Avalanche Tricolor: o criador não curte a criatura mas, sabe como é, jogo é jogo

 

 

Grêmio 1×0 America MG
Primeira Liga – Arena Grêmio

 

 

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Arthur foi destaque na vitória de hoje, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

A Primeira Liga é competição curiosa. Fizemos parte da criação dela mas nunca curtimos muita a criatura. Desde sempre temos colocado time de segunda mão em campo, sinalizando a pouca importância que damos para o torneio. Com o desejo de se reconquistar um Campeonato Gaúcho e tendo a Libertadores como marca maior na temporada, não podemos mesmo desperdiçar esforços nessa disputa.

 

Apesar disso, quando se entra em campo, sejam quem forem os 11 escalados, todos vestem a camisa do Grêmio. E se a camisa do Grêmio está em campo, queremos vencer. Especialmente quando jogamos em casa, como no início desta noite de quarta-feira.

 

Além disso, o time de hoje tinha muita gente legal para conferir e os esboços de boas jogadas que desenhamos em parte da partida mostraram que, mais bem afinado, O Grêmio poderia ter tido boa performance e uma vitória mais tranquila, mesmo sem a presença de titulares em campo.

 

Até porque, convenhamos, nossos reservas contaram com Bruno Rodriguez, Arthur, Fernandinho, Gastón Fernandez, Everton e Lucas Barrios – todos em condições de se encaixar no time titular quando for preciso e se sair muito bem.

 

Da lista acima, chamou-me a atenção a segurança e qualidade técnica do jovem Arthur, atuando como volante. Nossa escola na posição parece não ter fim.

 

Gostei também de Barrios. Até gostei mais hoje dele do que na partida anterior quando marcou seu primeiro gol. Sempre que pega a bola busca alguém para dar a assistência. Às vezes até gostaria que ele fosse mais fominha do que solidário.

 

E teve o Everton que já não é nenhuma novidade pra gente. Poucos insistem tanto quanto ele. Talvez até por isso nos chame atenção pela quantidade de gols que desperdiça. Mas não desiste. E hoje foi premiado ao colocar a bola de chapa longe do alcance do goleiro e marcar um golaço – o único da nossa vitória.

 

O domínio do jogo somente foi ameaçado no minuto final quando abrimos mão de manter a bola no pé e recuamos de forma perigosa. A sinalização de pênalti para o adversário e o risco de empatarmos seria preço muito caro a pagar em partida que fomos bem superiores.

 

A briga nos acréscimos foi totalmente desnecessária. Por desatenção, imagino eu, não devolvemos a bola ao adversário como era de se esperar diante do fair play. Porém, serviu para nos mostrar que mesmo não dando muita bola para a Primeira Liga, como diria o filósofo do boteco: jogo é jogo. E ninguém quer perder.

Avalanche Tricolor: entusiasmo de Endres superou o da torcida, na Arena

 

Gremio 1×1 Ceará
Primeira Liga – Arena Grêmio

 

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O entusiasmo de Felipe Endres no comando do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GremioFBPA

 

Tinha gente com nome estranho: Rex e Ty, por exemplo. Tinha jogador com nome de outros jogadores: Rondinelly e Jeferson Negueba. Tinham alguns que já havíamos assistido: Wallace Oliveira e Lucas Coelho. A maioria, porém, eu jamais havia ouvido falar – e perdão por esta minha ignorância.

 

O time que o Grêmio levou a campo sequer era o reserva. Nem de alternativo foi chamado pelos jornalistas. Era mesmo o time de transição, pois, soube por eles, costuma representar o clube na copa que a Federação Gaúcha de Futebol inventou para manter as equipes do interior em atividade depois do Campeonato Gaúcho.

 

Com muitos jogadores que provavelmente serão emprestados o mais breve possível, era de se esperar pouco daquela equipe que tinha pela frente um adversário com pretensões na Primeira Liga, coisa que não temos desde que começamos a disputar esta competição. Por isso, as falhas que nos fizeram tomar o gol no primeiro tempo não me surpreenderam. Nem a apatia e dificuldade para trocar bola no campo de ataque.

 

Contagiante para mim foi a presença do técnico Felipe Endres e sua barba que impõe respeito, no banco de reservas. Apesar de interino e no comando de uma equipe sem muita expectativa, mostrou-se disposto a acertar o passo e ajustar o time da forma que podia: gritava, sinalizava e esbraveja a todo momento. Tenho quase certeza que foi esta sua agitação e entusiasmo que mexeram com o time no intervalo, pois na volta para o segundo tempo havia um outro ânimo a empurrar o Grêmio.

 

Jogamos melhor do que o adversário, apesar de seguirmos colocando em risco nosso goleiro Bruno – o Grassi, esse sim velho conhecido e de bons trabalhos prestados. Estivemos mais tempo com a bola no pé, mesmo que em alguns momentos isto fosse motivo de trapalhadas. E mais próximo da vitória. Mas ficamos mesmo foi no empate com uma bola lançada dentro da área e cabeceada ao gol por Lucas Rex, um zagueiro grandalhão que promete muito.

 

Ao fim e ao cabo, o resultado foi bom e mantém o time a uma vitória da próxima fase da Primeira Liga que, pelo que entendi, será apenas no segundo semestre do ano.

 

Os menos de 3 mil torcedores que foram a Arena davam a dimensão do interesse do Grêmio na partida de ontem à noite. Até porque, convenhamos, na Semana Gre-nal o que mais pode nos interessar além do próprio Gre-nal? 

 

Em tempo: agora à noite, leio no ClicRBS que Felipe Endres é filho do doutor Alarico Endres, que salvou muita gente do tricolor nos anos dedicados ao departamento médico do Grêmio. Tá explicado tanto empenho ao lado do campo: tem pedigree. Parabéns a família Endres!