Valeu, Cortella: uma noite de aprendizados sobre fazer o melhor

Diante da plateia do Teatro da FAAP, sob os refletores que iluminavam a cena, eu me vi mais uma vez ao aldo de um grande mestre e amigo: Mário Sérgio Cortella. Um filósofo que não apenas pensa, mas ensina com a força de quem coloca a alma em cada palavra. Estávamos ali para falar sobre Faça o Teu Melhor, seu mais novo livro, publicado pela editora Planeta. Como sempre acontece quando se está ao lado de Cortella, falávamos, na verdade, sobre a vida.

A felicidade daquele momento veio acompanhada de um senso de responsabilidade: estar à altura do conhecimento que Cortella compartilha é um desafio. É preciso estar atento, conectado, disposto a mergulhar nas ideias e, claro, fazer o meu melhor para acompanhar a profundidade dos seus pensamentos. E ali, no palco, cercado pelo olhar atento do público, percebi que essa era exatamente a essência do que discutíamos. Fazer o nosso melhor não significa superar o outro, mas sim superar a nós mesmos, a cada dia, na condição que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer ainda melhor.

O livro de Cortella nasce dessa provocação. Inspirado na citação de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, ele nos convida a colocar quanto somos no mínimo que fazemos. Não é sobre grandeza medida por status ou reconhecimento externo, mas sobre excelência como um compromisso pessoal. Um antídoto contra a mediocridade, essa doença silenciosa que se esconde no vou fazer o possível quando, na verdade, deveríamos dizer vou fazer o meu melhor.

No palco, entre reflexões e risadas, Cortella lembrou de sua infância em Londrina e da decisão que tomou aos 12 anos de idade: fosse qual fosse sua profissão, ele se recusaria a ser medíocre. E essa recusa não era uma obsessão pela perfeição, mas um compromisso com a entrega. “Não quero ser o melhor professor do mundo, quero ser o melhor professor que eu posso ser”, disse ele, com aquela clareza desconcertante que nos obriga a olhar para dentro.

Fazer o nosso melhor, explicou Cortella, não significa apenas aperfeiçoar uma técnica ou adquirir mais conhecimento. Envolve um compromisso ético e estético: fazer bem o que precisa ser feito e, ao mesmo tempo, fazer de forma bela, digna, significativa. Como um cozinheiro que não apenas prepara um prato, mas coloca ali seu esmero. Como um jornalista que não se contenta com uma pauta mediana, mas busca um ângulo mais profundo. Como um médico que não apenas prescreve, mas se importa. Como um professor que não apenas transmite, mas transforma.

Esmero foi a palavra que ganhou lugar privilegiado no palco e, ao fim da noite, no autógrafo grafado nos exemplares dos livros levados carinhosamente pelos leitores presentes. Cortella a descobriu em Os Maias, de Eça de Queirós, na cena em que Baptista recebe Carlos e “preparava com esmero um grogue quente”. Para ele, esmero vai além do cuidado: é o refinamento que dá polimento ao que fazemos, elevando cada ação ao seu melhor acabamento possível.

Conversamos também sobre a síndrome do possível, essa armadilha do conformismo em que nos contentamos com o mínimo necessário para seguir adiante. Quantas vezes ouvimos (ou dizemos) eu fiz o possível quando poderíamos ter nos esforçado mais? E o quanto essa mentalidade, tão enraizada, nos afasta da excelência? No palco, rimos da lembrança de um boletim escolar cheio de notas medianas e da justificativa clássica: pai, deu para passar. Passar não é suficiente. Viver no rascunho não basta.

Entre tantas reflexões, ficou um ensinamento precioso: a excelência não é um ponto de chegada, mas um horizonte. Não é um troféu para ser ostentado, mas um compromisso diário. Não exige perfeição, mas exige que estejamos em movimento. Fazer o nosso melhor, na condição que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer ainda melhor.

E quando o talk show chegou ao fim, depois de um mergulho profundo nessas ideias, deixei o palco com a certeza de que aquele encontro não terminava ali. As palavras de Cortella ecoariam nos pensamentos do público, assim como ressoavam em mim. Enquanto nos despedíamos, troquei com ele um sorriso e disse, com a simplicidade que o momento pedia:

— Valeu, Cortella.

E valeu mesmo. Porque foi um daqueles encontros que fazem valer a pena.

Ouça a entrevista completa com Mário Sérgio Cortella

Mundo Corporativo: participação feminina cresceu quase 500% em 13 anos no programa

Kátia Regina, da Nestlé, foi uma das mulheres entrevistadas Foto: Priscila Gubiotti

No sábado (01.02), o Mundo Corporativo estará de volta com entrevistas inéditas, marcando a abertura da temporada 2025. Ainda nesta semana, retomo as gravações para este que é o mais longevo programa de rádio sobre carreiras, gestão, liderança, empresas e empreendedorismo. No ar há 23 anos, sendo os últimos 14 sob minha direção, já conduzi mais de 600 entrevistas — por minha conta e risco, e, claro, sob a supervisão do jornalismo da CBN. Nesse período, conversei com CEOs, empreendedores, criadores e consultores, acompanhando as transformações do mundo corporativo.

Nosso objetivo sempre foi refletir as mudanças nas organizações, trazendo os temas mais relevantes para o mercado de trabalho. Entre eles, a crescente participação feminina e a importância da diversidade e equidade nas empresas. 

Mas foi apenas em 2019 que me dei conta de que o Mundo Corporativo ainda não refletia, na prática, as transformações que discutíamos no programa. Até então, a maioria dos entrevistados eram homens brancos, o que espelhava a realidade das empresas: um mercado dominado por lideranças masculinas.

Identificada a desigualdade, busquei entender suas causas. Como programa tem relevância, recebemos muitas sugestões de entrevistas, com profissionais altamente qualificados. No entanto, uma conta simples mostrava que, a cada dez indicações, oito eram de homens e apenas duas de mulheres. Era com base nesse elenco que fazíamos nossas escolhas. Ou seja, a lista era enviesada.

Diante disso, decidimos agir. Se as empresas e agências de comunicação ainda não nos conectavam com as CEOs, empresárias, empreendedoras, conselheiras e consultoras, nós iríamos buscá-las.

Hoje, quando temos um tema que nos interessa e a escolha for entre um homem e uma mulher, optamos pela mulher. Jamais abriremos mão da excelência. Jamais. Porém, por muitos anos, os homens foram os privilegiados nessa escolha.

A partir daquela decisão, o Mundo Corporativo começou a mudar. E os números mostram a transformação.  

Em 2019, entre os entrevistados, 35 eram homens e apenas 8 mulheres — um desequilíbrio de 81% contra 19%. 

Em 2020, a mudança começou: 30 homens e 14 mulheres (68% a 32%). 

O avanço mais expressivo ocorreu em 2023, quando as mulheres superaram os homens pela primeira vez: 24 entrevistadas contra 21 entrevistados, uma inversão da tendência anterior, com 53% de participação feminina. 

Em 2024, o equilíbrio se manteve: fechamos 29 entrevistas com mulheres e 26 com homens (52,7% a 47,3%).

Essa evolução reflete um esforço contínuo para ampliar a representatividade e enriquecer o debate corporativo. Desde que assumi a apresentação do programa, em 2011, a presença feminina cresceu 480%. 

Ao mesmo tempo que comemoro o resultado com toda a equipe de produção do Mundo Corporativo, é preciso reforçar: essa mudança não é um favor às mulheres. Tampouco uma concessão. É uma correção de rota. Transformações como essa só acontecem quando reconhecemos nossos vieses e nos propomos a agir. 

E a diversidade não pode se limitar ao gênero. É preciso ampliar ainda mais esse olhar, promovendo maior inclusão racial e étnica para que o espaço seja verdadeiramente plural — onde talento e competência definam quem ocupa cada posição. 

Não por acaso, a entrevista que marca o início da temporada 2025 será com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.black, empresa que desenvolve o afroturismo e incentiva a incorporação da diversidade e inclusão no ambiente corporativo. Um tema que se torna cada vez mais urgente para atender às demandas das novas gerações.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: São Paulo, uma marca de contrastes e pluralidade

São Paulo não é apenas uma cidade; é uma marca que representa diversidade, cultura e resiliência. Essa foi a reflexão central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que foi ao ar no Jornal da CBN. Aproveitando os 471 anos da capital paulista, os comentaristas analisaram como cidades podem ser percebidas como marcas, destacando a singularidade de São Paulo.

Cecília Russo lembrou que a construção de uma marca vai além de cores e símbolos. “São Paulo tem uma identidade que comunica coisas para as pessoas”, afirmou, destacando a pluralidade como uma das principais características da cidade. Para ela, São Paulo é um mosaico de contrastes: “Casas baixas e prédios altos, riqueza e pobreza, avenidas largas e vielas que nos levam de volta no tempo.”

Jaime Troiano ressaltou o papel da cultura como um traço marcante da identidade paulistana. “Quem nunca se encantou com a Virada Cultural ou se surpreendeu com a variedade de eventos, shows e exposições que acontecem aqui?”, questionou. Ele também destacou o lema presente no brasão da cidade, Non ducor, duco (não sou conduzido, conduzo), como símbolo da liderança e iniciativa características de São Paulo. “Aqui, as coisas fervilham, acontecem.”

A marca do Sua Marca

O comentário destacou que uma cidade, assim como uma marca, é construída coletivamente. “A gestão dessa identidade cabe à prefeitura, mas também a todos nós, cidadãos e cidadãs de São Paulo”, concluiu Cecília. O legado cultural, a diversidade e a capacidade de acolher pessoas de diferentes origens são as marcas que fazem São Paulo ser o que é: um lugar único que pulsa com vida e significado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Conte Sua História de São Paulo: minha transformação no solo fértil da cidade

Por Claudio Lobo

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Claudio Lobo destaca a cidade que inspira a transformação:

O ano era 1980. Eu, engenheiro eletrônico recém-formado, chegava a São Paulo para trabalhar na Telesp, a companhia telefônica da época. Por dois anos, vivi entre o Rio de Janeiro, minha cidade natal, e São Paulo, hospedado no centro, perto do Mappin da Avenida São João. A loja, ficava aberta até a meia-noite. E era lá que eu circulava depois do jantar. Os vendedores, na camaradagem, até reservavam ofertas para mim! Para um carioca, o centro paulistano era uma experiência pitoresca.

Naqueles anos, as transformações tecnológicas eram rápidas, avassaladoras. Eu tinha de estudar constantemente. para me manter atualizado. A cada inovação, um recomeço. Era o início da revolução digital impulsionada por Bill Gates e Steve Jobs. 

Em 1984, já morando definitivamente em São Paulo, entendi que as transformações do país eram enormes e a capital paulista era a caixa de ressonância: a transição política, as esperanças e as decepções, além das constantes mudanças de moeda, que nos obrigavam a nos adaptar rapidamente.

Lembro-me de ter lido uma frase atribuída a Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, mas o que melhor se adapta.” De lá para cá, o mundo deu um cavalo de pau. Vivi essa teoria na prática, desbravando novos conhecimentos e enfrentando desafios. Mais fortes chegamos e sobrevivemos à Covid-19. 

Hoje, dedico-me integralmente à fotografia. Com o salto tecnológico da área, só consegui me reinventar graças à disciplina e à persistência adquiridas desde meus dias como engenheiro. São Paulo, com sua energia e oportunidades, foi o solo fértil onde cresci e me transformei.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Claudio Lobo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: a dedicação de Betão, o bicicleteiro da Vila Cruzeiro

Photo by Pixabay on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo o ouvinte da CBN Mario Curcio destaca um personagem do empreendedorismo que marca a nossa cidade:

Uma das figurinhas carimbadas aqui da Vila Cruzeiro, na zona sul da capital, era o bicicleteiro Betão. Ganho o apelido, certamente, por sua altura: mais de 1 metro e 85. 

Betão era conhecido não apenas pela habilidade, mas também pela dedicação. Sua bicicletaria ficava na Avenida João Carlos da Silva Borges, quase esquina com a Rua Bragança Paulista.

Com ele, não havia tempo ruim. Sábados, domingos ou feriados, lá estava, trocando pneus, ajustando câmbios, soldando quadros. Entre um conserto e outro, gostava de contar histórias. No passado, havia sido negociante de carros usados e representante da MZ, uma marca de motos da antiga Alemanha Oriental, nos anos 1980.

Betão já estava com mais de 70 anos e nos últimos 15 dedicou-se exclusivamente às bicicletas. Guardava relíquias em sua loja: quadros de Caloi 10, Caloi Ceci e até uma rara Peugeot 10, dos anos 1970. O coroa era duro de negociar. Não vendia nada por migalhas: “É sempre muito difícil mexer no estoque. Tem muita coisa empilhada. Tem de ser um bom dinheiro pra valer a pena” — é o que dizia.

Betão não trabalhava sozinho. Dava oportunidade a jovens aprendizes e até a moradores de rua da Vila Cruzeiro. 

Em março de 2023, ao passar na loja, fui surpreendido: Betão havia partido, vítima de um enfarte fulminante. Ficaram as boas lembranças de alguém que, com suas mãos incansáveis, ajudou tantas famílias a pedalarem pelas ciclovias da zona sul, construindo memórias que nunca serão esquecidas.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mario Curcio e o bicicleteiro Betão são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva sua história agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: saudade do parque, dos pássaros e do pastel da minha cidade

Por Silvio Henrique Martins

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Silvio Henrique Martins destaca o gigantismo da nossa cidade:

Minha história de São Paulo, em 2025, é feita de boas saudades. Moro desde 2021 em Łódź, uma cidade no centro da Polônia, 10.500 quilômetros distante da querida São Paulo e 222 anos mais velha. Apesar de arborizada, Łódź não tem a marquise ou a fonte do Ibirapuera, nem as ladeiras da Brigadeiro e da Porto Geral.

Aqui, os terminais rodoviários são tranquilos, bem diferentes do movimento vibrante do Jabaquara, Barra Funda ou Tietê. O estádio local é bonito, mas não se compara ao Morumbi, onde vivi momentos inesquecíveis ao lado do meu pai, tricolor como eu. As feiras livres também são diferentes: frutas e flores dependem da estação, mas não há pastel, caldo de cana ou os famosos anúncios hilários das barracas paulistanas.

O trânsito local é leve; um engarrafamento de cinco minutos é considerado um transtorno. Sinto falta das marginais, onde 10 minutos para percorrer 7 quilômetros já era rotina. No inverno, o sol some e, com ele, os pássaros cantores. A saudade do canto do sabiá e do bem-te-vi é enorme, e hoje entendo a Canção do Exílio.

São Paulo me deu oportunidades, família e amigos, e sempre será minha cidade do coração. Mas Łódź me presenteou com uma netinha polaquinha, que embaralha minha geografia e me enche de esperança de que, no futuro, ela também tenha sua própria história para contar sobre São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Silvio Henrique Martins é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: os inovadores ‘Gilda’, cidadãos paulistanos dos trilhos

Por Rubens Cano

Ouvinte da CBN

Foto do bonde Gilda reproduzida do site São Paulo Antiga

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Rubens Cano de Medeiros destaca a cidade inovadora desde os tempos dos bondes:

Nenhum bonde, do primeiro a rolar até o último agonizante, foi tão bonito, confortável e moderno quanto os setenta e cinco Huffliner Cars, vindos da Broadway nova-iorquina. em 1947, para uma incipiente CMTC. E que haveriam de tornar-se cidadãos paulistanos dos trilhos por vinte anos de árduo trabalho.

Em nossa pauliceia, havia quem passasse a referi-los como Centex – do inglês Central Exit, pela portal central de saída. Outra alcunha: “Gilda”. Uma homenagem à beleza da personagem de Rita Hayworth, sucesso do cinema da época. Moleque, ouvia chamarem de “GiRda”, com erre. Para mim, era o “bonde Avenida Angélica”, da linha 36. Lembro de seus assentos de elegante palhinha trançada e dispostos como os de ônibus, de dois lugares.

Nos trilhos da internet, remanescem imagens das décadas de 1950 e 1960, nos arredores do Paiçandu, a Broadway paulistana. Largas avenidas, carros em profusão, multidões de pessoas, feérica iluminação e, sobretudo, cinemas.

Diz a lenda que um Gilda estava justamente a passar onde ocorria aquela “cena de sangue num bar d’Avenida São João”. E Paulo Vanzolini, sentado juntinho à janela, teria visto tudo. Tudinho.

Rita Hayworth, a diva que inspirou o apelido do bonde, soube do episódio depois, em meio a jornais paulistanos traduzidos na banca da Ipiranga. E talvez, como dizem, tenha descido do “Gilda” discretamente no cine Metro, para ver a si mesma na tela grande.

“Gilda, a diva… que virou bonde.”

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: em memória de Gabi, ajudamos crianças e jovens

Por Iracema Barreto Sogari

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Iracema Barreto Sogari destaca a cidade que se transforma a partir da coragem de sua gente:

Meus pais vieram da Bahia, em busca de trabalho e sobrevivência. Nasci em São Miguel Paulista, no extremo leste. Frequentei escola pública, ajudei minha mãe nas tarefas de casa e trabalhei enquanto cursava pedagogia à noite. Fiz especialização em educação especial e, nos fins de semana, participava das comunidades eclesiais de base.

Na década de 1990, criamos o Centro de Comunicação Popular do Itaim Paulista, que incluía uma rádio popular, essencial para os bairros periféricos. Foi lá que conheci Francisco Sogari, pesquisador e jornalista, com quem me casei e tive dois filhos, Gabriele e João Filipe. Trabalhei como professora, em três turnos, e o salário ajudava minha mãe. Nossa família se divertia no Parque Ibirapuera, na Avenida Paulista e até em estádios, torcendo pelo Inter, time do meu marido gaúcho.

Aos seis anos, Gabriele foi arrancada do nosso convívio, vítima de um motorista irresponsável. Ainda hoje, 24 anos depois, vivo a maior violência que uma mãe e um pai podem passar, dor que vai contra a natureza humana: enterrar os filhos.

Mas a vida tinha que continuar.  Encontramos forças em João Filipe e no amor ao próximo. Em memória de Gabi, criamos o Instituto Gabi, atendendo crianças e jovens com deficiência e autismo. Hoje, o Gabi é referência em inclusão, oferece acolhimento e assistência a 50 pessoas diariamente. Em breve, o projeto completa 25 anos, transformando vidas e construindo políticas públicas para famílias que vivem duplamente excluídas.

“Quem ajuda as pessoas é feliz.” Gabi dizia esta frase toda vez em que eu e o Francisco participávamos das atividades nas comunidades.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

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Iracema Barreto Sogari é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

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Conte Sua História de São Paulo: a cidade pioneira no combate a Covid-19

Por Sérgio Slak

Ouvinte da CBN

Imagem: Agência Brasil

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN, Sérgio Slack, destaca a cidade na vanguarda da ciência:

Sempre frequentei o Paço das Artes, dentro da USP, e amava as exposições e eventos culturais naquele belo e agradável espaço. Em 2016, o governo do Estado determinou sua mudança para dar lugar a um novo complexo do Instituto Butantan. Confesso que na época, fiquei muito chateado, pois o Paço era um dos meus locais favoritos. 

Eu mal sabia o quanto essa mudança seria importante.

Em 2019, surgiram as primeiras notícias sobre a Covid-19. Em 26 de fevereiro de 2020, foi confirmado o primeiro caso no Brasil. A doença trouxe internações e mortes, e uma grande agonia tomou conta de mim. Muitos duvidavam da rapidez para se produzir a vacina. 

O Butantan, com histórico exemplar, especialmente contra o vírus da influenza, se uniu a um laboratório chinês e, em 20 de dezembro de 2020, começou a produzir a vacina. Menos de um mês depois, em 17 de janeiro de 2021, eu vi a enfermeira Monica Calazans receber a primeira dose no Brasil, um momento emocionante pois sabia que a batalha contra a Covid começava a ser vencida. 

Tomei minha primeira dose em 29 de abril, e agradeci a enfermeira Janaína que me aplicou a vacina. Embora não fosse a do Butantan, senti alívio e gratidão. Desde então, sigo me vacinando e, toda vez, lembro da cena pioneira em São Paulo, símbolo da esperança na vida dos brasileiros.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Slack é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a influência das marcas italianas no Brasil

Valentino é uma das marcas de expressão na moda italiana

A relação histórica entre Brasil e Itália vai além dos laços de sangue e cultura; ela também se reflete fortemente nas marcas que moldam os hábitos de consumo dos brasileiros. Esse foi o tema central do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

No comentário, Jaime e Cecília destacaram como as marcas italianas deixaram sua marca no Brasil, tanto no comércio quanto na identidade cultural. “A Itália tem um papel enorme nas marcas, nos nossos padrões de consumo e na nossa identidade de consumo”, afirmou Cecília. Jaime completou: “Algumas dessas marcas são tão próximas a nós que parece que já são brasileiras porque vivem aqui entre nós há muito tempo.”

O programa abordou segmentos como alimentação, automóveis, moda e bebidas, onde marcas italianas têm presença expressiva. Na alimentação, o destaque foi para a Barilla, empresa que não apenas exporta para o Brasil, mas também possui produção local. No setor automotivo, ícones como Ferrari e Fiat ilustram extremos de público e vocação, enquanto clubes de futebol como Palmeiras e Juventus reforçam a herança italiana nos campos brasileiros.

Na moda, nomes como Prada, Valentino e Armani surgem como símbolos de um design único e de atenção aos detalhes. “Essas marcas ensinam muito sobre cuidado com os ingredientes, a matéria-prima e o design”, pontuou Cecília. Jaime ainda lembrou de marcas clássicas como Ferrero Rocher, produtora da famosa Nutella e dos Kinder Ovos, e Pirelli, sinônimo de pneus no imaginário popular. “Você passa perto da Ferrero e sente o cheiro de avelã no ar”, comentou.

A Marca do Sua Marca

O comentário deixou como marca principal a lição que as marcas italianas transmitiram ao mercado brasileiro: a importância do cuidado com os detalhes, a seleção criteriosa de matérias-primas e a força de um design bem elaborado. Essa combinação é um dos legados culturais e comerciais da Itália no Brasil.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.