
Toda vez que ocupamos o espaço público dedicado à política, precisamos agir com respeito e responsabilidade. No instante em que priorizamos ataques em detrimento dos argumentos e trocamos a ideia de convencer pela de vencer, corremos o sério risco de adubar solos propícios à violência. Existem pessoas transtornadas, marcadas pelo desequilíbrio, que recebem essas mensagens e, a partir delas, consideram a possibilidade de ações insanas – algumas expressas em redes sociais, outras na vida real, em atos que ameaçam a integridade física e a segurança de todos nós e da sociedade como um todo.
O filósofo e educador brasileiro Paulo Freire, ao discutir a importância do diálogo na construção de uma sociedade mais justa e equitativa, afirmou que “o diálogo é um encontro amoroso dos homens, que, mediatizados pelo mundo, o transformam e, transformando-o, humanizam-no para a humanização de todos.” Nesse sentido, o respeito e a responsabilidade que devemos manter na esfera pública estão enraizados em uma comunicação que visa o entendimento, e não a divisão.
Ao usarmos o espaço público para atacar, humilhar ou propagar discursos de ódio, deixamos de lado o diálogo que constrói pontes e humaniza a convivência. Isso não significa abdicar de pontos de vista divergentes, mas sim promover uma cultura de argumentos que priorize a escuta, o respeito e a ética. Somente assim podemos construir uma sociedade mais segura e menos propensa à violência, onde o espaço público seja, verdadeiramente, um ambiente de troca e construção coletiva.
Por isso, ao comunicarmos nossas ideias e posicionamentos, especialmente na política, é fundamental lembrarmos que, como nos alertava Hannah Arendt, “o poder corresponde à capacidade humana de agir em concerto.” Se esse poder se corrompe pela violência ou pelo desejo de vencer a qualquer custo, perde-se a essência democrática da política, que é, por natureza, o espaço do diálogo e da ação conjunta.