O mercado de casamentos no Brasil movimenta cifras expressivas e desmente a ideia de que as cerimônias estão em declínio. Em 2025, segundo o portal Casar.com, o número de uniões formais deve atingir quase 500 mil, neste ano, superando os 471 mil de 2024. Além do volume de casamentos, o valor investido pelos casais impressiona: o gasto médio com a celebração chega a R$ 66 mil. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.
Cecília Russo destaca como o setor abriga marcas consolidadas que se tornaram referência. “Tem marca de bem-casado que está presente em 9 a cada 10 casamentos em São Paulo, como a da Dona Conceição, que começou em 1961.” Além disso, ruas inteiras se tornaram sinônimo desse universo, como a Rua São Caetano, na capital paulista, conhecida como a Rua das Noivas.
Jaime Troiano, por sua vez, lista três elementos essenciais para quem deseja se consolidar nesse setor — princípios que valem para qualquer negócio. “A primeira dica é buscar o seu foco dentro desse mercado. Quanto mais competitivo for, mais importante é definir claramente sua identidade.” Ele também reforça que não há atalho para o sucesso: “Marca não é um tapume. Não adianta entregar um produto de baixa qualidade, porque isso não vai ficar escondido.” A terceira recomendação é manter um diálogo constante com os clientes. “No mercado de pulverização de marcas, manter um diálogo permanente com os noivos é algo fundamental.”
A marca do Sua Marca
O comentário desta semana reforça que o sucesso de uma marca depende de três pilares: foco, entrega de valor e comunicação. No competitivo mercado de casamentos, como em qualquer outro, marcas que sabem o que representam, oferecem qualidade e mantêm um vínculo próximo com o público têm mais chances de se consolidar.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é da Débora Gonçalves.
No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Marcos Antonio Afoloti, entre outras lembranças, destaca as lojas inovadoras da cidade:
Nasci em 5 de setembro de 1952, no bairro Vila Munhoz, Vila Maria. Em 1959, comecei o curso primário nas Escolas Agrupadas de Vista Alegre, pertinho de casa. Ia a pé pelas ruas sem asfalto, mas com muito segura. Após quatro anos, para ingressar no ginasial, precisei fazer o exame de admissão, semelhante ao vestibular. Estudei na Escola Estadual José Maria Reys, referência em ensino público.
Em 1963, acompanhava minha mãe para um tratamento no Hospital Padre Bento, em Guarulhos, viajando no trem da Cantareira, que partia da estação Pauliceia, passando por Jaçanã e Vila Galvão. Entre 1964 e 1965, nas férias de julho, íamos a São Carlos no trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, saindo da Estação da Luz. As paisagens rurais, com os laranjais de Limeira, são lembranças inesquecíveis.
De 1966 a 1968, nossa diversão era assistir, em casa, com os vizinhos à novela Redenção, da TV Excelsior, em um moderno aparelho Telefunken.
Em 1968, comecei a trabalhar como office boy, com registro em carteira profissional de menor, no edifício Rio Branco, na Barão de Itapetininga. Andava por todos os cantos entregando correspondências. Passava em frente a loja Pitter, a Mesbla e a Clipper, que inventou o Dia dos Namorados.
Já adulto, fui convocado a trabalhar como mesário e cheguei a presidente de mesa nas eleições da década de 70, quando os votos ainda eram em cédulas de papel. No fim do pleito, era minha responsabilidade entregar as urnas no Acre Clube, no Tucuruvi, encerrando mais um marco da cidadania paulistana.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Marcos Antonio Afoloti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)
Registro da gravação no YouTube do Mundo Corporativo com Marcelo Godoy
“Hoje o tempo de decisão tem que ser muito mais rápido. O tempo de decisão, de implementação e de execução. Essa agilidade é o grande diferencial.” – Marcelo Godoy
Marcelo Godoy, Volvo Car Brasil
A transformação da indústria automobilística nunca foi tão acelerada. Com mudanças tecnológicas constantes, exigências ambientais crescentes e um consumidor cada vez mais conectado, as montadoras precisam reinventar seus processos, produtos e estratégias. No Brasil, esse cenário exige não apenas inovação, mas uma nova forma de liderar. Esse foi o tema da conversa com Marcelo Godoy, presidente da Volvo Car Brasil e da Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), no programa Mundo Corporativo.
A nova dinâmica da indústria automobilística
A digitalização e a eletrificação dos veículos não apenas alteram os produtos, mas também o perfil dos profissionais que atuam no setor. “Se antes era preciso ter uma formação técnica muito específica, hoje você precisa entender de todos os processos e tomar decisões rapidamente”, afirma Godoy. Ele destaca que os ciclos de desenvolvimento de veículos, que antes levavam até seis anos, hoje precisam ser concluídos em menos da metade desse tempo.
Esse ritmo acelerado também impõe novos desafios para as montadoras. “O carro do futuro será um celular sobre rodas”, diz Godoy, ressaltando a crescente integração entre tecnologia e automóveis. Para ele, essa revolução não se limita apenas ao produto final, mas também às expectativas dos consumidores, que já estão habituados a dispositivos tecnológicos cada vez mais intuitivos e conectados.
A liderança no novo cenário
Para liderar nesse ambiente de constantes transformações, Marcelo Godoy defende uma gestão baseada na diversidade de opiniões e na tomada de decisões ágeis. “Indiferentemente do cargo, todo mundo tem a sua opinião. Algumas coisas vão ser aceitas, outras não. Mas se, de cada dez casos, um input de uma pessoa mais nova fizer a diferença, isso já vale muito”, explica.
Godoy enfatiza que sua estratégia de gestão envolve a formação de equipes multidisciplinares, onde a hierarquia cede espaço para a troca de ideias. “Quando tenho um assunto crítico, monto um time de trabalho que pode incluir diretores, gerentes e até estagiários. Essa mistura de experiências gera soluções mais inovadoras.”
Ele também ressalta que um dos grandes desafios da indústria automobilística é garantir que os times estejam alinhados ao propósito da empresa, especialmente em meio a transformações tão rápidas. “Se você acredita na sua estratégia, pode passar um mês sem resultado, o segundo mês sem resultado, mas uma hora ele virá. Porque as decisões certas levam tempo para se refletirem nos números.”
O impacto da eletrificação
A Volvo tem apostado fortemente na eletrificação de sua frota e na criação de uma infraestrutura de carregamento para popularizar os veículos elétricos. A empresa já investiu R$ 70 milhões na instalação de carregadores rápidos em diversos pontos do país. “Quando decidimos instalar mil carregadores, optamos por disponibilizá-los para todos os carros elétricos, não apenas para os da Volvo. Queremos educar e criar esse mercado”, afirma Godoy.
Essa estratégia também envolveu a adoção de uma nova política de cobrança pelo uso dos carregadores por veículos de outras marcas. “No dia em que anunciamos a cobrança para clientes não-Volvo, nossas redes sociais foram invadidas de mensagens de apoio. Os clientes entenderam que estamos investindo na infraestrutura para beneficiar quem confia na nossa marca.”
Para além da eletrificação, a Volvo tem adotado outras iniciativas de sustentabilidade, como a redução da pegada de carbono e a implementação de materiais recicláveis em seus veículos. “O EX30, nosso mais recente lançamento, tem a menor pegada de carbono da história da Volvo, com diversos itens reciclados e recicláveis.”
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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast e no Spotify.
Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Malu Mões e Letícia Valente.
As marcas próprias das redes varejistas estão se consolidando como estratégias de negócio cada vez mais relevantes no Brasil. Criadas e comercializadas por supermercados, farmácias e lojas de diversos segmentos, essas marcas oferecem alternativas de custo-benefício e fidelizam consumidores. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.
“O que se busca com essas iniciativas é trazer um custo-benefício ao consumidor, oferecendo uma proposta de valor diferenciada das opções tradicionais”, explica Cecília Russo. Em alguns casos, a marca própria leva o nome da rede varejista; em outros, é criada uma identidade independente, com logotipo e visual descolados da empresa-mãe. No exterior, essa prática é ainda mais desenvolvida: “Redes na Europa chegam a faturar mais de 60% do total das vendas com produtos de suas próprias marcas”, destaca Cecília.
O mercado brasileiro, ainda em estágio de maturidade inferior ao de Estados Unidos e Europa, tem expandido a adoção dessas estratégias por três principais motivos: “Elas são uma arma de negociação contra marcas mais fortes, ampliam a lucratividade e fortalecem a fidelização dos clientes”, diz Cecília. “Se a marca própria é boa, o consumidor volta para comprá-la e acaba adquirindo outros produtos na mesma loja.”
Jaime Troiano complementa com exemplos concretos. “O Grupo Koch, maior rede de supermercados de Santa Catarina e décima maior do Brasil, tem a marca BonTraz, que abrange diversas categorias de produtos, de pão de queijo a papel toalha”, afirma. Ele também cita experiências passadas: “Trabalhamos com Taeq, do Pão de Açúcar, e criamos as marcas Go New e All 4 One para a Netshoes”. Nos Estados Unidos, o exemplo mais expressivo é o atacadista Costco, cuja marca própria faturou 56 bilhões de dólares em 2023, superando marcas globais como Nike e Coca-Cola.
A marca do Sua Marca
A expansão das marcas próprias é uma oportunidade para varejistas, mas também um desafio. “Qualidade deve ser sempre uma condição essencial. Afinal, é a própria marca do varejo que está em jogo”, alerta Cecília. Criar uma marca própria exige uma mentalidade diferente da simples comercialização de produtos de terceiros. “Aquilo que pode ser vantajoso também pode se tornar uma armadilha”, conclui.
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No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Sérgio Sayeg lembra as transformações urbanas da nossa cidade:
Minha mudança para o sobrado da Rua Tumiaru aconteceu em um dia inesquecível: 1º de abril de 1964, quando o regime militar foi instaurado no país. Eu tinha 11 anos e, enquanto os hinos marciais tocavam nas rádios, minha preocupação era organizar meus brinquedos na nova casa. A rua Tumiaru, com apenas quatro quadras, ficava entre a sede do Exército, o Ginásio do Ibirapuera e uma Avenida 23 de Maio ainda de terra.
As transformações na região após a inauguração do corredor Norte-Sul foram impressionantes.
Nos anos 1960, o bairro Paraíso tinha uma paisagem bem diferente. A Rua Curitiba, hoje endereço de apartamentos luxuosos, era mal iluminada e de paralelepípedos. Abrigava campos de futebol varzeano e era refúgio para garotas de programa à noite. O ponto final de uma linha de ônibus da CMTC dividia espaço com terrenos abandonados, onde podiam ser encontradas rochas de todos os tipos que formavam minha coleção de pedras.
A Rua Tutoia era a única que comportava algum movimento com seu comércio prosaico. Nela tinha uma capela, hoje a Igreja do Santíssimo Sacramento, rodeada por plantações de flores que se estendiam até o leito da futura Avenida 23 de Maio. Nem tudo eram flores naquele endereço. A rua também abrigava o DOI-CODI, que trouxe má-fama para a via, especialmente após a morte de Vladimir Herzog. Já na Tomás Carvalhal, o futebol de várzea reunia moradores em manhãs de domingo, num clima de alegria e camaradagem.
Hoje, ao passar por essas ruas que marcaram minha infância, dá um aperto no coração ver como o progresso transformou o Paraíso, confirmando os versos de Caetano: “ergue e destrói coisas belas.”
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Sérgio Sayeg é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Quando você vai a um lugar, come uma determinada comida, esse sabor jamais sai da sua memória. Esse lugar jamais sai de dentro de você.”
Carlos Humberto, Diaspora.Black
O turismo é mais do que uma viagem de lazer. É uma ferramenta pedagógica capaz de transformar percepções, enriquecer repertórios culturais e romper barreiras sociais. Foi a partir dessa ideia que Carlos Humberto, CEO da Diaspora.Black, decidiu criar uma startup de impacto social que conecta a história e a memória da população negra ao desenvolvimento de negócios. O tema foi discutido na entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo, apresentado por Mílton Jung.
Uma jornada que começa na infância
Carlos Humberto compartilhou que sua primeira experiência empreendedora ocorreu aos 11 anos, organizando excursões para a praia na Baixada Fluminense. “Eu fui um dos organizadores do movimento dos farofeiros, mesmo sem perceber que isso já era empreender”, afirmou. Décadas depois, a vivência se conectaria a uma nova oportunidade: transformar episódios de racismo enfrentados em viagens e na própria casa em um modelo de negócios voltado ao afroturismo.
A Diaspora.Black promove experiências que vão desde caminhadas em comunidades quilombolas até pacotes turísticos em capitais africanas e brasileiras, como Salvador. “A falta de representação da história e cultura negra no mercado de turismo é um vazio que decidimos preencher”, explicou. A iniciativa também abrange treinamentos corporativos para fomentar diversidade e inclusão. Segundo Carlos, “não basta ter uma ideia ou conhecimento de negócios, é preciso saber exatamente o que se quer trabalhar”.
Educação como ponte para a inclusão
Além do turismo, a Diaspora.Black desenvolve certificações corporativas que utilizam ferramentas tecnológicas, como gamificação, para promover aprendizado. A metodologia é composta por vídeo-aulas curtas, quizzes e certificações que ajudam a medir mudanças no comportamento dos participantes. “É possível mensurar como as pessoas mudam sua visão, atitude e comportamento a partir do aprendizado adquirido”, ressaltou.
Carlos também destacou que preconceitos muitas vezes são fruto da falta de informação. “A sociedade bugou nos anos 2000, mas as novas gerações já trazem um repertório mais diverso e exigem que as empresas atualizem seu software”, disse, ao enfatizar a necessidade de combater preconceitos por meio de conhecimento e educação.
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No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Samuel de Leonardo destaca uma dessas figuras que fazem parte da cidade empreendedora … mesmo que esse empreendedorismo seja um tanto discutível:
“Fala mais que o homem da cobra.” Certamente você já ouviu essa expressão e, quem sabe, ficou curioso para entender sua origem. No início dos anos 1970, eu trabalhava como office boy e, entre uma tarefa e outra, aproveitava para explorar as atividades exóticas que a metrópole oferecia: de faquires a mulheres andando sobre cacos de vidro. Foi na Praça da Sé que deparei com o personagem dessa história. Vestindo um terno surrado e carregando uma maleta, ele garantia que ali dentro havia uma serpente gigantesca, capaz de engolir uma pessoa. Ao mesmo tempo, tagarelava as virtudes de um milagroso elixir embalado em pequenos frascos envoltos em papel celofane de tom amarelado: “Cura espinhela caída, tosse comprida e bucho virado!”
O discurso carismático encantava, e logo um sujeito alto, de cabelos claros encaracolados, e eufórico comprava cinco frascos. Outros curiosos seguiam seu exemplo, e o estoque desaparecia rapidamente. Depois de horas assistindo ao espetáculo, percebi que a cobra nunca aparecia.
Dois dias depois, voltei à praça, decidido a descobrir se ele realmente revelaria o animal. Cheguei a tempo de ver a jiboia saindo da maleta: três metros de comprimento, com dorso amarelo e manchas avermelhadas. Enquanto todos admiravam o réptil, o mesmo sujeito alto repetia o ritual: comprava mais frascos do elixir e se retirava. Outras pessoas seguiram o entusiasmo do primeiro comprador. E assim o homem da cobra, com sua mistura de marketing e mistério, tornou-se uma lenda paulistana.
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Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))
No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Marco Antônio Vasquez destaca a cidade da cultura, do esporte e das transformações:
Minha história começa em março de 1948, quando nasci. Meus pais haviam se mudado para uma casa na Rua Tobias Barreto, que reformada, ainda está lá. Após um ano na República da Mooca, vivi nos Campos Elíseos, em frente ao Liceu Coração de Jesus, onde cursei o Ginásio e o Científico.
Em 1950, nos mudamos para a Casa Verde, numa vilinha na Rua Zanzibar, que depois virou garagem de ônibus. Na época, minha mãe era atendida pelo Dr. César Castiglioni Júnior, figura proeminente no bairro. Foi fundador da sociedade de moradores e hoje dá nome a uma das ruas da região.
Em 1952, fomos para a Caiubi, nas Perdizes. As ruas de terra e terrenos baldios eram cenários de jogos épicos, como Campevas “de cima” contra Campevas “de baixo”. Teve um 6 a 5 para a turma de cima com gol da vitória marcado por Camilo, carregado em triunfo pelos colegas, que ainda me emociona.
Nas Perdizes, conheci meu grande amigo Vicente no campo de várzea do Monteiro, onde hoje passa a Avenida Sumaré. Lembro também das tardes no Pacaembu e Morumbi, incluindo a inauguração do estádio ao lado de meu pai e avô.
Fã de cinema, assisti a sessões no Cine Astral, interrompidas pelas algazarras da turma da Padaria Paramount. Também recordo as idas à loja Sears, na Água Branca, com sua lanchonete única. Assim como do aroma inesquecível dos biscoitos da Petybon na Vila Romana, onde vivo desde 2001.
Parafraseando Arnaldo Jabor, que disse que o Brasil nunca mais seria campeão da Copa de 1950, esses momentos não voltarão, mas permanecem vivos em minha memória.
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Marco Antonio Vasquez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
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Manter-se relevante ao longo de décadas é um desafio que poucas marcas conseguem superar. Esse foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Com base em uma metodologia desenvolvida e aplicada há mais de 30 anos, os especialistas analisaram como algumas marcas conseguem atravessar o tempo e se manter no topo.
O estudo Marcas Mais, em parceria com o jornal O Estado de São Paulo avalia o grau de envolvimento emocional e funcional que as marcas estabelecem com seus consumidores. A metodologia, descrita como pioneira e única no Brasil, busca identificar as práticas consistentes que fazem com que essas marcas não apenas sobrevivam, mas se mantenham relevantes e ocupem as primeiras posições nos rankings anuais. “Imaginem vocês o que significa manter uma relação de envolvimento, afeto e preferência por tanto tempo!”, destacou Jaime Troiano. Ele comparou o processo, que acompanhou mais de 500 marcas ao longo de três décadas, a uma arqueologia do branding, explicando que poucas marcas conseguem manter esse nível de conexão ao longo dos anos.
Os quatro pilares do sucesso
Cecília Russo explicou os critérios principais que sustentam as marcas mais fortes do estudo. Esses pilares são fundamentais para entender por que algumas empresas se destacam em mercados tão competitivos:
Consistência: “Elas não abandonam seu passado para traçar o futuro. Preservam o essencial na busca do novo.”
Humildade: “Elas ouvem sempre a voz das ruas, o que o mercado e as pessoas estão dizendo, seja bom ou ruim.”
Qualidade: “Não há marca forte que resista a produto ruim.” Cecília ainda citou uma frase do publicitário Washington Olivetto: “O pior que pode acontecer a um produto ruim é ter uma propaganda boa. É dinheiro jogado fora.”
Comunicação contínua: “Mesmo sem grandes investimentos, elas alimentam o diálogo com os consumidores e nunca deixam de se fazer ouvir.”
Jaime também destacou que as marcas analisadas não apenas atravessaram períodos de crise, como a pandemia, mas saíram fortalecidas por conta da capacidade de manterem uma comunicação ativa e próxima dos consumidores.
A marca do Sua Marca
Os quatro pilares apresentados — consistência, humildade, qualidade e comunicação contínua —demonstram que marcas sólidas não dependem apenas de campanhas pontuais, mas de práticas contínuas e estruturadas. Esse é o diferencial que as mantém no topo, ano após ano.
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Por Sandra Regina de Almeida Torres Ouvinte da CBN
No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Sandra Regina Torres fala desta gente que chega, que cresce e constrói a cidade com criatividade e perseverança:
Em 1960, minha mãe e minhas duas irmãs — uma de 8 anos e a outra ainda bebê — embarcaram na cabine de um caminhão Chevrolet. O motorista, sensibilizado, decidiu não deixá-las na carroceria junto aos outros passageiros, que incluíam meu pai e as inúmeras malas e sacos de pano. O destino era a capital de São Paulo. Minha mãe, exausta, cuidava das crianças e trocava as fraldas de pano da bebê.
Meu pai, que me contou essa história, não se queixava das dificuldades do trajeto. Preferia lembrar com orgulho das mudanças que percebia: o tom de verde da vegetação ficava mais viçoso à medida que se aproximavam da capital. Ele, marceneiro quase analfabeto funcional, reconhecia as árvores e madeiras pelos nomes.
O segundo momento que ele contava com orgulho foi ao chegarem ao centro da cidade: minha irmã bebê, até então apática, ficou encantada com os luminosos dos prédios, os semáforos e os faróis dos carros. A família nordestina, formada por um pai branco e uma mãe negra, ficou por um bom tempo admirando aquele cenário deslumbrante.
Trinta anos depois, meu pai construiu sozinho nossa casa própria de 20 m², a que chamava de “bangalô”, entre Vila Sônia e Taboão da Serra, acessado por uma pinguela sobre o rio Pirajussara, sem asfalto e com água de um poço cavado por ele.
São Paulo, para meu pai, era como uma grande feira livre: “Aqui tem tudo o que você imaginar; é só procurar”. Ele se encantava com a criatividade e as inovações. Um dia, voltou do centro animado porque os motores dos ônibus haviam sido movidos da frente para a traseira dos veículos, oferecendo mais conforto aos passageiros. Mesmo com um salário mínimo, encontrava soluções engenhosas para economizar — como consertar lâmpadas de filamento ou improvisar papel higiênico com folhas de jornal.
Ele também tinha um olhar artístico. Emoldurava recortes de jornais que recebíamos dos vizinhos: imagens do parque Ibirapuera decoravam a sala, enquanto a catedral da Sé era fixada no quarto.
Nunca se arrependeu de ter migrado. Orgulhava-se da decisão e repetia que faria tudo de novo. Sensível aos mais carentes, parafraseava com frequência a boa música de Eduardo Gudin e Roberto Riberti que ele nem conhecia:Se eu fosse deus, a vida bem que melhorava, se eu fosse deus, daria aos que não têm nada”
Por fim, encerro esse texto lembrando que São Paulo, uma cidade que acolheu minha família, também acolhe exemplos como o Padre Júlio Lancelotti. Parabéns, São Paulo. Feliz aniversário!
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Sandra Regina de Almeida Torres é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
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