Com que roupa eu vou?

Dra. Nina Ferreira

@ninaferreira.psiquiatra

Foto de Alexey Demidov

Apresentação importante no trabalho, festa de aniversário de um conhecido, evento social de um parceiro profissional, jantar com um amigo e amigos do amigo… A gente se pergunta: “Com que roupa eu vou?”

Existe normalmente uma preocupação, um cuidado com nossa aparência em situações sociais. Ideias como: “O que esse momento pede: vou mais formal ou mais casual? Como será que os outros estarão vestidos? Quero me destacar… ou passar despercebida?” pipocam na nossa mente, por esse desejo de agradar, de não errar, de ser aceita e bem-vista.

E como é desafiador, não? Ambientes diferentes, pessoas desconhecidas, expectativas não muito claras — são inúmeros os gatilhos que geram ansiedade e insegurança. A mente funciona “a mil”, querendo rastrear todos os riscos e todas as necessidades em poucos minutos e montar a estratégia perfeita! Pensamos juntos o quanto isso é exaustivo?

Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e pessoas diferentes para agradar… Combinação desastrosa, fadada a nos levar à frustração e à exaustão. Como gerenciar tantas demandas sendo uma pessoa só, para “dar conta” de tudo isso?

Vem aqui o convite: e se formos, de verdade, “uma pessoa só” ?! 

Explico — e se escolhermos parar, perceber nossas características, definir nosso estilo (de vestir, agir, reagir, conduzir as relações e a vida) e, então, sair pelos eventos e pelo mundo sendo a pessoa que somos?

A tal autenticidade, tão famosa e pseudo-estimulada, é essa coragem de bancar quem somos e sustentar esse padrão único nas diversas situações. É definir como nos apresentar aos outros a partir do que temos dentro de nós, com a tranquilidade de estarmos sendo nossa melhor essência (nada perfeita, porém verdadeiramente nossa). 

Cheiro de liberdade no ar. Redução das múltiplas dúvidas e inseguranças. 

“Com que roupa eu vou?” — vou vestida de mim.

A Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Quando a vida te diz: Não!

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Kaboompics.com

O desejo é um bichinho inquieto e guloso… está sempre com uma fome nova, muitas vezes de algo difícil de conseguir… coloca a gente em agitação, incomodados com a falta daquilo.

O desejo é um bichinho insatisfeito… você dá o que ele quer e, pronto, logo ele já nem saboreia mais aquilo e já parte pra outra vontade.

É o que temos – desejos. Desejos e mais desejos. Mil vozes na nossa cabeça: “Quero isso. Preciso daquilo. Olha, que legal, que vontade!” Existe férias da mente?

Essa intensidade cansa, mas ruim de verdade… é o tal do: Não!

“Não é pra você. Não dará certo. Não irão te ajudar. Não gostaram do que você fez. Não lhes interessam o que você pensa ou faz.”

Na mesma facilidade que o desejo pula, o Não vem. Às vezes da gente mesmo, às vezes de outras pessoas… Muitas vezes, da vida, que parece “não querer que aconteça”.

Então, não dá pra parar de desejar? Porque esse tal de Não dói pra caramba… A mente pensa: “A partir de agora, a ordem é não querer, deixa a vida me levar”.

Pois é, mas e quando vem o Sim? E quando nosso desejo é atendido… Que sensação mais gostosa! Uma comida, uma conquista material, um elogio de alguém, um amor… Desejos atendidos jogam luz em qualquer dia cinzento!

Então, quando a vida diz: Não! … Uma saída é dizer pra ela: Sim!

Sim, você comanda, você decide…

Sim, meu poder é limitado…

E, Sim, vou seguir aqui, porque vai que você me surpreende qualquer dia desses e me faz, ainda que momentaneamente, feliz?!

A vida diz Não, a gente diz Sim…

E que venham os desejos!

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Até onde ir?

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Encruzilhadas. Existem situações na vida que nos colocam em uma dúvida angustiante: fazer ou não fazer?

Existem situações na vida que testam nossas certezas. Para conseguir mais destaque, mais elogios, mais dinheiro, mais poder… até onde ir?

A pergunta é difícil porque a resposta certa não foi pré-definida por ninguém até hoje.

Quando limites são colocados, consequentemente existem perdas. Perda do contato de alguém importante para a carreira; perda do afeto de um amigo ou familiar; perda de uma chance de ganhar mais dinheiro ou fazer mais sucesso.

E o que você está disposto a perder para manter sua fidelidade a você mesmo?

Viver para agradar aos outros ou para ser bem visto e elogiado pela sociedade costuma ser um buraco sem fim. Queremos entrar nesse buraco? Queremos viver nesse buraco?

As sensações que temos no dia a dia – alegria, angústia, saudade, tristeza, raiva, serenidade, cansaço, bem-estar – dependem dessa decisão: escolher que vida quer viver e ter coragem de fazer acontecer.

Até onde ir? Até onde fizer sentido pra você. Até onde você entender que vale a pena, que te ajuda a construir uma vida boa de viver.

Ultrapassar esses limites cobra um preço pesado, destruidor, caro. Ultrapassar esses limites nos joga no tal buraco sem fim – escuro e cada vez mais profundo e difícil de sair.

Cuide por onde anda. Ande até onde for saudável para você.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia.

Cansados do cansaço!

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Neslihan Ercan

“Que cansaço”; “Não aguento, estou cansado”; “O cansaço não me deixa”; “Vai você, estou cansado”; “Durmo, durmo, mas estou sempre cansado!”

Uma sociedade sem energia. Uma humanidade à caça de motivação, vontade, disposição.

Olhos caídos, ombros caídos, corpo lento… O cansaço transborda na imagem, na postura, no tom de voz – transborda no silêncio, inclusive: “Ah Estou cansado demais pra falar, pra brigar, pra conviver… Deixa pra lá.”

O cansaço, muitas vezes, transborda também na irritação à flor da pele, no pavio curto, na falta de paciência pra esperar – e, assim, traz mais problemas pra lidar e… quem diria, mais cansaço.

Para onde foi a energia das pessoas? Onde está a gana, a garra, a habilidade de tentar e fazer e cair e levantar?!?

Para onde foi a vida das pessoas? Porque energia é vida, energia é o que movimenta, o que gera ação, o que constrói e empurra pra frente. Qual será o destino de pessoas tão cansadas?

Os motivos, provavelmente, são diversos – depende de cada indivíduo, cada forma de pensar e sentir, cada forma de agir (ou não agir no mundo) …

Mas como podemos REagir?

Como podemos começar a sair desse lugar de tão pouco, tão escasso, tão frágil?!

Alegrias. O cérebro humano precisa de alegrias, de pílulas de cor e brilho! Não há quadro bonito com pura tela branca. Não há vida feliz com “puro” trabalho + pagamento de contas + resolução de problemas + sofá + cama.

É necessário mais. Colocar pitadas de amarelo e azul e vermelho e verde! É preciso luz do Sol enquanto descansa alguns minutos; é preciso azul do lago ou do Céu enquanto o olhar se acalma; é preciso amor do abraço ou do cafuné no cabelo; é preciso os tons de verde das árvores e plantas que enfeitam e merecem ser admiradas num silêncio passageiro…

Alegrias. Traga momentos de alegrias para sua vida, para sua rotina, para os “seus dias comuns”.

As alegrias empurram o cansaço para o lado e te preenchem de energia, de motivação, de vida.

Vamos ser uma humanidade viva!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Perdi o controle. Alguém encontrou?

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Imagem gerada por Dall-E

Previsibilidade. Saber o que vai acontecer. Preparar-se para o futuro.

Ter o controle sobre os acontecimentos da vida é um sonho desejado por todos nós. Sentir a segurança de que “as coisas darão certo”, “estarei preparado pra tudo”, “não corro riscos” – realmente, seria nosso mundo ideal. Nele, não precisaríamos sentir medo ou ansiedade ou insegurança… teríamos controle.

Na busca de se aproximar desse cenário, é comum que as pessoas façam planejamentos cautelosos, tentem antecipar qualquer risco e “resolvê-lo”, vigiem o comportamento dos outros e dêem comandos de como eles devem agir, não aceitem mudar os planos, ocupem a cabeça com muitas e muitas preocupações – tudo para “evitar o pior”.

E nesse cenário, essas pessoas ficam presas, hipervigilantes, tensas, com um sentimento frequente de que algo ruim acontecerá a qualquer momento – não pode relaxar!

A ansiedade vira um estado constante e o corpo sofre com cansaço e dores; a mente sofre com irritação e desatenção; a alma sofre com angústia sem fim.

Não perdemos o controle… porque, no fundo, nunca o tivemos. Mudanças são umas das poucas certezas da vida – tudo muda e sem previsões exatas.

Saída melhor é treinar a flexibilidade e a adaptação; saída melhor é admitir essa verdade e se fortalecer emocional e mentalmente, para lidar com os reveses da vida.

Ninguém tem o controle – mas todos têm habilidades para sobreviver e bem viver. Coragem.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Dez Por Cento Mais: a importância da comunicação e da saúde mental na sexualidade masculina

Foto de Nathan Cowley

A sexualidade masculina, frequentemente associada a ideias de virilidade e constante disposição, esconde desafios significativos, principalmente relacionados à comunicação e saúde mental. A psiquiatra Ana Patrícia Brasil,, em entrevista ao programa “Dez Por Cento Mais” no YouTube, discutiu essas questões, revelando que muitos homens enfrentam dificuldades em expressar suas preocupações sexuais, mesmo em um contexto clínico.

Segundo a Dra. Brasil, os homens muitas vezes se sentem mais à vontade para discutir questões íntimas com uma profissional feminina, possivelmente devido à ausência de julgamento percebida e à facilidade em compartilhar tais assuntos com uma mulher. Ela ressaltou que a dificuldade em abordar esses temas está muitas vezes enraizada em estereótipos culturais de masculinidade, onde admitir vulnerabilidades sexuais pode ser visto como um sinal de fraqueza.

Comunicação aberta reduz problemas sexuais

A especialista enfatizou a importância da comunicação aberta e franca, tanto com profissionais de saúde quanto com parceiros(as), como meio de enfrentar e resolver problemas sexuais. Ela observou que o tabu em torno da sexualidade masculina e a pressão para se conformar a certos padrões muitas vezes mascaram problemas subjacentes, como ansiedade, estresse e baixa autoestima, que podem levar a disfunções sexuais.

Além disso, Dra. Brasil destacou o impacto da saúde mental na sexualidade. Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, podem influenciar significativamente o desejo e o desempenho sexual. A terapia e, em alguns casos, medicação, podem ser necessárias para abordar esses problemas subjacentes.

Cuidado com pornografia em excesso

A entrevista também abordou o uso problemático de pornografia e a forma como isso pode afetar a sexualidade, especialmente entre os jovens. A Dra. Brasil alertou sobre as consequências negativas do consumo excessivo de pornografia, incluindo a formação de padrões de excitação irrealistas e problemas na interação sexual real.

Dica Dez Por Cento Mais 

Comunicar-se sobre o que aflige, o que se espera do outro, ou até sobre dúvidas e inseguranças, pode não só fortalecer a relação, mas também aumentar a compreensão mútua e a intimidade, disse Dra Brasil na Dica Dez Por Cento Mais: 

“Não é uma fórmula complicada, e funciona na maioria dos casos de pessoas que estão em um relacionamento: conversar abertamente sobre o que te aflige, sobre o que você espera no outro. Isso já ajuda a sanar grande parte do problema que são todos esses pensamentos, dessa bagagem que a pessoa leva antes da relação. Se essa bagagem você abre, esse peso diminui, e as chances de você ter uma performance melhor, uma satisfação maior aumentam muito”.

Assista ao Dez Por Cento Mais

Toda quarta-feira, às oito da noite, você tem um novo episódio do Dez Por Cento Mais, no YouTube. Ao assistir ao vivo, você pode fazer perguntas aos entrevistados do programa: