Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: provérbios e branding, uma conexão inesperada 

“Essa é uma das inspiradoras heranças do meu pai, o João Batista Troiano e, também, da família mineira que eu pertenço: os provérbios entraram na minha vida desde muito pequenininho quase como uma conexão sanguínea”

Jaime Troiano

Já se perguntou como os antigos provérbios podem iluminar nossas estratégias modernas de negócios? Frases que ouvimos de nossos avós transformam-se em ensinamentos eternos que aplicados nas mais diversas áreas nos permitem refletir sobre comportamentos e ações a serem adotados ou evitados. No caso de Jaime Troiano e Cecília Russo, nossos comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, o hábito de usar provérbios para ensinamentos em gestão de marcas vieram de seus pais, um do interior de São Paulo e outro da Itália.

Cecília lembra de ouvir seu pai repetir com frequência e forte sotaque calabrês: “cu vaci cu zoppu”. Hoje, a tradução pode causar constrangimento diante dos cuidados que a linguagem inclusiva nos exige, mas em bom português, significa “quem vai com o coxo, aprender a mancar”: 

“Em branding, acontece muito, infelizmente. É o caso de empresas e marcas que preferem seguir fazendo algo parecido com o que outras fazem. E nem sempre com os mesmos resultados.”

Cecília Russo

A Pressa e o Branding

Uma das antigas sabedorias lembradas no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: “A pressa é inimiga da perfeição”. Jaime argumenta que o branding exige um entendimento profundo do público consumidor tornando-se impossível fazer isso da noite para o dia, sem amadurecer o que aprendemos convivendo com as pessoas.

Ouvindo o Consumidor

“A voz do povo é a voz de Deus”, um provérbio que reforça a importância de escutar o consumidor. Jaime comenta sobre o perigo da “vaidade corporativa”, em que as empresas pensam saber tudo e não dão espaço para feedback externo.

Diferenciação no Mercado

Em um mercado saturado, o provérbio “à noite todos os gatos são pardos” ressoa. O desafio é fazer com que sua marca não seja apenas mais um entre tantos gatos. É preciso oferecer algo único e diferenciado. 

“Não posso ser só uma tinturaria, alguma coisa que ofereço aos meus clientes tem que ser mais do que só roupa limpa. Minha padaria não pode só dizer que faz um pão francês fresquinho e crocante. Talvez um trigo diferente”.

Jaime Troiano

Aparência x Realidade

Há provérbios que se complementam nas lições que oferecem aos profissionais de branding, destaca Cecília. Considerando que a marca deve refletir genuinamente o que a empresa representa, evoca-se o popular “nem tudo que reluz é ouro” — um alerta importante para quem ainda acredita na ideia que a marca se sustenta mesmo sem que tenha um bom produto ou serviço a oferecer:

“Afinal, marca não é um belo tapume que esconde a empresa do lado de dentro. Aliás, isso me lembra de outro provérbio  muito conhecido: ‘por fora bela viola, por dentro pão bolorento’”.

Cecília Russo

Extensão de Marca e DNA

Ao mencionar o provérbio “filho de peixe, peixinho é”, a discussão gira em torno da extensão da marca. Se o fabricante que levar a sua marca para atuar em outra área de mercado é como se fosse um peixinho, filho do peixe. Ela tem de preservar o mesmo DNA paterno. Não pode deixar de ser vista como uma membro desgarrado da família. 

“Um produto Bauducco tem cara de Bauducco, tem amarelo e vermelho de Bauducco, tem algo a ver com trigo de Bauducco”

Cecília Russo

Cultivar a Marca Desde o Início

Pra fechar a sequência de provérbios pedagógicos para o branding, Jaime encerra a conversa com “é de pequenininho que se torce o pepino”, ressaltando a importância de cuidar da marca desde o seu início, pois uma estratégia mal planejada por ser fatal para a longevidade da marca.

Você conhece um provérbio que pode ajudar no seu negócio?

Como dissemos, o uso dos provérbios pode ser aplicado nas mais diversas áreas. Caso lembre-se de algum que ajude no seu negócio, compartilhe com a gente aqui no blog e se inspire ouvindo o aqui o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN:

Água mole em pedra dura

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Criei-me ouvindo esse provérbio da boca dos meus avós. Eles devem o ter escutado dos seus avós. Curioso, coloquei-o no Google para ver se esse sítio da internet, acostumado a responder a milhões de perguntas sobre as mais variadas questões levantadas por internautas do mundo inteiro, deixou-me a ver navios – este também não um provérbio, mas um dito popular cuja idade igualmente desconheço. Se é que alguém, talvez desavisadamente, começou a ler este texto, apresso-me a explicar por que lembrei o provérbio ancestral. Ocorre que, tal qual já fiz em mais de uma dessas quintas-feiras, inclusive na da semana passada, na qual escrevi acerca de uma ciclovia porto-alegrense que, antes de ser inaugurada, foi alvo de polêmicas, vou tratar outra vez de trânsito.

 

O jornal Zero Hora de sexta-feira passada, publicou excelente matéria sobre o assunto que tanto me preocupa. “Motoristas morrem mais aos sábados”. Essa foi a chamada de capa, seguida de um texto, em corpo menor, onde se lia que, das 482 mortes em acidentes no primeiro trimestre de 2012 no RS,117 ocorreram no último dia da semana. O número de acidentes com vítimas fatais vem subindo ano a ano. Com certeza, a quantidade crescente de veículos que enchem as rodovias federais, estaduais e municipais, principalmente nos fins de semana, é uma das razões da existência dessa trágica estatística. Eu diria que, além dos carros novos, cuja aquisição se tornou possível, em especial, devido às elásticas modalidades de prestações oferecidas pelas concesssionárias, existem, rodando por aí, principalmente nas estradas municipais, veículos usados, alguns apelidados de seminovos, dirigidos por “barbeiros” ou por irresponsáveis.

 

Há outras causas que se somam às por mim citadas. Zero Hora lembra que, sábado, é o “dia da balada”, em que muitos bebem. As estatísticas indicam também que 47,8% dos mortos aos sábados no primeiro trimestre de 2012 tinham entre 18 e 34 anos. ZH revela que, em abril, houve 29 mortes aos sábados, contra 7 às sextas-feiras e 20 aos domingos. O jornal lembra que o DETRAN contabiliza os mortos em hospitais até 30 dias após os acidentes. O que as autoridades podem fazer visando a diminuir esses malditos números? Fiscalizar, fiscalizar e fiscalizar, não só nas estradas, mas igualmente nas cidades. Encerro o texto como comecei: água mole em pedra dura tanto bate até que fura.