem mais bem-te-vi, lá estão os sabiás.

Já vi bem-te-vi fazer correr carcará, aquele gaviãozinho que fica pairando no alto do rio Tietê, procurando não sei o quê… Pequeno mas umas três ou quatro vezes maior que o bem-te-vi.

Eu olhava pela janela do terceiro andar de um prédio, na Vila Leopoldina, quando vi um bem-te-vi fazer um vôo rasante sobre um carcará, como em uma batalha aérea entre dois caças. Mais ágil e veloz bica a cabeça do gavião e sobe; em seguida outro bem-te-vi já havia feito a mesma manobra para repetir o ataque. Dava pra ouvir os gritos estridentes dos bem-te-vis. Duas ou três investidas dessa e o carcará se rendeu, fugindo dali.

Sem dúvida era um casal de bem-te-vis protegendo seu ninho, instalado em alguma das poucas árvores infiltradas por entre os prédios da região. O fato é que o carcará havia descoberto o ninho, certamente com ovos ou já com as crias nascidas e barulhentas, e tinha planos para elas.

Os bem-te-vis são irritadiços e agressivos, guerreiros e mandões enquanto o sabiá é delicado. É questão de temperamento e não de porte, pois as duas espécies têm quase o mesmo tamanho.
E a cantoria dos sabiás é magnífica, cada um se esmerando em oferecer o melhor trinado aos nossos ouvidos. É claro que não é pra nós que eles cantam, tudo faz parte do ritual de acasalamento, me disseram. Mas não tem nada de mais pensar que o canto deles existe simplesmente para o nosso deleite.

Mas digo que São Paulo está na época dos sabiás por que já faz uma semana que os ouço em outro ponto da cidade, no alto da Av. Paulista, do quarto do hospital em que convalesço de uma cirurgia. Outra cantoria, outra família, outra tribo de passarinhos. Linda cantoria que começa muito antes do sol nascer.

Tanto no Itaim como aqui a primeira fase do concerto começa lá pelas duas e meia da madrugada. Às vezes quando estou apenas indo dormir, outras depois de dormir algumas horas, ao acordar em meu sono picotado. Nessa hora eles parecem os únicos seres alegres no meio da noite. Mas sempre acabam embalando meu sono, com sua música que vem de longe e invade o escuro do quarto.
Minha terra tem garoa. Tempestades, enxurradas. Muitos prédios e avenidas. Com filas e filas e filas de carros. Minha terra tem pinheiros. Azaléas, gramados e palmeiras. Eucaliptos, helicópteros e Corinthians… onde cantam os sabiás.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você participa enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. E lê outros capítulos da nossa cidade acessando este link