Avalanche Tricolor: o Gre-nal é mesmo um jogo único

Grêmio 1×1 Inter

Brasileiro — Arena Grêmio

Mais um gol de Pepê, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Um gol para cada um.

Cada um com um gol de goleador.

Uma expulsão para cada lado.

E um só ponto na tabela.

 

O Gre-nal é mesmo um jogo único. 

Tanto faz quem tá melhor na temporada. 

 

Se Gaúcho ou Brasileiro.

Se Copa do Brasil ou Libertadores.

Se no Humaitá ou na várzea.

 

Gre-nal é …. bem, você sabe o quê.

Sempre vai ter um gol de Pepê.

 

Pra fechar esta Avalanche,

Mesmo sem a alegria de uma vitória:

tem mais dois “uns” para entrar na história.

 

Verdade, saímos de campo sem vencer,

Mas já faz 11 clássicos

Que o Grêmio de Renato 

Não sabe o que é perder.

Avalanche Tricolor: prazer, Antônio Josenildo Rodrigues de Olivera do Grêmio!

Grêmio 2×0 Universidad Católica

Libertadores — Arena Grêmio

A festa de Rodrigues na foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

A notícia de que Geromel e Kannemann foram abatidos pela Covid-19 ecoou nas arquibancadas vazias da Arena do Grêmio e fez correr um frio na espinha do torcedor, momentos antes de a partida pela Libertadores se iniciar. Nós sabemos o que essa dupla representa no futebol sul-americano — no do Sul, então, nem se fala. Tricolores, incrédulos e crentes, olharam para o céu a se perguntar: o que acontece com o meu time? Os resultados não saem como gostaríamos (sim, nesta hora ninguém, lembra da vitória no Gre-nal), o futebol não rola a bola com o talento que conhecemos, jogadores importantes se lesionam e quando mais precisamos da nossa dupla imbatível vem esta peste fazer com nossos zagueiros o que os adversários não foram capazes.

Renato —- que conhece o grupo como ninguém —- apostou na dupla Rodrigues e David Braz para substituir os insubstituíveis. Braz é experiente, conhece os atalhos no campo, e leva o jogo na conversa. Apesar de nem sempre estar no lugar que gostaríamos quando a bola é cruzada na nossa área, gosto de vê-lo comemorando com os punhos cerrados sempre que a despacha para longe de nosso gol. Rodrigues é uma incógnita. Ou era. Foi elevado ao time titular em maio do ano passado, no Campeonato Brasileiro, em situação de emergência. Recomendação que ouviu do técnico: joga simples. 

Há duas semanas, Rodrigues e Braz tinham feito uma atuação desastrada na derrota para o Universidad Católica, em Santiago do Chile. Braz saiu jogando no lugar de Kannemann e foi expulso; Rodrigues substituiu Geromel, que se lesionou durante a partida, e os dois gols do adversário passaram por ele. Assim que a escalação foi confirmada com a dupla de zagueiros, tive a impressão de ter visto os corneteiros de plantão afinarem seus instrumentos, prontos para fazê-los soar alto e forte.

Foi nesse clima que entramos na Arena para a partida decisiva na temporada —- isso mesmo, da temporada, não apenas na Libertadores. Nossos jogadores davam sinais de que desconfiavam de sua força e revelavam o sofrimento pela pressão dos desempenhos anteriores. Por mais que o DJ elevasse o som da torcida, a bola queimava no pé de cada um deles. Quando era cruzada na nossa área, contávamos mais com a sorte do que com o juízo. 

Antes de o intervalo chegar, equilibramos o jogo; mas foi no vestiário que Renato ajustou as peças e convenceu a equipe de que em campo a nossa imortalidade tem de falar mais alto. Em dois minutos uma movimentação pela direita de Orejuela, Alisson e Robinho fez a bola chegar pelo alto para Diego Souza desviar e deixar Pepê em condições de marcar. Gol de Pepê, o Menino Maluquinho do Grêmio.

Maluquice mesmo foi o que vimos mais à frente.

O zagueiro que estreou no Grêmio com a recomendação ‘faça simples’ desembestou e complicou a vida do adversário. Na primeira arrancada, ergueu a cabeça, passou para Pepê e foi completar a jogada dentro da área — o goleiro defendeu. Na segunda, aos 17 minutos do segundo tempo, novamente foi ele quem levou o time ao contra-ataque, passou para Alisson, que deu uma meia-lua de cinema no defensor e entregou de bandeja para o nosso zagueiro concluir em gol. Gol de Rodrigues, o Tonhão do Grêmio.

Antônio Josenildo Rodrigues de Oliveira nasceu em Arez, no Rio Grande do Norte. Grandalhão, logo ganhou o apelido de todos os Antônios de estatura alta: Tonhão. E como Tonhão chegou ao Grêmio, em 2017, disposto a escrever sua própria história. Para escapar do estigma de zagueiro grosso e sem talento, assumiu o sobrenome da mãe e deu uma incrementada: incluiu o Z no final de Rodriguez, quase tão espanhol quanto Kannemann, apesar de ser fã mesmo de Geromel.

Da mesma forma que buscava o melhor nome para ser considerado, se esforçava em campo para se manter entre os profissionais. Desde que estreou sempre foi visto com ressalvas pelo torcedor.  Tinha muito mais cara de Tonhão do que de Rodrigues —- já com o S recuperado em mais uma tentativa de ser protagonista em campo.  

A poucos dias de completar 23 anos —- nasceu em 10 de outubro de 1997 —, Tonhão, ou melhor Rodriguez, digo Rodrigues, colocou o seu nome na privilegiada lista de jogadores que marcaram gols em Libertadores com a camisa do Grêmio — e sem medo do azar, vestindo a camisa 13 (da qual sou um admirador em particular).

Foi o primeiro dele desde que chegou aos profissionais. E não poderia ter sido mais importante. Porque o gol de Tonhão, ops, Rodrigues, colocou o Grêmio na próxima fase da Libertadores tanto quanto mostrou a resiliência de Renato e sua equipe. Um grupo capaz de superar as adversidades, driblar seus limites, aguentar firme as cornetas e se mostrar forte no momento em que mais precisamos na competição. 

Rodrigues é a cara do Grêmio!

Avalanche Tricolor: com todo o respeito e com o talento dos guris

 

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro — Arena Grêmio

 

Gremio x Cruzeiro

Pepê e Ferreira, a nova geração em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Havia pouco a ganhar na partida desta noite, em Porto Alegre. Nosso destino já estava traçado quando entramos na Arena. Em 2020, mais uma vez estaremos na Libertadores da América — a 12ª vez no século e a 20ª na história — e, novamente, pela porta da frente. Os três pontos diante de um adversário desesperado eram previstos. E, provavelmente, viriam com naturalidade. Sem muito esforço. Com calma, toque de bola — mesmo que alguns desses toques sem a precisão com a qual nos acostumamos — e um pouco de pressão, alcançaríamos a vitória.

 

O destino porém quis nos mandar um recado. Um feliz recado. Mostrar que mais importante do que a vitória era comemorar o futuro do Grêmio que se apresentava em campo.

 

Renato já havia iniciado a partida com um dos nossos talentos emergentes, Pepê, que está com 22 anos e fez uma temporada incrível com gols em momentos decisivos. Um atacante que está pronto para ser titular ao lado ou —- dependendo o que acontecer — no lugar de Everton, o “veterano” de 23 anos, considerado o melhor jogador em atividade no Brasil.

 

Nosso guri Pepê foi quem deu a arrancada para a vitória, levando a bola pelo lado esquerdo e enxergando um companheiro livre do outro lado da área. Quem apareceu por lá foi Ferreira, ou Ferreirinha, ou Aldemir Ferreira —- seu nome ainda será melhor escolhido no ano que vem —- que entrou no segundo tempo e demorou pouco para ratificar sua fama de goleador, construída nos times de base: aos 21 anos marcou seu primeiro gol com a camisa profissional do Grêmio. Ainda deu drible, chapéu e nova dinâmica a um ataque que estava acomodado frente à apatia do adversário.

 

O mesmo Pepê nos encaminhou à vitória definitiva ao driblar, cair e voltar a driblar marcadores desnorteados com sua velocidade. Ele passou por quatro até ser derrubado dentro da área e conquistar o direito de cobrar o pênalti e se estabelecer como um dos principais goleadores da temporada, mesmo ainda não tendo ganhado o crachá de titular.

 

Além de Pepê e Ferreira, ainda tivemos o privilégio de assistir aos primeiros passos de Isaque, também com 22 anos, e rever Patrick, com 21 e jeito de moleque. Todos esses jovens comandados no meio de campo por outro que amadureceu mais cedo do que eles, mas divide a mesma idade: Matheus Henrique apesar de jogar como um “senhor volante”, não esqueça, caro e raro leitor desta Avalanche, tem apenas 22 anos.

 

O futuro do Grêmio se apresentou na Arena nesta noite de quinta-feira. E ouviu das arquibancadas uma mensagem bastante positiva quando nossos torcedores, no segundo tempo, aplaudiram a entrada de Pedro Rocha no time adversário e, ao fim, gritaram o nome de Edílson —  a mensagem de que aqueles que se dedicarem à camisa tricolor serão respeitados para todo e sempre.

Avalanche Tricolor: uma vitória com os talentos de Everton e Pepê

 

Palmeiras 1×2 Grêmio
Brasileiro — Arena Palmeiras

 

Gremio x Palmeiras

O sorriso da vitória, em foTo de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vi Renato de punhos cerrados comemorando ao lado do gramado, assim que o árbitro deu o apito final. Maicon repetiu o gesto ao deixar o banco de reservas —- de onde assistiu à parte final do segundo tempo da partida, após se lesionar —- para cumprimentar os companheiros que ainda estavam dentro de campo. Antes, já havia me chamado a atenção a alegria do time na comemoração do gol de Pepê que garantiu mais uma vitória ao Grêmio, neste Brasileiro.

 

Cada cena em seu momento revelava a mesma mensagem e dava a dimensão do resultado desta tarde, em São Paulo. Foi a quinta vitória nas seis últimas rodadas do campeonato, em uma sequência de pontos que fez o Grêmio atropelar os adversários diretos, tomar a quarta posição e se consolidar na faixa que nos leva diretamente para a Libertadores.

 

Sei que o noticiário do futebol neste fim de semana teve todas suas atenções voltadas para uma só partida e um só time —- justa atenção, diga-se de passagem, porque esse time soube transformar dinheiro em talento e talento em perfomance de excelência. E de modo particular, a decisão da Libertadores no sábado ainda nos trouxe de volta a amarga lembrança da desclassificação na semifinal.

 

Diante desse cenário, imaginei que em campo veríamos um Grêmio desatento às suas obrigações. E, convenhamos, boa parte do jogo parecia mesmo. Apesar do domínio da bola, pouco se produziu no ataque. Não lembro de termos proporcionado algum lance de perigo no primeiro tempo. No segundo, o volume de jogo foi maior, mas as chances de gol eram escassas mesmo com algumas jogadas mais próximas da área. Menos mal que nossa dupla de zagueiros vinha fazendo uma partida excepcional anulando qualquer risco de ataque adversário.

 

Até que apareceram nossos talentos individuais.

 

Primeiro, Everton. Já havia arriscado alguns dribles, se livrado de marcadores até encontrar um espaço e correr em direção à área. Na tentativa de mais um drible, sofreu pênalti, cobrou e marcou —— com requinte de crueldade porque provocado pelo goleiro a bater no canto direito, o fez com maestria. Só faltou agradecer pela dica.

 

Segundo, Pepê. O menino Pepê. Entrou quando estava zero a zero. Ajudou a abrir espaço para Everton no primeiro gol, viu o Grêmio sofrer o empate e  aí fez aquilo que tem feito partida após partida. Correu para um lado, correu para o outro, se deslocou para receber, posicionou-se em direção ao gol e quando a bola chegou ao seus pés, foi pura maldade. Por trás dos marcadores, na cara do gol, de cavadinha, tirou a bola do alcance do goleiro que só teve o trabalho de assistir ao espetáculo de jogada. Foi a vez de nós torcedores agradecermos a ele pela pintura de gol e pela vitória alcançada.

 

Alguém arriscou dizer na transmissão da televisão que aquele foi o gol do título, pois com a vitória confirmada minutos antes de a partida se encerrar, o que tornava improvável qualquer virada no placar, o líder do campeonato, que já havia jogado por essa rodada, há duas semanas, não poderia ser mais alcançado por nenhum dos seus concorrentes diretos.

 

Na entrevista, Pepê não caiu na brincadeira dos repórteres. Com a mesma personalidade que entra em campo e decide os jogos, chamou atenção para a importância do gol marcado, pois daria tranquilidade ao Grêmio até o fim da competição na sua meta de estar na Libertadores, em 2020. Aliás, estar na Libertadores pela vigésima vez —- somente mais dois times brasileiros poderão alcançar essa marca ano que vem — e quem sabe conquistá-la pela quarta vez.

Avalanche Tricolor: Pepê é mais um talento com direito a nome próprio

 

Grêmio 2×1 Vasco
Brasileiro — Arena Grêmio

Atacantes

 

Faz pouco tempo que assistimos à ascensão de Everton. Lembrei parte dessa história na Avalanche anterior, ao escrever sobre nosso empate na Copa do Brasil. O atacante, hoje cobiçado por alguns dos mais importantes clubes da Europa, até se firmar entre os titulares, tinha de esperar as substituições que Renato fazia no segundo tempo, geralmente em lugar de Pedro Rocha. No Mundial de Clubes, Rocha assistiu àquele jogo quase ao meu lado na arquibancada — ele já havia sido vendido ao exterior, onde ficou pouco tempo para retornar ao Cruzeiro. Mesmo assim, Everton ainda era um reserva de luxo. Fernandinho era o preferido do treinador.

 

Na época do entra e sai no time, Everton oscilava em suas apresentações. Quando encarava os marcadores já cansados no segundo tempo, levava vantagem com sua velocidade e habilidade com a bola. Fez gols importantes na campanha vitoriosa da Copa do Brasil, em 2016. Porém, sempre que saía jogando, seu futebol era colocado em dúvida, pois a excelência que se esperava dele não costumava aparecer da mesma maneira. Repetia assim o mesmo que já havia ocorrido com Pedro Rocha —— inclusive nas críticas, injustas, a imprecisão nas finalizações a gol. 

 

Rocha também demorou para se firmar entre os titulares. Havia torcedores que arrancavam os cabelos todas às vezes que assistiam ao nosso atacante disparar em direção ao gol e desperdiçar suas oportunidades com chutes sem precisão. Até que, com a confiança demonstrada pelo técnico, seu futebol amadureceu, ganhou personalidade, transformou-se em titular reverenciado por todos os torcedores e valorizado a ponto de ser a maior transação gremista de todos os tempos: foi negociado por 12 milhões de euros —- 45,2 milhões de reais —- para o Spartak Moscou, da Rússia.

 

Mesmo depois do gol que nos levou à final do Mundial, em 2017, Everton voltou a ocupar o banco de reservas, ao menos mais uma vez. Na partida decisiva, em Abu Dhabi, só entrou no segundo tempo. Com apenas 21 anos, trilhava o mesmo caminho de seu antecessor e sabia que sua hora estava para chegar.

 

Foi no ano seguinte, 2018, que Everton se notabilizou, tornou-se titular absoluto e um dos maiores goleadores da Arena Grêmio, tendo seu nome cogitado para a seleção brasileira. Neste 2019, após a consagração na seleção campeão da Copa América, mantê-lo no elenco virou missão impossível e estamos aqui apenas contando os dias que faltam para o jogador anunciar sua despedida do clube.

 

Nós torcedores já estamos resignados com essa situação: todo ano, dar adeus ao menos a um dos nossos jovens craques. Já não nos indignamos mais com a saída precoce deles e nos consolamos com as cifras absurdas que os estrangeiros pagam para contratá-los, nos contentando com uma espécie de competição paralela com os nossos rivais na qual quem consegue vender seu talento por uma preço maior é o vencedor.

 

Aos gremistas nos resta a satisfação de saber que a fábrica que produz jogadores com a qualidade e velocidade de Pedro Rocha e Everton dá sinas de estar em plena atividade. Haja vista, o crescimento de Pepê a cada partida que disputa. Ele jogou na base do Athletico Paranaense, foi para o Foz do Iguaçu —- na cidade natal —, passou rapidamente pelo Coritiba e chegou nas nossas bandas em 2016, após uma operação sigilosa da diretoria gremista que temia perder o jogador para os concorrentes mais próximos.

 

Fez sua estreia no time profissional em 2017 e, veja como a história é cíclica, substituindo Everton. Fez seu primeiro gol já na terceira partida que disputou e sempre que chamado por Renato apresenta-se com uma vitalidade incrível que lembra …. bem, lembra Everton.

 

Foi assim, nesse sábado quando o Grêmio venceu de virada com dois gols do nosso jovem atacante. O primeiro entrando em velocidade pelo lado direito da área e aproveitando passe preciso de Luan; e o segundo, pasmem, de cabeça após um cruzamento-passe de Leo Moura — sim, ele tem no máximo 1,75 de altura, mas estava dentro da área e muito bem colocado. Pepê cabeceou de olhos abertos e com o movimento clássico que esperamos dos atacantes sempre que a bola é alçada para a área. Já é um dos nossos goleadores do Campeonato Brasileiro. Sim …. ao lado de Everton.

 

Ontem mesmo já havia quem estivesse chamando-o de Novo Everton.

 

Vamos combinar o seguinte, assim como aprendemos a respeitar o futebol de Everton com a saída de Pedro Rocha, vamos aprender a admirar o futebol de Pepê com a saída de Everton. E dar a ele direito a nome próprio: Pepê, o novo craque!