Entrevista: Torquato Jardim diz que “não tem por finalidade demitir ou nomear quem quer que seja”, na Polícia Federal

 

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De poucas palavras, mas aceitando falar. Falou ontem em entrevista coletiva, falou à noite, no Jornal Nacional, e já havia falado para alguns jornais antes mesmo de assumir o ministério da Justiça. Hoje, Torquato Jardim falou ao Jornal da CBN. Manteve a mesma estratégia: dizer poucas palavras e questionar perguntas. Às vezes, até elogiá-las se for necessário, mesmo que isso possa soar como ironia (não que o seja).

 

Mesmo tendo falado tanto, até agora Torquato Jardim não havia convencido jornalistas – ao menos os jornalistas – que assumiria o Ministério da Justiça sem mexer na Polícia Federal e na Operação Lava Jato. Para esta, ele até havia reservado a expressão “blindada”; para aquela, porém, sempre deixara uma porta aberta às mudanças.

 

Hoje, no Jornal, seja por insistência, foi mais claro quanto a possibilidade de mudanças na Polícia Federal. Disse que a avaliação que pretende fazer “não tem por finalidade demitir ou nomear quem quer que seja na diretoria da Polícia Federal”. Quer mais: quer aprender com o chefe da instituição, delegado Leandro Daiello, com quem viajará no mesmo avião para Porto Alegre. Quando voltar do Sul espera ter “quase que um mestrado” de Polícia Federal, falou o ministro.

 

Sobre Michel Temer, atua como os advogados de defesa – não que seja esta a função que exercerá. Nega veementemente esta possibilidade. Prefere esperar o desenrolar das investigações e da perícia no áudio entre o presidente e o empresário Joesley Batista. Aliás, perguntei se a escolha dele para substituir Osmar Serraglio, no Ministério da Justiça, estava relacionada aos problemas que Temer enfrenta desde a delação: “não seria nenhuma motivação dessa natureza. É um reajuste administrativo de resultado e é só isso”

 

A entrevista completa, você acompanha aqui:

 

Entrevista: entenda como funciona o uso de substâncias para conservar a carne e quando há risco à saúde

 

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A denúncia da Polícia Federal que abalou o mercado de carnes no Brasil e deixou o consumidor em estado de alerta trouxe à público o uso de algumas substâncias que a maioria dos mortais jamais imaginou que poderiam ser usadas no produto.

 

Dentre algumas das informações desencontradas durante a divulgação da Operação Carne Fraca, soube-se pelo despacho do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, que o frigorífico Peccin estaria utilizando ácido ascórbico (vitamina C) para maquiar a qualidade do produto. Na reprodução de um diálogo da empresa, gravado pela Polícia Federal e reproduzido no despacho, é citada outra substância: o ácido sórbico.

 

Seja ascórbico ou seja sórbico, qual a irregularidade constatada?

 

Para começo de conversa é preciso entender que as duas substâncias são usadas como conservantes em carnes processadas e embutidas, dentro de limites determinados pela legislação brasileira, conforme me explicou Elke Stedefeldt, doutora em Alimentos e Nutrição pela Unicamp e nutricionista-docente da Unifesp.

 

Em entrevista ao Jornal da CBN, a especialista alertou, porém, que ao se adicionar ácido sórdido em uma carne em putrefação o produtor voltar a ter a cor avermelhada e o cheiro é disfarçado. Portanto, o problema, nesse caso, não é o ácido utilizado mas a carne que, fraudada, está imprópria para o consumo.

 

Ou seja, se a carne estiver mais avermelhada que o normal, desconfie.

 

Para entender melhor a função dos ácidos ascórbico e sórbico na conservação da carne, seus efeitos na saúde humana e os cuidados que devemos ter, ouça a entrevista da doutora Elke Stedefeldt, ao Jornal da CBN.

 

 

A Polícia Federal e o lava jato de Walter White

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Walter White,um frustrado professor de química que dava aula dessa matéria em um Instituto,pai de um adolescente prejudicado por paralisia cerebral e marido de uma mulher grávida,foi diagnosticado com um câncer no pulmão. Perto disso,os seus problemas anteriores passaram a segundo plano. Sua preocupação maior era que,se morresse em consequência da doença,deixaria financeiramente mal sua família.

 

Resumi,no primeiro parágrafo do meu texto desta quinta-feira,o que vi em uma das melhores séries a que assisti na TV, Breaking Bad. Comparo-a apenas com 24 Horas,estrelada pelo ator Kiefer Sutherland,que fez o papel de Jack Bauer,protagonista do seriado, que me fez lembrar os heróis de histórias em quadrinhos,lidas por mim quando menino.

 

Quem teve o prazer de seguir as peripécias de Jack Bauer, que me desculpe por estar contando uma série a qual já assistiram. Os felizes telespectadores, que viram o ator Kiefer Sutherland em uma de suas melhores atuações,devem estar ansiosos para que ele volte ao écran como protagonista de 24 Horas. Ao mesmo tempo,talvez estejam se perguntando aonde pretendo chegar com tão longo intróito. Já para quem não conhece o seriado,vou me permitir fazer mais um pouco de propaganda dele. Como não creio que volte à TV,se estiverem interessados,comprem a série em um pacote de CDs.

 

Retorno ao início do texto e trago de volta Walter White,na série interpretado por Bryan Cranston. O desespero de Walter diante do medo de deixar sua família na miséria aos poucos transformou-o em um produtor de metanfetamina. Afinal,ele era um químico experiente e viu na violenta droga um jeito de deixar ricos sua mulher e os dois filhos,mesmo sabendo que o seu cunhado era um policial do setor que combatia narcotraficantes. Daí para a frente,Walter White sofreu transformação radical,misturando-se aos traficantes e mafiosos que contaminaram a sua personalidade,reta até aquele momento,a fim de se convertendo-se em um sujeito sem escrúpulos quando se tratava de obter o que queria.

 

Sua mulher,que pensava cuidar das finanças de Walter, pressentiu que ele ficara ganancioso e seu interesse ia além da preocupação de um homem que pretendia deixar a sua família,caso viesse a morrer de câncer,em confortável situação financeira; usou-a para esconder os ganhos exagerados e sem explicação,colocando-a para cuidar de um… lava jato. Quando estouraram os escândalos,envolvendo empresários,políticos e toda espécie de patifes,passou pela minha cabeça a ideia de que a nossa Polícia Federal – que Deus a conserve – tenha aproveitado o nome do posto da esposa de Walter White para a sua operação Lava Jato. Oxalá,possa a PF limpar toda a sujeira que se esparramou por este Brasil recheado de gananciosos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)