Avalanche Tricolor: Pepê é mais um talento com direito a nome próprio

 

Grêmio 2×1 Vasco
Brasileiro — Arena Grêmio

Atacantes

 

Faz pouco tempo que assistimos à ascensão de Everton. Lembrei parte dessa história na Avalanche anterior, ao escrever sobre nosso empate na Copa do Brasil. O atacante, hoje cobiçado por alguns dos mais importantes clubes da Europa, até se firmar entre os titulares, tinha de esperar as substituições que Renato fazia no segundo tempo, geralmente em lugar de Pedro Rocha. No Mundial de Clubes, Rocha assistiu àquele jogo quase ao meu lado na arquibancada — ele já havia sido vendido ao exterior, onde ficou pouco tempo para retornar ao Cruzeiro. Mesmo assim, Everton ainda era um reserva de luxo. Fernandinho era o preferido do treinador.

 

Na época do entra e sai no time, Everton oscilava em suas apresentações. Quando encarava os marcadores já cansados no segundo tempo, levava vantagem com sua velocidade e habilidade com a bola. Fez gols importantes na campanha vitoriosa da Copa do Brasil, em 2016. Porém, sempre que saía jogando, seu futebol era colocado em dúvida, pois a excelência que se esperava dele não costumava aparecer da mesma maneira. Repetia assim o mesmo que já havia ocorrido com Pedro Rocha —— inclusive nas críticas, injustas, a imprecisão nas finalizações a gol. 

 

Rocha também demorou para se firmar entre os titulares. Havia torcedores que arrancavam os cabelos todas às vezes que assistiam ao nosso atacante disparar em direção ao gol e desperdiçar suas oportunidades com chutes sem precisão. Até que, com a confiança demonstrada pelo técnico, seu futebol amadureceu, ganhou personalidade, transformou-se em titular reverenciado por todos os torcedores e valorizado a ponto de ser a maior transação gremista de todos os tempos: foi negociado por 12 milhões de euros —- 45,2 milhões de reais —- para o Spartak Moscou, da Rússia.

 

Mesmo depois do gol que nos levou à final do Mundial, em 2017, Everton voltou a ocupar o banco de reservas, ao menos mais uma vez. Na partida decisiva, em Abu Dhabi, só entrou no segundo tempo. Com apenas 21 anos, trilhava o mesmo caminho de seu antecessor e sabia que sua hora estava para chegar.

 

Foi no ano seguinte, 2018, que Everton se notabilizou, tornou-se titular absoluto e um dos maiores goleadores da Arena Grêmio, tendo seu nome cogitado para a seleção brasileira. Neste 2019, após a consagração na seleção campeão da Copa América, mantê-lo no elenco virou missão impossível e estamos aqui apenas contando os dias que faltam para o jogador anunciar sua despedida do clube.

 

Nós torcedores já estamos resignados com essa situação: todo ano, dar adeus ao menos a um dos nossos jovens craques. Já não nos indignamos mais com a saída precoce deles e nos consolamos com as cifras absurdas que os estrangeiros pagam para contratá-los, nos contentando com uma espécie de competição paralela com os nossos rivais na qual quem consegue vender seu talento por uma preço maior é o vencedor.

 

Aos gremistas nos resta a satisfação de saber que a fábrica que produz jogadores com a qualidade e velocidade de Pedro Rocha e Everton dá sinas de estar em plena atividade. Haja vista, o crescimento de Pepê a cada partida que disputa. Ele jogou na base do Athletico Paranaense, foi para o Foz do Iguaçu —- na cidade natal —, passou rapidamente pelo Coritiba e chegou nas nossas bandas em 2016, após uma operação sigilosa da diretoria gremista que temia perder o jogador para os concorrentes mais próximos.

 

Fez sua estreia no time profissional em 2017 e, veja como a história é cíclica, substituindo Everton. Fez seu primeiro gol já na terceira partida que disputou e sempre que chamado por Renato apresenta-se com uma vitalidade incrível que lembra …. bem, lembra Everton.

 

Foi assim, nesse sábado quando o Grêmio venceu de virada com dois gols do nosso jovem atacante. O primeiro entrando em velocidade pelo lado direito da área e aproveitando passe preciso de Luan; e o segundo, pasmem, de cabeça após um cruzamento-passe de Leo Moura — sim, ele tem no máximo 1,75 de altura, mas estava dentro da área e muito bem colocado. Pepê cabeceou de olhos abertos e com o movimento clássico que esperamos dos atacantes sempre que a bola é alçada para a área. Já é um dos nossos goleadores do Campeonato Brasileiro. Sim …. ao lado de Everton.

 

Ontem mesmo já havia quem estivesse chamando-o de Novo Everton.

 

Vamos combinar o seguinte, assim como aprendemos a respeitar o futebol de Everton com a saída de Pedro Rocha, vamos aprender a admirar o futebol de Pepê com a saída de Everton. E dar a ele direito a nome próprio: Pepê, o novo craque!

Avalanche Tricolor: Renato dribla mais uma vez a lógica

 

Guaraní-PAR 1×1 Grêmio
Libertadores – Defensores del Chaco/Assunção

 

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Pedro Rocha marca o gol de empate, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Confesso desde este primeiro parágrafo que não assistí a um só lance do empate gremista, nessa quinta-feira, no Paraguai. Fui surpreendido com a antecipação do horário da partida, previsto inicialmente para o fim da noite, e não havia como modificar a agenda de compromisso profissional previamente assumido.

 

Estou em Gramado, de volta à minha terra, onde apresentei a palestra magna do 32º Encontro Internacional de Audiologia, ao lado da colega de trabalho Leny Kyrillos. E enquanto estava no palco, o Grêmio entrava em campo em Assunção.

 

O celular foi minha fonte de informação. E por ele soube da escalação “alternativa” escolhida por Renato – imagino que após discussão com a comissão técnica e a própria diretoria. Colocar um time de reservas na Libertadores é jogada arrojada demais para ser decidida por apenas uma pessoa, mesmo que esta seja Renato, alguém que já deu provas de quantas loucuras é capaz de fazer para conquistar a vitória.

 

Mesmo com um histórico de arrojo e coragem, ainda há quem duvide da capacidade de nosso técnico. Ao encerrar minha palestra, procurei um táxi, e o motorista vestia a camisa do Grêmio(coincidência?). Ele estava incomodado. Tínhamos perdido um jogador expulso e o adversário havia marcado seu gol.

 

“Estamos perdendo!?” – comentei para que ele percebesse que falávamos a mesma língua e torcíamos pelo mesmo time.

 

“O Renato pediu, né!” – foi a resposta que ouvi em tom de descrença devido a decisão de entrarmos na partida com apenas dois titulares.

 

Quase caí na conversa dele. Ainda bem que minha mulher, que acompanha o futebol por força do casamento e apenas de revesgueio, interveio:

 

“Mas não é domingo que tem jogo importante?”

 

Tinha toda razão, por mais contraditório que pudesse parecer.

 

Pela lógica, Renato colocaria os titulares na Libertadores – o que poderia ser mais importante do que isso? -, e o que resistisse em pé, ele escalaria no domingo quando jogaremos pelo Campeonato Gaúcho. Mas Renato construiu sua história driblando a lógica.

 

Fosse lógico, Renato, acuado na lateral e de costas, jamais chutaria aquela bola para o alto e em direção a área, permitindo que César, de cabeça, nos levasse ao gol da Libertadores, em 1983. Nem arriscaria atropelar e contorcer o bando de alemães que o cercava no caminho para o gol que nos deu o Mundial, naquele mesmo ano.

 

Desta vez, sem pudor, preferiu poupar os titulares, confiando que um revés agora seria facilmente recuperado no jogo de volta, no segundo turno da fase de classificação da Libertadores. Resguardou-os para o desafio de domingo quando precisaremos vencer o Novo Hamburgo para nos mantermos na caminhada ao título do Campeonato Gaúcho.

 

Fez o cálculo certo e foi premiado com mais um gol decisivo de Pedro Rocha – aquele guri que está sempre arriscando -, que nos garantiu o empate, nos deixou na liderança do grupo da Libertadores e nos ofereceu ainda mais entusiasmo para vencermos a disputa, no domingo, pelo Campeonato Gaúcho.

 

Como disse o presidente Romildon Bolzan: “nossa prioridade é ganhar títulos”. E o Grêmio jogou com inteligência e audácia suficientes para se capacitar a vencer tanto um título como o outro.

Avalanche Tricolor: o Imortal voltou!

 

Atlético MG 1×3 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

 

Gremio x Cruzeiro

 

 

É difícil até de começar esta conversa com você, caro e raro leitor desta Avalanche! Estar nesta final da Copa do Brasil tem me provocado as mais diversas sensações.

 

Me vi na cabine do Morumbi narrando (e comemorando) o título da Copa de 2001, como lembrei em texto anterior. Também revisitei o Olímpico em seus escombros e senti a força daquela avalanche que marcou história.

 

Pensei no pai com quem costumava ir até lá assistir aos jogos do Grêmio desde um tempo em que os títulos estaduais eram nossa maior façanha. E como seria bom estar ao lado dele mais uma vez para vibrar nesta final. O telefonema dele hoje à tarde, antes da partida, foi um alento a saudade daqueles anos.

 

Revivi os tempos de guri em que vestia a camisa do Grêmio para assistir às aulas nos dias seguintes às vitórias. E a envergava nos ombros mesmo quando os resultados não eram assim tão bons.

 

Pude pensar nas vezes em que fiquei sentado ao lado da casamata na função de gandula (e pombo correio), levando ao time as instruções determinadas pelo padrinho Enio Andrade. Sem contar as vezes em que chorei sentado na arquibancada pelas frustrações de não ter um título.

 

Até aquela Batalha heróica dos Aflitos e a maneira como os guris aqui em casa comemoram um título que eles mal entendiam a importância vieram à memória nestas horas que antecederam o início da decisão.

 

Quando a bola começou a rolar e o time comandado por Renato se impôs no Mineirão, a ansiedade da final foi substituída pela certeza de que a Copa seria nossa. Que fique claro, ainda não o é … mas a personalidade de cada um dos 11 jogadores em campo superou qualquer temor, mesmo nos momentos mais difíceis – raros momentos em uma partida praticamente toda dominada pelo Grêmio.

 

A marcação perto da área do adversário, as roubadas de bola, a maneira como o time se movimentava para receber e passar, a elegância do drible e a velocidade do jogo nos davam a impressão da invencibilidade.

 

Foi então que Pedro Rocha fez um, perdeu outro e mais outro. E fez mais um, novamente. E tirou a camisa, como eu faria de euforia. Tomou amarelo. E fez falta, como nós todos faríamos, e tomou o vermelho. E chorou, como muitos de nós faríamos no lugar dele.

 

O guri que um dia o presidente gremista Romildo Bolzan definiu, em entrevista que fiz na ESPN, como sendo aquele que “sempre está lá”, da mesma forma que nos levou ao ápice também nos fez lembrar de um enorme mérito que temos: o da Imortalidade.

 

Com um a menos e a pressão da torcida, tomamos um gol e, imagino, que houve alguém gritando nos nossos ouvidos que acreditava na virada.  Mas aquilo tudo era apenas para comprovar o quanto somos capazes de superar adversidades. Era como se precisássemos passar por mais esta provação para que o Brasil inteiro compreendesse nossa resiliência.

 

E para que não houvesse dúvidas de que o Imortal estava de volta, Geromel e Everton completaram o placar que nos oferece uma vantagem importante para o último jogo, na Arena. 

 

Para a festa ficar completa ainda temos que encarar a batalha final e, não vamos esquecer, contra um time que contou histórias incríveis no futebol nos últimos anos. Portanto, por mais próximos da Copa que estejamos, ainda precisaremos entrar em campo quarta-feira que vem com a mesma raça e talento que vestimos no jogo desta noite.

 

Tenha certeza, será mais uma semana de muitas lembranças e emoções.

 

Avalanche Tricolor: O Grêmio voltou!

 

 

Grêmio 1×0 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Pedro Rocha em mais um lance de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
 

 

 

O Grêmio venceu. E isso seria suficiente nesta altura do campeonato. Mas o Grêmio não se limitou a vencer. Venceu e voltou a jogar bem.

 

 

Vimos desfilar na Arena o futebol que fez do Grêmio sensação na primeira parte da competição, que havia sido esquecido em algum lugar qualquer do vestiário a ponto de nos levar a perder Roger, técnico que deixou um legado importante à equipe.

 

 

Há algum tempo não via movimentação tão intensa em todas as partes do campo. A troca de passe veloz, o apuro no toque da bola e o deslocamento de jogadores por um lado e outro reapareceram sob o comando de Renato.

 

 

Já disse algumas vezes, que o futebol bem jogado servia-me de consolo mesmo quando o placar não estivesse a nosso favor. Fazia-me sofrer menos. E temia que a mudança de técnico nos levasse de volta àquele futebol sofrido de garra e determinação – lugar comum nos times de coração, mas sem muito talento.

 

 

A passagem de Roger deixou-me exigente. Queria ver o Grêmio lutador de sempre, mas com o futebol qualificado. Nesta noite, liderado por Renato, parte de meu desejo se fez realidade.

 

 

Michael, Walace, Douglas, Ramiro e Luan trocaram passes com qualidade. E dava prazer ver a bola correndo de pé em pé, às vezes de um calcanhar para outro. Os laterais, especialmente Edílson, apareceram para auxiliar o ataque.

 

 

Dentro da nossa área, Bruno Grassi, Geromel e Kannemann seguraram qualquer tentativa de ataque adversário.

 

 

E aqui um parênteses: Kannemann me parece muito com aqueles zagueiros de antigamente, que tinham um missão a cumprir, despachar a bola para longe de seu gol. E cumpriam do jeito que desse, chutando a bola para o lado em que o nariz estiver apontado. Função que faz com maestria.

 

 

Deixei Pedro Rocha por último nesta lista. E não foi por acaso. Quando tenho a impressão de que vamos desistir dele, o atacante aparece. Seja chutando e provocando o rebote; seja rebotando, como, aliás, fez hoje para marcar o único gol da partida.

 

 

Lembrei de entrevista que fiz com o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, em março deste ano, quando comentei que Rocha perdia muitos gols: “mas ele está sempre lá”, disse o dirigente.

 

 

Rocha estava lá mais uma vez e para resolver a partida.

 

 

O Grêmio voltou a brigar em campo e jogar com talento.

 

 

Com a vitória, cola no G6 e a Libertadores está logo ali.

 

 

O Grêmio voltou!

Avalanche Tricolor: motivos para sorrir

 

Grêmio 1×0 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Elenco comemora gol da vitória em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA, no Flickr

 

Tínhamos 12 minutos do segundo tempo quando Henrique Almeida recebeu a bola do lado direito da área, limpou a jogada e chutou em gol, obrigando o goleiro adversário a se esticar para despachar a escanteio. Soaram aplausos de todas as partes da Arena. Pouco mais tarde, ele deixou o gramado e a maioria dos torcedores voltou a aplaudi-lo, apesar de alguns apulpos.

 

Mesmo sem ter feito muito em campo, além daquele chute já no segundo tempo, e tendo ofendido um grupo de torcedores no meio da semana, durante partida da Copa do Brasil, o atacante recebeu o apoio da torcida na tarde deste domingo.

 

Até Marcelo Oliveira tirado para Cristo nesta temporada pelo baixo rendimento na lateral esquerda foi reverenciado ao receber, antes de a bola rolar, a camisa com o número 100 às costas, simbolizando a quantidade de partidas que disputou pelo Grêmio. Ao fim, depois da entrevista na beira do campo, também foi aplaudido.

 

Pedro Rocha, que muitos queriam ver em disparada mas a caminho do banco, também vaiado no meio da semana, foi aplaudido aos 10 minutos de partida, ao marcar o único gol do jogo, após iniciar jogada de contra-ataque e trocar passe com Wallace.

 

Chamou-me atenção, ainda, a diversão provocada sempre que o placar eletrônico destacava o resultado de jogos dos times que tentam escapar da zona de rebaixamento. Bastava um gol que complicasse a vida do co-irmão, e uma onda repentina de vibração tomava a Arena.

 

Tudo bem, o  nosso gol era mais do que motivo para comemorar. Porém, nos demais momentos destacados nesta Avalanche, tive a impressão de que o torcedor estava mesmo era procurando motivos para ser feliz novamente.

 

A sucessão de derrotas e empates, o despencar na tabela, depois de ter sonhado com o título, e a perda de um dos técnicos mais promissores do futebol brasileiro, geraram um baixo astral nos últimos tempos que afastou o torcedor das arquibancadas.

 

Neste domingo, porém, provavelmente impactado pela classificação à próxima fase da Copa do Brasil da forma como foi conquistada, parecia que se buscava razão para sorrir.

 

E esta será uma das missões de Renato: nos dar motivos para sorrir. Ele precisará contar com 100% da disposição do time. O apoio do elenco pelo que se viu não faltará. Que agora consigamos retomar a bola, dominar o jogo, encaixar o passe, ter mais intensidade na frente, concluir mais e marcar mais, muito mais, gols.

Avalanche Tricolor: Pedro Rocha estava lá mais uma vez; e o Grêmio, também.

 

Grêmio 3×0 Lajeadense
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Pedro Rocha a caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Convidado pela ESPN, tive o prazer de entrevistar o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, no programa Bola da Vez, gravado na quinta-feira passada e ainda sem data para ir ao ar. Meus colegas de bancada queriam saber se com o dinheiro que entrará no cofre gremista, a partir da assinatura do contrato do clube com a TV Globo, seria possível fazer grandes contratações para as próximas temporadas. Eu disse que, por mim, não precisava contratar muita gente, não. Já ficaria feliz em ver quatro dos nossos jovens craques mantidos no elenco: Luan, Lincoln, Walace e Everton.

 

“Cinco”, corrigiu-me Bolzan, “tem o Pedro Rocha, também”. Cheguei a ponderar que Rocha costuma ser alvo de críticas do torcedor por seus altos e baixos, seus gols perdidos e tropeções durante a partida. “Mas ele está sempre lá”, retrucou o presidente, demonstrando sua confiança e admiração por esse garoto de apenas 21 anos, que surgiu no time ano passado, chegou a ser titular e depois foi perdendo espaço na equipe principal.

 

Bolzan tem razão ao fazer a ressalva. Seria uma injustiça não colocar Pedro Rocha na lista dos valores a serem preservados. Com a retomada da temporada e as disputas de três competições simultâneas, Roger obrigou-se a aproveitar maior número de jogadores e Pedro Rocha voltou a aparecer com mais frequência no ataque gremista. Ainda perde alguns gols que consideramos fáceis, dá uma tropicada aqui e outra ali, mas, como diz o presidente do Grêmio: “está sempre lá”.

 

Neste domingo de Páscoa, Pedro Rocha esteve lá, novamente. Tentou uma, tentou duas, passou a terceira, tropeçou na quarta, mas em uma “tabela” com o zagueiro adversário apareceu com velocidade diante do goleiro e foi precioso no toque que deu para desviar a bola para dentro do gol. Com esse quarto gol, é um dos goleadores gremistas no Campeonato Gaúcho, ao lado de Luan e Bobô.

 

Ao fim e ao cabo, o que se espera de um atacante é que marque gols. Ao menos que os busque de maneira insaciável. Pedro Rocha é assim, incansável. Só não aumentou (ou teria perdido?) a goleada desta tarde porque seu colega de ataque, Lincoln, acreditou que seria capaz de fazer o dele, também, e, em lugar de passar para quem estava mais bem posicionado, no caso Pedro Rocha, preferiu chutar a gol, quase no fim da partida.

 

Bobô abriu o placar e Batista, outro menino que chega ao grupo, com apenas 20 anos, completou a vitória tranquila do Grêmio, que nos mantém líder a duas rodadas do fim da fase de classificação. Ou seja, não é só Pedro Rocha que “está lá”. O Grêmio, também.

 

Aliás, de volta a entrevista na ESPN, Bolzan disse que acredita que ganharemos ao menos uma das quatro competições importantes que disputaremos esse ano. Sendo assim, é bom que sejamos líder agora, pois esta meta ficará mais próxima de ser alcançada se decidirmos na Arena as partidas da etapa seguinte do Campeonato Gaúcho.

 

E se queremos manter nossos jovens craques no time, nas próximas temporadas, é importante que os títulos comecem a chegar logo. É isso o que mais desejamos.

Avalanche Tricolor: futebol eficiente leva o Grêmio a mais uma vitória

 

Figueirense 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli (SC)

 

O primeiro gol de Bobô (imagem: site oficial do Grêmio)

O primeiro gol de Bobô (imagem: site oficial do Grêmio)

 

Houve um tempo em que iniciava esta Avalanche antes mesmo do apito final e arriscava um raciocínio, sempre em favor do nosso time, é claro, que poderia ser desmentido no chute a gol a seguir. O tempo, a prudência e a apreensão me desestimularam a persistir neste hábito. Esta noite, porém, talvez pelo primeiro gol marcado tão cedo, a mão coçou e o desejo de começar a escrever antes do fim da partida me fez abrir o computador e ensaiar este parágrafo. Ainda estava 1 a 0 quando iniciei-o, parei duas ou três vezes, assustado por alguns ataques do adversário e vacilos da defesa, mas não me contive ao ver o segundo gol se concretizar.

 

Curiosamente, comecei esta partida sem a mesma ambição de jogos anteriores, talvez desconfiado da capacidade de nosso elenco que seria mais exigido do que em qualquer outra oportunidade neste campeonato. Por lesão, por cartão e por convocação entramos em campo sem cinco importantes jogadores: três que fazem parte da nossa fortaleza, Marcelo, Erazo e Maicon; um maestro, Douglas; e o craque e goleador, Luan. A tarefa não seria fácil, mesmo porque estaríamos jogando fora de casa e diante de um daqueles adversários que sempre causam problemas, dada a rivalidade regional.

 

A despeito de todos esses problemas que poderíamos ter, conseguimos uma vitória importante. Uma importância forjada pelas nossas próprias carências. Soubemos entendê-las e superá-las, mesmo que alguns dos substitutos não se mostrassem a altura dos titulares. Foi, contudo, no padrão jogado pelo Grêmio de Roger que chegamos ao primeiro gol. Pois se é verdade que o fizemos após cobrança de escanteio, também é verdade que o escanteio foi resultado de intensa troca de passes e movimentação de nossos jogadores pelo lado esquerdo. Já quanto ao escanteio, destacam-se o cruzamento de pé esquerdo de Maxi e o cabeceio de Bobô, dois dos que estavam entrando no time.

 

Estávamos construindo pouco e destruindo muito, impedindo o adversário de jogar com um sistema defensivo coeso. Quando erramos feio, consertamos, haja vista a defesa feita por Bressan no lance em que não tínhamos mais goleiro para nos defender. Nosso zagueiro, outro dos substitutos, bem que poderia ter comemorado como se fosse um gol. Foi, então, que mais uma vez o futebol ensinado por Roger fez a diferença em campo. No contra-ataque, com pouco mais de cinco toques, rápidos e precisos, e o deslocamento de nossos jogadores, Pedro Rocha apareceu na frente do goleiro adversário para fazer aquilo que nos esperamos dele: concluir em gol.

 

Nesta noite, não fizemos muito, mas fizemos o suficiente. E a vitória deixa o Grêmio mais próximo do líder, encostado no vice-líder, e, principalmente, muito mais consolidado na vaga para a Libertadores.

Avalanche Tricolor: o que é bom está cada vez melhor

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

As férias estão chegando ao fim. O que é bom dura pouco, dizem no popular. Prefiro pensar que o que é bom vive-se intensamente. É o que tenho feito desde que este período de descanso se iniciou. Este é o último fim-de-semana distante do trabalho e do Brasil. Amanhã começa a viagem de retorno.

 

Uma das boas coisas de não precisar acordar de madrugada para trabalhar é ver com calma, intensamente e na hora que for os jogos do Grêmio. O desse sábado, no horário da Itália, se iniciou às 11 e meia da noite e se estendeu até quase uma e meia da manhã de domingo. Quem estava preocupado com isso? Durmo a hora que bem entender porque no dia seguinte acordo quando estiver com vontade. Claro que dormir com essa sequência de bons resultados, seis vitórias em sete jogos, torna o sono ainda mais agradável.

 

Foi com paciência que assisti à partida contra o Vasco, a começar porque mais uma vez a internet teimou em me deixar na mão em alguns momentos cruciais do primeiro tempo. Mas, principalmente,porque sabíamos que,pela condição do nosso adversário e seu técnico, pegaríamos um time fechado e disposto a qualquer coisa para sair vivo da rodada.

 

Paciência acompanhada de muita troca de passe, dribles para furar o bloqueio e bolas correndo pelas laterais. Foi esta a fórmula que Roger usou para vencer mais uma vez. Sem esquecer da marcação com dois zagueiros que destruíram com o pouco que o adversário tinha a oferecer e dois volantes que sabem jogar com firmeza e categoria.

 

Lá na frente, Luan tem domínio de bola capaz de tirar o marcador do sério. E, com sua falsa lerdeza, aparece com frequência na frente dos zagueiros. Pedro Rocha tem coragem de enfrentar os adversários na velocidade, no drible ou na força. Giuliano está com o futebol reafirmado.

 

Como escrevi no início desta Avalanche, minha temporada de férias está chegando ao fim, período em que o Grêmio subiu com intensidade na tabela de classificação e eu, graças à tecnologia que me acompanha, tive oportunidade de vivenciar está ascensão. Antes de retomar o trabalho ainda tem um jogo pela Copa do Brasil. Torço para que “o que é bom” dure muito e fique cada vez melhor.

Avalanche Tricolor: no futebol, o Grêmio sempre terá a minha preferência

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Ressacada/Florianópolis (SC)

 

Gremio x Palmeiras

 

O dilema é antigo e, apesar de para mim sempre ter sido coisa bem resolvida, sei que muita gente ainda tem dúvida sobre seus próprios sentimentos: você prefere ver a seleção campeã a comemorar o título de seu time? Nunca pestanejei: quero o Grêmio campeão e azar de quem não gostar do que penso. Prova disso foi o que aconteceu nesse sábado em que o futebol tomou conta da programação a partir da tarde com a rodada do Campeonato Brasileiro e se estendeu à noite com a Copa América.

 

Ver o Grêmio em campo me causa muito mais apreensão e nervosismo do que a seleção. E não é por confiar menos no time gremista. É por torcer mais. Desejar muito mais uma vitória nossa do que qualquer outra (ao menos quando a referência é o futebol). E, nesse sábado, o desejo da vitória começou a ser atendido quando ainda nem havia me ajeitado direito no sofá.

 

Em jogada relâmpago, a pressão gremista provocou o erro da defesa adversária e, com apenas seis toques na bola, a partir da nossa intermediária, Pedro Rocha apareceu na entrada da área para marcar. Soube depois da partida, porque durante o jogo o locutor da televisão insistia em repetir que o gol havia sido no primeiro minuto de jogo, que nosso atacante fez o gol mais rápido do campeonato ao assinalá-lo aos 37 segundos. Foi o suficiente para voltar a ouvir elogios ao talento do jovem Rocha, apesar de não me iludir com isso, pois bastará uma partida dele sem gols, um erro diante do goleiro, para surgirem os que implicam com o futebol do guri. Dia desses houve até quem escrevesse que ele não era um atacante de verdade para explicar o gol desperdiçado na derrota para o São Paulo.

 

Aliás, lembro ter lido em algum lugar qualquer, após aquele mesmo jogo contra o São Paulo, que Luan era um “moscão”, a alegria dos zagueiros, o meia do drible para trás e outras coisas do mesmo nível. Com seu estilo diferente de jogar e difícil de marcar, Luan já é o segundo goleador do time, o que mais finaliza, dribla e dá assistência a seus companheiros. Nesse sábado, ainda marcou um gol em excepcional cobrança de falta. Colocou a bola por cima da barreira e no ângulo, como manda a cartilha. Foi mestre em segurar o jogo quando éramos pressionado e quase voltou a marcar no segundo tempo, após sequência de dribles dentro da área.

 

Claro que a vitória não poderia ser tão tranquila assim, especialmente por estarmos jogando na casa do adversário. A reação haveria de acontecer nem que fosse pela força de vontade, já que tecnicamente éramos superiores. No entanto, nossos laterais substitutos funcionaram bem, com destaque para o garoto Marcelo Hermes. A defesa se garantiu como pode e Tiago voltou a mostrar valor. Os volantes também deram conta do recado, ao menos enquanto Walace e Maicon formaram a dupla à frente da área. E nosso conjunto mesmo pressionado garantiu a primeira vitória fora da Arena.

 

Assim que se encerrou a partida, com o Grêmio beliscando a terceira posição e se aproximando do líder, situação que pode mudar conforme a combinação de resultados deste domingo, satisfeito com a vitória, peguei o casaco para afugentar o frio e me arrumei para assistir à missa das seis da tarde, na capela próxima de casa.

 

Ouvi ainda alguém me perguntar: e a seleção? Que tenha a mesma sorte do Grêmio, pensei comigo. Não teve.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a caminho do G4 e além!

 

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Grêmio 1×0 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Já sinto o cheiro do G4. É pouco para nossas pretensões, mas era onde poderíamos chegar neste fim de semana. E chegamos. Isso é o que importa. Chegamos depois de um primeiro tempo sem muito futebol e menos ainda inspiração. Tudo compensado no segundo, quando fizemos o gol.

 

Até começamos bem, em jogada do centro para a direita, antes de o relógio completar 1 minuto. O chute de Marcelo Oliveira, porém, foi para fora. Depois, ensaiamos uma jogada aqui e outra acolá. Nada que empolgasse e a maioria das vezes parando no nosso passe errado. Houve um lance em que Pedro Rocha teria sofrido pênalti mas a televisão não o mostrou direito na origem nem o repetiu com a necessária frequência para eu ter certeza de que ele foi derrubado (ainda dedicarei uma Avalanche a esses senhores do apito).

 

Se algo ficou dos 45 minutos iniciais foi a disposição do time em marcar próximo da área adversária, o que reduziu os riscos lá atrás. Até fomos ameaçados, mas nada de grave.

 

A conversa no vestiário parece ter sido boa. O time voltou com a mesma escalação e disposição mas se movimentando melhor em campo e com passe mais preciso. Isso fez com que o futebol fluísse. Verdade que lá atrás corremos mais riscos, mas Tiago, outra vez, deu conta do recado. Que baita goleiro esse menino, não?

 

O gol foi resultado de tudo o que o Grêmio levou a campo.

 

A jogada se iniciou após nossa marcação ter recuperado a bola à frente da defesa adversária. Fomos para a esquerda com dribles e troca de passe e tentamos o gol. A luta para recuperar outra bola que parecia desperdiçada lá pelo lado direito, forçou o adversário a errar de novo. E mais uma vez, nos movimentamos, trocamos passe com qualidade, em bela participação de Giuliano e Luan, e concluímos com um chute belíssimo de Maicon.

 

Marcação firme, troca de posições, passe mais preciso e chute qualificado. A combinação desses fatores nos faz um time melhor. O segredo está em aumentar a frequência com que isto ocorre durante a partida e repetir este desempenho a cada jogo (e fora da Arena, também). Nessa passada, mais do que sentir o cheiro do G4, estaremos nele. E depois de chegarmos lá, é claro, queremos ir além.