Eleitor paulista é de centro-direita, diz cientista

 

adoteA disputa dos adversários de Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida ao Governo de São Paulo é para chegar ao segundo turno. E, dificilmente, Marta Suplicy (PT) perde uma das duas vagas ao Senado. A opinião é do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Fernando Abrúcio ao comentar o resultado das pesquisas eleitorais divulgadas pelo Instituto Datafolha.

Abrúcio disse que o PSDB é muito forte no interior do Estado, por isso a dificuldade para Aloísio Mercadante (PT) se aproximar dele. Além disso, o eleitorado paulista tem uma tendência de centro-direita o que daria vantagem ao tucano mesmo na disputa em segundo turno. Para o cientista político, o candidato petista dependeria muito dos votos da região metropolitana e de maior identificação com o presidente Lula e a candidata à presidência Dilma Roussef.

Na disputa ao Senado, na qual Marta aparece como líder, Abrúcio acredita que quatro nomes disputem a segunda vaga: Oreste Quércia (PMDB), Netinho (PC do B), Aloísio Nunes (PSDB) e Romeu Tuma (PTB). Ele disse que a desinformação do eleitorado em relação aos candidatos a senador ainda é muito grande.

Para Abrúcio, entrevistado do CBN SP, será possível ter uma ideia melhor sobre o cenário eleitoral duas semanas após o início do horário eleitoral.

Ouça a entrevista de Fernando Abrúcio ao CBN SP

Os 13 candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo foram convidados pelo CBN SP para participarem de entrevistas. Os candidatos a governador também terão oportunidade de conversar com o ouvinte da CBN.

Não comento pesquisas

 

Comento, sim.

Então, o porquê do título acima ? Apenas reproduzo o que disseram os dois principais candidatos – que chamamos burocraticamente de pré-candidatos -, Dilma e Serra, sobre o resultado da pesquisa CNI/Sensus, que demonstra empate técnico, apesar do percentual da petista ser maior do que o do tucano.

No Ceará, José Serra sacou do livrinho de bom comportamento a explicação de que manteria postura adotada desde o início, ou seja, não falaria sobre o resultado. No Rio, Dilma Roussef usou do lugar-ainda-mais-comum da política: “pesquisa é uma fotografia do momento”. Não fosse o sorriso maroto daquele que aparece com vantagem, talvez até pudéssemos acreditar neles.

A verdade é que cada novo número divulgado, mesmo que de institutos pouco confiáveis no mercado, provoca um reboliço no quartel general dos candidatos. Seja sob a desconfiança de quem está em baixa seja na satisfação de quem está por cima, os coordenadores de campanha traçam suas estratégias a partir das pesquisas. Trocam roteiros de viagens, remarcam entrevistas que haviam sido deixadas de lado, pedem socorro a conselheiros ou programam factóides para o dia seguinte.

Nas equipes têm especialistas para desmembrar os números e identificar de onde vem a preferência ou a rejeição do eleitorado. Encomendam pesquisas internas com diferentes temas e formatos para chegar a resposta do que o cidadão quer. Preocupam-se de tal maneira que exageram na dose e pasteurizam os discursos e os candidatos. Os programas de governo são a maior prova disso. Leia sem saber quem é o partido e perceberá o que digo.

Tornam-se tão iguais que até mesmo ao comentar as pesquisas assumem o mesmo comportamento: não comentam – ou quase não.

De minha parte, prefiro prestar atenção na linha do tempo bem mais do que o número publicado. Se este nos dá uma fotografia do momento, aquela nos oferece a radiografia do comportamento do eleitor. Por isso, o trabalho que o jornalista José Roberto de Toledo realiza no Estadão é bastante significativo ao combinar os levantamentos feitos pelos principais institutos de pesquisa e apresentar a média das intenções de votos que, após a inclusão dos dados de Sensus e Vox Populi, mostram que Dilma se aproxima de Serra.

Nos próximos dias tem Datafolha a pesar sobre a cabeça dos candidatos (e sobre o emprego de seus assessores) quando poderemos identificar melhor se Dilma chegou para ficar ou Serra assim que voltar à TV descola, mais uma vez.

Seja qual for o resultado, sem comentários – dirão os candidatos.

Quero só o comercial de margarina

 

Por Abigail Costa

Tirei um tempinho nesses dias para uma função diferente: pesquisadora. Nada de laboratório e ampolas. Que pena!

Diante dos meus amigos, da manicure, na fila do caixa do supermercado. Só faltou a prancheta.

“Você está se sentido cansado? Desanimado? Tem que levantar e o corpo pede mais cama?”

Quando a resposta era positiva, isso aconteceu na maioria das vezes, me sentia um pouco mais animada. Era como se eu não estivesse sozinha no mundo do não-quero-fazer-nada.

Ouvi justificativas para o caso.

“Em certos períodos isso é normal mesmo … às vezes a gente precisa de um tempo”.

Mas o que me fez pensar no que estava me incomodando veio da minha querida Maria Lúcia:

“Muitas pessoas estão focadas para um lado ruim que acaba contaminando todo o resto”.

Isso mesmo.

Pregamos o melhor e fazemos diferente.

Quer um exemplo?

Você está se sentindo de bem com a vida? Ligue a televisão no noticiário. Pronto, o terapeuta ganhará mais um paciente.

Jesus! Que coisa mais perversa! É tanto tiro que uma das balas teima em furar a tela da minha 40 polegadas!

Aí o engravatado roubou. O outro mesmo comprovado o crime não foi punido e voltou pra casa. E o sujeito está largado na maca do hospital enquanto a vinheta das eleições já começa a rolar no espaço reservado para a propaganda de margarina.

Falando em margarina. Nem gosto tanto do produto só que ADORO quando aqueles segundos vão ao ar! Adoro ver a família na mesa, aquele sol da manhã entrando pela janela, o pão quentinho saindo fumaça …

De volta as tragédia rotineiras. Outra descoberta da minha pesquisa.

Todos se queixam das notícias sangrentas. Querem a boa notícia. Mas se “eles” exibem, diariamente, o que a gente está careca de ver é porque tem mercado pra isso. Caso contrário, o Ibope registraria queda na audiência.

Entre não querer ver e assistir tem uma longa distância.

Então, mesmo que você se proponha a só prestigiar o “comercial de margarina”, tem sempre um mensageiro do apocalipse:

“Você viu? Que coisa, não, estamos perdidos”.

Pra terminar minha “terapia em conjunto”, o caos é quando o marido chega pra você todo carinhoso e diz:

“Amor, temos que economizar”.

Pronto! Aí me mundo caiu de vez! Pior que desta vez, ele tem razão.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

A conversa esquentou com meu sogro

 

Por Rosana Jatobá

http://www.flickr.com/photos/mikaelmiettinen/

Ele quer uma neta. E deseja que chegue logo, com a cara da mãe.
– Já tem muito homem nesta família. Precisamos de mais beleza, graça e sensibilidade.

Sem cerimônias, elenca as recomendações para a futura criança :
– Ela vai crescer ouvindo os clássicos da música e da literatura internacional. Vai falar línguas desde cedo e frequentar museus e galerias de arte.

As sábias palavras são do meu sogro: homem de bem, de bom gosto e de personalidade forte. Com inteligência de sobra, comanda a conversa, discorda de tudo e dita as próprias verdades.

A bola da vez é o aquecimento global.

-Esses ambientalistas que você defende são uns imbecis! Ignoram a história da humanidade, os ciclos naturais da Terra, e se apossam de teorias fajutas de oportunistas, como Al Gore. Quem disse que o suposto aquecimento global é resultado da ação humana?

Como não resisto a uma provocação, exponho meus humildes conhecimentos.

– Esta foi a conclusão a que chegou um dos maiores economistas do mundo, Nicholas Stern, em outubro de 2006, antes mesmo de Al Gore surgir na cena ambiental com o seu panfletário filme: ” Uma verdade inconveniente” . Stern, ex-economista -chefe do Banco Mundial, demonstrou, por meio de um relatório de 700 páginas, que o acúmulo de gás carbônico é a principal causa do aquecimento terrrestre. Mais tarde, em 2007, cerca de 3 mil cientistas corroboraram a tese e publicaram o mais extenso e completo documento sobre as mudanças climáticas provocadas pelos gases de efeito estufa, o IPCC.

– Relatório manipulado para atender a grupos interessados nas polpudas quantias destinadas às pesquisas do clima!

– Nem todos os dados estão sob suspeita. E o relatório foi ratificado por quase toda a comunidade cientifica.

-Quem ousa desafiar a postura oficial é relegado ao ostracismo. Tem muito climatologista contrário à doutrina do aquecimento global sendo boicotado e impedido de publicar seus próprios trabalhos.

-Mas a meteorologia já aponta para um cenário devastador, que tende a piorar nas próximas décadas, caso não haja uma redução das emissões.

-Como eu posso acreditar que os modelos climáticos acertarão as previsões para daqui a 50 ou 100 anos, se eles não conseguem dar conta de eventos de curto prazo?

Para uma moça do tempo, essa crítica é como uma facada….Mas tomo fôlego e continuo o debate.

-Em que dados você se baseia para contestar o relatório?

-Na “mea culpa” feita por cientistas do próprio IPCC, como o climatologista Phill Jones. Ele reconheceu que parte das informacões do relatório não passa de especulação sem base científica. E o pior: que nos últimos 15 anos o mundo não teve aquecimento algum. Mojib Latif, outro cientista da mesma cepa , acaba de desmentir a doutrina que defendeu por anos. Ao invés de aquecimento global, vamos ter resfriamento global causado por alterações cíclicas naturais nas correntes oceânicas e nas temperaturas do Atlântico Norte.

-Você acha que toneladas de CO2 lançadas todos os dias na atmosfera sobem impunemente? Tanta poluição não vai cobrar um preço? É natural retirar materia orgânica das profundezas da terra, sedimentada em forma de petroleo, queimá-la e lançá-la pelos ares? Já temos 375 partes por milhão de CO2 na atmosfera.

– Em meados do século dezenove, quando mal se ouvia o barulho do motor, a concentração de CO2 chegou a superar 500 ppm. E há cerca de 35 milhões de anos, esse nível passou de 1000 ppm !!!!. E nós estamos aqui pra contar a história….Você, jornalista, não pode acreditar neste “catastrofismo climático” de projeções alarmistas!

É claro que uma fera como meu sogro, Mestre pela FGV, com especialização em Standford, iria esgotar meus argumentos. O silêncio veio como um soco no estômago, seguido da inevitável dúvida:

-Será que fui ingênua o bastante pra me deixar envolver pelo discurso da moda?

Relembrei o dia em que comecei a estudar com mais afinco as mudanças climáticas, inspirada pela palestra do Al Gore na Oca do Ibirapuera; os congressos que frequentei, as entrevistas a que assisti; os fins de semana debruçada sobre livros e apostilas do curso de gestão ambiental….. Será que fui iludida, que é tudo uma farsa? Um lobby perfeito da indústria verde?

A inquietação me acompanhou por dias e dias. E só perdeu sentido quando subi ao palco de um importante auditório em São Paulo para apresentar um evento da maior rede varejista do mundo. O Wal Mart anunciava o seu Pacto de Sustentabilidade. A rede, que até pouco tempo era conhecida pela falta de preocupação com o meio ambiente e com as condições de trabalho de seus funcionários, agora exibia uma ampla plataforma de projetos de responsabilidade econômica, social e ambiental.

Na esteira do Wal Mart, milhares de empresas dão o exemplo. E ainda que a motivação seja puramente capitalista, para obter vantagens competitivas, o fato é que a estratégia de negócios está reduzindo a sobrecarga sobre o planeta.

Essas companhias não esperaram para ver se há mesmo aquecimento global ou não; ou se o fenômeno decorre dos caprichos da natureza ou dos desmandos do ser humano….

A questão ficou pequena diante da maior urgência, que é a de preservar os recursos naturais para garantir a nossa sobrevivência e a das futuras gerações. Se mantido o ritmo atual de consumo, vamos precisar de dois planetas no ano de 2050, calcula o grupo conservacionista WWF.

Desejo que a neta do meu sogro frequente as aulas de balé e os concertos de música clássica, sem precisar usar máscaras de oxigênio no percurso até as academias. Que ela caminhe pela faixa de areia fina e branca da praia, não invadida pelo mar. Que ela tenha o prazer de admirar Ipês, Paus-ferro, Pinheiros e Jatobás.

E que seja tão inteligente quanto o avô para perceber que “há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor e fruto”!!

Vai contestar, meu querido sogro?


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade – e de família, também

Pesquisas divergem sobre satisfação com ônibus

 

Feitas com um mês de diferença, duas pesquisas que analisaram a opinião do paulistano sobre o transporte público apresentaram respostas totalmente diversas. Para a Associação Nacional de Transporte Público, os passageiros estão mais satisfeitos com a qualidade do serviço prestado pelos ônibus na cidade. Para o Movimento Nossa São Paulo a insatisfação ultrapassa os 70%.

A ANTP contratou a Toledo & Associados que realizou a pesquisa em novembro de 2009 com 2.354 pessoas; o Movimento Nossa São Paulo contratou o Ibope que fez 1.512 entrevistas, em dezembro de 2009. Não se engane pelo número de opiniões coletadas, mais gente ouvida não significa maior rigor científico.

Separei dois quadros que mostram claramente as diferenças de opiniões coletadas pelos institutos de pesquisa.

ANTP pesquisa

Neste primeiro, da Toledo & Associados você vê a evolução desde 2003 e nota que o índice de pessoas que deram conceito excelente e bom para o transporte de ônibus na capital subiu 10 pontos percentuais entre 2008 e 2009 chegando a 50%.

NOSSA SP

Neste outro quadro, retirado da pesquisa do Ibope, aparece o nível de satisfação com o transporte de ônibus em quatro itens: tempos de espera e de deslocamento, pontualidade e tarifas. Em todos a insatisfação surge com mais de 70 pontos.

Perguntas diferentes e métodos diferente tendem a oferecer respostas diferentes. Mas a divergência foi tão gritante que deixou jornalistas com dúvidas durante a apresentação dos dados da ANTP, nessa quarta-feira. O repórter da CBN João Vito Cinquepalmi resolveu caminhar pelas ruas e ouvir a opinião dos passageiros. Não encontrou elogios, mas deve-se fazer a ressalva de que um ‘povo-fala’ não tem base científica.

Convido você a ler as duas pesquisas (se tiver paciência) e se souber me explicar por que os resultados foram tão diferentes, não se acanhe deixe seu recado nos comentários abaixo.

Aqui a pesquisa da ANTP feita em novembro/2009 e apresentada nesta quarta, dia 28.01

Aqui a pesquisa do MNSP realizada em dezembro/2009 e apresentada terça retrasada, dia 19.01

Pesquisa vai confirmar queda de satisfação com Kassab

 

A nova pesquisa que vai avaliar a opinião do público sobre o trabalho do prefeito Gilberto Kassab (DEM) reforçará a ideia de que há crescente insatisfação do paulistano com a administração municipal, neste momento. O estudo encomendado pelo Movimento Nossa São Paulo ao IBOPE tem metodologia diferente mas tende a confirmar a piora da avaliação constatada pelo Instituto Datafolha, no fim do ano.

Desde o segundo semestre de 2009, Kassab tem enfrentado dificuldades diante da opinião pública com a crise do lixo, recuo na merenda escolar, aumento do IPTU, passagem de ônibus mais cara, fim da devolução da taxa da inspeção veicular e, finalmente, as chuvas. Na pesquisa do Nossa São Paulo, porém, será possível perceber que o descontentamento não se resume a estas áreas, pois a avaliação é bem mais abrangente e mostra, por exemplo, a demora no atendimento da população nas unidades de saúde.

Entre trancos e barrancos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem tentado se safar da enxurrada de críticas que recebe da população principalmente com as constantes enchentes e demais transtornos provocados pelas chuvas de verão. Teve maior exposição na mídia nas últimas semanas, com entrevistas programadas em emissoras de rádio. Mesmo sem solução imediata para a maior encrenca que tem no seu caminho neste instante, o alagamento nos Jardins da zona leste (Romano, Pantanal etc), foi ao local umas nove vezes. Ação que não foi suficiente para acalmar os ânimos da população que corre o risco de perder suas casas – mesmo porque em algumas das visitas ainda errou na mão. Ou no pé, pois se negou a colocá-lo na lama.

A pesquisa do Nossa São Paulo se repete pelo terceiro ano e, nesta edição, a principal novidade será a apresentação do grau de satisfação da população sobre os indicadores de bem-estar definidos em consulta pública, no ano passado. A crítica não ficará explícita apenas em relação ao prefeito, pois outras instituições serão avaliadas, como a Câmara de Vereadores. As informações foram coletadas entre os dias 2 e 16 de dezembro (portanto, antes da pesquisa Datafolha). O resultado oficial será divulgado dia 19 de janeiro, em comemoração ao aniversário da cidade.

IRBEM: Educação foi nota 10, mas não é tudo

bannerIRBEM

Destacado pela mídia, o resultado da primeira etapa do Irbem – Indicadores de Referência de Bem-Estar – mostrou que o tema educação está no topo da lista de prioridades do cidadão. Não surpreende a escolha, haja vista a forte influência que teve a opinião de estudantes da rede pública em especial no ensino municipal que responderam o questionário apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo. Das cerca de 36 mil pessoas que deram sua opinião, pouco mais de 22 mil são crianças e adolescentes.

Houve uma espécie de “lobby do bem”, expressão que usei em conversa pelo Twitter com o secretário municipal da Educação Alexandre Schneider que comemorou o resultado com toda razão. Dentro deste tema, são prioridade para as crianças “transporte escolar gratuito”, “escola limpa e conservada”, e “educação para os direitos das crianças e adolescentes”.

Apesar de os temas apresentados no levantamento inicial serem um bom sinalizador, este ainda não é um retrato das prioridades da cidade de São Paulo. O questionário foi aberto ao público, sem nenhum critério científico. Apenas se quis dar oportunidade para que a população participasse da construção desses indicadores de maneira democrática em vez de, simplesmente, apresentar à sociedade uma pesquisa dirigida.

Assim, poderemos saber o que realmente é importante para a capital paulista apenas após a apresentação do resultado final com base em pesquisa científica, com amostra proporcional aos vários segmentos da população de São Paulo, organizada pelo Ibope, que deve ser entregue em 19 de janeiro de 2010.

Leia mais sobre o tema e veja o resultado da consulta pública no site do Nossa São Paulo.

Rádio Na Era do Blog: A credibilidade do rádio

 

O rádio é a mídia na qual o cidadão tem maior confiança de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, contratado pela agência de comunicação Máquina da Notícia. Em uma escala de 1 a 10, a nota média para o veículo foi 8,21, superando por muito pouco a internet que recebeu 8,20. O índice de confiança de todos os veículos de comunicação foi alto, mas o resultado surpreende por dois fatores: primeiro, os jornais sempre estiveram no topo da lista; segundo, a internet avançou sobre meios mais tradicionais, como a própria televisão.

O rádio também aparece bem na lista das mídias mais acessadas pelo público. A televisão é assistida por quase todos os entrevistados alcançando índice de 99,3%; o rádio vem atrás com 83,5%; o jornal impresso com 69,4%, está em terceiro lugar; a internet tem 52,8%; revista impressa 51,1%; redes sociais 42,7%; versão online de jornais 37,4%; e versão online das revistas impressas 22,8%.

Quando a pesquisa fala em internet, relaciona sites de notícias e blogs de jornalistas; ao tratar de redes sociais, inclui os conhecidos Twitter, Facebook e Orkut.

Da festa ao comedimento: o resultado de pesquisas de opinião dependem muito da metodologia usada e podem apresentar diferenças enormes entre uma e outra dependendo a forma como as perguntas são elaboradas, por exemplo. No entanto, com o alcance deste trabalho da Vox Populi é importante verificar como as redes sociais são fortes para influenciar a opinião pública.

Para chegar a este resultado foram ouvidas 2.500 pessoas, entre 25 de agosto e 9 de setembro, todas com mais de 16 anos, no distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.

Neste sábado, às 15h40, estarei na Mobile Fest, a convite da CBN, para a palestra o “Rádio na Era do Celular”. Ouça as reportagens do festival que se realiza no MIS, em São Paulo.

Rádio na Era do Blog: Conversa ao pé do computador

 

O radinho de pilha ainda está sobre o balcão, mas no escritório foi abduzido pelo computador. O ouvinte-internauta navega nas novas mídias, mas ainda ouve no rádio o mesmo que ‘antigamente’ e nas mesmas emissoras que no passado (entenda por antigo e passado qualquer coisa que tenha acontecido mais de um ano atrás). São algumas das informações que podemos encontrar na pesquisa realizada pelo Grupo de Profissionais do Rádio, com a participação de 2.580 pessoas convidadas a entrar na internet e a responder ao questionário, em setembro.

Dos que responderam, 79% disseram que ouvem rádio em casa, 64% no carro e 46% no trabalho. Antes que você me cobre, a somatória ultrapassa os 100% porque as pessoas ouvem rádio de diferentes maneiras, dependendo a necessidade e a possibilidade. E a pesquisa permitia em algumas questões múltiplas respostas.

Para constatar a mudança de hábito na mesa de trabalho, onde provavelmente está o seu computador, tomei como base a questão “você costuma ouvir rádio através de …”. Apesar do aparelho de rádio ter sido citado por 74%, ouvir rádio na internet pelo computador alcançou a marca de 63%, superando, inclusive, o rádio do carro, 61%. Destaco ainda aqueles acostumados a sintonizar o rádio no celular (37%) ou no Ipod (21%).

É curioso ver que apesar da enorme quantidade de ouvintes-internautas, a maioria ainda busca as emissoras que estava acostumada no off-line. Somando as respostas, 88% ouvem na internet, emissoras que estão no AM e/ou FM. E o que ouvem ou buscam nos canais de rádio na internet ? O mesmo que ouviam no aparelho de rádio: a programação que está no ar, disseram 83% dos entrevistados, com destaque para o binômio música (66%) e notícia (60%)

Isto não quer dizer que o novo ouvinte não dá valor para os demais serviços oferecidos pelas emissoras que estão rede. Cresce o interesse a medida que ele passa a navegar no site da rádio. Mais da metade (51%), por exemplo, vai atrás dos blogs dos comentaristas/locutores (de minha parte, obrigado); e parte do público (28%) ouve podcast.

Por enquanto, a maioria dos ouvintes-internautas apenas trocou a forma de propagação do som, das ondas criadas pelo alemão Heinrich Rudolf Hertz pelas do britânico Tim Berners Lee. Não se engane, porém: estamos trabalhando com uma audiência de ‘migrantes digitais’ que aprende como boa parte de nós a navegar neste novo mundo, mas a audiência que dará vida ao rádio está nos ‘nativos digitais’ que nasceram na década de 80 e aprendem que tem o poder de controlar o consumo de mídia, ouvindo o que querem, na hora que podem ou quando precisam.

Enfiando os pés pelas mãos

 

Por Julio C. G. Tannus

Há algum tempo atrás, para ser um pouco mais preciso há cerca de 10 anos, tramitou no Congresso Nacional Brasileiro um projeto de lei que atribuía aos Evangélicos a exclusividade da atividade de Psicanálise. Já pensou que desespero! Não que sejamos contra os Evangélicos, mas temos tudo contra os Evangélicos terem a exclusividade da Psicanálise. Afinal de contas, 100 anos de ciência de repente nas mãos do sobrenatural!

E de repente me deparo com a notícia: “Senado inclui restrições a pesquisas na lei eleitoral”. Isso é muito próximo de atribuir exclusividade da Psicanálise aos Evangélicos, ou seja, o Senado Federal Brasileiro legislando sobre algo que não tem a menor idéia e a mínima formação. Senão vejamos:
Segundo a emenda, dados socioeconômicos, como sexo e grau de instrução, terão de seguir padrão do IBGE. Ora, isso é tão absurdo como dizer que, tomando como base os dados do IBGE, há mais mulheres do que homens, e mais jovens do que idosos, no prédio onde moro. Pois, não só o correto, mas o mandatório é que uma amostra para ser representativa de um universo tenha que ser extraída desse mesmo universo. No caso de pesquisas de intenção de voto, o universo a ser considerado é o universo de eleitores e, portanto a amostra deve ser extraída desse universo e não do total da população. Assim, a fonte correta de obtenção de amostra é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além disto, toda amostra deve ser obtida a partir de informações as mais atualizadas. Os dados do IBGE sobre a população brasileira, os denominados dados censitários, são obtidos a cada 10 anos e o último censo foi realizado em 2000. O que existe de mais atualizado são projeções, portanto sujeitas a desvios. Assim, quem possui os dados mais atualizados desse universo é o TSE e não o IBGE.

E por fim, toda amostra deve ser obtida a partir de critérios metodológicos, e corresponde a uma área técnica da pesquisa cuja responsabilidade está a cargo de um profissional de estatística. E aqui eu pergunto: Como e porque uma instituição política como o Senado Federal se propõe a estabelecer critérios técnicos de estatística?

Ou seja, o que estamos aqui contestando é o Senado se imiscuir nos critérios metodológicos de uma pesquisa de intenção de voto. Só falta o Senado estabelecer critérios para os procedimentos cirúrgicos da área médica. Deus nos livre…

Julio Tannus é engenheiro, professor e pesquisador de mercado há mais de 30 anos