Júlia estava com o olhar perdido sobre a mesa de trabalho. Passou o dia todo assim. Marcelo percebeu e, ao fim do expediente, lhe trouxe uma xícara de chá: “Espero que fique tudo bem”.
Antônio foi enganado e prejudicado por uma pessoa que considerava próxima, a quem admirava, e ainda foi apontado como desonesto. Em nome do respeito a essa pessoa, optou por calar-se — para não causar sofrimento a outros, para não propagar o ciclo de dor.
Ana esteve ao lado do ex-marido no momento do adoecimento dele e fez o melhor que pôde para suavizar a angústia de quem um dia já partilhou tantos momentos bonitos com ela.
Beleza moral.
Existem atitudes humanas que causam encantamento, fascínio, espanto. Há pessoas que caminham pelo mundo com harmonia, encaixando-se onde são necessárias gentileza e atenção, demorando-se onde o cuidado pede tempo e um olhar atento aos detalhes.
Beleza moral arrepia. Ela materializa a honestidade, a coragem, a justiça, a generosidade, a magnanimidade. Conecta-se com algo que temos dentro de nós, uma essência que pulsa e se expande quando presencia atos de bondade e ética.
E por que esses atos têm nos causado espanto e encantamento? Descrevendo assim, parecem tão simples. É que o simples já não vale tanto. A tecnologia, a vitrine nas redes sociais, a fama, o dinheiro, os bens materiais, “a diferenciação” — tudo isso abafa o simples.
A beleza moral parece não encontrar mais terreno onde crescer. Ela acontece, poucos veem. A pessoa desiste ou, quando não desiste (ainda bem!), caminha quase só, com pouca força para gerar grandes movimentos de mudança. A sociedade segue sem ver, sem valorizar.
Repare:: em um tempo em que reclamamos tanto de solidão, grosseria e egoísmo, não cairia bem uma boa dose de beleza moral?
Precisamos caminhar. A vida se constrói no movimento. Agora, a pergunta é: como estamos caminhando? Que rastros cada um de nós deixa para trás ao passar?
E se alternássemos o grupo de corrida, o grupo de futebol ou os encontros com amigos com o Grupo de Caminhada da Beleza Moral?
— Vamos juntos?
Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
A tristeza profunda, a ansiedade persistente ou o esgotamento emocional fazem parte da vida de muitas pessoas. Nem sempre, porém, esses estados significam doença. A diferença entre um sofrimento natural da existência e um transtorno que exige tratamento pode ser sutil. Compreender esse limite é fundamental para evitar diagnósticos precipitados ou tratamentos inadequados. Esse foi o tema da conversa com o psiquiatra Dr. Wimer Bottura Jr., em entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.
Para começo de conversa, Bottura destacou que o sofrimento psíquico merece atenção, independentemente de sua origem. Segundo ele, muitas vezes experiências difíceis — como frustrações, perdas ou o fim de um relacionamento — provocam dor emocional intensa, mas não configuram necessariamente um quadro clínico. O psiquiatra lembra que ignorar o sofrimento pode trazer consequências. “Se a pessoa leva em conta o sofrimento e busca ajuda no momento do sofrimento, ela evita que a doença se instale”, explicou.
Informação em excesso e diagnósticos apressados
O Dez Por Cente Mais também abordou a transformação na relação entre pacientes e profissionais de saúde mental. O acesso à informação ampliou o conhecimento das pessoas sobre transtornos psicológicos, e trouxe um efeito colateral: a tendência ao autodiagnóstico.
Bottura observa que muitos pacientes chegam ao consultório já convencidos de que possuem determinado transtorno. “Hoje qualquer pessoa faz diagnóstico respondendo algumas perguntas na internet”, disse. Para ele, esse processo pode gerar confusão, porque sintomas isolados não são suficientes para definir um quadro clínico.
O psiquiatra chamou atenção para o crescimento de diagnósticos de transtornos como ansiedade, TDAH e autismo. Parte desse aumento reflete maior acesso à informação e redução do preconceito. Ao mesmo tempo, segundo ele, existe o risco de avaliações superficiais. “Aumentou o número de diagnósticos, aumentou a informação, mas também aumentou a meia informação.”
O risco do excesso de remédios
A discussão sobre o uso de medicamentos ocupou parte importante da conversa. Bottura afirma que os remédios têm papel relevante na psiquiatria, desde que usados com diagnóstico adequado. “Eu sou favorável ao remédio. Eu sou favorável a um diagnóstico preciso”, afirmou.
Segundo ele, há situações em que a medicação é indispensável e outras em que seu uso pode ser excessivo. Um dos riscos, explicou, é medicar pessoas que não têm o transtorno diagnosticado. Nesse caso, o tratamento não produz efeito e pode gerar descrédito:. “O problema é que depois a pessoa diz: ‘O remédio não funciona’. E isso cria resistência em quem realmente precisa do medicamento.”
Outro ponto destacado pelo psiquiatra é que o diagnóstico deve considerar não apenas o transtorno, mas também o contexto de vida da pessoa. Em alguns casos, acrescenta, o sofrimento está ligado às circunstâncias em que a pessoa vive. Medicá-la sem mudar essas condições pode apenas prolongar o problema.
A arte como caminho de compreensão
Ao longo da entrevista, Bottura ampliou a reflexão sobre saúde mental ao falar do papel da arte no desenvolvimento emocional. Para ele, cinema, literatura e música ajudam as pessoas a compreender experiências humanas complexas. “A arte chega ao conhecimento muito antes que a ciência”, afirmou.
O psiquiatra relatou que há quase três décadas conduz um projeto chamado Cine Debate, no qual exibe filmes e promove discussões com o público. A proposta é estimular o aprendizado indireto, ou seja, quando alguém aprende observando a experiência de outras pessoas ou personagens.
“Eu aprendo com a dor do outro”, explicou. “No cinema, no romance, no teatro, eu vejo o sofrimento do personagem, me identifico com ele e me desenvolvo a partir dessa experiência.”
A música também ocupa espaço central na visão de Bottura sobre saúde emocional. Além de psiquiatra, ele compõe canções e estuda os efeitos da música no comportamento humano. Cantar e dançar são atividades que favorecem vínculos afetivos e bem-estar. “Não precisa cantar bem. Precisa cantar”, afirmou. “Cantar aproxima pessoas.”
O médico ressalta que a música pode ajudar a reduzir o estresse, fortalecer relações sociais e estimular a curiosidade, fator que considera essencial para a vitalidade ao longo da vida. “Quando eu não tenho mais curiosidade, eu morro”, disse.
A importância de ser quem se é
Bottura resumiu sua visão sobre saúde mental e desenvolvimento humano. Para ele, a vida emocional não se resolve apenas com diagnósticos ou medicamentos. O processo envolve também autoconhecimento, expressão e relações afetivas. “A coisa mais importante da nossa vida é saber ser a gente mesmo”, afirmou. “As pessoas precisam se permitir expressar seus sentimentos, suas opiniões, o que vem da sua alma.”
Na avaliação do psiquiatra, atitudes simples — como cultivar vínculos, manter curiosidade e abrir espaço para a arte — podem contribuir de forma significativa para o equilíbrio emocional e a qualidade de vida.
Quando erguemos o olhar e vemos um terreno em que nada há: não há o namoro; não há mais o emprego; o dinheiro acabou; o casamento desmoronou … a autoestima inexiste.
Há momentos na vida que parecem filme de guerra: tragédia atrás de tragédia, recursos esgotados, tristeza profunda. Tudo cinza(s).
Há momentos em que parece não haver vida. Como pode dar tanta coisa errada? O que fazer com esse desespero e essa desesperança?
Onde nada há, pode existir tudo.
Quando não temos mais o que perder, podemos olhar para dentro de nós e fazer a pergunta: como seguir daqui pra frente?
Reflexões que nos ajudam: quem são as pessoas que ainda estão do meu lado (são aquelas que eu imaginava que permaneceriam)? O que antes eu odiava e que não quero voltar a suportar? Como posso construir uma rotina que não seja um inferno ou uma prisão sufocante?
Claro, nem sempre cabe tudo o que desejamos, queremos. Mas sempre cabe algo de bom, melhor que antes. Um hábito novo que fazemos só porque é gostoso, ainda que “não sirva pra nada”; um descanso em um momento do dia que “deixar tudo arrumado” era obrigação; o distanciamento de alguém que nos fazia tanto mal.
Está aí: o nada traz a permissão de refazer, reescolher, redecidir.
O que você quer de novo para sua vida? O que você pode incluir no seu dia a dia que te fará mais leve, mais alegre, com mais energia para sentir, pensar e agir?
Então — nessa sua terra arrasada — que castelo você construirá? Que história você contará e viverá?
A Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Apresentação importante no trabalho, festa de aniversário de um conhecido, evento social de um parceiro profissional, jantar com um amigo e amigos do amigo… A gente se pergunta: “Com que roupa eu vou?”
Existe normalmente uma preocupação, um cuidado com nossa aparência em situações sociais. Ideias como: “O que esse momento pede: vou mais formal ou mais casual? Como será que os outros estarão vestidos? Quero me destacar… ou passar despercebida?” pipocam na nossa mente, por esse desejo de agradar, de não errar, de ser aceita e bem-vista.
E como é desafiador, não? Ambientes diferentes, pessoas desconhecidas, expectativas não muito claras — são inúmeros os gatilhos que geram ansiedade e insegurança. A mente funciona “a mil”, querendo rastrear todos os riscos e todas as necessidades em poucos minutos e montar a estratégia perfeita! Pensamos juntos o quanto isso é exaustivo?
Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e pessoas diferentes para agradar… Combinação desastrosa, fadada a nos levar à frustração e à exaustão. Como gerenciar tantas demandas sendo uma pessoa só, para “dar conta” de tudo isso?
Vem aqui o convite: e se formos, de verdade, “uma pessoa só” ?!
Explico — e se escolhermos parar, perceber nossas características, definir nosso estilo (de vestir, agir, reagir, conduzir as relações e a vida) e, então, sair pelos eventos e pelo mundo sendo a pessoa que somos?
A tal autenticidade, tão famosa e pseudo-estimulada, é essa coragem de bancar quem somos e sustentar esse padrão único nas diversas situações. É definir como nos apresentar aos outros a partir do que temos dentro de nós, com a tranquilidade de estarmos sendo nossa melhor essência (nada perfeita, porém verdadeiramente nossa).
Cheiro de liberdade no ar. Redução das múltiplas dúvidas e inseguranças.
“Com que roupa eu vou?” — vou vestida de mim.
A Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
“Se tudo der certo, você vai envelhecer. Então, cuide bem dos idosos próximos a você.”
Francisco Carlos Gomes
A população brasileira com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado e, a partir de 2030, será numericamente maior que a de jovens. Com isso, aumenta também a urgência de refletir sobre o envelhecimento como parte da existência — e não como sinônimo de fim. O que ainda faz brilhar os olhos depois dos 60? Onde encontrar sentido quando os vínculos sociais enfraquecem e a finitude se torna mais presente? Esse foi um dos temas da entrevista com o psicólogo clínico e logoterapeuta Francisco Carlos Gomes ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa.
Francisco é especialista na abordagem desenvolvida por Viktor Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente de campos de concentração nazistas, e explica que a logoterapia se volta à pergunta: qual o sentido da minha existência? “O nosso objetivo é sempre ajudar as pessoas no processo de entender que há sentido, que talvez naquele momento esteja obscuro, que a pessoa ainda não está enxergando.” Ele detalha os três caminhos propostos por Frankl para essa busca: os valores criativos — aquilo que nós doamos ao mundo; os valores vivenciais — os relacionamentos, a conexão com o belo, com a vida; e os valores atitudinais — as nossas atitudes diante das questões que não conseguimos mudar.
O que a vida quer de mim?
Quando a dor se impõe — seja por perdas, doenças, envelhecimento ou frustrações — o sofrimento existencial aparece. “A sensação de falta de sentido pode nos trazer sofrimento”, afirma Francisco. “Mas o vazio existencial não é uma doença. Ele é um espaço em que nos desconectamos desse compromisso de viver com dignidade.”
Encontrar sentido, diz o psicólogo, exige envolvimento ativo: “Depois que eu descubro, eu preciso fazer algo significativo.” E esse processo é profundamente individual. “Nós, psicólogos, psiquiatras, não podemos dar sentido para a vida de ninguém. Podemos ajudar as pessoas a encontrar um sentido para a existência dela.”
A busca por esse sentido, ele reforça, muda ao longo da vida: “O sentido não é fixo. Ele vai mudando de acordo com as fases de desenvolvimento que nós estamos passando.” Na velhice, essa pergunta pode estar ligada ao legado: “É aquilo que você também está deixando para a sociedade, através da construção da sua obra — que seja a família, que sejam filhos, que sejam livros, que sejam ações colocadas no mundo.”
A liberdade interior diante das opressões
Francisco destaca que, mesmo em contextos extremos de violência e opressão, como os vividos por Viktor Frankl ou por Nelson Mandela, é possível manter uma liberdade essencial. “A liberdade do pensamento, a liberdade interior, é um caminho de fortalecimento.” Mas ele alerta: “A maioria das pessoas não sabe que tem essa liberdade interior, porque muitas vezes foram dominadas por outra pessoa.”
A liberdade, segundo ele, deve andar com responsabilidade. “Existe um binômio que eu trabalho muito: liberdade com responsabilidade. Não somos livres para tudo, mas somos livres para atuar na nossa vida, na nossa existência.”
Esse compromisso com a própria existência inclui, para ele, reconhecer o peso do racismo estrutural na construção de sentido entre a população negra. Francisco compartilha sua experiência pessoal ao visitar o porto de onde partiram os primeiros navios negreiros para o Brasil e ressalta: “Houve quase 400 anos de escravidão no Brasil. Não é pouca coisa.” E ainda hoje, diz ele, os efeitos estão presentes: “De gerente para cima, para diretores, você não encontra [pessoas negras], ou encontra muito pouco.”
Uma vida que ainda vale a pena
Criador do canal Longidade, Francisco participa de iniciativas voltadas ao envelhecimento com propósito. Ele lembra que a solidão, o isolamento e o sentimento de inutilidade são experiências comuns após a aposentadoria. “Nós vivemos várias etapas. Se nós não fizermos algo significativo nessa etapa, temos uma tendência a deprimir.” Ele defende que a velhice não seja reduzida a uma caricatura: “Infantilizam o idoso, usando palavras no diminutivo, ‘velhinho’, ‘fofinho’. Vai se descaracterizando.”
Na sociedade do espetáculo, envelhecer é visto como fracasso, mas Francisco propõe uma inversão: “Envelhecer é uma coisa maravilhosa nesse sentido — eu consegui chegar nesse lugar.” O sentido da vida, reforça, está também em poder olhar para trás e dizer: “A minha vida valeu a pena de ser vivida.”
Assista ao Dez Por Cento Mais
O Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.
O desejo é um bichinho inquieto e guloso… está sempre com uma fome nova, muitas vezes de algo difícil de conseguir… coloca a gente em agitação, incomodados com a falta daquilo.
O desejo é um bichinho insatisfeito… você dá o que ele quer e, pronto, logo ele já nem saboreia mais aquilo e já parte pra outra vontade.
É o que temos – desejos. Desejos e mais desejos. Mil vozes na nossa cabeça: “Quero isso. Preciso daquilo. Olha, que legal, que vontade!” Existe férias da mente?
Essa intensidade cansa, mas ruim de verdade… é o tal do: Não!
“Não é pra você. Não dará certo. Não irão te ajudar. Não gostaram do que você fez. Não lhes interessam o que você pensa ou faz.”
Na mesma facilidade que o desejo pula, o Não vem. Às vezes da gente mesmo, às vezes de outras pessoas… Muitas vezes, da vida, que parece “não querer que aconteça”.
Então, não dá pra parar de desejar? Porque esse tal de Não dói pra caramba… A mente pensa: “A partir de agora, a ordem é não querer, deixa a vida me levar”.
Pois é, mas e quando vem o Sim? E quando nosso desejo é atendido… Que sensação mais gostosa! Uma comida, uma conquista material, um elogio de alguém, um amor… Desejos atendidos jogam luz em qualquer dia cinzento!
Então, quando a vida diz: Não! … Uma saída é dizer pra ela: Sim!
Sim, você comanda, você decide…
Sim, meu poder é limitado…
E, Sim, vou seguir aqui, porque vai que você me surpreende qualquer dia desses e me faz, ainda que momentaneamente, feliz?!
A vida diz Não, a gente diz Sim…
E que venham os desejos!
Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Encruzilhadas. Existem situações na vida que nos colocam em uma dúvida angustiante: fazer ou não fazer?
Existem situações na vida que testam nossas certezas. Para conseguir mais destaque, mais elogios, mais dinheiro, mais poder… até onde ir?
A pergunta é difícil porque a resposta certa não foi pré-definida por ninguém até hoje.
Quando limites são colocados, consequentemente existem perdas. Perda do contato de alguém importante para a carreira; perda do afeto de um amigo ou familiar; perda de uma chance de ganhar mais dinheiro ou fazer mais sucesso.
E o que você está disposto a perder para manter sua fidelidade a você mesmo?
Viver para agradar aos outros ou para ser bem visto e elogiado pela sociedade costuma ser um buraco sem fim. Queremos entrar nesse buraco? Queremos viver nesse buraco?
As sensações que temos no dia a dia – alegria, angústia, saudade, tristeza, raiva, serenidade, cansaço, bem-estar – dependem dessa decisão: escolher que vida quer viver e ter coragem de fazer acontecer.
Até onde ir? Até onde fizer sentido pra você. Até onde você entender que vale a pena, que te ajuda a construir uma vida boa de viver.
Ultrapassar esses limites cobra um preço pesado, destruidor, caro. Ultrapassar esses limites nos joga no tal buraco sem fim – escuro e cada vez mais profundo e difícil de sair.
Cuide por onde anda. Ande até onde for saudável para você.
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia.
“Que cansaço”; “Não aguento, estou cansado”; “O cansaço não me deixa”; “Vai você, estou cansado”; “Durmo, durmo, mas estou sempre cansado!”
Uma sociedade sem energia. Uma humanidade à caça de motivação, vontade, disposição.
Olhos caídos, ombros caídos, corpo lento… O cansaço transborda na imagem, na postura, no tom de voz – transborda no silêncio, inclusive: “Ah Estou cansado demais pra falar, pra brigar, pra conviver… Deixa pra lá.”
O cansaço, muitas vezes, transborda também na irritação à flor da pele, no pavio curto, na falta de paciência pra esperar – e, assim, traz mais problemas pra lidar e… quem diria, mais cansaço.
Para onde foi a energia das pessoas? Onde está a gana, a garra, a habilidade de tentar e fazer e cair e levantar?!?
Para onde foi a vida das pessoas? Porque energia é vida, energia é o que movimenta, o que gera ação, o que constrói e empurra pra frente. Qual será o destino de pessoas tão cansadas?
Os motivos, provavelmente, são diversos – depende de cada indivíduo, cada forma de pensar e sentir, cada forma de agir (ou não agir no mundo) …
Mas como podemos REagir?
Como podemos começar a sair desse lugar de tão pouco, tão escasso, tão frágil?!
Alegrias. O cérebro humano precisa de alegrias, de pílulas de cor e brilho! Não há quadro bonito com pura tela branca. Não há vida feliz com “puro” trabalho + pagamento de contas + resolução de problemas + sofá + cama.
É necessário mais. Colocar pitadas de amarelo e azul e vermelho e verde! É preciso luz do Sol enquanto descansa alguns minutos; é preciso azul do lago ou do Céu enquanto o olhar se acalma; é preciso amor do abraço ou do cafuné no cabelo; é preciso os tons de verde das árvores e plantas que enfeitam e merecem ser admiradas num silêncio passageiro…
Alegrias. Traga momentos de alegrias para sua vida, para sua rotina, para os “seus dias comuns”.
As alegrias empurram o cansaço para o lado e te preenchem de energia, de motivação, de vida.
Vamos ser uma humanidade viva!
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Previsibilidade. Saber o que vai acontecer. Preparar-se para o futuro.
Ter o controle sobre os acontecimentos da vida é um sonho desejado por todos nós. Sentir a segurança de que “as coisas darão certo”, “estarei preparado pra tudo”, “não corro riscos” – realmente, seria nosso mundo ideal. Nele, não precisaríamos sentir medo ou ansiedade ou insegurança… teríamos controle.
Na busca de se aproximar desse cenário, é comum que as pessoas façam planejamentos cautelosos, tentem antecipar qualquer risco e “resolvê-lo”, vigiem o comportamento dos outros e dêem comandos de como eles devem agir, não aceitem mudar os planos, ocupem a cabeça com muitas e muitas preocupações – tudo para “evitar o pior”.
E nesse cenário, essas pessoas ficam presas, hipervigilantes, tensas, com um sentimento frequente de que algo ruim acontecerá a qualquer momento – não pode relaxar!
A ansiedade vira um estado constante e o corpo sofre com cansaço e dores; a mente sofre com irritação e desatenção; a alma sofre com angústia sem fim.
Não perdemos o controle… porque, no fundo, nunca o tivemos. Mudanças são umas das poucas certezas da vida – tudo muda e sem previsões exatas.
Saída melhor é treinar a flexibilidade e a adaptação; saída melhor é admitir essa verdade e se fortalecer emocional e mentalmente, para lidar com os reveses da vida.
Ninguém tem o controle – mas todos têm habilidades para sobreviver e bem viver. Coragem.
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
A sexualidade masculina, frequentemente associada a ideias de virilidade e constante disposição, esconde desafios significativos, principalmente relacionados à comunicação e saúde mental. A psiquiatra Ana Patrícia Brasil,, em entrevista ao programa “Dez Por Cento Mais” no YouTube, discutiu essas questões, revelando que muitos homens enfrentam dificuldades em expressar suas preocupações sexuais, mesmo em um contexto clínico.
Segundo a Dra. Brasil, os homens muitas vezes se sentem mais à vontade para discutir questões íntimas com uma profissional feminina, possivelmente devido à ausência de julgamento percebida e à facilidade em compartilhar tais assuntos com uma mulher. Ela ressaltou que a dificuldade em abordar esses temas está muitas vezes enraizada em estereótipos culturais de masculinidade, onde admitir vulnerabilidades sexuais pode ser visto como um sinal de fraqueza.
Comunicação aberta reduz problemas sexuais
A especialista enfatizou a importância da comunicação aberta e franca, tanto com profissionais de saúde quanto com parceiros(as), como meio de enfrentar e resolver problemas sexuais. Ela observou que o tabu em torno da sexualidade masculina e a pressão para se conformar a certos padrões muitas vezes mascaram problemas subjacentes, como ansiedade, estresse e baixa autoestima, que podem levar a disfunções sexuais.
Além disso, Dra. Brasil destacou o impacto da saúde mental na sexualidade. Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, podem influenciar significativamente o desejo e o desempenho sexual. A terapia e, em alguns casos, medicação, podem ser necessárias para abordar esses problemas subjacentes.
Cuidado com pornografia em excesso
A entrevista também abordou o uso problemático de pornografia e a forma como isso pode afetar a sexualidade, especialmente entre os jovens. A Dra. Brasil alertou sobre as consequências negativas do consumo excessivo de pornografia, incluindo a formação de padrões de excitação irrealistas e problemas na interação sexual real.
Dica Dez Por Cento Mais
Comunicar-se sobre o que aflige, o que se espera do outro, ou até sobre dúvidas e inseguranças, pode não só fortalecer a relação, mas também aumentar a compreensão mútua e a intimidade, disse Dra Brasil na Dica Dez Por Cento Mais:
“Não é uma fórmula complicada, e funciona na maioria dos casos de pessoas que estão em um relacionamento: conversar abertamente sobre o que te aflige, sobre o que você espera no outro. Isso já ajuda a sanar grande parte do problema que são todos esses pensamentos, dessa bagagem que a pessoa leva antes da relação. Se essa bagagem você abre, esse peso diminui, e as chances de você ter uma performance melhor, uma satisfação maior aumentam muito”.
Assista ao Dez Por Cento Mais
Toda quarta-feira, às oito da noite, você tem um novo episódio do Dez Por Cento Mais, no YouTube. Ao assistir ao vivo, você pode fazer perguntas aos entrevistados do programa: