Avalanche Tricolor: #GrêmioÉClassico

 

Grêmio 3×1 Aimoré
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

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Luan e Everton, craques do Grêmio. Foto de Lucas Lebel/GrêmioFBPA

 

“Estadual é clássico” diz a hashtag do Canal Premiere, que transmite as partidas do Campeonato Gaúcho, no sistema “pagou-para-ver”. Parece-me que a intenção é valorizar as competições estaduais, há algum tempo enfraquecidas pelo número excessivo de times inscritos, muitos sem qualquer qualificação, fórmulas mirabolantes para encaixar as datas no apertado calendário do futebol brasileiro, e estrutura acanhada de estádios e cidades que recebem os jogos.

 

A campanha publicitária do canal também faz questão de mostrar que os estaduais costumam ser decididos por lances e jogadores inusitados, que fazem a diferença. O Grêmio é representado pelo atacante Pedro Junior e o gol de cabeça que garantiu o título de 2006, em um time que tinha como principal estrela o meio campista Tcheco e era treinado por Mano Menezes.

 

No Grêmio atual de Roger, porém, os protagonistas são mesmo os craques do time. Jovens talentos que têm desempenhado futebol acima da média e oferecido ao torcedor lances de excelência. Na noite desta quinta-feira, assistimos mais uma vez à movimentação incrível dos garotos Everton, Luan, Pedro Rocha e, no segundo tempo, Lincoln – uma turma que não tem medo de jogar futebol refinado, assim como não foge à luta, quando necessário (às vezes até exagera, não é Luan?).

 

Seria injusto creditar apenas aos meninos a segunda vitória seguida na competição, pois se são capazes de tocar a bola com precisão e se deslocar com velocidade para recebê-la de volta, isto se deve ao trabalho de uma equipe muito bem treinada que consegue equilibrar a juventude e a experiência nos diversos setores do time: Maicon e Wallace como volantes e os laterais Oliveiras, mostram isso com clareza. Sem contar Douglas, o veterano do time, que encaixa passes como poucos no futebol brasileiro.

 

Mesmo saindo atrás no placar, o que sempre pode causar desajustes na equipe, o Grêmio tem conseguido “voltar para o jogo”, como dizem os entendidos em futebol, colocado a bola no chão e oferecido ao torcedor (ao menos para mim) a certeza de que, em pouco tempo, retomará o domínio da partida, passará à frente e consagrará mais uma vitória.

 

Mesmo considerando que é apenas o início da temporada e temos coisa bem mais importante a fazer neste ano, arrisco a dizer que o Grêmio já está jogando um futebol de muita classe. O Estadual, não sei, mas o Grêmio 2016, este sim, tem tudo para ser um clássico.

Avalanche Tricolor: derrotas acontecem, algumas sob controle; outras, nem tanto

 

Chapecoense 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó (SC)

 

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

 

As coisas nem sempre saem como programadas. Em meio às minhas férias, os dois últimos dias estiveram reservados a Roma. Chegamos na quarta-feira pela manhã, pouco menos de duas horas após deixar Ansedonia de carro, por uma estrada de qualidade aquém da esperada para a fama europeia, apesar de ser muito melhor do que a maioria das que costumamos andar no Brasil. Verdade que pela quantidade de obras em andamento, o que também nos atrasou no trajeto, logo o piso estará devidamente recomposto.

 

Na capital, que já conhecemos de cima à baixo, pois a Itália é nosso lugar preferido nas férias de meio de ano, fomos muito bem surpreendidos com os quartos de um hotel butique em plena Via del Corso, no centro comercial da cidade. Dali, sem precisar andar muito, encontramos restaurantes com comida farta e bebida, idem. Nos deparamos ainda com lojas das mais famosas marcas de roupas e bolsas. Certo, também, que algumas estavam fechadas e em reforma. Não sei explicar se isso é o sinal de um país empobrecido ou em recuperação. Torço pela segunda opção.

 

A passagem por Roma foi especial como sempre, a despeito do programa agendado para a madrugada italiana. Com a diferença de horário, aqui estamos cinco horas à frente do Brasil, o Grêmio entrou no gramado do estádio em Chapecó pouco depois da meia-noite no meu relógóio. Na tela do meu Iphone, fiz as conexões necessárias para assistir ao jogo pelo aplicativo do Premier, que havia funcionado razoavelmente bem na partida anterior, contra o Santos. Mas, como escrevi na abertura desta Avalanche, nem sempre as coisas saem como programadas.

 

O sinal de internet não estava lá essas coisas, o que fez com que as imagens transmitidas do Brasil travassem muito. No primeiro tempo até que foi possível ver a partida sem muitos transtornos. Foi preciso “ligar” e “religar” poucas vezes. No segundo, a coisa desandou e exigiu muita paciência deste torcedor-internauta. Quase uma metáfora do que foi o Grêmio em campo quando teve boas chances de vencer no primeiro tempo, e produziu pouco no segundo, além de ter vacilado na marcação. Estávamos naquela noite (madrugada por aqui) em que, por mais que nos esforçássemos, nada daria muito certo. Duas bolas na trave na sequência é um bom (ou mal) sinal disso.

 

Apesar de tudo, o placar final não foi suficiente para estragar meu ânimo. As férias seguem por mais alguns dias, antes de chegar em São Paulo, e o Grêmio terminou a rodada na mesma posição em que começou, graças a combinação de resultados. Teve um, inclusive, que pouco mexeria na nossa classificação, mas, certamente, deixou muito conterrâneo de cabelo em pé – e outros tantos felizes da vida.

 

Já havia escrito na Avalanche anterior que, em uma competição tão longa e disputada como o Brasileiro, as derrotadas aconteceriam aqui e acolá. Devem servir, inclusive, para ajustes no time. Só não podem se repetir nem permitir o distanciamento dos que disputam o título conosco.

 

Sábado que vem, ainda em férias e, espero, com melhor desempenho da internet e do meu time, teremos a oportunidade, em casa, de reafirmar nossa boa performance.