Stanford mandou avisar que ainda não sou velho; alguém pode contar para o plano de saúde?

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Acordei nesta manhã um pouco mais jovem. E não foi a sequência de exercícios, com musculação e bicicleta, a que tenho me dedicado nos últimos anos, que me concedeu esse prêmio. Nem a alimentação, que ainda precisa de um controle maior — desde que a Dra. Márcia não se atreva a mexer na minha taça de vinho. A juventude fora de hora me foi oferecida em formato de notícia.

Quando o dia está amanhecendo e estou à mesa de café da manhã, a Letícia Valente, produtora do Jornal da CBN, me envia pelo WhatsApp sugestões de assuntos para o bate-papo que faço na passagem do programa Primeiras Notícias para o Jornal da CBN. Uma das mensagens que chegaram hoje, publicada em O Globo, se destacava pela manchete: “Quando começa a velhice? Estudo indica marco biológico aos 78 anos”.

Sério? Faz uns dois anos que dizem que sou velho porque passei a marca dos 60. Agora vem essa novidade: velho mesmo só aos 78.

A reportagem fala de um estudo da Universidade de Stanford sobre o desenvolvimento biológico do envelhecimento. A conclusão dos pesquisadores veio da observação de mudanças bruscas nas proteínas plasmáticas, moléculas que circulam no sangue e indicam o estado geral de saúde do organismo. Essas proteínas são como ajudantes de bastidor: mantêm o equilíbrio de líquidos, carregam nutrientes, defendem o corpo de infecções. Quando mudam de comportamento — aos 34, 60 e 78 anos — sinalizam que o corpo virou a página e entrou em outra fase.

Se, do ponto de vista biológico, eu ainda não sou velho, do ponto de vista burocrático o sistema já me carimbou faz tempo. Ser 60+ nos oferece algumas vantagens: prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda, gratuidade no transporte coletivo, meia-entrada em espetáculos, vaga privilegiada no estacionamento e fila preferencial nos serviços de atendimento (e no embarque do avião, também). Quem não gosta? Por outro lado, com o aumento dessa população — já somos milhões de pessoas acima dos 60 — tudo isso gera mais custos para quem concede essas vantagens.

Já assistimos a movimentos para que os direitos concedidos a idosos sejam limitados a pessoas um pouco mais velhas, tipo 65+. O estudo talvez possa ser usado para radicalizar ainda mais e convencer legisladores a adiar os benefícios apenas para aqueles que tiverem atingido os 78 anos.

A depender de mim, sem problema. Posso abrir mão de furar fila no embarque e no caixa — desde que os planos de saúde também abram mão de tratar quem tem 60 como se estivesse à beira do fim. Se biologicamente a velhice começa aos 78, a tabela de preços bem que podia acompanhar.

Nos EUA, seu cão rende mais ao médico do que o ser humano

 

 

O doutor Evan Levine é cardiologista em Nova Iorque e vive no estado americano de Connecticut, onde tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Algumas vezes, tenho oportunidade de receber, por e-mail, a coluna que escreve com o sugestivo nome de ”O que seu médico não vai(ou não pode) dizer”. Nesta semana, em seu texto, tenta mostrar como a medicina está mais viável para os médicos que atendem animais do que os que tentam curar o ser humano, ao menos nos Estados Unidos (no Brasil seria diferente?). A crítica tem um alvo: a remuneração proporcionada pelo sistema de saúde americano – algo que me lembra muito a situação enfrentada por profissionais brasileiros de medicina muito mal pagos pelas operadoras de plano de saúde e pelo próprio SUS.

 

Leveni começa o artigo lembrando episódio do seriado Seinfeld, no qual Kramer, o amigo alucinado, leva ao veterinário o cão de um conhecido, alegando que animal de estimação está doente. Ao chegar no consultório, descreve ao médico os sintomas dele e não do cachorro, calculando que seria indiretamente medicado e a um custo bem menor (o vídeo está acima). Do ponto de vista do humor, a estratégia estava correta, mas distante da realidade americana, segundo constata o dr. Levine:

 

“Nesta semana, um colega (cardiologista) contou-me a história de seu cão e os custos para tratá-lo. Infelizmente, seu melhor amigo morreu em consequência de insuficiência cardíaca congestiva, depois de ser submetido a um ecocardiograma que lhe custou US$800, pagamento feito no ato. O tratamento incluiu, ainda, uma ecografia abdominal, que me pareceu desnecessária, e foi realizada pelo veterinário que não é especialista em doenças do coração. A máquina utilizada para realizar o teste foi provavelmente um modelo mais antigo, usado antigamente em seres humanos, que custa uma fração dos equipamentos de eco existentes hoje nos consultórios de medicina. Se ele ou qualquer outro cardiologista tivesse realizado o mesmo tipo de ecocardiograma em um paciente, com uma máquina nova e muita mais cara, teria direito a receber US$250 através da seguradora dentro de um mês. A “eco” para cachorros custou-lhe mais do que o dobro do que ele receberia para a realização de um ecocardiograma em seres humanos! E ele teve que pagar em dinheiro, antecipadamente! Muitos cardiologistas, hoje em dia, têm que pedir autorização da seguradora do paciente e oferecer razões detalhadas para ter direito ao valor cobrado, preferindo arriscar e fazer o exame antes mesmo da instituição assumir este custo.”

 

Dr.Levine diz que gostaria de ser ressarcido pelas seguradoras da mesma forma que os veterinários estão sendo pagos pelos donos de cães. E faz um ótimo trocadilho com mais sentido em inglês do que em português: “I do hope that medicine is going to the dogs”. Brinca, assim, com a expressão “going to the dogs” que ao pé da letra seria “indo para os cachorros”, mas que, em português, significa “ir de mal a pior”.

Clientes da Avimed sem orientação da ANS

A Agência Nacional de Saúde está em dívida com os clientes do plano de saúde Avimed que além de não contarem mais com a assistência da operadora que faliu não conseguem se beneficiar do sistema de portabilidade, no qual poderiam se transferir para outros planos sem necessidade de cumprir o prazo de carência. De acordo com o Idec, serviço de orientação ao consumidor, a agência não dá acesso em seu site as informações necessárias para que os clientes da Avimed mudem de planos, apesar de terem este direito.

Muitos desses clientes também estão em dúvida sobre como proceder em relação aos boletos bancários que passaram a receber da  Itálica Saúde que, inicialmente, compraria a carteira de usuários da Avimed. A ANS vetou a operação. Sendo assim, o IDEC recomenda que o boleto seja desconsiderado e o pagamento continue a ser feito para a Avimed mas em consignação extrajudicial. Quem já pagou para a Itálica pode pedir restituição em dobro do valor, conforme prevê o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor.

Ouça a entrevista com a advogada Daniela Trettel, do IDEC

Para mais orientações vá ao site do IDEC