Política ambiental não é pedágio urbano

Na manchete, no lead, no destaque dos jornais e mídia em geral, aparece sempre a discussão sobre a criação do pedágio urbano confundindo muitas vezes o debate sobre implantação de Política de Mudanças Climáticas. No ano passado, durante a campanha eleitoral, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) quase teve um enfarte quando soube que o texto enviado à Câmara Municipal mantinha a expressão. Seus assessores correram a dizer que foi um erro no material encaminhado e o trecho que tratava do pedágio deveria ter sido extraído da proposta final do Executivo.

Nesta quarta 08.04, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o Plano Municipal de Política Ambiental que tem como objetivo reduzir o impacto da emissão de poluentes no meio ambiente. Fala-se em queda de 30% na emissão até 2012 com uma série de medidas como o incentivo ao transporte público (rodando com combustível mais limpo), promoção de serviços de carona solidária e uso de bicicleta, além da restrição de circulação de veículos.

Para Rachel Bidermann, coordenadora-adjunta do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas e coordenadora da equipe técnica de política municipal de mudanças climáticas, o que está em discussão na cidade de São Paulo é muito mais importante e não pode se resumir ao pedágio urbano. Em jogo, a qualidade de vida do cidadão.

Ouça a entrevista com Rachel Bidermann e deixe sua opinião

Ordem e Progresso no Congresso

Por Carlos Magno Gibrail

Clodovil HernandezDo tiroteio entre o pai de Fernando Collor e Góes Monteiro, que a má pontaria de Arnon de Melo resultou na morte do suplente de Senador José Kairala diante de mulher e filhos que assistiam à sua estréia no Senado, ao pronunciamento de Cristovam Buarque, pedindo o fechamento do Congresso Nacional, nada a acrescentar a respeito de ética, civilidade e moral.

De quatro de dezembro de 1963 até ontem, apenas constatar, que udenista e pessedista foram absolvidos e que Buarque não pode estar falando sério.

Às vésperas de completar 183 anos não é o fechamento do Senado e da Câmara que irá resolver os problemas, pois representar o povo, legislar e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos é função essencial ao Estado democrático.

Exemplo vivo da primeira Lei de Parkinson sobre o aumento dos cargos e funções, a Câmara ainda apresenta um órgão como o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que é a disfunção da própria função.

Tudo indica, entretanto que a exposição que a mídia contemporânea passa a exibir tenderá a inibir os desmandos financeiros e administrativos.

Os dados são provocativos, para 513 deputados, 104 diretores, 3470 servidores concursados, 1350 comissionados, 11500 secretários parlamentares, 2300 terceirizados, totalizando quase 20000 funcionários, mais os aposentados, consomem R$2,6 bilhões dos R$3,5 bilhões da Câmara para 2009.

Temos então 32 funcionários para cada deputado, enquanto nos EUA são 15, no México 6 e na Índia 6.

Comparando o custo mensal com a renda per capita:
Brasil US$49800, 126 vezes a renda per capita – EUA US$30000, 8 vezes – Inglaterra US$26600, 8 vezes – Alemanha US$15200, 5 vezes – França US$9800, 3 vezes.

Entretanto se Buarque, educador experimentado se atentasse para a fala da classe teria percebido que a solução já foi sugerida.

“Cheguei aqui como um alienígena, um estranho, mas não vou deixar passar em branco meu mandato de jeito algum. Estou vivendo do dinheiro do povo, a serviço do povo, e para ele vou trabalhar loucamente. Aos 70 anos resolvi que agora é hora de limpar minha alma para mandá-la de volta a Deus polida, pelo menos com atitudes.” Clodovil Hernandes.

Brigou com o Presidente Chinaglia logo no primeiro pronunciamento, no dia seis de fevereiro de 2007. Clodovil reclamava da falta de educação, do barulho, das longas e improdutivas sessões, do andar arrastado da vida pública. Um estilista, só, não faz verão, mas talvez possa ter alinhavado para o futuro.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 280/08, apresentada em julho do ano passado, não saiu do lugar. Clodovil quis, explicitamente, uma Câmara dos Deputados mais enxuta, com apenas 250 representantes, com um mínimo de quatro e o máximo de 35 vagas por Estado. “A composição da Câmara dos Deputados resulta em um Parlamento com diversidade de idéias, bastante plural, o que é imensamente positivo. Mas o atual número de deputados me parece excessivo, mormente em um momento em que a sociedade se volta contra a classe política e exige a depuração de seus quadros”, disse em sua justificativa.

Nem da Universidade, nem da Política nem das Grandes Corporações, mas do mundo da Moda a observação mais aguda relativa ao Plenário da Câmara, onde 513 deputados se desrespeitam em todos os sentidos. Não ouvem, circulam, não sentam, dormem. Leem jornal, telefonam, conversam, algumas vezes dançam, tentam se esmurrar, etc.

Eu acredito que a maioria dos brasileiros não daria  nem assistiria aula numa classe em que ninguém prestasse atenção em quem fala. Não trabalharia numa empresa em que ocorresse o mesmo.

E você?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve aqui no blog sempre atento a tudo o que dizem e deixam de fazer lá no Congresso.

Se você ensinar hoje, ele fará a diferença amanhã

Por Abigail Costa

Chega uma certa idade, um certo alguém e,  como um relógio, bate o instinto materno.  Neles, o paterno. Começam as conversas, os planos de ter um filho e, por fim, o desejo é concretizado. Passado o momento de emoção, o lado racional cutuca.

Do jeito que o mundo está,  da maneira como andam as coisas, o que restará para eles?

A sua responsabilidade vai até um  certo ponto.  Num dado momento não será mais possível seguir de mãos dadas com as “nossas crianças”. Até para encontrar alívio próprio, você acaba se dando respostas otimistas.  Daquelas: “é,  mas a tecnologia avança a cada dia”,  “as descobertas da medicina andam aceleradas”.

Um dia você abre o jornal  e lá  está: “Fulano, aquele eleito com trocentos votos, tem um castelo”.  Que bom ! Uma maravilha que a Receita Federal desconhece. Prá quem lê o assunto, vira o estômago. Fico imaginando, para quem votou nele a sensação deve ser:  “FDP!”.  Com razão.

Passa mais uma semana e alguns dias e outra bordoada. “Ele” que tem um cargo de confiança, que trabalha há mais de dez anos em Brasília, diz que declarou a compra de um terreno numa área nobre da cidade. O valor da terra: 180 mil reais. Um detalhe foi esquecido. Um detalhe de cinco milhões de reais, preço estimado da “residência”.

E daí ? De que vale a tecnologia para desviar o trânsito, para construir aterros sanitários ? De que vale o homem receber um coração totalmente artificial, se o que corre nas veias é a ganância, a falta de vergonha ? Eles mentem ou, politicamente correto, omitem.

Calma ! Sou otimista por vocação. O que me faz acreditar que no futuro, naquelas cadeiras do Planalto Central, poderão estar sentados homens de bem é a criação que investimos em nossos filhos hoje. Não se trata de quem pode pagar uma escola particular ou não. Falo de valores que não são aprendidos, necessariamente, em instituições de ensino.

Outro dia, tive o privilégio de ouvir do meu pequeno: 

– “Papai, como a criança pode ganhar dinheiro sem depender da mesada?”

– “Porque a pergunta, filho?”

– “Quero tanto ajudar quem tem menos do que eu !”

Ele, junto com os seus filhos, seguramente vão tentar fazer desta uma vida melhor.

Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira, neste blog, mostra por que ainda acredita na capacidade do cidadão

Câmara e Assembléia usam mês para negociar, em SP

A divisão de poderes, a ocupação de espaços, vetos do ano passado e alguns projetos de lei tomaram o dia a dia da Assembléia Legislativa de São Paulo e da Câmara Municipal, na capital, nesse primeiro mês de trabalho, segundo reportagem da CBN. De acordo com os repórter Cristina Coghi e Luiz Motta, o ano legislativo começou com os parlamentares cuidando de seus próprios interesses.

Ouça a reportagem sobre o trabalho na Assembléia Legislativa e a Câmara Municipal de São Paulo.