Ninguém entende

Dra. Nina Ferreira

@ninaferreira.psiquiatra

Você escolheu mudar — de casa, cidade, emprego, relacionamento, aparência.
Você emagrece — está demais; você engorda — precisa se controlar.
Quer outra carreira — está enlouquecendo? Vai desperdiçar tudo o que já fez?
Decide dizer não para uma relação — está pensando o quê, que encontrará algo melhor?

Há coisas que ninguém entende. Decisões que ninguém apoia. Atitudes extremamente solitárias.

Pessoas têm seus temperamentos, traumas de vida, experiências prévias — e, a partir desse baú todo, constroem opiniões e conceitos, inclusive sobre “o que é certo e errado”.

Quando se forma um grupo de pessoas que convivem em um espaço, chamamos de sociedade. Surgem opiniões e conceitos do grupo — as regras sociais.

Carrinho de bate-bate: muitas vezes, suas percepções e suas vontades, como indivíduo único que é, baterão de frente com essas regras sociais. Choques e mais choques. Você estará sozinho.

É… ninguém entende. Há coisas suas que ninguém entenderá. E o dilema aparece: eu entendo, mas estou sozinho nessa. O que fazer?

Há momentos que nos exigem coragem. Coragem de reconhecer e assumir nossos desejos e sonhos, apesar de.

Apesar de os outros não gostarem, não concordarem, pontuarem problemas nas suas escolhas e ações.

Não é sobre ser ofensivo ou rebelde. É sobre poder ser você, em toda sua verdadeira e única essência.

Sustentar sua autenticidade tem um preço.
Não sustentá-la tem outro preço.

Ninguém entende.
Você, sim.

A Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

A falta

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Certeza, segurança, confiança, esperança, amor.

Há coisas que, quando faltam, esburacam.

Nossa ansiedade transborda quando perdemos algo que tínhamos ou quando não temos algo de que tanto precisamos.

A falta esburaca e abre um espaço que parece nos deixar frágeis. Sem preenchimento, como vamos nos sustentar?

Vem aí uma questão: o que, de fato, nos sustenta? O que as outras pessoas ou a vida podem nos dar que traga completude?

Nós vivemos buscando: dinheiro, elogios, reconhecimento, experiências novas ou intensas, relacionamentos amorosos, felicidade. Vamos testando tudo para ver se preenchemos essa falta. E parece uma busca sem fim.

Quando conseguimos uma coisa, parece não ser suficiente. Quando construímos uma relação, passa a ser um problema na nossa vida. Corremos, corremos, cansamos… e nada.

O convite hoje é: vamos parar? Parar para perceber onde estamos, de onde viemos, quem já fomos no passado, quais já foram nossos sonhos.

Vamos parar e entrar nesse mundo interno único? O que podemos encontrar nele, além da falta? O que há de memória e de atual nos ocupando?

Sim, sempre haverá falta. Sim, isso nos fragiliza. Em se olharmos o que já temos? O que podemos fazer com o que nos ocupa por dentro? Que esse algo que já existe em nós seja terreno para novas construções. Nós mesmos ocupando nossas faltas.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Ocupação sem fim

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

O que isso tudo tem em comum?

A gente se enche de coisas pra fazer. Não é difícil achar uma ocupação, até porque as opções na vitrine são várias – sempre tem uma informação nova, uma reunião nova, algo imperdível ou urgente na lista do dia.

A gente entra, se afoga, tenta respirar na superfície, se afoga de novo, nada mais um pouco… E assim a gente vai vivendo – vivendo?

De repente, passou a semana, não fizemos o que era importante, continuamos tristes, irritados, cansados. De repente, tem um tanto de coisa que precisa mudar pra nossa vida melhorar, mas… passou.

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

Quantas fugas.

Quantos jeitos diferentes temos de não parar, não olhar pra dentro, não encarar o que está torto ou o que dói.

Quantas maneiras encontramos de nos ocupar – inclusive, com atividades que, aos olhos da sociedade, parecem banais (celular) ou até muito úteis e admiráveis (trabalhar, conquistar mais e mais, fazer sucesso).

Aqui, vamos pensar além da forma: Por que fazemos o que fazemos? Estamos conectados e envolvidos com nossas escolhas e ações, elas têm um fim – ou seja, um objetivo bom para nós?

Por que fazemos o que fazemos? Estamos nos ocupando de atividades e tarefas que nos mantêm distantes de ter que olhar e sentir e lidar com aquilo que é pesado, sofrido, desafiador?

Natural fugirmos do que assusta; podemos fugir vez ou outra, como uma estratégia para respirar ou suportar. O que prejudica mesmo é essa ocupação sem fim – essa ocupação que afoga, que desconecta, que não tem um fim saudável e desejável, porque é só um “tapa-buraco”.

Que buracos estamos tentando evitar? Que vazios estamos tentando preencher?

Fica o convite… Vamos, sim, nos ocupar – com uma finalidade: o de, verdadeiramente, ser e viver. Ocupação com fim.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Ação ou Reação?

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Reveja seus últimos meses de trabalho, convívio familiar, relacionamento amoroso… O que mais você vê: ação ou reação?

Ação: você pensa, elabora ideias, tem intenções e objetivos, escolhe que atitudes tomar e executa.

Reação: você percebe uma cobrança externa, um risco de perder algo ou alguém, uma crítica… qualquer situação que te incomoda ou te assusta e, então, dá uma resposta a isso, como uma defesa ou um contra-ataque.

Por fora, para quem está assistindo, parece tudo a mesma coisa – um ser humano fazendo movimentos, falando, indo ou voltando, iniciando projetos, e por aí vai.

Mas, por dentro… muda tudo. Por dentro, a motivação que inicia a atitude diz se estamos construindo, conscientemente, a vida que queremos viver, a reputação que queremos ter, o impacto que geramos no mundo; ou diz se estamos tampando buracos, apagando incêndios, empurrando como dá.

Reagir nos coloca em estado de alerta constante, porque estamos sempre vigilantes, resolvendo problemas, tentando provar que somos capazes, nos esforçando pra não perder o que (de repente) lembramos ser importante.

Viver de reações, de tentativas de responder rápido ao que percebemos não estar funcionando, é exaustivo – porque nos deixa com medo de perdermos, sermos descobertos em nossas faltas e falhas… uma escravidão sem fim.

Em sentido aposto, agir nos coloca no comando, porque temos clareza do que fazemos, o porquê fazemos, para onde pretendemos ir. Viver de ações nos dá segurança, confiança, firmeza em nós mesmos e na nossa história.

Ação ou Reação – projete seus próximos meses de trabalho, convívio familiar, relacionamento amoroso, vida… e me diga: escolherá qual caminho para você?

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center.  Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

O super-poder

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Vlad Deep

Como tomar decisões melhores? Como aumentar as chances de conquistar o que quer? Como ter mais paz e sossego?

Em resumo: como ser melhor?

Existe uma habilidade que, se construída, nos dá um super-poder.

Essa habilidade nos fornece mais informações, daquelas que poucos têm e fazem muita diferença no resultado final; nos fornece autodomínio, ou seja, nos ajuda a regular nossos sentimentos ao invés de sermos arrastados por eles… Essa habilidade nos dá poder, liberdade e mais felicidade.

Contemplar.

A atitude de contemplar vem em 3 passos: parar, observar, raciocinar. Por vezes, dependendo da grandeza da situação, ou de sua complexidade, precisamos refazer os passos, até chegarmos a um lugar de estratégia determinada e início da ação.

Contemplar é um treino que ninguém nos ensina com clareza, mas que diferencia aqueles que são leves e livres dos que ruminam e ruminam e sentem a vida empacada e pesada.

Comecemos pelo pequeno. Contemplar sobre a rotina desse dia de hoje; depois, contemplar sobre as mudanças de hábitos mais urgentes; então, contemplar sobre aquele problema familiar ou financeiro que está escondido embaixo do tapete (mas insistindo em incomodar seu sono e sua paz).

Nada de grandes saltos. Treinar essa habilidade com grandes problemas gerará angústia, desistência e frustração. Aqui, quanto mais lento o processo, mais robusto e eficaz o resultado.

Seja super-poderoso. Escolha se ajudar a viver uma rotina que flui, que é suportável e mais – desejada e com muitas pitadas de alegria.

Seja você o herói que irá te resgatar. Contemple, passo a passo, dia a dia… E comemore suas vitórias poderosas!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Quando a vida te diz: Não!

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Kaboompics.com

O desejo é um bichinho inquieto e guloso… está sempre com uma fome nova, muitas vezes de algo difícil de conseguir… coloca a gente em agitação, incomodados com a falta daquilo.

O desejo é um bichinho insatisfeito… você dá o que ele quer e, pronto, logo ele já nem saboreia mais aquilo e já parte pra outra vontade.

É o que temos – desejos. Desejos e mais desejos. Mil vozes na nossa cabeça: “Quero isso. Preciso daquilo. Olha, que legal, que vontade!” Existe férias da mente?

Essa intensidade cansa, mas ruim de verdade… é o tal do: Não!

“Não é pra você. Não dará certo. Não irão te ajudar. Não gostaram do que você fez. Não lhes interessam o que você pensa ou faz.”

Na mesma facilidade que o desejo pula, o Não vem. Às vezes da gente mesmo, às vezes de outras pessoas… Muitas vezes, da vida, que parece “não querer que aconteça”.

Então, não dá pra parar de desejar? Porque esse tal de Não dói pra caramba… A mente pensa: “A partir de agora, a ordem é não querer, deixa a vida me levar”.

Pois é, mas e quando vem o Sim? E quando nosso desejo é atendido… Que sensação mais gostosa! Uma comida, uma conquista material, um elogio de alguém, um amor… Desejos atendidos jogam luz em qualquer dia cinzento!

Então, quando a vida diz: Não! … Uma saída é dizer pra ela: Sim!

Sim, você comanda, você decide…

Sim, meu poder é limitado…

E, Sim, vou seguir aqui, porque vai que você me surpreende qualquer dia desses e me faz, ainda que momentaneamente, feliz?!

A vida diz Não, a gente diz Sim…

E que venham os desejos!

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Parece, mas não é

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Parece, mas não é

A comida parece gostosa, mas não é. A bolsa parece da marca X, mas não é. O casamento parece muito feliz, mas não é.

Parecer é o verbo do momento. Parecer é a moeda de troca do mundo contemporâneo.

Parecer bem sucedido, bonito, bom, legal, interessante… já basta. Aliás, é o que importa.

Se é real mesmo, se é verdadeiro mesmo… que diferença faz? Se parece, é. Aos olhos do julgamento atual, a imagem que você passa e a narrativa que você transmite serão seu valor na sociedade.

“Olha, ela parece tão feliz!”; “Olha, ele mostrando o sucesso dele!”. Pronto, o rótulo já existe, o posto foi conquistado.

Castelo de cartas. Um sopro e tudo cai. Difícil viver criando e sustentando uma vida que não existe no mundo real. Preocupação com cada foto, roupa, imagem, atitude… Hipervigilância, tensão constante, necessidade de se provar e se reafirmar.

Receber elogios é mesmo muito prazeroso. A reflexão aqui é: qual o preço estamos dispostos a pagar para sermos reconhecidos, aplaudidos, “valorizados”?

Aguentamos viver uma vida falsa, trabalhosa de ser construída e mantida? Aguentamos viver em constante ansiedade e apreensão?

O vazio de parecer sem ser… Nem todos os elogios do universo preenchem.

Não ser verdadeiro consigo mesmo e sustentar máscaras custa caro, muito caro. Vamos nos deixar sequestrar ou vamos nos resgatar desse caos?

Parece inimaginável, mas não é. Basta ter coragem de ser. Sem vazios, cheio de si mesmo.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Como acordar?

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de cottonbro studio

Abrir os olhos pela manhã, sair da cama, tomar café, escovar os dentes… Pronto: muito simples acordar!

Mas quem nos garante que acordamos?

Acordar, para a medicina, é estar vigil, em estado de alerta. Acordar é estar consciente, conectado aos seus pensamentos e sentimentos e ao mundo fora. Parece bastante complexo, não?

Então, será que, todas as manhãs e ao longo dos dias, estamos mesmo acordados?

Vivemos tempos em que tudo nos distrai: redes sociais, site de notícias, troca de mensagens, memórias negativas, preocupações catastróficas, medo, insegurança…

É, estamos, de alguma forma, alertas. A questão é: para onde estamos olhando?

Toda essa distração tem nos sequestrado das nossas próprias vidas. Comemos sem perceber – “Nossa, já acabou o prato?”; falamos sem pensar – “Por que fui falar isso?”; gastamos dinheiro no impulso – “Só porque estava em promoção…”. Não estamos acordados, vamos nos permitindo ser arrastados.

Quando piscamos, o tempo passou. Quando piscamos, já perdemos momentos especiais, pessoas importantes – já perdemos vida. Lutamos tanto para termos coisas e para sermos reconhecidos e amados… e nem mesmo conseguimos ficar acordados e escolher como viver.

Olha para sua última semana e pensa aqui comigo: você esteve consciente do que sentiu, pensou, fez? Você realmente fez escolhas e executou seus planos com clareza de consciência? Você esteve acordado?

Ainda é tempo. A cada dia, ao abrirmos os olhos, podemos escolher acordar.

Desperte. Sinta a vida acontecer aí dentro de você e venha para o mundo aqui fora, atento – conectado àquilo que realmente importa.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

O susto e a raiva

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Pixabay

Existe algo que tem um poder enorme sobre nós, seres humanos: o erro. Vindo de nós mesmos, nos assusta: “Como pude fazer isso?” e nos gera raiva: “Que ódio de mim!” Quando o erro vem dos outros, a intensidade pode modificar – pra cima ou pra baixo – mas eles brotam e incomodam.

Por que o erro nos bagunça tanto?

Um ponto a considerar: o erro nos deixa vulneráveis. Ele mostra que a vida é imprevisível, que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. Verdade dura, realista, mas que insistimos em fingir que não está ali – tanto que temos a ilusão do controle: “Se eu fizer tudo certo, ficará tudo bem”.

Outro ponto: o erro, quando é nosso, nos envergonha, mostra nossos defeitos. Errar é evidência clara e inquestionável da nossa imperfeição. E querer ser perfeito é um desejo que nunca acaba, em nenhum de nós – porque o perfeito é prazeroso, agradável, admirado e amado – quem não quer isso pra si? Então, lutamos pra não errar porque lutamos pra atingir esse lugar ideal – pensa só: um esforço enorme, uma vergonha profunda… pra chegar em um lugar que nem existe. Será que vale a pena?

E quando o erro é do outro? “Provocação, só pode. Como a pessoa ousa fazer isso?” Ah… a autorreferência. Esse nosso hábito de achar que é tudo sobre nós, para nos atingir ou incomodar… Então, parece uma afronta quando alguém erra e nos prejudica. Às vezes, pode até ser. E, muitas vezes, é só a pessoa existindo mesmo. Vamos pensar: já que todo mundo, mais cedo ou mais tarde, vai errar, será que não é mais libertador abandonar essa ideia de que é “contra a gente”? Porque essa tal autorreferência faz as consequências do erro serem ainda maiores – porque transbordam em mágoa.

Fantasia pensar que o susto e a raiva nos deixarão em paz sempre que erros ocorrerem. Em algum nível, eles estarão ali. O convite é: perceber e soltar. Fazer o erro ficar mais leve, para a gente mesmo e para os outros… isso sim está ao nosso alcance.

O susto e a raiva podem se transformar em aprendizado e recomeço. Bem mais agradável, não é?! Escolhamos o caminho da leveza!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia.

Você serve?

Dr Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Anna Shvets

Serviço – quando pensamos nessa palavra, rapidamente nos vem uma ideia de trabalho, esforço… até mesmo um certo sofrimento, não é?!

De fato, uma das definições formais de serviço é: exercício e desempenho de qualquer atividade.

Há outra definição possível: ação de dar de si algo em forma de trabalho.

Dar de si. Que conceito profundo. Quando servimos, estamos utilizando recursos próprios – energia, tempo de vida, ideias, criatividade, sentimentos, movimentos – para produzir algo e entregar ao mundo.

Servir tem esse quê de fazer pelo outro, sair de si em nome de outra pessoa ou de uma causa. É um ato que nos demanda generosidade, olhar para fora com interesse de entender como podemos ajudar.

Vamos para o outro lado dessa história – quando somos servidos por alguém, qual é a sensação? Para mim, parece tão bom: cuidado, atenção, consideração, afeto, respeito… Muitos sentimentos positivos me inundam quando alguém faz algo para me auxiliar.

Assim, podemos pensar que servir é um ato nobre, porque brotam dele diversas sensações que nos dão felicidade e esperança na humanidade e na vida.

Será que nós atentamos, no nosso dia a dia, para essa nossa função de servir aos outros? Será que entendemos o impacto positivo grandioso que podemos gerar com pequenos ou grandes atos de serviço?

Um sorriso, uma oferta de um café, uma pergunta: “Como posso te ajudar?”… Um momento de escuta cuidadosa, um pouco mais de paciência com aquela pessoa que está em um dia ruim…

Oportunidades de servir não faltam. Óbvio que queremos ser servidos, cuidados e que possamos perceber quando isso acontecer – que possamos notar para saborear esses presentes que recebemos! No entanto, não há como a conta fechar se nós, cada um de nós, não se dispuser a servir também.

O plano de melhoria geral do convívio social é esse: vamos caminhar pela vida buscando chances de bem servir? O mínimo que conseguirmos já ajudará a alguém… E esse alguém poderá passar o gesto para frente…

Ser útil é um bom sentido para atribuirmos à nossa vida. Não precisa ser o tempo todo, nem para todo mundo; não é para ser percebido como um peso ou uma obrigação. Servir como uma escolha de bem viver, de melhor viver…

Então… vamos servir?!

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.