Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a origem como chave para o futuro

Reprodução de anúncio da marca Dona Benta

“Dificilmente uma marca cresce negando sua origem. Até para ser original ela precisa reconhecer sua origem”.  J

Jaime Troiano

“The fruits are in the roots” ou, em português e sem a mesma rima,  “os frutos estão nas raízes.” Essa máxima foi criada por Joey Reiman, uma das maiores referências internacionais na área de publicidade e desenvolvimento de marcas. Jaime Troiano e Cecília Russo, que trabalharam com Reiman, consideram essa lição primordial para que as marcas garantam um crescimento sustentável e autêntico.

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime reflete sobre como a essência de uma marca é fundamental para seu desenvolvimento. Para ilustrar essa ideia, ele menciona a marca Ypê como exemplo, destacando que, desde os primórdios, em Amparo, interior de São Paulo, o fundador Waldyr Beira cultivou uma ligação íntima com o produto que criava. “Quando nós queremos saber até onde uma marca é capaz de chegar, precisamos conhecer o seu DNA, sua história”, reforça Troiano. Essa visão não apenas preserva a identidade, mas também ilumina o caminho para inovações que respeitem a tradição da marca.

Cecília Russo trouxe outra experiência para fortalecer o pensamento de Reiman. Ela fala da trajetória da J. Macêdo, uma empresa centenária conhecida por marcas icônicas como Dona Benta e Petybon. Cecília destaca que “todas as empresas centenárias que conhecemos têm essa trajetória. Elas se reconstroem a partir de suas raízes.” Segundo ela, mesmo diante de inovações e ousadias, as raízes de uma marca são o terreno fértil de onde brotam os frutos mais valiosos. Essa conexão entre origem e sucesso é, para Cecília, uma constante nas histórias de empresas que perduram no mercado.

A Marca do Sua Marca

O principal ensinamento do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é a importância da coerência histórica e da identidade. As raízes de uma marca não apenas moldam seu presente, mas são o alicerce do seu futuro. A mensagem central é clara: conhecer e respeitar a origem de uma marca é essencial para construir um legado duradouro e bem-sucedido.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Christian Gebara, da Vivo, fala do futuro da inclusão digital no Brasil

Christian Gebara, da Vivo, nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Mesmo as relações digitais podem ser cada dia mais humanizadas. Não é porque elas são digitais que precisam ser apenas transacionais.”

Christian Gebara, Vivo

Imagine um país continental, repleto de desafios de infraestrutura, que encontra na tecnologia um meio para transformar a realidade de milhões de pessoas. Para Christian Gebara, CEO da Vivo, a digitalização não é apenas uma tendência, mas uma ferramenta crucial para a inclusão social. Com a promessa de conectar quase a totalidade da população brasileira, a digitalização surge como um motor capaz de impulsionar educação, saúde e inclusão financeira. A importância dessa transformação digital e suas implicações para a sociedade foram o foco da conversa de Gebara no programa Mundo Corporativo

“Na minha opinião, é vital que um país como o nosso, que ainda enfrenta carências importantes de infraestrutura, possa aproveitar o investimento em digitalização para promover a inclusão social,” afirmou o CEO da Vivo.

A Vivo, como principal operadora de telecomunicações do país, se posiciona na linha de frente dessa transformação, com iniciativas que vão além da conectividade, incluindo educação, saúde e segurança digital. “A inclusão digital depende basicamente de três grandes coisas: cobertura, acessibilidade e letramento digital,” explicou Gebara, destacando o papel fundamental de políticas públicas que facilitem o acesso a dispositivos e reduzam a carga tributária sobre serviços de telecomunicações.

A Importância da Cobertura

No primeiro pilar, a cobertura, Gebara destaca a necessidade de uma infraestrutura robusta que chegue a todas as regiões do Brasil, não apenas nos grandes centros urbanos, mas também nas áreas mais remotas. “Hoje, estamos conectando quase 100% da população com 4G e já alcançamos cerca de 50% com 5G,” afirma. Esse avanço é resultado de investimentos significativos em redes de fibra ótica e na expansão de tecnologias móveis de última geração. Segundo Gebara, a digitalização oferece uma oportunidade sem precedentes para transformar a sociedade brasileira, desde que seja possível levar conectividade de qualidade a todos os cantos do país.

Acessibilidade e Letramento Digital

O segundo pilar, acessibilidade, refere-se à necessidade de tornar os dispositivos e serviços digitais economicamente viáveis para a população. “Grande parte da população não tem condições de comprar um aparelho 5G ou pagar por serviços de internet de alta qualidade,” explica Gebara. Ele defende a adoção de políticas públicas que reduzam a carga tributária sobre dispositivos e serviços digitais, facilitando o acesso para famílias de baixa renda.

O terceiro pilar, letramento digital, envolve capacitar a população para usar a tecnologia de forma produtiva e segura. Gebara enfatiza que o Brasil, embora seja um país com alta adesão às redes sociais e ao uso de smartphones, ainda carece de programas educativos que ensinem habilidades digitais. Ele cita, por exemplo, que apenas uma pequena parcela das escolas brasileiras possui computadores para seus alunos, em comparação com 98% das escolas americanas. “A inclusão digital não se resume a conectar pessoas. É preciso educá-las para que possam tirar o máximo proveito das ferramentas digitais em suas vidas diárias, seja para aprender, trabalhar ou acessar serviços de saúde,” argumenta.

Conectividade Humanizada

Uma preocupação constante para Gebara é garantir que a digitalização não afaste as pessoas umas das outras, mas que promova interações mais humanas. Ele defende a importância de combinar a tecnologia com um toque pessoal. “Nosso objetivo é que, mesmo com o uso de inteligência artificial, as interações com nossos clientes sejam humanizadas,” comenta. A Vivo investe em personalização de serviços e utiliza a inteligência artificial para oferecer um atendimento mais eficiente e adaptado às necessidades individuais dos clientes, seja através de aplicativos, WhatsApp ou atendimento em lojas físicas.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o “Mundo Corporativo”: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Letícia Valente e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: o dia em que a freira e o Zorro foram detidos no aeroporto

Celia Corbett

Ouvinte da CBN

Foto de Nesrin Öztürk

Eram 1970. Tempos tumultuados. A ditadura tinha atingido seu auge. Qualquer manifestação de opinião contrária ao sistema era proibida. Nós éramos jovens estudantes, filhos respeitosos, gostávamos de Rita Lee, Chico Buarque, Beatles e assim seguíamos.

Estudantes mackenzistas com muito orgulho, estávamos entre o ensino médio e a faculdade. Eu cursava o último ano do Técnico de Administração e meu irmão, o Carlos, a faculdade de Engenharia. Todos nós éramos amigos dos amigos e formávamos um grupo muito legal. 

Fim de semana com festa era o máximo. Com festa a fantasia, era genial  Seria na casa da namorada do Andrade. Muita atrasada fui a loja de fantasia na Bela Vista e quase fiquei na mão. Tinha sim uma roupa que me servia. Mas será? De Freira? E assim foi. 

O quanto eu ouvi antes de sair de casa foi para a vida toda. Lá estava eu vestida com um hábito de freira perfeito, preto e branco, como manda o figurino. Mas qual a jovem de 16 anos não faria uma maquiagem a altura de uma festa de arromba. Festa, aliás, que estava fantástica com direito a odaliscas e piratas. Sensacional estava o Castro de zorro com capa e espada. Foi ele que me convidou para  acompanhá-lo e levar uma amiga lá pelos lados do Aeroporto de Congonhas. 

Nada era comparável ao café no aeroporto nos fins de noites daqueles ditos Anos Dourados. Aquele saguão chiquérrimo com seu piso quadriculado era muito badalado. O Castro tirou os adereços da fantasia e estava de calça e camisa pretas . Eu fiquei apenas com o hábito de freira e a maquiagem. E isso se transformou em um pesadelo.

Quando estávamos curtindo o saboroso cafezinho no balcão do salão fomos abordados por um policial que nos intimou a acompanhá-lo a delegacia do aeroporto. Por quê?

– Vocês estão detidos, disse o policial.

– Documentos na mesa, deu a ordem.   

    Logo nos apressamos a entregar a carteira de identidade e de estudante. Sim, de estudante porque mostrávamos que éramos pessoas de bem. Mas 1968 ainda estava na cabeça de todos assim como a Batalha da Maria Antonia, que fez com que nosso policial  nos condenasse antecipadamente.

    – Ah, estudantes do Mackenzie. Isso explica porque estão vestidos assim.

    Da festa de Ali Baba nos tornamos estudantes subversivos. Ficamos aterrorizados com a repressão do policial. Mesmo sem sofrer nenhuma agressão física, foi um pesadelo que só terminou quando o delegado de plantão chegou. Fez algumas perguntas: onde morávamos, oi que estávamos fazendo com as roupas estranhas. Todas devidamente respondidas. 

    Assim que fomos liberados pelo delegado, voamos para o carro que estava no estacionamento e de lá direto para casa. Além de um susto enorme, isso rendeu muita conversa pelos corredores do Mackenzie.

    Ouça o Conte Sua História de São Paulo

    Celia Corbett é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

    Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem nunca comprou um produto apenas pela embalagem?

    Foto de Polina Tankilevitch

    “Na jornada do branding, a embalagem está quase no final desse processo, pois é quando um produto chega aos consumidores. Mas ele é bastante importante por uma série de fatores”

    Cecília Russo

    A embalagem de um produto não é apenas mais um pacote ou embrulho para entrega; é uma ferramenta poderosa de comunicação que pode definir o sucesso de uma marca. Jaime Troiano e Cecília Russo, comentarista do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, entendem que o desenho da embalagem é um elemento crucial no processo de branding. Para comprovar essa ideia, eles fizeram uma pergunta aos ouvintes: “quem nunca comprou um produto apenas pela embalagem?”

    Cecília disse que o primeiro papel de uma embalagem é espelhar seu posicionamento. Ela explicou que o design deve refletir os valores e características da marca, desde as cores e ilustrações até a organização das informações. Um segundo aspecto é ter um design que gere reconhecimento, que capte a atenção das pessoas e de forma rápida sinalize quem você é. O objetivo é claro: facilitar o reconhecimento e a diferenciação do produto em uma fração de segundos, seja na prateleira de um supermercado seja na farmácia seja onde estiver exposto. “Tem gente que quer por tanta informação que a marca até some,” alertou Cecília, enfatizando a importância da simplicidade e da clareza.

    Jaime Troiano, por sua vez, destacou o papel sedutor das embalagens e ilustrou seu pensamento convidando o leitor a pensar no cenário que temos hoje nas farmácias, onde os produtos de uso pessoal competem ferozmente por atenção. “Quem me disser que não é seduzido por uma embalagem de um creme, ou de um shampoo, vou até desconfiar,” disse Jaime. 

    Ele enfatizou que a escolha das cores e o desenho devem ser estrategicamente pensados para transmitir sensações de confiança e qualidade. “Você não imagina comprar um produto para pele que seja um vermelhão. A impressão que passaria é que iria irritar a pele, descamar, machucar ou coisa assim”, comentou. 

    A marca do Sua Marca

    O comentário no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” destacou a necessidade de enxergar as embalagens como uma extensão da estratégia de marca. Criar uma embalagem eficaz não é apenas uma questão de bom gosto, mas sim de planejamento estratégico e conhecimento técnico. “Contrate um bom designer,” aconselhou Jaime Troiano, “que pense no design não pelo design puro, mas como consequência de uma estratégia para a marca.”

    Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

    O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

    Mundo Corporativo: Sidney Klajner, do Einstein, fala sobre como a tecnologia e a cultura organizacional transformam a saúde

    Sidney Klajner na gravação do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

    “Aquele preconceito quando a gente fala de adoção tecnológica, eu acho que vai ser quebrado com o tempo à medida que o meu tempo é melhorado na interação com o paciente.”

    Sidney Klajner, Hospital Albert Einstein

    A crescente demanda por cuidados médicos de qualidade e a pressão para oferecer serviços eficientes, fazem da revolução tecnológica uma resposta indispensável. Essa foi um dos temas da conversa com Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, no programa Mundo Corporativo.

    Klajner falou do impacto da transformação digital na medicina, destacando como a inteligência artificial está sendo usada para aprimorar o atendimento ao paciente. Ele afirmou que “a interação com o paciente deve ser priorizada, deixando que a tecnologia cuide dos detalhes técnicos, como a análise de resultados de laboratório.” Essa abordagem, segundo o presidente do Einstein, otimiza o tempo dos profissionais de saúde e melhora a qualidade do atendimento prestado.

    Cultura Organizacional e Propósito

    Além da tecnologia, Sidney Klajner destacou a importância de uma cultura organizacional forte e alinhada ao propósito da instituição. “Cuidar bem daquilo que a gente recebe ou daquilo que a gente cria como legado cultural e transmitir é fundamental”, enfatizou. Segundo ele, a disseminação de uma cultura baseada em valores sólidos é crucial para o cumprimento dos objetivos de uma organização, especialmente em uma instituição de saúde que visa não apenas o lucro, mas também o impacto social.

    Para Klajner, a liderança pelo exemplo é uma peça-chave. Ele se mantém ativo na prática médica, realizando cirurgias e atendendo pacientes, o que, segundo Klayner, permite uma gestão mais conectada com a realidade do hospital:

    “Estar na sala de cirurgia me faz viver o Einstein e entender as necessidades reais dos nossos colaboradores e pacientes. Essa vivência  é fundamental, até porque no meu caso, preciso gerar um resultado muito positivo para continuar empreendendo nas ações que buscam a realização do propósito, e isso é sentido vivendo o hospital no dia a dia, é  entendendo quais são os pontos que a gente tem que conhecer e investir para estar melhor”.

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    Nos 70 anos do Ibirapuera, uma lembrança do Ouvinte da CBN

    (Texto publicado originalmente no dia 1 de dezembro de 2023)

    Por José Carlos Vertematti

    Ouvinte da CBN

    Imagem de arquivo da “Aspiral”, de Oscar Niemeyer

    Eram 21 de Agosto de 1954. Eu tinha apenas cinco anos de idade mas me lembro muito bem deste dia maravilhoso! Meus pais, José e Vicentina, levaram minha irmã Rosinha e eu a uma grande festa: a inauguração do Parque do Ibirapuera, em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo.

    Uma área verde imensa, gramada, arborizada, com lagos, aves, chafarizes e vários prédios culturais que, para um garotinho como eu, parecia ser o mundo todo!

    Passeamos muito a pé e o que mais me intrigou foi o sistema de som do parque: podia-se ouvir claramente as mensagens e as músicas, em qualquer lugar e com o mesmo volume. Eu, ainda pequenino, não entendia como isso era possível, mas hoje imagino a complexidade de se instalar um sistema de alto-falantes em árvores e prédios, ao longo de todo o parque, e garantir um som perfeito e equilibrado, naquela época!

    Durante o passeio vimos um monumento lindo que tinha uns 17 metros de altura e que é difícil de descrever: algo como uma espiral com as extremidades unidas entre si por uma reta, fundeado no chão com uma inclinação de cerca de 60 graus.

    Soubemos que era uma obra de arte criada pelo magnífico arquiteto Oscar Niemeyer. a “Aspiral” ou “Voluta Ascendente” era um desenho que representava o crescimento e o progresso paulista. Estava instalada próxima à entrada principal do parque. Era para ser a imagem da cidade de São Paulo, assim como o Cristo Redentor é do Rio de Janeiro.

    Infelizmente, por motivos estruturais, este monumento não resistiu às forças da natureza e, em pouco tempo, veio abaixo e foi destruído! Hoje, só o vemos impresso na embalagem dos Dadinhos, aqueles chocolates com sabor de amendoim, que existem desde 1954. Aparece também na fachada de algumas casas que resistiram ao tempo. 

    Outra atração marcante foi a intensa chuva de prata, feita através de triângulos de papel metalizado que refletiam a luz criando um clima mágico. Após uma longa caminhada, maravilhados com a imensidão e beleza do novo parque, descansamos e fizemos um merecido piquenique no Ibirapuera.

    Conheça aqui a história da Aspiral, a estátua que desabou no parque

    Ouça o Conte Sua História de São Paulo

    José Carlos Vertematti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

    Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o rebranding se torna um risco iminente

    Photo by Olya Kobruseva on Pexels.com

    Mudar a marca de uma empresa é ação tão tentadora quanto perigosa, especialmente se feita no afogadilho, como se dizia nos tempos em que ‘rebranding’ ainda não fazia parte da língua portuguesa (contém ironia). O alerta foi feito por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Verdade seja dita: os dois há muito tempo questionam a angústia de alguns gestores em querer mexer e remexer na marca da sua empresa, serviço ou produto.

    Jaime Troiano destacou como algumas empresas têm se apressado em realizar o rebranding, influenciadas por uma percepção interna de envelhecimento da marca. “Muitas vezes, esse sentimento vem de dentro da própria empresa, enquanto os consumidores ainda veem valor na marca existente”, afirmou. 

    Se você enfrenta a mesma tentação, não se culpe: é comum gestores sentirem a necessidade de mudar, motivados por pressões internas ou pela concorrência. Jaime, sem medo de usufruir da força de marcas ou frases do passado, lembra: “os cães ladram e a caravana passa”. Ou seja, é preciso fazer da marca um ponto de referência permanente, em vez de seguir tendências de mercado sem uma análise criteriosa e mudar apenas porque os outros estão dizendo que é preciso renovar.

    Cecília Russo reforçou os riscos associados a mudanças bruscas, especialmente quando motivadas por fusões ou aquisições. “Mesmo que uma marca desapareça, lembre-se de que ela foi comprada porque algo de bom tinha”, destacou Cecília, argumentando que é fundamental manter elementos da identidade visual da marca original para garantir uma transição suave e respeitar o legado construído. 

    Considerando que há casos em que o rebranding seja realmente necessário, Cecília aconselha que a mudança seja com muita cautela: “Obedeça de forma quase religiosa os guard rails da marca, aquilo que faz com que ela seja lembrada e conectada com sua história anterior.”

    A marca do Sua Marca

    A principal lição do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é que os gestores sejam prudentes. Diante das incertezas ou falta de consenso na liderança, a marca deve ser mantida como está. “Em dúvida, a marca é inocente, não mude”, diz Jaime Troiano.

    Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

    O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

    Mundo Corporativo: Shana Wajntraub fala do desafio de fazer com que suas palavras sejam ouvidas

    Shana Wajntraub nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

    “Ser simples na sua mensagem vai fazer com que as pessoas te escutem.”

    Shana Wajntraub

    Estamos saturados de informações e repletos de desconfiança. Diante dessa realidade, a habilidade de se comunicar de maneira genuína tornou-se essencial, especialmente no ambiente corporativo. Para a especialista em comunicação Shana Wajntraub, o futuro da comunicação está diretamente ligado à autenticidade. “Naturalidade é irresistível”, afirma. No programa Mundo Corporativo, da CBN, ela explica  como a simplicidade e a verdade na comunicação podem ser ferramentas poderosas para qualquer profissional que deseja se destacar.

    Shana, autora do livro “A Arte da Comunicação de Impacto”, ressalta também a importância de alinhar a comunicação ao perfil comportamental de cada indivíduo. “Quando a gente vai no mais natural, ainda que se prepare, você conecta com as pessoas, e as pessoas sentem.”

    A importância de escutar e ser escutado

    Para a mestra em Comunicação, Análise do Comportamento e Credibilidade, a eficácia na comunicação não se resume apenas à fala. Shana destaca a importância da escuta ativa e da leitura das nuances não-verbais durante uma interação. “Comunicação não é só falar, é muito além disso. É inclusive escutar”, observa. Segundo a especialista, compreender o comportamento do outro e ajustar a mensagem de acordo com essa percepção é o que realmente faz a diferença. 

    Ela também abordou um dos maiores desafios da comunicação contemporânea: a dificuldade em ser ouvido. Shana explica que, diante de um interlocutor que parece não estar prestando atenção, é crucial adaptar a abordagem. “Às vezes eu vou para uma reunião preparada, mas percebo pelo não-verbal do cliente que ele está preocupado com outra coisa. Nesse momento, é essencial fazer uma checagem: ‘Como está a tua agenda? Quer que eu adapte a minha comunicação?’”. Ela sugere que, ao identificar essa desconexão, é preciso ajustar a mensagem em tempo real para manter a relevância e capturar a atenção. 

    Shana ressalta que essa habilidade de adaptação é rara, mas pode ser desenvolvida com prática e disciplina. “A arte de ser relevante não é só o que você quer passar, mas o que o outro quer ouvir. Se você casar isso, está fazendo um bom storytelling”, afirma. Ela enfatiza a importância de estar presente no momento da comunicação, observando e reagindo às pistas do interlocutor para ajustar a mensagem de forma eficaz.

    Ao discutir o cenário atual, Shana aponta para os desafios trazidos pela era da informação, onde o tempo e a atenção do público estão cada vez mais escassos. Nesse contexto, a habilidade de ser relevante e conciso torna-se crucial. “Ser relevante para quem está te ouvindo é a arte de um bom storytelling”, afirma.

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    Conte Sua História de São Paulo: vistas e memórias do Minhocão

    Profª.Dra. Deborah Hornblas

    Vista do Minhocão, em São Paulo Foto: Luis F. Gallo, ouvinte-internauta da CBN

    O longo viaduto se democratizou, mudou de nome, já não homenageia o Costa e Silva, agora é Presidente João Goulart. Eu, particularmente achei bom, mas paulistano só conhece o elevado de mais de dois quilômetros de cumprimento por apelido: Minhocão.

    O trambolho é feio. Passa de maneira acintosa pelos prédios que o circundam; não tem vergonha de invadir os lares, a vida das pessoas. É cinza, é duro. Embaixo de suas pilastras produz uma noite eterna e é o abrigo de quem não tem para onde ir. Ele é odiado e parece eterno.

    Minha vida quase inteira passei por ali. Durante os dias da semana, só se passa de carro, e veloz espio as janelas e os terraços. Quase posso ver, dentro das casas. 

    Vai aqui uma lista do tudo que vi e vejo no meu caminho:

    Edifício Altino Arantes, lá no fundo, icônico, simbolizando São Paulo. O Copan com suas milhares de janelas, meio que escondidas por traz de curvas de concreto. Prédios grudados uns nos outros parecendo se apoiar para não tombar. O redondo Hilton. Prédios com janelas da décadas de 1920, 30, 40, 50 e 60. 

    O castelinho da Rua Apa, local onde se deu um dos crimes mais terríveis da cidade. Dizem que é mal assombrado Um terraço com imensos vasos de estilo africano, embelezando a fachada sombria de um edifício antigo.

    A pintura de uma mulher com véu na empena cega, de olhos densos, que fica logo adiante de um outro retrato, esse colorido com tons africanos: é Mandela com um guepardo; o homem sorri para mim.

    Jardins verticais feios e mau cuidados

    Nas alças de acesso vejo craqueiros tristes e calmamente sentados: homens, mulheres, jovens tão jovens que são quase crianças ficam ali esperando a hora do fechamento do viaduto para continuar sua triste jornada zumbi

    Bicicletas, crianças e cães nos fins de semana. É quando o caminho se humaniza. Uma placa luminosa em uma janela oferecendo aulas de dança de salão, uma outra, serviços contábeis.

    Um bêbado, um louco, um drogado se equilibrando no meio das pistas, caminhando tropegamente na hora do rush. Ambulâncias com sirenes enlouquecidas. Motoqueiros buzinando e pedindo passagem no meio dos carros. Carros quebrados incomodando os que andam velozmente.

    O vendedor de amendoim que aproveita quando o trânsito emperra para oferecer sua mercadoria. Um pôr do sol vermelho e laranja. A pista inundada depois de uma chuva torrencial. Plantas insistentemente brotando das fissuras do concreto. Um, dois, três gatos na janela. Rede de proteção para eles e às crianças.

    O mergulho em um túnel escuro ao chegar a ligação Leste-Oeste. A visão da igreja de São Geraldo, no largo Péricles, e a lembrança de que estou pertinho do Ponto Chique e quase sinto o gosto do seu famoso bauru.

    Uma cruz enfeitada no meio do caminho: marcará a morte de alguém?

    O Minhocão vai ser demolido, mais dia, menos dia.

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    Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o desafio das marcas nas Olimpíadas

    Paris em foto divulgação do COI

    As Olimpíadas não são apenas um evento esportivo global, mas também uma arena competitiva crucial para as marcas. Nesse cenário em que a disputa é acirrada, a estratégia tem de considerar como se destacar em meio aos vários concorrentes que investem na competição. Esse é o tema central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, no Jornal da CBN.

    Cecília Russo destaca a complexidade do cenário ao afirmar que “temos quatro camadas de marcas a considerar – a marca dos patrocinadores, as marcas das roupas esportivas, a própria marca do COI, das Olimpíadas, e até a marca de Paris, como cidade sede”. Ela começa discutindo as duas primeiras camadas. Os patrocinadores, que incluem nomes globais como AirBnB, Allianz e Bridgestone, e patrocinadores Premium como Grupo Accor, Carrefour e LVMH, enfrentam o desafio de se destacar em um mar de 81 marcas patrocinadoras. “O primeiro desafio é como se destacar e aparecer nesse congestionamento?”, questiona Cecília.

    O segundo grupo, as marcas de equipamentos esportivos, ganha destaque especialmente porque as câmeras estão constantemente focadas nelas durante os jogos. Desde a cerimônia de abertura, marcas como Havaianas e PEAK, esta última responsável pelos uniformes dos atletas brasileiros, aproveitam esse espaço que concentra o olhar de milhares de pessoas no mundo. “Ela terá uma vitrine única e pode ganhar espaço na lembrança”, observa Cecília, sobre a marca PEAK.

    Jaime Troiano completa a análise falando das outras duas camadas. A marca do COI é uma entidade consolidada, com identidade visual e valores fortes. “Os Jogos Olímpicos são uma marca porque têm identidade, valores, cores e um símbolo que são os cinco anéis entrelaçados”, explica Jaime. Ele também ressalta a importância da marca da cidade sede, Paris, destacando que a gestão dessa marca pode impactar significativamente a percepção global da cidade.

    A marca do Sua Marca

    O comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo sublinha a necessidade de coerência na gestão das marcas, especialmente em um palco tão visível quanto as Olimpíadas. Como ressaltado por Cecília, “não dá para ser nas Olimpíadas algo que não se é fora de lá”. A reflexão final deixa claro que a performance das marcas será julgada tanto pelo que entregam durante os jogos quanto pela consistência de sua imagem fora deles.

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    O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.