Mundo Corporativo: “Posicionem-se”, é o que Renata Spallicci, da Apsen, pede às mulheres

Foto: divulgação

“A gente passou a viver o que eu gosto de chamar de flow corporativo, que é quando a coisa de fato entra nas veias dos colaboradores, quando realmente as pessoas passam a acreditar  no planejamento, a visão de futuro”

Renata Spallicci, Apsen

De estagiária a vice-presidente. A frase que acompanha parte do material de divulgação do livro mais recente de Renata Spallicci, mesmo que precisa, diz pouco sobre a história desta executiva. Esconde que a trajetória dela foi na empresa da família — o que poderia diminuir os méritos de sua carreira profissional — tão pouco deixa explícito que o estágio final dessa jornada, até aqui, somente se deu porque ela liderou o “sonho grande” de, em cinco anos, dobrar de tamanho a Apsen Farmacêutica. Sonho sonhado e alcançado, em 2020, quando o laboratório passou a faturar R$ 1 bilhão.

A Apsen foi criada pelos avós, Mario e Irene Spallicci, em um laboratório no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, em 1969. Atualmente está sob o comando do pai, Renato, que foi quem a convidou para ser estagiária na empresa. Na entrevista ao Mundo Corporativo, Renata conta que ao se apresentar para o trabalho — “fui ali toda bem vestida” – em lugar da sonhada mesa de escritório com seu nome em um placa, recebeu crachá de funcionária do almoxarifado, onde começou carregando caixas, recebendo e distribuindo produtos. 

Levantar peso não chegava a ser um desafio impossível para a moça que tem no fisiculturismo uma de suas paixões. Ela, porém tinha clareza de que seu desenvolvimento profissional dependeria muito mais dos estudos e da busca do conhecimento do que propriamente dos laços de família. Passou por processos de coaching, mentoria e mastermind; e é formada em engenharia química, pós-graduada em administração e com MBA para CEOs pela FGV.  Hoje, Renata Spallici é vice-presidente executiva da Apsen.

A meta  de elevar o faturamento da empresa passou pela construção de um planejamento que, segundo Renata, tem como etapas iniciais “a visão clara de futuro” e a necessidade de se levar essa visão de forma organizada e com objetivos estratégicos para cada uma das áreas envolvidas, até alcançar os objetivos individuais. A autora do livro “Sucesso é o resultado de times apaixonados” ressalta a importância de contar com o engajamento dos colaboradores nesse processo de desenvolvimento. 

“O primeiro passo foi conquistar as pessoas e plugar o sonho individual do colaborador no sonho corporativo … Falando assim parece simples, mas é um trabalho árduo, é um trabalho de muita consistência, porque você tem que conversar e repactuar as conversas ao longo de muito tempo, exige  uma mudança de cultura”.

Em um dos vários trabalhos que realiza fora da empresa, Renata se dedica a mentoria de mulheres, no programa Winning Woman EY, no qual prepara lideranças femininas, muitas das quais atuando em empresas familiares como ela. Chama atenção para a importância dessas mulheres se fortalecerem tendo voz ativa e perdendo o medo de errar:

“Muitas delas são fundadoras, têm um talento específico, desenvolveram algum produto incrível .. mas eu percebo que têm dificuldade de sentar na cadeira delas e assumir o papel e as responsabilidades. Então, uma das coisas que eu trabalho muito com a com as minhas mentorandas é justamente isso: posicionem-se!”.

Para que o crescimento profissional se realize, Renata recomenda que sejamos capazes de atuar dentro da empresa com o “senso de dono”,  o que pode ser lido como mais um jargão corporativo, desses que repetimos sem entender seu sentido. Não para esta executiva, escritora, fisiculturista e rainha de bateria —- sim, Renata também desfila no carnaval paulistano.  Para ela, é fundamental que se entenda que “se a gente quer crescer, tem que ser empreendedor dentro do negócio do qual a gente participa”.

Assista agora à entrevista completa com Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, ao Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Carlos Busch convida você a entender o protagonismo do consumidor para ir além das expectativas

“… a gente precisa ser cada dia melhor que a gente mesmo e não melhor que um terceiro”

Carlos Busch

Vivemos épocas em que a única forma de interagir com uma marca era pela caixa postal; a inovação tecnológica deu liberdade às pessoas se comunicarem pelos canais que considerarem mais apropriados. Essas transformações também deram aos indivíduos o poder de escolha e a capacidade de comandar a evolução dos negócios, exigindo respostas do mercado. Uma pressão a mais sobre gestores e executivos que se veem ameaçados neste cenário e precisam reagir sendo protagonistas de suas carreiras e buscando ir além das expectativas.

A ideia que abre este texto é defendida por Carlos Busch, executivo, referência em evolução mercadológica, que atua há mais de vinte anos em multinacionais e ocupa, atualmente, vice-presidente na Sales Force Latin America. No programa Mundo Corporativo, o autor do livro “Muito além das expectativas” (editora Gente) chamou atenção para a necessidade de as empresas entenderem que o consumidor hoje tem muito mais informação e isso lhe confere poder:

“As empresas que entenderem que gerar informação gera relevância, gera empatia junto ao consumidor, são as empresas que vão estar mais próximas a criar um engajamento e, obviamente conseguir, ter as melhores transações comerciais com ele”.

Muitas empresas ainda mantém como parâmetro o mercado que atuam e seus concorrentes —  é o conceito do benchmark que sempre imperou na mente dos executivos. Para Carlos, esse viés do passado que ainda pauta a forma de agir de empresários e executivos, impede que se enxergue o poder do indivíduo:

“Quem conseguir converter a sua visão muito mais para o cliente tem chance de protagonizar muito mais e não vender 1.8 carros para cada dez pessoas que entrarem na loja, mas vender três, quatro, cinco …”

A referência de Carlos é de uma das histórias que conta no livro, na qual o vendedor de carros comemora o fato de alcançar um índice de conversão de vendas maior do que os concorrentes, quando seu objetivo deveria ser ampliar os resultados comparando com o seu próprio desempenho:

“… de nada adianta eu ser o melhor baseado que eu não sou o ótimo Muitos dizem que a minha oportunidade e a tua margem ou a tua margem é minha oportunidade. Nesse mercado de competição quem entender como entregar a melhor experiência para o cliente, dado que ele é o  protagonista , poderá chegar ao cenário de dez pessoas entrarem numa loja e comprarem dez carros. Por que não, né?”

Um dos caminhos para que essa mudança de comportamento ocorra é o método dos 5 Ps, que representam os cinco principais pilares responsáveis pelo protagonismo em sua jornada, segundo Carlos:

  • Propósito – descubra o seu e guie suas ações;
  • Pioneirismo – tenha uma mente inquieta e aja sem se preocupar em alinhar a sua conduta com a da maioria;
  • Pense e faça – tenha a liberdade de buscar algo diferente, ainda que não esteja pronto
  • Performance – desafie-se a todo momento a ser melhor e diferenciado
  • Pessoas – cerque-se de pessoas capazes de enriquecer suas ações e de o ajudar a forjar melhores caminhos.

Assista ao vídeo completo da entrevista de Carlos Buscah, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Bruno Teixeira, Renato Barcelos e Rafael Furugen.