Venha declarar sua paixão por São Paulo, neste sábado, na CBN

 

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Se você é apaixonado por São Paulo já está convidado a participar do programa CBN SP – especial, em homenagem aos 461 anos da cidade, que será apresentado, neste sábado, dia 24 de janeiro, a partir das 10 da manhã, no Pateo do Collegio. O Thiago Barbosa e eu estaremos recebendo convidados da área cultural, artística, esportiva e ambiental que falarão sobre suas experiências na capital paulista e as ações que desenvolvem para ajudar a cidade a crescer e melhorar a qualidade de vida.

 

Os ouvintes também terão espaço para declarar seu amor pela cidade. Desde às 9n horas da manhã, a CBN terá locais abertos para que o cidadão paulistano grave uma mensagem para São Paulo. Esses depoimentos serão publicados no site da rádio CBN para você compartilhar com os seus amigos nas redes sociais.

 

Participarão das conversas no palco central, do Pateo do Collegio, Andre Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som e responsável pela reabertura do Cine Belas Artes; Eduardo Kobra, artista plástico, criador de vários painéis de grafite da cidade, alguns representando uma São Paulo do início do século XX; Stela Goldenstein, ambientalista, diretora da ONG Águas Claras do Rio Pinheiros; e os comentaristas da CBN Juca Kfouri e Gilberto Dimenstein. Durante todo o programa vamos ouvir a música de Negra Li que estará ao vivo também declarando a sua paixão por São Paulo.

 

Ouça aqui a chamada para a festa da CBN:

 

Adote um Vereador: quanto menos eles trabalham, mais nós temos trabalho

 

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Éramos os de sempre e com algumas ausências, mas estávamos com à disposição que jamais nos faltou, mesmo diante do forte calor que fez no sábado, em São Paulo. A mesa 17, reservada para o Adote um Vereador, embaixo de uma das árvores que resistem no Pateo do Collegio, ficou tomada de água para refrescar, dúvidas para responder e ideias para serem levadas à frente. Verdade que o papo começou mais caseiro com discussões sobre o melhor jeito de passar roupa e tomar banho, havia, porém, uma boa razão: a preocupação com o gasto excessivo de luz e água em momento de carestia como estamos vivendo no Estado de São Paulo. Cada um tem seu costume e opinião, como é típico do grupo que participa direta ou indiretamente desta rede de cidadãos, seja na forma de controlar os gastos seja em quem votar no segundo turno das eleições presidenciais.

 

A eleição parlamentar foi o principal tema da nossa conversa, a começar pelo olhar do que aconteceu com os 19 vereadores e suplentes que se candidataram a governador, deputado federal e estadual. Oito passaram pelo crivo do eleitor: Goulart (PSD), Floriano Pesaro (PSDB) e Orlando Silva (suplente PCdoB) trocarão São Paulo por Brasília; enquanto Coronel Camilo (PSD), Coronel Telhada (PSDB), José Américo (PT), Marta Costa (PSD) e Trípoli (PV) se mudarão do Viaduto Jacareí, na República, para a Avenida Pedro Álvares Cabral, no Ibirapuera. Tem ainda o caso do Atílio Francisco (PRB) que é segundo suplente do senador eleito José Serra – não é nada, não é nada, sempre rola a esperança de um dia sobrar uma boquinha no Senado, haja vista Antonio Carlos Rodrigues, primeiro suplente de Marta Suplicy (PT) – coincidência, também do PR.

 

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Levando em consideração os vereadores que estavam no banco de reserva e assumirão, ano que vem, o lugar dos eleitos, de acordo com levantamento feito por Rafael Carvalho, que participa do Adote um Vereador, o PT que tinha maioria perderá um vereador e equilibrará forças com o PSDB, ficando cada um com 10 parlamentares. O PSD, de Gilberto Kassab, é quem sofrerá o maior prejuízo com a perda de três vereadores. Isto acontece porque, ao contrário de um time de futebol, em que o reserva joga na mesma equipe, na política o reserva pode ser dos partidos que formaram a coligação que, muitas vezes, estão em lados opostos na eleição seguinte.

 

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Diante das mudanças na casa municipal já se preve briga de foice pelo comando da Mesa Diretora, atualmente sob a mão forte de José Américo (PT) que vai para a Assembleia Legislativa. Com os dois maiores partidos divididos, ou sai um acordão ou lá vem o Centrão – grupo político que havia sido desarticulado há alguns anos na Câmara e tem entre seus mais proeminentes nomes Milton Leite e Antonio Carlos Rodrigues. Esse, por sinal, deve estar de malas prontas para São Paulo, pois terá de ceder a vaga de senador para a titular que precisará reforçar o time do PT no Senado com a derrota de Eduardo Suplicy.

 

 

Dentre outros temas conversados em nosso encontro, falamos da baixa frequência em alguns conselhos de representantes das subprefeituras, da retomada do debate sobre a proibição das sacolas plásticas no comércio paulistano e da necessidade de convencermos mais pessoas a acompanhar os vereadores, afinal quanto menos eles trabalham – e trabalharam pouco neste ano de eleição – mais temos o que cobrar.

Fora da Área: a bola rola solta no centro de São Paulo

 

 

Eram apenas três garotos e uma bola, supervisionados pela bandeira do Brasil estendida na fachada do prédio que abriga a Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo. O campo era de asfalto e delimitado pelo meio fio nas laterais e os carros estacionados fazendo às vezes de linha de fundo. Não havia goleiras demarcadas nem torcida organizada, menos ainda árbitro para impedir qualquer jogada violenta. Nem tinha necessidade para tanto rigor, já que o futebol jogado por eles não tinha adversário. Todos faziam parte do mesmo time, sem camisa ou patrocinador, e movidos por um só objetivo: a diversão. Flagrei essa cena ao lado do Pateo do Collegio, onde São Paulo foi fundada, no centro da cidade, que, nesse sábado à tarde, estava tomado de passantes e turistas – nenhum deles, porém, parecia interessado pelo acontecimento naquela praça, mesmo que o futebol fosse o motivo de muitos deles estarem por aqui. Ao contrário da maioria, fui logo conquistado pela espontaneidade dos gestos, as embaixadinhas desajeitadas e os gritos de gol. Parei, assisti ao jogo por alguns minutos, fotografei e fui embora. Não tinha o direito de estragar a naturalidade dos movimentos daqueles craques em formação.

 

É difícil encontrar garotos brincando de bola nas ruas da cidade, as calçadas quase não têm espaço e o meio da rua é arriscado. Nossos filhos saem pouco, os que gostam do futebol descem na quadra do prédio e os sem-prédio têm a opção dos campos dos clubes e escolinhas. Têm de marcar hora na portaria e adaptarem-se as burocracias locais. Nada tão natural como na época em que o dono da bola chamava a turma aos berros, atravessávamos para o outro lado da Saldanha Marinho, em Porto Alegre, e transformávamos o portão de grade do açougue do Seu Ernesto em goleira. O jogo rolava solto e somente se encerrava quando ao escurecer os pais davam o apito final. Às vezes, a partida era interrompida pelo próprio açougueiro que, avisado por vizinhos mal-humorados, saia da casa dele, há algumas quadras dali, e corria a tempo de salvar seu portão dos nossos chutões. Costumava ser tarde, os gols assinalados já haviam marcas eternas na grade.

 

Dentre tantas outras sensações, a Copa do Mundo nos faz crescer os instintos mais naturais do futebol, o desejo de tomarmos novamente as calçadas e jogarmos com as regras que nós mesmos determinamos, sem a interferência dos cartolas, a autoridade do juiz ou a ganância dos agentes. A alegria daqueles três meninos que tomaram o espaço público para si e o transformaram na sua Arena pode ser um dos muitos legados deste Mundial.

 

Vai lá, pega a bola escondida embaixo da cama e vamos às ruas!