Entender as necessidades humanas pode ser o primeiro passo para qualquer empresa definir seu posicionamento. Uma ideia que nos remete à Pirâmide de Maslow, que inspirou o comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.
Cecília Russo explicou que a pirâmide, criada pelo psicólogo americano Abraham Maslow no século 20, continua sendo uma referência importante para entender como as marcas se conectam com as pessoas. “Vocês que nos ouvem e têm empresas poderiam identificar em qual patamar da pirâmide está sua marca? Isto é, que necessidades elas atendem?”, perguntou Cecília. Na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas, como alimentação e repouso; acima vêm segurança, necessidades sociais, estima e, no topo, a autorrealização.
Jaime Troiano ressaltou que “saber em que degrau está sua marca é fundamental para definir o posicionamento dela diante do mercado”. Ele trouxe exemplos práticos para cada patamar: serviços básicos de água e saneamento, como a COMPESA, atendem necessidades fisiológicas; programas como Minha Casa Minha Vida e a própria marca da Polícia Militar estão relacionados à segurança; colônias de férias e comunidades de crossfit ajudam a suprir o senso de pertencimento; marcas de moda e relógios de luxo atendem à necessidade de estima; e experiências de viagem personalizadas, como os pacotes da Nomad, buscam a autorrealização.
A marca do Sua Marca
A principal marca do comentário é o convite para as empresas refletirem sobre a promessa que fazem ao consumidor e em qual nível da pirâmide de Maslow ela está ancorada. Definir esse degrau pode ser decisivo para ajustar a linguagem e as ações da marca.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Memória de elefante! Com meu novo livro de cabeceira “A viagem do elefante”, de José Saramago, me encorajei a escrever sobre um fato curioso que, talvez, muita gente ao escutar esta narrativa, lembre do ocorrido.
Nasci no antigo hospital Leão XXIII, nove dias após o golpe militar de 1964 — tempos difíceis que nos tiram o sono até hoje. Sempre relembro minha mãe contando que, quando foi ao hospital, sentindo as dores do parto, meu pai, ao volante, cruzou com vários tanques de guerra; talvez, fazendo cumprir-se uma inaceitável GLO ( Garantia da Lei e da Ordem), nas proximidades do Museu do Ipiranga.
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Mas isso é só um adendo. Vamos ao fato que me traz aqui: morávamos na Mooca. E eu, como um garoto que brincava nas calçadas de pique esconde, junto com os colegas, fomos surpreendidos — se não me falha a memória, em 1972 — com a passagem pela rua de um majestoso elefante.
Todo o trânsito parou. As donas de casa se ausentaram da cozinha e abandonaram seus afazeres domésticos para ver o inusitado. Os comerciantes — o padeiro, o dono da banca de jornal, o açougueiro, enfim —, todos queriam testemunhar o inacreditável.
A garotada seguiu em procissão acompanhando o enlace para desespero das mães. Não havia, como no livro de Saramago, um conarca no dorso do elefante, vestido em trajes indianos — o que em nada tirou o glamour e o encantamento da comitiva que anunciava um circo na região. Foi um dia histórico na Rua Chamantá. Por anos foi assunto sempre lembrado por todos nós.
São Paulo de outrora já despontava como uma metrópole, mas os bairros ainda tinham um ar interiorano. Hoje, moro em Atibaia, fugindo da agitação e talvez procurando, no subconsciente, a Mooca daqueles tempos em que a passagem de um elefante era atração na vizinhança.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Alceu Carreiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a interpretação de Mílton Jung. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros episódios da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e coloque entre os seus favoritos no Spotify, o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“Muitas vezes a gente tá sofrendo ali para trazer mais receita, trazer mais cliente, e não tá olhando para dentro da nossa operação.”
Isis Abbud, Qive
Mesmo que já seja do conhecimento de todos os gestores que eficiência virou palavra de ordem, muitas empresas brasileiras ainda ignoram um dos maiores potenciais escondidos nos próprios corredores: a gestão inteligente de seus dados fiscais. Esse é o alerta de Isis Abbud, CEO e cofundadora da Qive, que participou do programa Mundo Corporativo para falar sobre como transformar processos burocráticos em estratégia concreta.
Para Isis, “todo mundo já conhece uma empresa extremamente moderna, tecnológica, mas quando olha para dentro da operação financeira, não tem nada de tecnológico, nada de moderno”. Ela destaca que grande parte das organizações continua gastando horas preciosas com tarefas manuais, sem perceber que poderiam ganhar tempo, reduzir custos e evitar multas com automação.
Dados como ferramenta estratégica
A executiva explica que a área fiscal concentra um volume gigantesco de informações valiosas que muitas vezes ficam subutilizadas. “Só numa nota fiscal, a gente já tá falando de mais de 500 campos de dados”, conta. Segundo Isis, quando essas informações são exploradas de forma estratégica, podem evitar, por exemplo, compras desnecessárias ou ajudar a otimizar frotas inteiras, como aconteceu em um caso citado por ela, em que uma empresa evitou a aquisição de um caminhão ao cruzar dados de notas fiscais.
Além da agilidade nos pagamentos — como no caso do iFood, que saltou de 70% para 99% de boletos pagos em dia após automatizar processos —, Isis reforça que o principal ganho está em “transformar a área fiscal de operacional para estratégica”. A empresa Riachuelo, por exemplo, reduziu o tempo de processamento de mil notas fiscais de 16 horas para apenas 3 minutos, um exemplo prático do potencial de otimização.
Outro ponto abordado na entrevista é o impacto da diversidade no ambiente corporativo. Isis contou que 70% da alta liderança da Qive é formada por mulheres e defende que “você precisa olhar para diversidade não para ficar bonito, mas porque ela traz impacto direto no seu negócio”. Ela cita estudos que indicam até 30% mais resultado em empresas que têm equilíbrio de gênero na liderança.
Inteligência artificial como aliada
A Qive também aposta na inteligência artificial para melhorar ainda mais o ciclo de compras e pagamentos. “Uma das soluções é garantir que as empresas estejam comprando melhor e pagando no prazo certo, criando um relacionamento mais saudável com os fornecedores”, explica Isis. Para ela, a inovação não é um departamento ou um momento específico, mas um efeito colateral natural do hábito de resolver problemas continuamente.
Ao final, Isis reforça que o maior desafio é conscientizar as empresas sobre o valor escondido nos dados que elas já possuem. “Tem muita oportunidade ali que muitas vezes não é explorada por falta de tempo ou de organização”, conclui.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
Trabalho com a ‘caverna do diabo’ aberta à minha frente. Enquanto converso com os ouvintes pelo microfone, na tela do meu computador, centenas de mensagens são despejadas pelo WhatsApp. Entre uma entrevista e outra, chegam informações de todo tipo: agradecimentos, críticas e sugestões de pauta, tanto quanto ofensas pessoais, denúncias infundadas e as correntes que prometem revelar “a verdade escondida” sobre algum assunto.
O que me chama a atenção não é o volume de mensagens — que já faz parte da rotina —, mas a confiança com que muitas delas são enviadas. Ouvintes, pessoas que nos acompanham há anos, repassam informações falsas com a mesma segurança de quem anuncia a previsão do tempo: “Vai chover amanhã, pode se preparar.”
Outro dia, recebi uma mensagem afirmando que, na Dinamarca, toda pessoa que recebe ajuda social perde o direito de votar. O texto ainda sugeria: “Compartilhe se quiser que o Brasil faça o mesmo!” Essas mensagens não apenas espalham desinformação. Elas revelam preconceitos guardados: a ideia de que quem precisa de auxílio social não saberia votar com autonomia ou de que os problemas do país se resumem a um “voto comprado”.
A realidade é que, na Dinamarca, quem recebe assistência do governo não só pode votar como participa ativamente da vida democrática. O país investe em proteção social justamente para garantir dignidade e participação de todos.
Mas por que tantas pessoas continuam acreditando nessas histórias?
Uma das razões é o viés de confirmação. Quando alguém já acredita que programas sociais servem para manipular votos, qualquer mensagem que alimente essa visão será rapidamente aceita. É como se cada um de nós tivesse um filtro invisível que escolhe o que confirmar e o que descartar, conforme nossa conveniência.
Outro ponto é o formato: textos curtos, diretos, carregados de emoção e indignação. Ao provocar raiva ou medo, aumentam a chance de serem repassados antes mesmo de qualquer reflexão.
Há também o recurso de citar países tidos como exemplares — caso da Dinamarca ou da Suécia — para dar um ar de credibilidade. Quem vai verificar se isso realmente ocorre? Quase ninguém. Talvez um jornalista.
Para conter o avanço dessas mentiras, temos três ações à nossa disposição:
Desconfiar. Antes de encaminhar qualquer mensagem, vale perguntar: quem escreveu? Existe alguma fonte oficial? A informação aparece em veículos de imprensa reconhecidos? Ah, você não confia na “grande mídia”? Quem sabe, então, pesquisar nas milhares de fontes disponíveis na internet?
Conversar. Em vez de ironizar quem compartilha, é mais eficaz explicar, com calma, onde está o erro e mostrar a informação correta. Ou seja, despender um tempo do seu dia para ajudar na disseminação da verdade.
Apoiar projetos de checagem. Hoje, várias iniciativas se dedicam a verificar fatos e disponibilizam o resultado gratuitamente.
Receber mensagens faz parte do meu trabalho — muitas nos pautam, e tantas outras nos levam a refletir sobre como estamos praticando o jornalismo. Corrigi-las, também. Mais do que desmentir boatos, é preciso convidar o público a cultivar a curiosidade, questionar, buscar outras fontes. Neste cenário em que a verdade disputa espaço com versões fabricadas, cada um de nós se torna guardião da boa informação.
Em tempo: Sim, o título deste texto foi escrito no melhor estilo “corrente de WhatsApp” — daqueles que gritam para chamar sua atenção. Afinal, se funciona para espalhar boatos, por que não usar para espalhar a verdade?
Em meio a uma corrida desenfreada pela inovação, com foco em tecnologias cada vez mais velozes, algumas marcas apostam em um movimento oposto: a volta ao passado. Essa foi a discussão proposta por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.
Cecília Russo destacou que “sejam os pães ou os livros de colorir, pedem tempo, paciência e expressam um caráter essencialmente analógico”. Ela citou o crescimento das padarias de fermentação natural, que valorizam o processo lento, e o retorno dos livros de colorir, fenômenos que convidam o consumidor a desacelerar. Segundo Cecília, até a ambientação desses espaços reforça a ideia de um tempo menos acelerado, com materiais quentes e acolhedores.
Outra ação que ilustra bem essa ‘volta ao passado’ e foi destacada no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso foi a campanha da Vivo, com o título “É tempo de mudar seu tempo com o celular”, lançada em abril deste ano. A companhia telefônica alerta sobre os excessos que cometemos com nossos smartphones e propõe uma reflexão sobre as consequências desse hábito e do uso exagerado das redes sociais.
Jaime Troiano comentou que essas iniciativas funcionam como um “antídoto contra a velocidade”, oferecendo um “espaço necessário de sobrevivência” para as pessoas. Para as marcas, segundo ele, esses movimentos representam oportunidades de atender a uma demanda cada vez maior por pausas e equilíbrio. Jaime também ressaltou que “o mais interessante é quando uma mesma marca traz esses dois universos, o high tech e o high touch juntos”. O uso de árvores naturais no interior das lojas altamente tecnológicas da Apple foi outra estratégia destacada pelos comentaristas.
A marca do Sua Marca
A principal mensagem do comentário é que inovar nem sempre significa buscar o que é mais rápido ou tecnológico. Em muitos casos, a inovação está justamente em oferecer o oposto: um respiro, uma pausa, um convite ao analógico.
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“Ou eu olho para a diversidade como um fator estratégico ou eu vou perder estas camadas que são importantes para a sustentabilidade do meu negócio.”
Ângelo Vieira Jr, Lúmen
A diversidade, muitas vezes vista como pauta social ou política, é cada vez mais uma questão de sobrevivência empresarial. A presença de equipes plurais nos ambientes corporativos está diretamente relacionada à inovação, ao lucro e à longevidade das organizações. Esse é o argumento defendido por Ângelo Vieira Júnior, estrategista-chefe da Lumen Strategy, em entrevista ao programa Mundo Corporativo.
Durante a conversa, Ângelo enfatizou que “diversidade não é só uma questão ética, ela é também uma questão de crescimento, de desenvolvimento, seja ele econômico, cultural ou político.” E lembrou que organizações com diversidade levada a sério podem alcançar até 25% a mais de lucro.
Diagnóstico, políticas e liderança diversa
Segundo o especialista em inovação, é necessário começar com um diagnóstico realista da diversidade existente nas empresas. “Muitas vezes a gente tem uma falsa narrativa… até que ponto essa voz é tão diversa como o executivo imagina?”, questiona. Na sequência, é preciso estabelecer políticas claras e ativas, “que sejam da porta para dentro e da porta para fora”, indo até onde estão os grupos sub-representados.
Ângelo defende que essa transformação não pode ser apenas institucional. “Eu sou uma colcha de retalhos: nordestino, ex-estudante de escola pública, negro, abertamente gay. Isso está comigo, e eu batalho diariamente para democratizar essas realidades.” Sua vivência pessoal reforça a urgência de lideranças que compreendam essas camadas da experiência humana — não como exceção, mas como parte da estratégia.
Ele cita ainda a importância dos grupos de afinidade e treinamentos contínuos, além de um “letramento cultural pela diversidade, letramento racial e letramento digital inclusivo”, que considera o novo alfabeto da liderança contemporânea.
Inovação, consumo e o desafio da omnicanalidade
A entrevista também explorou como a diversidade se conecta à inovação e ao comportamento do consumidor. Ângelo argumenta que as novas gerações compram de marcas com políticas inclusivas: “80% dos millennials levam isso em consideração antes de adquirir um produto”. Ele destaca que a pluralidade no time interno é fundamental para entender esse cliente — que, segundo ele, “começa a consumir o conteúdo do produto muito antes de pegá-lo fisicamente”.
Ao abordar omnicanalidade, criticou empresas que dizem colocar o cliente no centro, mas o tratam como coadjuvante: “Se eu só olho a eficiência e esqueço a experiência, não tenho omnicanalidade.” Para ele, o caminho envolve escuta ativa, humanização e fluidez entre os canais digitais e físicos — sempre com foco real nas necessidades humanas.
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Foto publicada por Fernando Sobrinho em Memorias Paulistanas
“Vila Prudente,/ bairro que nos seduz/ De dia falta água/ De noite falta luz/ Abro o chuveiro/ Oi, não cai um pingo/ Desde segunda até domingo/ Eu vou pro mato/ Oi, pro mato eu vou/ Vou buscar um vagalume pra dar luz em meu chatô”
Para iniciar essa narrativa com bom humor, eu coloquei em destaque a letra da marcha carnavalesca “Vagalume”, de 1954, autoria de Vitor Simon e Fernando Martins, trocando apenas Rio de Janeiro por Vila Prudente, bairro onde fui criado, vivi boa parte da minha vida e de onde trago muitas recordações. Ouvi muito a marchinha ser cantada, em forma de paródia, pelos antigos moradores do bairro como forma de levar a vida…
Entre buracos, balões e bolinhas de gude
Durante a infância, nos anos 1950, as famílias vilaprudentinas sofriam bastante com a falta de água e energia elétrica. O bairro era caçula da região, comparado com a Mooca e Ipiranga, ambos limítrofes, fundados no século XVI, e já bem desenvolvidos. Faltava infraestrutura, por isso muita coisa o bairro ainda carecia. Lembro da coleta de lixo em carroças puxadas por burros, que não aparecia todos os dias. Em dia de chuva, o bairro se complicava com enchentes na região próxima à estação do Ipiranga, parava tudo. Se não chovia, a porteira é que parava todo o trânsito. O problema só se resolveu quando foi construído o Viaduto Capitão Pacheco Chaves.
Por outro lado, saudades do padeiro que trazia o pão em domicílio de carroça, onde eu adorava comer as raspas que ficavam no fundo, o tintureiro nissei que buscava roupa pra lavar e levava tudo por entre o braço, os amoladores de faca com aquelas gaitinhas características, o vendedor de suspiro, o bijuzeiro com aquela placa com um som de reco-reco, o homem do realejo com o periquito da sorte, os moleques que vendiam pirulitos, que eram pura água com açúcar, com o infalível grito: “Piruliteeeeeeeeeiro! Tira dooois por um cruzeirooooooooo!!!” Promoção. Era o marketing.
Na minha rua, a Cananéia, as famílias que lá moravam, em sua maioria, vieram para realizar o sonho da casa própria, porque pagavam aluguel em bairros mais desenvolvidos e, com sacrifício, adquiriram terrenos da Cia Cerâmica e construíram suas casas. Meu avô paterno foi um deles, veio do Cambuci. No terreno, ele construiu 3 casas (mas daquelas bem improvisadas) para ele com minha avó, e as filhas já casadas e com filhos — um deles era eu.
De lá de casa eu avistava o “morrão”, onde havia muitos campos de futebol, suficientes para cada agremiação de várzea daquela parte do bairro. Atuavam no morrão: Portuguesa, Flamengo, Ouro Verde, Comercial. Mais tarde o “morrão” seria o Crematório de Vila Alpina e Cemitério São Pedro, previstos muitos anos antes. A gente não acreditava.
A infância onde tudo era campo
Para nós, moleques de rua, as dificuldades não eram tão sentidas, afinal nossas preocupações eram a de brincar o dia inteiro até escurecer, jogando bola, rodando pião, jogando bolinha de gude, empinando pipas (que também chamávamos de quadrado), brincar de pique, acusado, mãe da rua (essa era violenta…), unha na mula, maçaneta (jogo com tacos que recebia outras denominações em outros bairros)… Tomar banho? Não era algo tão relevante.
As meninas também tinham suas brincadeiras: pular corda, amarelinha, casinha, corre cipó, pique (que pronunciávamos “piques”)…
Havia uma espécie de calendário que determinava a época de cada brincadeira. Assim, nos meses de vento, a partir de julho, as pipas dominavam; antes, em junho, os balões, as lanternas feitas de lata de óleo; no início do ano, pião — e assim íamos… Já futebol era todos os dias em nosso campinho, quer realizando peladas com a nossa turma mesmo, ou jogando contra outras turmas do bairro, sempre descalços, vira 6, acaba 12… Mas para a realização dependia de termos a chamada “bola de capotão”, o que às vezes nenhum membro da turma tinha, e amargávamos férias futebolísticas, a não ser quando o adversário trazia a bola.
Existiam muitas turmas naquela região da Vila… muitas. Nós éramos da “Turma da Serragem”, porque nosso campinho ficava num terreno de uma serraria com serragem em toda a extensão e com uma certa altura, que lembrava até as dunas da cidade de Natal. Éramos bem pacatos, com time de fraco pra regular, mas cheios de garra. Outras turmas eram mais briguentas, como a da Padaria Amália e a Turma da Cananéia, ambas rivais.
A Padaria Amália era muito conhecida e virou referência no bairro, a tal ponto que, quando alguém que morasse próximo a ela era indagado onde morava, dizia: “Na padaria Amália” ou, para descer do ônibus, dizia ao motorista: “Descerei na padaria Amália”. Essa característica era muito comum de existir em bairros de São Paulo, sempre com uma referência comercial para facilitar o deslocamento e localização.
A festa junina da minha família
Na rua, ainda de terra, por ocasião das festas juninas, cada família fazia a sua festa com fogueira, canjica, pipoca e outras guloseimas, na véspera ou no dia de determinado santo junino. E todas as outras famílias participavam até a fogueira ficar em brasa para esperar as batatas-doces. A festa da nossa família acontecia sempre no dia de São Pedro, e a festa do dia 28 de junho de 1958 foi inesquecível para mim: o Brasil ganhara o campeonato mundial de futebol pela primeira vez nesse dia, na Suécia. Nunca vi tantos balões no ar, foguetório… Muita alegria do povo.
Essa convivência da rua se limitava a uma dimensão de um quarteirão. Lembro que nesse pedaço somente uma família possuía televisão, justamente do nosso lado. Claro que nós e muita gente éramos “televizinhos”. Aos domingos, os moleques iam assistir ao “Circo do Arrelia”, pelo canal 7, e logo após vinha a transmissão do futebol de partida do campeonato paulista. Daí vinham os rapazes mais velhos, na maioria palmeirenses, que se juntavam aos rapazes da casa, também palmeirenses. Nós, moleques, saíamos. Todos eles jogavam em um time lá do “morrão”, nos jogos de várzea que aconteciam aos domingos. Aliás, muitos jogadores profissionais saíram dos times lá do morro.
Eu gostava de acompanhar o Vasco da Gama da Vila Prudente, cujo campo não era no “morrão”, e sim onde hoje está situada a Igreja São Carlos de Borromeu, na Rua do Oratório, em direção à Rua do Orfanato. Meu tio me levou pra lá a primeira vez em um festival com o campo lotado, cada jogo melhor que o outro, com os times do morro participando. Fiquei extasiado com a atmosfera do evento. Eu lembro que os troféus aos times vencedores eram entregues num palanque, com erguimento, e o grito de vitória da agremiação sempre era o mesmo: “1, 2, 3… 4, 5… 6… 7, 8, 9… para 12 faltam 3… tchi bum bá… iu maracará… zum… zum… zum… rá… rá… rá!!” Uma festa que geralmente se estendia em “chopada” na sede do clube. O bicho-papão do bairro era o Búfalo, da fábrica de papel do mesmo nome.
O Vasco, embora não possuísse grande torcida, tinha um torcedor que era um espetáculo à parte. Seu grito de incentivo para o time era “Vamo Dibuiá!”, que ecoava por todo o campo. Os torcedores do barranco aplaudiam e até o apelidaram de Dibuiá. Grande figura.
Do pião à CEPAM: a vila que virou cidade
O curso primário eu fiz, como a maioria da molecada fez, no Grupo Escolar República do Paraguay, que existe até hoje, bem em frente à também antiga Biblioteca. À noite, se chamava Colégio Estadual Professor Américo de Moura (CEPAM), com curso ginasial, extremamente concorrido para os candidatos que vinham do curso de admissão. Era mais difícil que a Fuvest entrar para cursar o ginásio do estado. O curioso é que depois o colégio se mudou para a Vila Bela (subdistrito de Vila Prudente) e a sigla foi utilizada para denominação de uma padaria que hoje é a referência do bairro, talvez a maior da cidade e quiçá do Brasil: Padaria CEPAM.
Perto dela morei por alguns anos e meus filhos cresceram nessa região.
No terceiro ano do grupo, inconscientemente, fiz uma confusão danada na aula de religião, pois pensei que eu fosse de alguma religião evangélica, que o povo denominava como “crentes”, mas na verdade eu era católico, sem ter essa certeza e sem consultar previamente os meus pais. Havia aulas somente para os católicos e para os crentes. Então… eu ia às aulas dos crentes normalmente, embora estranhasse o pouco número de participantes. Um dia resolvi contar para os meus pais que, além da bronca que me deram, determinaram de forma incisiva que eu desfizesse toda essa encrenca. Minha professora, católica fervorosa, como toda a escola, vibrou de alegria quando falei que queria ser “convertido”. Fiquei até conhecido pela decisão. Um dia, sem eu esperar, perante toda a classe, ela trouxe o padre, que se dispôs a me batizar no próximo domingo. E o pior: que eu trouxesse meus pais para também serem batizados… Gelei!!… Pensei… O que vou dizer em casa?… E agora? Porém (e sempre tem um porém, como dizia Plínio Marcos), independentemente da religião, Deus me ajudou. Houve um recesso escolar e o assunto foi esvaindo, era final de ano, veio o quarto ano, outra professora. Fato marcante: nesse ano, um colega de classe, japonês, budista, recém-chegado do Japão, se converteu ao catolicismo… Eba!… Deixei de ser o único (só que ele não havia mentido…). No mesmo ano, fizemos primeira comunhão juntos na Igreja de Santo Emídio. A professora do terceiro ano me presenteou com um livro. Final feliz.
Na vila era comum aparecerem circos e parques de diversões em terreno em frente à Padaria Amália ou onde pudesse. Vi muitos acampamentos de ciganos nesses locais. Os mais velhos falavam para não chegarmos perto… Vinham também shows de artistas em início de carreira e também profissionais, como a “Caravana do Peru que Fala”, do Silvio Santos, ou a “Galera dos Bairros”, sempre em um dos 2 cinemas do bairro: Vila Prudente ou o Amazonas. Show de rua também acontecia com o “Sete Belo”, comediante da TV Record. Nesses shows, de vez em quando surgia umas briguinhas entre turmas rivais. Já políticos, em época de eleição, promoviam muitos shows. O Jânio Quadros sempre foi o preferido da rua.
Quando o asfalto chegou à nossa Vila
O bairro começava a se desenvolver e veio o asfalto. Começava a desenvolver. Nossas brincadeiras mudaram um pouco. Os carrinhos de rolemã (ou rolimã) entraram em cena, alguns moleques tinham bicicleta. As meninas andavam de patins. Jogar bolinha de gude só em terrenos isolados. Começaram construções de casas e sobrados. Rodar pião estava difícil. Carros começavam a passar pela rua em grande intensidade. Os moleques já estavam adolescentes e muitos começaram a trabalhar ou foram aprender ofício no Senai, e outros foram estudar. Minha família foi morar em Vila Salate, Penha.
Vila Prudente, sempre chamada de quintal da Mooca, principalmente pelos próprios mooquenses, crescia. Muitos anos se passaram para chegarem à conclusão de que a Ford ficava no bairro e não no Ipiranga (até a linha do trem é Vila Prudente). O crescimento vertical não tardou a chegar, inclusive na região do crematório se estabeleceu uma área nobre do bairro.
A Vila tornou-se centenária. Com muito prazer, eu, com os artistas Pipoquinha e Kakareko, participamos da festa alusiva à efeméride e o troféu representando o “Obelisco do Centenário” guardamos com muito carinho. Eu era o palhaço Xinxolim.
De repente, a Vila Prudente detém ótimos colégios, um jornal de grande circulação, dois shoppings, uma faculdade, estação de metrô. As famílias emergentes que sonhavam morar na Mooca ficaram na Vila. Há outras vilas famosas como Vila Zelina, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Diva — todas pertencentes ao subdistrito Vila Prudente — que os moradores falam com muito orgulho, mas que, no fundo, todos são vilaprudentinos. Diferentemente dos bairros do Ipiranga e Mooca, cujos nomes vêm da língua tupi e mantêm uma forte relação com os moradores e com a cidade. Mas, por tudo, viva a Vila Prudente, bairro que realmente nos seduz.
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Alberto Zafani no estúdio do Mundo Corporativo. Foro: Priscila Gubiotti/CBN
“A ideia não é a IA substituir o trabalho de ninguém. A ideia da IA é agregar muito mais valor ao seu trabalho.”
Alberto Zafani, Google
A inteligência artificial já não é mais uma promessa do futuro: ela está integrada ao dia a dia das empresas e dos profissionais. Segundo Alberto Zafani, head do Google Workspace no Brasil, o impacto mais profundo da IA generativa está na mudança cultural e na forma como as equipes trabalham e colaboram. A entrevista foi ao ar no programa Mundo Corporativo.
De ferramenta a cultura: como a IA transforma o trabalho
Para Zafani, o avanço da IA exige uma transformação que vai além da adoção de novos recursos. “A gente não muda essa cultura das empresas e a forma como elas colaboram sem mudar os artefatos que estão na ponta”, afirma. Isso significa que os líderes precisam preparar as equipes para lidar com o ritmo acelerado das inovações, investindo em aprendizado contínuo e adaptabilidade. No Google, por exemplo, foram lançadas quase 365 novas funcionalidades em um único ano.
Com a inteligência artificial ganhando espaço nos fluxos de trabalho, surge também a preocupação com o empobrecimento do conhecimento. Zafani discorda dessa visão. “Com a IA você vai ter mais tempo livre para poder aprofundar e conhecer mais.” Segundo ele, a ferramenta permite ampliar o repertório sem sacrificar a profundidade.
Essa lógica vale para qualquer setor. A IA não é um privilégio de empresas de tecnologia. Ao defender o que chama de “letramento em IA”, Zafani propõe encarar essa transformação como uma nova forma de alfabetização digital. “Se a empresa não prover uma IA generativa, o funcionário vai trazer a própria IA.”
O Google Workspace, explica Zafani, funciona como um ecossistema de produtividade. Vai muito além do Gmail. Reúne editores de texto, planilhas, apresentações, armazenamento em nuvem e recursos sem código, como o AppSheet. E tudo isso agora está integrado ao Gemini, a IA generativa do Google. “Hoje você já consegue, por exemplo, transformar um caderno de anotações em áudio e ouvir no trânsito”, exemplifica.
NotebookLM: da organização de dados à escuta de relatórios
Entre os recursos que mais chamam atenção no Workspace está o NotebookLM, uma ferramenta que permite criar cadernos personalizados com base em documentos diversos. A proposta é facilitar a análise de informações, gerar resumos e até converter conteúdos em áudio — é possível, por exemplo, que relatórios sejam transformados em podcasts e ouvidos em deslocamentos de carro, metrô ou ônibus.
Segundo Zafani, o NotebookLM pode ser usado para comparar balanços financeiros de diferentes trimestres, extrair diferenças entre propostas comerciais e até cruzar dados com normas técnicas internas. “Você pode validar se uma proposta está de acordo com uma norma da empresa”, exemplifica.
A funcionalidade também reforça o compromisso com a transparência: “Todas as soluções do Gemini mostram a fonte de onde a informação foi extraída”, diz Zafani. Isso reduz o risco de “alucinações”, nome dado às respostas incorretas geradas por IA, e dá ao usuário maior controle sobre a origem do conteúdo processado.
Criatividade e governança: os dois lados da moeda
Se a IA libera tempo, esse tempo precisa ser bem utilizado. “A diferença entre os profissionais vai ser o que cada um faz com o tempo que ganhou”, aponta. É aí que entra o papel da liderança, que precisa estimular o pensamento crítico e evitar que as tarefas se tornem automáticas e sem propósito. Para Zafani, a IA pode ser um ponto de partida criativo, mas é o ser humano quem dá o tom: “Ela vai gerar um monte de coisa bacana, mas cabe a você adaptar, revisar, escolher.”
Há, no entanto, um alerta. Ao mesmo tempo em que oferece autonomia, a IA pode representar um risco se for usada sem controle. “Se você libera para o funcionário usar o que ele quer, você coloca tua empresa em risco — e um risco grande.” O caso dos dados empresariais que acabam treinando sistemas externos é uma das principais preocupações. Por isso, ele defende que a empresa ofereça uma solução própria, com segurança e governança.
Zafani cita uma pesquisa da Ipsos, segundo a qual 78% dos entrevistados já utilizam inteligência artificial no ambiente de trabalho. “A governança é o fator fundamental”, reforça.
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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
Meus pais se conheceram em São Paulo, no bairro do Limão, numa quermesse em 1950. Estranham a palavra quermesse? Sim, naquela época festa junina era chamada de quermesse !
Meu pai, descendente de libaneses, era de Monte Mór, interior de São Paulo. Veio trabalhar na capital na primeira fábrica da Ford que começava a produção de caminhões na Barra Funda. Minha mãe, nascida em Bernardino de Campos, também do interior, trabalhava como tecelã numa fábrica têxtil, no Limão
A música que embalou o namoro e o casamento deles foi Três Apitos, de Noel Rosa, que começa com o verso:
Quando o apito
Da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você…
Eu nasci no Limão, na casa da minha avó, na zona norte, e fui morar na Vila Prudente, na zona leste. Era onde ficava a fábrica da Ford, que acabara de ser construída, em 1953. Atualmente, no local tem o Shopping da Mooca.
Depois mudamos para Pinheiros, na zona oeste, próximo da Cidade Universitária, onde me formei em Farmácia e Bioquímica, no ano de 1982. A USP naquela época era aberta às pessoas que, assim como os carros e ônibus, entravam e saíam sem controle pelos portões. Hoje, em todas as entradas há guaritas e o acesso é restrito, facilitado apenas a quem trabalha ou estuda na universidade — sinal dos tempos.
Independentemente disso, a USP segue sendo o centro de estudos mais importante de São Paulo, uma referência de ensino para estudantes e professores de todas as partes do mundo.
Agora moro na Vila Mariana, na zona sul.
Como podem perceber, vivi em todas as regiões, de leste a oeste, de norte a sul. Nos meus 60 anos de vida, acompanhei a despedida dos bondes da Consolação — fiz a última viagem de bonde com a minha avó. Assisti à chegada do metrô, a abertura de avenidas, o começo da construção do Minhocão, e o aumento no número de carros.
Apesar de a cada dia o trânsito ficar pior, amo esta cidade, construída por imigrantes, que deixaram em cada espaço um pedacinho da sua cultura mesclada com a dos paulistanos. Uma mistura servida à mesa com sabores da culinária italiana, espanhola, alemã, indiana, judaica e, claro, com aqueles pratos da comida libanesa, que vieram juntos com os parentes de meu pai.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Lígia Baruque é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Comparar a eleição de um papa à liderança de mercado de um carro é um risco que pode custar caro à reputação de uma marca. Essa foi a crítica feita por Jaime Troiano e Cecília Russo, nesta semana, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a uma campanha da Caoa Chery que utilizou como gancho o anúncio do novo Papa Leão XIV para promover o SUV Tiggo 8.
A ação publicitária, estampada na sobrecapa de dois grandes jornais, mostrava a imagem da fumaça branca saindo da chaminé da Basílica de São Pedro, acompanhada da frase: “No mesmo dia, dois líderes foram escolhidos. Um no Vaticano e o outro nas ruas do Brasil”. Na sequência, vinha a explicação: o líder seria o SUV da montadora.
Para Jaime Troiano, a peça publicitária é um exemplo evidente de manipulação. “Foi talvez uma das mais manipulativas que eu já acompanhei na minha vida”, afirmou. “Comparar o que é a eleição de um papa com a posição de mercado de uma marca de veículo é um paralelo, pelo menos, muito infeliz.”
Cecília Russo compartilhou o incômodo do colega, ressaltando que a atitude ultrapassa os limites do aceitável na comunicação de marca. “Esse foi um caso extremo de oportunismo. Não vamos confundir oportunismo com oportunidade.” Ela alertou que esse tipo de prática é mais comum do que se imagina, especialmente em datas comemorativas. “Tem empresas que no Dia das Mães se mostram carinhosas e amorosas, mas no dia a dia não praticam isso nem com seus próprios colaboradores.”
Além de criticar o caso específico, o comentário destacou o efeito colateral desses abusos: a generalização negativa sobre o marketing. “Você descredencia mensagens de comunicação e marketing que têm um caráter não só de venda, mas também de educação para a escolha”, disse Cecília. “E aí surge aquele velho preconceito: ‘Ah, isso é coisa de marqueteiro’.”
A marca do Sua Marca
A principal marca do comentário está na advertência clara aos profissionais e empresas: comunicação eficaz não deve se apoiar indevidamente na simbologia alheia. “As marcas precisam usar suas próprias virtudes quando se comunicam com clientes e consumidores. Quando elas sugam a força dos outros sem pedir licença, elas não estão fazendo um papel bonito”, concluiu Jaime.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.