Conte Sua História de São Paulo: amedrontado pela falsa ideia de ser engolido na Pauliceia

 

Por Alceu Costa
Ouvinte da CBN

 

 

 

Quando cheguei em São Paulo,
Eu era um jovem calado,
Discreto, comportado,
Risonho, mas assustado,
Caipira um tanto acanhado,
Amedrontado pela falsa ideia
De ser engolido na Pauliceia,
Uma imensa cidade desvairada,
Sob a lei do tudo ou nada
Da ditadura militar instalada.
Com humildade e orgulho,
Fui morar na Av. Mercúrio,
Aos poucos, comecei a trabalhar,
Na Light, até me aposentar,
Casado, residindo no Cambuci,
Meu lugar com certeza é aqui,
Próximo do Parque da Aclimação,
Porém, faço esta observação:
Aquele jovem encabulado,
Há muito tempo passado,
Aquém desta nova era,
Frequentou o Parque Ibirapuera,
Embora pouco assíduo,
Mais à noite do que de manhã,
Jamais deixou esquecido
O concorrido Tobogã.
Por isto, ó Parque Ibirapuera,
Agora, como eu, sexagenário,
Com muito Amor de atento cidadão,
Deixo-te estes versos de saudação,
Meu precioso talismã,
Do ontem, do hoje e do amanhã. 

 



Alceu Sebastião Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: os seus braços de concreto são macios como a flor

 

Por Cláudio Pereira da Silva
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci na Vila Ema e hoje moro em Brumado na Bahia. Lembro de quando construíam a estação da Sé, do Metrô. Eu trabalhava de office-boy e me admirava ao ver as máquinas trabalhando e a grande cratera aberta que hoje é uma das estações mais movimentadas do mundo, integrando várias linhas e estações, culminando com a última parada que é a estação do meu coração. Da vida em São Paulo, me inspirei para contar essa história:

 

“SÃO PAULO”

São Paulo que amo tanto
De todo o meu coração
Cidade onde nasci
Minha fábrica de ilusão

São Paulo cidade histórica
Berço da liberdade
Onde muitos chegam e ficam
Outros vão levando saudades

Os seus braços de concreto
São macios como a flor
Que mesmo tendo espinhos
Exala o perfume do amor

Seus prédios que de tão alto
Querem arranhar o céu
Tu és uma noiva tão linda
Escondida sob o véu

O véu do ar poluído
E dos jardins de concreto
A grande selva de pedra
Que é o preço do progresso

Tuas avenidas e praças
Cheias de carros e gente
Tuas mansões e favelas
De vidas tão diferentes

Quem ouve falar de ti
Quer logo te conhecer
E na hora da partida
Já mais vai te esquecer

Cidade onde nasci
Minha fábrica de ilusão
São Paulo que amo tanto
De todo o meu coração

 

Cláudio Pereira da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Participe da série de aniversário da nossa cidade: escreva agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: resta agradecer por tantos que acolheu

 

Por Marcia Lourenço
Ouvinte da CBN

 

 

Minha Cidade

 

Parabéns minha cidade,
Cidade em que nasci,
Que abriga tanta gente,
Perto..longe..logo ali. 

 

Da garoa és chamada
Uns, selva de pedra até, 
Mas cabe dizer também, 
Que és trabalho, amor e fé.

 

Terra que gera riquezas
Do trabalho aliada.
És constante em prosseguir 
Numa infinita jornada.

 

O progresso tem seu preço,
Muita coisa se perdeu, 
Resta agradecer ó terra,
Por tantos que acolheu. 

 

Do norte, nordeste ao sul,
Do grande chão brasileiro,
Abriu as portas enfim ,  
A povos do mundo inteiro.

 

Deixo aqui o meu carinho,
Em forma de oração:
Deus abençoe São Paulo 
Do fundo do coração.❤

 

Marcia Ap. Lourenço da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série especial de aniversário da cidade: escreva seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: apenas por um instante

 

Por Marcelo Kassab
Ouvinte da rádio CBN

 

 

 

Apenas por um instante

Permita-me não ser como antes,

A garoa que beija minha fronte 

Trai meus sentidos, muda horizontes.

 

Os caminhos que me trazem desvios

Na cidade grande dos delírios,

Pensamentos perdidos, poluídos

Nas lentas marginais onde morrem os rios.

 



Ser só em meio ao tumulto

Alheio de mim, sob o céu carrancudo,

Em arenas disfarçadas de avenidas

Cavalos motorizados, insana corrida.

 

Luta inglória contra o tempo,

Em pressa que não alcança os ponteiros.

Passos largos, escravizados, sem freios,

Atropelam virtudes, esmagam preceitos.

 



Não sei onde começas nem onde terminas

Já não me acho nem por mim mesmo.

Nas ruas paulistanas andando a esmo

Ponderando erros e minguados acertos.

 

Talvez consinta em perder a razão,

Esquecer o caminho de volta,

Ofuscado por faróis e neons

O acaso faz a minha escolta.

 

Hoje o sol não se pôs

Hoje o sol nem nasceu

As estrelas nos negaram seu brilho

A Lua se escondeu.

 

Já não sei mais se quero estar ali

Meus sentidos em constante confronto

Fugir da cidade grande é um desejo

Ir ao seu encontro, um sonho.

 

Marcelo Kassab é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves e a narração de Mílton Jung. Conte mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: “Você ama filhos e estrangeiros”

 

Por Joana Matos Nogueira
Ouvinte da rádio CBN

 

 

São Paulo, você é admirável
Você ama filhos e estrangeiros
Você é movimento, é dinamismo
Você é vinte e cinco de Janeiro

 

Você está presente na hora de ajudar
Praticando sempre a compaixão
Não se omite perante os excluídos
Mas sempre tem lhes estendido a mão

 

Sei que não nasci das suas entranhas
Mas você me abraçou, me recebeu
Portanto, seus filhos precisam amá-la muito
Para amá-la tanto quanto eu!

 

Joana Matos Nogueira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: poesia para passear pelo centro da cidade

 

Por João Coradi Neto
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, a poesia de João Coradi Neto, publicada no livro “Poesias Contemporâneas III”:

 

 

Faço sempre um giro por lá
Amo andar na XV de Novembro
De janeiro a dezembro
Percurso que faço a pé
Começo na Praça da Sé
Vou longe, vou acolá

 

Me emociono sempre
Passo pelo Pátio do Colégio
Pra mim é um privilégio
Não sou o ultimo, nem o primeiro
Desço a Ladeira General Carneiro
Feliz, alegre contente

 

Muita gente vejo no caminho
Chego ao Parque Dom Pedro
É lindo de dar medo
Continuo, aperto o passo
Caminho pela Vinte e cinco de Março
Trajeto que faço com carinho

 

A esta altura já estou com fome
Paro por hora no Mercadão
Onde como um sanduíchão
De calabresa ou mortadela
Sozinho ou com ela
Também pastel de bacalhau ali se come

 

Volto satisfeito e tranquilo
Subo a Ladeira Porto Geral
Me canso um pouco é natural
Logo ali na esquina se avista
A linda Rua Boa Vista
Com prédios gigantescos com estilo

 

Dou uma parada para descansar
Entro na igreja do Largo São Bento
Oro, medito e curto o momento
Em baixo o metrô vai pra Gardênia
Já estou no viaduto Santa Ifigênia
Não paro, vou continuar

 

Sigo em frente já descansado
Passo pela Avenida Ipiranga
Tomo um suco gelado de manga
Foi proveitoso, não foi em vão
Estou cruzando a Avenida São João
Tudo simples nada complicado

 

Continua na rua o agito
Acabo de chegar à Praça da República
Pode nela entrar, é pública
Sem apresentar documento ou crachá
Ando em cima do Viaduto do Chá
Tudo calmo, sem barulho ou grito

 

Antes tinha parado no espaço Municipal
O teatro, não pude entrar estava fechado
Que pena fiquei muito chateado
Olhei à minha direita, apontei o dedo
Para a bela Rua Xavier de Toledo
Imaginando o teatro com peças e seu ritual

 

Depois de toda essa volta
Dou de cara com a Praça do Patriarca
Acolhedora como uma matriarca
A faculdade como um obelisco
Enfeita e engrandece o Largo São Francisco
Para os advogados é a primeira porta

 

Olhando pra baixo, ali perto se via
A Brigadeiro Luiz Antonio no começo
Andei firme não dei nenhum tropeço
Para dar um alô a outra obra gigante
O viaduto Maria Paula exuberante
Ao meu encontro queria vir, parecia

 

Por fim e com tristeza evidente
Visito a Praça João Mendes
Faz bem pros corações e pras mentes
Com muita esperança e muita fé
Termino na Praça da Sé
E peço que possa fazer isto pra sempre

 

João Coradi Neto é o personagem do Conte Sua Historia de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: aqui não se consegue fugir da Marginal

 

Por Sérgio Lopes
Do Recife-PE

 

AQUI SÃO PAULO
(18/03/07)

 

Aqui ninguém é estranho
Todo mundo se convence de que tem algo a dizer
E diz
Com sua moda
Com seus modos
Ou seus medos
Com seus cabides
Suas cabalas
Seus cabelos

 

Aqui todo mundo é igual
Ao seu igual
Em sua turma
Sua tribo
Seu quintal

 

Aqui o olhar nunca é fixo
Nem sagrado é o crucifixo
Aqui não se consegue fugir da Marginal
Nem se subestima o marginal

 

Aqui se fala bastante
Se fala bastante “nossa”
Se fala bastante nossa língua portuguesa
E outras tantas mais

 

Aqui a chuva encanta
E engarrafa
Inspira
E marca
Vem de cima
E de baixo
E, às vezes,
Invade por todos os lados

 

Aqui se sorri
Se escreve
Se come pizza
Se vai ao teatro
Deixando a sensação
De que não se está fora do mundo
Permitindo entender
Porque Rita Lee é uma completa tradução
E porque Arnaldo Antunes tem tanta inspiração

Conte Sua História de SP: Terra da garoa, terra de gente boa

 

Por José Maria Pires

 

 

Terra da garoa

Terra de Gente Boa

 

Terra que não descansa

Terra de esperança

 

Terra de gente de Fé

Terra também do café

 

Terra da Independência

Terra com Jurisprudência

 

Terra de nações e suas crenças

Terra em paz com suas diferenças

 

Terra das artes e das Ilusões

Terra de oportunidades mediante as ações

 

Terra que riqueza produz

Terra que a pureza conduz

 

Terra de muitos amores

Terra que espanta temores

 

Terra de vitórias mil

Um pedaço desse continente chamado Brasil.

 

 

Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Claudio Antonio e narração de Mílton Jung. Você participa enviando textos para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: o poeta que casou com a cidade

 

Por Alceu S. Costa

 

 

Meu Tributo à Cidade de São Paulo.

 

De olhos fechados eu não sonhara.
Talvez, cerrados de fato não os tivera.
Então, se acordado, tudo aquilo era verdade,
Uma piscada, um flerte…o futuro conluio,
Que virou namoro, noivado…
Foi assim que me casei com esta Cidade.

 

25 de outubro de 1965.Tarde primaveril.
De costas para o passado, nova realidade.
A busca pelo sustento sem conhecer o relento,
A mão do amigo, a simplicidade do abrigo,
A distância do perigo…
Serena viagem nas asas do tempo.

 

De olhos abertos, construí o meu sonho.
Apesar da idade, a Cidade não perde o viço,
A nossa relação amadureceu, meu desvairado vício.
Não nego, estou tentado pelos acenos da outra,
Jovem, atraente, sedutora …ah!
-Trair, jamais!, descarta peremptória minh’alma sonhadora.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem a sonorização do Cláudio Antonio, narração de Mílton Jung e  vai ao ar aos sábados, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Quintanares: Verão

 

 

 

Poema de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung
Publicado em Antologia Poética

 

No capinzal, o meu cabelo cresce;
Pende, polpa madura, o lábio teu no fruto;
Todo o calor te diz: “Amadurece
Mais, ainda mais e tomba!”
Eu não espero
Vento nenhum que te derrube, eu quero
que tombes, doce e morna, por ti mesma, onde
mais sejas desejada e apetecida… vem!
Faremos
De verdura acre
E doce polpa
Manjar que reses lamberão
E virão farejar os animais noturnos

 

Antes de que nos sorva, lentamente, o chão…

 

Quintanares foi ao ar, originalmente, na rádio Guaíba de Porto Alegre