Mundo Corporativo: Renata Muramoto, da Deloitte, alerta para as barreiras da transformação digital

Renata Muramoto no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“As empresas não podem fazer digital. Elas precisam ser digitais.”
Renata Muramoto Deloitte

Transformar uma companhia não significa apenas adotar ferramentas tecnológicas. A mudança é mais profunda: passa por estratégia, cultura e pessoas. Esse foi o ponto central da conversa com Renata Muramoto, sócia-líder de consultoria da Deloitte no Brasil, no programa Mundo Corporativo.

Para ela, o primeiro passo está em responder à pergunta fundamental: “qual é a razão de ser da empresa?”. Só a partir daí é possível definir como a tecnologia vai servir melhor ao cliente, trazer eficiência e até contribuir para a sustentabilidade do negócio. “A tecnologia tem que permear a estratégia das organizações. Isso precisa acontecer de forma tão natural que você nem perceba que ela está ali.”

O desafio cultural

Mesmo com a rápida evolução tecnológica, muitas empresas não conseguem acompanhar esse ritmo. Muramoto explica que “a principal barreira não é a tecnologia, é cultural.” Segundo ela, a liderança já está convencida sobre a importância da transformação digital, mas a média gerência e os profissionais formados em estruturas muito especializadas ainda enfrentam dificuldades.

A executiva lembra que o avanço das máquinas não elimina o papel das pessoas. Pelo contrário: “A tecnologia vai substituir tarefas operacionais e analíticas, mas o ser humano será cada vez mais responsável por criar, inovar e transformar.”

Competências do futuro

O impacto também se reflete no perfil dos profissionais. “Para o futuro, é muito importante resiliência, agilidade e pensamento crítico”, afirma Muramoto. O uso intensivo da tecnologia, segundo ela, pode levar à acomodação, reduzindo a criatividade e a capacidade de análise. Por isso, destaca a necessidade de manter o estudo contínuo e de valorizar a experiência prática.

“Você tem muita tecnologia disponível para estudar, mas não pode ignorar o conhecimento que vem das interações. É preciso ouvir mais do que falar, porque isso faz com que você aprenda muito mais.”

Ao olhar para os próximos cinco anos, Muramoto acredita que a transformação será ainda mais disruptiva, com a entrada de novos competidores em setores tradicionais. “Não será apenas a empresa de hotel que vai mudar a hotelaria ou a de mobilidade que vai transformar o transporte. São empresas de tecnologia que assumem esse papel.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Gabriele Carlos, da Zeiss, diz que a liderança tem de focar nas pessoas

Reprodução do vídeo da entrevista com Gabriele Carlos

“No final do dia, a gente está falando sobre gente. Não dá para fazer negócios se você não olhar para as pessoas que compõem a sua organização.”
Gabriele Carlos, Zeiss Vision Brasil

O caminho de Gabriele Carlos até a presidência da ZEISS Vision Brasil não seguiu o padrão mais comum. Formada em psicologia e com trajetória consolidada no setor de recursos humanos, ela assumiu o cargo de CEO com a convicção de que gestão e resultados só acontecem de forma consistente quando pessoas são colocadas no centro das decisões. Esse modelo de liderança foi tema da entrevista concedida por Gabriele ao programa Mundo Corporativo.

Da gestão de pessoas à presidência

Segundo a executiva, o convite para ocupar a cadeira de CEO veio acompanhado de um reconhecimento: sua inteligência emocional diferenciada. Para ela, liderar é como reger uma orquestra: “Você tem todos os músicos tendo que tocar o seu instrumento e você direcionando qual é o momento que um instrumento entra ou não.”

Ao longo de dez anos na empresa, Gabriele transformou a área de recursos humanos em uma frente estratégica, conectada aos objetivos do negócio. “O nosso propósito como empresa é ajudar as pessoas a verem o mundo de uma forma melhor. Isso não está só no produto que vendo, mas nas interações que tenho com todos os stakeholders.”

Essa mudança se consolidou por meio de práticas que envolveram todos os níveis da organização. Um exemplo foi a jornada cultural, que incorporou os valores da companhia às avaliações de desempenho, remuneração e desenvolvimento dos colaboradores.

Pessoas no centro da estratégia

A CEO reforça que o olhar para gestão de pessoas não pode estar restrito ao curto prazo: “A minha empresa tem 179 anos de existência. Eu estou aqui trabalhando para os próximos 179 que eu nem vou ver.”

Esse princípio também guiou decisões críticas, como na pandemia, quando a ZEISS aderiu ao movimento “Não Demita” e optou por preservar seus talentos. O resultado, segundo Gabriele, aparece em indicadores claros: aumento de engajamento, menor turnover, maior produtividade e inovação.

Comunicação e diversidade como pilares

Além da gestão, a comunicação tem papel central na estratégia da ZEISS. Internamente, reuniões, revistas e pesquisas de clima garantem espaço para ouvir os colaboradores. “Essa conexão precisa ser genuína, tanto do que eu vou fazer como empresa quanto daquilo que o colaborador entende que seria significativo para ele.”

Outro ponto ressaltado por Gabriele é a diversidade. Hoje, o board da empresa no Brasil tem equilíbrio de gênero. Para ampliar a representatividade, a liderança aposta em ações intencionais, como programas e processos seletivos que garantam candidatos de diferentes perfis. “A gente precisa impulsionar reflexões e abrir espaços, seja para fala, discussões ou seleção, para que a diversidade aconteça de fato.”

Educação e saúde visual

À frente da divisão de lentes oftálmicas no Brasil, Gabriele enxerga na educação do consumidor um desafio central: mostrar a importância da saúde visual e do diagnóstico precoce. Muitas vezes, observa, a escolha da armação recebe mais atenção do que a qualidade da lente. “A preocupação deveria ser primeiro com a lente, porque ela é determinante para a saúde visual.”

Para a executiva, esse esforço precisa estar atrelado também à comunicação com médicos, consultores ópticos e à sociedade em geral. O objetivo é reforçar a prevenção em vez de concentrar esforços apenas no tratamento de doenças.

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As lições do breve espetáculo dos ipês, em São Paulo

Por alguns dias, São Paulo esquece o cinza. As ruas ganham tons de amarelo, roxo, rosa e branco. Os ipês resolveram florescer juntos, contrariando o calendário e criando um espetáculo improvável para o inverno. Normalmente, cada espécie tem seu tempo: os ipês-amarelos, por exemplo, costumam abrir suas flores por apenas cinco a sete dias; os roxos preferem o início da primavera; os brancos se reservam para o fim de setembro. Desta vez, decidiram se sobrepor, como se a cidade precisasse de um intervalo de cor. E bastou uma fala aos ouvintes, durante o Jornal da CBN, para que nosso WhatsApp fosse tomado pelas imagens captadas pelos moradores da cidade.

O biólogo José Milton Longo, ouvido pela CBN, explica que a surpresa maior está no comportamento do ipê branco, que “se adiantou” um mês e pode até florir de novo em setembro, estimulado pelo calor alternado com frentes frias. A natureza se adaptando, ou, quem sabe, reagindo. A floração simultânea, ao mesmo tempo em que encanta, é também um lembrete de que as mudanças climáticas já afetam o ritmo natural da vegetação.

O curioso é que toda essa beleza tem prazo de validade. As flores dos ipês-amarelos, por exemplo, caem quase na mesma velocidade com que surgem, deixando no chão um tapete que dura mais tempo do que a própria festa na copa. É justamente essa brevidade que nos faz olhar para cima. Se os ipês florissem por meses, talvez nem repararíamos. O que nos prende o olhar não é o volume — é a exclusividade do instante.

Talvez haja aqui um recado para nós, que vivemos num tempo de excesso: mais informações, mais reuniões, mais notificações, mais barulho. Os ipês parecem nos ensinar que atenção não se conquista pela permanência, mas pela raridade. A beleza não está em estar sempre presente, mas em saber quando aparecer.

Por isso, olhe agora. Admire o amarelo vibrante, o roxo intenso, o rosa delicado, o branco raro. Daqui a alguns dias, tudo isso será memória, e os galhos voltarão ao silêncio. Talvez seja essa a lição maior: para chamar atenção, menos pode ser mais — e a vida, assim como os ipês, também tem seus breves momentos de flor.

Mundo Corporativo: Thiago César, da Samsung, destaca como o marketing precisa se tornar mais humano

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Thiago César

“Não adianta mais gritar com campanhas caríssimas se você não tiver um estímulo que seja relevante para o consumidor.”
Thiago César, Samsung

A disputa pela atenção do consumidor nunca foi tão desafiadora. Cercado de telas, mensagens e estímulos, ele tem diante de si inúmeras opções de escolha, mas pouco tempo para se interessar de verdade por uma marca. Nesse cenário, ganha força a necessidade de escutar mais e falar menos. Esse foi um dos temas da conversa com Thiago César, diretor de marketing da divisão de Consumer Electronics da Samsung no Brasil, no programa Mundo Corporativo.

Escuta ativa e microcomunidades

Segundo César, as marcas já não têm o protagonismo que tinham quando bastava colocar uma campanha no ar para impactar grandes audiências. Hoje, a centralidade está no consumidor. “Ou eu escuto de fato o meu consumidor, ou não vou conseguir ser relevante. Se a marca não for relevante, ela vira paisagem.”

Esse processo passa pela análise de comportamentos em pequenos grupos. “Pensar em grandes massas hoje em dia está muito difícil. Você precisa ter claro que existem núcleos, culturas, subculturas que a marca precisa entender para poder chegar mais próximo e relevante ao consumidor.”

Na prática, isso levou a Samsung a reposicionar produtos como a TV The Frame. Mais do que um televisor, o aparelho se tornou parte da decoração da casa, dialogando com artistas e comunidades ligadas à arte. “Deixamos de falar apenas de tecnologia para conversar com microcomunidades que valorizam estética e estilo.”

Reagir rápido e com humildade

Para César, lançar uma campanha não é mais o fim do trabalho, mas o começo. “No momento em que você lança, você vai ouvir, coletar, entender e reagir.” A velocidade da resposta, afirma, pode ser um ativo criativo, já que mostra ao consumidor uma marca atenta ao diálogo.

Ele destaca ainda que admitir erros é parte do processo. “Assumir de maneira humana e visceral quando algo não sai como esperado pode ser tão potente quanto uma campanha caríssima de 60 segundos.”

Inteligência artificial como apoio

Apesar do debate sobre o impacto da inteligência artificial no marketing, César a enxerga como suporte para aprofundar a dimensão humana da comunicação. “Vejo a inteligência artificial muito mais no sentido de nos apoiar a sermos mais humanos. Quando você consegue automatizar parte de um processo de construção de marca ou de leitura de pesquisa, pode focar realmente no que importa: o comportamento das pessoas.”

Essa visão é reforçada pela experiência do executivo ao longo de mais de duas décadas de carreira, em empresas como Itaú, Netflix e, hoje, Samsung. Formado também em psicologia, ele lembra que não se trata apenas de entender dados, mas de compreender os desejos e símbolos que movem escolhas de consumo.

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Conte Sua História de São Paulo: mato aparado do jeito dos cavalos

Ana Regina Carnevalli Parra

Ouvinte da CBN

cavalo
Foto de Ian Van Paio

Em meados dos anos 1980, fui transferida para trabalhar num posto de saúde, em um bairro da periferia, pertinho da Chácara Santana. Lugar com pouco recurso e favelas junto aos córregos, hoje, felizmente, canalizados.

Era pessoa nova no pedaço. Para realizar um dos meus trabalhos, precisava percorrer ruas e visitar pacientes. Naquela ocasião, dois casos graves de leptospirose foram diagnosticados.

Fui avistada pelo meu diretor que, em seguida, chamou-me para dizer que não queria que eu andasse naquele local, porque havia risco de morte. Expliquei que só estava em busca dos pacientes, para informações de vigilância.

Entendi a preocupação dele, mas fiquei inconformada. Queria só trabalhar!

Tive uma ideia: vou procurar quem manda no pedaço.

Falei com um, com outro, mais outro, com mães, com articuladores, depois de uns dias o meu pedido foi atendido. Recebi um bilhete, com dia, hora e lugar para o encontro, por sinal bem perto de uma esquina onde fui avistada anteriormente pelo meu chefe.

Apresentei-me no local: um minúsculo boteco. O rapaz franzino já sabia do que se tratava e o meu coração batia mais rápido. Agora sim, estou na boca do leão! Não desistirei.

Eis que apareceu do fundo da sala, um senhor alto, claro, elegante e de chapéu. Parecia até um astro do rodeio. Apresentei-me e comecei a falar do meu trabalho, dos doentes e da situação do córrego.

Ele colocou as mãos na cintura e disse: do que a senhora precisa?

Falei, falei não do que eu precisava, mas do que precisavam para promover saúde e medidas de prevenção. Depois que me ouviu, ele disse: a senhora terá tudo o que precisar para fazer isso. Pode ficar tranquila. Que mais precisa? Por fim, contei que lá no posto, o mato estava alto demais e não conseguíamos ninguém para cortá-lo.

Achei que foi demais a minha coragem e toda aquela conversa. 

Fim de semana foi, enfim segunda-feira.

De novo, chamada pelo diretor com a pergunta: a senhora pode me explicar o que está acontecendo? Hoje quando cheguei, encontrei dois cavalos dentro da nossa área no estacionamento com um recado de que estavam lá para acabar com o mato a seu pedido.

– Nossa, que rapidez, foi o chefão! – respondi.

Naquele instante, contei sobre o encontro. Quase fui morta, mas pelo meu próprio chefe! Bem, mas o que importa é o resultado excepcional.

Houve mobilização de outros atores da instituição, grande colaboração da comunidade. Foi realizado um enorme mutirão para a limpeza do córrego, desratização de toda a região, instalação de “containers” para colocação do lixo domiciliar e a manutenção da limpeza pelos moradores. Os doentes também se restabeleceram. Um verdadeiro milagre!

Quanto ao mato, continuou sendo aparado do jeito dos cavalos.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ana Regina Carnevalli Parra é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outras histórias, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Ferrari sem ronco é como cerveja sem álcool?

Foto: Ferrari/Divulgação

Imagine acelerar uma Ferrari e não ouvir o famoso ronco do motor. Difícil? Pois é exatamente esse o desafio que a marca italiana terá de enfrentar com o lançamento de seu primeiro modelo elétrico, previsto para 2026. A montadora promete um som “autêntico”, mas admite: não será o mesmo barulho que fez gerações de fãs vibrarem.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, Jaime Troiano chamou a atenção para o desafio: “Acho que a marca é mais poderosa do que o ronco. As marcas emitem vários sinais: cor, forma, clima, aparência geral”. Para ele, a Ferrari será lembrada não apenas pelo som, mas pelo conjunto de atributos que a transformaram em objeto de desejo.

Cecília Russo trouxe uma comparação provocativa: “Uma legião de pessoas têm tomado cerveja sem álcool da mesma marca que bebiam antes. Mal comparando, o sabor sem álcool seria a Ferrari sem o mesmo ronco?” A imagem é engraçada, mas faz sentido. Afinal, quem diria que consumidores tão fiéis aceitariam abrir mão justamente do que parecia ser a essência do produto — o álcool no caso da cerveja, o açúcar nos refrigerantes, o barulho no carro esportivo?

Ela lembrou também que a Ferrari não faz esse movimento sozinha. Outras montadoras já testaram os limites entre tradição e inovação, acertando em alguns pontos e errando em outros. O que diferencia a marca italiana é o cuidado em observar e aprender com essas experiências, sem abrir mão da aura que a envolve.

Ao final, a discussão toca em algo maior do que motores e combustíveis. Trata-se da capacidade das marcas de se reinventarem em meio a novas tendências de consumo. Produtos sem açúcar, cervejas sem álcool e carros sem combustão revelam que a sobrevivência não está garantida pela força, mas pela adaptação. Como resumiu Jaime: “As espécies que sobrevivem são as mais adaptadas. As marcas que se adaptarem às novas exigências da sociedade e do mercado terão longa vida”.

A marca do Sua Marca

Ferrari sem ronco ou cerveja sem álcool? O que parece uma contradição pode ser, na verdade, a chave da sobrevivência. Marcas que ousam mudar, sem perder a conexão com sua essência, conquistam espaço em um mercado cada vez mais movido por tendências sociais e ambientais.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: encontrei mãe, irmãs e irmão que aqui já estavam

José Geraldo Leite Coura

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Cheguei em 1978. Vim de onde o mar é o céu. Meio dia de viagem, na rodoviária Julio Prestes chegamos. Eu vim acompanhado de dois dos sete, quem nos trouxe foi outro. Atravessei o rio, esse já estava sujo; continua, apesar do já gasto. Chegamos na Freguesia do Ó. De lá corri por dias das férias em campo de cimento, diferentemente dos de terra e mato.


Encontrei mãe, irmãs e irmão que aqui já estavam. Todos agora nos juntamos a ele que veio bem antes para fazer o futuro. Essa chegada me fez vislumbrar uma São Paulo que ao longo do tempo aprendi a admirar e temer. Sempre atravessei a cidade no trem, no ônibus e no metrô.

No início foi na Cidade de Deus onde aprendi minha primeira profissão: mecanógrafo. De lá, técnico eletrônico. E, a partir deste, rodei por agências consertando tudo que mandavam. Nos intervalos, futebol e bailes. Colegas de todos os lugares. As domingueiras eram sempre animadas.

Já se foram 37 anos e hoje ou só hoje consigo parar para contar essa trajetória de luta e sucesso; de alguns tombos que me fizeram o que sou; de amigos que passaram e outros que continuam. Entre minha chegada e minha estada, são dois filhos e uma filha, todos paulistanos. Mas ela que me acompanha, também veio da minha terra natal.

Agora termino para agradecer a cidade que me fez este profissional e o cidadão que sou.  

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Geraldo Leite Coura é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outras histórias, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que acontece quando o dono vai embora da empresa?

Foto de MART PRODUCTION

A longevidade das empresas traz consigo um desafio inevitável: como garantir que a marca mantenha sua essência após a saída de um líder que a personificava. Esse foi o tema de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Cecília destacou que a sucessão envolve mais do que a troca de comando. “Se esse líder manteve toda essa energia apenas para si e não conseguiu ‘contaminar’ outros níveis da empresa com essa mesma energia da marca, quando ele sai fica um grande vácuo, uma crise de identidade. A empresa sem esse líder não sabe mais quem ela é.” Para ela, quando o trabalho de disseminar a razão de ser da organização é feito de forma planejada e constante, a marca consegue se perpetuar além dos produtos e serviços.

Jaime reforçou que o primeiro passo é a clareza do propósito. “O propósito vem de uma escavação, de explorar como os talentos daquela empresa se conectam com aquilo que a sociedade precisa. É nessa intersecção que o propósito se revela.” Ele lembrou que esse compromisso precisa ser vivido no dia a dia: na forma de contratar pessoas alinhadas, desenvolver produtos coerentes e até abrir mão de iniciativas que não reforcem a identidade da marca.

Para ilustrar, Jaime citou a brasileira Dengo, que nasceu valorizando o cacau nacional e os produtores da Bahia, e a americana Patagônia, fundada por Yvon Chouinard, que traduz no próprio negócio seu engajamento ambiental — a ponto de fechar lojas e site na Black Friday como forma de incentivar o consumo consciente.

A marca do Sua Marca

Planejar a sucessão de liderança é essencial para preservar a alma da empresa. Quando o propósito é disseminado e compartilhado por todos, a passagem de bastão ocorre de forma mais suave, garantindo que a marca mantenha sua identidade, independentemente de quem esteja no comando.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: meu pai trabalhava na Light

Nancy Alcantara

Ouvinte da CBN

Viaduto do Chá

Era dezembro de algum ano da minha infância, pegamos o ônibus na Vila Mariana e fomos para a cidade — como chamávamos o centro de São Paulo, antigamente. Minha mãe, meu irmão e eu, marcamos um encontro com meu pai no Viaduto do Chá. Meu pai trabalhava na Light and Power Company, uma empresa canadense — nesse prédio, na Xavier de Toledo, com toldos vermelhos e aparência atual um pouco desconfigurada da original.

Meu pai tirou do bolso um pacote de dinheiro. Era comum naquele tempo carregar dinheiro vivo — não existiam cartão de débito e de crédito. Mostrou o maço para a minha mãe que respondeu com um sorriso largo. Entregou tudo para ela e fomos ao Mappin — loja de departamento muito famosa, em São Paulo. 

Localizado na praça Ramos de Azevedo, bem em frente ao Theatro Municipal, ao lado do prédio da Ligth, no coração da maior cidade da América do Sul, o Mappin teve seis décadas de glória, imperando na venda de eletrodomésticos, roupas, utensílios para casa e brinquedos. Tudo que você pudesse imaginar tinha no Mappin. Quatro andares de pura diversão, especialmente para quem acabar de receber um “saco de dinheiro”.

Meu pai havia ganhado um bônus da empresa e resolveu fazer a felicidade da família. Ele retornou ao trabalho e nós entramos na loja de mais ou menos 15 mil metros quadrados de área construída, de puro consumo. Imagine a nossa felicidade até então acostumados a passar o ano todo contando o dinheirinho para comprar um sapato novo ou uma roupa melhorzinha.

Meu pai, além de trabalhar, cursava a faculdade de engenharia elétrica, depois de completar o curso técnico de eletrotécnica, estimulado pela minha mãe. Sempre ela!

Percorremos os departamentos da loja a escolha de pequenos prazeres que o dinheiro pudesse comprar. Nem eram tantas coisas ou produtos de grande valor, mas só de poder olhar, pegar e comprar, gerava um prazer que ficou na minha memória como sendo um dos melhores natais que já passei com minha família.

Depois das compras, nos encontramos novamente com meu pai e fomos os quatro almoçar no Café Girondino, um restaurante, embora com nome de café. Um luxo para nós. Vida de rico! Quando penso que hoje, almoçar em um restaurante é algo rotineiro, tenho a certeza que tudo começou lá atrás no desejo dos meus pais de crescer. Eles se dedicaram, se desenvolveram para dar o melhor para sua família.

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Mundo Corporativo: Paulo Henrique Andrade, da IturanMob, mostra como dados e mobilidade podem gerar crédito de carbono

Gravação do Mundo Corporativo com PH, da IturanMob Foto: Priscila Gubiotti

“Vamos conectar as coisas para você ter um perfil de uso de acordo com a sua necessidade. Esse é o negócio.”
Paulo Henrique Andrade, IturanMob

A mobilidade elétrica vai além do carro que não emite poluentes. Ela está diretamente conectada à forma como consumimos energia, usamos dados em tempo real e estruturamos serviços urbanos. Para Paulo Henrique Andrade, o PH, CEO da IturanMob, a transformação não acontece apenas no veículo, mas na lógica que organiza toda a jornada de deslocamento, planejamento energético e gestão de recursos. Ele é o entrevistado do Mundo Corporativo , que teve como tema central a integração entre mobilidade inteligente, planejamento estratégico e mercado livre de energia.

O carro que economiza e calcula seu impacto

PH destacou que, embora o carro elétrico elimine a emissão direta de poluentes, o verdadeiro ganho só acontece quando o carregamento também é feito com energia limpa — e essa escolha depende de acesso ao mercado livre de energia. “Você pode estar carregando o seu carro à noite com energia que vem de uma termoelétrica. O carro em si não polui, mas a fonte pode ser carvão”, alertou.

Segundo ele, empresas com frotas elétricas precisam entender seu perfil de consumo para negociar pacotes mais eficientes com fornecedores: “Você precisa saber quanto vai rodar, quais horários são mais críticos para o carregamento, se vai usar carregador rápido ou convencional.”

Esse planejamento estratégico também passa por soluções digitais criadas pela empresa, como o Make My Day, uma ferramenta que calcula trajetos, consumo de bateria e pontos ideais de recarga. “A gente já tem isso funcionando no Brasil, com parceiros que permitem agendar o carregamento e garantir que o posto esteja disponível para o usuário.”

Dados, carbono e segurança no mesmo sistema

Com mais de 400 mil equipamentos conectados, a IturanMob coleta e processa dados em tempo real para diversos fins — desde alertar motoristas sobre zonas de risco até calcular com precisão a quantidade de carbono evitado por veículos elétricos. “Criamos um algoritmo que compara o desempenho de um carro elétrico com um modelo similar a combustão e transforma essa economia em crédito de carbono. Esses créditos podem ser vendidos por meio de uma plataforma conectada a brokers.”

Além disso, o sistema pode ser usado para alertar motoristas sobre revisões, zonas de roubo e até organizar test drives estendidos para quem quer experimentar um carro elétrico por um fim de semana. “A gente está transformando um mercado que era reativo. Agora, o sistema avisa que sua moto precisa de manutenção antes do problema aparecer.”

Mobilidade inteligente e o novo comportamento urbano

A mobilidade inteligente, segundo Andrade, precisa ser multimodal, acessível e orientada por dados. “Não adianta pensar só em carro. Tem que conectar bicicleta, metrô, moto e saber o que é mais adequado ao seu deslocamento.” Essa lógica também muda a forma como as empresas pensam seus negócios. “Já tem motorista que deixou de gastar R$ 3.000 por mês com combustível e investiu esse valor na faculdade do filho. Isso tem impacto social real.”

O CEO da IturanMob reforça que a chave da inovação está na escuta ativa. “Você venderia o produto de hoje para as pessoas daqui a três ou quatro anos? Talvez não. É por isso que a gente tem que ouvir o cliente, entender o que ele quer e entregar uma jornada simples, funcional e relevante.”

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.