Conte Sua História de SP: pecado na procissão de São Miguel

 

Por Suely Pires Eustachio Vale
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Nasci na Zona Leste de São Paulo, mais especificamente em São Miguel Paulista, na época, 1949, Baquirivú, ali, vizinho de Guaianazes. Vivi 60 anos nesse bairro, que mais parecia uma cidade de interior, onde se reconhecia as pessoas pelo sobrenome: “ele é dos Piassi”, ou “ela é dos Lapenna”, ou “ele é dos Velucci”, e assim por diante. Tempo que se comprava com caderneta no açougue e do “Seu Osvaldo”, e no empório do “Seu Firmino” e se comprava em prestações o material de construção no Depósito Jaraguá, onde eu ia de mãos das com o meu pai, muito orgulhosa, no início do mês para pagar as prestações da casa que fora construída recentemente.

 

Estudei no Colégio D.Pedro I, da rede estadual de ensino, em frente ao Mercado Municipal do bairro, onde começa a Rua Serra Dourada, que hoje se parece mais com a Rua Direita do centro de São Paulo, tão grande é o movimento de pessoas.

 

Continuo residindo na Zona Leste, no bairro do Tatuapé, mas pelo menos uma vez por mês vou a São Miguel Paulista para fazer compras em um supermercado do bairro com minha tia Nim. Tenho saudades dos amigos e parentes que ainda estão lá, dos anos vividos na Rua Professor Joaquim de Camargo e das procissões do Santo Padroeiro, São Miguel, quando o Padre Aleixo Monteiro Mafra (hoje nome da praça principal, onde se encontram a capelinha e a Igreja Matriz), são-paulino roxo, saia da procissão, ia até uma casa ou bar para tomar informação do resultado do jogo do seu time do coração. Era o que bastava para carolas dizerem: “que pecado”!

 

Suely Pires Eustachio Vale é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Começou a "procissão" eleitoral

 

 

As cenas pelo Brasil de candidatos a prefeito no início da campanha eleitoral – uma delas das quais participei indiretamente, como você lê em post anterior – lembrou-me Procissão, de Gilberto Gil:

 

Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar