Dez Por Cento Mais: Irene Vucovix transforma a dor pelo filho perdido em uma conversa sobre culpa e esperança

“É deixar a culpa e deixar a vergonha de lado. E colocar esse assunto em discussão na sociedade porque é muito importante.”

Durante 19 anos, Irene Vucovix acompanhou à distância a vida do filho, Marcelo, depois de decidir interromper uma convivência marcada pela dependência química, pela violência e pelo medo. Ela só voltaria a vê-lo quando ele morreu, aos 39 anos, vítima de uma overdose. Jornalista e escritora, Irene contou como enfrentou a culpa, o silêncio e um luto iniciado muito antes da morte — assunto de sua entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Marcelo começou a usar drogas por volta dos 12 anos e logo passou da maconha para o crack. Antes disso, alguns comportamentos já preocupavam a família. Ele era agressivo, envolvia-se em brigas e cometia pequenas transgressões, como tirar dinheiro da carteira do avô e levar objetos de casa.

Naquele momento, esses episódios eram vistos como problemas da infância. Anos depois, ao reler avaliações escolares guardadas, Irene percebeu que alguns comportamentos se repetiam.

A família procurou diferentes formas de tratamento. Houve psicólogos, psiquiatras, terapias, internações e clínicas de recuperação. Irene também buscava reportagens sobre dependência química e entrava em contato com famílias que diziam ter encontrado um caminho.

“Eu tentei de tudo que me diziam que podia funcionar, eu tentei”, afirmou.

Cada internação alimentava a expectativa de mudança. Marcelo recuperava o peso, aparentava estar saudável e deixava a família novamente confiante. A recuperação, porém, não se sustentava. Ele abandonava os tratamentos, fugia das clínicas e voltava a usar drogas.

“Todas as vezes você tem essa impressão”, contou Irene, ao recordar o pensamento que se repetia nesses períodos: “Gente, agora, ele tá muito bem.”

Quando o amor convive com o medo

Com o agravamento da dependência, Irene passou a temer o próprio filho. Marcelo tinha 1,93 metro, praticava luta e se tornava agressivo quando era contrariado. Aos 16 ou 17 anos, ela dormia com a porta do quarto trancada e uma cadeira segurando a maçaneta.

Em um dos episódios relatados, o filho apareceu em casa com um pé de maconha e anunciou que faria uma pequena plantação no apartamento. Irene recusou e jogou a planta fora. Quando voltou do trabalho, na véspera do Dia das Mães, encontrou a porta do quarto pichada com a frase: “Que você tenha um péssimo Dia das Mães”. Marcelo também levou a televisão, o videocassete e outros objetos.

A dependência passou a se misturar com prisões, dívidas com traficantes, roubos e falsidade ideológica. Irene pagava terapeutas, advogados e, algumas vezes, traficantes, por temer que o filho fosse morto.

Aos 20 anos, Marcelo recebeu uma avaliação que destruiu parte das esperanças da mãe. Depois de analisar os exames, um profissional disse que ele dificilmente chegaria à vida adulta. Para que o rapaz tivesse alguma possibilidade de assumir as consequências das próprias escolhas, Irene teria de estabelecer limites.

A orientação foi resumida em uma imagem: ela precisaria “virar uma parede”. Dizer não, suportar as tentativas de manipulação e deixar de resolver os problemas criados pelo filho.

“Era para virar uma parede. Então vou virar uma parede”, recordou.

Irene se afastou radicalmente. Não atendia aos telefonemas, não entregava dinheiro e não pagava mais as dívidas. Marcelo tinha 20 anos. Ela só o veria novamente depois de sua morte, aos 39.

“Eu brinco que tinha um não na minha testa”, afirmou.

O afastamento não rompeu o vínculo

A distância física não significou indiferença. A irmã de Irene passou a manter contato com Marcelo e levava notícias à família. Algumas vezes, dizia que ele estava trabalhando, namorando e vivendo no interior de São Paulo. Pouco tempo depois, chegava a informação de que havia sido preso novamente.

A esperança mudava de tamanho. Irene já não esperava que o filho cursasse uma faculdade ou seguisse o futuro imaginado durante a infância. Desejava apenas que ele conseguisse trabalhar, respeitar os outros e levar uma vida que definiu como “minimamente digna”.

Mesmo afastada, procurava saber se ele estava seguro. Quando Marcelo foi preso por envolvimento com uma caminhonete roubada, Irene decidiu não contratar um advogado para tirá-lo da cadeia. Diante da notícia de que ele poderia correr risco de vida, pediu a um jornalista que visitasse o presídio e verificasse a situação.

A contradição foi resumida por ela em uma frase: “Eu larguei, mas não larguei.”

O afastamento também veio acompanhado de culpa e tristeza. Irene escondia a situação dos amigos. Quando perguntavam pelo filho, respondia que ele estava bem e morava no interior. Dentro da família, a dependência química tornou-se um assunto difícil de pronunciar.

“Virou um tabu esse assunto. Um negócio louco, é um silêncio. Ainda hoje, com o livro publicado, a gente tem dificuldade de falar”, disse.

Segundo Irene, a vergonha era mais intensa no início. Com o agravamento dos problemas, ela se sentiu cada vez mais fragilizada e vulnerável. A experiência permaneceu guardada durante anos, mesmo depois da morte do filho, em dezembro de 2017.

Da oficina literária ao livro

A escrita surgiu dois anos depois. Irene participava de uma oficina literária quando leu o conto “Onze filhos”, de Franz Kafka. No dia seguinte, escreveu cerca de 30 linhas sobre a infância de Marcelo. Deu ao texto o título “Um filho” e encerrou a narrativa informando que ele havia morrido por overdose.

O professor considerou o texto apenas um embrião. Irene decidiu, então, contar a história da relação com o filho. O processo exigiu que revisitasse escolhas, medos e lembranças.

“Eu tava meio como espectadora de mim mesma. Tava me escrevendo”, explicou.

A experiência deu origem ao livro O filho perdido. O título foi sugerido pelo editor. Irene resistiu porque considerava a expressão dura. Com o tempo, reconheceu que as palavras sintetizavam sua história: “Eu perdi meu filho.”

Entre as poucas lembranças materiais de Marcelo, ela conserva desenhos, avaliações escolares, fotografias e a cópia da mão do menino feita em uma máquina de xerox na redação do jornal em que trabalhava. Irene costumava levá-lo ao trabalho durante os plantões de sábado.

A escrita não alterou o desfecho, mas mudou a relação da autora com o passado.

“Hoje eu me sinto assim, me sinto em paz”, afirmou. “Eu acho que eu fiz o que foi possível. Não sei se eu fiz o certo, eu não me cobro mais.”

A esperança depois da perda

Durante os anos de afastamento, cada aniversário de Marcelo representava uma vitória contra a previsão de que ele não chegaria à vida adulta. Mesmo de longe, Irene comemorava: “Mais um ano, ele tá vivo.”

A morte interrompeu essa contagem e deixou uma sensação de vazio. Questionada sobre o significado atual da esperança, respondeu: “Eu acho que ela muda de forma. Porque até para a gente sobreviver, você precisa acreditar em alguma coisa.”

A publicação do livro abriu outra possibilidade. Irene passou a receber mensagens de mães, filhas e irmãos que convivem com a dependência química dentro da família. Muitas procuram conforto e relatam histórias semelhantes, marcadas pelo isolamento, pelo medo e pela culpa.

Ela procura responder, embora deixe claro que não oferece um caminho pronto.

“Eu não tenho nenhuma receita”, afirmou. “O que eu fiz foi porque eu acreditei. Foi o que eu pude fazer e eu acreditei que podia dar certo.”

Para Irene, o silêncio torna a experiência ainda mais pesada. A vergonha isola a família e mantém o sofrimento escondido dentro de casa. Ao contar a própria história, ela espera ajudar outras pessoas a perceber que não estão sozinhas.

“Tem muita gente sofrendo com isso. Não é justo”, disse. “Queria que essas mães sentissem aqui um pouquinho de alento com o meu livro, um mínimo de conforto talvez.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

Inscreva-se agora no canal Dez Por Cento Mais no YouTube e receba alertas sempre que um novo episódio estiver no ar. Você pode ouvir, também, em podcast no Spotify.

Mundo Corporativo: Erika Magalhães, da Camil Alimentos, explica como integrar culturas após aquisições

Érika Magalhães, Camil Alimentos
Erika Magalhães em entrevisa online no Mundo Corporativo Foto: Débora Gonçalves CBN

“A gente não pode ter soberba de achar que somente quem tá comprando é o dono da razão.”

A Camil Alimentos realizou cinco aquisições no Brasil em cerca de quatro anos, ampliando sua atuação para categorias que vão de arroz e açúcar a pescados, massas, café e biscoitos. A expansão trouxe um desafio que não aparece necessariamente nas planilhas de uma operação desse tipo: como integrar pessoas, práticas e culturas diferentes sem destruir conhecimentos construídos pelas empresas adquiridas. A experiência da companhia na condução desses processos foi tema da entrevista de Erika Magalhães, diretora executiva de Gente e Gestão da Camil Alimentos, ao Mundo Corporativo, da CBN.

A executiva afirma que o trabalho de recursos humanos começa antes de a aquisição estar concluída. Assim que a operação permite o envolvimento das demais diretorias, o RH participa do planejamento, analisa políticas e procedimentos da empresa que será incorporada e procura entender como eles se relacionam com os processos da Camil.

Depois da assinatura, começa uma etapa que Erika define como os “primeiros 100 dias”. São estabelecidas atribuições e reuniões semanais para acompanhar a integração. O RH também se aproxima das lideranças e das equipes da empresa adquirida.

Essa presença tem uma razão prática: uma aquisição costuma ser acompanhada de dúvidas sobre empregos, funções, processos e mudanças na rotina.

“Eu vou pessoalmente naquela empresa adquirida, conversar com todas as lideranças e deixá-los à vontade também para se colocarem e colocarem suas questões do ponto de vista daquele momento, que é um momento que traz muita insegurança para quem tá sendo adquirido”, afirma.

Quem compra também precisa mudar

Um dos aprendizados relatados por Erika é que a integração não pode ser entendida como uma adaptação unilateral. Não basta ensinar aos profissionais que chegam como funciona a empresa compradora. A organização que recebe essas pessoas também precisa se preparar.

Ela usa a imagem de uma casa que receberá uma visita por bastante tempo. Os visitantes precisam compreender as regras daquele lugar, mas quem já mora ali terá de adaptar sua rotina à presença dos novos integrantes.

“Então, nunca num processo de aquisição é somente quem tá vindo que tem que se adequar. Quem tá aqui também precisa se adequar”, diz.

A lógica aparece também na capacitação profissional. A Camil criou mecanismos para preparar tanto os funcionários incorporados quanto aqueles que já estavam na companhia. Erika cita o exemplo de vendedores que passaram a trabalhar com categorias diferentes depois das aquisições.

“Não é só capacitar quem tá vindo para essa cultura Camil. É capacitar quem tá aqui dentro para absorver esse time e essa categoria ou essa nova empresa”, afirma.

Preservar o que funciona

A integração também exige decidir o que deve mudar e o que merece ser preservado. Um dos exemplos apresentados na entrevista surgiu com a aquisição da Mabel. A empresa tinha um programa de capacitação denominado Escola do Biscoito. Em vez de eliminá-lo para impor exclusivamente seus próprios processos, a Camil incorporou a iniciativa à Camil Academia.

Para Erika, o episódio traduz um princípio que deve orientar aquisições.

“A gente não pode ter soberba de achar que somente quem tá comprando é o dono da razão.”

Segundo ela, uma empresa adquirida pode ter processos próprios que carregam conhecimento e valor para o negócio.

“É uma fusão, é uma aquisição de conhecimento, de capital intelectual. Você não pode jogar tudo isso fora”, afirma.

A decisão sobre o que incorporar, segundo Erika, passa pelos valores e pelo propósito da companhia. Práticas compatíveis podem ser aproveitadas. As que entram em conflito com os valores da organização não são integradas.

Cultura colaborativa para aproximar empresas diferentes

A sequência de aquisições levou a Camil a reforçar internamente a discussão sobre cultura. A empresa desenvolveu uma jornada de cultura colaborativa, com pesquisas, grupos de discussão, revisão de competências, metas compartilhadas e treinamento de lideranças.

A proposta é estimular áreas e profissionais de origens diferentes a trabalhar em torno de objetivos comuns. O trabalho chegou também às equipes das fábricas, com jogos educativos presenciais e palestras online.

Os resultados da integração são acompanhados por diferentes indicadores. A companhia utiliza pesquisas de clima e engajamento, NPS, índices de rotatividade, avaliações por competências e planos de sucessão. Também observa a trajetória de profissionais provenientes das empresas adquiridas que passaram a ocupar outras funções e posições de liderança dentro da Camil.

Rotatividade zero não é necessariamente uma boa meta

Erika também contesta a ideia de que uma empresa deveria perseguir a ausência completa de rotatividade de funcionários. Para ela, mudanças fazem parte da vida profissional e podem ocorrer porque um ciclo terminou, o trabalhador deseja conhecer outro setor ou decidiu empreender.

“Você dizer que você não vai ter turnover, eu acho que é quase que romântico. Eu acho que nenhuma empresa não tem rotatividade de pessoas”, afirma.

O ponto central, segundo ela, é a maneira como as saídas são conduzidas. Isso vale também para aquisições, nas quais podem surgir sobreposições de funções e necessidade de reorganização das equipes.

“Acho que o mais importante para as áreas de recursos humanos, para as pessoas que trabalham com gente, é entender como este turnover que existe pode ser conduzido da forma mais respeitosa e correta possível.”

Quando o problema está na liderança

Um lugar-comum nas discussões sobre os motivos que levam os colaboradores a trocarem de emprego: as pessoas não deixam empresas, deixam seus chefes. Para reduzir esse risco, a Camil procura identificar problemas de liderança por meio de avaliações 360 graus, nas quais gestores são avaliados por subordinados, pares, superiores e por eles próprios.

Erika explica que algumas situações exigem intervenções específicas. A empresa utiliza programas de mentoria para gestores que precisam rever comportamentos e práticas de liderança.

“Existem gestores que precisam ser mentorados de forma metodológica, eles precisam passar por um mentor, seja externo, seja interno, para ele corrigir determinadas atitudes”, diz.

Para a executiva, tecnologia e inteligência artificial ampliam os recursos disponíveis às organizações, mas não eliminam a dimensão humana da gestão. Ela considera mais simples desenvolver conhecimentos técnicos do que modificar comportamentos.

“Eu acho que desenvolver o técnico é mais fácil. Você treina, você desenvolve uma habilidade técnica, mas as habilidades comportamentais são as mais difíceis. Esse é um papel que é indelegável, tanto do RH quanto da liderança.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Dez Por Cento Mais: Padre Simone Bernardi fala da reconstrução da dignidade no Arsenal da Esperança

Na pandemia, o sentido de comunidade se expressou no Arsenal

“A gente percebe que uma pobreza do nosso tempo é não ter mais comunidade.”

Mais de 1.200 pessoas dormem diariamente no Arsenal da Esperança, no Brás, em São Paulo. Ali, o acolhimento começa com uma cama limpa, comida quente e um endereço onde alguém volta a ser chamado pelo nome. O espaço, instalado na antiga Hospedaria dos Imigrantes, tornou-se um dos maiores centros de acolhida para pessoas em situação de rua da América Latina. O que se passa lá dentro e o que se percebe do mundo lá fora foram assuntos que pautaram a entrevista do Padre Simone Bernardi ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, no YouTube.

Missionário italiano, Padre Simone dirige o Arsenal da Esperança há mais de duas décadas. Durante a conversa, ele explicou que o projeto nasceu da transformação de um antigo arsenal militar, em Turim, na Itália, em um espaço voltado à paz e ao acolhimento. A inspiração chegou ao Brasil pelas mãos de Dom Luciano Mendes de Almeida, que enxergou na antiga Hospedaria dos Imigrantes um lugar capaz de recuperar vidas invisibilizadas pela cidade.

Muito além de cama e comida

Ao descrever a rotina do Arsenal, Padre Simone deixou claro que o trabalho vai muito além da assistência básica. “Cama e comida é o começo”, afirmou. “Se você começa a oferecer algo verdadeiramente digno, começa a criar um laço também.”

Todos os dias, a instituição prepara centenas de refeições, lava toneladas de roupas e mantém uma estrutura que funciona 24 horas. Há psicólogos, assistentes sociais, educadores, nutricionistas e voluntários envolvidos em um processo que busca reconstruir vínculos e devolver identidade às pessoas acolhidas.

“Às vezes nem os documentos têm”, relatou o padre. “Então, por exemplo, a rotina do nosso trabalho é ajudar as pessoas a tirar de novo todos os documentos, que é uma maneira de voltar a existir.”

Segundo ele, o perfil das pessoas atendidas também mudou ao longo dos anos. Se antes predominavam homens mais velhos, vindos de outros estados em busca de trabalho, hoje a população acolhida é mais jovem, formada majoritariamente por moradores do próprio estado de São Paulo e marcada por problemas mais complexos, como dependência química, depressão e transtornos psicológicos.

Regra e organização como sinais de cuidado

Ao falar sobre convivência dentro do Arsenal, Padre Simone defendeu a importância das regras como instrumento de cuidado coletivo. “A regra é uma maneira de amar”, disse. “A organização também é uma maneira de querer bem as pessoas.”

A instituição mantém horários, rotinas e protocolos para garantir segurança e convivência entre os acolhidos. Um dos exemplos citados foi o cuidado com pessoas sob efeito de álcool. Em vez de exclusão, o Arsenal criou espaços específicos para acolher essas pessoas sem colocar em risco quem tenta se recuperar.

“Para nós, se a pessoa chega alcoolizada ou não, continua sendo uma pessoa”, afirmou.

Durante a pandemia de Covid-19, a organização precisou reinventar completamente sua rotina. O Arsenal transformou-se em uma grande quarentena coletiva. Dos 1.200 acolhidos, 1.026 aceitaram permanecer isolados dentro da instituição.

“Ou aqui a gente se conscientiza e se organiza ou é o fim”, relembrou Padre Simone sobre o clima daqueles dias.

A reconstrução começa pelas pequenas coisas

Um dos trechos mais marcantes da entrevista surgiu quando o padre descreveu o momento em que alguns acolhidos pedem para trocar a foto do crachá. “Depois de duas semanas, tem pessoas que vão até o serviço social e falam: ‘Posso trocar a foto do meu crachá?’ Porque já não se reconhecem mais naquele rosto.”

Para ele, a transformação acontece aos poucos, em gestos simples que ajudam a pessoa a recuperar autoestima e pertencimento. Ler um livro, cuidar do espaço coletivo, participar de um campeonato ou simplesmente voltar a tomar banho diariamente tornam-se sinais concretos de reconstrução da vida.

“Acho que o nosso primeiro trabalho é produzir memórias boas”, afirmou. “Construir histórias boas para serem lembradas.”

A falta de comunidade como pobreza contemporânea

Na reflexão final da entrevista, Padre Simone ampliou o olhar para além da situação de rua. Segundo ele, a maior pobreza atual talvez não seja apenas a ausência de moradia, mas o enfraquecimento dos vínculos humanos.

“Não ter comunidade é pior”, afirmou.

O Arsenal da Esperança passou a desenvolver ações comunitárias no entorno do bairro, como mutirões de limpeza e atividades coletivas em espaços públicos. O objetivo é criar oportunidades de encontro entre pessoas que vivem cada vez mais isoladas.

“Tivemos uma senhora que abriu o portão da vila dela e ofereceu um bolo”, contou. “Ao redor daquele bolo se criou aquilo que deveria ser normal: as pessoas conversaram.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

Inscreva-se agora no canal Dez Por Cento Mais no YouTube e receba alertas sempre que um novo episódio estiver no ar. Você pode ouvir, também, em podcast no Spotify.

Dez Por Cento Mais: psiquiatra Maria Carol Pinheiro pede atenção para o “corpo que para” com a mente em alerta

“Saúde mental não é sobre estar feliz, é sobre estar inteiro.”

Maria Carol Pinheiro, psiquiatra

Janeiro costuma ser vendido como recomeço, lista de metas e agenda em branco. Para muita gente, ele chega com outro pacote: exaustão. O corpo desacelera, o calendário vira a página, e a cabeça continua correndo, como se não tivesse recebido o aviso de que o ano mudou. Esse descompasso — entre o que a gente faz e o que a gente sente — é o centro da conversa com a psiquiatra e psicoterapeuta Maria Carol Pinheiro no programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Maria Carol propõe uma pergunta simples, que costuma desorganizar certezas: quando falamos de saúde mental, o que separa “estar saudável” de “estar doente”? Para ela, o ponto de virada não está na ausência de tristeza ou angústia, e sim na liberdade. “Se eu posso escolher, isso é saudável. Agora, se eu estou aprisionado, se eu não consigo escolher, aí seria o adoecimento”, afirma.

A ideia contraria uma fantasia comum: a de que saúde mental seria viver sem oscilações. Na prática clínica, ela diz encontrar o oposto. “Eu já conheci pessoas que não têm angústia, que não encostam na tristeza… Essas pessoas não têm saúde mental.” Na visão dela, a vida psíquica inclui sentir e atravessar emoções — sem paralisar nelas.

Quando a dor faz parte da saúde

A psiquiatra chama atenção para um erro frequente: tratar sofrimento como sinônimo de doença. “Às vezes a gente está passando por períodos de sofrimento que nos tornam mais nós mesmos.” O problema, para ela, é a interrupção do movimento interno: “O adoecimento é a paralisação disso.”

É nesse ponto que Maria Carol critica a pressa em etiquetar sentimentos. Ela defende que o primeiro passo não é colecionar diagnósticos, e sim perceber o básico: “A gente precisa fazer dois diagnósticos: tudo vai bem comigo; algo não vai bem comigo. É isso que importa.” O nome técnico, se for necessário, entra depois — com acompanhamento profissional.

Ao falar do excesso de informação (especialmente nas redes), ela descreve um tempo em que “estamos adoecidos do tempo” e resume a consequência: “A gente tem desaprendido de descansar.” Descansar, para ela, não é só dormir. Existem cansaços diferentes: “cansaço social”, “cansaço sensorial”, “cansaço mental”, “cansaço emocional”, “cansaço criativo” e “cansaço espiritual”. A chave prática, ela diz, é observar funcionalidade e recuperação: “Quando eu descanso, passa? Eu realmente consigo descansar e passar?”

A conversa também toca numa confusão atual: o impulso de anestesiar o que dói — e, com isso, perder algo importante do próprio viver. Maria Carol lembra que “tirar a dor é tirar a vida” e cita uma medida simples para checar exageros: “Fique atento a tudo aquilo que é desproporcional ao tempo presente.” Quando a reação é grande demais para o fato de agora, pode haver “emoção de outro tempo” pedindo investigação.

No fim, ela amarra janeiro a uma metáfora antiga: Janus, o deus romano de duas faces, olhando passado e futuro. A ideia é direta: recomeço sem revisão vira repetição. E a revisão, segundo ela, passa por uma espécie de liderança interna — disciplina sem brutalidade. “Não existe liberdade sem disciplina”, afirma. E cita Kant: “Liberdade é também fazer o que não se quer.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

Inscreva-se agora no canal Dez Por Cento Mais no YouTube e receba alertas sempre que um novo episódio estiver no ar. Você pode ouvir, também, em podcast no Spotify..

Há 20 anos, o Conte Sua História e os ouvintes da CBN ajudam a preservar a memória de São Paulo

No estúdio de podcast da CBN gravando o Conte Sua História de SP

O Conte Sua História de São Paulo completa 20 anos neste mês de janeiro. O projeto nasceu quando a CBN preparava uma programação especial pelos 452 anos de fundação da cidade, em 2006 — à época, sob sugestão da diretora de jornalismo Mariza Tavares. Eu apresentava o CBN São Paulo, programa que ajudou a moldar minha identidade como âncora de rádio e que se tornou o berço natural dessa ideia.

A proposta inicial era simples: selecionar textos enviados pelos ouvintes para serem lidos no ar durante as duas semanas que antecediam o aniversário da cidade. A resposta foi tão intensa e surpreendente que decidimos manter o quadro depois das comemorações. Nas primeiras edições, tudo era feito ao vivo — leitura e sonorização —, o que exigia habilidade extra do colega Paschoal Júnior no estúdio, sempre atento aos detalhes que davam vida às histórias.

Com o passar do tempo, adotamos a gravação antecipada das narrativas para depois colocá-las no ar. Foi nesse momento que o maestro Claudio Antonio entrou para o projeto, responsável pela construção musical que acompanha cada texto. Ele segue ao meu lado até hoje. O Conte Sua História é exibido atualmente aos sábados, no CBN São Paulo. Ainda em seu primeiro ano, ganhou forma de livro: 110 histórias de ouvintes reunidas pela Editora Globo.

A cada janeiro, propomos um tema especial para inspirar os ouvintes a escrever. Em 2026, o convite foi para que compartilhassem lembranças e experiências ligadas ao trabalho — afinal, São Paulo é constantemente identificada como a cidade das oportunidades e das jornadas que moldam trajetórias.

A caixa de e-mails rapidamente revelou uma riqueza de memórias. Profissões que desapareceram, modos de trabalhar que já não existem, situações inesperadas, cenas que dizem muito sobre o tempo em que foram vividas. Histórias que valorizam profissionais, colegas, empresas e atividades diversas. 

Assim como acontece desde a primeira edição, cada texto me exige presença total: procuro incorporar o personagem, traduzir na voz a intenção de cada palavra e captar o espírito que move o autor a dividir aquele momento. Talvez seja isso que explica o gestual e a expressão flagrados na foto registrada por Priscila Gubiotti, técnica de áudio e vídeo da CBN, que compartilho com vocês.

Onze textos foram selecionados para estas duas semanas. Todos os demais estão organizados nos meus arquivos e irão ao ar nas próximas edições de sábado do CBN SP. Se ao ouvir uma dessas lembranças você sentir vontade de revisitar sua relação com a cidade, escreva. A história de São Paulo só existe porque alguém a viveu — e a contou.

Para participar, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Dez Por Cento Mais: Daniel Soares fala sobre o valor do vínculo humano na prevenção do suicídio

“Ferramentas fazem, humanos curam.”
Daniel Soares, psicólogo

Setembro nos convida a encarar um tema duro sem perder de vista aquilo que sustenta a vida: sentido, diálogo e presença. Em uma conversa que percorre do consultório às relações cotidianas, o psicólogo e professor Daniel Soares defende que a prevenção começa quando alguém é visto, ouvido e acolhido; e não substituído por respostas automáticas. Esse foi o assunto da entrevista no programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa, no YouTube, inspirado no Setembro Amarelo, uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015.

Vínculo, não algoritmo

Para Daniel, falar de prevenção é, antes de tudo, falar de sentido. Ele recorre à logoterapia para lembrar que é possível “dizer sim à vida, apesar de tudo” e “quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como”. Considerando o crescimento de pessoas que têm buscado nos chatbots de Inteligência Artificial ajuda psicológica para soluções de problemas relacionados à saúde mental, ele faz um alerta: “Máquinas não sentem”, e a IApode ajudar com informações, mas não substitui a relação que cura”. O ponto central, resume, está no encontro entre pessoas: “Ferramentas fazem, humanos curam”.

A tecnologia, observa, oferece um “pseudo-relacionamento” que reforça o que o usuário já traz, sem continuidade afetiva: “A IA responde; quem acompanha, se preocupa e permanece é o humano”. Por isso, ele insiste no papel de pais e responsáveis no uso de ferramentas: acompanhamento, limites e, principalmente, conversa.

Como conversar com quem sofre

No dia a dia, o primeiro passo é reconhecer a dor do outro. “Não negue nem minimize o sofrimento”, diz Daniel. Evite atalhos como o “pensa positivo”. Em vez disso, ofereça presença: “Posso te ouvir? Estou aqui com você”. A validação, sem julgamentos, abre espaço para que a pessoa busque ajuda e se reconecte com motivos para viver.

Ele também chama atenção para o envelhecimento e a solidão. Mensagens curtas não substituem um encontro: “Presença, olho no olho, abraço e rotina compartilhada protegem”. Reativar pertencimentos — família, vizinhança, grupos, projetos — ajuda a restituir sentido e continuidade às histórias que cada um carrega.

Ao final, Daniel deixa uma imagem que atravessa a conversa: “A vida é uma viagem, passagem só de ida”. Cabe a cada um, afirma, levar para essa viagem valores, cuidados e gente por perto — e oferecer ao outro a mesma companhia que gostaríamos de receber.

Busque ajuda agora:

Centro de Valorização da Vida – CVV

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.

Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais traz uma entrevista inédita para você, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify. Aproveite e coloque o canal entre os seus favoritos para receber alertas sempre que um novo conteúdo for publicado.

Dez Por Cento Mais:  José Carlos de Lucca fala sobre viver o presente e dar sentido ao tempo

“A vida só acontece agora.”
José Carlos de Lucca

Oscilar entre memórias que pesam e projeções que angustiam tem um custo: rouba o único tempo disponível, o presente. Esse foi o fio condutor da conversa com o escritor e jurista José Carlos de Lucca, que propôs um exercício prático de presença e responsabilidade individual, tema da entrevista concedida ao Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, no YouTube.

Entre o passado e o futuro

Segundo De Lucca, gastar energia remoendo o que passou e antecipando o que talvez nem aconteça produz um descompasso cotidiano. “Somos um amontoado de passado misturado com um amontoado de futuro”, afirma. O resultado, diz ele, é previsível: “O excesso de passado gera, em regra geral, muita depressão”, enquanto mirar demais o amanhã alimenta ansiedade. A correção de rota começa com um gesto simples: notar quando a mente fugiu e trazê-la de volta. “Se pegou, se observou… dá uma espiadinha no passado, dá uma espiadinha no futuro, mas não fica lá. Volta para aqui.”

Ele recorre a imagens concretas para explicar. Viver grudado no ontem ou no amanhã é como “se movimentar numa cadeira de balanço: você faz força, mas não sai do lugar”. Já o presente pede inteireza: corpo e mente no mesmo lugar. “Viver é participar.”

O ego e o agora

De Lucca sustenta que a mente, guiada pelo ego, resiste à quietude do instante. “O ego precisa se autoafirmar a todo instante” por contraste, conflito ou comparação. No “agora”, muitas vezes não há nada de extraordinário acontecendo, e justamente por isso surge a fuga. O antídoto é cultivar a atenção ao banal que sustenta a vida: o cheiro do café, a conversa sem pressa, a árvore florida que estava na rota de sempre e nunca foi realmente vista. “Qual é a oportunidade agora? Qual é a alegria agora?”

Finitude sem morbidez

Encarar limites — de uma vida, de uma carreira, de um relacionamento — não é convite ao pessimismo, diz o entrevistado, mas condição para escolhas mais claras. “Tudo aqui é finito, é passageiro… tudo é um sopro.” A pergunta que emerge, citando Mário Sérgio Cortella, é direta: “Se você não existisse, que falta você faria?” A resposta não está no currículo, mas nos vínculos que criamos e na marca que deixamos nos outros.

Na prática, a ética do presente se traduz em rituais simples e consistentes. De Lucca recorda conselhos atribuídos a Chico Xavier: começar cada dia como o primeiro e, se isso não bastar, vivê-lo como se fosse o último. “Viva como se hoje fosse o último dia da sua vida.” E amplia: não ser plateia da própria história. “Nós somos a peça. Nós somos o ator principal. Nós somos o diretor.”

O que fazer com o que nos acontece

Ao falar de fracassos e frustrações, De Lucca recorre ao estoicismo: o foco não é o fato em si, mas o uso que fazemos dele. “Não importa tanto o que nos aconteceu; importa o que vamos fazer com o que nos aconteceu.” Trocar o “por que comigo?” pelo “para que isto?” muda a direção da conversa interna — da vitimização para a transformação.

No fim, fica um critério de avaliação que cabe no cotidiano: ao fim de um encontro, o que cada um levou do outro? Se nada mudou, o tempo foi apenas gasto, não vivido. “Dar sentido ao tempo é estar de corpo e alma, sentir a vida pulsando dentro de nós.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.

Dez Por Cento Mais: Dr. Fabrício Oliveira discute sexualidade e longevidade sem tabus

Image by Mabel Amber from Pixabay
Image by Mabel Amber from Pixabay

“Desejo não envelhece.” A afirmação do Dr. Fabrício Oliveira poderia ser apenas uma provocação retórica se não viesse sustentada por mais de uma década de trabalho clínico com pessoas idosas e pela escuta atenta a histórias muitas vezes silenciadas dentro de casa. No programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa, no YouTube, o psicólogo e gerontologista defendeu com firmeza que envelhecer não significa perder vontade, nem identidade.

A entrevista trata de um tema ainda cercado por preconceitos: a sexualidade na maturidade. “As pessoas confundem sexualidade com ato sexual. Sexualidade é afeto, é toque, é desejo, é companheirismo. E isso não tem prazo de validade”, disse Fabrício, que, desde 2010, atua no universo do envelhecimento com foco no bem-estar emocional, psicológico e relacional dos idosos.

“Eu só atendo idosos”

A decisão de se especializar no público idoso nasceu de um encontro entre a sensibilidade clínica e a demanda reprimida. Tudo começou com um trabalho de conclusão de curso que virou referência acadêmica. Depois, veio uma reportagem de televisão que repercutiu de forma inesperada. “Os idosos começaram a me procurar porque se sentiram representados. Eles diziam: ‘doutor, eu tenho vontade de reencontrar o primeiro amor, mas os meus filhos acham isso uma bobagem’”.

Fabrício entendeu que não bastava escutar. Era preciso acolher, orientar e também educar as famílias. Por isso, passou a oferecer atendimento domiciliar. “O idoso vai muito ao médico. Psicólogo? Só se for alguém que vá até ele. No consultório ele não aparece”, explicou. A visita à casa do paciente, segundo ele, abre espaço não só para a escuta terapêutica, mas também para a reorganização do ambiente doméstico — desde a retirada de tapetes até conversas com os filhos que, sem perceber, reforçam o etarismo.

Miss Longevidade e o protagonismo invisível

Se os consultórios ainda são pouco acessados, as passarelas podem ser caminhos de transformação. Foi assim que surgiu o projeto Miss e Mister Longevidade, idealizado por Fabrício em João Pessoa e já realizado em várias cidades da Paraíba. “A mulher passa o ano pensando no vestido. A neta vai à escola e diz: ‘minha avó é Miss’. Isso muda tudo.”

Mais do que promover autoestima, o concurso combate um estigma estrutural: a exclusão social da velhice. “A maior violência contra o idoso no Brasil não é a financeira. É a psicológica”, alertou. E parte dela começa na infância, quando se ouve frases como “cuidado com o velho do saco” ou se vê bruxas velhas como vilãs em contos infantis. Para ele, mudar isso exige uma presença ativa: “O idoso precisa ser protagonista. Quando ele afirma sua identidade, a família pensa duas vezes antes de zombar da idade ou fazer comentários discriminatórios”.

A velhice como escolha de vida

Perguntado sobre o que espera da própria velhice, Fabrício respondeu sem rodeios: “Eu não quero ser um velho cheio de manias. Mania afasta. Eu quero ser o velho legal, que abre a casa para os amigos, que está de boa”. Ele aposta na leveza como estratégia de convivência e qualidade de vida. E reforça: “Envelhecer é natural. O que não é natural é se isolar, deixar de viver, parar de amar”.

Ao fim da conversa, deixa uma sugestão simples, mas poderosa: “Acorde, olhe no espelho e diga: hoje eu envelheci mais um dia. E que bom que estou vivo”. Para ele, aceitar o processo com naturalidade e presença é a chave para viver bem — e melhor — os anos que virão.

Assista ao Dez Por Cento Mais

A entrevista completa está no canal Dez Por Cento Mais, que você assiste no YouTube. Inscreva-se no canal e receba as atualizações sempre que um episódio inédito for ao ar. Você também pode ouvir o programa em podcast, no Spotify. 

Dez Por Cento Mais: José Carlos de Lucca revela o poder da autoaceitação e do amor próprio

Foto de Designecologist

“A autoaceitação é a chave para uma vida plena e equilibrada”. A afirmação é de José Carlos de Lucca, juiz de direito e escritor espírita, no programa “Dez Por Cento Mais”. A frase provocadora serve como um farol para a discussão profunda que se seguiu sobre amor próprio, vulnerabilidade e a busca pela felicidade nas pequenas coisas da vida.

De Lucca argumentou que a dificuldade em se amar e aceitar tem raízes em interpretações religiosas históricas. Ele ressaltou que “durante muito tempo na história das religiões, o autoamor sempre foi visto como um comportamento de egoísmo”. Essa visão contrasta fortemente com a mensagem de amor inclusivo pregada por Jesus, que abrange tanto o amor ao próximo quanto o amor a si mesmo. O escritor enfatizou a importância de revisitar esses ensinamentos para uma compreensão mais holística e compassiva do amor próprio.

A vulnerabilidade e a busca pela felicidade

Outro tópico crucial discutido foi a vulnerabilidade, especialmente em relação aos homens. De Lucca observou que a sociedade muitas vezes impõe uma imagem de força e inquebrantabilidade, o que leva a desafios significativos em admitir fraquezas e buscar ajuda. Ele argumentou que “homem pedir ajuda é difícil”, destacando como essa percepção cultural contribui para uma crise em saúde mental, especialmente entre o público masculino.

De Lucca também abordou a perseguição implacável da perfeição e do sucesso material, ressaltando como isso pode ser prejudicial para a saúde emocional. Ele encorajou os ouvintes a valorizar “as pequenas felicidades da vida”, argumentando que estas trazem um contentamento mais duradouro e genuíno do que as conquistas materiais ou os altos picos de emoção.

Por fim, ele fez um apelo para uma reavaliação dos valores e uma busca mais profunda por significado na vida. Encorajando o público a encontrar caminhos espirituais que ressoem com seus corações, independentemente de crenças religiosas específicas, De Lucca sugeriu que a verdadeira espiritualidade se encontra na conexão com o interior e na humanização das relações e experiências.

Esta entrevista no programa “Dez Por Cento Mais” não foi apenas um diálogo sobre espiritualidade e psicologia, mas também um convite à reflexão sobre como viver uma vida mais autêntica e satisfatória.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais é apresentado pela psicóloga Simone Domingues e a jornalista Abigail Costa. Toda quarta-feira, às oito da noite, uma entrevista inédita vai ao ar, no YouTube. O programa também pode ser ouvido no Spotify.

Dez Por Cento Mais: Diego Cordeiro e a arte de cultivar relações humanas e bem-estar

Foto de Andrea Piacquadio

No panorama atual, onde a tecnologia acelera o ritmo da vida, um aspecto essencial para a felicidade e o bem-estar social vem sendo sublinhado: a importância das relações humanas. Diego Cordeiro, preparador físico e empreendedor, abordou este tema em sua participação no programa Dez Por Cento Mais.

Cordeiro começou sua jornada como estagiário na Bodytech em 2005, alimentado por um sonho intrínseco à educação física e ao desejo de atender pessoas. Ao longo de quase duas décadas, ele testemunhou e contribuiu para a evolução da empresa, que cresceu de cinco para cem academias. Sua trajetória é um testemunho da importância de perseguir sonhos e aproveitar oportunidades.

A Importância da Saúde Física e Mental

Na entrevista com Abigail Costa e Simone Domingues, Cordeiro abordou a importância da saúde física e mental, ressaltando o papel vital da atividade física no bem-estar geral. Ele enfatiza que cuidar do corpo é tão crucial quanto cuidar da mente, uma filosofia que ele pratica e encoraja nos espaços que gerencia, destacando que na Bodytech o foco vai além do exercício físico.

O sucesso da Bodytech, segundo Cordeiro, deve-se a uma estratégia centrada no cliente, que oferece instalações de alta qualidade e experiências personalizadas. Esta abordagem transformou a Bodytech em uma das principais redes de academias do país, com atendimento diferenciado e foco no cliente.

Impacto Além da Carreira Profissional

Cordeiro se destaca não apenas por sua carreira na Bodytech, mas também pelo seu papel ativo em iniciativas sociais e na promoção do bem-estar físico e mental. Sua trajetória, marcada pela determinação e inovação, revela ideias valiosas sobre crescimento profissional e impacto social.

Ele falou sobre a construção de chalés na Bahia, um projeto pessoal que surgiu da paixão compartilhada com sua esposa pela região. Este empreendimento representa a realização de um sonho e ilustra a importância do equilíbrio entre trabalho e lazer.

Fora do âmbito profissional, Cordeiro lidera o “Projeto Remar São Paulo”, uma iniciativa social que fornece alimentos e necessidades básicas aos desabrigados, refletindo sua crença na responsabilidade social e na importância de contribuir para a comunidade.

Dica Dez Por Cento Mais: Paciência e Cuidado nas Relações

Cordeiro reforçou a necessidade de paciência e cuidado nas interações humanas, essenciais para construir relações saudáveis e felizes. Ele encoraja as pessoas a dedicarem tempo e energia nas relações humanas, considerando isso essencial para a resiliência e o bem-estar em tempos de mudança:

“Preste atenção nas pessoas. Invista seu tempo observando o comportamento das pessoas. Sem julgamento. Em um mundo cada vez mais tecnológico, eu venho percebendo que as pessoas estão mais impacientes, estão cada vez mais intolerantes. Tenha paciência. Tenha cuidado porque a gente precisa dessas relações. Gaste energia nessas relações porque são elas que vão te ajudar a superar os momentos de altos e baixos”.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais tem uma entrevista inédita toda quarta-feira, às oito da noite, ao vivo. Você pode participar com perguntas em tempo real e tirar suas dúvidas com os nossos entrevistados. O programa também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Assine (de graça) o Dez Por Cento Mais, no YouTube e no Spotify e nos ajude a levar mais à frente o conhecimento e as inspirações apresentadas por nossos convidados.