Menos rádio em casa, mais ouvintes nas cidades

 

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A PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, divulgada semana passada, trouxe a informação (que não precisou ser revisada) da queda no número de moradias com rádio, que passou de 80,9% em 2012 para 75,8% para 2013 – queda decorrente das mudanças tecnológicas, segundo o IBGE. O índice 5,1 ponto percentual menor não significa que estamos ouvindo menos rádio, apenas que estamos ouvindo a programação de rádio em outros equipamentos e formatos, como escrevi recentemente ao ser convidado a falar sobre mudanças percebidas no decorrer dos últimos dez anos:

 

Nas redações, as notícias chegavam em grande velocidade já impactadas pela tecnologia digital. A internet fazia parte do nosso cotidiano apesar de a maioria dos veículos ainda estar tateando as possibilidades que estas ofereciam. Os portais de notícias, mesmo insustentáveis financeiramente, já eram realidade com suas redações tomadas de jornalistas, desenvolvedores de conteúdo, designers, técnicos em mídias digitais e outras especialidades. Sabia-se pouco mas se arriscava muito. Foi em 2004 que fui trabalhar no Portal Terra apresentar o Jornal do Terra, onde o investimento em jornalismo de internet era grande e a experiência de jornalistas das mídias tradicionais se misturava a de profissionais nascidos na era digital.

 

Rádio, televisão, jornal e revista experimentavam soluções na internet em um momento no qual as redes sociais ainda eram desconhecidas. O já falecido Orkut, a primeira rede a proporcionar o relacionamento de milhões de internautas e a dar oportunidade para a construção de comunidades digitais, estava se iniciando, foi inaugurado em janeiro de 2004. Naquele momento, as revistas semanais já percebiam a necessidade de estar presente nos computadores dos brasileiros pois não havia mais espaço para guardar notícias para o fim de semana. As emissoras de televisão migravam seus conteúdos para a internet, mas transmissões ao vivo neste meio não eram comuns como atualmente.

 

Ouvir rádio na internet já era comum, no celular ainda não. Conectava-se algumas emissoras no computador de mesa ou no notebook, porém a mobilidade ainda não estava presente no dia a dia do brasileiro. A conexão do rádio no celular acontecia apenas em aparelhos que captassem sinal de FM. A transformação do celular em rádio porém estava se iniciando e me permitia enxergar que ali estaria nosso futuro. No livro Jornalismo de Rádio, lançado em 2004, pela editora Contexto, já previa a disseminação desse aparelho que atualmente bate a casa dos 50 milhões, no Brasil. 50 milhões de smarthphones. 50 milhões de rádios. Também percebíamos que não bastava mais ter apenas programação no ar, tínhamos de oferecer produtos em podcast, colocar câmeras dentro do estúdio e produzir programas em vídeo. Foi, naquele ano, que ouvi do jornalista Alberto Dines me dizer, na redação do Portal Terra, que “o rádio é mídia do futuro”. O rádio estava começando a viver o seu futuro. E eu me transformei com ele.

 

Em tempo: dados coletados pela Jacob Media, nos Estados Unidos, mostram que a quantidade de ouvintes de rádios AM e FM, que escutam uma hora ou mais de rádio por dia, caiu 2%, enquanto os ouvintes que acessam os mesmos programas pela internet semanalmente aumentou 16%.

Marx e a fotografia do IBGE

 

Idosos no centro de Campinas, da galeria de Sra Mozart no Flickr

Idosos no centro de Campinas, da galeria de Sra Mozart no Flickr

 

Por Carlos Magno Gibrail

O retrato do Brasil tirado pelo IBGE cortou um dos personagens da foto. Apareceu o Trabalho e faltou o Capital. Marx não deve ter gostado nada disso.

Na verdade nem Eduardo Pereira Nunes, pois o IBGE investigou 391.868 pessoas em 150.591 domicílios por todo o país a respeito de sete temas: dados gerais da população, migração, educação, trabalho, família, domicílios e rendimento. Quantidade para ninguém botar defeito.

Entretanto a interpretação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE 2009 tem tido as mais diversas e contraditórias conclusões.

Portanto, os números tais quais as palavras, podem ser mal entendidos ou até mesmo ignorados.

Lucianne Carneiro de O GLOBO: Queda forte no desemprego, com a menor taxa em 12 anos e avanço na qualidade das vagas , ainda que acompanhada de um recuo pequeno na desigualdade no trabalho. Uma taxa de analfabetismo sem grandes mudanças e que ainda atinge 10% da população, ou 14,2 milhões de pessoas. Mais acesso a bens e à infraestrutura, inclusive à internet em casa. E uma população que continua envelhecendo. O estudo realizado é o mais amplo levantamento feito sobre temas como população, educação, trabalho, habitação e acesso a infraestrutura e bens no Brasil”.

Zero Hora, mantendo o regionalismo característico: “Os computadores e a telefonia celular estão entrando com velocidade de banda larga nos lares gaúchos e brasileiros. Em apenas cinco anos, mais do que dobrou a proporção de domicílios com micros, e o acesso à internet e telefone móvel no Estado e no país. Somente entre 2007 a 2008, 130 mil novas residências gaúchas ficaram online. No total, o Estado tinha no ano passado 904 mil residências conectadas à rede mundial de computadores – 500 mil a mais do que em 2003. Isso significa que um em cada quatro lares riograndenses abrigava um computador com acesso à internet. No Brasil, 18 milhões de casas contavam com um PC, 13,7 milhões dos quais navegavam pela web”.

Paulo Henrique Amorim comemorou: “O emprego subiu 2,8% de 2007 para 2008.. Quem puxa é a construção civil, que cresceu14% em um ano e criou 900 mil novos postos de trabalho. O crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, em um ano, foi de 33%.. Aumentou o contingente de trabalhadores com 11 anos ou mais de de estudos. Aumentou o número de domicílios ligados à rede de esgotos. O crescimento do acesso à internet é espantoso foi de 20% EM UM ANO ! O rendimento real do trabalho subiu 1.7%.. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda, melhorou: passou de  0,57 em 2001 (governo FHC) para 0,52 em 2008. O rendimento real do trabalho subiu 1.7%. 97,5% das crianças entre 6 e 14 anos estão na escola.. A maioria dos brasileiros se considera ou negra ou parda. A elite branca de olhos azuis – e separatistas, no caso de São Paulo vai ficar nervosa .Ou seja, a política social do Governo Lula é um sucesso. O Jornal Nacional não conseguiu esconder isso. Limitou-se a encerrar uma segunda reportagem com um casal de desempregados (quando o aumento do emprego foi significativo). Ou seja, bye-bye Serra 2010″.

“Desigualdade cai; renda e emprego avançam”, Antonio Góis da Folha.

“Desníveis regionais marcam pesquisa”, João Sabóia da Folha.

“3,8 milhões deixam pobreza com alta do emprego”, Folha sucursal do Rio.

Mas, Clovis Rossi na mesma Folha, adverte “A mídia compra acriticamente a lenda da queda da desigualdade, o que é uma versão incompleta da realidade”. E insere João Sicsú, economista do IPEA: “O GINI mede a diferença entre as rendas que remuneram o trabalho, portanto, não leva em conta as rendas do capital, juros e lucro”. Passa a palavra ao presidente do IPEA , Marcos Pochmann: “A parte da renda do conjunto dos verdadeiramente ricos afasta-se cada vez mais da condição do trabalho, para aliar-se a outras modalidades de renda, como aquelas provenientes da posse da propriedade (terra,ações,títulos financeiros, entre outros)”.

Marx deve ter gostado disso, mas a foto ficou mesmo sem a parte do Capital. Ano que vem talvez não esqueçam o ilustre esquecido.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Milton Jung